Misteriosos Oponentes
Decididamente havia alguma coisa errada. Já estavam voando em círculos há duas horas e tudo o que viam eram árvores e mais árvores. E de vez em quando as costas ou a cabeça de uma daquelas drogas de dinossauros que poderiam ser parentes do Syrup. Bier tinha vontade de descer e explodir alguns daqueles bichos para descarregar a raiva; sabia que seu companheiro adoraria, mas seria estupidez. Um cartaz de "Oi, Estamos Aqui" não seria mais eficaz para a alertar os supostos namekianos de sua presença. Quando se cansou de contemplar a paisagem, Bier fez um sinal para Syrup e os dois desceram. Avisara expressamente seu subordinado para não falar nem fazer nenhum ruido além do necessário. Era a única coisa boa ali: pelo menos durante algum tempo não teria que aguentar sua vozinha irritante e conversa vazia.
Pelo menos assim pensara.
_Você viu? _ sussurrou o lagarto logo que aterrisaram _Aqueles dois sinais fortes que detectamos desapareceram.
_Devem ter morrido quando a nave caiu. Ótimo. Isso quer dizer que não enfrentaremos nenhuma resistência. _ Bier resmungou, lançando um olhar para que o companheiro se calasse. Baixas durante uma aterrisagem forçada eram comuns. Mesmo os piratas haviam perdido alguns companheiros durante o pouso na tempestade, e não iam chorar por eles.
_Ótimo? É um saco!
_Você vai poder se divertir depois, explodindo seus parentes do mato no caminho de volta pra nave. E que eu não precise te mandar calar a boca de novo!
A busca no chão se mostrou igualmente infrutífera. Nada indicava que uma nave houvesse feito uma aterrissagem forçada ou de qualquer outro tipo. Não que precisasse necessariamente haver uma imensa cratera, corpos queimados ou outras coisas tão dramáticas; mas pelo menos alguns galhos quebrados deveria haver, já que a nave supostamente descera no meio daquela floresta. Se não fosse pelos sinais cada vez mais fortes indicando a presença das esferas, Bier poderia supor que havia sido um delírio. A cada minuto que passava, ia ficando cada vez mais irritado. Será que aquelas porcarias estavam com defeito? Ligou para sua própria nave e recebeu a confirmação de que as esferas haviam sido igualmente detectadas lá, junto com alguns comentários depreciativos que fizeram seu sangue ferver. Aquele palerma do Juice chegou a lhe perguntar se não queria que mandassem alguém para substituí-los.
"Que inferno! O que está acontecendo afinal? Já passamos por aqui uma dezena de vezes. Pelo sinal, parece que até que as esferas estão bem na minha frente... mas tudo o que vejo são essas malditas árvores!"
Uma arma laser zuniu atrás dele, seguida por um cheiro de queimado. Bier virou-se num pulo e pronto para revidar. Syrup estava parado, olhando para as chamas que havia causado, enquanto apontava para um inimigo invisível.
_Que foi?_ Bier automaticamente apontou a arma para a mesma direção que Syrup _ Por que atirou?
_Havia alguém escondido atrás daquelas moitas. Ouvi um barulho.
Bier avançou cautelosamente alguns passos, com a arma em riste. Olhou bem para o buraco aberto na folhagem pelo laser. Se houvera mesmo alguma coisa viva ali, agora não passava de cinzas.
_Deve ter sido um esquilo. Graças a você, ele não vai mais atacar a gente. _disse, sarcástico _E, graças a você, acabaram as nossas chances de um ataque surpresa, se é que alguém da maldita nave está por perto. Por que não começa a pular e gritar "ei, ei, estamos aqui"?
Syrup respirou fundo e soltou o fôlego devagar, fazendo suas narinas sibilarem:
_Eu adoraria, se tivesse alguém pra ver! Meus pés estão doendo e meu estômago está grunindo, e tudo porque você precisa mostrar que é melhor do que o Absinto e não voltar de mãos vazias pra ser ridicularizado, como sempre acontece!
Foi a gota d´água. Bier agarrou Syrup pela gola da armadura, estapeou-o duas vezes, girou o corpo e atirou-o nas árvores mais próximas. Para sua surpresa, em vez de se esborrachar contra uma delas, Syrup atravessou-a. Ouviu-se um baque surdo atrás das árvores.
O queixo de Bier caiu. Mas o espanto durou apenas alguns segundos; sua mente rapidamente começou a trabalhar. Ele se aproximou e esticou cautelosamente o braço, tentando tocar o tronco que Syrup atravessaram. Sua mão não apenas não sentiu nada como também passou direto. Ele sorriu e deu um passo à frente.
Como num sonho, as árvores tremeram e se desvanesceram, dando lugar a uma clareira com a nave namekiana que ele e seus companheiros haviam visto no céu horas atrás. Syrup estava caído junto a uma das pernas da nave, ainda atordoado e esfregando a cabeça. Sem perceber a descoberta que havia causado sem querer, ele se levantou quando viu Bier se aproximar. Seus olhos se estreitaram de ódio:
_Pra mim chega! Líder ou não, você vai me pagar..._saltou na direção do peludo, mas este se esquivou com facilidade e agarrou-o pelos ombros, forçando-o a olhar para a nave. Foi a vez do queixo de Syrup cair:
_A... a nave namekiana!
_É! _Bier riu _Estava escondida bem embaixo dos nossos narizes - por um holograma! Quem diria que os namekianos fossem tão espertos?
_Que bandidos! _ Syrup deu um sorriso maligno, antecipando a vingança que ia tirar. Quis pegar a pistola de novo, mas Bier lhe fez um sinal para checar seu scouter.
A leitura confirmou que as esferas estavam ali dentro. Por outro lado, não havia sinal de vida. Nenhum som partia da nave, e não se via nada através do visor na frente. Syrup estava decepcionado.
_Não seja apressado _ avisou Bier, agora de bom humor _Lembre-se de que kis muito pequenos não são detectados por nossos scouters. Ainda pode haver alguém escondido aí dentro.
Syrup resmungou alguma coisa sobre "lixo insignificante", mas o líder não prestava mais atenção. Estava inspecionando ao redor da nave. Olhou embaixo e achou na barriga desta uma grande marca oval, provavelmente o local da entrada.
_Haha. Achei você...
Mal disse isso e seu scouter apitou em modo de alarme. Antes que pudesse dizer algo ou mesmo virar a cabeça, um forte golpe quebrou seu pescoço. Ele caiu para a frente como um saco de pedras, a boca aberta para nunca mais falar. Syrup já estava no chão antes dele.
Gohan e Kuririn fitaram os dois piratas agora inanimados.
_Puxa!Foi por pouco _sussurrou o garoto _Se não tivéssemos decidido voltar antes...
Kuririn concordou sombriamente. Ajoelhou-se e inspecionou Beer e depois Syrup, com uma careta de nojo:
_É, estão mesmo mortos. Tivemos sorte desses dois serem fracos. Se fosse gente como Turles ou Nappa, estaríamos encrencados.
_Humm-humm._fez Gohan com os lábios trêmulos. Seus olhos pestanejavam, como se ele estivesse lutando para reter as lágrimas. Adivinhando o que ele pensava, Kuririn procurou animá-lo:
_Você fez a coisa certa. Se os deixássemos escapar, eles voltariam com mais gente aqui. E, mesmo se os prendêssemos como reféns, sempre seria um perigio para Bulma e Oolong.
_Eu sei. Papai e o senhor Piccolo me explicaram várias vezes sobre essas coisas. É só que... às vezes eu gostaria de ter outra opção.
_Eu também, Gohan. Olha, vá lá pra dentro e avise a Bulma que o perigo já passou. Ela e Oolong devem estar histéricos. Eu vou levar os corpos pra longe e enterrá-los. _viu que o garoto hesitava e dispensou-o com um aceno _Vá logo! Aproveite e leve as frutas pra dentro._indicou com a cabeça dois sacos cheios com frutas que eles haviam apanhado na floresta.
Esperou Gohan se afastar e olhou para Syrup. Não fora impressão sua, o feioso ainda respirava. Inconscientemente, Gohan acabara se refreando e não o acertara para matar. Um golpe rápido no pescoço resolveu o problema. Kuririn engoliu em seco. Embora soubesse que não tinha outra saída, sentia o olhar reprovador de seu melhor amigo sobre ele.
_Me desculpe, Goku. Sei que não ia aprovar isso. Gostaria que estivesse aqui com a gente, você sempre sabe qual é a coisa certa a fazer. Só espero que não me mandem pro Inferno se eu morrer de novo.
Se os dois companheiros mais fracos haviam ficado histéricos com a longa espera dentro da nave, com certeza se recuperaram rápido. Quando Kuririn chegou, encontrou os três reunidos na sala de controle, como esperava. Bulma obviamente estivera se gabando da sua idéia genial de produzir um holograma para esconder a nave, a julgar pelo olhar irritado de Oolong e por suas palavras:
_Ah, pare com isso. Pra começar que a idéia não foi sua: você só a copiou daqueles garotos que a gente encontrou no espaço.
_Gostaria de ver VOCÊ fazer alguma coisa assim! Desde que a viagem começou, você não tem feito nada a não ser reclamar.
_Gente... _ Kuririn começou, mas foi ignorado.
_E cozinhar, não se esqueça! E lavar as roupas sujas de vocês três. E revisar as lições do Gohan...
_"Revisar as lições do Gohan". Ha! Ele sabe muito mais do que você...
_PAREM COM ISSO! _ a vozinha de Gohan ecoou dentro das paredes da nave como um trovão. Seus amigos instantaneamente fizeram silêncio e olharam para ele, espantados. Talvez ele tenha alguma coisa de Chichi, no final das contas, pensou Kuririn.
Ao se ver alvo de todas as atenções, o menino desviou os olhos, constrangido:
_Me desculpem, mas não é hora de brigar. Nós estamos em perigo. Acho que aqueles dois que nós encontramos lá fora eram amigos do Taurus. Estavam vestindo as mesma roupas que os capangas dele.
Oolong e Bulma ficaram brancos.
_Eu sabia _ ela levou as mãos à cabeça _Já havíamos considerado essa possibilidade antes de aterrissar. Mas, espere um pouco... Se as esferas que detectamos aqui estão reunidas, isso quer dizer...
_Que Taurus está com elas! _Oolong completou _Mas como? Será que ele também fez um radar do dragão?
_Nós os vimos examinando os deles disse que o sinal estava bem forte._disse Kuririn _Obviamente é assim que eles encontram as esferas.
_Mas então... então... _o porco gaguejou _Isso quer dizer que mais bandidos podem vir aqui a qualquer momento! Eles podem até estar chegando aqui! Precisamos nos livrar das esferas imediatamente _correu para a saída, obviamente planejando ir ao depósito onde as esferas que haviam encontrado estavam escondidas. Gohan cortou-lhe a passagem:
_Você não pode estar pensando em fazer isso! Tivemos muito trabalho para juntá-las. O que vai ser da Terra? E mamãe, papai, o senhor Piccolo e todos os nossos amigos? Todos eles vão morrer!
Oolong pareceu meio culpado.
É a vida, garoto. Eles vão compreender se fracassarmos. Podemos procurar algum lugar no universo...
_Esquece, não podemos ir agora _Bulma cortou.
Silêncio geral. Os três a olharam como se a mulher tivesse dito que ia raspar a cabeça.
_Como assim não podemos?_o porco se indignou_Você disse que conseguiria consertar num instante! Quer dizer que a mecânica sabe-tu...
Kuririn cortou-lhe a frente, porque Bulma estava prestes a explodir. A última coisa que precisavam agora era de outra briga:
_O dano causado pela tempestade... foi mais sério do que parecia, não?
Bulma lançou um olhar cortante a Oolong, antes de respirar fundo para responder. Seu tom de voz era claramente contido:
_Acho que foram os relâmpagos. O computador da nave não responde mais, porque duas peças da parte central queimaram e não podem ser substituídas.
_Mas você não trouxe peças de Namek justo para esse tipo de problema?_Kuririn insistiu, irritado _Custamos a sair de lá porque você fez questão de procurar o melhor mecânico do planeta!
_VOCÊ ACHA QUE É SIMPLES ASSIM?!_ela berrou de volta, já no seu limite _Eu peguei as peças que mais se pareciam com as da nave de Kamisamar, mas ela é MUITO antiga! Nem o Arion* tinha certeza se ia funcionar, porque boa parte do conhecimento tecnológico que eles tinham, na época do cataclísma em Namek, se perdeu.
Kuririn e Oolong continuavam boiando, mas Gohan fez que sim com a cabeça:
_Entendi... As peças que você arrumou não eram compatíveis com as deste computador.
_Então estamos presos aqui?_Oolong já estava entrando em pânico de novo.
_Também não é assim! Acho que consigo fazer umas adaptações, pelo menos para a nave poder ir a algum planeta civilizado. Mas vai levar vários dias. Seria melhor se eu construisse primeiro uma antena pra tentar bloquear os sinais das esferas.
_Você pode construir uma depois que acharmos outro abrigo_cortou Kuririn _ O Oolong tem razão numa coisa: é perigoso continuarmos aqui. Se aqueles dois descobriram o segredo do holograma, outros mais espertos vão descobrir fácil, fácil.
_Agora vocês prestam atenção no que eu digo? _ o porquinho gemeu, pálido com a idéia de ter de enfrentar a selva lá fora. Bulma estava tão preocupada quanto ele, e Gohan também não estava nada contente:
_Mas, e as esferas?_ele insistiu_Vamos deixá-las para o Taurus?
Os quatro silenciaram por um momento. Realmente, não podiam deixar a razão de sua busca para trás, mas também não podiam levá-las consigo. Era perigoso demais.
_Estamos perdendo tempo! _Oolong reclamou _Por que vocês dois não enterram as bolas em algum lugar longe daqui, enquanto eu e Bulma empacotamos a bagagem? Depois vocês voltam e ajudam a gente a arrumar um esconderijo!
Todo mundo olhou para o porquinho, como se não acreditassem que ele fosse capaz de pensar em algo assim.
_Boa idéia!_Kuririn se animou _Se as esferas mudarem de lugar, vão distrair os piratas por tempo suficiente para tirar a atenção daqui!_ Gohan começou a objetar, mas o monge o tranquilizou _É só até arrumarmos outro lugar. Depois que Oolong e Bulma estiverem seguros, a gente volta para onde enterrou as esferas e tomamos conta até ela construir o bloqueador.
_E se o Taurus achar as esferas antes?
_Aí vocês dois arrumam um jeito de pegar as "nossas" esferas junto com as que eles já tem! Vão ter que fazer isso de qualquer jeito, não é?_Bulma cortou, já apanhando uma caixa de ferramentas e algumas coisas na sala de controle. Olhou para Oolong, que inspecionava uma fruta dos suprimentos apanhados por Kuririn e Gohan _ Já que está lidando com comida, pode ir pegar os suprimentos na cozinha. E não esconda nada nos bolsos!
_Poderia me pedir com mais respeito, já que eu sou tão inteligente!
_Não teste a minha paciência. _ela olhou para os dois amigos que haviam subido na plataforma que levava para fora da nave _Pena que a gente não tenha um scouter, senão eu poderia estudá-lo para saber como é que eles captam os sinais das esferas.
_Os sujeitos que derrotamos tinham scouters. _Gohan comentou, enquanto a plataforma descia, sem perceber o olhar aflito que Kuririn lhe lançou.
Bulma debruçou-se borda do buraco oval onde a plataforma se encaixava e olhou para os rapazes lá embaixo, já no chão:
_Ótimo! Já é um começo. E onde estão?
_Enterrei junto com os corpos... _ Kuririn engoliu em seco.
Bulma quase caiu de lá de cima:
_ESTÁ ME DIZENDO QUE VOCÊ OS ENTERROU SEM REVISTÁ-LOS PRIMEIRO? Não pensou sequer que poderiam ter alguma coisa importante? Será que eu tenho de pensar em tudo? VÃO LÁ FORA E NÃO VOLTEM SEM OS SCOUTERS! E tragam tudo o mais que acharem com eles - dispam os corpos, se precisar!
XXXXX
Sepsi clicou a senha para abrir a pesada porta do laboratório e respirou fundo; seu corpo enrijeceu-se como se estivesse se preparando para uma tarefa muito desagradável. Mesmo antes da porta abrir totalmente, uma onda de calor e umidade beijou-lhe o rosto como a carícia de uma amante. À primeira vista, poderia-se pensar que a porta dava para a saída, se não fosse pelo caminho marcado por placas metálicas no chão. O vidro no teto também dava a impressão de céu aberto. Mas, à medida que Sepsi avançava, mais e mais detalhes da nave apareciam, tais como chiados e sons borbulhantes, bem como os tubos e fios que mantinham vivas as plantas. Também não havia animais naquela floresta, exceto por alguns exemplares flutuando em tubos especiais no fundo do laboratório.
Sepsi finalmente chegou à área livre de plantas e olhou em torno. Aparentemente, seu chefe não estava ali.
_Aquele cretino do Juice me enrolou de novo. _resmungou, apoiando-se numa mesa de metal. Distraidamente, correu os olhos pelo conteúdo da mesa - bandejas com instrumentos cirúrgicos na maioria, mas também havia umas frutas de aparência esquisita. Se é que eram realmente frutas. Pareciam duas bolas amassadas. Estendeu a mão para uma delas a fim de olhar melhor.
_Eu não provaria, se fosse você _ disse uma voz em tom divertido _Consegui reduzir o veneno, mas poderia lhe dar uma dor de barriga.
Sepsi virou-se num pulo:
_M-Mestre Taurus, me desculpe! Não vi o senhor chegando.
_Alguma coisa errada, Sepsi? Você sempre espera que eu saia do laboratório...
Sepsi ignorou a insinuação de covardia:
_Perdemos o grupo que procurava a nave namekiana.
_O grupo de Bier, não é? Não estou surpreso. Ele sempre foi um incompetente. Encontraram a nave, pelo menos?
_Não. A última vez que Bier nos contatou disse que estava acontecendo alguma coisa muito estranha. Não há sinal de que alguma nave tenha aterrisado. Nada de árvores quebradas ou queimadas, nenhuma cratera. Como se a nave fosse uma alucinação.
_Mas os sinais das esferas não são alucinação. Nakes namekianas não poderiam mesmo queimar nada, pois não possuem sistema de propulsão. A tripulação deve estar se escondendo com um holograma ou algo do gênero; ouvi falar de uma colônia de crianças que se protegia dessa forma. Pobre Bier _ Taurus deu uma risada cruel _Aposto que morreu com a nave bem embaixo do seu nariz!
Um brilho apareceu nos olhos de Sepsi:
_Agora que o senhor disse, lembrei de uma coisa estranha. O senhor se lembra dos sinais mais fortes que captamos em nossos scouters? Eles desapareceram pouco depois que a nave aterrissou. Achamos que tivessem morrido na queda, mas os sinais reapareceram segundos antes de Bier e Syrup serem mortos. Depois desapareceram novamente. Ainda estamos procurando pela nave e os tripulantes.
Os olhos de Taurus brilharam. Lembranças da batalha na Terra passaram rápidas por seu cérebro. Então era assim? Lentamente, seus lábios se curvaram num sorriso desagradável. Não poderia ser melhor. Teria não somente as esferas, mas também sua vingança aconteceria mais cedo que planejara. Teve de se conter para não dar uma gargalhada.
_Então eles podem controlar seus kis até não serem detectados? Bem que eu achei que não fossem namekianos.
Sepsi pareceu surpreso e abriu a boca, mas Taurus o interrompeu:
_Deixe isso para depois. Você disse "antes de Bier e Syrup serem mortos". Garana não estava com eles?
_Não. Garana estava cuidando de um nativo que encontraram quase afogado no rio. Enviamos uma patrulha para resgatá-los, mas só encontraram o corpo de Garana. Parece que o selvagem estava contido por algemas e usou-as para rasgar a garganta dele. Achamos as algemas abertas e cheias de sangue a poucos metros do cadáver. O selvagem levou as coisas de Garana também: o scouter e a pistola laser dele desapareceram. Deve ter levado como troféus. _falou com desprezo, sem perceber a maneira como Taurus ficou rígido, de repente.
Sepsi percebeu apenas que seu chefe ficara pensativo, o que era natural; afinal de contas, não imaginavam que a tal nave namekiana fosse lhes dar tanto trabalho. Um tanto impaciente para se ver fora daquele lugar, ele quebrou o silêncio:
_Mando outra patrulha atrás da nave? _ a pergunta era apenas uma confirmação oficial do que parecia óbvio.
_Não. Evidentemente, eles estão aqui para pegar as nossas esferas. Vamos deixar que venham atrás delas. _Turles sorriu, tanto de expectativa quanto com a expressão chocada de Sepsi. Depois, assumiu uma expressão severa_Prefiro que mandem grupos atrás do homem que matou Garana.
_O nativo?_ Sepsi fez cara de nojo _Ele é só lixo, mestre. O fato de que matou Garana não prova nada; qualquer um poderia matar um andrelliano. Absinto encontrou a toca dele e disse que fedia mais do que a gruta de uma fera Yakon.**
_Esse homem não é um nativo. _Taurus insistiu com calma forçada. Como seus homens podiam ser tão idiotas? _Vocês não encontraram tribos morando nessas florestas, encontraram? Temos um homem por aí armado com uma pistola laser e que pode muito bem estar ouvindo a nossa conversa!_ com um gesto brutal, arrancou de Sepsi o scouter que ele usava e atirou-o no chão. Mesmo assim, o imediato não estava convencido.
_Ora, por favor, mestre. Como um selvagem ignorante vai saber usar um scouter ou uma arma laser? Ele deve tê-los levado porque os achou bonitinhos. O senhor sabe como esses povos primitivos gostam de bugigangas. Se não achamos sua tribo, é porque deve ter vindo de algum lugar das mont... _Sepsi foi violentamente empurrado para trás, derrubando a mesa metálica. Sua cabeça mal havia batido no chão e uma bota aterrissou dolorosamente em seu peito, tirando-lhe o ar:
_Esse homem não é um selvagem, idiota! _a voz de Taurus trovejou no laboratório, fazendo os ouvidos do outro alien zunir _ Ainda não percebeu? Um selvagem não saberia usar um cartão de fóton para abrir as algemas!
XXX
_Merda _ Vegeta desligou o scouter.
*Arion lusitanus é uma espécie de lesma nativa da Península Ibérica. Não vamos esquecer que os namekianos tem nomes de lesmas ou de instrumentos musicais.
**Yakon – besta que aparece na nave de Babidi durante a Saga de Majin Buu. É derrotada por Goku.
