Capítulo 7 – Escondidos
De cócoras sobre um grosso galho de árvore a mais de mil de metros acima do chão, Vegeta mexia no rádio do scouter, mais por teimosia do que por esperança de entender alguma coisa. Desde que Taurus percebera que Vegeta não era um "selvagem", as mensagens trocadas entre os piratas por rádio haviam mudado para uma língua que ele nunca ouvira falar. Desligou o aparelho, irritado. Só não esmigalhou aquela coisa porque precisava dela para captar os sinais das tais "esferas do dragão", das quais a sua bolinha fazia parte. Era até engraçado: nunca havia entendido porque guardara aquela coisa, a não ser por um sentimento infantil de posse. Quem diria que um simples brinquedo seria o seu bilhete de saída daquele inferno verde?
Para que os piratas e os namekuseijin precisavam das bolas era o que menos interessava a Vegeta. Descobriria mais tarde. Sua cabeça estava concentrada em como aproveitar aquela chance. As duas naves só ficariam ali até um dos dois grupos pegar todas as esferas – ou até eles terminarem de se matar uns aos outros. Tirou do cinto que pertencera a Garana o pedaço de um lagarto que havia matado pouco antes e mastigou-o, mesmo sem fome. Limpou apressadamente a mão na coxa nua, retesou as pernas e saltou. Durante alguns segundos, o corpo bronzeado pareceu parado no ar; então sua cauda estendeu-se e agarrou um pequeno galho acima dele, dando continuidade ao impulso para levá-lo até a árvore mais afastada. Qualquer um que assistisse suas manobras no alto das árvores ficaria boquiaberto com sua rapidez e agilidade; Vegeta superava sem esforço qualquer animal arborícola daquele planeta. No entanto, essa habilidade o enchia de frustração e vergonha. Estava dando razão a todos aqueles que o haviam chamado de "macaco Saiyajin". Pior: se ainda fosse capaz de voar, poderia dar a volta no planeta em menos de uma hora. Mas não podia nem devia pensar nisso.
Já havia avançado por vários quilômetros quando ouviu um ruído suspeito; na mesma hora, agarrou-se ao tronco de uma árvore e escondeu-se atrás dela. Visto de longe, pareceria uma imensa perereca se não fosse pelo rabo. De longe, viu os causadores do ruído: alguns esquilos gigantes que fugiam, provavelmente aterrorizados pelo seu cheiro de predador. Vegeta deslizou para o galho mais grosso da árvore onde estava e ficou de cócoras, pensando. Na véspera, havia se limpado o melhor que pudera do barro e do sangue de Garana; embora não estivesse imaculadamente limpo, seu odor estava evidentemente espantando os animais. Droga. Não tinha tempo nem condições de fazer sua costumeira camuflagem de gordura animal; só esperava que ninguém nas patrulhas fosse esperto o bastante para notar que os bichos estavam fugindo de algo que não eles mesmos. Mas, pelo que já havia observado, seria pouco provável. Aparentemente, o chefe deles era o único capaz de perceber sutilezas. "Perseguido por outro Saiyajin... quem diria."
Era interessante saber que existia mais alguém de sua raça vivo, além dele mesmo, de Nappa, Radditz e do irmãozinho fracote deste, Kakaroto. Para Vegeta, Taurus* só podia ser um Saiyajin: ninguém daria a um filho um nome típico da raça mais odiada no universo, depois dos Icejins. Provavelmente fora mandado para outro planeta, como o irmão de Radditz, mas os piratas o encontraram. Ou se juntara a eles depois de crescido. "Se eu soubesse que havia um Saiyajin entre os piratas, teria procurado por eles imediatamente, em vez de deixar para depois. E talvez Freeza não tivesse tido tempo de me mandar para este mundo maldito."
Seus olhos pousaram nos próprios pés descalços, e pensou com inveja nas botas e uniformes dos piratas. Havia pego o cinto, o scouter e a pistola, mas não pudera aproveitar as roupas de Garana. O desgraçado era magro como um espeto e tinha os membros finos e compridos demais; mesmo que a roupa fosse do tipo que estica indefinidamente (como as usadas por Saiyajins quando se transformava em oozarus), não se ajustaria nele. "Preciso arrumar logo alguma coisa para vestir... seria muita humilhação se aqueles insetos me pegassem usando só este cinto". Até então não se importara de andar nu porque não havia ninguém ali para vê-lo, além dos animais. Era como se até então sentisse que, por ter se deixado trair daquela maneira, não fosse muito melhor do que eles. Mas agora estava voltando ao mundo dos seres racionais e civilizados – bem, tecnicamente, e daí? Sua cabeça funcionava direito de novo, livre do antigo torpor, e apesar de sua situação perigosa sentia-se quase feliz.
. "É como se eu finalmente tivesse acordado, depois de um sono longo e cheio de pesadelos. Mesmo que me matem, morrerei lutando como um Saiyajin, contra inimigos de verdade, e não animais sem mente. Mas farei de tudo pra não morrer aqui."
Ligou de novo o scouter, para checar se não havia saído da rota. Não. Os dois grupos de esferas continuavam no mesmo lugar. Era o menor, o das esferas namekuseijin, que interessava a Vegeta. "Estou quase lá. Devem achar que escondendo as bolinhas em outro lugar vão despistar os piratas. Nunca pensei que namekuseijin fossem tão tolos! Até isso está a meu favor." Não tinha condições de tomar a nave de Taurus, mas talvez pudesse com os namekuseijin – se eles eram mesmo namekuseijin. Precisava observá-los primeiro, ver quantos eram e o seu poder de luta. Se fossem fracos e poucos, poderia arrumar um jeito de matá-los. Seria bem melhor do que o que planejava fazer. Entretanto, sempre que pensava nessa possibilidade, alguma coisa no fundo de sua mente zombava dele.
Não porque os supostos namekuseijin houvessem eliminado Bier e o chato de voz esganiçada; a julgar pelo desprezo de Taurus ao falar deles, os dois deviam ter sido tão insignificantes quanto Garana. Não, o que o incomodava era aquela história dos dois sinais de energia que haviam desaparecido. Desde sua fuga, Vegeta de vez em quando checava os sinais no scouter, e também não encontrava nada. Poderia estar confundindo os kis deles com os dos piratas, mas não acreditava nisso. O curioso é que Taurus não ficara surpreso: "... Então eles podem controlar seus kis até não serem detectados?"
Vegeta não conseguia deixar de associar isso com o fato dele também não poder ser detectado. Scouters não captavam sinais de energia baixos demais, a menos que o usuário os ajustasse para isso. Raramente alguém o fazia, pois não valia a pena se perder no meio dos sinais de cada micróbio que estivesse na área; na época em que Vegeta fora banido, já se falava em produzir modelos que só captassem poder de luta acima de 70. Alguma coisa devia ter baixado o seu ki a tal ponto que ele não podia nem mesmo voar. "O que Freeza... e os cientistas dele... fizeram comigo? Ele não poderia ter me castigado mais nem se me prendesse para sempre numa de suas câmaras de tortura!" Cerrou o punho com força. Por causa de Freeza, teria que suprimir seu orgulho e tentar conseguir uma aliança com os namekuseijin, ou seja lá quem fossem; se eles dominavam tão bem a supressão de ki, poderiam descobrir o que estava acontecendo com e...
Seu coração subitamente começou a bater mais rápido, com tanta força que quase chegava a doer. Suor gelado brotou em suas costas, num súbito ataque de pânico, e a visão de Vegeta se turvou. Se sua cauda não tivesse instintivamente se enrolado no galho, ele certamente teria caído; rápido, agarrou-se também com as mãos. Aqueles ataques vinham sempre que tentava usar seu ki e quando tentava pensar mais a fundo no que o impedia de usá-loi. Tinha certeza de que era alguma coisa referente ao banho no tanque de regeneração, ou ao seu hipersono durante a viagem a Nutek; mas sempre que tentava pensar mais a fundo no assunto, sentia pânico, acompanhado de uma forte sensação de fraqueza. Às vezes chegava a desmaiar, como no seu ataque de desespero no alto da cachoeira.
_Agora não... agora não... _gemeu entredentes. O pânico aumentou ao lembrar da vozinha zombeteira de Freeza, que costumava assombrar aqueles acessos. Forçou-se a impedir de pensar nela, mas a sensação de terror não melhorava, ao contrário. Suas mãos enterravam-se no galho, que rangeu ameaçadoramente.
_N-N-Não vou ceder desta vez! Me deixe em paz!
Fechou os olhos apertado, para evitar a tonteira.
O scouter apitou.
Vegeta abriu os olhos. Embora continuasse agarrado ao galho, sua surpresa foi tão grande que o mal-estar se dissipou quase sem ele sentir. Quatro sinais de energia moviam-se lá embaixo, na direção de sua árvore. Com muito cuidado, o Saiyajin agarrou-se ao tronco e desceu bem devagar(ainda estava tonto) para um galho um pouco mais abaixo. Seus ouvidos detectaram grunhidos e um forte barulho de tropel, obviamente pertencente a um animal de grande porte, além de algumas risadas. Ainda estavam longe, mas inevitavelmente vinham em sua direção. Como sentia-se melhor, desceu mais alguns metros e escondeu-se atrás de uma densa ramagem, ficando só com os olhos de fora.
O tropel tornava-se cada vez mais forte. "Um tetracorno", pensou o Saiyajin "É leve demais para ser um langossauro."
Um grito vindo de cima causou uma intensa agitação numa das moitas localizadas atrás de uma imensa pedra negra. Uma cabeça completamente calva emergiu das folhagens e olhou severamente para cima... ao menos tão severamente quanto podia alguém que acabara de acordar.
Lá no alto, o vulto de um pterodátilo, ou algo semelhante, levava nas garras alguma coisa que se agitava. Kuririn suspirou, aliviado e um pouco envergonhado por ter adormecido no seu turno de vigia, depois recolheu-se ao abrigo.
Fora uma longa noite, ou assim lhe parecia; como não tinham relógio, não dava para saber se as noites daquele planeta duravam mais que as da Terra ou se o tédio lhe causava essa impressão. Na véspera, haviam levado as esferas do dragão num veículo do arsenal de cápsulas de Bulma, até um pedaço de floresta bem longe do novo esconderijo que haviam escolhido para seus amigos mais fracos. Depois de enterrar todas as esferas, haviam colocado uma grande pedra cinzenta por cima, para disfarçar a terra revolvida, e montaram um pequeno abrigo com moitas. Por sugestão de Gohan, também montaram algumas armadilhas com galhos e cipós, que ele tinha aprendido a fazer com um grupo de crianças fugitivas de um orfanato: "Mesmo que eles possam voar, vão ter que botar os pés no chão alguma vez." argumentara. Kuririn lamentou que não tivessem lembrado de colocar algumas armadilhas perto da nave.
Gohan, recém-acordado com o barulho, estava sentado, esfregando os olhos:
_Q-Que foi? _ resmungou.
_Está tudo bem. Eu me assustei, mas era só um... pterodátilo, acho eu, caçando o café da manhã.
_Mesmo? _ o garoto abriu totalmente os olhos, subitamente bem acordado. Levantou-se e espiou pelas ramagens do esconderijo, na esperança que a criatura alada ainda estivesse voando por ali. É claro que o animal já havia se afastado, e Gohan recolheu-se, com um suspiro.
_É que nem lá em casa. Sempre tem pterodátilos e pássaros gigantes voando por cima da gente. Papai gosta de vigiar os ninhos pra ver os filhotes nascendo, mas mamãe nunca me deixou ir com ele. Ela morre de medo dos dinossauros, diz que a Montanha Paoz é um lugar muito perigoso pra criar um filho _falava mais para matar as saudades, porque o amigo parecia distraído _Mas quando o Vovô sugeriu que a gente se mudasse para a Cidade do Oeste, ela ficou brava. Disse que o custo de vida lá é muito alto e que eu poderia arrumar más companhias e me tornar um delinquente. _ terminou, confuso.
Kuririn nunca sabia bem o que dizer em relação às contradições de Chichi – ou de Bulma ou Lunch, já que todas as mulheres que ele conhecia pareciam ter saído do mesmo molde:
_ Bom... a sua mãe se preocupa muito com o que é melhor pra você _falou diplomaticamente _Talvez um pouco demais. Nem todos os jovens que moram nas grandes cidades se transformam em "delinquentes".
Só esperava um dia encontrar uma mulher que não fosse tirânica nem complicada. Uma moça doce, simpática e simples, mas que também fosse bonita e inteligente... De má vontade, deixou o sonho de lado. Não era hora para isso.
_Você devia voltar a dormir, enquanto ainda pode _aconselhou _Ninguém ainda veio atrás das esferas, mas é questão de tempo.
_Mais um motivo pra eu ficar acordado! _o pequeno Saiyajin ergueu-se num pulo, com os punhos cerrados para o que desse e viesse. Quase imediatamente, seu estômago quebrou o silêncio e a pose heroica.
_Tô com fome _confessou, encabulado.
_Agora que você falou, eu também. Vamos ver o que sobrou da "janta" _Kuririn disse, sorrindo, enquanto os dois sentavam novamente e vasculhavam as mochilas.
Havia ainda uns dois sanduíches meio amassados e uma das frutas que eles haviam recolhido, antes de toparem com os piratas perto da nave. Dividiram a fruta. Durante seu treinamento, Gohan havia aprendido com Piccolo a diferenciar plantas venenosas das comestíveis: "Observe sempre se as folhas e os frutos tem mordidas de bichos ou buracos feitos por insetos. Se estão intactas, é melhor não tocar." Gohan também aprendera nos livros que cores exageradas em plantas e animais quase sempre são um sinal de veneno. Até agora, tais dicas havia sido bons guias, mesmo em outros planetas. A fruta tinha um sabor agradável, embora não se comparasse a uma boa maçã, e aquilo trouxe mais saudade de casa. Sentiu-se grato quando Kuririn quebrou o silêncio:
_Espero que Bulma já tenha terminado o bloqueador de sinais. Tivemos muita sorte de não receber visitas até agora.
Gohan pestanejou, surpreso, pois só agora se lembrava desse assunto.
_Não acho que seja sorte _ele disse, com uma seriedade incomum para seus seis anos _Se eles conseguem detectar os sinais das esferas lá do espaço, como a gente, vão captar aqui também, mesmo embaixo de toda essa terra e desta pedra. Talvez eles não tenham vindo pra cá porque estão ocupados com alguma outra coisa.
Felizmente, a porção do sanduíche que Kuririn engoliu era pequena, senão ele teria se sufocado. Apressadamente, tomou um gole d´água do cantil, os grandes olhos refletindo a mesma preocupação que seu amigo mais novo.
_Bulma _ murmurou, tirando da mochila um pequeno walkie-talkie. Ela havia garantido que o radinho era seguro, por operar numa frequência diferente da empregada nos scouters.
_Alô? Alô, Oolong?_perguntou para o aparelho como se este fosse um telefone, depois caiu em si e corrigiu _ Monge para Presunto, Monge para Presunto. Pode me ouvir?
Além da estática, ouviram apenas um barulho suave, como se alguém estivesse ressonando.
_Oolong! _Kuririn alteou um pouco a voz, lembrando a tempo que se gritasse poderia atrair atenções indesejadas. Infelizmente, Gohan não se lembrou:
_OOLONG! ACOOORDA! _ o guincho dele fez os ouvidos de Kuririn zunirem e espantou alguns pássaros que catavam bichinhos ali perto. Do walkie-talkie saiu o barulho de uma pancada forte, como se alguma coisa pesada houvesse caído no chão. Então, depois de alguns segundos ansiosos, uma voz irada quase fez Kuririn deixar cair o aparelho:
_Isso é jeito de interromper o sono de uma pura e linda donzela?! Vocês sabem que horas são? Passei a noite inteira em claro, e quando finalmente posso cochilar um pouco quase quebro o pesc...
_Desculpe, srta. Bulma! _Gohan cortou rápido, porque seu amigo ainda estava atordoado _A gente ficou com medo que os piratas tivessem achado vocês.
_Ora, que bobagem! Estamos bem seguros aqui.
_Ah, que bom. _Kuririn finalmente recuperou a voz _Mas por que o walkie-talkie está com você e não com Oolong?
_O cretino deve ter largado na minha mesa, enquanto eu dormia. Não me surpreende. Ele sempre foi irresponsável. Mas quando é que vocês vem buscar o aparelho? Estou esperando desde ontem à tarde.
_Ontem à tarde? _os pontinhos na testa do monge enrugaram _ Mas você não acabou de dizer que havia trabalhado nele a noite toda?
_Não, não. Levei apenas umas duas horas pra terminar. Mas fiquei tão ocupada com outro projeto que perdi a noção do tempo. _ Bulma provavelmente ouviu o baque dos dois amigos caindo para trás, porque sua confissão distraída deu lugar a um tom irritado _Vocês também deviam ter me ligado! Sempre ficam esperando tudo de mim!
"E depois o Oolong é que é irresponsável..." Kuririn pensou, refreando a vontade de dizer umas verdadezinhas. Não havia sentido em brigar num momento como aquele.
_Bem, então vejo vocês daqui a pouco. Câmbio. _terminou secamente e virou-se para o amiguinho _Gohan, fique escondido aqui. Vou buscar o bloqueador. _viu que o menino estava calado e forçou um sorriso _Eu volto assim que puder.
_Não é isso. É que... eu acho que era melhor o senhor ficar aqui e eu buscar o aparelho _Gohan sugeriu timidamente _Bulma vai querer explicar como funciona a máquina, e estou curioso pra saber o que ela andou pesquisando tanto.
O que ele não disse, mas que Kuririn entendeu perfeitamente, foi : "Eu vou entender melhor as explicações dela porque conheço ciência e você não sabe nada." O rapaz não se ofendeu porque era verdade, e até sorriu. Ele não estava a fim de aguentar naquela hora da manhã as queixas de Bulma sobre Oolong e comentários sobre sua própria beleza misturados com algaravia técnica, de modo que o oferecimento do amiguinho era uma solução. Porém sua consciência começou a pesar.
_Sua mãe vai me matar se descobrir que eu deixei você sair sozinho nessa floresta _ disse, meio incerto.
_Mamãe não vai saber de nada. Tanto faz eu ficar ou ir, ela ia ficar brava igual. E não podemos ir juntos por causa das esferas.
Não havia argumento contra aquilo. Kuririn abriu a boca para concordar, quando os dois sentiram vários kis se aproximando - malignos, é claro. Os dois congelaram em seus lugares. Nenhum precisava dizer ao outro para permanecer escondido e quieto. Não demorou muito tempo antes que começassem a ouvir barulhos vindos do fundo da mata. Gritos, risadas, grunhidos de um animal, o som de um galope.
"Fazem mais barulho do que a mamãe quando briga com alguém," Gohan pensou "Será que nunca receberam nenhum treinamento? Se o senhor Piccolo estivesse aqui, ficaria chocado."
Já podiam entender o que estavam gritando.
_Esse já é meu! Não adianta escapar, bicho idiota! Suas garras serão um belo enfeite na parede da minha cama.
_E você acha que o Juice** vai deixar você ficar com elas?
_Não o mate ainda, Kófi***! Você sempre estraga a brincadeira!
_Ele tem razão. Vamos nos divertir um pouco dessa vez.
Gohan e Kuririn estremeceram involuntariamente com a palavra "divertir". Um urro de dor, acompanhado de gargalhadas e gritos de encorajamento, confirmou que os piratas não estavam exatamente pulando corda com o animal capturado. Kuririn viu o olhar do garoto se endurecer e abanou a cabeça.
_Sei o que você está sentindo, mas não podemos nos expor._ cochichou, aproveitando que o grupo ainda estava muito longe para ouvi-los.
_Eles estão chegando muito perto_ Gohan cochichou também _ Eu posso distraí-los, levando eles pra longe.
_São muitos, e um deles é bem mais forte que os outros. É melhor torcer pra que eles se distraiam com...
Não concluiu, porque Gohan já havia levantado voo.
* O nome original de Taurus é Turles, que significa nabo. Taurus é a versão da dublagem brasileira.
** - Juice = suco, em inglês.
*** Kófi – pronúncia de coffee = café em inglês.
