Uma Caçada Cheia de Surpresas

Era realmente um tetracorno - uma fêmea magnífica, apesar de pequena, com quatro chifres curtos e uma grossa carapaça cobrindo-lhe as costas. Era justamente na carapaça que a maior parte dos tiros acertava, obrigando os caçadores a se desviarem constantemente para escapar dos ricochetes, entre xingamentos e risadas. Vegeta acompanhava tudo, escondido pelas ramagens do galho mais baixo a que se atrevia a descer. De vez em quando, aproveitava a confusão para mudar de esconderijo, de modo a não perder um momento do "show" e, ao mesmo tempo, ficar fora do caminho da fêmea, para o caso desta resolver derrubar árvores em vez de passar entre elas. Se tivesse sorte, talvez algum daqueles imbecis fosse morto acidentalmente pela tetracorna ou pelos próprios ele mesmo conseguisse matar um dos mais fracos sem ser notado, e pegar seus pertences. Mesmo com intenções tão frias, entretanto,o Saiyajin se divertia com a incompetência do barulhento grupo. Conhecia vários pontos vulneráveis dos tetracornos, além desses animais não serem muito rápidos, especialmente num lugar tão cheio de obstáculos como uma floresta. "Seria engraçado se não fosse vergonhoso.Eu levaria só alguns minutos pra matar esse bicho. Eles são cinco, tem armas e podem voar, mas estão tendo todo esse trabalho!"

O trabalho dos piratas era aumentado por curiosos imprevistos. Um baixinho gorducho, de pele verde e cara de peixe, saltou ousadamente diante do animal e quase no mesmo instante foi puxado para cima. O espanto geral deu lugar a gargalhadas quando viram que ele havia sido suspenso no ar por um laço pendendo de uma árvore. A tetracorna recuou por uns segundos, depois avançou com mais ímpeto que antes, mais que grata por aquela distração; porém os piratas imediatamente voltaram à carga, embora continuassem a rir e troçar do companheiro que ficava para trás. Tidaba, como o chamavam, soltou-se com um disparo de sua pistola e e seguiu resmungando na cola dos companheiros, que o zoaram chamando-o de "pé-no-laço". Mas logo todos deixaram de fazer piada quando mais dois piratas afundaram dentro do que parecia ser um monte de folhas - na verdade, um buraco camuflado. Os dois nem encostaram no fundo do buraco: simplesmente flutuaram para fora, aborrecidos.

_Não pisem mais no chão! E evitem tocar nas árvores também, se puderem _avisou um altão de pele escura, que parecia ser o líder. Não tinha nariz e seus lábios eram brancos e muito grossos, lembrando um pouco Kyui.

_Pena que a fera não caiu aqui. Nos pouparia um trabalhão._ resmungou um dos quase-caídos, olhando para o buraco. Era um andrelliano, a mesma raça de Garana, embora sua pele enrugada fosse cor de rosa. Seu companheiro de queda - um sujeito roxo e escamoso, com uma barbatana no meio da cabeça e o rosto semelhante a uma caveira _ o chamou de preguiçoso, mas Tidaba observou que o selvagem que eles procuravam devia ser o responsável por aquelas "surpresas":

_ Selvagens tem o cérebro pequenininho, não conhecem nada além de mato e bichos. Só alguém assim ia pensar que caras como nós cairiam em armadilhas tão primitivas.

Vegeta cerrou os dentes.

_Cérebro pequeno tem você! Está com o scouter desligado?_ censurou um baixote de pele laranja, com estranhos caroços vermelhos no lugar de cabelos. Tinha aproximadamente o mesmo tamanho que Vegeta - não tão musculoso, mas certamente suas roupas caberiam no Saiyajin.

_O sinal das esferas está cada vez mais forte._ ele insistiu _ É óbvio que essas armad...

_Dá pra calar essa boca, Tea? _reclamou o "líder"_O bicho está escapando!

De fato, a tetracorna havia se aproveitado da distração para avançar em direção a uma área onde as árvores estava mais afastadas. O bando todo se reuniu; depois, a um sinal do líder, separaram-se em dois grupos,um de dois e outro de três e começaram a avançar pelos dois lados do animal. Vegeta mal conseguia acompanhar a movimentação, mas suspeitou que eles pretendiam se juntar na frente da fêmea, bloqueando-lhe a passagem. "Seria até uma boa idéia... se eu não soubesse como tetracornos reagem quando alguma coisa fica em seu caminho. Mesmo que sejam bem mais fortes do que ela, vão ter uma surpresa"sorriu, enquanto apressava-se em saltar para as árvores mais próximas, mesmo se arriscando a ser percebido. Já tinha visto tetracornos derrubarem animais com o dobro do seu tamanho, até mesmo langossauros. Aquilo seria divertido.

Mas Vegeta não se divertiu nem um pouco com os acontecimentos seguintes. Percebendo que estava sendo novamente perseguida, a fêmea encontrou novas forças em seu desespero e deu um arranco, chegando a derrubar um dos piratas que havia se aproximado demais. Aproveitando o maior espaço entre as árvores, ela correu com mais velocidade e começou a afastar-se de seus perseguidores; porém, sem aviso, suas patas dianteiras afundaram e ela caiu para a frente, com tanta violência que quase deu uma cambalhota. Havia encontrado um segundo buraco, ou melhor, uma trincheira que varava de um lado a outro no ponto onde as árvores estavam mais afastadas, e havia sido coberta com uma camada de terra e folhas. Projetada para pessoas, a trincheira era funda porém estreita demais para a tetracorna caber inteira, mas foi larga o suficiente para que quase metade do seu corpo entalasse. O animal bufou, se debateu e fez força com as pernas traseiras tentando se soltar, mas era tarde demais. O líder já estava em cima dela:

_Esse já é meu! Não adianta escapar, bicho idiota!_ vangloriava-se, como se a trincheira tivesse sido obra sua_Suas garras serão um belo enfeite na parede da minha cama! _ com um disparo certeiro saído de sua mão, cortou uma das pernas traseiras do animal.

_E você acha que o Juice vai deixar você ficar com elas? _gritou o alien rosa, para se fazer ouvir acima do grito de dor. Indiferentes à sua observação, os outros se aproximavam velozmente com gritos de entusiasmo, também querendo participar da chacina. Kófi estava puxando sozinho a tetracorna para fora do buraco, já que, sem uma perna, ela não poderia mais fugir.

_Não o mate ainda, Kófi! Você sempre estraga a brincadeira!_protestou Tidaba.

_Ele tem razão._concordou Tea _ Vamos nos divertir um pouco dessa vez._avançou rápido e deu um violento chute na cabeça da fera. O pontapé quebrou dois chifres do lado esquerdo, gerando discussões sobre quem ficaria com os pedaços. O pirata rosa, que chamavam de Baina, tentou decepar a outra pata traseira com um tiro de laser, mas a perna ficou parcialmente pendurada por uma grossa tira de pele sangrenta. Rindo da incompetência do colega, Tidaba terminou o serviço com um golpe de mão. A pobre fêmea urrava tanto que alguém sugeriu amarrarem seu focinho com um pedaço de cipó, para não ficarem surdos.

Friamente, Vegeta acompanhava as torturas, pensando que ele até que era bonzinho com os animais que matava. Estava um pouco irritado com o desfecho da caçada: ninguém havia morrido e não havia como ele atacar Tea agora sem botar o bando inteiro no seu encalço. Mas estava mais preocupado com as esferas ali pertinho. Mesmo com as ordens de Turles, não acreditava que os piratas fossem deixá-las... o que era aquilo?

Sua visão periférica captou um movimento vindo da trilha por onde a tetracorna quisera escapar. Quase em seguida, Baina notou o movimento e apontou, chamando a atenção dos outros. De pé na entrada da clareira, olhando feio para o grupo , estava um garotinho.

Por alguns segundos, ninguém disse nada. Era um menino pequeno, menor até que Tidaba, o mais baixo do grupo. Seu cabelo era negro e liso, cortado numa forma que lembrava as cascas dos frutos que Vegeta usava como cuias. O que mais chamou a atenção foi a estranha roupa que ele vestia: uma espécie de macacão roxo folgado e sem mangas, com uma faixa vermelha marcando a cintura e uma inconfundível gola branca e fofa.

"Esse moleque... está vestido como um namekuseijin, mas não é um deles!" Vegeta estava tão surpreso quanto os outros "Por que um garoto de outra raça se vestiria dessa maneira? A não ser que..."A idéia lhe parecia tão incrível que ele custou a assimilar, mas era a única explicação possível"Ouvi dizer que os namekos eram generosos, mas a ponto de adotarem uma criança que não é da sua raça?"

Passada a surpresa inicial, Tea deu uma risadinha:

_Olha só! Até que enfim um dos namekuseijin resolveu dar as caras.

_Namekuseijin com essa pele e esse cabelo?_observou Baina.

_Botou maquiagem e peruca, pra disfarçar a feiúra. Não conseguiu _debochou o roxo da barbatana, causando muitas risadas.

Aparentemente surdo às gozações e apupos, Gohan aproximou-se em silêncio, os olhos fixos no pobre bicho mutilado. A terra que sujava a cabeça do animal e a trincheira arrebentada contavam toda a história. Ele e Kuririn haviam cavado o buraco, por insistência sua, aproveitando que não vinha ninguém para aqueles lados. Haviam usado pedaços de troncos como pás, porque não podiam alertar o inimigo usando ki, e coberto a trincheira com uma grade feita de galhos, musgos, folhas e terra. Gohan sentiu os olhos coçando e respirou fundo, para não chorar na frente daqueles monstros."Eu sinto muito"desculpou-se mentalmente, mesmo sabendo que a criatura provavelmente não tinha habilidades telepáticas "Isso não era pra você. Esses malvados é que deveriam ter caído aí". Mas apesar da pena e da raiva que sentia, também estava um pouco curioso. "Já foi curioso encontrar dinossauros lá em Namekusei, e aqui também tem, só que um pouco diferentes... Esse aqui parece um triceratops, mas tem casco, como uma tartaruga.Parece que algumas espécies se repetem, pelo universo afora, com algumas diferenças." Estendeu a mão para tocar na cabeça da criatura.

O pirata que brincara sobre Gohan estar usando peruca afastou a mão do garoto com um tapa:

_Não toque na nossa caça, moleque sujo!

Gohan recuou e esfregou a mão, mais chocado que zangado, enquanto as risadas recomeçavam. Só o magricela cor de rosa e aquele grandão de pele escura não riam, pareciam pensativos. Gohan viu o magricela tentar dizer alguma coisa, mas o laranja com os caroços na cabeça fez um sinal para que ele se calasse. O garoto ficou onde estava, esfregando a mão ofendida e avaliando mentalmente os piratas que o cercavam. "O escamoso, o enrugado e o cara de peixe não são grande coisa. Posso derrotá-los facilmente, mas não tenho certeza quanto ao cara das bolotas... e principalmente quanto àquele grandão.Eu devia ter ouvido o senhor Kuririn".

Inesperadamente, Kófi agarrou o agressor pelo ombro e afastou-o com um empurrão:

_Deixa o menino em paz, Dromel. Ele parece comigo nessa idade _ seus companheiros reviraram os olhos e suspiraram, mas Kófi continuou, com ar sonhador _Sempre que o meu clã pegava uma caça das boas, eu ficava rondando pra pegar umas sobras pra minha coleção. Escamas, ossinhos, essas coisas, já que eu não podia nem sonhar em ficar com os dentes e as garras... Mas meus irmãos sempre acabavam me tirando tudo e me chutavam pra longe. Eu já "voava" antes de aprender a controlar meu ki!_ riu, como se essa fosse uma lembrança feliz, depois avançou alguns passos na direção de Gohan, que recuou prudentemente.

_Não quer fazer uma troca com a gente?_ propôs, inclinando-se na direção do garoto com ar amigável.

_Troca?_Gohan pestanejou. Em sua cabecinha, surgiu uma pequena esperança que aquele grandalhão não fosse tão mau quanto os outros.

Baina tentou falar de novo, mas Tea tapou-lhe a boca com a mão, um sorriso perverso esticando-lhe o rosto.

_Você mostra pra nós onde a sua gente escondeu as esferas e eu lhe dou uma lembrancinha desse bicho. Que tal um pedacinho do couro? Ou, melhor ainda, a ponta do rabo?

_Mestre Turles disse pra gente não mexer nas esferas, Kófi!_Dromel protestou.

_Ele disse pra gente não perder tempo procurando_Tea retrucou, com um sorriso maldoso _Não vai ficar zangado se a gente topou com elas todas juntas, pertinho da gente.

_Olha, rapaz, não precisa ter medo _Kófi insistiu, como se os outros não o tivessem interrompido _ Se a gente ficar com as esferas, todo mundo sai ganhando... nós vamos poder ir embora deste planeta chato e a sua família não vai morrer. Ninguém vai ficar sabendo que você falou, e ainda vai ter um troféu bonito pra guardar de lembrança! O que me diz?

Gohan havia aprendido no livros de história que povos primitivos guardavam como troféus as garras, dentes e outras partes dos animais que caçavam; que os materiais tirados dos bichos mais difíceis de caçar eram tão valiosos que chegavam a ser usados como amuletos ou até mesmo dinheiro. Mas uma coisa era ler isso em livros, a outra era ver um animal sendo cortado em pedaços, e pior, ainda vivo e gritando. Tinha certeza que os caçadores sobre os quais havia lido só despedaçavam suas caças depois de matá-las, e faziam isso porque precisavam, não por puro sadismo. Ainda assim, o grandalhão não fora criado do mesmo jeito que ele, Gohan, aprendendo a amar a natureza. Pelo que o tal de Kófi dizia, ele fora criado daquela maneira e não via nada de errado nisso. Apesar de repugnado, o pequeno Saiyajin pensou num jeito de recusar a oferta sem ofender aquele que pelo jeito, deveria ser o líder dos piratas.

Kófi, por sua vez, achou que Gohan havia se ofendido com a sua oferta. Bem, se as esferas eram tão valiosas como Mestre Turles dava a entender, era natural que o menino quisesse algo mais por elas do que apenas um pedaço de rabo. De má vontade, o alienígena de pele escura agachou-se e tirou um estranho objeto que tinha enfiado no cinto, depois estendeu-o ao garoto. Embora o sangue não permitisse ver direito a cor original, Gohan pode perceber que a coisa tinha uma forma triangular, com a ponta curva, e que ainda tinha um pouco de carne na extremidade mais larga. Respirou fundo, para conter a onda de náusea que subia em sua garganta.

Era uma unha!

_Que tal?_Kófi sorriu, achando que o havia impressionado _Aposto que nunca teve uma dessas na vida. Seus amiguinhos vão morrer de inveja!

_Eu acho que o SEU amiguinho aí vai morrer de nojo!_ Tea escarneceu_ Cada vez que você oferece um pedaço da NOSSA caça, ele fica mais verde que o Pé no Laço! Além do mais, quem você acha que fez aquelas armadilhas que atrapalharam a gente?

Tidaba e Dromel soltaram arquejos de surpresa. Baina olhou para eles com desprezo:

_Eu podia ter dito antes, se me deixasse.

Visivelmente aborrecido, Kófi guardou a unha e levantou-se devagar:

_Eu não sou idiota, pessoal. Claro que sabia que foi ele, ou a família dele, e daí? Queria dar uma recompensa a ele, por ter nos ajudado...

_Recompensa? EU vou dar a recompensa que ele merece!_gritou Tidaba, voando na direção de Gohan _O seu laço quase cortou a minha circulação e tão me chamando de pé-no-laço por sua causa! _desceu o punho sobre o garoto com toda a raiva mas Gohan se esquivou, agarrou-lhe o braço, girou o pirata no ar algumas vezes e atirou-o bem no peito de Kófi, que caiu sentado, momentaneamente sem ar. Tudo isso tão rápido que os outros mal conseguiram ver. Seus scouters começaram a apitar.

_O q..._ foi tudo que Tea conseguiu balbuciar. Seus companheiros não se saíram melhor: a quantidade de números que desfilavam diante de seu olho transformou todos momentaneamente em estátuas.

Gohan cerrou os punhos e urrou, liberando sua energia. Era tolice continuar segurando seu ki. Só esperava que Kuririn tivesse tido tempo de esconder as esferas em outro lugar.

As rugas rosadas de Baina estavam ficando brancas:

_6.000... 8.000... 10.000... AAAII! _quase caiu para trás quando seu aparelho explodiu. Aos gritos, disparou na direção por onde ele e os companheiros tinham vindo atrás da tetracorna. Ninguém lhe deu atenção, pois naquele momento Gohan erguia as mãos acima da cabeça, com uma expressão tão feroz que nem parecia mais uma criança:

_MASENKO! _e baixou as mãos. Foi pirata para todo lado, procurando se proteger - embora nenhum deles tomasse a mesma atitude de Baina.

Houve um clarão que deixou todos cegos durante alguns segundos. Quando finalmente conseguiram enxergar, perceberam que ainda estavam vivos. Mas sua caça não existia mais. No lugar da tetracorna agonizante, havia somente uma cratera.

_NÃÃÃÃÃÃOOOOO!_Kófi soltou um urro de dor_A MINHA caça! Moleque desgraçado!

Pedras começaram a flutuar e árvores estremeceram. Prudentemente, Vegeta deslizou para o chão e escondeu-se atrás de uma árvore.

_Sabia que devia tê-lo matado assim que apareceu!_Dromel ergueu a pistola laser, mas Tea segurou seu braço:

_Kófi vai se vingar pela gente _sussurrou, com um sorriso maldoso_Vamos atrás das esferas antes que elas se afastem demais._fez um aceno para Tidaba, que concordou com a cabeça e juntou-se a eles. Os três se ergueram no ar e saíram discretamente, pela trilha por onde Gohan chegara.

Apesar de assustado com a reação de Kófi, o garoto percebeu o movimento. "Senhor Kuririn! Eles devem ter percebido que ele está levando as esferas pra outro lugar!"

_Vocês não vão sair daqui! _gritou, voando na direção deles, mas Kófi bloqueou sua retirada:

_Parado aí! Vou te ensinar a pulverizar a propriedade dos outros! _tentou socar Gohan, mas este se esquivou:

_Aquele bicho não era propriedade sua! Você e seus amigos estavam torturando ele!_gritou, enquanto se desviava dos golpes - uma, duas, três, quatro vezes. O grandão poderia ser forte, mas era meio lento no ataque... ou talvez a cegueira da raiva estivesse atrapalhando. Mesmo assim, Gohan agradeceu pela enésima vez ao Patriarca por ter despertado seus poderes ocultos. Ele revidou com uma série de socos, que foram prontamente bloqueados; então, quando o grandalhão se concentrava em manter a guarda alta, Gohan acertou-lhe um chute no estômago. Quando Kófi se dobrou com a dor, Gohan deu-lhe um soco que mandou o gigante para longe, quebrando-lhe de passagem o scouter.

A recordação do scouter de Baina explodindo quando ele soltou seu poder lhe veio à cabeça, com uma pontada de culpa. "Os scouteres! Eu deveria ter destruído todos antes, mas estava preocupado demais com o dinossauro. Droga!" Sentia o ki dos piratas, não muito longe, mas não o de Kuririn - provavelmente ele ainda estava escondido. Achando que estava livre de Kófi, ao menos temporariamente, ele começou a se virar - e sua distração quase foi fatal.

_CAPUCCCINOOOO!_ o grito do inimigo ecoou às suas costas, e Gohan virou-se, apenas para ver uma imensa rajada de energia disparada da boca do pirata. Durante os primeiros segundos, entrou em pânico, lembrando-se dos ataques de Nappa; então um "clique" se fez em sua cabeça e ele se desviou para um lado - quase tarde demais.

No meio da mata, a luz abriu uma clareira de vários quilômetros, ladeada por árvores carbonizadas. O pequeno meio Saiyajin ficou olhando, boquiaberto, aquela destruição toda, até ouvir um som rouco às suas costas. Era uma gargalhada, mas em vez de "hahaha", soava como um "hohoho" grosso, tipo risada de Papai Noel.

E a semelhança, pensou Gohan ao se virar novamente para encarar o vulto alto e musculoso, parava aí.

_Você é um garoto esperto! _disse o gigante em tom animado, como se estivessem disputando um jogo entre amigos _E forte também. Vou sentir muita pena de matar você.

Oi de novo! A minha intenção inicial era que este capítulo fosse beeeeem mais longo, mas comecei a ficar impaciente pra postar. (e se continuasse, sei lá se ficaria pronto antes do fim do ano, hehe) Me deu muito trabalho pra fazer, não apenas pelas cenas de ação como de criar uma personalidade pra cada pirata (não tenho prática de criar OCS - ainda).

Obrigada a todo mundo que me mandou reviews até agora, estou curiosa pra ver o que acham!