N/A: Queridos, música tema da Hana e do Kyouya: Arms, da Christina Perri (procurem, se quiserem. O fanfiction não me deixa colocar o link, mimimi). E agradeçam a leitora assídua (porque ela ME AMA 8D) por achar essa perfeição, hahahahaha
Com o fim do primeiro período de provas, o grupo voltou à rotina de sempre. Os gêmeos, por vezes, sugeriam matar aula para acompanhar os amigos na universidade, mas Haruhi sempre acabava por repreendê-los, fazendo-os adiar os planos. Naquela vez, no entanto, apesar de dizerem que ficariam nas próprias aulas, os rapazes foram para o prédio de Artes. Hana ranziu o cenho ao vê-los no corredor.
- Vocês não têm aula, não? – ela tinha um ar de deboche ao falar.
Eles sorriam de forma descontraída e despreocupada.
- É matemática agora, a gente pode pegar a matéria depois. – Hikaru tinha um tom animado ao falar, visivelmente pensando em como aproveitar melhor o tempo.
Hana arqueou a sobrancelha.
- Pegam com quem mesmo?
Eles se entreolharam, pensando por um momento. Por fim, deram de ombros.
- A gente se vira. – Kaoru tinha um tom desinteressado.
- Você tem aula de que agora? – Hikaru passou um braço ao redor dos ombros da amiga e a puxou para perto, sorrindo com um ar maroto.
- A Cat não vai gostar nada disso. – ela tinha um tom levemente desafiador ao falar, rindo quando o gêmeo mais velho corou levemente – Agora eu tenho uma apresentação de trabalho, porque os professores a-do-ram a gente.
- Sério? Isso pode ser legal. – Kaoru pareceu realmente interessado ao falar, indo na direção da sala que acreditava ser a de Hana.
- É… Vai ser bem mais se você não entrar na sala errada. – o tom de deboche tinha aumentado e a garota sorria de forma zombeteira. Então ela se soltou de Hikaru e começou a andar – Um trabalho em grupo. Nada legal, na verdade.
Hikaru foi atrás da morena. Kaoru, parado no mesmo lugar, franziu o cenho. Se estava lembrando direito, não havia ninguém que aceitasse sem problemas fazer grupo com qualquer uma das garotas "excluídas" da universidade. Após alguns segundos, tendo Hana se virado para ele com um ar levemente surpreso pelo mais novo não estar junto dela e do irmão, Kaoru achou melhor ver como as coisas seriam.
Hana estava sentada na última fileira, com Kaoru e Hikaru ao lado. O mais novo estava encostado na janela, olhando para fora com um ar preocupado. O professor não tinha dito nada a respeito da presença dos dois alunos colegiais, mas lançava olhares curiosos para o trio algumas vezes. Hana não se importava. Praticamente todos os funcionários já tinham visto o grupo junto, era normal que ela estivesse com eles. Não era tão normal assim, no entanto, eles não irem às aulas do colégio. "Mas, considerando o intelecto dos estrangeiros de uma forma geral, não me parece um problema tão grave. Esse bando de nerd", ela sorriu de canto.
Hikaru rabiscava algo em um papel, franzindo o cenho ao ver o sorriso no rosto da morena. Então ele escreveu alguma coisa no topo da folha e colocou sobre a mesa dela. A garota baixou o olhar sem muito interesse, pegando o lápis da mão do rapaz para responder. Não tinha acontecido nada com que o ruivo precisasse se preocupar. Quando ela devolveu o papel, o professor anunciou que começariam as apresentações. Kaoru, no mesmo instante, passou a olhar para frente.
O primeiro grupo era justamente o de Hana. O objetivo do trabalho era criarem um acessório (afinal, a aula se chamava Design de Acessórios de Têxtil e Moda) capaz de cair bem com qualquer roupa que fosse, além de ser ecologicamente aceitável. A morena se levantou de seu lugar, sorrindo com satisfação conforme passava pelo meio dos outros alunos. Os outros integrantes do grupo, que estavam sentados na primeira fileira, esperavam com impaciência enquanto ela terminava de atravessar a sala. Uma das garotas, com os braços cruzados diante do corpo, revirou os olhos quando viu o sorriso largo no rosto de Hana.
Kaoru se apoiou na mesa, olhando com atenção a sala da morena. Hikaru, por sua vez, prestava atenção nos quatro alunos em pé diante da sala, ao lado do professor, que parecia não notar o desgosto estampado no rosto dos estudantes. Quando Hana se juntou ao grupo, o professor se sentou à mesa e pediu que o grupo começasse a apresentação. A morena colocou tirou a pen drive do bolso e conectou no computador, abrindo a apresentação do grupo. Logo o primeiro slide apareceu projetado na lousa branca que ocupava quase toda a parede da frente.
Os gêmeos se endireitaram. Uma das meninas – a mesma que tinha revirado os olhos antes – começou a falar. A apresentação podia ter, no máximo, meia hora, de forma que os alunos se revezavam relativamente rápido para falar. A única que não se levantou para falar foi, sem surpresa alguma, Hana. A garota continuava encarregada de passar os slides conforme a apresentação passava.
A sala toda aplaudiu ao final, só silenciando quando o professor pigarreou. O homem, de cabelo preto e corte militar, se levantou, falando enquanto olhava uma prancheta. Durante toda a apresentação, ele tinha feito diversas anotações. Kaoru reparou que ele tinha um ar duro nos orbes verdes, fitando todos os integrantes que tinham falado. Ao final, quando ele desviou o olhar para Hana, um ar compreensivo tomou posse de seu rosto.
- Gostaria de te ver apresentando alguma vez. – ele sorriu de canto – Tenho certeza de que seria bom a todos.
Os outros quatro franziram o cenho. Não era a primeira vez que ouviam aquilo de um professor. Hana sorria com tranquilidade, respondendo como quem não se importava. Kaoru e Hikaru olhavam com certa preocupação para a amiga. A morena dizia que não se importava de ficar encarregada da projeção. O professor suspirou e dispensou o grupo. De forma praticamente instantânea, os quatro se colocaram no caminho de Hana, levando um tempo deliberadamente maior que o necessário para irem para os lugares. A morena apenas deu de ombros e se dirigiu ao professor.
Os dois trocaram poucas palavras, ele assentiu com a cabeça e então a garota atravessou novamente a sala. Os gêmeos fizeram menção de dizer algo, mas, ao ver o sorriso satisfeito no rosto da morena, mudaram de ideia. Ela recolheu suas coisas e fez sinal com a cabeça para os amigos. Iam sair da aula. Sem entender, os ruivos a seguiram para o lado de fora. Hana parou apenas para tomar água e seguiu para o pátio interno do prédio de Artes.
- Ei, ei, ei. Você não acha que devia explicar algo para nós? – Kaoru segurou Hana pelo braço quando eles atingiram a entrada do pátio.
A morena desviou o olhar desinteressado para ele.
- Não. Na verdade, não. – ela tinha um tom inocente.
Hikaru franziu o cenho.
- Hana… Você não parece bem. – ele estava diante da amiga ao falar, com um tom perceptivelmente preocupado.
- Eu me sinto ótima, obrigada. – ela se soltou de Kaoru e jogou o cabelo para trás.
Os gêmeos se entreolharam, sem saber o que dizer.
Catarina estava na sala, olhando entediada pela janela, quando avistou duas cabeças ruivas passeando no jardim do prédio de Artes. A garota franziu o cenho, olhando a área ao redor dos gêmeos sem ver mais ninguém. Estava pensando se descia ou não quando Hana entrou em seu campo de visão. Se a loira estava lembrando corretamente, a morena tinha apresentação de trabalho no começo da tarde.
"Então por que ela está fora da sala…?", os orbes azuis continuaram em cima dos ruivos. Aquele que parecia ser Kaoru pelo penteado pôs as mãos nos ombros de Hana e falava com uma expressão preocupada. "O que diabos…?", mas ela não conseguiu terminar o pensamento. Uma garota de cabelo cor de mel colocou pesadamente o material na mesa ao lado de Catarina, fazendo a pequena se assustar e voltar a atenção para a aula.
- Não que eu queira – o tom de desprezo deixava a fala da garota pesada –, mas nós vamos formar uma dupla nesse exercício.
Catarina deu de ombros e olhou para a lousa. Era o meio da aula de Cálculo e o professor tinha passado um exercício para os alunos fixarem a matéria. Ou era o que ele dizia, mas a garota não punha muita fé. "Aposto que ele cansou de falar só", ela suspirou. A outra garota, que só tinha o cabelo liso por causa de tratamento químico (ela não admitia, mas Catarina apostava todas as fichas que o liso não era nem de longe natural), bufou.
- Saco. Por que logo eu? – a garota pensava alto, supostamente sem perceber.
Catarina apenas revirou os olhos e copiou o enunciado no caderno.
Hana afastou as mãos de Kaoru, suspirando. Por que ele tinha de ser tão insistente? Ela não explicaria porque saiu da aula – era algo bastante óbvio. E não importava o que ela e o professor tinham conversado. Pelo menos, ela achava que não. Ela repassou rapidamente o curto diálogo que tivera com ele. Ela perguntou se poderia sair, ele perguntou se estava tudo bem e se nada tinha resolvido o problema dos outros alunos com ela, ela disse que não tinha nada com que ele precisasse se preocupar e que não se importava com o que os outros achavam, ele suspirou e disse que a deixava sair porque ela era uma aluna exemplar no final das contas.
"É, nada importante. Tirando o fato de que ele é bonito, mas isso não é da conta dos gêmeos.", ela tornou a fitar Kaoru nos olhos. O ruivo parecia realmente incomodado com algo. A garota sorriu de canto e envolveu uma das mãos do rapaz com as próprias. Ela falava com uma tranquilidade que não sentia de todo.
- Um dia, quem sabe, vocês vão entender. Nós estamos aqui tem mais de um ano. Muita coisa já aconteceu. Muitas pessoas já se mostraram idiotas, tantas outras já se provaram piores. – ela levantou o olhar da mão do ruivo para os orbes cor de mel. Os gêmeos ouviam em silêncio. Hana sorriu de canto – Vocês estão aqui tem apenas dois meses. O ambiente que vocês encontraram foi completamente diferente do que nós encontramos. E eu realmente espero que vocês não passem por nada do que nós passamos só porque as pessoas são idiotas.
- Tsc. – Kaoru soltou a mão e puxou Hana para si, abraçando-a com força – Eu vi… No jogo de pôquer… Eu vi como estavam as pernas da Cat. Eu não sei o quanto aquilo doeu nela. Muito menos quanta coragem ela precisou juntar para conseguir expô-las sem sofrer. – o ruivo soltou um pouco o abraço para poder olhar a morena nos olhos – Vocês podem nos contar, Hana. Nós queremos saber o máximo sobre vocês. Meu deus, vocês foram as únicas que nos aceitaram de verdade.
Hikaru ouvia tudo em silêncio, cerrando os punhos ao ouvir sobre as cicatrizes. Como ele não tinha visto? Tinha se distraído tanto assim? Ele repassou o jogo mentalmente. A loira tinha deixado as pernas e os braços expostos. De onde ele estava, conseguia ver os braços dela sem problemas, mas as pernas ficavam escondidas pela mesa. Mas Kaoru tinha a visão desimpedida. Era muito mais fácil para o mais novo notar as cicatrizes se fossem nas pernas. Hikaru respirou fundo. Todas elas tinham cicatrizes?
- Hana, por que você saiu da sala? Eu sei que ninguém aceita nenhuma de vocês, mas… Mas isso não significa que todo e qualquer ambiente é hostil. Não significa que você precisa fugir. – Kaoru tinha um tom de urgência que parecia estranho. A morena não estava acostumada a vê-lo tão preocupado com alguém que não fosse Anny.
A garota franziu o cenho e se livrou do abraço antes de responder.
- Você não sabe do que está falando. Eu não estou fugindo de ninguém, apenas garantindo minha sanidade mental. – então ela se dirigiu para um dos bancos que estava mais próximo e se sentou. Quando os gêmeos pararam a sua frente, ela continuou – Sabem como é, eu não mereço ficar ouvindo gente idiota falando por horas a fio.
Kaoru suspirou, se sentando ao lado da morena e apoiando os braços nas pernas. Hikaru permaneceu em pé olhando para Hana com certo desconforto. Apesar de toda a intimidade que os dois grupos tinham adquirido, aquela situação deixava claro o quando ainda eram distantes um do outro. No final, o Host Club ainda era "o grupo de alunos estrangeiros". Hikaru tinha um punho fechado, apesar de não perceber. Somente quando Hana encostou a ponta dos dedos nas costas de sua mão cerrada que ele percebeu a tensão que tinha acumulado ali.
A garota o olhava com um ar tranquilizador e um sorriso de canto. Hikaru entendeu. Ela não estava deixando coisas de lado por não confiar neles. Era exatamente o contrário. Ela sabia que ouvir o que tinha acontecido no ano anterior não faria qualquer bem a eles. Faria com que eles alimentassem o mesmo sentimento ruim que elas tinham alimentado em relação aos outros alunos da escola. Aquela era a maneira de Hana protegê-los.
Kaoru também tinha entendido, mas não conseguia aceitar. Nenhum dos dois aceitava. Hikaru estava a ponto de dizer alguma coisa mais quando alguém abraçou sua cintura por trás. Quando ele baixou o olhar, viu dois braços pálidos o envolvendo. Sentia o rosto de Catarina comprimido contra suas costas e a respiração de quem tinha corrido até ali. Hana riu com a situação, se levantando para cumprimentar a amiga.
- Achei que tinha aula de cálculo agora. – ela acariciou a cabeça da loira.
- Achei que tinha apresentação de trabalho. – Catarina soltou Hikaru para cumprimentar Kaoru, respondendo com um ar divertido.
- É… Sabe como é… Meu grupo foi o primeiro, então depois eu decidi sair da sala. – Hana tornou a se sentar.
Catarina se sentou ao lado dela, olhando para os gêmeos com um ar acusador.
- Vocês, por outro lado, estão apenas matando aula para se divertirem com as amigas universitárias.
Eles riram e desviaram o olhar.
- Culpados. – os dois responderam em uníssono.
- Que feio! – a loira riu – Aula de que?
- Matemática. – Hikaru deu de ombros – O Kaoru não gosta muito, mas fazer o que? E depois a gente se vira para conseguir a matéria de hoje.
- Podia ser aula de inglês. – o gêmeos mais novo tinha um ar emburrado, visivelmente fazendo drama.
- Bobagem aula de inglês. Vocês têm a gente. – Hana sorria com satisfação – Vem, vamos ver as outras. – ela pegou Kaoru pela mão e começou a andar. Catarina e Hikaru os seguiram.
A primeira sala em que passaram foi a de Jenna, que também ficava no prédio de Artes. A garota estava do lado de fora da sala, falando com um rapaz aparentemente mais velho. O desinteresse dela era visível, mas o garoto parecia não ligar. Apenas continuava falando, com um tom desagradável, sobre algo que o grupo não conseguia ouvir pela distância. Quando chegaram mais perto, o rapaz já tinha se retirado e voltado para dentro da sala. Jenna suspirou, apoiando as costas na parede e cruzando os braços diante do corpo.
- Tudo bem, Jen? – a pergunta veio de Hana, que tinha um tom preocupado na voz.
- Ah, tudo. Ele tava reclamando que eu "fico me aproveitando" dos outros e não faço nada dos trabalhos em grupo. – ela deu de ombros – Como se eu ligasse para um trabalho idiota. Se o professor deixasse, eu faria sozinha. Mas ele diz que é grande e eu não conseguiria.
- Sei como é. – Hana suspirou – Estamos indo ver as outras. Vem com a gente? – então sorriu.
