Anastácia estava deitada preguiçosamente no sofá de três lugres que elas tinham na sala, com Hana sentada no chão à sua frente. As duas conversavam com um tom animado, enquanto Catarina e Mei estavam na cozinha ajudando Jenna com o lanche que fariam no lugar da janta. Naquela vez, os rapazes que tinham ido à casa delas. Hikaru e Kaoru, depois de passearem por todo o apartamento, tinham se sentado à mesa de jantar, olhando entediados para algum ponto na parede.

Haruhi e Kyouya tinham ficado no escritório, olhando os livros que as garotas tinham cobrindo diversas prateleiras. A um canto, a mesa usada por Catarina para fazer os trabalhos da faculdade estava coberta dos mais variados materiais artísticos. Ao lado, uma escrivaninha de madeira comportava um computador com conexão à internet. Kyouya ajeitou os óculos e se sentou na cadeira própria de escritório que as meninas tinham comprado, acessando o site da universidade atrás de edições do ano anterior do jornal da escola. Haruhi tinha apenas pegado um livro para ler e sentado em um canto.

Tamaki passeava alegremente pela sala, discursando sobre tudo que os poucos quadros que as garotas tinham na sala o faziam lembrar. Ninguém prestava atenção, mas ele não parecia perceber, apenas continuando a andar de um lado para o outro, falando sem parar. Em completo contraste, Mori estava sentado em um dos banquinhos do balcão que separava a sala da cozinha, olhando o trio de amigas preparando o jantar. Ninguém saberia dizer, mas seus orbes negros seguiam uma única pessoa.

Hani, por sua vez, estava inquieto, passeando pela cozinha e perguntando o tempo todo se ainda ia demorar muito. As garotas pareciam se divertir com a ansiedade dele e, por vezes, davam alguma coisa para o garoto beliscar, o que funcionava por poucos minutos. Logo o loirinho voltava a andar de um lado para o outro e a perguntar se ainda faltava muito para eles poderem comer. E, como a pergunta não podia faltar, quais seriam as sobremesas que teriam depois.

Não demorou muito mais para as garotas acabarem. Quando Catarina levou uma das travessas para a mesa de jantar – o que obrigou os gêmeos a sentarem corretamente nas cadeiras em que estavam em vez de ficarem debruçados sobre a mesa –, uma dúvida lhe ocorreu. Ela se virou para os amigos, se sentando em uma das cadeiras mais próximas ao falar. Seu tom era de uma inocente curiosidade que, diferente do que Hana ou Anastácia geralmente fariam, era real.

- O que vocês faziam no Japão?

Hikaru e Kaoru se entreolharam, sorrindo com um ar levemente diabólico. A pergunta da loira tinha atraído a atenção dos demais. Até Tamaki tinha se calado. Os únicos que não ouviram foram Kyouya e Haruhi, que continuavam no escritório. Os gêmeos se levantaram e foram até a amiga, parando cada um de um lado e se abaixando de forma a ficarem com os rostos próximos do dela.

Em um movimento sincronizado, eles levaram a mão até o queixo de Catarina, o segurando delicadamente. O sorriso levemente diabólico continuava em seus rostos. A loira corou instantaneamente, olhando com certo desespero de um ruivo para o outro. Quando os dois falaram, tinham um tom levemente satisfeito, como se estivessem esperando por aquela oportunidade há muito tempo.

- Por que a pergunta? Está tão curiosa assim?

A garota sentia o rosto fervendo cada vez mais, enquanto Jenna, Anny e Hana riam alto. Mei apenas olhava sem entender direito o que acontecia. Os gêmeos, sorrindo largamente com satisfação, se afastaram e tornaram a se sentar onde estavam. Tamaki tinha se empolgado com a pergunta, logo voltando a tagarelar a respeito.

- Nós tínhamos um clube de entreterimento muito interessante fundado pela minha belíssima pessoa. – ele fazia as mais diversas poses ao falar, o que apenas fazia com que as garotas rissem mais – Era chamado de Host Club e diversas garotas apareciam diariamente para nos ver.

- Duvido que vocês sejam tão bons nisso quanto você faz parecer. – o comentário veio de Hana, que tinha se levantado e estava diante de Tamaki com uma mão na cintura e a outra deixada ao lado do corpo.

O loiro, em um reflexo de seu lado mais cavalheiro – ou como fosse que ele preferisse chamar –, abaixou-se diante da morena e lhe tomou a mão livre. Para quem olhasse sem saber o contexto, parecia que o rapaz estava propondo casamento. Hana olhava os orbes azuis do amigo com o cenho franzido, como se não entendesse o que ele queria com tudo aquilo.

- Minha doce Hana, como posso lhe provar que meu amor por você é do tamanho do oceano? – ele tinha um tom meloso que logo fez a garota rir mais do que antes. Anastácia, ainda no sofá, estava quase se contorcendo de tanto que se divertia com a cena.

- Eu vou fingir que você não disse isso, ok? – ela recolheu a mão e foi até onde Catarina estava, colocado a mão no ombro da amiga – Mas parece que alguém gostou da ideia.

A loira olhou com uma expressão de desconforto e desentendimento para a morena e então olhou para os gêmeos, que tinham novamente se levantado. Hikaru assumiu o lugar de Hana, que voltou a se sentar em frente de Anastácia, e aproximou a boca da orelha de Catarina, falando com um tom baixo calculado.

- Algum problema, Cat? – o gêmeo mais velho sorria com satisfação.

Catarina sentiu um forte arrepio subir-lhe pelas costas.

- E-e-e-e-e-e-e-eu…! – ela respirava rápido ao falar, sem conseguir formar uma frase coerente.

Kaoru se aproximou de Mei, segurando delicadamente a mão da garota e a olhando nos olhos com um sorriso de canto. A voz saía suave e a garota parecia realmente encantada com os gestos do ruivo.

- E você, senhorita Mei, também ficou curiosa sobre nossas atividades no Japão?

A garota corou.

- U-um pouco…

Hikaru e Kaoru sorriram com satisfação. Hana e Anastácia continuavam se divertindo com a situação, parando de rir para respirar de vez em quando. Hani foi saltitando até onde as garotas estavam, dizendo que ele e Mori apenas conversavam com as clientes, assim como Kyouya e Haruhi. Hana e Anastácia se entreolharam.

- Isso significa… – Hana começou a verbalizar o raciocínio que ela e a amiga seguiram.

- Que os gêmeos fazem algo mais. – Anastácia completou. Nesse instante, os olhares caíram sobre os dois ruivos.

- Bom, nossas clientes gostavam de ver um amor proibido entre dois irmãos. Especialmente por sermos gêmeos. – eles responderam em uníssono, dando de ombros ao final.

As garotas se entreolharam.

- Isso é… Estranho. – o tom de Mei era inocente, mas os gêmeos reagiram como se ela os apunhalasse.

- Oh, Hikaru, tudo que queríamos era entretê-las. – Kaoru se virou cabisbaixo para o irmão, levando uma mão à boca e fingindo chorar.

- Não fique assim, Kaoru. Não é nossa culpa que elas sejam tão insensíveis. – Hikaru envolveu o mais novo pela cintura e o puxou para perto, levantando-lhe levemente o rosto.

Hana e Jenna suspiraram.

- A menos que vocês realmente se beijem, isso não vai funcionar. – a garota de cabelos tingidos tinha um tom entedidado. Hana concordou com a cabeça.

Os gêmeos, em vísivel drama, caíram de quatro no chão, cabisbaixos. Tinham o tom de quem sofria com o comentário e resmungavam sobre a insensibilidade das amigas. Catarina, ainda sem conseguir raciocinar direito, se abaixou ao lado dos amigos, perguntando o que tinha acontecido. Sem se virarem, os ruivos se entreolharam e então puxaram a loira para si, abraçando-a cada um por um lado.

- Elas são tão crueis conosco! – Kaoru tinha um tom choroso ao falar.

Catarina não sabia como reagir.

- Como você aguenta pessoas assim? Deve sofrer tanto! – Hikaru tinha um tom lamurioso.

A loira olhava de um para outro com certo desespero.

- E-eu…!

Às costas dela, os gêmeos se entreolharam com um ar um tanto diabólico. As demais se entreolharam confusas, sem saber exatamente o que esperar dos dois. Felizmente – mas infelizmente para Catarina –, elas não tiveram que esperar muito para saber a resposta, pois cada um dos gêmeos beijou a bochecha da loira, que corou no mesmo instante.

Os dois se levantaram rindo e Kaoru afagou brevemente os cachos da amiga. Hana, Jenna e Anastácia se divertiam com a cena, enquanto Mei tinha ido ao socorro da amiga e a levava para cozinha para beber água. Kyouya apareceu na porta da sala assim que as duas tinham se retirado, olhando a cena sem entender. Haruhi continuava no escritório, sem imaginar o que se passava.

Tamaki, deprimido por ter sido ignorado e "rejeitado" (como ele mesmo choramingava), estava encolhido em um canto. Hana, Jenna e Anastácia, distribuídas nos sofás, riam alto, visivelmente se divertindo com algo. Mori continuava indiferente como sempre, mas um discreto sorriso tinha aparecido em seu rosto enquanto, sentado no mesmo lugar desde o começo, olhava Mei cuidando de Catarina. Hani tinha se sentado à mesa de jantar, parecendo se controlar para não começar a comer. Os gêmeos estavam parados próximos ao acesso da varanda, com um sorriso satisfeito.

Kyouya ajeitou os óculos, se perguntando se queria ou não saber o que tinha acontecido. Hana resolveu o problema por ele.

- E você, Kyouya, o que fazia para entreter as clientes no Host Club? – o tom com que ela falara deixava claro que duvidava das capacidades do moreno.

Ele sorriu de canto com certa satisfação.

- Creio que você já sabe, senhorita Hana. Afinal, se nada é maior do que o gosto de te ver, não é preciso palavras. Concentra-te nisto e apenas nisto (1). – quando a morena corou, o sorriso do rapaz ficou maior – Acredita agora?

A garota concordou com a cabeça, apertando mais as costas contra o sofá e cruzando os braços diante do corpo. Ela parecia lutar contra a vontade de desviar o rosto, fitando o moreno nos olhos. Kyouya, por fim, apenas deixou o livro que tinha pegado do escritório das garotas sobre a mesa e se sentou na cadeira que estava na ponta mais próxima da mesa.

- E então, vamos comer? – ele tinha voltado ao tom indiferente de sempre.

Hana soltou o ar pesadamente e se levantou, indo se sentar na cadeira na outra ponta da mesa. Enquanto os outros se ajeitavam – e Anny ia buscar Haruhi no escritório –, o computador apitou, indicando que um e-mail novo havia chegado. Anastácia aproveitou que já estava por lá e conferiu o que havia na mensagem. Ao voltar para a sala, tinha um sorriso largo e uma animação inocente na voz. Quando as amigas perguntaram o que tinha acontecido, a garota quase cantarolou para responder.

- Adivinhem quem está voltando para a cidade! Especialmente para nos ver! – ela andava animada pela cozinha ao acabar de falar, pegando as poucas coisas que faltavam e as levando para sala.

Hana sorriu, ficando igualmente empolgada.

- Então eles finalmente vão vir? – ela se levantou e foi atrás da amiga – Quando?

Os integrantes do Host se entreolharam, confusos.

- Eles ainda estão decidindo, mas deve ser logo. Na pior das hipóteses, depois do feriado. – Anny não deixava de sorrir.

- Então eles finalmente vão ter uma folga daquele inferno que eles chamam de trabalho! Temos que comemorar! Precisamos saber quando decidirem a data! – Hana se encaminhava para o escritório ao falar.

- Podemos fazer aqui. – a voz de Jenna delatava a animação que a garota sentia, mas não demonstrava de todo.

- Vai ser muito legal! A gente pode fazer algo que vire a noite toda! E eles podem dormir aqui! – Catarina estava quase pulando da cadeira com a empolgação.

- Pronto, e-mail enviado! – Hana tinha voltado para a sala ao falar – Agora é só esperar eles decidirem a data para nos avisarem.

Kaoru, cansado de ficar sem saber o que se passava, decidiu se manifestar. Perguntou do que as garotas falavam. Elas se entreolharam como se não entendessem. Afinal, para elas, aquilo era algo extremamente óbvio. Jenna foi quem respondeu ao ruivo e a resposta fez com que quase todos os integrantes do Host franzissem o cenho.

- Ora, da visita dos nossos amigos de infância. – ela falava como se conversasse com uma criança que não entende a mais clara das coisas.

- Que amigos de infância? – o tom de Hikaru era levemente grosseiro.

Hana se virou para Kyouya, com um tom provocador na voz.

- Aposto que você sabe. – ela sorriu de canto ao acabar de falar.


N/A: (música de mistério ao fundo) Do que será que elas estão falando, hein? O que você, pessoinha que está lendo, acha que é? Mande review com a sua opinião! A autora agradece! (de verdade, descobri que o Fanfiction agora deixa recadinho agradecendo pelo autor quando as pessoas mandam review) Bom, vamos aos créditos, não é? Porque direito autoral é um negócio daora (?) (ta, to falando como se tivesse muito… Mas, considerando que é o primeiro da fic, é muita coisa!)

(1) poema de Izumi Shikibu, encontrado pelo Google (eu alterei levemente a tradução que encontrei, porque ficaria menos repetitivo e gramaticalmente correto. Não gostou, me processe).