- Que amigos de infância? – o tom de Hikaru era levemente grosseiro.

Hana se virou para Kyouya, com um tom provocador na voz.

- Aposto que você sabe. – ela sorriu de canto ao acabar de falar.

- Mas, Kyouya-senpai, achei que você tivesse dito que elas ficaram amigas na faculdade. – Hikaru franziu o cenho.

- Se bem me lembro – o moreno ajeitou os óculos –, eu disse que facilitou a amizade. Elas se conhecem desde o Ensino Fundamental.

- Exato. – Anny se sentou na cadeira à direita de Kyouya e olhou para Hikaru – Ou você acha que ter cinco mulheres na mesma casa pode dar tão certo assim quando elas nem se conhecem? Morarmos juntas apenas acelerou a intimidade do grupo.

Kaoru olhava de uma para a outra.

- Mas, voltando ao assunto principal, quem são eles?

- Frederick, Benjamin e John. – Kyouya olhava seu caderno de bolso ao responder – Os oito fizeram o Ensino Fundamental e Médio na mesma escola. Ao final do terceiro ano do colegial, os três se mudaram para a Europa por causa do trabalho dos pais e vêm trabalhando com Publicidade desde então em agências concorrentes. Benjamin, o mais velho dos três, repetiu o primeiro ano do colegial uma vez. John pulou uma série no Ensino Fundamental, tendo a mesma idade de Catarina e Mei. Frederick fez todas as séries normalmente, tendo a mesma idade de Hana, Anastácia e Jenna. – ele levantou o olhar para Hana, com calculada indiferença na voz – Esqueci alguma coisa?

- Claro que sim. – ela revirou os olhos – Esqueceu que eles sabem como ser simpáticos. – ela deu um sorriso irônico. O moreno, em resposta, apenas fechou o caderno com um leve barulho e se ajeitou na cadeira. Hana riu de canto, satisfeita.

- De qualquer forma… – Anastácia achou adequado interferir – Faz tempo que não os vemos, como vocês perceberam. Por isso a vinda deles é tão emocionante. – ela sorria com uma alegria sincera, sem perceber o cenho brevemente franzido de Kaoru.

As garotas concordaram de imediato, sem perceber o desconforto que aquilo causava nos amigos.


A resposta do trio de amigos de Hana, Anastácia, Mei, Jenna e Catarina chegou em poucos dias. Durante todos os dias até o marcado para a visita, as garotas falavam com animação dos planos, da saudade que sentiam, do que os amigos poderiam ter para contar. Por vezes, elas percebiam que estavam exagerando e incomodando os integrantes do Host Club, que se sentiam parcialmente deixados de lado. Nessas horas, elas mudavam de assunto, agiam como se não houvesse nada acontecendo. Na maior parte do tempo, dava bastante certo. Estavam a uma semana do feriado de ação de graças quando o trio pousou nos Estados Unidos.


- Ok, é nosso primeiro dia de volta a essa terra. O que vamos fazer? – Frederick, um rapaz alto, de longo cabelo loiro escuro sempre preso em um rabo-de-cavalo baixo, colocou os óculos escuros quando ele e os amigos saíram do hotel em que ficariam. Seus orbes castanho-claros fitaram o céu azul limpo.

- Tudo que a gente realmente precisava fazer era deixar as coisas no hotel e dar sinal de vida para nossos pais. – Benjamin, de cabelos negros curtos e espetados, desviou os orbes negros para a tela do celular, sorrindo de canto com a mensagem que tinha acabado de receber – Podemos usar o resto do dia para rever antigos conhecidos. – ele tinha pouco menos que Frederick em altura, mas compensava com o tronco largo e os músculos definidos.

- Elas entraram na faculdade em que planejavam mesmo, não é? Se bem me lembro, não é tão longe daqui. – John, o mais baixo dos três, baixou os orbes dourados para o relógio de pulso – Elas ainda devem estar em aula agora, mas não acho que isso seja um problema. – ele ajeitou o cabelo castanho-claro, que terminava pouco abaixo de sua orelha, e olhou para os amigos – Podemos pegar um táxi até lá.

Frederick sorriu.

- Lembro que uma delas falou sobre alunos estrangeiros esse ano. Acho que devemos conferir isso. – ele se adiantou e fez sinal para um táxi que passava – Ben, você paga a corrida dessa vez.

Benjamin suspirou.

- Só por que eu deixei minha carteira no porta-malas quando fomos pro aeroporto?

- Exatamente. – John sorriu com satisfação.


Hana e Catarina estavam na cantina da faculdade, sentadas à mesa de sempre e conversando. Tinham se cansado cada qual da sua aula, decidindo matar tempo em algum lugar. Com companhia, seria ainda mais agradável. A loira contava empolgada sobre uma música estranha que tinha descoberto recentemente quando um estranho silêncio se fez no lugar. As garotas estranharam. Mesmo quando elas passavam, o silêncio formado não era tão absoluto. Muito menos tão duradouro. Hana se levantou para tentar ver o que acontecia.

A morena não precisou se esforçar tanto. Pouco depois de se levantar, as pessoas pouco mais a frente se afastaram, dando passagem para três rapazes de altura notável. Imediatamente, um sorriso largo se formou no rosto das duas. Catarina, sem se conter, pulou sobre Frederick, que a abraçou com força e lhe beijou a bochecha. A loira ria, abraçando o garoto de volta. Hana, se divertindo com a cena, foi cumprimentar os outros dois.

- Como sabiam que a gente estava aqui? – a morena tornou a se sentar e logo os outros quatro fizeram o mesmo.

- Na verdade, a gente só veio atrás de algo para comer e percebeu que tinha um ar estranho nas pessoas que estavam mais aqui. Aí decidimos ver o que era. – Ben tinha se debruçado sobre a mesa – Achei que era algo ruim, mas o pessoal daqui que é idiota mesmo.

Hana concordou com a cabeça.

- Bastante. – o comentário veio de Catarina, que levou a mão até a parte interna da coxa em um gesto inconsciente. Felizmente ninguém notou. Ou, se notou, nenhuma pergunta foi feita.

- E vieram até aqui só pra nos ver? – a morena tinha um falso tom de surpresa, rindo ao acabar de falar.

- Bom, a gente pode ir embora se for o caso. – John sorriu de canto com satisfação quando a amiga revirou os olhos.

- A gente devia chamar as outras. – Catarina tinha pegado o celular e começado a escrever uma mensagem ao falar.

- Mande-as para a garagem. Acho que devemos ir a algum lugar comemorar. – Hana tinha se levantado, pegando suas coisas e saindo do lugar. O resto do grupo foi atrás.


Kyouya estava do lado de fora do prédio em que tinha aulas quando viu Hana e Catarina passarem a alguns metros. Estavam acompanhadas de três rapazes que ele não reconheceu de imediato, mas franziu o cenho quando percebeu quem eram. O moreno encerrou a ligação e guardou o aparelho no bolso, continuando a observar o grupo com certo interesse. O mais alto dos rapazes passou um braço ao redor dos ombros de Hana e a puxou para perto. A garota ria, mas não tentou se soltar. Kyouya fechou com força a mão ao redor do telefone sem perceber.

Catarina então se virou, notando o moreno. Ela acenou e logo o grupo se aproximou. Os cinco pareciam se divertir com algo, interrompendo a conversa quando se juntaram ao rapaz. Hana se adiantou, se soltando de Frederick, e apresentou os amigos. Kyouya os olhou sem muito interesse, acenando com a cabeça em resposta. A morena explicou que ele era um dos alunos estrangeiros, o que fez com que várias perguntas surgissem de repente. Mas ele não queria saber de nada daquilo. Seus orbes negros fitaram Hana e sua voz saiu mais fria do que ele pretendia, mas o rapaz não se importava.

- Vocês duas não deveriam estar na aula?

- Ih, deixa de ser chato. – a morena revirou os olhos – Deveríamos, mas e daí? Pergunte aos gêmeos a vontade que dá de ficar na aula com a turma que eu tenho que aturar. Nós vamos encontrar as outras meninas e sair para algum lugar. Quer vir junto? – ela sorria, sentindo certa satisfação ao ver o olhar de Kyouya endurecer quando ele fitou Frederick antes de olhá-la novamente nos olhos e responder que não iria.

- Vai ser legal, você devia vir. – Catarina enroscou os braços ao redor do moreno, sorrindo com certa inocência.

Kyouya fitou a loira, se soltando sem grandes dificuldades.

- Dispenso. Divirtam-se vocês. – ele ajeitou os óculos ao acabar de falar.

Frederick, que tinha reparado nos sinais, tornou a puxar Hana para si, sorrindo com satisfação ao falar. Sua voz tinha um tom levemente desafiador que Catarina não entendeu, mas fez Hana sentir um leve aperto no peito. Ela sabia que o amigo estava fazendo o que ela geralmente fazia – provocar Kyouya para ver até onde ele iria –, mas, de alguma forma, aquilo era perigosamente diferente.

- Com certeza iremos. É melhor mesmo que alguém assista à aula em vez de passear. Especialmente porque elas estarão suficientemente seguras conosco.

Hana levantou o olhar para Kyouya, levemente preocupada com o que aconteceria. O moreno, por sua vez, apenas deu de ombros e se retirou. Frederick então soltou a amiga, olhando para o lugar onde o outro havia sumido com um ar desapontado. Sua voz demonstrava a mesma coisa.

- Ele é covarde. Ele acha que não, mas é. Extremamente covarde. – o loiro deu de ombros.

Hana suspirou.

- É… Talvez o choque cultural seja demais para eles. De qualquer forma, vamos logo que as meninas já devem estar nos esperando. – ela se virou e começou a caminhar.

Catarina se pôs ao seu lado, recomeçando a conversa. Logo os cinco tinham voltado a se divertir, mas Frederick sentia que algo estava fora do lugar. Que alguma coisa estava faltando. E ele tinha uma ideia muito boa do que era. Só esperava que os outros tivessem percebido o mesmo. Era pouco tempo que tinham nos Estados Unidos, mas precisavam fazer valer a pena. Se as coisas não iam se acertar por bem, então eles fariam se ajeitar por mal. E o rapaz não ligava para as consequências.


Anny estava quase dormindo na aula quando seu celular vibrou. Era uma mensagem de Catarina dizendo para que as meninas fossem para a garagem porque ela e Hana tinham uma surpresa "muito muito muito legal que todas vocês vão adorar", como a loira tinha escrito. Anastácia franziu o cenho. O que poderia ser? Ela olhou o calendário. Era o dia em que os rapazes chegariam, mas o voo era de noite, então eles chegariam mais perto da madrugada. Ou ela tinha se enganado? A morena franziu o cenho. Não custava nada tentar. Enquanto ela ajeitava suas coisas, seu telefone vibrou mais uma vez.

O que vão fazer hoje de noite?

Ela olhou o remetente. Kaoru. Um sorriso bobo se desenhou em seus lábios e a garota parou de mexer em suas coisas para responder. Disse que ainda não sabia, mas que as meninas pareciam ter um plano. Qualquer coisa nova seria avisada depois. O ruivo não respondeu, de forma que a garota voltou ao que fazia e logo estava fora da sala. Seus coturnos faziam barulhos secos ao baterem no chão.


Jenna rabiscava em um papel sem prestar muita atenção no que o professor dizia, como era de costume. Ele estava falando a mesma coisa pela segunda ou terceira vez só porque uma garota que se sentava na frente da sala não tinha entendido de novo o que tinha sido explicado. A garota de cabelos tingidos suspirou. Talvez devesse sair logo da sala. Quando ela pegou o celular para perguntar às amigas o que elas faziam, uma mensagem de Catarina chegou. Ao ler o conteúdo, a morena sorriu. Era exatamente daquilo que ela precisava.


Mei estava no intervalo da aula. Naquele dia, ela tinha quatro horas seguidas da mesma matéria, de forma que o professor costumava pausar na metade para que os alunos saíssem para tomar um ar, comer, conversar, o que quisessem. Ela estava cogitando sair e ficar no jardim até que as aulas das outras acabassem quando Catarina enviou uma mensagem. Pelo visto, Mei não era a única que não queria ficar na sala. A garota sorriu e respondeu a mensagem dizendo que logo encontraria com o resto do grupo. Em pouco tempo ela tinha juntado suas coisas e saído, indo para a garagem com um sorriso largo no rosto.


N/A: não gostei tanto do capítulo. É, dane-se, é o que tem pra agora.