Anastácia manteve as mãos sobre as de Kaoru e sorria de canto ao falar. Ela tinha apoiado a testa nas mãos, de forma que o ruivo não conseguia ver seu rosto. Mas sua voz saía calma, o que o fez sorrir. Ele sentia as bochechas rosadas, mas não ligava. O beijo definitivamente tinha sido inesperado, mas era exatamente o que ele precisava. Era a única coisa que podia afastar seus medos naquele momento.

- Você é um idiota, sabia…? – ela respirou fundo – Não acredito que quase quebrou o nariz do John por causa disso.

Kaoru engoliu em seco.

- A essa altura do campeonato, não acredito que você realmente se sinta ameaçado por algum deles. – ela levantou o rosto e olhou diretamente nos orbes cor de mel do ruivo. O sorriso de canto continuava em seu rosto quando ela voltou a falar – Não achei que você fosse tentar bater no pobre coitado.

Kaoru desviou o olhar, se sentindo sem graça pela reação exagerada.

- Desculpa ter falado daquele jeito com você. – ele baixou o olhar para as mãos enlaçadas com as dela – Mas…

- Eles nos conhecem faz mais tempo, então sabem melhor o que nos agrada e, portanto, como nos deixar feliz. – Anastácia completou o pensamento – Não é isso?

Kaoru concordou com a cabeça, franzindo o cenho.

- Deixe de ser bobo. – ela lhe afagou os cabelos, mantendo a outra mão ainda sobre as dele. Então se levantou e estendeu uma mão para o ruivo – A gente ainda precisa ver essa sua mão.

Kaoru se levantou e puxou Anastácia para si. A garota corou, mas retribuiu ao abraço. Os dois ficaram daquele jeito pelo que pareceram ser longos minutos. Então o ruivo afrouxou um pouco os braços ao redor da garota, de forma a poder olhá-la nos olhos. Anastácia esperava em silêncio, sorrindo de canto. Kaoru sorriu de volta. Ele passou delicadamente uma mão na bochecha da morena, reunindo coragem suficiente para falar o que precisava. Ele sabia que não podia terminar a conversa como tinham terminado. Pensar na ameaça de Hana fez seu corpo se arrepiar, mas ele respirou fundo e, por fim, com uma voz mais firme do que esperava, ele colocou o que precisava para fora.

- Eu gosto de você, Anny. De verdade. Na hora em que eu te vi com o John… Meu deus, eu nunca senti tanto medo de perder alguém. – ele passou novamente os braços ao redor da morena.

Anastácia corou, sorrindo de canto. Ela sabia o quanto de coragem ele tinha precisado reunir, mas ainda sentia que ele podia fazer melhor que aquilo.

- Eu também gosto de você, Kaoru. Mas… E se "gostar" não for o bastante? Vocês moram no Japão. Isso é do outro lado do oceano.

Kaoru apertou mais o abraço, deixando a voz sair sussurrada ao responder.

- Eu te amo, Anastácia.

A garota sentiu o coração bater forte no peito, quase a ponto de doer. Ela tinha esperado tempo demais por aquilo e se sentia extremamente feliz por finalmente ouvir. Então ela virou o rosto para o ruivo, se afastando apenas o suficiente para poder fitá-lo nos olhos. Ela também falava num sussurro, sorrindo ao fazê-lo.

- Eu também te amo, Kaoru.

O rapaz sorriu e então a beijou. Um beijo de verdade, não os selinhos aleatórios trocados até então. E a morena apenas se deixou envolver, apertando mais o corpo contra o do ruivo. Eles desejaram que aquele momento durasse para sempre, mas alguém parecia querer o contrário. Batidas na porta obrigaram o casal a se separar. Kaoru enlaçou os dedos com os de Anastácia e foi ver quem batia na porta. A garota sentia-se completamente avoada naquele momento, não reparando no olhar inquisidor de Hana para Kaoru.


Kyouya tinha voltado para a sala pouco depois de Hana jogar Kaoru dentro do quarto de Anastácia e trazia o telefone na mão. Ao ver a morena – que ele ainda não sabia como chamar, porque, apesar de terem se acertado, não tinham determinado o tipo de relacionamento que levariam –, ele fez sinal para que ela se aproximasse. Hana franziu o cenho, mas logo foi ver o que ele queria.

- Quais os seus planos para o final de semana do feriado? – ele falava baixo, como se não quisesse que ninguém além dela escutasse.

Hana corou e inúmeras possibilidades lhe ocorreram.

- E-eu não tenho nada programado… Por que a pergunta…? – ela engoliu em seco e cruzou os braços.

Kyouya sorriu com satisfação e lhe afagou o cabelo.

- Apenas para saber. – então ele se afastou, indo se juntar aos amigos. Hana ficou sozinha com as diversas situações criadas por sua mente fértil.

"Saco…! Como assim ele me pergunta o que eu tenho pra fazer e não me diz o que quer?! Isso é errado!", ela suspirou. Não adiantava martelar a respeito. Só havia um jeito de saber. Mas ela sabia que o moreno não ia dizer mesmo se ela perguntasse com o jeito mais doce possível. Afinal, os dois eram teimosos como uma mula e ela sabia bem disso.


Quando Kaoru abriu a porta e deu de cara com Hana, a garota sentia-se irritada por não saber o que Kyouya queria e por causa da forma como o ruivo tinha agido antes. O gêmeo mais novo apenas sorriu e afagou o cabelo da amiga, que o afastou com um tapa no braço. Anastácia riu, dizendo que estava tudo bem. Hana bufou.

- Tem que estar mesmo, senão eu juro que separava a cabeça dele do corpo. – ela cruzou os braço e encarou o rapaz, que engoliu em seco.

- Você é muito exagerada, meu amor. – Anastácia sorria como se achasse graça de algo – Mas não é só isso que está incomodando, não é?

Hana suspirou.

- Eles vão embora amanhã. Não acha que eles mereciam terminar de um jeito mais… Alegre? – ela coçou a nuca – Sei lá, dois chegaram inteiros e vão voltar aos pedaços.

Anastácia revirou os olhos.

- E o que você quer que a gente faça? Ia acontecer cedo ou tarde, meu amor.

- Ah, eu sei. – Hana olhou de Kaoru para Anastácia, sorrindo com certa satisfação – Deixa pra lá. – ela deu de ombros e voltou para a sala – Hikaru! Cadê você, seu idiota número dois?

O ruivo em questão apareceu na porta da cozinha ao ser chamado.

- Ei! Por que eu sou o idiota número dois?!

- Porque o idiota número um ainda não liberou o cargo. – Hana revirou os olhos, apontando para Kaoru atrás de si – Aproveita que ta aí na cozinha e pega alguma coisa com açúcar pra gente tomar.


Jenna estava esparramada na cama do quarto de Nathan, deitada de bruços e abraçando o travesseiro. O homem estava na cozinha preparando algo para comerem. Ele olhou para o relógio. A tarde tinha ido embora depressa. "Pelo menos ela se divertiu", ele sorriu de canto e terminou de servir o chá nas xícaras. Com cuidado para não derrubar a bandeja, ele subiu as escadas e foi para o quarto.

A coberta estava só até um palmo acima da cintura de Jenna, deixando a pele lisa da garota exposta. As mechas arroxeadas estavam espalhadas sobre o travesseiro e a garota parecia dormir profundamente. Nathan sorriu. Ela parecia tão tranquila, tão diferente de quando chegou à casa. Ele deixou a bandeja sobre a escrivaninha e foi até a cama, sentando-se ao lado de Jenna e colocando uma mão sobre o ombro da morena.

- Jenna, é hora de acordar. – ele tinha a voz suave e a chacoalhava de leve. A garota resmungou, de forma que ele insistiu – Eu trouxe comida.

Jenna abriu os olhos, levando um tempo para entender onde estava. Ela subiu o olhar pela calça de moletom que Nathan usava, corando levemente ao ver que ele estava com o peito descoberto. Então seus orbes negros cruzaram com os dourados dele, o que a fez sorrir. O homem sorria de volta. Ela se lembrou com calma do que tinha acontecido. Tinha tido um sonho ruim por causa do dia anterior e não conseguiu ficar em casa. Então se trocou às pressas e às escuras e foi para a casa do professor. Ele tinha visitas, mas ninguém se importou. Fizeram com que ela se sentisse confortável lá. Depois, uma vez sozinhos, depois dos amigos aparecerem e irem embora, ela e Nathan tiveram o melhor fim de tarde que a garota poderia pedir. Ela sentiu as bochechas arderem ao perceber como se sentia em relação ao homem sentado ao seu lado e afundou o rosto no travesseiro.

- Não adianta, eu já vi que você ficou vermelha. – ele riu de leve e lhe acariciou a cabeça. Ela sentiu quando ele se levantou e ouviu os passos dele indo e vindo pelo quarto conforme falava – Vai, senta. Eu trouxe chá e panquecas.

Jenna, ainda com as bochechas rosadas, se sentou na cama, puxando a coberta até o peito. Ele deixou a bandeja com uma mesinha própria para aquilo tudo com ela e pegou uma camiseta no armário. Jenna apenas acompanhava os movimentos de Nathan com os olhos. Quando ele passou a camiseta para ela, a morena franziu o cenho.

- Vai ficar grande, eu sei. Mas sempre quis saber como você ficaria assim. Agora eu posso. Anda, veste. Assim eu tenho uma desculpa pra te manter aqui mais um pouco.

Jenna revirou os olhos.

- Como se precisasse. – ela vestiu a camiseta e ajeitou o cabelo – Meu deus, cabem duas de mim aqui. – ela riu e logo Nathan tinha rido também.

- Vai, come. Seu estômago deve estar implorando por comida já. – ele entrou no banheiro e fechou a porta ao acabar de falar. Jenna comeu ao som da água caindo.


Quando Nathan saiu do banho, encontrou Jenna em pé ao lado da escrivaninha, olhando alguns papeis que estavam ao lado do computador. Ele parou para apreciar a morena por um instante, sorrindo ao ver como a camiseta ficava nela. Jenna tinha até a metade das coxas cobertas e as mangas paravam pouco acima de seus cotovelos. Nathan então se aproximou da garota e a abraçou por trás. Jenna sorriu e passou os braços sobre os dele.

- São os mesmos que estavam com a máquina de escrever? – ela apontou para os papeis.

Ele balançou a cabeça em negativa.

- Esse é um livro que me pediram para revisar antes de lançarem. O que estava lá embaixo é um que eu estou tentando escrever. – ele sorriu ao ver a expressão surpresa da garota – Ora, por que essa cara? Eu gosto de lecionar, mas preciso de um hobby. Ou precisava. – ele a beijou na bochecha e então soltou o abraço, indo se trocar.


O domingo amanheceu sem uma nuvem no céu. Hana estranhou a cama estar vazia até se lembrar de que os amigos tinham decidido voltar para o próprio apartamento no dia anterior. "Droga… Só por que seria tão legal poder ver aquela carinha de anjo que ele tem enquanto dorme…?", ela sorriu de canto. "Carinha de anjo, uma ova. Só não fica com cara de mau", ela passou um braço sobre o rosto, cobrindo os olhos. Sentia as bochechas vermelhas, mas não se importou. Sorria de canto também. Estava se deixando levar pelas memórias quando o celular tocou.

- Ah, merda. – ela se levantou e foi até a escrivaninha – Aaaalôôôô. – ela bocejou.

- Nossa, quanta educação. – a voz de Benjamin soava alegre e zombeteira do outro lado – Vocês vão com a gente até o aeroporto?

Hana precisou de um momento para ligar os pontos.

- Ah, meu deus! Que horas são?! – ela começou a procurar pelo que vestir nas gavetas, sem se importar com a bagunça que causava. Então, enquanto ouvia o amigo dizendo que precisavam ir para o aeroporto em meia-hora, ela começou a bater nas portas dos quartos das amigas para acordá-las – Que horas é o voo mesmo?

- Às duas. – ele fez uma pausa, que Hana interpretou como uma conferida no relógio – Eles dizem para chegar com uma hora de antecedência, pelo menos, então…

"Então agora é meio-dia e meia. Ok, eu consigo lidar com isso", ela colocou um par de fatias de pão na torradeira.

- Ok, a gente encontra vocês lá. – e então desligou. Anastácia apareceu na cozinha perguntando o que tinha acontecido – Sairemos em meia hora. Avise as outras. Vamos encontrar com os meninos no aeroporto. – Hana pegou as fatias levemente torradas e deixou sobre a mesa, passando manteiga ao completar – Vou ver se os estrangeiros vão conosco.

Enquanto Anny se retirava para passar o recado, Hana ligava para Kyouya.


No aeroporto, os oito antigos conhecidos conversavam animados quando o pessoal do Host Club chegou. Kyouya não parecia muito feliz por ter sido acordado, mas os demais pareciam normais. Kaoru foi o primeiro a cumprimentar as amigas, sorrindo sem graça ao ver Anastácia. Apesar de os dois terem se acertado no dia anterior, ele ainda não sabia como agir com a garota. Hana conversava distraída com Frederick quando sentiu que alguém a puxou pela mão e a virou.

Seus olhos arregalados em surpresa se encontraram com os de Kyouya.

O moreno se abaixou o suficiente para lhe dar um selinho, passando os braços ao redor dos ombros da garota em seguida. Ver o desconforto estampado no rosto de Fred fez o moreno sorrir de cato com satisfação. Hana revirou os olhos, mas não podia negar que estava feliz com a demonstração pública de afeto.

Pouco depois, uma voz soou avisando que os passageiros do voo que os rapazes pegariam deveriam ir para os portões indicados. Aquele era o aviso de que o grupo precisava se separar. Frederick e John se despediram com um ar levemente desanimado, mas Benjamin continuava alegre. Então, em um gesto que surpreendeu a todos, ele puxou Catarina e lhe deu um selinho, rindo quando a loira ficou vermelha.

- Eeeeeh? Só a Cat ganha beijo? – Hana e Anastácia falavam em coro – Também queeero.

Hana sentiu o braço de Kyouya enrijecer em seus ombros. A garota riu de leve e se virou para o moreno.

- Você fica uma graça com ciúme. – ela falava de forma que só ele ouvisse.

Kyouya não respondeu, apenas virando o rosto. Mas a morena conseguia ver que ele estava corado.

- Eu até daria em vocês – Benjamin apontou para Anastácia e Hana –, mas eu curto a minha integridade física. – ele sorria com um ar maroto, lançando olhares sugestivos para Kyouya e Kaoru.

Kyouya apenas encarou o rapaz de volta, enquanto Kaoru cruzou os braços diante do corpo e virou o rosto, com uma expressão emburrada que fez Anny sorrir de canto. "Tão bonitinho, meu deus!", ela riu levemente e se pôs ao lado do ruivo, apoiando a cabeça em seu braço. Kaoru sentiu as bochechas arderem, mas não se virou.