N/A: acabou de me ocorrer que não houve mudança de tempo no episódio de Barcelona, de forma que apenas o Hani e o Mori estariam na faculdade no ano em que o grupo foi para os EUA… Mas não importa, vou colocá-lo (o episódio de Barcelona) aqui adaptado para o ano seguinte! Não gostou, me processe!
Os dias até o feriado passaram depressa para o grupo. Naquele dia, eles estavam no apartamento de Kyouya. Hana estava esparramada de bruços em um dos sofás, com Anastácia sentada no chão a sua frente. As duas conversavam sobre algo relacionado ao que Anny fazia no celular. O resto do grupo estava espalhado pelo cômodo e Kyouya arrumava uma mala de viagem.
- Então foi seu pai que te ligou naquele dia? – Haruhi tinha um ar entre inocente e curioso. Quando Kyouya confirmou, ela continuou – Espanha?
Os outros pararam imediatamente o que faziam e passaram a prestar atenção. Kyouya fingiu que não notou todos os olhares sobre si.
- Isso. Espanha. Teremos três dias de folga, com o feriado de Ação de Graças e o fim de semana. Por isso, vou aproveitar para ir até lá. – ele olhou brevemente para Hana, que tinha o cenho franzido com a ideia. "Acho que eu devia ter conversado com ela antes…", ele voltou a arrumar as coisas na mala.
- Que? Mas, Kyouya-senpai… – os gêmeos falavam em uníssono.
Kyouya suspirou e se virou para os amigos.
- Meu pai me chamou para ir até lá. Disse que quer me apresentar uma mulher. – a informação pareceu chocar a todos. As garotas imediatamente olharam para Hana, que apenas se levantou e foi até a cozinha.
"Eu realmente devia ter falado com ela antes…", Kyouya foi até atrás da garota. Hana olhava distraída pela janela, com as mãos apoiadas no mármore da pia. O rapaz colocou uma mão sobre a cabeça dela e esperou que os orbes negros da garota se voltassem para ele antes de falar, mas, como isso não aconteceu, ele foi obrigado a se explicar com a sensação de que tinha feito algo realmente errado.
- Não é nada do que você está pensando, ok?
- Você nem sabe o que eu estou pensando. – ela pegou na mão do moreno e a abaixou – Tenho certeza de que você sabe o que faz. – Hana soltou a mão de Kyouya e voltou para a sala.
O voo foi desconfortável para a maior parte do grupo. Hana e Kyouya não se falavam, apesar dos esforços das amigas para fazer com que os dois conversassem. Hana mal olhava no rosto do moreno, mesmo dizendo que estava tudo bem. "Não está tudo bem, sua idiota. Eu sei que você ta se matando de ciúme. Mas, qual é, o cara ta pagando sua passagem…! Isso significa alguma coisa, não é?", Anastácia se levantou e foi até Kaoru.
- Dê um jeito no seu amigo. – ela se sentou ao lado do ruivo.
- Então me dá um beijo. – Kaoru apoiou o cotovelo no descanso para o braço que ficava entre os dois assentos. Anastácia corou, o que fez o ruivo rir – Brincadeira, boba. – ele lhe afagou os cabelos antes de continuar – Eles ainda não estão se falando?
- Nem um pouco. A Hana só interage com ele se a gente força. – a garota suspirou – Sei lá, acho que mesmo com vocês bancando a viagem, o que eu ainda acho errado, ela sente como se… Sei lá, como se ele estivesse fazendo isso apenas porque pode e não porque quer.
Kaoru suspirou. Aquele seria um final de semana longo para eles.
O grupo estava visitando a Sagrada Família quando o telefone de Hana tocou. Ela apenas ignorava os amigos em sua empolgação habitual e se afastou um pouco para atender. O número não era familiar e tinha o código de área da Espanha, o que era estranho. Anastácia revirou os olhos ao perceber que Kyouya parecia ignorar a presença de Hana, indo falar com Catarina, Jenna e Mei. As três, no entanto, estavam igualmente empolgadas com a construção, o que fez Anastácia mudar de ideia. Hana, a alguns passos do grupo, tinha decidido atender a ligação.
- Oh, senhor Williams! – ela ouviu por alguns segundos antes de responder – Bom… Acontece que eu fiz uma viagem de última hora para Barcelona. – ela parou mais uma vez – Nesse caso, acho que não tem problema. – pausa – Agora? Mas é claro que posso! Eu estou na frente da Sagrada Família. – nova pausa – Ótimo! Até mais então. – ela sorria com satisfação ao desligar o telefone e voltou para junto do grupo.
- Mas a mulher que seu pai queria lhe apresentar é a que vai se casar com o Akito-san. – Hana franziu o cenho. Tinha pegado a conversa começada, por isso o comentário de Hani não fazia sentido, mas ela não perguntou. O loirinho continuou – Então, por que você é que foi chamado, Kyo-chan?
Kyouya explicou a situação, o que fez Hana revirar os olhos. "Custava ter dito isso logo, meu deus?!", ela suspirou. Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, um homem se aproximou do grupo. Kyouya o reconheceu imediatamente, cerrando os punhos. O senhor Williams entregou Matheu a Hana agradecendo com um largo sorriso no rosto e então se retirou. A morena logo começou a se divertir com a criança, que parecia encantada não só com o lugar, mas com os amigos da "babá".
Hana foi brincando com Matheu por todo o caminho até o hotel, se mantendo mais afastada do grupo – que se manteve afastado de Kyouya – enquanto os membros da família Ootori conversavam. A mulher que estava com eles era alta e elegante. Seu cabelo negro estava preso em um coque refinado e suas roupas passavam a impressão de alguém que consegue tudo o que quer. "Não gostei dela", Hana olhava com um ar frio para o trio. Foi Matheu que a trouxe de volta para a realidade ao colocar as mãos em suas bochechas e apertar, fazendo a garota ficar com a boca em forma de bico.
- Matheu… O que você está fazendo…? – ela se virou para o rapazinho, falando com um tom suave.
Ele deixou uma mão sobre o ombro dela e apontou para Kyouya ao falar.
- Você quer ir pra lá?
Hana corou levemente e virou o rosto.
- Eles estão ocupados. – ela suspirou e se virou para o garoto – Depois podemos falar com o bobo do Kyouya. – ela sorriu.
Quando o pai de Kyouya se afastou, o rapaz ficou olhando para trás como se sentisse que algo estava errado. A mulher o chamou antes que ele pudesse ver o pai parar para falar com Hana, que tinha se levantado e segurava Matheu no colo. Ela sorria tranquilamente enquanto os dois conversavam, mas o homem tinha um semblante bastante inalterado, tornando sua leitura difícil. "Agora eu sei com quem o Kyouya aprendeu a ser indecifrável…", ela ajeitou Matheu em seu colo.
- Você parece ter um interesse especial em meu filho. Por acaso eu a conheceria de algum lugar?
- Não acredito que conheça, senhor. Eu vim apenas para acompanhar porque o restante do grupo quis muito vir. Eu e mais quatro garotas estudamos na universidade em que seu filho e os amigos estão nos Estados Unidos. – ela sorriu de canto – Devo dizer que é uma experiência enriquecedora para nós também.
O homem sorriu com satisfação.
- E a criança seria…?
- Ah, desculpe. Que grosseria a minha. – ela riu de leve, escondendo a boca com a mão – Esse é Matheu. Estou cuidando dele enquanto o pai trabalha. Coincidiu de estarmos ambos em Barcelona para o feriado.
- Entendo. Espero que isso não atrapalhe meu filho com suas responsabilidades. – o homem se virou para ir embora, mas Hana o deteve.
- Senhor? – quando ele se virou, ela respirou fundo e continuou – Nada é capaz de atrapalhar seu filho se ele realmente quiser algo. Nem mesmo uma garota apaixonada.
O homem sorriu de canto com o último comentário, mas não respondeu, indo embora em seguida. Hana sorriu de canto. Aquilo seria realmente interessante. Ela achou que era melhor ir para junto do grupo ao ver que os gêmeos queriam sortear os quartos. Ela fez as contas mentalmente. Provavelmente teriam de dormir dois em cada quarto. Tamaki protestava sobre o sorteio quando Hana se juntou a eles.
- Ora, por que não colocamos Tamaki e Haruhi juntos? Anny e Kaoru. Cat e Hikaru. Mori e Mei. Jenna e Hani. – Hana tinha um ar indiferente.
- Isso deixa você com o Kyouya. – Anastácia sorriu. Aquilo era um progresso.
Mas o sorriso que Hana deu de volta fez com que a amiga sentisse calafrios.
- Esse é o plano.
"Ela definitivamente me assusta…!", Anastácia se encolheu levemente por instinto.
Hana acompanhava a conversa de longe, sem saber o que se passava. Diferentemente dos integrantes do Host Club, que pareciam querer absorver tudo que acontecia, ela só queria um pouco de paz. Matheu parecia animado, o que a fazia sorrir. "Se todos fossem fáceis de entender como uma criança… Elas dizem quando querem algo. Elas explicam quando você não entende. Ta, nem sempre é algo muito esclarecedor, mas, para a criança, sempre vai fazer sentido. Por que os adultos são tão mais complicados…?", Hana levantou brevemente o olhar para ver o que se passava.
- Eu mato essa vagabunda…! – a morena viu apenas Nanako com o rosto próximo ao de Kyouya, que não parecia fazer nada além de encarar a mulher de volta.
Anastácia percebeu que a amiga esmagava uma revista com a cena, se apressando em ir acalmá-la.
- Ei, ei, ei! – Anny tomou a revista das mãos de Hana – Não é nada do que você está pensando, ok?
- Anny… Posso pedir um favor? – Hana suspirou e se levantou. A outra apenas olhava curiosa – Cuide de Matheu por um instante. – sem esperar resposta, a garota foi até onde Kyouya estava, notando o clima tenso entre ele e Nanako. "Assim está melhor. Enquanto vocês se odiarem, vai ser perfeito", ela parou atrás do moreno.
- Só por cima do meu cadáver, sua bruxa. – Kyouya sorriu tranquilamente ao dizer isso, parecendo se surpreender ao sentir os braços de Hana passando por cima de seus ombros.
Hana deixou as mãos abertas sobre o peito do rapaz, ficando com um ar manhoso ao falar com ele que estava cansada de ficar no hotel. O moreno ajeitou os óculos e suspirou. Nanako pareia se divertir com a situação. Kyouya, sentindo que a mulher de quem estava responsável poderia tentar tirar algo proveito da situação por seu desconforto, virou o rosto para Hana e a beijou. A estudante tinha plena consciência do que estava por trás do gesto, mas mesmo assim corou automaticamente e cobriu o rosto com as mãos quando Kyouya se afastou.
"Idioooootaaaaa…! Ele me paga! Me paga, me paga, me paga!", ela girou sobre os calcanhares e foi até Matheu e Anastácia.
- Olha só, alguém parece feliz. – Anny tinha um tom zombeteiro, recebendo um "cala a boca" um tanto seco em resposta que a fez rir. Hana, no entanto, sorria.
- Estou cansada desse clima tenso entre eles. – Catarina suspirou – Não consigo apreciar a paisagem assim! – ela cruzou os braços e ficou com uma expressão emburrada.
- Ela tem razão. – Anny se voltou para Kaoru – Não tem nada que possamos fazer?
Os gêmeos automaticamente se viraram para Tamaki.
- Ei, Tono! Dê um jeito nisso! Por que temos que fazer turismo pela cidade com eles?! – eles falavam em uníssono.
- Estou com medo! Quero ir comer churros! – Hani, no colo de Mori, choramingava.
- C… Certo, vamos fugir…! – Tamaki olhou para os amigos e logo os integrantes do Host, junto de Catarina, Mei e Jenna, saíam de fininho.
Kyouya e Nanako continuavam se alfinetando. Hana e Anastácia reviraram os olhos. As chances de aquele plano funcionar eram tão altas que Kyouya logo os tinha feito voltar. Nada que uma leve ameaça de violência não resolvesse. Hana aproveitou para passear com Matheu enquanto os amigos reclamavam do passeio e Nanako conversava com os seguranças e Haruhi. Anastácia foi até Kyouya.
- Já parou para pensar que ela só está bem porque o Matheu está aqui?
Kyouya olhou na direção em que a amiga apontava, vendo Hana com o garotinho.
- Não interessa. – ele se virou ao ouvir Nanako falando sobre fugir e ajeitou os óculos ao falar com a mulher – Você não terá a oportunidade de mostrar essas suas pernas horríveis. Trate de escondê-las direitinho.
Anastácia revirou os olhos. "Assim até parece que ele está fazendo tudo isso para provocar a Hana… Achei que os dois estivessem acertados", ela suspirou. Talvez devesse falar com alguém sobre aquilo. Ela olhou ao redor. Kaoru estava com Nanako, o que tornava a conversa inviável. Falar com Hana não seria boa ideia. Catarina estava encantada com o parque. Mei e Jenna provavelmente não tinham reparado ou, se repararam, não tinham uma opinião muito formada sobre o que acontecia. Mori, Hani e Hikaru também estavam com Nanako. Haruhi trocou algumas palavras com Kyouya e depois começou a falar com Tamaki.
"Que droga…", ela tornou a olhar para Hana, que voltava com Matheu no colo para junto do grupo. O turismo continuou até a hora do jantar, que foi feito em um restaurante com um ar refinado. Hana tinha acabado de entrar quando ouviu o telefone tocar. Ela colocou Matheu no chão e pegou o aparelho na bolsa. Ao olhar o número, ela reconheceu quem ligava.
- Senhor Williams! – Matheu olhou para garota ao ouvir o nome do pai – Claro, sem problemas. O nome do hotel? Hm, de cabeça não sei. Mas posso passar mais tarde, quando voltarmos. – pausa – Então até mais tarde. – ela sorria ao desligar e colocar o aparelho na bolsa.
Kaoru, que tinha entrado logo atrás da amiga, ouviu o final da conversa. Ele passou um braço ao redor dos ombros da morena e falava em um tom que só ela conseguisse ouvir. Hana tornou a pegar Matheu no colo antes de responder. O ruivo tinha sugerido que ela estava sendo cruel demais com Kyouya, ao que ela respondeu que não estava fazendo nada de errado. Ela tinha deixado bem claro que fazia aquilo por gostar da criança. Podia servir como um empurrãozinho no crescimento de todos. Kaoru suspirou.
- Se você diz…
- Digo. Se o Kyouya não gosta, ele que venha falar comigo. – ela se soltou do ruivo e foi se sentar. O rapaz foi em seguida.
Surpreendentemente, apesar das alfinetadas iniciais, o jantar correu bem. Todos conversavam sem problemas e mesmo Mori interagia bastante. Hana percebeu, naquele momento, as diversas ligações que se fortaleciam naquele momento de reflexão a respeito de Nanako – que acabou dormindo sobre a mesa por beber demais. Hana sorriu de canto. Mesmo com alguém que tinham acabado de conhecer, eles sempre se esforçavam ao máximo. Não apenas para entender o que a pessoa sentia, mas o que eles poderiam fazer a respeito.
De volta ao hotel, a divisão de quartos acabou ficando como Hana sugeriu. Exceto pelo fato de Haruhi e Tamaki ficarem sozinhos, cada um em seu quarto. Hana tinha acabado de entregar Matheu ao pai quando ouviu o final da fala de Tamaki para Kyouya. "O que seu pai está querendo testar em você…?" foi a pergunta que ficou no ar. Hana tinha se escondido por reflexo ao perceber que os dois conversavam, se sentindo sem graça de atravessar o corredor mesmo depois de Tamaki sair.
Kyouya suspirou e foi para o quarto. Hana contou até dez antes de fazer o mesmo.
- Então ficamos mesmo no mesmo quarto. – o tom do moreno era indiferente e Hana automaticamente cerrou os punhos – O que foi?
- Nada. – ela foi até o banheiro e fechou a porta. Não se importou com o barulho seco que produziu quando deixou as costas caírem sobre a madeira. Não se importou com o frio quando seu corpo terminou de escorregar pela porta até que a garota estivesse sentada no chão. Não se importou com as lágrimas que caíam silenciosas por seu rosto.
"Nada além de mesquinharia… Meu deus, Hana, deixe de ser idiota… Ele não está fazendo isso por querer… Você sabe que foi um pedido do pai… E você ouviu o idiota do Tamaki. Tem algo por trás de tudo isso… Você precisa se encontrar com o pai dele de novo", ela se levantou e abriu a torneira, lavando o rosto. "E precisa fazer isso logo", ela fechou as mãos com força na borda da pia. Então respirou fundo e, após se secar, voltou para o quarto.
Kyouya tinha acabado de tirar a camiseta para tomar banho quando a morena voltou. Quando os olhares dos dois se cruzaram, Hana acabou tropeçando nos próprios pés, quase caindo no chão. Felizmente uma das camas estava no caminho, de forma que ela caiu sobre o colchão. "Eu morri…? Eu morri e não me avisaram…?", ela sentia o rosto fervendo. Kyouya tinha um ar levemente satisfeito ao falar.
- Você pode arrumar suas coisas enquanto eu tomo banho. A menos que queira ajuda.
Hana grunhiu alguma coisa e empurrou o moreno para o banheiro. Sentia o coração batendo acelerado e a respiração irregular. "Por que, meu deus? Por que sempre comigo?!", ela se jogou na cama e ficou olhando o teto. Então um sorriso se formou em seus lábios. "Isso significa que eu posso revidar, não é? Ótimo, o plano A ainda está em pé!", ela se levantou e começou a tirar o que ficaria no armário e o pijama que usaria. Um sorriso satisfeito tinha se formado em seus lábios.
