Naquela noite, Anastácia e Kaoru, assim como Hana e Kyouya, dormiram abraçados. Ou melhor, os três primeiros dormiram, porque o moreno não conseguia pregar o olho. A conversa com Hani e Kaoru – Mori também estava no quarto, mas praticamente não se manifestou – continuava a lhe vir a mente. Kyouya suspirou, repassando a cena mentalmente mais uma vez.


- Kyo-chan, você não acha que deveria falar com a Hana-chan? – Hani tinha uma curiosidade inocente na voz.

- Por que eu deveria fazer isso? – Kyouya tinha um tom levemente indiferente.

- Ela parece desconfortável com alguma coisa, você não acha?

O moreno franziu o cenho. De fato, o sumiço repentino era estranho. E ela ainda não tinha ido falar com ele desde que voltaram para o hotel. Hani continuou.

- Você já contou a ela como se sente, mas vocês chegaram a decidir que tipo de relação teriam?

Kyouya precisou pensar. Hana tinha perguntado como ele definia a relação que tinham e ele não disse nada além do óbvio. Seria possível que ela quisesse saber o tipo de relação que os dois tinham na visão dele? Era provável. Kyouya suspirou. Hani entendeu o gesto como uma negativa.

- A Hana-chan não vai aguentar essa indecisão para sempre, não acha, Kyo-chan? O que você quer?

Kyouya olhava algum ponto indefinido na parede. Ele queria continuar com a garota ao seu lado.

- Você já pensou em pedi-la em namoro? – Hani sorria alegremente, sem se importar com o cenho franzido do moreno. Então ele se virou para Kaoru – E você, Kao-chan?

- Ah… Acho que eu estraguei tudo. – ele suspirou – Eu fiz uma coisa idiota. Eu pretendia perguntar a Anny se ela aceita ficar comigo antes de irmos embora, mas talvez seja melhor deixar para depois.

Hani sorriu.

- Talvez você precise de um tempo para pensar. – Hani queria dizer para o ruivo apenas esquecer daquilo até de manhã. Kaoru entendeu que devia se afastar de Anastácia – Você pode pedi-la em namoro quando as coisas se acalmarem. – Hani sorriu.


Kyouya respirou fundo. Ainda não tinha entendido como conseguiu definir a relação dele com Hana com tanta naturalidade, mas era bom.


Catarina, mais uma vez, tinha se aninhado na cama de Hikaru para dormir. O ruivo não reclamava, mas achava estranho. Ele entendia que ela andava tendo um sono agitado nos últimos dias e acordava assustada, mas ele não conseguia entender a razão por trás disso. Havia uma informação crucial que não lhe foi contada e ter consciência disso fazia seu peito apertar. Naquela noite, quando Catarina se sentou de repente na cama, Hikaru apenas a puxou de volta para si e a abraçou. Sentia as bochechas arderem, mas não se importou.

No escuro, Catarina desviou os orbes azuis para o amigo. Ela ainda tinha o coração acelerado, tanto pelo sono quanto pela demonstração de afeto do ruivo, mas sorria com o gesto. Assim como Hikaru não viu a alegria estampada no rosto da loira, ela não viu o cenho franzido em desconforto dele. "O que diabos elas não estão nos contando?", Hikaru apertou levemente o abraço ao redor de Catarina, que tinha se aninhado em seu peito e voltava a dormir.

No dia seguinte, depois de colocarem o plano de Tamaki (o "Grande Plano Dom Quixote") em prática e Nanako ter conversado com o pai na noite anterior, Hikaru tinha um ar mais cansado do que o esperado. Catarina estranhou e perguntou o que tinha acontecido. O ruivo resmungou um "nada" em resposta. O rapaz estava esparramado na cama, acompanhando Catarina com o olhar enquanto ela arrumava as próprias coisas. As dele já estavam ajuntadas em um canto. Foram batidas na porta que fizeram o gêmeo mais velho sair do transe em que estava. Ele se levantou para ver quem era, encontrando um Kaoru sorridente.

- E essa cara de quem morreu e voltou? – Kaoru tinha um tom zombeteiro que fez Hikaru franzir o cenho – Bom, eu e a Anny já arrumamos as nossas coisas. E vocês?

Hikaru olhou para trás. Catarina estava com dificuldade em fechar a mala.

- É a última? – ele foi até a loira e a ajudou a fechar a bagagem. Ela confirmou com a cabeça – Então acabamos. – ele pegou as próprias coisas e a chave de quarto quando saíram.

- Os outros também já estão com tudo pronto, falta só o Tono e a Haruhi. – o gêmeo mais novo andava abraçado com a morena e os dois pareciam perfeitamente confortáveis com a situação. Catarina sentiu uma pontada de inveja, mas sorriu com a cena.

- Acho que devíamos apressá-los e… – Hikaru se interrompeu ao ver Nanako no corredor – Carmem-san!

Os outros três olharam na direção em que Hikaru ia animado.

- Oh, estava indo ver vocês agora mesmo! – a mulher sorriu – E onde está o resto do grupo? – ela carregava uma sacola nos braços.

- Estamos indo vê-los agora mesmo! – Kaoru parou ao lado do irmão, sorrindo de volta – Por que não vem conosco?

Nanako concordou com a cabeça e logo os cinco se puseram a andar. Passaram primeiro no quarto de Kyouya e Hana, mas apenas a garota estava lá. Kyouya tinha ido falar com Tamaki. Os gêmeos deram de ombros. Então passaram no quarto de Mori e Mei, indo ver em seguida Hani e Jenna. Com todos reunidos, foram para o quarto de Haruhi, onde Tamaki tinha acabado de entrar para ver se a garota precisava de ajuda com a bagagem.

- Tono! Haruhi! – os gêmeos falavam em uníssono – A Carmem-san está aqui.

A mulher se adiantou, pedindo desculpa pelo trabalho dado e distribuindo as lembrancinhas que tinha comprado para o grupo. Após conversarem um pouco, ela olhou ao redor, estranhando que Kyouya não estivesse lá. Tamaki sorriu de canto e disse que Kyouya tinha sido chamado no quarto do pai. Nanako ficou com um ar preocupado, assim como Hana. "Acho que é bobagem minha, mas… Pode ser por causa do almoço de ontem…?", Hana se sentou sobre a cama de Haruhi e observou o grupo. Tamaki conversava com Nanako.

- Será que ele vai levar uma bronca…? – ela tinha um tom preocupado.

- Claro que não… – o tom de Tamaki era tranquilizador – Eu acho que é justamente o contrário.


- O senhor Shouji retirou a condição do casamento. – Yoshio tinha um ar tranquilo ao falar com Kyouya, tomando uma xícara de chá – Mesmo assim, ele ainda deseja formar nossa parceria. Disse que é para se desculpar por nos fazer vir até aqui e sua filha nos causar tantos problemas.

Kyouya ouvia o pai em silêncio. O plano do pai tinha saído como o planejado apesar da bagunça de Tamaki e os outros. Quando o rapaz se virou para sair, o pai o deteve o chamando novamente. Kyouya se virou, olhando para seu progenitor sem deixar transparecer a leve curiosidade que sentia.

- Espero que você não esteja apenas perdendo tempo com aquela garota. – Yoshio se servia de mais chá ao falar.

Kyouya tinha fechado a mão com força no bolso da calça, mas sua voz saía firme.

- Não há nada com o que você precise se preocupar, meu pai.

O homem sorriu, fitando as costas do filho enquanto Kyouya se retirava.


No caminho para o aeroporto, o grupo conversava animado. Haruhi tinha posto a teoria de Kyouya sobre a empolgação de Tamaki em prática e se sentia satisfeita por tê-la comprovado. O loiro ficou quieto em grande parte do caminho. Durante o voo, praticamente todos tinham adormecido. Kaoru e Anny estavam dormindo abraçados, com uma Catarina encolhida e enrolada na coberta do lado. Diante da loira, Hani se divertia comendo bolos e mais bolos, enquanto, ao lado do primo, Mori ouvia o que uma Mei empolgada tinha a dizer com um sorriso de canto.

Hikaru olhou ao redor. Tamaki e Haruhi estavam no fundo do avião, dormindo sob uma coberta suficientemente grande. Mais à frente, Kyouya estava sentado ao lado de Hana e olhava pela janela com um sorriso discreto de canto. A garota desenhava alguma coisa em um caderninho que sempre levava na bolsa. Jenna tinha se levantado para ir ao banheiro. Hikaru se sentou diante de Kyouya e Hana e respirou fundo antes de falar.

- O que aconteceu com a Catarina? – ele tinha o tom sério e Hana olhou para ele com uma alegria repentina.

"Que bonitinho ele se preocupando!", ela fechou o caderno e o colocou sobre o colo.

- Por que a pergunta? – ela sorria de canto.

Kyouya tinha se virado para o amigo, ouvindo a conversa se desenrolar em silêncio.

- Nas duas noites em que passamos aqui, ela acordou assustada e teve dificuldade pra voltar a dormir. Ela não conseguia dormir sozinha. – o ruivo suspirou. Era bom irem com um avião particular para os lugares. Podiam conversar do que quisessem sem se preocuparem com curiosos.

Hana suspirou e se ajeitou no banco.

- Foi há muito tempo… E isso a marcou de tal forma que ela não consegue suportar a ideia de perder as pessoas. Por isso, quando Jenna sumiu semana passada, não podíamos deixar a Cat perceber. Por isso, sempre que algum desentendimento acontece, nós nos preocupamos em mostrar a ela que ninguém vai abandoná-la. – Hana baixou o olhar para as próprias mãos.

Hikaru se ajeitou no banco. O que aquilo tudo queria dizer? Por acaso a garota tinha perdido alguém de um jeito dramático?

- Ela tinha mais ou menos dez anos. Onze, talvez. Os pais dela se davam bem, mas… Um dia, de forma totalmente repentina, o pai dela saiu de casa com malas feitas. Ele estava deixando a família. Catarina nunca soube o motivo. Nem qualquer uma de nós. Ele apenas foi embora. – Hana tinha uma dor profunda saindo com as palavras. Ela não tinha como entender o que a loira sentia em relação a tudo aquilo porque nunca passara pela experiência. Mas ver o que isso tinha causado na amiga fazia o peito de Hana apertar – Desde então, ela evita se apegar às pessoas. Mas é difícil. Ela tenta não se aproximar rápido demais dos outros, mas isso não é algo que a gente possa controlar exatamente.

Hikaru franziu o cenho. Ele e o irmão tinham sido criados passando de uma babá a outra. Não tinham conhecido o significado de crescer com os pais dando atenção o tempo todo. Para ele e Kaoru, era normal que as pessoas viessem e fossem. Aquilo estava mudando, mas era um processo lento. E não mudaria a criação de desapego que os gêmeos tiveram. Mas Catarina tinha sido criada tendo os dois progenitores ao seu lado durante a infância. Ver um deles partindo de repente a tinha quebrado de forma irreparável. Hana respirou fundo e continuou.

- Alguns anos atrás, a mãe dela adoeceu. Catarina não sabia o que fazer com a mãe internada por meses no hospital. O fardo que foi colocado em seus ombros de repente era pesado demais. Nós tentamos ajudar como podíamos. A Cat não sabe disso, mas… Um dia, eu e a Anny fomos ver a mãe dela sozinhas. Queríamos poder fazer mais pela Cat, pela mãe dela. Mas tudo que recebemos foi um "obrigada" e uma breve explicação do que tinha acontecido. A mãe dela sabia que não ia melhorar. Ela não queria melhorar. Desde que tinha perdido o marido, ela vinha deixando de tomar medicamentos essenciais para sua saúde. Seus órgãos estavam no limite. Ela tinha envelhecido depressa. Ela não aguentava mais levar a vida sem o marido. Mas não podia deixar a Cat pra trás de repente. Não… Ela não suportaria deixar uma criança para trás. Então, quando achou que a Cat já estava grande o suficiente, ela abdicou de toda a medicação que tomava. No hospital, os médicos reconheciam que a mulher não tinha muita chance, mas tentavam fazer tudo para ajudar. Ninguém dizia nada, mas a gente sabia que logo menos a Cat perderia também a mãe. Quando entramos na faculdade, decidimos morar juntas para que ela não precisasse voltar para uma casa vazia. – Hana engoliu em seco, empurrando o nó em sua garganta para o fundo – Mas ela ainda vive com medo de ser deixada para trás… Ela se sentiu abandonada pelos pais. Ela provavelmente tem um vazio irreparável no peito. Mesmo com todos os esforços, existem coisas que nós não podemos curar. – ela levantou o olhar para Hikaru – Por isso, Hikaru, se você não tiver planos de ficar ao lado dela, independentemente do tipo de relação que haja entre vocês, é melhor deixar isso claro logo.

O ruivo se surpreendeu ao perceber que chorava ao final da história. Ele secou o rosto com a manga da blusa e se levantou sem dizer nada. Hana suspirou e afundou na cadeira. Kyouya passou um braço ao redor da garota e lhe beijou o topo da cabeça. Sua voz saía calma e Hana sorriu de canto quando o rapaz disse que Hikaru saberia o que fazer. Ela realmente queria acreditar naquilo, mas não conseguia confiar tanto no ruivo. Não àquele ponto. Kyouya tornou a olhar pela janela, mas não tinha soltado a morena. Hana acabou adormecendo apoiada no ombro do rapaz.

Hikaru, depois de ouvir a história de Catarina, sentia o peito apertar. Ele não tinha planos de ficar nos Estados Unidos depois daquele ano. Mas, ao mesmo tempo, ele não queria passar o tempo que tinha ali sem estar com Catarina. "Ficar com ela apenas por esse ano… Isso não seria errado…? Eu não posso levá-la ao Japão quando o ano acabar. Seria errado obrigá-la a fazer qualquer coisa desse tipo… O mais certo seria abrir mão de tudo isso, não é? Continuarmos apenas como amigos. Vai ser mais fácil para ela suportar depois, não é?", ele parou no meio do corredor. Pretendia se sentar em um assento vazio no fundo do avião e pensar com calma, mas não conseguia raciocinar direito.

Catarina abriu os olhos devagar, notando Hikaru parado ao seu lado. A garota esfregou os olhos para espantar o sono e levantou o rosto para ele. O ruivo tinha o cenho franzido, mas não tinha mais nenhum sinal das lágrimas que caíram. Catarina balançou a mão na frente do rosto do rapaz, o que pareceu assustá-lo. A loira riu e se levantou, se espreguiçando. Hikaru suspirou e pegou a garota pela mão. Catarina se assustou, mas não protestou. Apenas acompanhou o gêmeo mais velho até o fundo da aeronave e se sentou no banco em frente ao que o ruivo tinha escolhido.

Ele respirou fundo ante de começar a falar.

- Cat, eu sei o que aconteceu com você. – ele fechou as mãos com certa força no colo – E eu acho que… Seria injusto com você… – ele respirou fundo. Aquele garoto egoísta de sempre de repente parecia um passado distante – Se nós… – "Por que isso é tão difícil de dizer?!", ele respirou fundo mais uma vez e recomeçou – Eu gosto de você. –Hikaru sentiu as bochechas ferverem e tinha baixado o olhar, de forma que não viu que Catarina tinha ficado vermelha também – Eu… Eu realmente gosto de você. Mas eu não pretendo ficar nos Estados Unidos sempre. E não quero que você se sinta obrigada a ir para o Japão. – ele falava depressa e tinha consciência de que não era algo bom, mas não conseguia desacelerar. De repente, tudo em sua cabeça estava confuso e, se ele parasse para pensar, perderia toda a coragem que tinha reunido – Por isso, eu não tenho certeza do que devemos fazer. Eu quero ficar com você, mas seria só até o final do ano. E isso parece errado. Eu não quero que você se sinta presa a mim.

Catarina sorriu e se abaixou diante do ruivo. Era bonitinho vê-lo se preocupando tanto. E todo aquele discurso tinha espantado o medo de que o sentimento fosse unilateral. Ela apoiou as mãos nos joelhos de Hikaru e esperou que os orbes cor de mel se focassem nos azuis dela antes de falar. Ela sorria de canto e sua voz saía levemente animada.

- Ta tudo bem. Você não precisa pensar nisso.

Hikaru sorriu de canto. Apesar de a garota ter um ar de "bichinho de estimação" – e as amigas não ajudavam muito a mudar essa imagem, porque geralmente faziam alguma coisa que remetia a uma relação dono-animal –, ela tinha maturidade suficiente para entender como lidar com a situação. Hikaru imaginou que ela, assim como ele, estava evitando pensar no que aconteceria no final. Aquela frase dela, na verdade, dizia exatamente isso. O ruivo acariciou as mechas loiras da amiga, mas não falou nada.

- Eu também gosto de você. – ela estava corada e tinha desviado o olhar.

Hikaru sentiu-se travar. As bochechas, que ainda não tinham voltado ao normal, tornaram a ferver. Catarina respirou fundo antes de continuar.

- Eu nunca imaginei que algum de vocês tinha planos de continuar nos Estados Unidos depois que esse ano acabasse. Foi pra passar apenas um ano que vocês vieram, afinal. – ela tornou a olhar para o ruivo – Por isso, eu acho que a gente não precisa pensar no final.

As palavras de Hana ecoaram na cabeça do ruivo. "'Se você não tiver planos de ficar ao lado dela, independentemente do tipo de relação que haja entre vocês, é melhor deixar isso claro logo'. Mas… E se eu não tiver definido planos…?", ele acariciou a bochecha de Catarina, que pareceu ficar ainda mais sem graça e abaixou o olhar. "Mas eu realmente quero passar esse ano com ela. Isso não é o bastante?", ele levantou o rosto da garota para si, sorrindo de canto ao falar.

- Eu quero que você saiba que eu me preocupo com você.

Catarina sorriu largamente ao responder, ainda com as bochechas coradas.

- Eu também me importo com você, Hikaru.

O ruivo beijou a testa de Catarina e fez sinal para ela se sentar no banco ao seu lado. Depois que a garota se ajeitou, ele respirou fundo e tornou a falar. Catarina sentiu o rosto ferver ainda mais quando o ruivo fez o pedido de namoro, visivelmente constrangido. Aquilo não era algo com que ele estava acostumado e a reação de Catarina – que ficou vários minutos gaguejando sem dizer coisa com coisa – o pegou desprevenido. Quando a loira conseguiu raciocinar ao menos um pouco, ela sorriu de canto e respondeu um "sim" embaraçado. Hikaru sorriu aliviado e puxou a garota para si.


Quando o avião pousou, as garotas não deixaram passar a cena de Hikaru e Catarina dormindo abraçados. Hana e Anastácia se entreolharam com um sorriso de canto satisfeito. Hana sentia-se aliviada e temerosa ao mesmo tempo. "Mas eles devem ter decidido levar o relacionamento como der", ela olhou para o restante dos amigos. Apenas Mei e Mori não estavam "oficialmente resolvidos". "Tem o Mitsukuni também, mas… Eu realmente não consigo vê-lo em um relacionamento amoroso com alguém", ela suspirou e pegou as coisas no bagageiro. Kyouya estranhou.

- Aconteceu alguma coisa?

- Ah, só pensando… Todo mundo parece resolvido, mas… Eu não vejo o Mitsukuni em um relacionamento com alguém. É uma ideia… Estranha.

Kyouya ajeitou os óculos ao responder.

- Tem uma garota no Clube de Magia Negra da nossa escola que gosta dele.

Hana deixou a mala cair.

- Oi?! – ela olhava para o moreno como se não acreditasse na história. Kyouya não entendia a reação da garota – Isso… Isso é… Isso é extremamente… Fofo! – ela sorriu largamente e tinha um brilho empolgado nos olhos.

Kyouya arqueou uma sobrancelha.

- Se você diz…

Anastácia se aproximou dos dois, rindo da empolgação da amiga.

- Que bicho te mordeu, menina? – ela cruzou os braços e olhou de forma questionadora para Kyouya. O rapaz, por sua vez, apenas pegou as próprias coisas e saiu. Anny revirou os olhos – Sério, como você foi gostar… Daquilo?

Hana riu de canto e pegou a mala de mão que carregava.

- Ele não é uma má pessoa, ok? – ela viu a amiga revirar os olhos mais uma vez – É sério, Anny. – apesar de tudo, Hana ria da situação – Ele pode ser uma graça quando quer.

- Se você diz, eu acredito. – Anastácia deu de ombros.

- Aliás… – Hana ficou com um tom mais sério, o que alarmou a outra – Eu contei sobre a Cat pro Hikaru.

Anastácia sorriu de canto. Era bom que o ruivo soubesse daquilo.