Os dias depois da viagem à Espanha tinham passado depressa, de forma que o Natal estava extremamente próximo. Perceber isso fez com que Hana e Catarina entrassem em estado de choque. Anastácia não entendia a razão daquilo.
- Assim, é natural que o próximo feriado seja Natal. – ela cruzou os braços diante do corpo e se ajeitou no sofá.
Milagrosamente, naquele final de semana, as garotas estavam sozinhas em casa.
- Eu sei, mas chegou tão rápido! Nos anos passados, o tempo andou mais devagar! – Hana tinha certo desespero na voz.
- Na verdade, não. É só você que está empolgada demais por ter conseguido um namorado (estranho) e não viu o tempo passar. – Anny se divertia com a reação da amiga.
- Nesse ano temos que comprar mais presentes então…?! – Catarina tinha afundado o rosto na almofada que abraçava.
Jenna resolveu se manifestar.
- Por que não trocamos só entre nós? Aí cada uma compra pro próprio namorado e, de resto, fazemos amigo secreto. Assim ficam sendo só dois presentes a mais em vez de… Sete.
As garotas pareceram pensar a respeito por um breve momento.
- Jenna, isso é genial! – Hana e Catarina falavam em uníssono, empolgadas.
- Aliás… – Anastácia pegou o notebook que estava sobre a mesa de centro da sala e abriu o e-mail – Nossas mães vão vir para o Natal. Pelo que eu entendi, vão passar conosco a virada de 24 para 25 e aproveitar o resto do tempo até depois do Ano Novo para passear.
Hana sorriu e olhou para Catarina. Anastácia fez o mesmo. No começo, elas se preocupavam com como a loira podia reagir a reuniões familiares, mas todos tinham se esforçado para que ela não se sentisse excluída. Como os pais das garotas tinham ficado bastante próximos com o tempo, parecia mais que todos faziam parte de uma grande família. E Catarina adorava aquilo.
- A gente pode fazer um jantar para todo mundo então. – a voz de Mei era pensativa – Aí chamamos os rapazes e Haruhi e eles podem conhecer nossos pais.
- Mei, você não ta deixando nada passar, não…? – Hana tinha um tom descrente.
- O que? – a outra tinha um ar inocente, olhando sem entender para Hana.
Anastácia suspirou.
- Bom, vamos ter que adiantar os planos de apresentá-los para nossos pais. Uma semana é tempo suficiente para o preparo psicológico? – apesar da situação inesperada, Anny parecia se divertir.
- Vai ter que ser. – Jenna era quem mais se divertia – Vou chamar o Nathan também.
As garotas chamaram os amigos após organizarem as coisas para o sorteio do amigo secreto. Estavam todos na sala, com Anastácia em pé diante deles e Hana sentada ao seu lado organizando alguns papéis. A primeira explicava como tinham planejado a troca de presentes do Natal enquanto a segunda entregava os papéis para cada um com os respectivos nomes. Quando todos tinham um papel e uma caneta em mãos, Anastácia concluiu.
- Para ninguém precisar se preocupar com o que vai comprar, cada um vai escrever o que quer no papelzinho com o próprio nome. Depois nós sorteamos e aí é cada um por si. – ela sorria animada. Os integrantes do Host se entreolharam como se não entendessem qual era o problema. Anastácia suspirou – Nós não somos ricas que nem vocês, é difícil comprar presente pra todo mundo. Andem, escrevam.
Quando todos tinham acabado, Anny e Hana recolheram os papéis e dobraram. Então Anastácia colocou tudo em um saquinho e, depois de misturados, os papéis foram distribuídos pelo grupo. A partir daquele momento era cada um por si para conseguir os presentes. Anastácia sorriu com satisfação ao ver quem tinha tirado. Aquilo podia ser interessante. Ela olhou para os amigos. Alguns tinham o cenho franzido, enquanto outros pareciam satisfeitos. "Realmente, vai ser bem interessante…", ela se levantou, guardando o papel no bolso.
- Aliás, na véspera de Natal nós vamos fazer um jantar aqui em casa. É para todos virem. – ela sorriu e foi para a cozinha.
- E nossos pais vão estar aqui também, então vocês vão poder aproveitar para conhecê-los. – Hana completou, sem demonstrar a ansiedade que aquilo lhe causava.
Os gêmeos se entreolharam e então desviaram o olhar para Kyouya. O moreno ajeitou os óculos, com uma expressão de quem não entendeu a indireta. Hana riu. "Quero só ver o que eles vão aprontar… Pode ser interessante juntar todo mundo", ela sorriu de canto. Precisaria de ajuda para comprar o presente de amigo secreto, mas aquilo não seria um problema. Ela já sabia a quem recorrer.
Durante a semana, o grupo se reuniu algumas vezes, geralmente para dividir as tarefas que faltavam para o jantar de Natal. Naquele dia, no entanto, tanto Hana quanto Anastácia passeavam pela cidade atrás dos presentes que comprariam, acompanhadas respectivamente por Kyouya e Kaoru. O moreno não parecia muito interessado, mas o ruivo se divertia. Jenna tinha ido ver Nathan, com quem ainda não tinha conseguido conversar direito sobre os planos de Natal. Catarina estava em casa, jogando algum videogame com Hikaru. Mei, por sua vez, tinha ido com Hani ver Mori treinar. Tamaki e Haruhi estavam no próprio apartamento vendo o filme que o loiro tanto queria.
Hana tinha levado Kyouya a um dos maiores shoppings da cidade. Pela época, estava lotado e eles andavam com dificuldade, o que parecia irritar o rapaz. Mas a garota olhava alegremente as vitrines decoradas, o que parecia acalmá-lo. "Eu preciso conseguir dois presentes diferentes… Mas o que poderia ser bom…?", Kyouya olhava distraído a vitrine de uma livraria quando Hana se colocou ao seu lado. Ela falava com uma voz suave, sorrindo de canto enquanto olhava o pouco movimento que a loja tinha em comparação com o resto do shopping.
- É uma pena, não é? As pessoas não gostam mais de carregar livros. Pelo menos o movimento aqui ainda é suficientemente grande. – ela se virou para o moreno e sorriu mais largamente – Vamos entrar?
Kyouya não respondeu, de forma que a morena apenas se adiantou e entrou na livraria. O rapaz não viu muita escolha senão ir atrás. Hana olhava empolgada diversos títulos diferentes, separando uma pilha inicial de livros que gostaria de levar. Kyouya arqueou uma sobrancelha. Provavelmente ela e Anastácia eram as responsáveis por manter a variedade de títulos que tinham no escritório improvisado. Então, enquanto Hana selecionava o que iria levar para casa, ele pareceu ter uma ideia.
- Vai querer alguma coisa? – ela olhou para ele por um momento ao falar, logo voltando os olhos para os livros.
- Esses são os que você não vai levar? – ele pegou alguns dos livros à esquerda da garota. Hana concordou com a cabeça enquanto ele olhava os nomes. A maioria era policial, mas havia alguns mais filosóficos, outros que remetiam à história em diferentes campos do conhecimento – Você gosta de coisas bem diferentes entre si, hein?
Hana levantou o rosto para o moreno e sorriu.
- Bastante. Ultimamente eu tenho preferido mais os policiais, mas gosto de variar. Às vezes, um romance mais leve também é legal. – ela apontou para um dos livros que ainda não tinha certeza de que ia levar.
Kyouya parecia pensativo. Hana apenas voltou a olhar os livros, selecionando dois para levar. Ela tinha escolhido, dentre os últimos cinco que sobraram, com base no preço – geralmente, o fator principal na decisão – e pediu para Kyouya guardar o resto enquanto ela pagava. O moreno concordou. Aquela era uma boa oportunidade de comprar o presente de Natal da garota. Ele olhava os vários títulos, com um ar de dúvida, quando um livro no final da pilha lhe chamou a atenção.
"Isso parece interessante", ele colocou o livro sob o braço e guardou o restante, indo pagar em seguida. Hana esperava por ele na porta da livraria, estranhando ao vê-lo com uma sacola. Eles tinham voltado a andar quando ela comentou que achava que ele não queria nada. Kyouya apenas sorriu de canto e a abraçou.
- Eu nunca disse que não queria.
Hana revirou os olhos, mas abraçou o rapaz de volta.
Anastácia andava com Kaoru pelo centro comercial da cidade, enfrentando o mesmo problema de muita gente na rua. A garota já tinha comprado os presentes para as amigas e para os pais, faltando apenas o de Kaoru e o de amigo secreto. Ela parou diante de uma loja de chocolates, parecendo empolgada com a variedade que eles apresentavam. Kaoru se divertia com a empolgação da garota.
- Vai levar algum? – ele abraçava Anastácia pela cintura.
- Claro! Especialmente pra Hana. Ela não produz nada se não tiver uma boa fonte de açúcar. – Anastácia riu e então puxou o ruivo para dentro da loja.
Kaoru olhava o movimento enquanto Anastácia escolhia os chocolates para levar. O lugar estava bastante cheio, o que surpreendeu o ruivo. Eles não costumavam passear pelas ruas nas épocas mais agitadas do ano. Muito menos em regiões mais populares. "Se eu tivesse vindo sozinho, já tinha me perdido…", ele sorriu de canto, tornando a olhar para onde Anastácia estava.
Mas ela já não estava mais lá.
"Essa não…!", ele olhou ao redor, passando pelas pessoas sem se preocupar com nada. A garota provavelmente não tinha saído, senão teria passado por ele. E ela não o deixaria para trás. Kaoru foi adentrando mais na loja, que de repente parecia maior do que ele imaginava, olhando em volta com certo desespero. Para seu alívio, a garota estava na filha do caixa. Quando ela o viu, com um alívio quase palpável estampado no rosto, sua voz tinha um tom zombeteiro.
- Achou que eu tinha te deixado para trás?
Kaoru se recompôs antes de responder, visivelmente sem graça.
- Mais ou menos isso…
Anastácia riu. "Ele fica tão bonitinho todo preocupado desse jeito", ela olhou para as bochechas rosadas do ruivo e sorriu. Depois de pagar pelos chocolates, eles saíram da loja com as mãos enlaçadas e tornaram a passear pela rua. Anastácia às vezes comentava alguma coisa sobre uma loja ou outra ou então parava para ver a vitrine de uma joalheria. A garota adorava os acessórios, preferindo os mais simples e discretos. Kaoru imaginou se não seria uma boa ideia comprar alguma coisa do tipo como presente de Natal para ela.
Em um momento em que Anny foi comprar algo para comerem na lanchonete ao lado de uma joalheria, Kaoru aproveitou para comprar alguma coisa para a garota. Como já estavam com várias sacolas, ele não teria problema em esconder o pacotinho. Dependendo do que escolhesse, podia até deixar no bolso se precisasse. Quando a morena voltou, ele já tinha comprado o que queria e voltado para o ponto de encontro. Ela estendeu um cachorro-quente no palito para ele.
- Os americanos têm cada moda…
Anastácia revirou os olhos, mas se divertia. Então eles recomeçaram a andar, comendo o salgado sem pressa.
Jenna estava esparramada no sofá da sala de Nathan, esperando enquanto ele terminava de resolver alguma coisa no telefone. Já tinha falado meio por cima sobre o jantar que ela e as amigas fariam e ele parecia a favor da ideia. Mas ele também precisava ver os pais. Estavam acertando sobre os detalhes quando o telefone tocou. Por causa disso, a garota tinha procurado por algo para se distrair enquanto esperava, mas suas opções estavam se esgotando. "Esse telefonema não vai acabar nunca?", ela suspirou. Tinha acabado de se ajeitar no sofá quando Nathan desligou o aparelho e se virou para ela.
- Onde paramos?
Jenna se sentou automaticamente.
- Estávamos vendo quando você veria seus pais.
- Quando nós veríamos meus pais. – ele sorriu tranquilamente e se sentou diante dela – Apesar de você já os conhecer. Mais ou menos.
Jenna se lembrou de quando apareceu sem avisar na casa de Nathan, corando levemente. O homem riu levemente antes de continuar.
- Não quer ir comigo? – ele tinha a voz tranquila ao falar.
- N-não disse que não ia. – Jenna pigarreou, se recompondo – Só não esperava que fosse me chamar assim. Eu nem tive tempo de me preparar psicologicamente.
Nathan se divertia com as reações da garota.
- E o que vai querer de Natal?
- Uma noite com você. – a resposta direta dela o pegou desprevenido, mas logo os dois riam.
- Falando sério. O que quer que eu compre pra você?
- Mas eu estou falando sério. – ela sorriu com certa malícia – Podemos fazer algo diferente. E eu não preciso ganhar na noite de Natal. Pode ser depois.
Nathan se levantou e foi até o sofá, se sentando no braço do móvel. Jenna se levantou e apoiou a cabeça na perna dele. O homem começou a fazer cafuné na garota enquanto falava. Os dois continuaram a decidir os detalhes do fim de ano em uma conversa animada, definindo como e quando fariam a própria comemoração de Natal.
Em uma breve pausa que Catarina e Hikaru tinham feito na partida de videogame, a loira preparava pipoca para comerem. Mais pipoca, porque os dois já tinham devorado dois pacotes. Ela não se importava, mas sabia que não ia conseguir jantar. A loira estava distraída na cozinha quando Hikaru se sentou ao balcão e a chamou. Ele queria saber se ela não precisava comprar os presentes de Natal também. A loira respondeu que não, o que surpreendeu o ruivo.
- Você já comprou? E eu achando que você era a mais desligada.
- Ainda não, mas já sei onde comprar, então não preciso ficar me matando no meio dessa multidão que surge nessa época. – ela colocou a pipoca pronta no pote que estavam usando e estendeu para Hikaru – Deixa lá na sala. Eu vou pegar alguma coisa pra bebermos.
Hikaru concordou. Quando ele voltou para a cozinha, a loira tinha acabado de servir os refrigerantes. Ele a abraçou por trás, ficando em silêncio por um tempo. Catarina corou, mas não fez nada além de colocar os braços sobre os dele. Ficaram daquele jeito por alguns minutos até que Hikaru decidiu falar.
- E o que você quer ganhar de Natal?
Catarina se sentiu surpresa pela pergunta, parando para pensar por um instante.
- Tem um casaco… Mas eu não sei onde vende.
- Deixe-me ver… – Hikaru soltou a garota e se sentou em um dos bancos – Você compraria online.
Catarina riu sem graça.
- Bom… É. Eu posso te mostrar o site se você quiser. – quando o ruivo deu de ombros, dizendo que aceitava a ideia, ela foi rapidamente atrás do notebook. Quando voltou, começou a explicar como funcionava para ele – Então, essa é a categoria que eu mais gosto. Tem vários modelos. Eu prefiro casacos largos, então geralmente compro tamanho médio. – Hikaru riu com o comentário, o que fez a loira socá-lo levemente no ombro. Ela pigarreou e continuou – Quando você acabar, é só clicar aqui. Aí ele vai pedir os dados pra pagamento e entrega.
Hikaru concordou com a cabeça e falou para a garota voltar para o videogame. Ela fez cara de choro.
- Você vai me deixar sozinha…?
O ruivo sentiu as bochechas esquentarem. "Por que ela tem que ficar tão bonitinha…?", ele respirou fundo e puxou a loira para si, beijando-a. Catarina sentiu o rosto ferver. Apesar de estarem namorando – e ela ainda não tinha se acostumado com aquilo – há quase um mês, a relação deles não tinha mudado muito. Então, quando Hikaru fazia alguma coisa mais "de casal", como Catarina costumava chamar, ela se sentia nervosa. Eventualmente se acostumaria, mas isso ainda não tinha acontecido. Ela só esperava que fosse logo.
Quando Hikaru a soltou, tinha um sorriso maroto no rosto. Catarina apenas se virou e foi para a sala, levando as bebidas. O ruivo se divertia, ignorando o próprio rubor. Não estava acostumado com aquilo, mas não se importava. Ele gostava de ver como a loira também parecia desacostumada com aquela situação, o que o fazia se sentir mais normal. "Ou talvez sejamos um casal de estranhos, mas quem liga?", ele sorriu e voltou a olhar o site.
Mori estava treinando com o time da faculdade. Apesar da época, eles tinham dois treinos marcados naquela semana. Mei estava com Hani no fundo da arquibancada. O loirinho torcia animado, enquanto a garota via tudo em silêncio, mas com um sorriso de canto. Gostava de vê-lo jogando. Do jeito como ele parecia completo na quadra. Quando o apito final soou, Hani se levantou e puxou a garota pela mão.
- Vamos nos encontrar com Takashi na lanchonete. Ele sempre passa lá depois do treino.
Mei concordou com a cabeça, ainda se recuperando do susto que levara. Eles estavam sentados em uma mesa no canto do lugar – que estava bastante vazio – conversando quando Mori apareceu. O moreno tinha comprado um lanche grande para comer. Hani, ao terminar o bolo que comia, se virou para Mei, animado.
- Você já fez suas compras de Natal, Mei-chan?
- Ah, ainda não. Já comprei os das meninas, mas ainda falta o do amigo secreto. E vocês? – ela sorriu de canto, olhando de Hani para Mori.
- Eu não sei o que comprar de amigo secreto. – o loirinho suspirou.
- Ah, vocês não devem estar acostumados com isso, não é? – ela riu levemente, o que fez Mori sorrir de canto – Pode ser qualquer coisa que vocês achem que a pessoa possa gostar, desde que dentro da faixa de preço estipulada. A Hana e a Anny, por exemplo, gostam muito de ler. A Cat gosta de jogos. E a Jenna gosta de roupas.
- E você, Mei? – a voz de Mori era tranquila.
- Ah, eu… – ela sentia as bochechas levemente rosadas e baixou o olhar ao responder – Eu gosto muito da cultura oriental.
- Isso é muito legal, Mei-chan! – Hani estava empolgado – E por que não vamos procurar alguma coisa agora?
Mori concordou com a cabeça. Mei olhou o relógio. Ainda era cedo para as lojas fecharem, então eles tinham tempo. Ela sorriu e concordou com a ideia. Hani saiu na frente, empolgado. Quando a garota ia segui-lo, Mori a chamou. Ela tinha uma expressão de quem não entendia a situação, recebendo um afago na cabeça quando o moreno falou.
- O que você quer de Natal?
Ela sentiu as bochechas corarem. Ela queria a oportunidade de falar com ele sobre o que sentia, mas nunca parecia a hora certa. Mori parecia ter todo o tempo do mundo, esperando em silêncio enquanto a morena parecia pensar no que responder. Então ela respirou fundo e levantou o olhar para o moreno. Naquele momento, a diferença de 30 centímetros entre as alturas deles pareceu muito maior.
- Eu… Eu quero que você saiba que eu gosto de você, Takashi.
O moreno pareceu levemente surpreso de início, mas logo tinha sorrido para a garota. A primeira coisa que lhe ocorreu foi o quão bonita ela ficava com a determinação no olhar contrastando com o rubor das bochechas. Então, com as mãos nos bolsos, ele se abaixou e beijou suavemente a garota. Mei sentiu o rosto ferver, mas não recuou. Mesmo depois, pensando a respeito, ela não se via capaz de recuar. Naquele momento, sua mente era uma tela em branco. A alguns passos de distância, Hani sorria com a cena. "Então ela finalmente conseguiu falar", ele sorriu mais largamente, esperando sem pressa pelo casal.
Quando Mori se afastou, Mei levou automaticamente as mãos ao rosto, cobrindo as bochechas. Ele sorria de canto e lhe afagou os cabelos mais uma vez. A garota não fez nada, sentindo o coração acelerar ainda mais com a carícia. Então ele quebrou o silêncio que havia se formado, falando com a voz suave, apesar do leve tom inexpressivo de sempre.
- Eu também gosto de você, Mei.
A garota sentiu o coração bater mais forte no peito, sem saber o que responder. Mori apenas sorria de canto ao acrescentar que Hani os esperava na porta. Ela concordou com a cabeça, andando com as mãos apertadas diante do peito como se aquilo pudesse ajudá-la a fazer seu coração bater mais devagar. "Ele… Ele gosta de mim…!", ela sorriu de canto. Ainda tinha as bochechas vermelhas, mas aos poucos se sentia mais calma. Hani sorriu ao ver o quanto o casal parecia contente. "Eles realmente ficam bem juntos!", ele sorriu para o primo, que afagou as mechas loiras do menor.
- Isso significa que agora a Mei-chan vai trocar presentes com o Takashi? – Hani tinha um tom infantil e animado ao falar.
Mei olhou para o loiro sem entender por um instante, mas logo a fala de Jenna lhe ocorreu. "'Cada uma compra pro próprio namorado'. N-n-n-n-n-namorado…?!", ela respirou fundo, sentindo as bochechas arderem mais ainda.
- N-namorado…? – ela tinha pensado alto sem perceber.
Mori e Hani olharam para a garota. O loiro parou diante da amiga, com uma inocência deliberadamente maior que o normal.
- Mei-chan não quer ficar com o Takashi?
Mei cobriu o rosto com as mãos.
"Namorado…? Mas já…? E se ele não quiser…? E se estivermos indo depressa demais…?", ela manteve as mãos cobrindo as bochechas e olhou para o moreno. Ele olhava para algum ponto distante ao lado deles, com um ar de quem tem uma paciência infinita. Mei respirou fundo algumas vezes, se acalmando. Então, juntando a coragem que ainda tinha dentro de si, ela resolveu falar tudo de uma vez.
- Eu realmente gosto muito de você e gostaria de ser sua namorada, mas vou entender se você não quiser. Eu não me importo com o seu jeito quieto, porque você sempre ouve o que eu tenho a dizer. Eu só quero poder continuar do seu lado, mesmo que seja apenas como amiga.
Mori sorriu e acariciou a cabeça da morena.
- Eu aceito namorar você, Mei. – ele tinha a voz calma e a garota sorriu largamente ao levantar o olhar para ele. Hani pulou animado ao redor do novo casal, fazendo com que Mei risse. Mori e Mei, finalmente, estavam oficialmente juntos.
- Caaat. – Hikaru levantou o olhar da tela ao chamar pela loira – Eu posso mandar entregar aqui?
A loira pausou o jogo e se virou para o ruivo, sem ir até a cozinha para responder.
- Em quanto tempo eles entregam?
Hikaru leu as informações na tela por um instante.
- Entre dois e três dias. Vai ser, no máximo, dia 23. – ele tornou a olhar para a garota.
Catarina pensou por um momento.
- Pode ser. Apesar de ser curiosa, eu não vou abrir meu presente antes da data. – ela sorriu e voltou a jogar.
Hikaru sorriu de canto. "É bom que não olhe mesmo, senão vai acabar com toda a graça", ele baixou o olhar para a tela e digitou o endereço de entrega. Tinha acabado de concluir a compra quando Anastácia e Kaoru entraram no apartamento carregando algumas sacolas. O gêmeo mais novo deixou as compras sobre o sofá enquanto a morena tirava sarro da amiga por ter ficado o dia todo enfiada em casa.
- Ah, lógico! Ta o maior frio lá fora! E aqui tem videogame! – Catarina ria apesar do protesto.
- Nem ta tão frio assim. – Anastácia revirou os olhos – Mas, de qualquer forma, vocês têm notícias do resto do grupo? Tenho algo que vai agradar todo mundo!
Hikaru olhou do irmão para a amiga, sem entender. Catarina se virou imediatamente.
- De comer? – os orbes azuis da loira brilhavam, o que fez Anastácia rir. Quando a morena concordou, Catarina levantou os braços, animada – Eba! Ganhar comida! Já falei que eu te amo, Anny?
A morena riu.
- Até parece que passou fome. – ela se virou para Hikaru, com um tom entre divertido e severo – Você não a deixou passar fome, não é?
O ruivo levantou as mãos na altura do peito num gesto de quem se declarava inocente. Os quatro continuaram conversando até todo mundo voltar. A única que não voltou para casa naquela noite – e já tinha avisado que não voltaria – foi Jenna, que dormiu na casa de Nathan. Anastácia distribuiu os chocolates e avisou Jenna que entregaria o dela no dia seguinte.
