As garotas estavam arrumando as coisas para poderem dar o dia como encerrado quando, em dado momento, Anastácia e Kyouya se esbarraram no corredor. Os poucos segundos de silêncio foram suficientes para que Hana e Jenna notassem onde os dois estavam parados.
- Sabe, eu tava percebendo aqui… – Jenna começou, sorrindo de canto com um ar zombeteiro.
- Vocês estão debaixo de um visco. – Hana completou, sorrindo do mesmo jeito que a amiga.
Kyouya e Anastácia olharam para cima ao mesmo tempo. O moreno pareceu não entender o propósito, mas Anastácia não gostou nada da ideia.
- Nem vem! O namorado é seu! Eu não vou fazer nada disso!
Hana riu.
- Qual é, não é como se vocês se amassem. – ela revirou os olhos – A gente quebra o seu galho e deixa ser na bochecha.
Kyouya olhou sem entender de Hana para Anastácia.
- Vai me dizer que você não sabe sobre isso? – Anny apontou para as folhinhas amarradas acima deles.
- Não achei que vocês estivessem realmente falando sério sobre isso. – ele ajeitou os óculos, desviando o olhar para Hana como se não entendesse o propósito da garota.
- Só se deem um selinho de uma vez e parem de ser tão chatos. – Hana cruzou os braços diante do corpo.
Jenna apenas observava a cena com um sorriso satisfeito no rosto. Mei e Catarina pareciam confusas sobre o que pensar. Anastácia suspirou e indicou que o rapaz devia se abaixar. Kyouya o fez sem reclamar, mas, quando estava na altura adequada para terminar com tudo aquilo, ele deu um peteleco na testa de Anastácia que protestou, mas não pareceu achar a saída ruim.
- Chega dessa brincadeira. – ela suspirou e voltou a fazer o que precisava.
Kyouya apenas se virou e continuou a andar.
Quando a casa estava arrumada, Hana finalmente foi para o quarto, pensando apenas em tomar banho e ir dormir. Kyouya estava deitado preguiçosamente na cama, lendo o livro de antes. A garota sorriu quando seu olhar cruzou com o do rapaz, mas ele apenas voltou a olhar para o livro. Quando falou, sua voz tinha um tom indiferente levemente distante.
- Aquilo era mesmo necessário?
Hana levou alguns segundos para entender.
- Ah, qual é, é só uma brincadeira. Não vai me dizer que você se ofendeu. – ela suspirou e foi pegar o pijama.
Kyouya suspirou e fechou o livro. Hana se virou para ele, falando antes que o moreno protestasse.
- É só uma brincadeira, ok? Uma brincadeira idiota. Já entendi, você não gostou. Tudo bem. – ela deu de ombros e foi para o banheiro.
Quando Anastácia voltou para o quarto, a primeira coisa que viu foi um pacotinho prateado sobre o criado-mudo. Ela franziu o cenho, imaginando se era daquilo que Kaoru estava falando antes. Ela se aproximou e ficou encarando a embalagem por um tempo, imaginando se abria ou não. Antes que pudesse tomar uma decisão, no entanto, Kaoru apareceu vestindo só a calça do pijama. Ele levava a toalha no cabelo, esfregando-os para secar. Ao ver o que Anny fitava, ele se aproximou e tomou o pacotinho em mãos.
- Só amanhã. – ele sorria ao falar e riu ao ver a expressão assustada da garota.
- Kaoru…! Meu deus, não me assuste desse jeito…! – ela então pareceu notar como o rapaz estava vestido, sentindo que as bochechas ficavam rosadas – E termine de se vestir ou vai ficar doente.
Ele sorriu com satisfação.
- Aí você cuidaria de mim, não é, senhorita estudante de Enfermagem? – ele estava visivelmente se divertindo com a situação.
Anastácia suspirou e revirou os olhos.
- Mereço. – ela olhou para os orbes dourados do ruivo e sorriu – Cuidaria, né? Até parece que eu ia deixar passar a oportunidade de ter você na palma da mão.
Kaoru corou levemente, desviando o olhar. Não tinha pensado naquela possibilidade. Anastácia riu.
- Ok, minha vez de tomar banho. – ela passou por Kaoru e foi pegar as coisas de que precisava.
Jenna estava deitada na cama, vendo alguma coisa no celular, quando Nathan se sentou ao seu lado. Ele tinha um ar pensativo e olhava pela janela ao falar. Jenna olhou para ele assim que percebeu que o homem falava, sorrindo de canto.
- Seus pais parecem ser bastante rígidos.
- Acho que eles esperavam alguém com uma idade mais próxima. – ela se sentou, ficando com o rosto próximo do dele e falando com um tom mais baixo – Mas eu não vejo problema nenhum.
Nathan sorriu e levou uma das mãos até o rosto da garota, lhe acariciando a bochecha levemente antes de lhe beijar. Jenna sorriu, retribuindo ao beijo.
Mei estava em pé diante da cômoda que tinha no quarto, olhando para a caixa de presente que tinha recebido de Mori. Ela já tinha tomado banho e era a vez do moreno. Ele tinha pedido para ver como o quimono ficaria nela depois que saísse. A morena sentia as bochechas esquentarem com a ideia, mas também estava curiosa para saber como ficaria. Ela tinha tempo até Mori sair do banho, de forma que respirou fundo e decidiu se trocar. Na caixa havia o quimono e a faixa que ia à cintura. A garota se perguntou onde poderia comprar os chinelos de madeira e um palito adequado para prender o cabelo.
Ela tinha acabado de vestir o quimono quando Mori saiu do banheiro, completamente vestido para a sanidade mental da garota. Ele sorriu de canto ao vê-la pondo a roupa e perguntou se ela queria ajuda. Mei concordou com a cabeça, levantando os braços enquanto ele passava a faixa ao redor de sua cintura. Uma vez que estivesse tudo pronto, o moreno se afastou para ver como tinha ficado.
- E então…? – ela sorria de canto, se olhando na frente do espelho. O quimono era claro, com flores bordadas na mesma cor do tecido, formando um padrão suave e discreto. A faixa era de outra cor, apesar de ser no mesmo tom claro, de forma que o conjunto ficava bastante delicado.
Mori sorriu ao ver como a morena tinha ficado.
- Combina perfeitamente com você. – ele afagou as mechas escuras da garota.
Mei ia responder quando Hani entrou no quarto.
- Mei-chan, Takashi! – ele viu a garota com o quimono, sorrindo largamente – Ah, é o que o Takashi te deu? Combinou direitinho com você, Mei-chan!
- Obrigada, Mitsukuni. – ela sorriu e afagou as mechas loiras do garoto.
Catarina cobria a própria boca para evitar rir muito alto, mas sentia que não ia aguentar por muito tempo. Hikaru, que se divertia com a situação, continuava a fazer cócegas na garota. A loira tentava se soltar, mas não conseguia empurrá-lo por tempo ou com força suficientes por causa dos ataques constantes de cócegas em sua barriga. Depois de vários minutos, Hikaru se cansou, se sentando no chão. Catarina respirava fundo, recuperando o fôlego. O ruivo sorriu satisfeito.
- Isso é pra você aprender a não duvidar.
- Mas…! Mas isso não prova que você consegue me vencer no jogo que a Anny te deu! – ela se sentou na cama, ajeitando os cachos loiros.
- Eu posso te provar agora se você quiser. – ele sorriu mais largamente e se levantou, indo até a garota. Ao falar, ele tinha o rosto extremamente próximo do dela e falava em tom de provocação – Se eu ganhar, você vai ter que fazer o que eu quiser.
Catarina corou com a proximidade, recuando institivamente até a parede. Não era a maior das distâncias, mas ela não tinha muita escolha. Hikaru riu e se sentou na cama, puxando a loira para si. Antes que ela pudesse protestar, o ruivo a beijou. Foi um selinho rápido e Catarina viu que ele também tinha as bochechas rosadas quando se separaram.
- Você é muito besta. É isso. – ela ria ao falar, se aninhando no peito do rapaz.
Hikaru a abraçou.
- E daí? – ele respirou fundo antes de completar – Sou o seu besta. – "Até eu to me estranhando… É realmente estranho ter as coisas dando certo. Mas e daí?", ele baixou os orbes cor de mel para a loira, rindo ao ver que ela tinha escondido o rosto em seu peito por causa do comentário – Ficou com vergonha, foi? – ele tinha um tom zombeteiro e cutucava a bochecha dela ao falar.
- Ca-cala a boca…! – ela bateu sem força no peito dele. Apesar do protesto, a loira sorria.
Hikaru riu e apertou mais o abraço.
Quando Hana saiu do banho, Kyouya tinha adormecido com o livro sobre o peito. A garota suspirou, pegando o livro com cuidado para não acordar o rapaz e marcando a página com um papel qualquer que estava por perto. O moreno apenas se revirou na cama, se ajeitando. Hana sentou na cadeira que tinha diante da escrivaninha, pensativa. Não podia dizer que o clima entre os dois estava lá muito bom, mas o que ela podia fazer com ele dormindo? Ela pegou um papel qualquer e começou a rabiscar. Quando deu por si, tinha adormecido debruçada na escrivaninha e tinha uma coberta sobre os ombros.
"Quando foi que isso veio parar aqui…?", ela desviou o olhar para a cama, franzindo o cenho ao ver que estava vazia. Ela suspirou e se levantou. Talvez devesse pegar um copo de água e depois voltar a dormir. Ao deixar a coberta sobre a cama, ela percebeu que o colchão ainda estava quente, se assustando ao ouvir a voz de Kyouya vindo de suas costas. Ao se virar, ela viu o moreno parado na porta, parecendo levemente surpreso por vê-la acordada. "Por que ele tem que ficar ainda mais bonito sem os óculos…?", ela mordeu o próprio lábio inferior.
Kyouya não disse nada, apenas indo até a cama e tornando a se deitar. Hana continuou de costas para ele, mas não demorou a sentir um braço a envolvendo pela cintura. Ela sorriu de canto e se virou, enlaçando os dedos com os dele. Kyouya desviou o olhar para o teto, mas não disse nada. Hana respirou fundo.
- Você ficou chateado por aquilo? – ela tinha a voz saindo baixa e hesitante.
Kyouya desviou o olhar para ela, suspirando ao se sentar. Hana não conseguia manter o olhar, de forma que desviou os orbes escuros para as mãos. Kyouya apenas se aproximou e a beijou. Quando o moreno se afastou, ela podia ver um sorriso de canto em seus lábios, sorrindo de volta. Ele a acariciou brevemente as mechas negras e tornou a se deitar. Naquela vez, ela se deitou ao seu lado. Kyouya a abraçou antes de responder.
- Eu preferia que você não tivesse insistido.
Hana levantou o olhar para ele.
- Eu sei que é um costume de vocês e que era só uma brincadeira. – ele se ajeitou na cama, subitamente desconfortável – Mas seria bom se você entendesse…
- Desculpa. – Hana interrompeu a fala de Kyouya, com um tom levemente apreensivo na voz – É só que… Sei lá, na hora eu não achei que você fosse se incomodar… Vocês têm participado de tudo tão… Naturalmente conosco. Às vezes eu esqueço que a bagagem cultural de vocês é completamente diferente da nossa. Não vai acontecer de novo.
Kyouya sorriu de canto levemente satisfeito e beijou a testa da garota, que sorriu aliviada com o gesto. Não demorou muito para os dois caírem no sono.
No dia seguinte, o grupo inteiro acordou mais ou menos no mesmo horário. Na hora do almoço. Os únicos que dormiram mais foram Jenna e Nathan e ninguém se atreveu a ir chamá-los. Estavam todos lanchando alguma coisa quando Anastácia pareceu se lembrar de algo. Ela se virou para Kyouya, falando com um ar levemente curioso.
- Você chegou a abrir o presente da Jenna?
Kyouya e Hana se entreolharam, tentando lembrar onde o pacote tinha ido parar.
- Ainda não. – o moreno tinha um tom indiferente ao responder.
- Acho que ficou em cima da escrivaninha. – Hana parecia pensativa ao falar.
Anastácia sorriu com certa malícia, se levantando e sumindo no corredor. Em poucos minutos, ela tinha voltado com o pacote em mãos e estendia para Kyouya, dizendo que era para ele abrir. O rapaz franziu o cenho, deixando o prato em cima da mesa ao acabar de comer e abrindo o pacote. Ao ver que era alguma roupa, foi para o quarto de Hana se trocar. Anastácia tinha um tom zombeteiro ao falar.
- Ah, não vai se trocar aqui pra seduzir a namorada?
Hana corou, batendo no braço da amiga. Apesar disso, sentia-se curiosa. Quando Kyouya voltou, com os óculos na mão e passando a mão nos cabelos para ajeitá-los, Hana sentiu o coração batendo forte no peito e o rosto fervendo. Anastácia riu, enquanto Mei e Catarina tentavam acalmar a amiga. Kyouya olhou sem entender a cena, tornando a por os óculos. Anastácia protestou, dizendo que ele devia ficar sem óculos por não combinarem com o conjunto e colocar suas habilidades de Host em prática. Kyouya arqueou uma sobrancelha.
- Confia em mim. – ela sorriu com satisfação.
Kyouya suspirou e deixou os óculos sobre a mesa. Ao ver uma Hana completamente vermelha ser empurrada em sua direção, ele sorriu de canto com um ar satisfeito. Então ele segurou delicadamente uma das mãos da morena, que sentia o coração batendo cada vez mais rápido no peito, e falou com uma voz suave, sem desmanchar o sorriso de canto.
- Gostaria de alguma coisa, senhorita?
Hana recolheu imediatamente a mão, apertando-a junto ao peito sem conseguir falar. Kyouya tinha um ar satisfeito no rosto. Então ele pegou os óculos e voltou para o quarto da garota para se destrocar. Hana tinha apenas se jogado no sofá, afundando o rosto em uma almofada. Anastácia ainda ria, se divertindo com a cena. O comentário de Mei chamou a atenção do grupo.
- Aquela roupa… É do Sebastian, não é? (N/A: o mordomo de Kuroshitsuji) – Mei olhava com curiosidade para Catarina, que tinha um ar pensativo.
- Se não me engano, sim. A Hana não é apaixonada por ele?
Anastácia sorriu com satisfação.
- Essa Jenna… Quem diria que ela usaria isso contra a Hana um dia. – Anny riu, tornando a fitar Hana, que apenas continuava morta de vergonha no sofá.
- Parece que o Kyouya ganhou uma arma poderosa contra ela. – Catarina parecia se divertir também.
Hana grunhiu alguma coisa em resposta.
- Não entendi. – Anastácia tinha um tom zombeteiro.
Quando Hana se levantou para repetir, Kyouya apareceu na sala. Apesar de ele estar com suas roupas normais, Hana sentiu o rosto ferver novamente ao vê-lo e tornou a afundar no sofá. Kyouya soltou um risinho satisfeito e se sentou no braço do sofá. Ele tinha os braços cruzados diante do corpo e um sorriso satisfeito ao falar.
- O que foi, Hana? Algum problema?
Hana respondeu sem levantar o rosto. Kyouya estava visivelmente se divertindo com a situação, assim como o restante do grupo.
- Eu vou entender se você falar olhando pra mim, sabia?
Hana grunhiu e se sentou no sofá com uma expressão emburrada. Ela ainda tinha as bochechas vermelhas, o que fez com que a satisfação de Kyouya aumentasse.
- E então…? – ele olhava para a garota com um ar paciente, visivelmente a provocando.
- E então nada. Não tem problema nenhum, ok? – a garota evitava olhar para o moreno, sentindo que não conseguiria responder se o encarasse.
- Então por que você parece estar me evitando?
Anastácia e Catarina, assim como os gêmeos, pareciam segurar o riso. Tamaki e Mei pareciam com dó de Hana, enquanto Mori e Hani pareciam indiferentes. Hana respirou fundo e se virou para Kyouya, mordendo levemente o lábio inferior. Kyouya afagou as mechas negras da garota, sorrindo largamente de satisfação. Hana bufou e afundou mais no sofá.
- Isso é injusto. – ela tinha um tom emburrado e infantil na voz, mas sorriu de canto com a carícia.
- Injusto nada, fofa. Ele tem que ter como revidar a sua alta sedução. – Anastácia tinha um tom zombeteiro na voz, se divertindo com as reações da amiga.
- "Alta sedução". Oh as ideias que você tem. – Hana revirou os olhos.
Anastácia riu.
- E to mentindo? Por que você acha que seu namorado ta tão satisfeito com a sua reação?
Hana desviou o olhar para Kyouya, que voltou à expressão indiferente habitual.
- Sei lá, ele sempre pareceu ter um lado sádico. – Hana tornou a encarar a amiga.
Anastácia riu. Quem respondeu, no entanto, foi Kaoru.
- Na verdade, eu nunca vi o Kyouya-senpai tão feliz. – o ruivo sorria ao falar.
Hikaru concordou. Hana olhou dos gêmeos para Kyouya, que tinha virado levemente o rosto, mas ela ainda conseguia ver que ele parecia um tanto constrangido. Ela apoiou os braços na perna dele e sorriu.
- Ah, é? Eu te deixo tão feliz assim? – ela tinha um tom satisfeito ao falar.
Kyouya não respondeu, apenas ajeitando os óculos. Hana sorriu com satisfação.
- Qual é o problema, meu amor? – a garota deixou a voz mais melosa ao final da frase, o que fez Kyouya olhar para ela e suspirar. Hana pareceu se animar com aquilo – Você fica uma gracinha sem jeito!
Os gêmeos riram. Era estranho ver o mais velho sem graça daquele jeito, considerando a indiferença com que estavam acostumados. Tamaki parecia confuso e Haruhi tinha o cenho franzido, sem saber se era bom ou não conhecer aquele lado do moreno. Anastácia e Catarina se divertiam com o joguinho entre a amiga e Kyouya. Hana ainda tinha as bochechas rosadas, mas estava visivelmente mais calma. "Pelo menos eles se entendem", Anastácia sorriu de canto.
- Bom, acho que ninguém tem planos pra hoje, não é? Além, claro, de terminarmos a troca de presentes. – Hana apontou para a árvore no canto da sala, sorrindo.
