Anastácia estava encantada com o colar que tinha ganhado de Kaoru. A corrente era fina, de um prateado suave. O pingente, não muito maior que meio dedo mínimo, era de um dourado claro. Uma chave com a cabeça lembrando um trevo, vazada no centro. A garota pediu ao ruivo quase imediatamente para colocar a joia em seu pescoço. As amigas se divertiam com a empolgação de Anny, que apenas ignorava. Uma vez com a corrente no pescoço, a garota foi pegar o presente que daria a Kaoru. Enquanto o grupo separava os presentes para a troca, Kyouya se afastou para atender ao telefone.
O moreno ficou alguns minutos na cozinha, conversando com um ar sério com a pessoa do outro lado da linha. Hana parou na porta da cozinha, hesitante e com um pacote na mão. Estava distraída com os próprios pensamentos, de forma que se assustou quando o rapaz se virou e a chamou. A garota deixou o pacote sobre a mesa e foi até o rapaz, recebendo uma breve carícia na cabeça que a fez franzir o cenho. Kyouya visivelmente se divertia com aquilo. Sabia que a morena odiava ser tratada daquele jeito, como se fosse um bichinho. Ela se livrou do tratamento afastando a mão do rapaz com um leve empurrão e levantou os olhos, perguntando se estava tudo bem.
- Meu pai quer que eu passe o começo do ano em casa. E sugeriu que eu a levasse. – Kyouya colocou as mãos nos bolsos e fitou a garota.
Hana sentiu um arrepio correr por suas costas.
- Ele… Quer uma apresentação para a família…? – ela engoliu em seco – Isso é sério?
Kyouya concordou com a cabeça.
- Aparentemente, ele gostou do seu jeito "irreverente" e acha que isso pode trazer algum benefício para meus irmãos. – o rapaz estava visivelmente desconfortável.
- Meu jeito… Irreverente? – Hana riu – E como isso pode beneficiar seus irmãos? Só se eu bater neles. Verbalmente falando, claro. – ela estava perceptivelmente se divertindo.
O moreno franziu o cenho.
- Ei, não me olha assim. Eu achava que seu pai me odiasse, então é bom ele falar uma coisa dessas, não é? – Hana se sentou em um dos bancos.
- Bom… – Kyouya suspirou – É. Nisso você tem razão. – ele sorriu ao ver a garota sorrir – Mas vamos passar o Ano Novo em um avião.
- Oe. Kyouya-senpai. – Hikaru se debruçou sobre o balcão pelo lado da sala. Quando o olhar do moreno se voltou para ele, o ruivo continuou – Foi mal ouvir a conversa, mas como assim vai passar o Ano Novo em um avião?
- Meu pai me pediu para passar o começo do ano em casa. – Kyouya tinha um tom deliberadamente indiferente. Hana acompanhava a conversa com o olhar indo de um Host para o outro.
- Então… O que acha de irmos todos fazer uma visita de ano novo a nossa terra natal? – Hikaru sorriu com certa satisfação.
- Façam como quiserem. – Kyouya deu de ombros e se retirou para a sala.
Hikaru baixou o olhar para Hana.
- E o que você acha disso?
- Ah… Eu vou junto. – Hana sorriu de canto.
- Isso é bom. – Hikaru sorriu e acariciou a cabeça da amiga – Só não se assuste com os irmãos de Kyouya-senpai.
- Ah… – a garota ajeitou o cabelo e parou para pensar – Não cheguei a conhecer o Akito quando estávamos em Barcelona, mas ele me parece uma boa pessoa. E eu já falei com o pai de Kyouya antes. Acho que vai ficar tudo bem. – ela deu de ombros.
Hikaru pareceu levemente surpreso.
- Isso é bom. – ele deu um último sorriso para a amiga e voltou para junto do grupo.
Hana baixou o olhar para o pacote sobre o balcão. Já devia tê-lo entregado, mas uma estranha sensação de insegurança a tinha invadido em cima da hora. Ela suspirou. Agora não tinha o que fazer. Não podia adiar a entrega para sempre. A garota pegou o pacote e se levantou. Apesar de não demonstrar, o convite (se podia mesmo chamar daquele jeito) do pai de Kyouya a tinha deixado desconfortável.
Quando Hana voltou para a sala, seus orbes focaram Mei imediatamente. A garota estava com o quimono que tinha ganhado de Mori, mas agora tinha os enfeites para o cabelo, as meias e os sapatos adequados. Mesmo sem maquiagem, a mestiça estava realmente encantadora. E parecia realmente feliz com o presente. Mori, sentado no sofá mais próximo de onde Mei rodopiava leve como se flutuasse, sorria de canto, parecendo satisfeito. Hana sorriu com a cena. Os dois se entendiam perfeitamente. Mei então parou, escondendo as bochechas com a mão ao agradecer pelo presente.
- Mei-chan ficou realmente bonita com o quimono! – Hani sorria largamente. Mori concordou com a cabeça.
- O-obrigada. – Mei sorriu, sentindo as bochechas esquentarem.
Catarina parou na frente da amiga, sorrindo empolgada ao falar.
- Você ficou uma graça, Mei!
- Ela tem razão. – Anny se ajeitou na poltrona em que estava, analisando Mei enquanto esperava Kaoru voltar – Essas cores combinam com você. – ela sorriu para a mestiça, que parecia sem jeito.
- Acho que ela deveria usar roupas assim com mais frequência. – Hikaru se sentou ao lado de Mori e desviou o olhar para o amigo mais velho – Não acha, Mori-senpai?
Mori sorriu para o ruivo, mas não respondeu. Hikaru – e todos os demais presentes – entendeu aquilo como uma confirmação. O gêmeo mais velho tornou a olhar para a amiga, sem perceber que sorria de canto. Quando Kaoru voltou para a sala, com o pacote dado por Anastácia em mãos, não percebeu Jenna e Nathan logo atrás de si. As garotas, por outro lado, não deixaram a cena passar, fazendo comentários sobre a demora do casal e o peito descoberto do professor. Todas com exceção de Mei, que estava ainda se recuperando da taquicardia e do rubor.
- Jen, eu sei que seu namorado tem um corpo admirável, se me permite o eufemismo – Hana começou –, mas não precisa exibi-lo pelo apartamento. – ela tinha um tom zombeteiro ao falar, fazendo as amigas rirem.
Os integrantes do Host Club se entreolhavam em silêncio.
- Ela quer fazer inveja nas amigas. – Anny continuou, se divertindo ainda mais quando Kaoru se remexeu no sofá e franziu o cenho – Só porque o cara teve mais tempo na academia.
- Em minha defesa, eu não vou tanto à academia. – Nathan sorria de forma divertida, rindo dos comentários.
- Isso não funciona exatamente em sua defesa. – Catarina riu.
Jenna concordou com a cabeça.
- Na verdade, tem o efeito mais que contrário.
O grupo riu. Os rapazes do Host, mesmo Tamaki (que nada tinha a ver com o que acontecia), estavam visivelmente desconfortáveis com o rumo da conversa. Hikaru e Kaoru se levantaram ao mesmo tempo, atraindo a atenção dos amigos, mas foi o gêmeo mais velho quem falou. Achou que era melhor falar da viagem ao Japão logo, antes que a conversa sobre o físico de Nathan continuasse e ele ficasse realmente irritado. Kaoru, quando ouviu a sugestão do irmão, apoiou de imediato. Queria apresentar Anastácia para os pais o quanto antes, mesmo sabendo que não havia com o que se preocupar por parte deles. Hikaru provavelmente pensava o mesmo sobre Catarina.
- Eu não tenho nada contra. – Anny sorriu, o que acalmou o gêmeo mais novo.
- Espera aí…! – Catarina ficava cada vez mais vermelha conforme falava – Vocês querem… Vocês pensaram em nos apresentar para os pais de vocês…?!
Os gêmeos riram.
- Por acaso não quer conhecer os sogros, Cat? – Hana tinha um tom entre malícia e zombaria.
Catarina corou mais, sem conseguir responder. As garotas riram. Hikaru parou diante da loira e curvou o corpo até estar com o rosto na mesma altura do da namorada. Só este simples gesto fez com que ela engolisse em seco, piorando ainda mais a situação quando o ruivo deu o sorriso típico do tipo demônio do Host Club. Ao falar, o rapaz tinha um tom claro de provocação.
- Alguma coisa errada, Cat? Achei que você estava ansiosa para conhecer os sogros, não estava?
- S-sim… Mas assim do nada…?! – ela tinha certo desespero na voz, que divertia o grupo – V-você devia ter me avisado antes, Hikaru…!
O ruivo sorria de forma divertida, dando um selinho em Catarina antes de se endireitar e virar para os amigos. A loira afundou o rosto em uma almofada. Foi Kaoru quem retomou o assunto, perguntando o que o grupo achava de viajarem para o Japão no Ano Novo, considerando que eles passariam o último dia do ano em um avião. Todos concordaram com a ideia.
- Então está decidido! – o gêmeo mais novo sorriu com satisfação.
- Bom, suponho que cada um hospede a própria namorada, mas onde nós vamos ficar? – Jenna apontou para ela e Nathan.
- Vocês podem ficar lá em casa. – Hani sorria largamente ao falar.
O casal parou para pensar um pouco, mas acabou concordando. Hani pareceu se empolgar mais com isso, o que fez todos rirem. Tamaki então se manifestou, comentando empolgado sobre como era bom ver a união e o amor que havia no grupo, sobre os fortes laços de amizade que tinham formado e sobre quão maravilhoso seria viajarem todos juntos mais uma vez. Foi Anastácia quem o interrompeu, dizendo às amigas que era a vez delas de trocarem os presentes. Logo o quinteto tinha se sentado em roda próximo à árvore de Natal. Decidiram que cada uma deveria entregar os quatro presentes das amigas de uma vez, assim não haveria confusão.
Catarina começou, dando uma jaqueta bordô de couro para Anastácia, uma bota que ia até acima dos joelhos de camurça marrom para Hana e, junto das amigas (elas precisaram fazer uma vaquinha para comprar o presente, que era mais caro do que o bolso de qualquer uma delas suportava sozinho), dois uniformes de futebol para Mei de seus times favoritos. Os uniformes estavam completos e cabiam perfeitamente na garota. Além disso, a loira deu um livro de receitas para ocasiões excêntricas para Jenna, que pareceu se divertir com a ideia e olhou sugestivamente para Nathan.
Hana foi a segunda, dando uma lingerie vermelha e "sexy" (como a própria morena definiu) para Catarina, um livro de aventura para Anastácia (um das várias coleções que a garota precisava completar) e um vale de um SPA famoso para Jenna, válido para qualquer dia até o final de janeiro e com direito a um acompanhante, para o dia todo e com tratamento completo.
Jenna deu continuidade, dando uma blusa preta levemente folgada e com uma caveira em prata e dourado no centro para Catarina, um short de cor rosa envelhecido para Anastácia e uma saia azul-marinho longa para Hana. Nada excepcional, mas as amigas adoraram. Em seguida, foi a vez de Anastácia, que deu um vestido tomara-que-caia de saia baloné em um azul prateado para Jenna, uma lingerie preta e provocante para Catarina (que ficou tão sem graça quanto quando recebeu o presente de Hana, fazendo o grupo rir) e um livro sobre táticas de guerra para Hana.
Por fim, foi a vez de Mei. Para Jenna, deu um sobretudo de cor goiaba ("para cobrir a sem-vergonhice" foi o que a mestiça afirmou), uma pelúcia de Pokémon para Catarina (que ficou um tanto retardada de felicidade), um par de brincos de um dourado discreto e pequenos para Hana (que os limpou e colocou assim que terminaram a troca de presentes) e um livro de romance para Anastácia.
Quando as garotas terminaram de trocar os presentes entre si, foram presentear os respectivos namorados e/ou ser presenteadas por eles, exceto Anastácia, que tinha trocado presentes com Kaoru logo no início, pois queria saber se o pijama que escolhera cabia no ruivo. Aquele, como ela dissera ao entregar, ficaria na casa delas, assim ele teria o que usar quando passasse a noite lá. O gêmeo mais novo aprovou a ideia.
Mei deu para Mori um ingresso para um jogo de basquete que ocorreria no fim de janeiro. Como era a final da temporada, tinham começado a vender com bastante antecedência. O moreno agradeceu, perguntando em seguida se ela iria junto. Mei corou, mas mostrou o próprio ingresso. O rapaz sorriu e lhe acariciou a cabeça, o que fez a mestiça corar ainda mais, mas ela sorria para o outro.
Hikaru ganhou um ingresso para o show de sua banda americana preferida. Catarina mexeu em suas economias e conseguiu comprar dois ingressos VIPs, que davam acesso ao camarim. Em um impulso gerado pela felicidade, Hikaru beijou a loira um tanto apaixonadamente como agradecimento. Quando se separaram, Catarina estava completamente vermelha, o que fez o grupo rir. A diversão apenas aumentou quando ela abraçou o ruivo para esconder o rosto em seu peito. Assim que a loira se acalmou – o que levou alguns minutos –, o gêmeo mais velho entregou o presente. Era uma bota de cano alto de zíper, com diversas fivelas douradas subindo pelo cano. A garota ficou empolgada e foi provar os sapatos novos no mesmo instante.
Jenna deu uma caneta e um bloco de anotações bastante sofisticados para Nathan, dizendo que era para que escrevesse seus rascunhos. O homem agradeceu com um largo sorriso. O fato de não ter dado nada em troca fez com que as garotas olhassem de forma sugestiva para Jenna. As expressões de todas, incluindo Mei (que ainda era a mais inocente das cinco mesmo depois de tanto tempo de convivência), delatavam que elas sabiam que o presente já tinha sido dado na noite anterior. Apenas Anastácia e Hana, no entanto, tinham chegado à conclusão certa. Catarina levaria alguns minutos, mas entenderia. Mei, por sua vez, não saberia mais do que já tinha concluído sem ajuda das amigas.
Hana deu um pequeno e discreto strap de gato para Kyouya colocar em seu celular. O gato em si era preto e estava sentado, olhando para frente como se sorrisse de forma desafiadora. A fita para prender no aparelho era fina, de cor branca. Kyouya sorriu de canto com o presente simples, mas adequado. No bilhete que Hana colocou junto, ela chamava o rapaz de sem-graça por não aceitar nada maior, que se parecesse mais com um presente do que com uma lembrancinha. Kyouya riu discretamente. Em retorno, ele deu um urso panda de pelúcia de tamanho médio para a garota. Hana passou o restante do dia abraçada ao bichinho.
