Naquela vez, o grupo não viajou em um avião particular. As garotas insistiram em pegar um voo comercial, porque se sentiam mais confortáveis. Era estranho, para elas, viajarem com tanta privacidade. Os integrantes do Host concordaram, mas compraram passagens para a primeira classe – o que não deixou as garotas muito felizes, mas era o máximo que conseguiriam deles e elas sabiam. Pelo menos o voo foi tranquilo. Catarina agradeceu por não pegarem nenhuma turbulência, porque assim conseguia viajar sem passar mal.
- Bom, finalmente chegamos. – Hana ajeitou os óculos escuros na cabeça, olhando ao redor. As pessoas a olhavam estranhamente por falar em inglês com a aparência oriental que tinha.
Kyouya pediu, em japonês, para que ela evitasse falar em inglês, já que sabia japonês. Fez o mesmo pedido a Mei e Catarina, já que também sabiam o idioma. "Se bem que a Cat não vai passar despercebida em lugar nenhum com esse cabelo loiro", ele ajeitou os óculos. Jenna talvez recebesse olhares tortos por também ter aparência oriental, mas seus traços eram coreanos, não japoneses, então poderia ficar tudo bem.
- Kyouya-sama. Viemos buscá-lo. – a voz de Tachibana fez o grupo se virar – Seu pai pediu para levarmos o senhor e a senhorita Hana até o restaurante em que ele irá almoçar.
- Então, nos despedimos aqui. – Kyouya fez o comentário em inglês, acenando para os amigos. Então foi em direção ao trio de guarda-costas, com Hana em seu encalço. A garota olhava diversas vezes para trás conforme andavam, de forma que o rapaz sentiu que devia tranquilizá-la – Eles têm quem os venha buscar, não precisa ficar tão preocupada. – ele tinha passado a falar em japonês e Hana entendeu que deveria manter o idioma.
- Mas não é errado nos separarmos assim que pisamos aqui? A gente nem se despediu direito. – ela abaixou os óculos escuros quando saíram da parte coberta do aeroporto. O carro estava a poucos metros de distância – E nós vamos almoçar com o seu pai assim, logo de cara? Eu não tive tempo de me preparar para isso…!
Kyouya sorriu de canto. "Que graça ela se preocupando tanto com isso", ele acariciou a cabeça da garota, sem responder. Hana apenas bufou em resposta, entregando a mala a um dos guarda-costas quando chegaram ao carro. Não tinha uma bagagem muito grande, já que não passariam muito tempo lá. Kyouya fez o mesmo e logo entraram no veículo. Hana acabou sentada entre Kyouya e Hotta.
Pouco depois de Kyouya e Hana saírem do aeroporto, um senhor animado apareceu chamando por Tamaki. Quando o loiro se virou, reconheceu seu pai, seguido pelo pai de Haruhi. Os dois Suou se abraçaram com força, assim como os dois Fujioka. Então as devidas apresentações foram feitas e logo Yuzuru conversava animado com o grupo. A notícia de que Kyouya e Hana tinham saído pouco antes o desanimara, mas não por muito tempo. Então o pai de Haruhi – que estava vestido como uma linda mulher, o que assustou as garotas americanas de início – comentou que ele e Haruhi ficariam na mansão dos Suou durante as férias por insistência da matriarca.
- Ora, ora, então vamos todos viver como ricos durante nossa estadia aqui. – Jenna tinha um tom levemente zombeteiro ao falar.
- Só espero que não seja nada muito… Destoante do que vimos até agora. – Anastácia suspirou, imaginando que tipo de pessoas seriam os pais dos gêmeos.
- Aliás, Hikaru. – Kaoru se virou para o irmão – Você falou com a mamãe de que chegávamos hoje?
- Ela disse que mandaria o papai com um carro para nos pegar. Ela precisa cuidar da Ageha. – Hikaru conferiu o telefone. Ao ver que não tinha notícias de ninguém, discou o número do pai.
- Ageha…? – a pergunta veio em uníssono de Anastácia e Catarina.
- Nossa irmãzinha. – Kaoru sorria largamente ao responder – Ela está com dois anos agora. Vocês vão adorá-la!
- E desde quando vocês têm uma irmãzinha? – Anny tinha um tom descrente.
- Desde o ano passado. – Kaoru sorria ao responder, parecendo realmente gostar da pequena.
Hikaru desligou o telefone assim que o irmão terminou de responder e se virou para os amigos.
- Nosso pai está esperando com o carro lá fora, então já vamos indo. – ele acenou para os amigos e os pais de Haruhi e Tamaki e se afastou com o irmão, Anastácia e Catarina indo logo atrás.
- Que coisa, por que todo mundo tem que ir embora tão rápido? – Jenna cruzou os braços e franziu o cenho.
- Acho que estão todos com saudades. – Hani sorriu, o que fez com que a garota suspirasse e sorrisse de volta.
- Tem razão. – ela acariciou os cachos loiros do pequeno ao responder.
O grupo continuou conversando por mais algum tempo, com uma animação maior que a normal devido à presença dos pais. Yuzuru era tão empolgado quanto o filho, enquanto Rouji se provava um pai extremamente coruja, o que arrancava diversas risadas das garotas. Nathan era quem se sentia mais deslocado pela falta de convivência com os amigos de Jenna, mas não se importava. Acabaria se acostumando. O grupo estava tão distraído que todos – exceto Mori e Hani, acostumados com aquele tipo de coisa – se assustaram quando algumas shurikens pararam extremamente próximas do pé de Hani, que tinha recuado levemente ao perceber o ataque.
- Mas que diabos foi isso?! – Jenna apontava freneticamente para as três estrelas cravadas no chão. A resposta não demorou a chegar.
- MIIIITSUUUKUUUNIIII! – Yasuchika apareceu correndo, com um bastão em mãos. Logo os dois irmãos tinham começado a lutar no meio do aeroporto, sem se importar com os comentários das pessoas ao redor.
Em um momento, quando o loiro mais novo parou depois de ser arremessado por Hani, um rapaz moreno apareceu e lhe socou o topo da cabeça com relativa força. O grupo apenas olhava, sem entender. Mei, Jenna e Nathan eram as pessoas mais chocadas com a cena. Satoshi logo tinha começado a passar sermão em Yasuchika, que ficou com uma expressão chorosa.
- Satoshi. – a voz de Mori fez o moreno (que agora tinha nome) mais novo se virar.
- Taka-nii! – Satoshi sorriu largamente e foi até o irmão com um sorriso largo no rosto.
- Esses são Satoshi e Yasuchika. – Hani falava como se nada tivesse acontecido, arrumando suas roupas depois de apontar para os respectivos recém-chegados – Satoshi é o irmão mais novo do Takashi. E Yasuchika é meu irmãozinho. – Hani sorriu largamente ao acabar de falar.
- Já disse para não me chamar assim, Mitsukuni! – Yasuchika tinha o tom de voz elevado e cruzou os braços ao acabar de falar. Tinha o cenho franzido e olhava para um ponto qualquer, de forma que não percebeu quando Jenna parou diante de si e o acariciou na cabeça. O gesto fez suas bochechas arderem – O-o que você acha que está fazendo…?!
- Que gracinha! – Jenna se divertia com o mais novo, rindo um pouco ao falar – Então no fundo você é apenas um garotinho, quem diria.
Nathan e Mei riram da cena, enquanto os demais apenas sorriram. Jenna era daquele jeito mesmo. Fazia as coisas sem pensar muito, quebrava o gelo mesmo das situações mais estranhas. Yasuchika se livrou do cafuné num gesto um tanto brusco, o que fez com que Satoshi o olhasse de forma repreendedora, mas o moreno não disse nada. Hani então aproveitou a brecha para apresentar as amigas para os irmãos e os colocar a par da situação.
- Espera um pouco, Mitsukuni! – Yasuchika se virou para o irmão, olhando-o como quem não entendia – Eles vão ficar na nossa casa?! Eu vou ter que conviver com… Ela?! – o rapaz ainda tinha as bochechas rosadas. Apesar de as garotas de sua sala fazerem comentários positivos sobre o loirinho, geralmente o comparavam ao irmão, o que as deixava com uma imagem negativa para ele. Mas Jenna o tinha tratado como uma pessoa diferente desde o começo e aquilo gerava um misto de emoções com que o mais novo não sabia lidar.
- Algum problema em nos hospedar? – Nathan se pôs ao lado da namorada, falando com um tom e um sorriso simpáticos que escondiam uma leve frieza presente em sua voz.
Yasuchika engoliu em seco. Alguma coisa naquele homem o dizia que era melhor não provocar, mesmo que viesse de uma família de lutas marciais e provavelmente fosse capaz de derrubá-lo. "Pare de criar confusão, Yasuchika!", o loirinho ouviu uma voz lhe repreendendo em sua cabeça. Em resposta à pergunta, ele apenas negou com a cabeça e se retirou, dizendo que o carro estava pronto para levá-los a qualquer momento para casa. Satoshi acrescentou que ele, o irmão e Mei poderiam partir quando quisessem também e foi atrás do amigo. Ele sabia que não era bom deixar Yasuchika sozinho quando o loiro ficava de cabeça quente.
- Então acho que é melhor todos irmos para casa. – Yuzuru sorria como se nada tivesse acontecido – Mas apareçam qualquer dia. Será ótimo receber os amigos maravilhosos de Tamaki e de Haruhi.
Mori e Hani concordaram e logo o grupo se despediu, indo cada um para seu canto. Mei falava animada sobre algo para Mori, que ouvia com um sorriso discreto no rosto, por vezes comentando alguma coisa. Satoshi parecia impressionado com a habilidade do irmão de manter a conversa sem se sentir sufocando. Mei era a única que falava praticamente enquanto o motorista os conduzia para a casa dos Morinozuka.
No carro dos Haninozuka, por sua vez, o clima era bem mais descontraído. Jenna e Hani conversavam animados, fazendo planos para o período em que ficariam no Japão. Nathan participava algumas vezes da conversa, mas Yasuchika passou a viagem toda olhando pela janela com uma expressão de poucos amigos. Pelo menos suas bochechas tinham voltado à cor normal. "Não há nem motivo para eu me sentir desconfortável. Ela não tem nada de especial", o mais novo se ajeitou no banco, respirando fundo. A vozinha em sua mente fez o favor de acrescentar que era visível o fato de que Jenna já estava comprometida, o que fez o rapaz revirar os olhos. "Como se fizesse alguma diferença".
Quando Hana e Kyouya chegaram ao restaurante, foram logo conduzidos à mesa em que o pai do moreno se encontrava. Ele estava sozinho, o que fez a garota se perguntar onde estaria a mãe de Kyouya. Mas não era a hora de perguntar. Assim que os dois sentaram, Yoshio chamou o garçom e pediu os pratos. Hana franziu o cenho. "Não gosto de ele pedir por nós…", ela desviou o olhar para o namorado, mas não conseguiu captar nenhuma reação.
Enquanto os três almoçavam – com Aijima e Tachibana por perto, além de mais três que Hana concluiu cuidarem da segurança de Yoshio –, Hotta ficou responsável por levar as bagagens para a residência dos Ootori e deixar tudo no quarto de Kyouya. A conversa seguiu leve, tratando inicialmente de assuntos supérfluos. A garota agradeceu mentalmente, porque isso lhe dava tempo de se preparar mentalmente para assuntos mais sérios. Mas ela não esperava pela pergunta que Yoshio fez.
- Quando você pretende se mudar para o Japão, senhorita Hana?
A garota engasgou ao ouvir a pergunta, sem conseguir pensar. Desviou o olhar para Kyouya, que, apesar do ar de indiferença, tinha fechado as mãos com força ao redor dos talheres. Aquilo tinha sido totalmente inesperado e nem mesmo eles tinham pensado sobre a possibilidade. Quando Hana conseguiu se recompor, levantou os olhos para o senhor sentado a sua frente, que esperava pacientemente pela resposta.
- Na verdade, senhor, nós não pensamos a respeito disso ainda. – ela tomou um gole da bebida ao acabar de falar.
Yoshio pareceu levemente surpreso por um instante muito breve.
- Não se sinta pressionada em relação a isso. Foi apenas uma curiosidade. – ele sorriu de forma simpática antes de voltar a comer.
Hana e Kyouya se entreolharam, sem saber o que esperar do resto do almoço.
- Mãe, chegamos! – Kaoru entrou no quarto de Ageha sem grandes cerimônias, sabendo que encontraria a mãe ali com a irmã.
- Ora, ora, mas já? – Yuzuha pegou a filha no colo e foi até os recém-chegados, cumprimentando o marido com um selinho antes de cumprimentar os filhos e as garotas – Espero que eles não tenham dado trabalho. – ela sorria de forma animada, fazendo com que Anny e Cat sorrissem de volta por instinto.
- Eu sou Anastácia. – a morena apertou a mão que a mulher estendia, se apresentando sem qualquer sinal de embaraço – E seus filhos se comportaram bem na nossa escola, não se preocupe.
Kaoru e Hikaru se entreolharam, sorrindo com certa satisfação. Era bom ver que Anny já estava se entrosando com a família. Catarina então engoliu em seco e se adiantou, cumprimentando a matriarca da família de um jeito mais formal do que o necessário, fazendo-o por reflexo. Sentia-se nervosa e não conseguia pensar direito, o que fez com que o grupo risse um pouco. Pelo menos serviu para descontrair. Então Yuzuha segurou uma das mãos da filha e acenou para os recém-chegados.
- Dê "oi" para eles você também, Ageha.
A garotinha olhou dos irmãos para as estrangeiras, estendendo os braços em direção à Anastácia, que pareceu se surpreender, mas aceitou pegar a garota no colo. A mãe dos gêmeos não protestou. Na verdade, disse que era normal que a pequena preferisse companhia de outros que não dos irmãos, apesar de ela não entender o motivo. Catarina e Anastácia se entreolharam, imaginando que a garotinha sabia desde já que tipo de pessoas eram os irmãos.
- Bom, a viagem foi longa, imagino que estejam com fome. – Yuzuha sorria e começou a ir em direção à sala. No meio do caminho, chamou uma empregada e disse que preparasse alguma coisa para o almoço – Na verdade, nós também não almoçamos ainda.
Catarina ia protestar, dizendo que não precisava se incomodar, mas seu estômago apertou e ela achou melhor aceitar. Anastácia brincava com Ageha sem prestar muita atenção ao redor, o que fazia os gêmeos e o senhor Hitachiin sorrirem. Os dias seriam bastante agradáveis se continuassem daquele jeito. E Kaoru imaginou que seriam até melhores.
- Ah, Kaoru, pode vir até aqui? – Yuzuha estava em uma parte mais afastada da sala, aparentemente mexendo em alguns papeis que tinha deixado por ali. Quando o filho se aproximou, ela foi direto ao assunto – Quem está com você? A Anastácia ou a Catarina?
- A Anny. – Kaoru sorriu para a mãe, recebendo um largo sorriso em resposta.
- E já começaram a pensar sobre se casarem e terem filhos? Ela parece se dar muito bem com crianças. – a mulher estava visivelmente se divertindo.
Kaoru se sentiu corar. Não havia uma célula de seu corpo que não estivesse banhada em sangue naquele momento.
- Ma… Mamãe…! – ele falava baixo, mas tinha um tom entre embaraço e repreensão – É claro que não…!
- Ora, ora, não vá me dizer que vocês ainda não… – ela gesticulava com a mão, o que deixava Kaoru cada vez mais constrangido – Então que tal aproveitarem a viagem, hm?
- Eu não vou falar sobre isso com a senhora, mamãe…! – Kaoru cruzou os braços diante do corpo e virou o rosto, tentando se calmar.
Yuzuha riu, apertando a bochecha do filho. Então chamou Hikaru e disse que Kaoru poderia se juntar às amigas e à irmã. Hikaru franziu o cenho ao ver o estado em que o irmão estava ao se sentar, mas não perguntou, indo falar com a mãe. Catarina e Anastácia estavam distraídas demais com Ageha para perceber a movimentação, mas a morena levantou o olhar quando Kaoru se jogou no sofá. Pelo menos o rubor tinha diminuído significativamente.
- Está tudo bem? – ela parecia se divertir com o estranho estado do ruivo.
- Ótimo. – ele desviou o olhar, falando mais num murmúrio. Anastácia riu e voltou a se divertir com Ageha.
Hikaru voltou para junto do grupo no mesmo estado do irmão, enquanto Yuzuha se divertia.
- Ora, ora, que casal mais diferente. – o pai de Hani esperava pelos filhos e pelo casal na porta da casa, sorrindo ao ver o grupo chegando – Sejam bem-vindos, eu sou o pai desses dois. – ele tinha um tom alegre e se curvou levemente ao cumprimentar Jenna e Nathan.
Instintivamente, Jenna se curvou também.
- Eu sou Jenna e este é Nathan. – ela sorriu para o homem – Desculpe pelo incômodo, e muito obrigada por aceitar nos receber.
Yasuchika revirou os olhos. "Se sabe que incomoda, não venha!", ele passou pelos familiares e entrou na casa. Hani foi atrás do irmão, o repreendendo pela falta de educação. Jenna e Nathan se divertiam com a cena, aceitando o convite do senhor Haninozuka para entrarem e comerem alguma coisa. O casal olhava ao redor conforme andavam pela casa com curiosidade. Afinal, não era todo dia que viam uma casa tão tradicional e com um dojo próprio para que os integrantes da família pudessem treinar o estilo de luta Haninozuka.
Mei tinha parado de falar quando chegaram à residência dos Morinozuka. Sentia-se maravilhada e, ao mesmo tempo, sem jeito por estar ali. Não sabia como lidaria com os parentes de Mori, nem o que esperariam dela. Não fazia ideia de como seriam as coisas ali. Mas, ao ver o espaço amplo de treinamento que a família tinha, lhe ocorreu que poderia pedir para Takashi treinar com ela, ou mesmo lhe ensinar coisas novas. A ideia fez a garota sorrir de canto. Ao perceber isso, Mori sorriu discretamente também.
- Papai, chegamos! – Satoshi ia à frente, olhando nos cômodos atrás do pai. O garoto parou de repente ao ver seu progenitor. Então sorriu e deu passagem para Mori e Mei se aproximarem.
- Esta é Mei. – Mori tinha seu tom de sempre ao apresentar a garota, que automaticamente se curvou em sinal de respeito.
- Ah, então esta é a garota que você disse que passaria as férias aqui? Muito bom, meu filho. – o senhor Morinozuka sorriu ao falar – Mostre a ela o quarto em que ficará e depois venham comer. A viagem deve tê-los deixado com fome.
Takashi concordou com a cabeça e começou a andar. Mei foi logo atrás, sentindo o olhar de Satoshi a suas costas. O mais novo sorria com satisfação ao ver que o pai não parecia desaprovar a garota. "Mas nem tinha como. O Taka-nii sempre acerta em suas escolhas!", então ele se virou e seguiu na direção em que o pai tinha ido.
- Espero que não se importe de dividir o quarto. – Mori parou diante da porta do próprio quarto e a abriu, dando espaço para a garota passar. Quando Mei negou com a cabeça, ele sorriu – Pode deixar a mala ali. – ele apontou para um canto próximo ao armário e deixou a própria mala encostada à parede mais próxima.
Mei assentiu com a cabeça e deixou a mala no lugar indicado. Olhou ao redor com certa curiosidade, se sentindo estranha por estar ali. Mori já tinha estado em seu quarto, mas estar no do rapaz fazia tudo parecer diferente. Então, quando seu olhar cruzou com o dele, sentiu as bochechas ferverem. Não conseguia se acostumar com aquilo, mas imaginava que era porque tinham se acertado há pouco tempo. Mori sorriu e indicou que saíssem. Mei assentiu mais uma vez e o seguiu.
Depois do almoço, Kyouya foi com Hana e os próprios guarda-costas para casa. O pai seguia no carro à frente, com a própria equipe de segurança. Apesar da conversa inesperada, as coisas tinham corrido bem. O desafio começaria de verdade quando eles chegassem à residência dos Ootori, com os irmãos de Kyouya presentes. Yuuichi provavelmente seria quem menos aprovaria a personalidade de Hana. Por ser o primeiro filho, ele se mantinha muito mais preso à tradição, mesmo que a pressão fosse maior sobre Kyouya. Afinal, o terceiro filho devia superar os mais velhos, mostrar que sabia como aproveitar ao máximo o potencial que herdara dos pais. Não bastava ser como os irmãos. Afinal, aquilo era o mínimo que se esperava. Nada abaixo era aceitável.
Kyouya desviou o olhar para Hana e sorriu de canto. "Vai ficar tudo bem", ele pensou.
