N/A: A Mei é uma personagem complexamente simples, o que torna trabalhar com ela mais difícil, mas eu gostei desse capítulo... Espero que vocês gostem também!


Depois do almoço – que tinha sido extremamente silencioso, como o esperado –, Mori levou Mei para conhecer a casa. Satoshi, durante algum tempo, acompanhou o casal, mas logo foi chamado pelo pai para ajudar em alguma tarefa pesada. Mei sorriu de canto enquanto acompanhava o mais novo se afastando com o olhar. Mori olhou para a garota por um breve instante antes de olhar para onde o irmão tinha sumido.

- Ele é um bom garoto. – Mei se virou para o moreno, sorrindo ao falar, Mori concordou com a cabeça – E é bastante animado. Lembra um pouco o Mitsukuni.

Mori sorriu de canto.


- Satoshi, não atrapalhe o seu irmão. – Akira, o patriarca da família Morinozuka, tinha um tom sério ao falar quando o mais novo se aproximou.

- Sim, meu pai! Nunca tive a intenção de atrapalhar. – o estudante colegial sorria animadamente – Só queria entender mais sobre a garota que conquistou o Taka-nii, mas ela é tão discreta nesse quesito quanto ele. – o rapaz suspirou e então se voltou animado para o pai – Mas diga, meu pai! Para que precisa de minha ajuda?

"Onde eu errei com esse garoto?", Akira suspirou e se pôs a andar. "Por que as noções dele saíram todas invertidas…?", ele olhou para o filho mais novo, que caminhava a seu lado, e sorriu. "Ah, assim está bom. Pelo menos, Satoshi consegue ser mais firme com Yasuchika do que Takashi foi com Mitsukuni".

- Algo errado, meu pai? – Satoshi olhava para o progenitor com um ar sincero de preocupação e curiosidade – Por que o senhor está sorrindo sozinho?

- Ora, sorria comigo então, Satoshi. – o mais velho tornou a olhar para frente – E me diga… Você já achou alguém?

Satoshi suspirou.

- Como estou sempre cuidando dos maus modos do Yasuchika, não presto muita atenção nas garotas. Mas acho que elas preferem muito mais um Haninozuka a um Morinozuka. Mesmo o incrível Taka-nii só começou a namorar depois de Mitsukuni estar namorando.

- Ora, mas isso não tem absolutamente nada a ver. Seu irmão recebia milhares de declarações no colégio. Mas ele sempre achou que a responsabilidade e a lealdade a Mitsukuni vinham em primeiro lugar. Então – Akira se virou para o filho –, trate de passar mais atenção ao seu redor!

- Sim, meu pai! – Satoshi tinha um ar risonho, realmente se divertindo com a conversa. Era verdade que ele gostava mais de algumas garotas de sua sala que de outras, mas nunca tinha pensado naquele assunto. Era bom poder falar sobre aquilo daquele jeito descontraído com o pai.


- Seu irmão parece realmente nutrir uma admiração profunda por você, Takashi. – Mei sorria ao falar e o moreno concordou com a cabeça. Naquele momento, os dois passavam pelos quartos e Mori tinha indicado onde ficava o quarto de seu irmão e o de seus pais – E ele é uma gracinha! Eu gostaria de ter irmãos, mas acho que já dei trabalho demais a meus pais para eles quererem mais filhos. Mas acho ótimo ter crianças na casa, elas animam o ambiente!

Mori sorriu de canto, deixando que a garota continuasse a falar sobre o quanto gostava de crianças sem interromper, por vezes concordando com a cabeça em um ponto ou outro, ou então respondendo a alguma pergunta que era feita. A estrangeira parecia realmente se divertir quando os dois conversavam, o que deixava o rapaz contente e tranquilo. Então ela fez uma pergunta que ele não esperava. Pelo menos, não tão cedo.

- Quantos filhos você gostaria de ter?

Mori parou de andar e se virou para Mei, com o cenho minimamente franzido. A garota tinha um ar inocente, sem entender o problema da pergunta. Ela apenas esperava pela resposta dele como se tivesse perguntado a coisa mais natural do mundo àquela (pouca) altura do campeonato. O moreno então tornou a olhar para frente e a caminhar, se dirigindo à área externa da casa com Mei em seu encalço.

- Eu… Não sei. – ele respondeu depois de alguns segundos andando.

- Eu também não. – Mei olhou para cima, pensativa – Bom, não exatamente… Mas talvez… Acho que eu ficaria feliz com dois ou três. Com idades diferentes, claro. Porque senão crescem todos de uma vez e aí não vai mais ter criança alguma para alegrar a casa. E vão ser dois ou três adolescentes de uma vez. Se bem que eu acho que meus filhos não vão dar tanta dor de cabeça. Eles provavelmente teriam medo de me provocar. As pessoas geralmente têm.

Mori imaginou a cena, sorrindo de canto. De fato, talvez fosse algo assustador para alguém que não soubesse nenhuma técnica de luta.

- Ah! – Mei bateu as mãos uma na outra diante do peito ao se lembrar de algo – Agora que estamos aqui, eu me lembrei. Será que podemos treinar alguma coisa depois? A sua área de treinamento me atraiu bastante. Parece ser ótimo treinar lá.

Mori olhou para a garota com um sorriso de canto.

- Claro.

Mei se animou, sorrindo largamente para o rapaz ao agradecer.


Quando o Mori terminou de mostrar a casa para Mei e o casal voltou para dentro, encontraram Akira e Satoshi na sala jogando uma partida de Go. O mais novo perdia desastrosamente, mas parecia não se importar, conversando animado com o pai. Mori sorriu de canto. Ele imaginava que o irmão se perguntava como era possível lidar com a empolgação de Mei ao falar. A resposta era justamente aquela: a convivência entre os dois filhos da família Morinozuka.

- Ah, Taka-nii! – Satoshi acenou empolgado para o irmão, que se aproximou dos familiares com Mei logo atrás.

- Vocês estão jogando Go? – a garota sorriu e se pôs ao lado do namorado – Que legal! Eu queria aprender, mas ainda não tive tempo. Parece ser um jogo tão interessante!

Akira sorriu.

- Que bom encontrar uma jovem tão empolgada com esse jogo. Achei que todos pensavam que era coisa de velho. Ou então que o ocidente nem o conhecia. – ele indicou que a garota se sentasse.

- Ah, poucos conhecem mesmo. – ela se sentou ao lado de Satoshi, sorrindo enquanto conversava com o patriarca da família – Mas eu e minhas amigas conhecemos porque uma parte de nós sempre teve curiosidade pela cultura japonesa! Uma característica em comum nossa é que todas têm curiosidade sobre a cultura e a língua de outros países!

Satoshi pareceu pensar em algo, pedindo licença e se retirando da sala. Akira estranhou, mas não disse nada, apenas voltando a conversar com Mei. Takashi se sentou ao lado da garota, acompanhando a conversa com o olhar indo de um para outro. Ele gostava de ver como ela se dava bem com facilidade com as pessoas, desde que elas estivessem abertas à aproximação.


Satoshi estava em seu quarto, anotando alguma coisa de forma frenética em um papel qualquer. Imaginava que Takashi e os amigos levassem as garotas para conhecer o Ouran, de forma que talvez fosse possível colocar sua ideia em prática. "Mas talvez seja difícil convencê-las a fazer isso…", ele se recostou na cadeira, olhando pensativo para o teto. E ele provavelmente teria de providenciar as mais diversas coisas se elas aceitassem. Talvez precisasse da ajuda de Yasuchika e dos irmãos mais velhos.

- Mas pode valer a pena! – ele se levantou em um movimento rápido, com os braços levantados de empolgação. Sorria largamente, satisfeito com sua ideia.

Só precisava resolver o ponto principal. Observaria o grupo no dia em que visitassem o Ouran para ver com quem deveria falar. E então deixar que as garotas se resolvessem sozinhas. O resto seria fácil de resolver, especialmente porque o lugar já estava garantido. Falaria com Yasuchika quando voltassem às aulas. O amigo provavelmente reclamaria, mas não seria contra. Ou assim Satoshi esperava. Então dobrou o papel e o deixou em um dos bolsos do uniforme, voltando para a sala em seguida.


- Ah, Satoshi, voltou em boa hora! – Akira sorria animado e indicou que o filho se sentasse ao seu lado no sofá.

- Estávamos conversando sobre a escola de vocês. – Mei sorriu ao falar.

- Ah, isso é bom! – Satoshi logo se animou com a conversa. Era a oportunidade de que ele precisava – Vocês pretendem visitar o Ouran enquanto estão por aqui?

- Mas é claro! Sempre tive curiosidade de visitar uma escola japonesa!

- Ora, ora, Mei-chan, imagino que vá se surpreender. – Akira tinha um tom tranquilo – O Ouran é diferente dos colégios normais. Precisa estar à altura de famílias importantes.

- Hm, é verdade. Não tinha pensado nisso. Mas tudo bem, tenho certeza de que será interessante mesmo assim! – ela sorriu e o patriarca da família sorriu de volta.

- Será, sim! E vocês podem conhecer o clube por que eu e o Chika somos responsáveis! Ficamos na sala que Taka-nii e o Host Club usava, mas acabamos criando um clube de criação de animais. – Satoshi riu.

- Ora, ora, que diferente. – Mei também se divertia, o que fez com que Akira e Takashi sorrissem satisfeitos.

- Satoshi, me diga. Muitas garotas frequentam esse clube de vocês? – o pai dos garotos se ajeitou no sofá e olhou para o filho mais velho com um ar um tanto sério que fez Mei e Mori se entreolharem sem entender.

- Até que sim. Elas adoram bichinhos fofinhos. – o mais novo tinha um ar pensativo.

- Então não acha que você e Yasuchika poderiam usar isso a favor de vocês? – Akira sorriu de forma sugestiva e Satoshi logo entendeu.

Mei tombou a cabeça levemente para o lado, com uma expressão de quem não tinha entendido o assunto.

- Mas tudo de que conversamos é sobre os animais. – Satoshi bateu uma mão fechada sobre a palma aberta da outra, parecendo ter entendido algo – Mas é assim mesmo que deve começar, não é, meu pai?! Já entendi!

- Muito bem, meu filho! – Akira riu, satisfeito.

- Senhorita Mei! – Satoshi projetou levemente o corpo para frente e apoiou as mãos nas coxas ao falar, com uma expressão mais séria do que a garota, que se assustou ao ser chamada, esperava – Diga-me, do que a senhorita mais gosta de conversar?

- Ah… Qualquer coisa, eu acho… Desde que dentro dos limites do bom-senso. – ela pareceu pensar – Não gosto muito de conversar sobre roupas ou maquiagens… Mas gosto de falar sobre jogos, viagens, amigos… Acho que o normal.

- Entendi! Eu preciso conversar sobre experiências passadas para entender qual é o melhor assunto para tratar com elas. E, senhorita Mei, quando você percebeu que gostava do meu irmão?

Mei sentiu as bochechas corarem e olhou brevemente para o moreno alto ao seu lado antes de responder. Ao começar a falar, seus orbes focalizaram um ponto qualquer do outro lado da sala e ela precisou engolir em seco algumas vezes até que a frase saísse direito. Não tinha demorado muito para perceber, na verdade, porque Takashi era exatamente como ela imaginava que seria o seu homem ideal, mas achava que não devia dizer aquilo.

- Foi… No começo do semestre, eu acho… Ah, mas não muito no começo…! – ela olhou novamente para Takashi e então para Satoshi – Mas eu não sabia… Não imaginei que… – ela não conseguiu terminar a frase, baixando o olhar para as próprias mãos, fechadas sobre o colo. Uma delas estava envolvida pela do namorado, o que a fez sorrir levemente de canto. Sentia o rosto fervendo e não conseguia se acalmar.

- Você não imaginou que ele gostasse de você de volta do mesmo jeito? – Satoshi tinha um ar levemente curioso, olhando para o irmão ao terminar a frase.

Mei concordou com a cabeça.

- Como ele estava sempre com Mitsukuni, eu não conseguia falar sobre isso. – Mei desviou o olhar do colo para Satoshi e então para Takashi.

Mori sorriu de canto e afagou as mechas morenas da garota com um carinho que deixou Satoshi encantado.

- Mas deu tudo certo, é isso que importa! – o mais novo sorriu com animação e Mei sorriu de volta quando desviou o olhar para o garoto.

- Sim. – ela ainda sentia as bochechas quentes, mas estava bem mais calma.

- E vocês costumam dormir juntos? – o rapaz tinha um tom inocente ao perguntar, o que fez Akira rir com gosto. Mori e Mei se entreolharam, sem saber o que dizer.

A garota tinha o rosto completamente corado, mas o filho mais velho dos Morinozuka mantinha a expressão indiferente. No entanto, a estrangeira sabia que ele estava sem graça com a pergunta também, pois sentiu a mão dele se fechar por um breve instante ao redor da sua. Satoshi esperava pacientemente, sem entender o que se passava. Apesar de tudo, ainda era um rapaz inocente e não conseguia entender todos os significados que aquela pergunta poderia ter. Mei estão respirou fundo e olhou para o irmão de Takashi.

- Quando eles passam a noite no nosso apartamento… Ou quando nós ficamos nos deles… Sim, nós dormimos juntos. – ela tornou a olhar para as mãos, esperando que aquilo fosse suficiente.

Satoshi sorriu, parecendo se satisfazer com a resposta.

- Isso é incrível! – ele tinha um tom de quem se divertia com a conversa toda.

Akira pediu licença e se retirou, dizendo que às vezes era bom que os jovens conversassem sozinhos, sem ter de se preocupar com o que os adultos vão pensar do que podem dizer. Mei não entendeu o ponto – novamente –, assim como Satoshi. Mori não deu sinais a respeito, mas achou que o pai acreditava que a conversa podia perder o tom inocente. Talvez, ele até esperasse que sim. Takashi, por sua vez, esperava que não.