N/A: Meu deus, 50 capítulos, hahaha. Nunca achei que uma fic minha ia chegar a isso tudo. Mas acho que essa chegaria, cedo ou tarde. Enfim, vamos ao que interessa, não é?


Haruhi não conseguia se acostumar com o luxo dos Suou, mesmo já estando "naquele mundo" (como ela costumava se referir à realidade dos alunos do Ouran) há bastante tempo. Rouji (ou Ranka, como ele preferia ser chamado quando estava como mulher), por outro lado, parecia extremamente à vontade. Conversava com Yuzuru como se fossem velhos amigos. Tamaki logo tinha se inserido na conversa com a mesma empolgação dos mais velhos.

Quando o grupo chegou à mansão, a matriarca e todos os empregados os esperavam em frente à porta. O carro parou a poucos metros de todos e logo o quarteto desceu. Tamaki olhou ao redor, parecendo levemente decepcionado com algo por um breve instante. Yuzuru e Shizue notaram, se entreolhando com um ar e um sorriso cúmplices. O homem então se aproximou do filho, passando os braços ao redor dos ombros do estudante e sorrindo animadamente.

- Tamaki, tem algo que eu e sua vó gostaríamos que você visse.

O mais novo concordou com a cabeça e se deixou ser guiado pelo progenitor para dentro da residência. Assim que entraram, um som suave e musical se fez ouvir. Sem pensar muito a respeito, Tamaki se soltou do pai e começou a seguir o som do piano até chegar a sua fonte. Uma bela mulher loira estava sentada no sofá, com um rádio pequeno apoiado em seu colo. Ela desligou a música e sorriu para o jovem. Tamaki parecia em choque, mas logo se recuperou e foi em passos largos até a mulher. Os dois se abraçaram com força e o rapaz tinha começado a chorar com a emoção.

- Também fico feliz em vê-lo, Tamaki. – a mulher tinha um tom alegre em sua voz suave e acariciava as mechas loiras do rapaz – É bom vê-lo com saúde. E, muito importante, com uma namorada.

Tamaki se soltou e virou, parando de chorar por um instante. Parada na porta da sala, estava Haruhi (com todos os demais a suas costas). Ela sorria com a cena e Tamaki sorriu de volta, indo até a garota e a abraçando. Haruhi abraçou o loiro de volta por alguns segundos, mas logos os dois se soltaram. A mulher loira se aproximou do casal e afagou os cabelos dos dois mais novos, sorrindo ao falar.

- Vocês dois realmente ficam bem juntos.

- Obrigado, mamãe. – Tamaki sorria de volta, segurando carinhosamente a mão de Haruhi – Também é ótimo vê-la.

- Vocês devem estar com fome. Pedi para prepararem seus pratos preferidos, Tamaki. – Anne-Sophie sorriu amorosamente para o filho e indicou que fossem almoçar.

Logo todos os funcionários voltaram a seus afazeres, enquanto a família comia.


Depois do almoço, Tamaki e Haruhi decidiram dar uma volta pelo jardim com a mãe do rapaz. Como ela tinha a saúde muito frágil, dificilmente podia sair, de forma que, agora que melhorava, sentia vontade de sair para passear pelo jardim pelo menos uma vez por dia. Os três conversavam animados sobre coisas levianas, como quanto o dia estava bonito mesmo sendo inverno ou o quão bem os jardineiros cuidavam do jardim. Tamaki comentava algo sobre a paisagem que tinha de sua janela do apartamento em Boston quando latidos se fizeram ouvir cada vez mais próximos.

- Ah, Antonieta! – Tamaki se abaixou e abraçou o animal. Apesar de tê-la levado para os Estados Unidos, o rapaz sempre se empolgava.

- Ora, então ela é sua? – Anne-Sophie sorriu e se abaixou ao lado de Antonieta, lhe afagando os pelos.

Antonieta começou a lamber o rosto de Tamaki até que o loiro caísse no chão e então passou a lamber o rosto da mulher, que riu e tentou se afastar, mas as patas do animal em suas pernas a impediam de levantar.

- Pare com isso, Antonieta. – Anne-Sophie ria ao falar – Pare, pare. Já chega.

Tamaki, após se recuperar, se pôs em pé e bateu as mãos para chamar a atenção do cachorro. Uma vez livre, a senhora Grantaine se levantou, ainda rindo. Haruhi ainda ria da cena toda, indo afagar os pelos de Antonieta com Tamaki. Da janela, o senhor Suou via a cena, sorrindo de canto. Era bom ver todos se dando tão bem. Pensava em se juntar aos três mais tarde, mas, por ora, precisava tratar de negócios com sua mãe.

- Yuzuru. – a voz de Shizue era calma ao chamar pelo filho – O chá já foi servido. Sente-se para conversarmos antes que esfrie.

- Sim, mãe. – o homem sorriu para a senhora e se sentou no sofá à frente dela.


Depois de algum tempo desde que tinham começado a andar pelo jardim, Anne-Sophie disse ao casal que iria voltar para dentro da casa, mas que os dois não precisavam se preocupar em acompanhá-la. Ela sorria ao completar.

- Muito pelo contrário, vocês deviam aproveitar que estão sozinhos um pouco.

Haruhi sentiu o rosto ficar vermelho e evitou olhar para Tamaki, que se despedia brevemente da mãe antes de voltar para junto da garota. Ao ver a vermelhidão no rosto da morena, ele sorriu divertidamente e a abraçou, levantando suavemente seu rosto, de forma que os orbes castanhos logo fitaram os azuis. O rapaz tinha a voz suave ao falar, mas estava visivelmente se divertindo.

- O que foi, Haruhi? Por acaso ficar sozinha comigo ainda lhe incomoda?

- Não é nada disso…! – Haruhi se soltou do abraço e se afastou, virando o rosto. "Perto demais…!", ela respirou fundo e tornou a olhar para o loiro – Só… Só não esperava que sua mãe dissesse uma coisa dessas…

Tamaki riu brevemente e colocou as mãos nos bolsos, tornando a se aproximar da garota.

- Eu também não, na verdade. – ele sorria e Haruhi sorriu de volta inconscientemente – Mas ela não quis dizer nada de mais.

- É. Tem razão. – foi a vez da morena de rir – E então, quer continuar andando pelo jardim? Ou prefere fazer outra coisa?

- Tem um lugar que eu gostaria de te mostrar, Haruhi. – Tamaki estendeu a mão para a pequena, que aceitou.


Em uma parte afastada do jardim, aonde os integrantes da família raramente iam, mas de que os jardineiros cuidavam com o mesmo vigor, havia alguns bancos de pedra e uma pequena banheira de pedra para pássaros. Alguns aproveitavam da água fresca, cantando alegremente. Haruhi sorriu ao ver o lugar, mais florido que o resto do jardim, e se dirigiu a um dos bancos, observando as aves com um sorriso pequeno. Tamaki se sentou ao lado dela, também sorrindo.

- Achei que fosse gostar. – ele tinha o tom suave ao falar, atraindo a atenção da garota.

Quando a morena ia dizer alguma coisa, Tamaki, que olhava para a banheira de pássaros com um ar tranquilo e um tanto distante, continuou, sempre com o mesmo tom de voz.

- Eu gosto de ver todos reunidos. É bom poder ver o quanto todos estão felizes e que nossas famílias se dão bem. Eu… – ele respirou fundo e fechou os olhos por um momento. Ao tornar a falar, Tamaki abriu os olhos, mas continuou olhando para as aves se banhando – Eu tinha medo de isso não acontecer…

Haruhi olhava com admiração para o rapaz, pensando em quão diferente ele estava naquele momento. Quão maduro ele parecia. "Ele podia ser assim mais vezes…", ela sorriu de canto e colocou uma mão sobre a do loiro, que olhou levemente surpreso para ela. Haruhi sorriu de volta, deixando apenas os sons da natureza preencherem o silêncio durante alguns segundos.

- É realmente bom ver todos felizes. – ela baixou os orbes castanhos para os dedos enlaçados – A casa fica animada, não é? Mas… – ela fitou os orbes azuis, imaginando se devia continuar. Por fim, achou que era o melhor a fazer, já que tinha começado a frase – Também é bom poder ter momentos assim com você, Tamaki-senpai.

Tamaki sentiu as bochechas esquentarem um pouco, mas sorriu para a morena e a abraçou com força.

- Haruhi, você fica uma gracinha assim! – ele tinha um tom animado ao falar e riu ao ouvir que ela também ria- Uma verdadeira gracinha!

- Já entendi, já entendi! – Haruhi tentava se soltar, mas sem muito sucesso. Seu tom de voz e o riso delatavam que, mesmo tentando se livrar do abraço, ela se divertia com a situação.

O loiro desfez o abraço após alguns segundos, sorrindo para a mais nova.

- Bom, vamos voltar? Daqui a pouco vai começar a escurecer, é melhor entrarmos.

Haruhi concordou com a cabeça. Tinha acabado de se levantar quando Tamaki a puxou suavemente pela mão e a beijou. Apesar de sentir as bochechas esquentarem, a garota retribuiu ao gesto. Quando os rostos se separaram, cada um tinha um sorriso discreto, mas suficiente, desenhado nos lábios. Então o rapaz se levantou e, com as mãos dadas, os dois voltaram para a mansão.


Quando o casal voltou à mansão, Anne-Sophie, Shizue, Yuzuru e Ranka estavam na sala, tomando chá e conversando sobre os mais diversos assuntos. A matriarca da família foi a primeira a notar a aproximação dos mais jovens, abaixando a xícara e a deixando apoiada no colo. Apesar da expressão séria (sua expressão rotineira, de forma que todos já tinha se acostumado), ela tinha um tom suave na voz.

- Ah, Tamaki, que bom que chegou. Sua mãe estava comentando que não o ouve tocar piano há muito tempo. Por que não toca um pouco para nós?

O loiro sorriu e concordou, indo até o órgão e se sentando sobre o almofadado. Haruhi se sentou no sofá ao lado do pai e todos olhavam para o filho dos Suou com um pequeno sorriso nos lábios. Em segundos, os dedos de Tamaki começaram a percorrer as teclas, enchendo o cômodo com uma música alegre, mas suave. Ele sorria enquanto continuava a tocar e a melodia atraiu a atenção dos empregados, que logo tinham ido ver o que se passava. Quando Tamaki acabou, Anne-Sophie se levantou e foi alegremente até o filho, o abraçando com força e falando com um tom empolgado.

- Ah, meu filhinho, você cresceu tanto! Está tocando tão bem!

O rapaz sorriu largamente e agradeceu, perguntando se queriam que ele tocasse mais alguma coisa. Alguns empregados – após se desculparem pela intromissão – sugeriram algumas músicas, mas foi a sugestão da senhora Grantaine, que continuava abraçada com força ao filho, a acatada. A mulher bateu uma mão na outra com empolgação quando ouviu a decisão de Shizue, tornando a se sentar no sofá com um sorriso empolgado no rosto. Tamaki e Haruhi se entreolharam e riram levemente antes de o loiro tornar a se virar para o instrumento e começar a tocar.

A melodia, dessa vez, era bem mais animada, bem mais alegre, e logo preencheu a casa toda. Antonieta, que comia despreocupadamente na cozinha, foi correndo até a sala para se juntar ao grupo e se esparramou no chão diante de Yuzuru e sua mulher, olhando enquanto Tamaki tocava. A concentração do rapaz enquanto ao piano era admirável e o animal parecia entender que não devia atrapalhar seu dono. O senhor Suou acariciou brevemente os pelos dourados de Antonieta antes de voltar a fitar o filho.


O tempo passou depressa e o dia logo tinha ido embora. Os mais velhos já tinham se recolhido e sobravam apenas Haruhi e Tamaki acordados na mansão. Os dois estavam na sala, conversando, com Antonieta deitada aos pés do dono. O céu estrelado iluminava fracamente o cômodo, mas nenhum dos dois se preocupou em acender as luzes. Gostavam do encanto que aquela iluminação natural dava às coisas. Então Haruhi olhou brevemente o relógio pendurado na parede, se levantando do sofá.

- Acho melhor irmos dormir, senpai. – ela ajeitou a roupa e olhou para o loiro.

Tamaki pareceu levemente decepcionado por um momento, mas logo se recompôs e concordou com a cabeça.

- Dessa vez vai dividir o quarto comigo? – ele sorriu ao falar, se lembrando de que, quando o grupo foi para Barcelona, os dois dormiram separados.

Haruhi corou levemente e se virou, começando a se afastar.

- N-não foi o que eu quis dizer.

Tamaki se levantou e foi atrás da garota, abraçando-a e falando com um tom suave.

- Então você não quer dormir comigo? – ele sorria e ela pôde facilmente perceber pela forma como ele falava.

- P-pare com isso…!

Tamaki riu e soltou a garota.

- O que você está imaginando, Haruhi? – ele tinha um tom levemente zombeteiro e riu ao ver uma Haruhi vermelha como tomate se virar com o cenho franzido e sem conseguir falar – Só estou dizendo para dormirmos abraçados! – ele voltou ao seu tom infantil de sempre, sorrindo como uma criança.

A morena respirou fundo e voltou a andar, sem saber o que responder. Apesar de tudo, ainda se impressionava com as mudanças do loiro. Não sabia quando ele estava falando sério ou não sobre algumas coisas relacionadas a eles, o que a angustiava. Tamaki soltou um breve riso e foi atrás da garota. Apesar de tudo, os dois sorriam de canto enquanto caminhavam no mais profundo silêncio para o quarto.

Naquela noite, os dois dormiram profundamente, sem se soltarem um do outro em nenhum momento.