- Meu deus, eu não sirvo mais para esse tipo de coisa. – Anastácia se espreguiçou e se deixou cair na cama, sem se preocupar com a maquiagem ou com o vestido.

Kaoru riu, sentando-se ao lado da garota sem o paletó e com os dois botões da camisa mais próximos do pescoço abertos.

- Mas foi bem divertido. – ele sorria e afagou as mechas castanhas da garota.

- Bom, foi. – ela se virou para o rapaz, ficando com as bochechas rosadas – Por que você tem que ficar tão bonito com essa roupa…?

O ruivo se surpreendeu com o comentário, mas logo sorriu com satisfação.

- Você acha?

Anastácia revirou os olhos, rindo, e se levantou.


- Hikaru! Hikaru! – Catarina batia na porta do banheiro pela enésima vez – Que coisa! Fala comigo!

O rapaz, sentado no chão do banheiro e com as costas apoiadas na porta, dobrou as pernas e as abraçou. Precisava se acalmar antes que fizesse alguma besteira. Especialmente depois de ter passado a festa toda se esforçando para se controlar. Ele apoiou a cabeça nos joelhos e respirou fundo, contando lentamente de um a dez. "Droga, por que ela tinha que ficar tão atraente com aquele vestido…? Aposto que a mamãe fez isso de propósito…!", ele fechou as mãos com força. "Não. Não… Acalme-se, Hikaru…", ele inspirou profundamente e levantou o rosto, fitando o teto.

- Hikaru! Fala o que houve! Hikaru! – Catarina, frustrada, deixou a mão cair ao lado do corpo – Hikaru…

O ruivo suspirou e se levantou, abrindo a porta. A garota tinha uma expressão chorosa e o rapaz sorriu de canto, abraçando-a carinhosamente. A loira levou alguns segundos, mas logo tinha retribuído o abraço fortemente. Ficaram daquele jeito por alguns segundos, em um silêncio profundo, mas não opressor. Então a estrangeira se afastou e fitou os orbes cor de mel do rapaz. Ela tinha uma expressão infantil de irritação ao falar.

- Você é um idiota! Um grande idiota!

Hikaru riu.

- Eu sei. Desculpe. – antes que Catarina pudesse responder, ele se abaixou e lhe beijou.


- Mitsukuni, você não precisava vir conosco se vai dormir na casa da Reiko. – Jenna parecia se divertir com o estado avoado do amigo – Yasuchika seria uma escolta mais que suficiente.

O mais novo revirou os olhos, enquanto o mais velho apenas sorriu. Jenna riu levemente do amigo e então fitou o aluno colegial. Nem ela nem Nathan sabiam o que tinha acontecido. Tinham se surpreendido por ele ter saído da mesa, então o brilho diferente em seus olhos e, muito mais, a confirmação de que tinha se divertido tinham sido um tanto chocantes. De um jeito bom, mas ainda chocantes. Jenna sabia que aquilo representava uma evolução e que o patriarca da família ficaria satisfeito. Provavelmente também orgulhoso. Ela sorriu de canto com a ideia.


Mei terminou de trocar o vestido pelo pijama pouco antes de baterem na porta do banheiro. Era Satoshi avisando que o patriarca gostaria de vê-la logo após o almoço no dia seguinte. A garota agradeceu sem perguntar nada apesar do estranhamento. O mais novo sorriu e lhe desejou uma boa noite antes de se retirar para o próprio quarto. A estrangeira o acompanhou brevemente com o olhar antes de ir para o quarto de Takashi.

- Satoshi estava lhe procurando. – Mori sorria suavemente de canto ao falar.

- Ah, acabei de me encontrar com ele. Seu pai quer me ver amanhã. – ela sorria de volta – Só não imagino para quê.

Mori afagou as mechas da garota, olhando-a como se dissesse para não se preocupar.


Assim que Kyouya e Hana entraram na casa, uma das empregadas foi dizer ao rapaz que o que ele pedira antes de saírem já estava providenciado. O moreno agradeceu e um silêncio estranho, mas diferente do pesado que estava no carro, ficou entre o casal. A garota olhou para o outro com o cenho franzido, mas não disse nada. Em vez disso, deixou a bolsa sobre o sofá e foi buscar um copo d'água. Kyouya fitou suas costas por alguns segundos antes de ir atrás.

- Hana. – apesar da firmeza, o tom do moreno era levemente reticente.

Ela se virou com o copo em mãos e um ar cansado. Olhou o rapaz longamente antes de perguntar o que tinha acontecido.

- Nós precisamos conversar. – ele estava visivelmente incomodado com algo.

Hana tirou o xale que tinha lhe cobrindo as costas e os ombros durante a noite toda e o deixou sobre o banco mais próximo. Ao se virar para deixar o copo sobre a pia, suas cicatrizes atraíram o olhar do moreno. Kyouya franziu o cenho. Então Fuyumi sabia o que tinha acontecido, por isso tinha dito que "os colegas delas eram idiotas". Ele suspirou, mas continuou parado à porta. Por fim, a estrangeira se virou para o namorado e se manifestou.

- Eu estou cansada agora, Kyouya. Mas parabéns por tanta iniciativa. – seu tom era levemente irônico ao acabar de falar e ela sorriu de canto.

O rapaz arqueou uma sobrancelha, ainda de cenho franzido, mas não a impediu de sair e subir para o quarto. Enquanto isso, os erros continuavam a acumular. Logo Hana tinha descido novamente as escadas e parado diante do anfitrião. Antes que qualquer coisa pudesse ser dita, a garota levantou a mão e desferiu um tapa na bochecha de Kyouya.

- Olhe para mim. – ela falava entre os dentes, controlando-se para não gritar.

Kyouya, que tinha mantido o rosto virado depois do tapa ardido que recebera, tornou a fitar a morena diante de si. O silêncio era pesado, raivoso. Era um silêncio que dizia tudo e nada ao mesmo tempo. Kyouya sentia como se infinitas micro agulhas lhe espetassem todo o corpo, mas não reagia. Hana respirou fundo antes de voltar a falar.

- Nunca mexa nas minhas coisas sem permissão. Muito menos as transfira para o seu quarto. – então ela se virou e voltou para o cômodo.

Quando Kyouya subiu para o próprio quarto e encontrou a porta trancada, entendeu o recado: seu plano foi um fracasso total.


O relógio marcava duas horas da tarde. Anastácia estranhou ao encontrar a cama vazia ao acordar. Mesmo considerando que já estava tarde, ela devia ter levantado antes de Kaoru. A garota piscou algumas vezes e se sentou, prestando atenção no ambiente ao seu redor. A casa estava quieta. Apenas os pássaros cantavam do lado de fora. Aquilo não era normal. A garota saiu da cama e se dirigiu à porta do quarto. Não precisava se preocupar com o fato de que ainda estava de pijama, já que a família dos gêmeos era bem descontraída. Quando chegou à cozinha, estando minimamente apresentável, encontrou Catarina beliscando um bolo.

- Boa tarde, Cat. – Anny sorriu e se sentou ao lado da amiga.

- Ah, oi! – a loira sorriu de volta – Quer um pedaço de bolo? – ela estendeu o prato para a morena, que negou com a cabeça.

- Onde está todo mundo? A casa parece deserta.

- Nem ideia. – a mais nova engoliu um pedaço de bolo antes de continuar – O Hikaru não estava mais na cama quando eu acordei. – ela estranhou quando a outra franziu o cenho – Por quê? O Kaoru também já tinha levantado?

Anny concordou com a cabeça.

- Ele não falou nada sobre sair hoje. – a morena se levantou e foi pegar um copo d'água – O Hikaru falou algo?

Catarina negou.


Kaoru tinha acabado de jogar o travesseiro no rosto de Tamaki quando Haruhi voltou da cozinha com o chá. Hikaru esbravejava, mandando o loiro levar o assunto com mais seriedade. A morena suspirou e deixou as bebidas sobre a cômoda antes de perguntar se os gêmeos tinham certeza do que estavam falando. Kaoru se ajeitou sobre a cama do rei do Host Club, fitando a amiga com o cenho franzido.

- Absoluta. O Kyouya-senpai contou o que houve para mim e para Anny durante a festa. A Hana estava dançando com um rapaz do Ouran. – ele quase disse "nossa escola", sentindo um misto de saudade e alegria ao pensar que não eram alunos de lá naquele ano – A Anny falou algo como "você não sabe se comunicar" para o Kyouya-senpai, mas eu não tenho certeza do que ela quis dizer.

Hikaru interveio.

- Se eles terminarem, o Kyouya-senpai vai fazer das nossas vidas um inferno! Isso sem falar que será como Barcelona pelo resto da vida! – o gêmeo mais velho se referia à relação de Kyouya e Nanako e todos entenderam.

- A Hana-chan gosta tanto do Kyouya…! – Tamaki tinha um tom dramático.

- Tem que gostar mesmo para aturar aquele lá tanto assim. – os gêmeos se entreolharam e deram de ombros.

- E o que vocês têm em mente? – Haruhi perguntou antes que Tamaki pudesse reclamar do comentário dos ruivos, sem ter certeza de que queria saber a resposta.

- Forçar o Kyouya-senpai a agir. – os gêmeos abriram um largo sorriso diabólico que fez os amigos estremecerem.

- O rapaz que tirou Hana para dançar é da sala da Reiko-san. – Kaoru começou a falar.

- Ele se chama Sora e tem uma irmã na turma 2-D, o mesmo ano de Satoshi e Yasuchika. – Hikaru complementou. Ele e o irmão passaram a se revezar para falar.

- Aparentemente, ele gostaria de sair um dia com ela, já que as valsas foram divertidas. O fato de a Hana ter beijado a bochecha dele deve ter influenciado bastante.

Haruhi e Tamaki se entreolharam surpresos.

- A ideia é marcar um encontro entre os dois. – Hikaru parecia satisfeito – E fazer com que o Kyouya-senpai veja.

- A Hana vai se divertir. O tal de Sora vai se esforçar para isso. E ela com certeza vai fazer de tudo para tirar o máximo de proveito. – Kaoru sorria largamente com a ideia. Larga e diabolicamente.

- Desse jeito, o Kyouya-senpai vai ter duas opções: tomar uma atitude ou desistir e deixar a Hana livre.

- Sinceramente, eu aposto na primeira opção. Ele pode não gostar de agir diretamente, mas gosta menos ainda de perder.

- Perder a Hana seria uma derrota insuportável para ele. – os gêmeos concluíram em uníssono, sorrindo satisfeitos com o plano.

- De fato… – Haruhi tinha um ar pensativo – Mas ele não preferiria se ela tomasse a iniciativa?

- Mas ta na cara que ela não vai. – Kaoru gesticulava com a mão indicando que a possibilidade de ocorrer o que a amiga dizia era nula – E o Kyouya-senpai precisa ter mais atitude se não quer perder a Hana. – ele estava repetindo o que tinha ouvido diversas vezes de Anny.

Os demais concordaram.

- Um casal de teimosos. – Hikaru suspirou.

- E como vocês pretendem fazer isso funcionar? – Haruhi olhava com um ar levemente descrente para os amigos.

- Do mesmo jeito que descobrimos tão rápido tudo sobre ele. – Kaoru sacou o celular e mostrou a agenda – Pelo telefone.

Tamaki e Haruhi olharam para a tela. O número selecionado estava identificado pelo nome "Sora" acompanhado da sala do rapaz. A garota franziu o cenho, temendo o que poderia ouvir se perguntasse como eles tinham conseguido o número de um rapaz que nem conheciam até a noite anterior. O loiro, por sua vez, pareceu achar a ideia fantástica, incentivando os mais novos a continuarem com o plano.

- Pensamos em marcar no parque de diversões, porque a Hana vai aproveitar mais. – Hikaru cruzou as pernas sobre a poltrona em que estava e apoiou os braços nas coxas – E temos uma boa desculpa para arrastar o restante do pessoal.

- Mas vamos chamar todo mundo? – a garota franziu o cenho.

- O Kyouya-senpai não vai aceitar se chamarmos apenas ele. E é só dizermos para os outros o propósito de tudo isso. Tenho certeza de que vão todos colaborar. – Kaoru sorria.

Haruhi suspirou. Talvez desse certo.


- Parque de diversões? – Sora franziu o cenho. Não estranhava falar com um dos gêmeos pelo celular depois da "entrevista" que os ruivos tinham feito.

- Exato, meu caro Sora! – Kaoru estava animado do outro lado da linha.

- É um ótimo lugar! Ela vai se sentir mais à vontade! – Hikaru completou.

O rapaz suspirou. Ainda achava que tinha algo de estranho naquela empolgação toda dos mais velhos, mas… Era uma oportunidade e não podia perdê-la, de forma que acabou concordando. Os gêmeos comemoraram e disseram que avisariam dos detalhes depois de falar com a garota. Sora desligou o aparelho, mas ficou olhando para a tela por mais algum tempo.


O grupo todo foi sendo avisado durante o dia, exceto Hana e Kyouya. Para a garota, os gêmeos disseram apenas que ela "devia sair com o Sora uma vez para relaxar", já que isso a isentava de ficar na presença de Kyouya. A garota reclamou que os gêmeos estavam se intrometendo em assuntos que não eram pertinentes a eles, mas acabou aceitando. Para Kyouya, tinham dito apenas que queriam repetir a experiência do parque de diversões e o moreno estava intimado a ir.

- Bom, isso é tudo. – Kaoru fechou o celular depois de terem convencido Kyouya sobre o passeio.

- Temos dois dias mais aguentando esse clima entre eles, mas vai dar certo. – Hikaru tinha um ar confiante que fez os outros três sorrirem.

- Só espero que o tal Sora não jogue todos os nossos esforços fora. – Kaoru suspirou, mas logo deu de ombros.

- Aliás… – Haruhi tinha um ar pensativo – O que acontece se a Hana-san achar o Sora-san mais interessante?

Os gêmeos se entreolharam. Não tinham pensado naquilo. Hikaru foi o primeiro a se manifestar.

- Não vai acontecer. – "Não pode acontecer…", ele sorriu, ainda tentando manter o ar confiante de antes.

Haruhi olhou para o ruivo se perguntando o quanto ele acreditava no que dizia.


N/A: como eu não terminei de madrugada, não tem nota retardada, hahaha. Mas fica a pergunta… Ou melhor, as perguntas. O que vocês acham que aconteceu entre o Kyouya e a Hana? E o que vocês acham que vai acontecer nesse parque de diversões? (musiquinha de suspense) Hahaha, ok, chega. Kissu.