N/A: um capítulo chocho, bem mamão-com-açúcar pra alegrar os corações (que?) nessa noite de... Segunda, hahaha. Mas achei bonitinho. Às vezes é bom não colocar tragédias e estragos na história, não é? Hahahaha


O grupo tinha dormido na casa de Hani e, exceto por Tamaki e Haruhi, todos ainda estavam na residência dos Haninozuka. Naquele momento, Hana estava sentada na varanda, olhando o jardim interno da família com um ar tranquilo. A pedidos do patriarca, as garotas estavam todas usando quimonos. A morena tinha gostado da ideia, já que não tinha muitas oportunidades de usar aquele tipo de vestimenta. A garota estava tão distraída que se assustou quando alguém se sentou ao seu lado.

- E aí, já falou com, o Kyouya-senpai? – Kaoru sorria tranquilamente, rindo ao ver a expressão assustada da amiga.

- Meu deus, Kaoru…! – Hana respirou fundo para se acalmar antes de olhar para o ruivo – E não, ainda não… – ela suspirou.

O rapaz franziu o cenho. Os dois deviam ter aproveitado a noite para conversar a respeito. Era o mais lógico. Ele e Anastácia tinham apostado, não literalmente falando, que os amigos já teriam posto tudo em pratos limpos até a manhã daquele dia. Kaoru desviou o olhar da amiga para o jardim e se levantou, estendendo a mão para a garota. Ao ver a expressão de desentendimento dela, ele apenas sorriu e disse que confiasse nele.

- Não que eu não confie, mas eu não faço ideia do que você planeja e isso pode ser um tanto quanto ruim. – ela arqueou uma sobrancelha.

Kaoru riu.

- Está tudo bem. Apenas venha comigo.

Hana suspirou, segurando na mão do mais novo e se levantando. Os dois caminharam até o pequeno lago que havia no centro do jardim, congelado naquela época do ano, e pararam sob a árvore que havia do lado. O ruivo levantou o olhar para os galhos secos e ficou um breve instante em silêncio. Hana esperava pacientemente, imaginando a razão de tudo aquilo. Por fim, os orbes cor de mel fitaram os negros e a voz do rapaz saiu suave quando ele começou a falar.

- O que você pensou quando o Kyouya-senpai te abraçou no parque ontem?

- Bom… – Hana desviou os olhos para o lago – Que ele estava sendo egoísta. Mas o Sora disse que era como um pedido de desculpa. – ela tornou a olhar para Kaoru – Mas eu ainda espero que ele verbalize isso.

O ruivo concordou com a cabeça.

- Seria bom se ele dissesse, de fato. Mas acho que seria melhor se, dessa vez, você tomasse a iniciativa.

- Meu deus, você parece a Anny falando. – a garota riu – Vocês passam tempo demais juntos. Isso não vai fazer bem pra minha saúde.

Kaoru riu também, concordando com o comentário. De fato, o casal andava bastante junto. Especialmente porque estava de férias. Mas ele, obviamente, não achava aquilo ruim. Passou alguns segundos fitando Hana, percebendo que havia algo mais que a garota queria dizer, mas não parecia achar as palavras certas. Ele esperou em silêncio, dando a ela o tempo de que precisava. Por fim, a garota respirou fundo e falou o que estava em sua mente.

- Eu sei que eu exagerei, mas não acho que eu tenha pedido algo que seja demais para ele. Se o Kyouya não for capaz de entender algumas coisas básicas, cedo ou tarde vamos chegar a um ponto insuportável. – ela deu um sorriso triste.

- Eu sei que é difícil, mas tenha calma com ele. Sabe como é, o Kyouya-senpai nunca foi muito… Muito bom com esse tipo de coisa. E não podemos dizer que tínhamos um grande envolvimento com as garotas no Host Club. – Kaoru sorria de forma sincera ao falar e afagou as mechas negras da amiga quando ela concordou com a cabeça – Não demore muito para conversar com ele.

- Eu sei, eu sei…


O dia passou depressa e logo cada um tinha voltado para a própria mansão – ou, no caso das garotas, para a mansão em que estava hospedada. Os gêmeos conversavam animadamente com Catarina e Anastácia sobre os mais diversos assuntos, enquanto Mori e Mei voltavam em um silêncio profundo, mas agradável. A garota estava preocupada com os amigos, por isso não conseguia manter uma conversa. Acabava se distraindo facilmente. Mas o Morinozuka não se importava. Kyouya e Hana, por sua vez, estavam imersos em um silêncio constrangido, como se nenhum dos dois soubesse o que dizer.

Somente quando chegaram à casa dos Ootori que a garota conseguiu chegar a um acordo com seu cérebro, resultando em um suspiro longo que fez o moreno olhá-la com o cenho franzido. A morena coçou brevemente a nuca antes de perguntar se o rapaz podia esperar no quarto para conversarem. Kyouya não disse nada, apenas se dirigindo ao cômodo. Hana agradeceu mentalmente por aquilo e foi até a cozinha pedir que alguém preparasse um pouco de chá para eles.

- Fuyumi…?! – a voz da garota saiu esganiçada ao ver a Ootori passeando pela cozinha.

- Ah, Hana-chan! – a mulher sorriu e foi cumprimentar a mais nova, abraçando-a com força – Estava ficando preocupada!

- Ah… Bem… O que você está fazendo aqui tão repentinamente…? – Hana se esforçava para soar o mais amigável que conseguia e ficou aliviada ao ver-se livre do abraço.

Fuyumi sorria largamente ao falar.

- Eu vim ver como vocês estão. E pegar os vestidos. Na verdade, eu quero saber como foi a festa. Você está tão linda naquele vestido! O Kyouya é um idiota se não ficou encantado com você. – ela puxou uma cadeira e se sentou, olhando para a garota – Por falar nisso, onde ele está?

- Lá em cima, no quarto. Nós acabamos de chegar da casa do Mitsukuni. – Hana franziu o cenho, perguntando-se o motivo daquilo tudo.

- Ora, então ele não pode nos atrapalhar! Vamos, conte como foi a festa! – Fuyumi indicou que a garota se sentasse também.

- Na verdade, eu…

Mas Hana não teve tempo de terminar. O Ootori mais novo apareceu na porta e ia perguntar o motivo da demora quando seus orbes focaram a irmã. Kyouya franziu levemente o cenho ao perguntar o que ela estava fazendo ali quando deveria estar com seu marido. Fuyumi revirou os olhos brevemente antes de dizer que o irmão se preocupava demais com aquilo.

- Não é apropriado que você passe tanto tempo aqui. Se for pelos vestidos, eu já pedi que Hotta os levasse para sua casa. – Kyouya ajeitou os óculos.

- Eu queria conversar com a Hana-chan! – a mais velha fez uma expressão chorosa.

- Bom, na verdade, eu estou um pouco cansada agora, mas podemos marcar um dia para conversarmos sobre o que você quiser, Fuyumi. – Hana sorriu, aliviada pela intervenção do rapaz.

- Droga… Mas tudo bem. Então eu volto outro dia! – Fuyumi se levantou e saiu, acenando para o casal alegremente.

Hana respirou fundo e sorriu para o rapaz. Então lhe segurou carinhosamente a mão, enlaçando os dedos com os dele. O moreno não pareceu se incomodar com aquilo. Na verdade, parecia perfeitamente confortável com aquilo. Tranquilo, até. A garota sorriu de canto. A conversa, aparentemente, correria sem problemas. Ela esperava, pelo menos, que não houvesse mais nenhum problema.


Hana se sentou no centro da cama e olhou fixamente para Kyouya.

- Acho que já adiamos isso demais. – ela sorriu de canto e ele, apoiado na parede ao lado da janela com os braços cruzados, concordou com a cabeça – Desculpe por ficar usando tudo que fosse possível pra te provocar. Mas eu achei que só assim eu conseguiria provar o ponto.

Kyouya franziu levemente o cenho. Aquilo realmente o incomodava, mas ele acreditava que tinha entendido aonde ela queria chegar.

- Kyouya, você entendeu qual foi o problema inicial, certo? – ela tinha um tom hesitante ao perguntar.

Ele ficou alguns minutos em silêncio, repassando diversos diálogos mentalmente. Por fim, olhou fixamente para a garota, falando com um tom suave que não era nem de longe o seu tom indiferente de sempre, o que reconfortou a estrangeira.

- O jeito como eu falei. – Hana sorriu com certa satisfação, de forma que ele continuou – Mas seria realmente importante se você aceitasse, Hana.

- Eu sei. – ela se ajeitou na cama e indicou que ele se sentasse ao seu lado. Quando o rapaz o fez, ela prosseguiu – Mas eu não vou fazer as coisas porque você mandou que eu fizesse. É importante que você peça. Nós não temos um relacionamento de submissão. Eu sei que você deve estar acostumado a ter o que quer do jeito que quer, mas não é assim que as coisas vão funcionar entre nós. E se eu já tivesse alguma coisa programada? Alguma coisa que fosse importante para mim, para a minha carreira. – ela fez uma pausa, mas o moreno não se manifestou. Ela respirou fundo antes de continuar – Eu vou te dar total apoio, mas essa é uma via de mão dupla.

Kyouya fitou os orbes negros da garota, ficando em um silêncio profundo por alguns segundos. Naquela vez, Hana também se manteve quieta. Aquilo devia ser uma conversa, não um monólogo. Então o rapaz lhe tomou delicadamente as mãos antes de começar a falar. Ele entendia que, na próxima vez, deveria começar perguntando se ela já tinha alguma coisa programada no dia e se ela aceitava o que ele tivesse para propor. Estava acostumado a fazer as coisas a seu próprio jeito, sempre visando manter as aparências e conseguir todo o benefício ou lucro que pudesse.

Hana riu levemente ao notar o constrangimento do rapaz, segurando-lhe firmemente as mãos.

- Não precisa ficar assim. Eu não vou "pular fora" por qualquer coisa. Eu sei que isso tudo é… Novo, vamos dizer assim, para você. Eu vou tentar levar as coisas com toda a calma que eu puder, mas não posso esperar para sempre até que algumas noções básicas de um relacionamento entrem na sua cabeça.

Ele entendeu o que aquilo significava e fitou a garota com um ar sério.

- Escolha um jeito melhor para isso na próxima vez. – ele tinha, sem perceber, fechado as mãos com certa força ao falar.

Hana, percebendo que aquilo era como se o moreno gritasse que tinha se roído de ciúme por dentro em diversas ocasiões, sorriu com certa satisfação.

- Então me beija. – seu tom era firme e desafiador.

Kyouya olhou sem entender para a garota e ela imaginou se ele engasgaria se estivesse tomando algo. "Provavelmente. O que seria bastante engraçado", ela precisou se controlar para não sorrir de um jeito retardado. O moreno não disse nada, de forma que ela se ajeitou na cama e repetiu, com o tom mais firme que antes, mas se divertindo.

- É sério, me beija. – ela mordeu levemente o próprio lábio inferior para não rir ao ver que o rapaz estava ficando sem graça.

Quando ficou claro que o rapaz não faria nada – o que não demorou muito –, a garota apenas se projetou o suficiente para frente, tocando os próprios lábios nos de Kyouya. Foram precisos alguns segundos, mas logo ele retribuía ao beijo. Naquele momento, eles davam a conversa por encerrada, sem desentendimentos pendentes. Hana sorria internamente com isso, passando os braços ao redor do rapaz. Ao sentir o braço do Ootori em sua cintura, a garota sentiu o coração dar um pulo em seu peito, apesar de não ter muita certeza do motivo.


Anastácia estava distraída lendo um dos livros que tinha levado com um Kaoru adormecido em seu colo. Hikaru brincava com Ageha, que parecia realmente se divertir. Catarina, por sua vez, afundava no sofá, abraçada a uma almofada, preocupada com os amigos. Quando a loira grunhiu pela enésima vez, Anny fechou o livro e olhou para a amiga.

- Quer relaxar? Se eles não tivessem se entendido, a Hana já teria ligado. Provavelmente aos prantos. Está tudo bem. Acredite. – ela sorriu.

- Eu sei, mas… Mas… Ah, sei lá! – a mais nova afundou brevemente o rosto na almofada antes de tornar a olhar para a amiga – Ela podia pelo menos mandar uma mensagem!

- Por que não liga para ela se está tão preocupada assim? – a morena parecia achar graça da preocupação da menor.

- Isso! Eu vou! – Catarina pegou o celular e discou o número de Hana.

- Aliás, eu gostaria de saber como o Sora ficou. Fiquei com dó dele. – Anny se ajeitou no sofá, o que fez com que Kaoru resmungasse.

- Ah, eu também, mas não ia dar certo sem ele. – o telefone chamava do outro lado e a loira aprecia incomodada por ninguém atender – Ela não me…

- Fala, Cat! – a voz de Hana soou animada do outro lado.

- Ah! Hana! Oi! Você parece bem! Isso é bom! – a loira se levantou, deixando a almofada cair no chão.

Hana riu.

- Ficou preocupada? Que bonitinha. Mas ta tudo bem, relaxa.

Catarina ouviu alguém resmungar do outro lado da linha e imaginou ser Kyouya.

- Eu… Não to atrapalhando nada, né…?

- Na verdade, Cat, a gente estava super se agarrando aqui quando você ligou e acabou com o clima. – a morena tinha um tom irônico, mas a outra se desculpou do mesmo jeito – Meu deus, você é muito boba! – Hana riu mais uma vez – O Kyouya ta resmungando alguma coisa aqui, espera um pouco.

Catarina obedeceu, sentindo-se levemente aflita com o silêncio do outro lado da linha.

- Cat? – a mais velha esperou que a amiga respondesse antes de continuar – Ele só disse pra você mandar uma mensagem na próxima vez. – a garota se divertia e a loira logo concordou. Conversaram um pouco mais antes de desligarem, contentes por estar tudo bem.