Era o último dia que o grupo podia aproveitar no Japão. Depois, eles pegariam as malas e ficariam horas em um avião. Justamente por causa disso que Hana e Anastácia convenceram os amigos a voltarem ao Ouran. Seria "a última chance de ver a antiga escola até que terminassem os estudos nos Estados Unidos" foi o que elas disseram. De certa forma, era verdade. E Jenna, Catarina e Mei queriam rever os alunos da escola para ricos. Tinham gostado da popularidade. Quem poderia culpá-las? Mas, naquela vez, eles tinham ido à escola depois do almoço, para a alegria de Kyouya.
Hana sorriu satisfeita quando o grupo entrou na Terceira Sala de Música. Satoshi e Yasuchika (contra sua vontade) tinham providenciado um palco próximo ao pré-existente piano, com os mais diversos instrumentos: um baixo, duas guitarras, um violino, um violão, um violoncelo e um piano elétrico. Mais na frente do palco, em um V bastante aberto, três microfones estavam posicionados. Dependendo do instrumento escolhido, havia espaço suficiente para tocar e cantar. Além disso, havia mais um microfone diante do piano elétrico.
- As roupas que vocês pediram estão lá atrás, no vestiário. – Satoshi sorria animado ao falar. Hana agradeceu e afagou os cabelos do rapaz.
Os antigos ocupantes da sala se entreolharam, confusos. Nenhum deles sabia, afinal, o que tudo aquilo significava. Anastácia e Hana se entreolharam, cúmplices. Sabiam que as amigas acabariam concordando. Afinal, todas elas sentiam falta daquilo. Jenna suspirou e olhou para as responsáveis pela armação como se perguntasse se era uma boa ideia. Mei e Catarina precisaram de um pouco mais de tempo, mas logo a loira se manifestou, com um misto de incerteza e euforia presente na voz.
- Então era por isso que vocês três sumiram no outro dia? Nós podemos mesmo fazer isso?
- Claro que podem! – Satoshi se adiantou, sorrindo largamente ao responder – Eu pedi para a Hana-san e para a Anastácia-san que vocês participassem um dia das atividades do clube para verem como é divertido, já que antes vocês ficaram tão pouco. E foi isso que elas sugeriram!
- Hana. – Kyouya olhou do palco para a namorada – Qual seria a explicação para tudo isso?
Anny sorriu de canto e se dirigiu ao palco. Hana entendeu o que ela queria e foi atrás. Enquanto a primeira assumia uma guitarra, a segunda se dirigiu ao microfone do meio. Sem trocar uma palavra, elas sabiam qual música e qual pedaço representariam. Era assim que as duas funcionavam. Anny tocou alguns acordes para conferir a afinação e então veio a resposta. A garota começou com o instrumental e logo a voz de Hana, mais grave e firme que o normal, soou nas caixas de som da sala.
Nei momenti di sconforto, quando intorno a me
Tutto buio come, come la notte, come le botte,
Come le ferite abbandonate e mai curate,
Ancora aperte (1)
(Em momentos de desespero, quando tudo ao meu redor está
Tudo escuro como, como a noite, como as pancadas,
Como as feridas abandonadas e nunca curadas,
Ainda abertas)
Catarina logo se animou, subindo ao palco também e acompanhando as amigas por alguns versos. Então Anastácia parou de tocar e se virou para a "plateia". Hana e Catarina fizeram o mesmo, sorrindo com satisfação ao verem que Mei e Jenna concordavam com a ideia. Hana desceu, ficando diante do palco, e abriu os braços ao falar.
- Já que estamos aqui, vamos dar a eles um show inesquecível.
Antes de irem para o vestiário, ela viu Kyouya suspirar discretamente, mas não ligou. Aquilo nada tinha a ver com ele. Com nenhum deles. Era algo delas desde muito antes. Se compartilhavam com eles naquele momento, era por se sentirem confortáveis com a ideia, não por buscarem aprovação. Eles não tinham o direito de aprovar ou desaprovar como se pudessem ditar as regras do jogo.
Cinco manequins estavam dispostos lado a lado, cobertos individualmente de forma que não fosse possível ver nem o menor pedaço de tecido ou a ponta do sapato posto ao lado de cada conjunto. Um pequeno alfinete prendia um pedaço de papel no pano, indicando qual vestimenta era para quem. E estavam na ordem indicada por Anastácia. As duas organizadoras se adiantaram, pondo-se entre os manequins e as amigas.
- Parece que eles fizeram mesmo um bom trabalho. – Hana comentou, sorrindo satisfeita ao se virar para as demais.
- Realmente impressionante. – Anastácia foi até o primeiro manequim e segurou o pano – A primeira é a Cat. – ela se virou para a amiga loira – Você e Jenna devem cantar algo em inglês. – ela puxou o tecido, revelando um conjunto de blusa e jeans. Hana fez o mesmo com o manequim do lado, revelando a roupa de Jenna.
A loira se empolgou, indo até o manequim no mesmo instante. Jenna, por sua vez, assobiou ao ver sua roupa. A produção não tinha sido pouca. Catarina ficou com uma jeans preta bastante escura de boca entre larga e reta e com uma blusa frente única, com um decote em "v" bastante "comportado", como as garotas definiram. Era de um laranja meio desbotado e vestia como um casaco, amarrando atrás. O tecido "excedente" na gola caía em suaves ondulações ao redor do pescoço e cruzando o tronco, terminando em uma fita entre o quadril e a cintura para prender em um pequeno laço na lombar. A bota, de cano alto, era cor de café e tinha tiras semelhantes a pequenos cintos espalhadas por toda sua extensão, lhe adornando com suas fivelas douradas.
Jenna, por sua vez, ficou com um vestido. A base era semelhante ao que ela costumava usar: um vestido tomara-que-caia, justo até a cintura e com a saia indo, no máximo, até seu joelho. A parte de trás, no entanto, era comprida e facilmente chegava ao chão. No topo e na cintura, contornando uma faixa preta com brilhos prateados que imitavam estrelas, tiras prateadas davam um ar delicado e ao mesmo tempo festivo para o vestido. A bota que acompanhava o conjunto era de um violeta escuro. A parte frontal, o salto, as fitas que subiam pelo cano alto e os dois "cintos" pouco acima do tornozelo e pouco abaixo do joelho eram pretas nos mais variados materiais. Para contrastar, as fivelas eram prateadas. A garota sentia-se realmente impressionada com o conjunto, o que fez com que Hana e Anastácia sorrissem com satisfação.
- Mei, você vai cantar em japonês. – Anastácia continuou, dirigindo-se ao terceiro manequim e o descobrindo.
O conjunto de Mei era o mais delicado de todos. Era como um quimono curto, indo até seus joelhos, em uma das cores que mais combinava com a garota: coral. Espalhadas pelo tecido, flores delicadas e discretas em um tom rosa mais fraco decoravam o quimono. A faixa que ia à cintura era de um rosa claro, mas não bebê, dando o contraste perfeito. O sapato era fechado na frente, com uma tira para prender no peito do pé enfeitada com um laço. Duas tiras que pareciam cetim estavam presas ao calcanhar para serem enlaçadas na perna e amarradas atrás da batata da perna. Com exceção do laço, que era branco, todo o sapato era cor de creme.
- Por fim, nós. A Anny vai cantar em espanhol. – Hana puxou o pano que cobria o penúltimo manequim – Enquanto eu cantarei em italiano. – ela descobriu o último conjunto.
A roupa de Anastácia era bastante simples em comparação ao resto, mas ela preferia assim. Um macaquinho azul escuro, com a barra do short dobrada para fora de um azul royal. O contorno dos bolsos do short e a gola da blusa eram do mesmo tom da barra, enquanto os bolsos laterais na altura da cintura eram de um azul mais claro. O zíper que ia da gola até o limite entre a blusa e o short era preto, mas não chamava atenção. O sapato era de um modelo parecido com o de Mei, mas não tinha as fitas para amarrar na perna e, no lugar do laço, havia uma fivela dourada. O sapato era cinza, com a sola mais escura em alguns tons.
A base do conjunto de Hana não diferia muito de suas roupas cotidianas também. A blusa era de um vermelho escuro, com a borda das mangas levemente bufantes de um tom mais claro. O corpo da blusa parecia tomara-que-caia, sendo minimamente ligado às mangas. A saia era marrom café, fechada apenas até o meio da coxa em um dos lados. Por cima da saia, presa por uma fivela dourada, havia uma camada mais longa e solta de um tecido mais transparente, entre o cobre e o bronze. Por fim, a bota da garota era marrom cáqui, com o salto em marrom escuro, e ia até acima dos joelhos.
- Claro que nós não vamos cantar apenas cinco músicas. – Anastácia sorria com satisfação e cruzou os braços diante do corpo – Pensamos em colocar uma de abertura, aí cantamos as individuais e então passamos para outras. Fizemos uma seleção prévia só para o caso de vocês não conseguirem pensar em sugestões.
- Pensamos também em tocar várias e várias músicas para entretê-los até a hora de fechar o clube. – Hana sorria alegremente – E é um ótimo jeito de matarmos a saudade dos velhos tempos!
As outras ficavam cada vez mais empolgadas com a ideia e logo o grupo tinha começado a rascunhar uma programação. Ainda tinham algum tempo até o clube abrir e Satoshi iria conferir se elas já estavam prontas para poder apresentá-las devidamente para os clientes. Quanto mais o tempo passava, mais ansiosas elas ficavam.
Do lado de fora do vestiário, os integrantes do Host Club discutiam, em sua maioria, o que as garotas podiam ter armado. Apenas Nathan, Kyouya e Mori não se manifestavam. Satoshi mantinha a si e a Yasuchika afastados propositalmente, a fim de instigar mais a curiosidade dos mais velhos. Hani, Tamaki e Kaoru davam sugestões atrás de sugestões com uma empolgação maior que a normal. Haruhi e Hikaru se divertiam com a situação e, por vezes, sugeriam algo. Mas nenhum deles tinha conseguido pensar com calma suficiente para acertar o plano todo, apenas o que já estava mais que óbvio desde o começo.
"Espero que elas não tenham pensado em alguma coisa absurda", Kyouya ajeitou os óculos e olhou ao redor. Satoshi tinha deixado algumas mesas arrumadas nos cantos da sala, de forma que o centro serviria para que as pessoas se divertissem com os animais. Os que quisessem apenas apreciar o show tinham espaço suficiente para se sentarem e, eventualmente, conversarem. Kyouya tornou a olhar os amigos. A exceção de Tamaki, todos pareciam ter entendido o propósito principal de tudo aquilo. Não era simplesmente subir no palco e cantar. Aquilo representava algo mais para elas.
Algo que eles precisavam entender.
Anastácia terminava de trançar o longo cabelo de Hana enquanto Jenna terminava o alto rabo-de-cavalo em Catarina quando Satoshi apareceu no vestiário. Ele cobria os olhos com a mão "por garantia", como o rapaz mesmo disse ao ser questionado. As garotas riram e responderam que ele não precisava se preocupar. O mais novo, aliviado, olhou para o grupo, parecendo admirado com a produção final. Mei manteve o cabelo normal para combinar mais com a roupa, enquanto Anny tinha prendido a parte correspondente ao meio da franja para trás com uma fivela e Jenna tinha feito uma maria-chiquinha assimétrica, deixando bem mais cabelo para um lado que para o outro, além de deixar o elástico em alturas diferentes.
- Nossa! Vocês ficaram muito legais! O pessoal vai adorar! – Satoshi se aproximou do grupo, olhando com um misto de admiração e encanto para cada uma delas.
As garotas riram.
- Mas não foi por isso que eu vim! – ele se recompôs e voltou para perto da porta – Logo mais vamos abrir e eu preciso saber com que nome apresentá-las.
Hana e Anastácia se entreolharam, sorrindo de canto ao responder em uníssono.
- The Reveriers.
Ao ouvir aquele nome, tão familiar aos ouvidos, as outras três se viraram para as amigas com uma expressão um tanto assustada. Se aquilo significasse o que elas achavam que significava, seria como o renascimento de uma fênix. Antes que a comoção começasse, no entanto, Hana – agora com a trança lateral pronta – e Anastácia se voltaram para as amigas dizendo que precisavam terminar logo a maquiagem para poderem subir ao palco.
Satoshi soltou o microfone central da base e chamou a atenção dos presentes. O clube fazia sucesso, de forma que não demorava muito para encher depois da abertura. O rapaz sentia-se empolgado, sem se importar com o fato de que isso transparecia facilmente em sua voz. Quando o rapaz conseguiu se acalmar o suficiente para começar a falar, todos fizeram silêncio para ouvir o que ele tinha a dizer.
- Hoje temos uma visita muito especial! Eu espero que todos gostem! – ele pigarreou, sentindo-se estranho ao continuar por não estar acostumado com aquilo – Recebam no palco The Reveriers!
O pessoal do Host Club se entreolhou sem entender como elas podiam já ter um nome para o grupo. Assim que Satoshi acabou de falar e voltou a colocar o microfone na base, um burburinho se fez ouvir pela sala toda. Ninguém sabia o que esperar e todos pareceram surpresos ao verem cinco garotas produzidas subirem ao palco. Catarina se posicionou no piano, enquanto Mei ficou no violoncelo. As outras três ficaram com o baixo e as guitarras, posicionando-se diante dos microfones. Anastácia ficou no meio por ter sido escolhida como a responsável por apresentá-las.
- Senhores e senhoritas, boa tarde. – ela começou a falar com um tom suave, sorrindo para os presentes – Muitos de vocês já nos viram antes. Nós somos The Reveriers e estamos aqui hoje para entretê-los. Esperamos que aproveitem.
Antes que o grupo começasse a tocar, Hana se adiantou, sorrindo ao falar.
- Se alguém estiver interessado, nós aceitamos trabalhos. Vocês podem pegar nosso cartão na saída. – ela piscou, visivelmente se divertindo. As outras garotas riram da brincadeira, mas os alunos do Ouran, de forma geral, apenas pareceram não entender.
Anastácia olhou para Catarina, que logo entendeu o recado e começou a tocar. As demais logo seguiram e a voz de Anny soava das caixas de som. Aquela era uma das músicas de que elas mais gostavam. Não porque gostavam da banda, não porque tinha o melhor instrumental que já ouviram. Nenhuma delas achava, na verdade, o instrumental daquela música o melhor de todos. Era porque se identificavam fortemente com a letra.
Alarm souds, eyes open, another day begins
Your routine life awaits you
I'm only getting older
I'm only getting older (2)
(Alarme toca, olhos abrem, outro dia começa
A rotina da sua vida aguarda você
Eu só estou ficando mais velho
Eu só estou ficando mais velho)
A cada estrofe, uma delas cantava. Os alunos ouviam em silêncio, uns impressionados, uns encantados, uns admirados. O grupo delas estava animado. Os gêmeos, Mori e Nathan sorriam com um misto de admiração e satisfação. Haruhi, Tamaki e Hani estavam visivelmente empolgados e os loiros pareciam se controlar para não atrapalharem o show. Kyouya, como geralmente acontecia, estava com uma expressão indecifrável. Hana sorriu com satisfação, começando a sua parte na música.
I've spent too long trying to please everyone
It's time I got selfish and did something
Don't need your opinions, can't hear your objections
Like it or not, this is who I am (2)
(Eu passei muito tempo tentando agradar a todos
É hora de eu ser egoísta e fazer alguma coisa
Não preciso da opinião de vocês, não posso ouvir as suas objeções
Goste ou não, isto é o que eu sou)
N/A: as músicas utilizadas no capítulo foram
(1) La notte - Modà
(2) Change – Dream State
Para achar os desenhos das roupas no photobucket (é só jogar no Google pra achar o link), é só procurar por qualquer uma dessas palavras: capítulo 58, cap 58, ouran, fic, otacraze, otacraze92, o ano de nossas vidas, hana, jenna, jen, catarina, cat, anastácia, anny, mei.
