N/A: andar na rua (na calçada e não, sei lá, tomar um ônibus) pode ser inspirador. Eu devia fazer isso mais vezes.


- Ainda não achou nada, Kaoru? – Hikaru tinha o tom um tanto impaciente e olhava com o cenho franzido para o irmão.

O mais novo negou com a cabeça. Estavam naquilo desde que voltaram do Japão, mas não tinham conseguido nada de interessante. Todos os vídeos que achavam estavam com áudio e/ou imagem de baixa qualidade. Ou muito distantes. O último vídeo que Hikaru tinha achado que podia ser classificado como aceitável estava congelado na tela da televisão. Os gêmeos estavam com um notebook cada e os dois aparelhos estavam conectados à enorme tela que havia na sala. Quando achavam algo que podia ser minimamente interessante, bastava trocar as telas e mostrar ao outro.

- Que droga! Esse também tem um áudio péssimo! Parece mais um gato morrendo. – Kaoru suspirou – Por que esses americanos não se preocupam um pouco mais com qualidade?

Hikaru riu da comparação feita pelo irmão e disse que lhe deixasse ver. O gêmeo mais novo jogou o vídeo na tela da televisão e deu play. Não demorou muito para que o mais velho estivesse gargalhando na poltrona em que estava sentado, pedindo ao irmão que fechasse aquilo antes que ele tivesse falta de ar. Kaoru ria da reação do irmão, logo os livrando do vídeo.

- De fato, esses americanos não sabem o que colocar na internet. – Hikaru respirou fundo e voltou a olhar o computador – Tem de tudo aqui! Mas nada que preste. Desse jeito, vamos ter que cancelar nossos planos.

Kaoru ia responder, mas algo chamou sua atenção. Ele tirou os fones de ouvido que usava e colocou o vídeo para o irmão ver. Os dois assistiram a tudo em silêncio, sorrindo cada vez mais largamente conforme o tempo passava. Era aquilo que eles estavam procurando. E finalmente tinham encontrado. Satisfeitos, eles baixaram o vídeo e desconectaram os computadores da televisão. Era hora de organizar o resto do plano.


- Mas o que diabos eles querem…? – Hana olhava para a tela do celular piscando, sem saber se atendia ou não a ligação dos gêmeos. Kyouya, ao seu lado na cama, apenas se revirou – Ei, acorda. – ela cutucou o moreno – Seus amigos problemáticos estão ligando e coisa boa não deve ser.

O rapaz a fitou com uma expressão não muito amigável e tomou o aparelho em mãos, atendendo sem muita cerimônia. Ao perguntar o que os Hitachiin queriam, um minuto de silêncio se fez do outro lado. Kyouya, sonolento e irritado, disse que ia desligar se não falassem nada logo. Kaoru foi o primeiro a se manifestar.

- Nós esperávamos a voz da Hana, mas tudo bem.

- Tem como vocês virem pra cá o quanto antes amanhã? – Hikaru emendou – Podem almoçar aqui.

- Nós vamos chamar todo mundo, vai ser legal. – o gêmeo mais novo parecia animado.

O Ootori fitou o aparelho por um instante e então entregou à Hana.

- Eles estão nos chamando para almoçar lá amanhã.

A garota pareceu confusa por um instante, mas logo tinha respondido aos gêmeos. Perguntou uma hora boa e acertou todos os detalhes do encontro do grupo. Em pouco tempo, tinha desligado a ligação e tornado a se deitar. Kyouya, que estava de costas para ela, virou-se ao sentir a movimentação e, em um gesto cada vez mais automático, envolveu sua cintura com um dos braços. A morena sorriu de canto e apoiou a cabeça no peito do rapaz.


- Vocês têm noção da hora? Meu deus, parem de acordar as pessoas. – Catarina suspirou – Precisavam ligar agora?

- Foi mal, Cat, mas é mesmo importante. – Hikaru tinha um tom suave e carinhoso – Por favor?

A loira bocejou e pensou por alguns segundos.

- Com quem vocês já falaram?

- Com a Hana e o Kyouya! – Kaoru respondeu com uma animação que fez a garota franzir o cenho.

"Por que ele ta tão feliz? É só um almoço, meu deus", ela encarou o teto por alguns segundos.

- Bom, se ela sabe, deve dar um jeito de fazer todo mundo ir. Ela e a Anny. Parem de acordar o pessoal. – então Catarina desligou sem esperar resposta e tornou a dormir.


Hikaru encarou o aparelho, tendo sido pego de surpresa pelo gesto final da namorada. Esperava qualquer coisa, menos que ela desligasse de repente. "Se bem que ela tem razão. Já é tarde, ela tava dormindo…", ele suspirou. Estavam tão empolgados ele e o irmão com a coisa toda que não se importavam com o horário. Mas os outros, que nada sabiam, estavam fazendo algo que os gêmeos também deviam fazer. Os dois se entreolharam e deram de ombros. Provavelmente levariam outro sermão se ligassem para mais alguém.

- Acho que ela tem razão, Hikaru. – Kaoru desligou o computador e o deixou sobre o sofá – Vamos dormir.

O mais velho assentiu com a cabeça e desligou o aparelho que usava. Logo os dois tinham se retirado para o quarto.


Quando o dia seguinte veio, Hana já tinha explicado tudo para Anastácia e as duas logo passaram a falar com o restante do grupo que estava no apartamento delas e não sabia dos planos para o dia. Isso incluía Jenna, Nathan, Mei e Mori. Catarina sabia mais ou menos o que fariam por ter falado brevemente com os dois "organizadores" no meio da noite. Kyouya, por sua vez, não se importava o suficiente.

- E por que eles querem tanto que a gente vá pro apartamento deles? – Jenna não parecia muito convencida do que as amigas tinham dito.

- E eu vou saber? – Hana suspirou – Mas, pra eles terem ligado no meio da noite, deve ser por um bom motivo.

Anastácia cruzou os braços diante do corpo e se ajeitou na poltrona, olhando para as amigas.

- Que mal pode fazer irmos até lá?

As outras se entreolharam por um instante, mas quem respondeu foi Catarina.

- Você ainda se lembra de quem eles são, né? Namorar o Kaoru não afetou a sua percepção de mundo, certo?

A morena riu e jogou a almofada na loira, que logo ria também.

- Eu sei disso. Mas não acho que vai sair algo muito diferente das besteiras que vimos até agora. – Anny olhou para as outras – Vocês acham que eles vão fazer o que? Explodir o apartamento? Qual é!

- Bom, não sendo o nosso apartamento, eles podem fazer o que quiserem. – Jenna se divertia.

- Mas que mal pode haver? Vocês não são todos amigos? – Nathan pareceu confuso – Não custa nada ver o que eles querem.

- Então decidido! – Hana se levantou e bateu as mãos – Jen, você vai com o Nathan. Mei, você vai com o Takashi. Cat, Anny, Kyouya e eu vamos no nosso carro. Arrumem-se logo que já estamos atrasadas! – então ela foi até o próprio quarto a fim de trocar o pijama por uma roupa decente. O restante logo fez o mesmo.


Ao chegarem ao apartamento dos gêmeos, as garotas estranharam o ar de "cinema em casa" que pairava no ar. Os demais pareciam não se incomodar, mas as cinco se entreolharam com um mau pressentimento. A mesa também estava posta para o almoço e os Hitachiin logo serviram os amigos. Aquilo era definitivamente uma situação anormal, o que aumentava ainda mais o desconforto das garotas. Nathan apenas franziu o cenho, perguntando-se o que poderia estar por trás daquela recepção tão "calorosa", como alguém acabou comentando no decorrer da refeição.

- Ora, qual o problema de mostrarmos de vez em quando que nos importamos com os nossos amigos? – Kaoru tinha um tom despreocupado e, ao acabar de falar, ele e Hikaru fizeram um coração com as mãos.

- Vocês prepararam e serviram o almoço. Eu diria que tem algo muito estranho acontecendo. – Anastácia se divertia ao responder – E tenho medo de perguntar o que é.

Os gêmeos riram e a resposta veio do mais velho.

- Ora, não tem nada que temer. Só queremos que ninguém tenha preocupações com o estômago vazio mais tarde. – ele sorria animadamente e falava no mesmo tom que o irmão tinha usado antes.

- Certo. Faz todo sentido. – Catarina tinha um ar descrente – Meu deus, o que vocês aprontaram? Não nos envolvam em nada suspeito, por favor.

- Ah, Cat… – Hikaru fez um beiço manhoso em visível drama – Precisa falar assim comigo?

O grupo riu, especialmente quando a loira corou e passou a fitar o prato, forçando-se a se concentrar apenas na comida em uma vã tentativa de se livrar logo do rubor. Então todos se puseram a conversar descontraidamente sobre os mais diversos assuntos enquanto o almoço corria sem qualquer problema. A única atitude "anormal" que ainda se dava era a troca de olhares entre Anastácia e Hana em alguns momentos. Quando todos acabaram de comer, os gêmeos tiraram a mesa e deixaram a louça lavando.

- Agora vamos ao que importa! – Kaoru ligou a televisão enquanto Hikaru indicava que os amigos se sentassem – Tem algo que nós precisamos mostrar a vocês. – ele se virou e, junto do irmão, completou em um tom empolgado – Nosso mais recente achado!

A tela piscou quando o vídeo entrou e os dois se sentaram no chão, próximos à Anastácia e Jenna. A qualidade inicial não era das melhores, mas era perceptível que a pessoa que gravava estava ajustando ainda as configurações da máquina que usava. Quando o som chegou aos ouvidos das garotas, foi automático se entreolharem e então fitarem Anastácia. Se fosse o que elas achavam que era, podia ser um problema.

- Obrigada a todos por virem ao nosso show! – a voz gravada e levemente distante de Jenna soava da televisão – Esperamos que aproveitem!

O primeiro acorde veio da guitarra nas mãos de Hana e logo todas acompanhavam. A apresentação estava animada como quando elas se apresentaram no Ouran, mas ficava com um ar diferente por conta dos efeitos de luz e da produção mais profissional, apesar de ser um show amador. Afinal, elas não tinham nenhuma gravadora, nenhum patrocinador para terem apresentações oficiais. Era por isso que as informações sobre o grupo eram poucas.

Conforme o vídeo passava, Anastácia se encolhia, abraçando as pernas. Hana segurava firmemente a mão da amiga, mas sabia que uma hora aquilo não adiantaria mais. Elas reconheciam aquela apresentação, lembravam quase todas as músicas tinham cantado e em que ordem. Sabiam como tinha terminado.

Veio o intervalo e os gêmeos adiantaram o vídeo. Ninguém dizia uma única palavra. Mesmo as respirações pareciam controladas para fazerem o menor barulho possível. Assim, a voz gravada de Anastácia soou alta e clara vinda da televisão. A reação foi imediata. Ela se levantou de onde estava e foi a passos largos para o quarto mais próximo. As garotas suspiraram enquanto o resto do grupo se entreolhava sem entender. Kaoru pausou o vídeo e olhou para Hana, que tinha se levantado e massageava a mão.

- O que raio foi isso? – ele tinha um ar confuso e um tanto frustrado.

A morena não respondeu, virando-se para as amigas.

- Jen, vá com a Cat atrás de Anny. Mei, acho que vamos precisar de um pouco de chá para acalmar os nervos da garota, você pode cuidar disso? Se precisar, podemos ir comprar no mercado mais próximo.

As três concordaram de imediato e se levantaram. No silêncio sepulcral, os passos das três e o abrir e fechar de portas e gavetas pareciam extremamente alto. Por fim, Hana respirou fundo e se virou para os gêmeos, apontando para a televisão ao dizer que tirassem aquilo dali. Os dois não entenderam, pondo-se em pé com visível revolta. A garota suspirou, falando sem dar tempo a eles de responder.

- Eu disse para tirar. Muito legal que vocês tenham se dado esse trabalho. E sim, eu estou sendo irônica. Vocês podiam, ou melhor, deviam ter nos perguntado por que nunca falamos disso com vocês antes de saírem xeretando a nossa vida na internet. Podiam se preocupar um pouco mais com as coisas, com as consequências. Porque, não sei se vocês sabem, o que vocês fazem tem consequências e elas podem não ser tão legais assim. Acho que deu pra perceber, mas é sempre bom reforçar a ideia. Vocês podiam ser um pouco menos precipitados e idiotas, pra ser bem sincera. Mas talvez seja algo muito difícil. Vocês sequer devem ter cogitado o motivo de nunca termos comentado que cantávamos. É, passado, porque nenhuma de nós tem planos de voltar. Por mais que gostemos, a gente não pode simplesmente sair fazendo as coisas. Vocês podem achar que sim e continuar a agir de forma inconsequente, porque isso talvez funcione no mundo de vocês, mas não é assim no nosso. Então tratem de tirar essa droga da televisão e sentarem quietinhos em um canto.

Os alunos do Ouran se entreolharam, sentindo-se um tanto sufocados pela fala sem pausas da garota. Os gêmeos, sem saber como reagir àquilo, apenas fizeram o que a amiga tinha dito, ficando sentados encolhidos diante do sofá mais distante. Hana então respirou fundo e tornou a se sentar, escondendo o rosto com as mãos. Precisava se acalmar. Precisava pensar com clareza no que fazer. "Só pra variar, eles colocaram um problema enorme no nosso colo. Meu deus, eles pensam nas outras pessoas? Eles sabem fazer isso?", ela massageou as têmporas e apoiou a testa nas mãos cruzadas, fitando o chão. "Acho que a Cat e a Jen vão conseguir acalmar a Anny, mas o pessoal vai querer explicações e não podemos fazer isso com a Anny por perto. O problema é como tirá-la daqui… Ela vai saber, no instante em que fizermos isso, qual é o motivo. E aí não vai adiantar nada", Hana levantou a cabeça e passou a fitar o teto.

- Hana? – a voz de Mei forçou a outra a voltar para a realidade – O chá ficou pronto. Quer levar para ela ou prefere que eu leve?

- Ah… Sei lá. – ela deu de ombros e se levantou – Pode levar. E pede pra Cat vir aqui, por favor.

Mei concordou brevemente com a cabeça e se retirou. Em pouco tempo, Catarina tinha aparecido na sala com duas xícaras na mão. Ao ver o cenho franzido da amiga, a loira disse que Mei tinha se esquecido de deixar uma na sala. Anastácia estava mais calma, mas não queria sair do quarto. Aquilo era parcialmente bom e talvez fosse a brecha de que precisavam. Dependendo do tom da conversa, a amiga não ouviria. Se não ouvisse, não surtaria de novo.

- Já contou para eles? – Catarina bebericava a bebida, olhando preocupada para Hana, que negou com a cabeça – Eu nem lembro direito o que aconteceu.

- É… Faz tempo já. E a pior lembrança não é nossa. – a morena foi até a janela com a caneca em mãos e ficou um tempo em silêncio antes de se virar para os amigos e começar a falar – Vocês devem ter visto a data do vídeo. Tem anos já. Esse foi nosso último show. Nós sabíamos que seria. Tínhamos decidido isso. As apresentações estavam começando a conflitar com o resto das nossas atividades, não tinha como continuarmos.


Jenna terminou empolgada a última música da apresentação, olhando com um misto de satisfação, orgulho e tristeza para as amigas. Ela sabia que sentiria falta daquilo, daquela emoção do palco. Mas sabia que continuar seria absurdo. As cinco agradeceram à plateia e se retiraram, indo para os bastidores. Um grupo de rapazes as esperava, sorrindo com uma enorme satisfação. Eram três e tinham ficado responsáveis por organizar os shows amadores do grupo.

- Como sempre, vocês foram ótimas! Hoje, em especial, vocês brilharam no palco. Aconteceu alguma coisa? – o rapaz que começou falando tinha um tom divertido na voz.

- Na verdade, sim. – Hana respirou fundo antes de continuar – É melhor conversarmos com calma sobre isso.

Os três se entreolharam, concordando com a cabeça. Ao chegarem a uma sala improvisada nos fundos do lugar, o cheiro de álcool inundou seus pulmões. Mas não podiam voltar atrás. Eles sempre bebiam durante as apresentações e elas nunca tiveram grandes problemas com aquilo. Só esperavam não ter naquele dia também. Anastácia foi quem começou a falar.

- Nós vamos parar com as apresentações. – seu tom era firme, decidido.

- O que?! – o rapaz mais velho tinha se levantado em um pulo e olhava para as cinco como se não acreditasse naquilo – Por que fariam isso? É loucura! Vocês são ótimas!

- Porque não tem outra solução. Não vamos parar todo o resto da nossa vida por causa de apresentações amadoras. Não temos nem músicas originais, não é como se tivéssemos uma carreira musical. – Hana olhava de forma desafiadora para o trio.

Quando o segundo rapaz se manifestou, batendo a mão com força na mesinha de centro, as cinco se deram as mãos. Não importava o que acontecesse, elas tinham de se manter firmes. O terceiro rapaz se mantinha em silêncio, observando o grupo como um predador escolhendo o melhor momento de atacar a presa. Elas tinham percebido, mas não se moveram. Não queriam que ele percebesse o quanto aquilo as incomodava.

- É assim que vão nos retribuir?! Nós fizemos tudo por vocês e agora…! Agora vocês simplesmente caem fora?! – o primeiro rapaz tinha voltado a falar.

- Vocês não fizeram nada de graça. Nós ajudamos com o pagamento das locações sempre que foi necessário. Estamos encerrando essa… Parceria sem qualquer dívida. – Anastácia encarava o rapaz diante de si.

- Se as gracinhas acham que vamos deixar que simplesmente saiam pela porta, estão muito enganadas. – o terceiro rapaz se levantou, falando com um tom estranho na voz e com um sorriso um tanto assustador no rosto – Claro que nos sentimos abandonados por vocês. E nada mais justo que vocês… Compensarem por isso.

O cheiro de álcool se tornou muito mais forte conforme ele falava, o que fez com que as cinco se juntassem mais em um gesto instintivo. Hana e Jenna tomaram a dianteira e, quando o rapaz avançou sobre o grupo, não hesitaram em empurrá-lo de volta com a sola da bota. O rapaz caiu sobre a mesinha de centro e o ar saiu quase todo de uma vez de seus pulmões. O segundo rapaz reagiu automaticamente, pegando uma garrafa vazia próxima e a quebrando ao meio ao batê-la na parede.

- Não zoem com a gente! Nós ficamos o tempo todo ao lado de vocês e nunca conseguimos nada! Sabem o quanto isso é frustrante?! – ele apontou as bordas afiadas da garrafa para as garotas.

- Sabe o quanto é nojento andar ao lado de vocês quando bebem? Esse cheiro é repugnante! – Catarina estava cada vez mais irritada e precisou ser segurada pelas amigas para não avançar no rapaz.

- Quanta babaquice! – o rapaz que caiu sobre a mesa se levantou e fitou com raiva as cinco – Isso estava praticamente implícito quando concordaram com a nossa ajuda!

- Babaquice é o que você está dizendo! – Anastácia sentia a raiva crescendo – Nós nunca teríamos qualquer coisa com caras que não sabem respeitar os outros! Foi um erro termos montado a parceria com vocês e devíamos ter percebido antes!

O que se seguiu aconteceu rápido demais e Anastácia não sabia dizer o que tinha acontecido exatamente. Sabia apenas que estava caída no chão com Hana sobre si. Mei, acobertada por Jenna e Catarina, tentava abrir a porta para saírem. Nenhuma delas sabia dizer quando a saída tinha sido trancada. A garrafa usada antes estava largada no chão próximo de Hana e Anastácia, de forma que os barulhos de carne sendo acertada eram causados pelos próprios punhos.

- Hana, você… – Anastácia não conseguiu terminar. Hana tossia e estava na cara que não conseguia se levantar – Meu deus, o que você fez? – ela falava em um tom sussurrado sem saber direito o motivo.

- Anny, fique quieta, por favor. – Hana sorriu fracamente – Finja que está inconsciente só até a Mei abrir a porta.

Não demorou muito para que aquilo acontecesse. Graças ao nível de alcoolismo dos rapazes, Jenna e Catarina não precisavam se esforçar muito para jogá-los para trás, de forma que tinham se machucado pouco. Hana sentiu o corpo ser levantado quando a luz entrou na sala pequena e mal iluminada e ouviu protestos atrás de si enquanto as cinco saíam em disparada do lugar.

- Precisamos parar em um hospital. – o comentário veio de Mei, que olhava preocupada para Hana.

- Só arranquem esse negócio das minhas costas e vamos para casa. – a garota se curvou, com o cenho franzido em uma expressão clara de dor.

Anastácia então entendeu. Um dos rapazes tinha avançado com a garrafa quebrada e Hana, por ser a mais próxima da amiga, pôs-se no caminho. Com a intensidade do movimento, a garrafa tinha se quebrado novamente e caído no chão, mas um dos cacos ficou nas costas da morena. Por isso ela não tinha se levantado e elas não corriam com toda a velocidade que podiam.

- Nós não podemos só arrancar isso das suas costas, sua idiota! – Anastácia tinha os olhos marejados e parecia realmente brava – Temos que ir para um hospital! Agora!


- Ah, mas você não ficou com uma cicatriz disso. – Catarina sorriu para a amiga.

Hana concordou com a cabeça brevemente e tomou um longo gole do chá antes de continuar.

- Ainda bem. Eu ficaria realmente brava se tivesse ficado. – ela deu de ombros.

- Mas isso não explica porque a pior memória não é a de vocês. Não estavam todas envolvidas? – Kyouya tinha um ar sério e Hana sorriu de canto por um momento.

- Estávamos. – Catarina foi quem respondeu – Mas… A Anny… Bom, ela achou que nós não íamos escapar naquela noite.

Os amigos se entreolharam, sem entender.

- Ela nunca nos contou o que houve para achar isso. Só falou que, por mais que seu lado racional dissesse que as chances eram favoráveis a nós, o lado irracional gritava em desespero que aquela seria a nossa última noite. – Hana terminou o chá e abaixou a caneca – Ela não se acalmou até chegarmos em casa. Mesmo assim, precisou de muito tempo para parar de andar olhando por cima do ombro.

- Naquela época, John, Ben e Fred ainda não andavam tanto com a gente. Digo, a gente era amigo e tudo, mas eles ainda não eram tão protetores com a gente. – Catarina pareceu pensativa – Acho que foi por causa desse incidente, na verdade, que eles começaram a se preocupar mais conosco.

Kaoru abriu a boca para falar, mas Mei apareceu na sala, interrompendo a conversa.

- Hana, Cat, vocês podem vir aqui?

As garotas concordaram com a cabeça, deixando as canecas sobre a mesa e indo para o quarto. Anastácia tinha um ar distante, mas parecia calma. As duas se ajoelharam diante da amiga e sorriram de canto. Hana afagou as mechas castanhas da outra, repetindo que estava tudo bem e que ninguém podia lhes fazer mal ali. Anastácia concordou com a cabeça, falando com a voz rouca.

- Eles devem ter estranhado, né…?

- Está tudo bem. – Catarina sorriu – Eles não vão deixar de gostar de você por isso, Anny.

A morena sorriu, agradecendo e se desculpando pelo ocorrido.