N/A: muuuuito tempo depois, capítulo novo! Uhul! Hahahah, não me matem, ok? Eu estava sofrendo de bloqueio criativo em relação a essa fic... Mas eu não vou largá-la incompleta! Até porque eu não quero morrer (sim, Rack, estou falando de você!), hahahah


Já era meio de março e o relacionamento do grupo tinha voltado aos eixos pouco depois do ocorrido no apartamento dos gêmeos. Por mais que Anny ainda repassasse algumas cenas em sua cabeça, não se sentia mais incomodada como antes. O apoio que tinha recebido quando o grupo estrangeiro soube o que tinha acontecido a ajudou bastante. Especialmente por Kaoru ter ficado mais carinhoso com ela, o que era um bônus de todos os pontos de vista.

Mas aquela paz não duraria para sempre.

- Você foi chamado pela diretoria?! – Jenna se pôs em pé, empurrando a cadeira para trás.

O grupo estava na cantina, aproveitando o horário de almoço com a tranquilidade habitual, quando o telefone da descendente de coreanos tocou. Era Nathan ligando e, pela expressão da garota, todos logo concluíram que não eram boas notícias. Jenna estava visivelmente alterada conforme ouvia o que o professor falava, apertando com certa força o aparelho entre os dedos. O silêncio absoluto tinha tomado conta da mesa.

- Tudo bem… Eu entendi. Não vou mais procurá-lo na sua sala. Mesmo porque não tenho mais aula com você, não faz sentido. – ela deu um sorriso fraco de canto – Eu estou com o pessoal agora na cantina, então acho melhor deixarmos para conversar melhor sobre isso depois. – pausa – Eu também amo você. – e então ela desligou, tornando a se sentar.

- O que houve, Jen? – a pergunta veio de Catarina, que falava com um tom hesitante.

- Ah. – a morena suspirou – O Nathan foi chamado pela diretoria. Aparentemente é por causa do nosso relacionamento, mas eu tenho quase certeza de que ninguém nos viu. Tudo bem que eu passava na sala dele às vezes sem realmente precisar, mas não acho que tenha sido isso. – ela massageou as têmporas, ficando com uma expressão preocupada – Vai ser uma droga se isso atrapalhar o trabalho dele.

- Relaxa, meu amor. – Hana colocou a mão sobre o braço da amiga e sorriu quando seus olhares se cruzaram – Tenho certeza de que não é culpa de nenhum de vocês e de que vai ficar tudo bem. Então respire fundo e segure as pontas até o dia acabar.

Jenna ia responder, mas parou no meio do processo ao notar um rapaz parado a poucos passos da mesa que o grupo usava, olhando de soslaio. Ele parecia confortável onde estava, conversando com alguns alunos da faculdade e outros que pareciam de outras instituições. A morena então tornou a olhar para os amigos, perguntando se estava ocorrendo algum evento. Anastácia foi quem respondeu, parecendo estranhar que a outra não soubesse.

- Nossa faculdade está sediando o campeonato local universitário de patins nesse ano. Por quê?

- Não, nada. Só estranhei ver esse povo de fora. Não tinha reparado. – Jenna gesticulava com a mão como se indicasse que não era algo importante.

- Com licença. – uma voz feminina desconhecida soou atrás de Hikaru antes que alguém pudesse dizer alguma coisa. Quando os olhares se voltaram para a garota, ela continuou – Desculpem interromper a conversa, mas estou procurando pela – ela fez uma pausa, parecendo pensar – Catarina Vizzacchi. Disseram que ela estaria aqui.

A loira se levantou, com os orbes azuis fitando os dourados. A garota desconhecida vestia roupas largas e de tons escuros, tinha o cabelo curto e colorido nas mais diversas cores e parecia estranhamente certa naquele contexto. Não foi difícil perceber a sacola que ela levava no braço, onde provavelmente estava o par de patins.

- Sou eu, mas… Quem é você? – Catarina tinha um tom inocente ao perguntar.

- Ah, desculpe! Eu sou Valentine. Estou aqui pelo campeonato. – ela sorriu, exibindo um sorriso perfeito.

Catarina franziu o cenho ao ver o encanto estampado no rosto de Hikaru.

- E… Por que você está me procurando? Digo, eu não sei andar de patins nem nada do gênero.

- Porque disseram que a pista desse ano foi projetada por você. – Valentine respondeu sem hesitar e riu quando a loira ficou vermelha – Bom, pelo professor responsável, mas soube que você estava auxiliando. Fiquei curiosa pelo tipo de pessoa que seria.

- Como assim você projeta a pista da competição e não conta?! – Hana se levantou, passando o braço pelos ombros da menor e bagunçando seus cachos. A morena ria ao falar.

- Eu… E-eu…! – Catarina não conseguia processar direito. Não imaginava que seria procurada por aquilo e não se sentia particularmente orgulhosa pelo projeto porque tinha ajudado em poucas coisas, mas tinha gostado da aparição da garota de fora.

- Desde quando você é tão cheia dos segredinhos, Cat? Assim você magoa as amigas. – Anastácia tinha um tom deliberadamente tristonho e riu quando viu os orbes azuis se arregalarem em desespero.

O grupo riu e a visitante pareceu confusa. Kyouya foi o único que se preocupou em explicar a situação, dizendo a Valentine que não se preocupasse, pois aquela era uma cena normal. A garota respirou aliviada, rindo ao perceber que Catarina continuava sendo provocada pelas amigas. Ao ver um dos ruivos se levantar e entrar na brincadeira, a visitante ficou levemente surpresa. Catarina tinha ficado muito mais vermelha que antes e parecia realmente nervosa.

- Ora, não é que isso é bonitinho? – Valentine tinha pensado alto sem perceber, cobrindo a boca com as mãos quando todos os olhares se voltaram para ela.

- Ah, obrigada… Eu acho. – a loira piscou algumas vezes, sem saber o que dizer.

Hana, Jenna e Anastácia se entreolharam, rindo em seguida.

- Que raios de resposta foi essa, meu amor? – Anny foi a primeira a falar.

- Eu sei que o Hikaru é um idiota, mas não precisa agradecer só porque ela disse que você parecendo um tomate é bonitinho. – Hana continuou.

- Eu disse algo errado? – Valentine pareceu confusa.

- Não se preocupe… – Jenna parou por alguns segundos para se lembrar do nome da outra – Valentine. Você não fez nada de errado. – então ela sorriu, ainda se divertindo.

- Valentine! – uma voz masculina se aproximou e Jenna logo reconheceu o rapaz que tinha visto antes – Finalmente achei você! Pare de sumir assim!

- Desculpe, Dan. – a garota sorriu de forma um tanto constrangida – Mas eu realmente precisava achar a Vizzacchi. Afinal, ela participou do projeto da pista que vamos usar! Isso não é o máximo? – seus olhos brilharam e Catarina ficou sem saber o que dizer.

- É, tudo muito incrível. – Hana gesticulava ao falar, parecendo cansada – Deseja mais alguma coisa?

- Ei, Hana! – a loira se adiantou e abraçou a visitante pelo braço – Não seja grossa! – então se virou para Valentine, sorrindo com empolgação – Vem, eu posso mostrar onde vai ser o campeonato!

- Acho que perdemos nosso brinquedinho. – Hana apoiou um cotovelo na mesa e a cabeça na mão, olhando para onde a amiga tinha sumido na multidão.

- Desculpem por isso. – Dan puxou uma cadeira e se sentou, debruçando sobre a mesa – Valentine é sempre assim, fica difícil acompanhar toda essa empolgação. Às vezes não acredito que somos gêmeos.

O grupo se entreolhou.

- E você é? – a pergunta veio de Anastácia.

- Ah, sim! – o rapaz se endireitou automaticamente – Eu sou Daniel, estudante de letras do primeiro ano. Vim aqui para acompanhar minha irmã gêmea Valentine no campeonato de patins, mas não vou competir. – ele ficou em silêncio por alguns segundos, analisando os rostos do grupo – Desculpem pela intromissão de agora pouco.

O rapaz tinha os olhos dourados como os de Valentine, mas seu cabelo curto não era tingido, mas de um tom ocre e aparência sedosa. Seus traços eram estranhamente infantis, o que parecia ter atraído a atenção de Hana e Anastácia. O ar inocente lembrava o de Mei, mas de um jeito estranhamente diferente. Jenna cruzou os braços diante do corpo antes de dar continuidade à conversa.

- Você não deveria ter ido com a sua irmã?

- Tecnicamente… Sim. Ela tem a terrível mania de apenas sair correndo pelos lugares e frequentemente se perde. Mas eu me sinto tão cansado. – ele suspirou, tornando a se debruçar sobre a mesa.

Sem pensar, Anny começou a afagar as mechas do rapaz. Dan imediatamente escondeu o rosto nos braços a fim de não expor as bochechas que ficavam cada vez mais vermelhas. Estava acostumado com as garotas querendo mexer em seu cabelo, dizendo o quanto era bonito e macio, mas nenhuma tinha de fato chegado a lhe afagar ou a fazer qualquer outra coisa sem perguntar primeiro.

Kaoru pigarreou, fazendo a morena voltar à realidade. Anastácia recolheu a mão de imediato, parecendo levemente constrangida. Hana cobriu a boca com uma das mãos, como se tentasse conter o riso, enquanto Jenna franziu o cenho. Mei não prestava atenção no que acontecia, estranhando ao ver a cena. Um silêncio estranho se instalou na mesa.

- Bom, graças ao campeonato, nós não temos aula durante essa semana. – foi Hana quem retomou a conversa, virando-se em seguida para os gêmeos e Haruhi – Mas isso não significa que vocês possam matar aula.

- Isso não é justo! – os Hitachiin protestaram em uníssono.

- Nós também queremos ver a competição! – Kaoru tinha uma expressão emburrada infantil, fazendo Anny rir. O ruivo não resistiu e acabou sorrindo.

- Por mais que seja um campeonato universitário, eles deviam dispensar todos os alunos! – Hikaru franziu o cenho e cruzou os braços diante do corpo.

- Não briguem conosco. Nós não somos as responsáveis. – Jenna levantou as mãos na altura do peito como se estivesse se declarando inocente.

O grupo riu.


Jenna tinha ido para a casa de Nathan depois de sair da faculdade, enquanto o restante voltou para casa. Ela tinha sido avisada de que deveria ligar se acontecesse alguma coisa, por menor que fosse. "Elas se preocupam demais", ela sorriu de canto e tocou a campainha. Foram precisos alguns segundos até que o dono da casa aparecesse na porta.

- Achei que viria mais tarde. – ele deu espaço para a garota entrar e fechou a porta logo depois – Que bom que eu estava errado. – ele sorriu.

A coreana sorriu de volta, indo diretamente para a sala e se sentando sobre o sofá. O homem foi atrás, sentando-se ao lado dela. O silêncio era absoluto na casa e o casal ficou se entreolhando por algum tempo antes de alguém decidir tomar uma atitude. Nathan calmamente se aproximou de Jenna, colocando uma mão em seu rosto e tocando suavemente os lábios nos da garota. Ela não resistiu. Pelo contrário, logo tinha os braços ao redor do pescoço do homem.

Nenhum dos se preocupou em ir para o quarto. Apesar de estarem de frente para a janela, as cortinas estavam convenientemente fechadas. Além disso, estavam sozinhos na casa, de forma que não havia com o que se preocuparem. Se o próprio dono da casa parecia confortável com a ideia, por que ela, a visita, não estaria? Com isso em mente, Jenna apenas se deixava levar pelo momento, deixando-se envolver pelas atitudes de Nathan.

Quando os dois se afastaram, seus corpos estavam cobertos por uma fina camada de suor e ambos tinham um sorriso satisfeito no rosto. As roupas estavam jogadas ao redor do sofá e os cabelos estavam desalinhados, mas Nathan não conseguia evitar pensar que Jenna estava mais bonita do que nunca naquele momento. Por fim, o homem respirou fundo e se ajeitou sobre o sofá, começando a falar.

- Bom, acho melhor irmos ao que interessa, não é? – ele sorriu de canto, continuando a falar quando Jenna assentiu – Eu também fiquei surpreso quando a diretoria me chamou, mas não é nada com o que você precise se preocupar.

- Como não? Você foi chamado por causa do nosso relacionamento, não foi? – ela franziu o cenho, parecendo um tanto inconformada com o comentário.

- Porque, Jen, apesar de eles saberem que eu tenho um relacionamento com uma aluna, eles não sabem quem é. – Nathan sorriu com satisfação – Então eles não têm nenhuma prova do que quer que seja.

- Então como eles descobriram? – ela não conseguia engolir a história.

- Aparentemente, uma denúncia anônima de "atitudes antiéticas no território da universidade". – ele gesticulou de forma a indicar as aspas, como se para dizer que aquelas palavras não eram suas.

- Denúncia anônima…? – Jenna se ajeitou, parecendo pensar. "Eu consigo pensar em algumas pessoas que podem ser as responsáveis. Além dos motivos. Mas ainda assim…", ela franziu o cenho.

- Ei, ei. – Nathan colocou suavemente o braço ao redor dos ombros da garota e a puxou para si, beijando-lhe o topo da cabeça antes de continuar – Pare de se preocupar tanto com isso. Significa apenas que vamos ter de tomar mais cuidado na escola, nada mais.

Apesar do sorriso e das palavras dele, a garota não conseguia se acalmar.

- O problema é como descobriram. Claro, existe a possibilidade de ter sido alguém jogando verde para tentar colher maduro, mas… E se realmente souberem de alguma coisa? E se isso começar a atrapalhar o seu trabalho? Eu não quero a diretoria no seu pé por minha causa, Nathan. – ela respirou fundo e se aninhou no peito do homem – Eu não quero te prejudicar.

Apesar do choque inicial pelas palavras da coreana, o professor logo sorriu, abraçando-a com mais força. Era incomum a ver agindo daquele jeito, com toda aquela preocupação. Justamente por isso, quando acontecia, era mais fofo do que seria com qualquer outra garota. O homem então lhe beijou novamente o topo da cabeça, dizendo que parasse de se preocupar tanto, porque ele ficaria bem. Jenna assentiu e logo levantou o rosto, tornando a beijar o mais velho.