N/A: ficou pequeno, mas dane-se. Eu realmente não sei mais o que escrever. Então me revoltei e deixei assim mesmo. Não gostou, me processe. Hunf.
- Olha só, até que a Valentine é boa nisso. – Hana se ajeitou na cadeira em que estava olhando para a pista da competição sem muito interesse.
- Sim! Ela anda de patins todos os dias e treinou com muito afinco para essa competição! – Daniel tinha os olhos brilhando ao falar, virando-se para a garota ao seu lado.
Hana riu e afagou as mechas do rapaz ao responder.
- Certo, certo. Ela é realmente dedicada.
Anastácia, do outro lado de Hana, logo se colocou na conversa, perguntando se Valentine já tinha ganhado alguma competição e há quanto tempo andava de patins, além de uma ou outra coisa mais. Os três conversavam com certa animação e Kyouya sentia-se estranhamente desconfortável, mesmo com seu lado racional dizendo que ele estava sendo paranoico demais. O moreno ajeitou os óculos e se obrigou a prestar atenção na competição, mas não durou muito, pois logo seu celular apitou.
Era uma mensagem de Kaoru.
Como estão as coisas por aí? O tal do Daniel ainda está com vocês? Que horas a competição de hoje acaba?
Kyouya olhou brevemente para os três ao seu lado e então se virou para Jenna, pedindo o folheto com a programação que ela tinha pegado quando chegaram. A coreana estendeu o papel sem prestar muita atenção, de forma que não viu o que se passava. Foi o silêncio sepulcral que a fez se virar. A cena que seus olhos captaram quase a fez rir alto. Hana, Anny, Catarina e Kyouya pareciam desconcertados, enquanto Tamaki tinha uma expressão cômica de choque. Mitsukuni era o único que parecia não se abalar com o ocorrido.
Mei estava levemente curvada para o lado, com o queixo um pouco levantado pela mão de Mori e o rosto completamente vermelho. Seus olhos estavam arregalados em surpresa. O rapaz, por sua vez, tinha o ar calmo de sempre e uma das mãos na cintura da garota. Ele tinha fechado os olhos por reflexo quando se curvou para a morena. Então, quando seus lábios se afastaram depois de poucos segundos – que pareceram extremamente longos para Mei –, Takashi apenas afagou as mechas escuras e sorriu de canto, enquanto a garota levava as mãos à boca, cobrindo-a sem acreditar no que tinha acontecido.
O grupo automaticamente se virou para o lado oposto quando os olhos de Mori pararam de focar em Mei. Então o mais alto se levantou e saiu, dizendo que iria comprar algo para beber quando o primo perguntou. Hana, curiosa, cutucou Anastácia como se dissesse para se levantarem e irem atrás. "Espere um pouco" era o que os olhos da segunda diziam, mas a primeira sentia-se impaciente e empolgada demais com a situação.
- O que acabou de…? – antes que Daniel pudesse terminar a frase, Hana e Anny se adiantaram para lhe cobrir a boca e indicar que ficasse em silêncio. O rapaz apenas concordou com um olhar confuso.
- Tudo bem, vamos fingir que vamos ao banheiro, já que você quer tanto assim. – Anastácia sussurrou para a amiga de forma que os outros não ouvissem.
Hana automaticamente se colocou em pé e pediu licença aos amigos. Em pouco tempo, ela e Anny estavam seguindo na mesma direção de Takashi, conversando descontraidamente sobre um assunto qualquer para não levantarem suspeitas. Mas Kyouya e Jenna se entreolharam sabendo que havia algo por trás daquela saída repentina das duas. O que era não podiam dizer, apenas supor.
- Takashi…! – Hana apertou o passo e foi até o amigo, que se encontrava sentado em um dos bancos próximo da cantina.
Mori levantou o rosto para as duas sem reagir à aproximação.
- Olha, eu não sei o que deu em você – a garota começou –, mas aquilo foi muito, muito fofo! E a Mei ficou uma gracinha com vergonha daquele jeito! Vocês são muito lindinhos!
Anastácia riu da empolgação da amiga, enquanto o rapaz apenas sorriu de canto com visível constrangimento. Então as duas se sentaram, cada uma de um lado do moreno, sorrindo para ele sem dizer qualquer palavra mais. Tinham realmente achado a cena fofa, apesar de inusitada, mas sabiam que o rapaz tinha precisado de coragem para fazer aquilo. E muita. "Ele provavelmente não quer conversar sobre isso agora", Hana sentia-se levemente decepcionada com aquilo, mas manteve-se quieta.
- Como ela está? – a voz de Takashi saiu mais firme do que qualquer um dos três esperava e no mesmo tom de sempre.
- A Mei? Além de extremamente envergonhada, você diz? – Anastácia tinha um tom levemente divertido na voz.
Mori tornou a esconder o rosto nas mãos.
- Eu não devia ter feito isso, não é…?
- Ora, deixe de bobagem! – Hana colocou uma mão no ombro do amigo – A Mei que é inocente ao extremo. E despreparada. Mas qualquer uma de nós ficaria vermelha como um tomate numa situação assim. Mas um beijo inesperado e fofo como o de vocês… Ah, pode ter certeza de que ela gostou! – ela sorriu.
- Isso é bom. – as duas puderam notar que o rapaz sorriu de volta pelo tom de voz.
- Mas tem algo que você podia nos dizer. – Anny ficou em silêncio, sem saber se devia continuar. Quando o olhar do moreno pousou sobre ela, no entanto, sua voz saiu automaticamente – Por que você decidiu fazer isso agora?
O silêncio se instalou entre eles por alguns segundos. Um silêncio ansioso, mas, ao mesmo tempo, sem pressa. Pelo olhar, as garotas diziam que esperariam o quanto fosse pela resposta, que Mori não precisava dizer nada se não quisesse. Mas não precisaram de muito, pois ele logo tinha voltado à expressão calma de sempre, respondendo à pergunta feita.
- Apenas pareceu certo. – ele se levantou, indo em direção à cantina para comprar alguma coisa para beber. Precisaria levar algo para Mei também.
Hana e Anastácia disseram que iriam depois.
- Em um tópico completamente não relacionado… – Anastácia se ajeitou no banco, falando assim que as duas ficaram sozinhas.
- Diga, Anny. É sobre a competição? – Hana cruzou as pernas e apoiou os braços no colo.
- Sim e não.
- Aham. – a mestiça virou o rosto para a outra – Então é sobre o Daniel.
Anastácia riu.
- De certa forma. – ela fez uma pausa breve – Eu estava reparando em quanto o seu namorado estava se revirando na cadeira enquanto conversávamos com o menino.
Hana riu.
- Não posso fazer nada se ele tem cara de criança. E ele ainda é mais novo que a gente. Não posso evitar me sentir como uma irmã mais velha. E ele é fofo. Que nem uma criança, mas é fofo. – ela suspirou – Mas devo admitir que o Kyouya fica uma graça com ciúme.
Foi a vez de Anny rir.
- Aliás, o seu namorado também não pareceu muito feliz, senhorita Anastácia Scanavini. – a estudante de moda ficou com um ar estranhamente satisfeito – Que ideia genial foi aquela de mexer no cabelo do menino sem conhecê-lo ainda?
- Ah, aquilo. É. – ela respirou fundo – Sei lá, eles pareceram tão macios. Eu não resisti, poxa. Não foi com segundas intenções ou para provocar o Kaoru.
- O pobrezinho deve estar se revirando na sala por não poder proteger a amada das mãos vis do terrível Daniel, o Encantador de Namoradas.
As duas se entreolharam, rindo em seguida. O ruivo provavelmente estaria pensando em algo daquele gênero, sentindo-se mais impaciente a cada volta do relógio. Mas Anastácia tinha deixado bem claro que, se ele faltasse na aula, acabaria levando bronca. "Um castigo de leve também não faria mal…", ela sorriu de canto. A voz de Hana a obrigou a voltar para a realidade.
- Aliás, eu estava pensando… Já estamos no meio de março. Em três meses, mais ou menos, as aulas acabam. Como é possível que esse ano tenha passado tão rápido?
O comentário fez o peito da estudante de enfermagem apertar. Em poucos meses, o ano letivo acabaria e os estudantes estrangeiros voltariam para o Japão, a menos que eles decidissem terminar os estudos por lá. Mas aquilo era algo improvável e ela sabia. Sem perceber, seus olhos encheram d'água. Hana, ao notar o estado da amiga, se apressou em se desculpar e a abraçou.
- Ah… Não… Está tudo bem, Hana. Eu só… Eu não sei o que houve comigo. – Anny tentava manter a voz firme, mas estava falhando miseravelmente.
- Tudo bem nada, sua idiota. – a mestiça apertou mais o abraço – Desculpa. Eu não quis dizer isso. Não vamos pensar sobre isso, ok? Vamos apenas aproveitar todos os dias que virão, como sempre fizemos.
Anastácia abraçou a amiga de volta, sem responder.
- Elas estão demorando. – o comentário veio de Catarina, que parecia realmente incomodada com a ausência das amigas.
- De fato. – Jenna suspirou – O que pode ter acontecido?
- Se elas não voltarem logo, vão perder o final da competição! – a loira cruzou os braços, com uma expressão visivelmente confusa sobre o que se passava – Aconteceu alguma coisa com certeza!
- Eu acho que você está se preocupando à toa. – Kyouya ajeitou os óculos.
- Vai dizer que não te preocupa? – a loira tinha o tom inconformado. "Seu coração de gelo!", ela apertou mais os braços contra o corpo.
- Não exatamente. – o moreno olhou brevemente para Daniel, que estava concentrado na competição. "É um tanto quanto aliviante que ela não esteja aqui na verdade. Mas elas não vão entender se eu disser isso", ele ajeitou os óculos.
Quando estavam para apresentar os competidores que seguiriam para a próxima fase, que ocorreria no dia seguinte, Hana e Anastácia voltaram. Ao notar os olhares dos amigos, elas se desculparam pela demora e a mestiça perguntou o que tinham perdido de importante. Foi Daniel quem respondeu, dizendo que não tinha sido nada de mais, que o que realmente importava estava para começar.
Os competidores foram sendo chamados em ordem alfabética, o que aumentava a ansiedade daqueles que ficavam para o final. Valentine não conseguia se manter quieta, balançando o corpo para frente e para trás enquanto esperava. A tensão crescia mesmo entre o público. Daniel tinha as mãos fechadas com força sobre o colo e, sem pensar muito, Hana colocou uma mão sobre as do rapaz como se dissesse para ele se acalmar.
Quando o nome de Valentine soou, a garota levantou os braços, gritando de felicidade. Daniel se levantou em seu lugar, comemorando à distância com a irmã e fazendo as garotas rirem. Para a alegria da maioria, a competição não acabaria ali para os gêmeos. Para o incômodo de outros, Daniel teria mais tempo para conhecer o grupo, para conhecer as garotas. Kyouya mandou uma mensagem a Kaoru com os resultados.
- Tenho más notícias para você, Hikaru. – Kaoru passou o celular para o irmão – Sua namorada vai ser alugada por mais tempo pela tal de Valentine.
Os gêmeos terminavam de arrumar o material para saírem quando a mensagem de Kyouya chegou. A competição daquele dia tinha durado até o sol se por, acabando junto das aulas. Como tinha acontecido no dia anterior, ao conhecerem os gêmeos Valentine e Daniel, Catarina tinha passado o dia com a visitante, conversando animadamente sobre as mais diversas coisas. Aquilo tinha feito Hikaru se sentir deixado de lado.
- Isso não é má notícia para você também, Kaoru? – o mais velho devolveu o aparelho – Afinal, é mais tempo para aquele gêmeo lá passar com a Anny.
O mais novo não respondeu, apenas afundando o celular dentro da mochila.
- Eu digo que devemos fazer alguma coisa. – Hikaru colocou a bolsa no ombro.
- O que você sugere? – Kaoru franziu o cenho e se virou para o irmão, que deu de ombros – Não podemos fazer qualquer coisa. Tem que ser algo bem planejado.
- Bom, nós podemos…
- O que? – o tom do outro tinha deixado Kaoru alarmado. Não podia ser coisa boa.
- Não, nada. Esquece. Vamos para casa. – Hikaru se virou e começou a sair.
- Hikaru! Espere! – o mais novo se adiantou e puxou o mais velho pelo pulso – Em que você pensou…?!
