Anastácia olhava com divertimento para os amigos na piscina, rindo e quase se afogando, como ela descrevia, enquanto jogavam vôlei aquático. De um lado estavam Mei, Nathan, Hani, Cat e Kaoru. Do outro, Hikaru, Mori, Hana, Valentine e Daniel. Não parecia exatamente equilibrado no começo, mas ninguém protestou por terem decidido na sorte. Após alguns minutos de jogo, a situação se mostrou bem diferente do esperado, com o time de Hana três pontos à frente do adversário.

- Eles parecem crianças em dia de natal. – a voz de Jenna fez Scanavini se virar – Achei que fosse participar, Anny.

- Daquilo? – ela apontou para o grupo dentro da água no exato instante em que Mori saltou, apesar de não ser tão necessário, e cortou a bola, fazendo água se espalhar para todo lado – Não estou tão apressada para morrer. – as duas riram.

Enquanto as duas conversavam, Kyouya, a uma mesa do outro lado da piscina quase de frente para a dupla, parecia tomar nota de alguma coisa. "Como sempre faz", Anastácia revirou os olhos. Por um instante, o moreno pareceu encará-la, mas logo tinha passado a acompanhar o jogo na piscina, fitando Tamaki para saber como estava a situação. O loiro tinha se prontificado para segurar o placar e parecia empolgado enquanto acompanhava o movimento frenético da bola.

- Isso! – Catarina pulava de alegria ao marcar um ponto, fazendo os amigos rirem. Então Hana pegou a bola para sacar.

Não foi nada violento, de forma que o outro time conseguiu receber bem, mas Kaoru calculou mal o levantamento e Nathan não conseguiu cortar, sendo bloqueado por Hikaru e Mori em conjunto. O ruivo mais novo teve que ouvir algumas gozações do irmão e de Hana por isso, mas não se incomodou. Na verdade, estava rindo tanto quanto os demais. Valentine e Daniel ainda estranhavam um pouco os jeitos do grupo, mas se deixavam levar pelas brincadeiras.

Kyouya tinha voltado a escrever algo no computador quando alguém se sentou ao seu lado. Os orbes negros não se desviaram da tela, mas ele sabia quem estava lá. Haruhi trazia um copo de refrigerante em uma das mãos e o deixou sobre a mesa enquanto observava o mais velho. Os dois ficaram em um silêncio profundo, mas não incômodo, por alguns segundos antes de a garota decidir se manifestar.

- Kyouya-senpai, posso… Fazer uma pergunta…? – ela tinha o tom hesitante, mas se sentiu melhor quando ele concordou com a cabeça e se voltou para olhá-la – Quando fomos à Espanha, você me disse que as atitudes de Tamaki eram mera empolgação e que eu devia tomar a iniciativa de fazer algo parecido para não ser constrangida sempre, mas… Essa estratégia vem funcionando cada vez menos – ela corou enquanto falava – e ele continua com aquele jeito idiota dele, falando aquelas coisas todas… E eu queria saber… Há mais alguma coisa que você possa sugerir…? – ela olhou brevemente para o amigo, mas logo desviou o olhar, sem saber por que tinha decidido falar sobre aquilo.

O moreno sorriu com um misto de satisfação e divertimento.

- Você vai acabar se acostumando. Não pense muito sobre isso. – e então voltou a olhar para o computador.

Haruhi sentia-se estranhamente mais calma. Talvez aquela não fosse a melhor resposta que podia receber, mas não deixava de ser uma verdade. Ela sentia-se ainda mais constrangida quando pensava a respeito do que o loiro fazia do que no momento em que tudo se passava, de forma que havia uma lógica válida ali. O jeito era mesmo dar tempo ao tempo e aguentar como fosse possível até se acostumar.

Kyouya tinha voltado a escrever o que precisava, mas sua mente estava distante. Estava lembrando o começo do relacionamento com Hana, quando ainda se sentia estranhamente desconfortável na presença dela, mas ao mesmo tempo não queria se despedir. Era um sentimento estranho e completamente novo e ele geralmente se pegava com o coração acelerado pela mais simples das coisas. Inconscientemente, ele sorriu de canto. Haruhi, ao seu lado, não notou, distraída com a partida.

- Jenna. – Anastácia debruçou sobre a mesa que as duas dividiam e sussurrava ao chamar a amiga. Quando a coreana se virou, ela apontou com a cabeça para o outro lado da piscina.

Jenna olhou por alguns segundos e então as duas se entreolharam com um ar cúmplice. Levantaram-se praticamente ao mesmo tempo e contornaram a piscina com um ar inocente, parando atrás de Kyouya. Anny apoiou um braço no ombro do rapaz, assustando-o levemente, o que a fez rir. Jenna se apoiou na mesa, de costas para onde Haruhi estava sentada segundos antes. Agora, a japonesa já tinha se levantado e saído para fazer alguma coisa.

- O que vocês querem? – o moreno não se importou em fechar a janela no computador. Não era nada interessante para elas, ele sabia. Apenas um relatório parcial sobre o lugar.

- Ah, então era isso que você estava vendo. – Anastácia pareceu decepcionada – Pelo jeito como você estava sorrindo, todo retardado, achei que era aquela foto com a Hana.

As duas garotas riram, enquanto ele apenas se limitou a ajeitar os óculos.

- Não sei do que você está falando. – ele recomeçou a escrever, consciente do aumento na pressão do braço de Anny em seu ombro quando ela se curvou mais para lhe mostrar alguma coisa no celular.

- Essa.

Kyouya respirou fundo e desviou os orbes para a tela menor. Era a foto que Valentine tirara no dia anterior. Ele precisou respirar fundo para não sorrir com a imagem. Ainda era algo estranho para o moreno os efeitos que aquele tipo de coisa tinham sobre seu corpo. As duas garotas sorriram com satisfação e foi a vez de Jenna entrar na brincadeira.

- Eu imaginei que você fosse participar do jogo. – ela apontou com o polegar para a piscina – Sabe, para proteger a sua preciosa princesa. – o tom zombeteiro em sua voz era quase palpável.

- Ela não precisa que eu "a proteja". – ele franziu o cenho ao terminar de falar.

Jenna ia responder, mas não precisou apresentar um argumento. Naquele instante, Daniel tinha acabado de tocar a bola para Hikaru, mas perdeu o equilíbrio e caiu em cima de Hana em uma cena um tanto constrangedora. O rapaz rapidamente se levantou, cambaleando um pouco para trás e se desculpando repetidamente enquanto agitava as mãos diante do corpo com nervosismo. Suas bochechas estavam vermelhas, o que fez a garota rir.

Hana lançou um breve olhar ao redor ao perceber que os amigos, incluindo os três do lado de fora da piscina, os observavam com curiosidade e puxou Daniel para um abraço, pressionando os seios em seu peito com o gesto e falando com um tom de divertimento o quanto achava que o rapaz tinha ficado fofo com aquela expressão. Um sorriso satisfeito se desenhou nos lábios da garota quando ela notou o desconforto de Kyouya. Achava extremamente divertido provocá-lo.

Quando o gêmeo americano se viu livre, rapidamente se afastou, pedindo licença e saindo da piscina. Hikaru suspirou frustrado, perguntando como poderiam continuar o jogo com um participante a menos. Anastácia e Jenna automaticamente olharam para Kyouya como se dissessem para ele se voluntariar. O moreno não parecia satisfeito com a situação, mas fechou as coisas no computador e se levantou. Enquanto tirava a camiseta de algodão que usava, podia sentir os orbes negros de Hana cravados em seu peito e sorriu ao ver as bochechas levemente vermelhas da garota.

Jenna e Anny se sentaram à mesa antes ocupada pelo moreno e passaram a acompanhar o jogo até que Daniel, ainda um tanto constrangido, reapareceu no lugar. Mas ele não se sentia disposto a continuar jogando, como suas roupas deixavam claro. Ele tinha tirado a roupa de banho e vestido uma camiseta e um short esportivos. As garotas o olharam em silêncio, mas logo voltaram a prestar atenção no jogo. Somente quando ele soltou um suspiro sonoro que Anastácia achou melhor perguntar se estava tudo bem.

- Ah… Está. Eu só… Eu não esperava aquilo. – ele ainda tinha as bochechas rosadas e fitava o colo ao falar.

Jenna riu.

- Uma semana é pouco para se acostumar com o jeito do nosso grupo. – ela deu de ombros.

- Especialmente porque algumas têm neurônios faltando. – Anastácia fitou Hana por um instante e então tornou a olhar o garoto – Ela não fez por mal, acredite. – "Pelo menos, eu espero que não", ela sorriu de canto.

Ele assentiu, hesitante.

- Foi a primeira vez que eu… Ah…

- O que? – Anastácia se controlava para não rir. Estava achando uma verdadeira graça vê-lo constrangido daquele jeito como se fosse uma criança descobrindo o mundo – Ficou tão perto de uma garota daquele jeito?

O rapaz concordou.

- Espera aí. – Jenna cruzou os braços sobre a mesa – Você… Nunca ficou com alguém? Mesmo sendo essa graça de pessoa? – ela franziu o cenho, achando difícil de acreditar.

- Ah, bem… Sobre isso… – ele engoliu em seco. Apesar do constrangimento, era incrivelmente fácil falar sobre aquilo com elas – Já, mas não chegamos a fazer nada demais…

- Que meigo, um casal inocente. – Anny sorriu – Parece até a Mei com o Takashi.

Jenna olhou para a amiga de forma estranhamente sugestiva.

- Inocente por causa dela, né?

As duas riram, enquanto Daniel pareceu não entender. Anastácia ia responder, mas um grito breve e agudo de Catarina se fez ouvir. Alguma coisa a tinha assustado e bastou um breve olhar do trio para ver que ela não tinha sido a única. Kyouya estava parado próximo à rede, passando uma mão pelos cabelos negros de forma a tirá-los do rosto, enquanto a bola boiava a uma distância de quase um braço da loira. Pela expressão surpresa dos demais, Anastácia e Jenna concluíram que o sempre tão sério namorado de Hana tinha um dom para vôlei. E tinha batido com força demais na bola.

Hana, não surpreendentemente, tinha um ar encantado.

Anastácia riu ao ver aquilo. "Nem parece a mesma pessoa", ela apoiou o cotovelo na mesa e o queixo na palma da mão. Jenna se levantou e foi até Nathan, falando brevemente e aos sussurros. Então se levantou e voltou para a mesa, sentando-se no mesmo lugar de antes. Seus orbes fitaram Daniel, que parecia concentrado na partida, curioso para saber o que aconteceria. Ela se perguntou se ele não gostaria de voltar para a água.

Passaram mais um tempo naquela situação, Haruhi agora sentada à mesa com os outros três e conversando enquanto viam o jogo. Algumas horas depois de o sol ter começado a descer, um empregado veio anunciar o almoço. O grupo começou a sair da piscina, mas alguma coisa segurou Kyouya pelo braço. Quando ele se virou, encontrou uma Hana sorridente o fitando. Ela então passou os braços ao redor dele e agradeceu com um sorriso por ele ter decidido jogar com o grupo. O moreno não respondeu, apenas a fitando de volta com as mãos em sua cintura em um gesto inconsciente.

- Os dois pombinhos vão demorar muito? – a voz de Kaoru fez o casal se virar. O ruivo sorria de forma zombeteira e Hana se soltou, estendendo-lhe a mão como se pedisse ajuda para sair.

Quando o rapaz segurou com firmeza a amiga, sentiu um forte puxão no braço.

- Isso é para você aprender a não atrapalhar os outros. – Hana ria ao falar assim que o mais novo emergiu.

Kaoru lhe mostrou a língua em resposta, mas também se divertia. Kyouya apenas revirou os olhos e se retirou da piscina, sendo seguido pelos outros dois. Em pouco tempo todos estavam reunidos ao redor de uma mesa montada do lado de fora do hotel, em uma área coberta com vista para a piscina e a lanchonete, sendo servidos por diversos empregados. O cardápio daquela vez era simples, mas não por isso deixava de ser tão saboroso quanto todos os outros pratos que já tinham provado.

Aquela seria a última refeição que fariam ali.

O navio estava programado para levá-los no final da tarde, pouco antes de o sol começar a se por. Hana não conseguia deixar de pensar que aquilo significava que logo ela estaria se encontrando com John para entender o que aquele e-mail estranho queria dizer. Ela olhou brevemente para Kyouya, imaginando se aquilo tinha lhe ocorrido também, mas não conseguiu decifrar a expressão do namorado. A indiferença de sempre tornava difícil captar qualquer coisa.


Catarina tinha adormecido assim que o grupo se acomodou nos quartos na embarcação e Hikaru não conseguiu evitar sorrir ao vê-la em um sono tão profundo e, aparentemente, tranquilo. Fechou a porta do cômodo em silêncio e foi procurar o resto do grupo para fazerem alguma coisa. Não muito depois, a garota se revirou na cama. Tinha começado a ter um sonho estranho que parecia longe de acabar.


Hikaru estava com as mãos em sua cintura, beijando-lhe de forma carinhosa, mas ainda assim intensa, percorrendo a pele alva da garota. Desceu-lhe pelo pescoço, deixando uma marca fraca pelo caminho, enquanto sua mão subia pela coxa firme e pequena, levantando o tecido. O ruivo parou, sorrindo de forma marota para a mais velha deitada na cama sob si. Catarina retribuiu ao sorriso com as bochechas ardendo.

Tornaram a se beijar com uma vontade que fazia parecer que não se viam há décadas. Estranhamente, ela estava com uma saia não muito longa, o que facilitava as provocações do rapaz. O toque de seus dedos sobre a pele branca da garota a arrepiava e ela não conseguiu conter um gemido quando ele lhe mordeu o lóbulo da orelha. Ambos tinham a respiração pesada, como se tentassem manter o mínimo de controle sobre seus corpos com uma grande dificuldade.

A mão de Hikaru continuou subindo.


Catarina acordou com um sobressalto, respirando com dificuldade. Sentia-se corada até a última célula de seu ser, sem conseguir entender por que tinha sonhado com aquilo. Eles mal pareciam namorados normalmente, não havia motivo para… Aquilo. Não que o ruivo não a atraísse. Mas… Ela chacoalhou a cabeça. Não podia dar corda para aquele pensamento ou as coisas ficariam muito piores. Decidiu que era melhor lavar o rosto, de forma que saltou da cama e foi até o banheiro. A água fria lhe acalmou um pouco, mas não foi suficiente. Tinha acabado de abrir a porta para voltar ao quarto e trocar de roupa quando seu coração parou.

Hikaru estava parado bem diante de seus olhos.


N/A: capítulo tapa-buraco mesm que tem pra hoje, hahahah. Eu precisava terminar a viagem deles e não fazia a menor ideia do que colocar, aí saiu isso. Os próximos capítulos serão melhores, tenham fé, hahahah. Pelo menos, eu espero que sejam, mas vai saber... Enfim, é isso. Espero que tenham gostado! (Rack, vc já pode ser feliz, hahaha)