N/A: e quase dois meses depois, aqui estou eu! Podem cantar aleluia, hahahaha. Enfim... Esse capítulo ficou minúsculo, mas é o que tem para hoje, então se contentem. E perdoem quaisquer erros de ortografia, eu não revisei (eu nunca reviso, mas tudo bem, ahahah)


Hana encarou uma última vez a mensagem de John exibida na tela do celular para se certificar de que estava no lugar certo e então atravessou a grande porta de vidro. Pouco atrás de si, ouvia os passos do trio de guarda-costas. A garota suspirou. Aquilo era tão incômodo que ela sentia vontade de sair correndo e fugir pela primeira janela que encontrasse. "Se bem que eles provavelmente vão me alcançar fácil. E fugir pelo banheiro é fora de questão, porque tem uma mulher na equipe. Muito esperto, Kyouya…", ela se sentou à mesa indicada na mensagem e esperou.

- Hana! – a voz animada de John soou ao seu lado após poucos minutos e os orbes negros se levantaram do cardápio.

A garota se levantou e, em um gesto rápido e inesperado, bateu com a palma bem aberta da mão na bochecha esquerda do amigo. Ele piscou algumas vezes e olhou confuso para ela. As pessoas ao redor também tinham parado o que faziam para observar. O moreno esperava em silêncio e ficou sem saber o que fazer quando a garota bufou e virou o rosto antes de tornar a se sentar. Ele tinha conseguido ver os olhos marejados dela.

- Hana…? – ele se sentou à frente da morena e colocou as mãos sobre a mesa como se pedisse as dela.

- Você é um idiota, sabia…? – ela respirou fundo e segurou as mãos do amigo, que sorriu com satisfação.

- E você é uma bruta, mas eu ainda te amo. – ele falava com um tom de brincadeira e logo os dois riam.

- Desculpe por isso. – ela estava visivelmente constrangida e olhava para os dedos enlaçados para não fitar o amigo – É só que… Eu sei lá… Foi a primeira coisa que eu senti vontade de fazer depois que li seu e-mail e acho que a vontade não passou como eu achei que tivesse. – ela sorriu de canto.

John riu mais uma vez.

- Aliás, eu imagino que aqueles ali – ele indicou uma mesa atrás de si com a cabeça – sejam seus guarda-costas. – ele estava realmente se divertindo.

Hana revirou os olhos e suspirou.

- É. Não consegui despistá-los. – ela sorriu de forma divertida e o rapaz retribuiu.

- Bom, vamos ao que interessa, não é? – ele soltou as mãos da amiga e fez sinal para o garçom. Assim que o funcionário se aproximou, pediu um suco de laranja para a morena e uma água com gás para si. Esperou estarem sozinhos novamente para tornar a fitar os orbes negros diante de si – O que mais você quer que eu te conte?

- Eu prefiro começar te dando uma informação muito importante, na verdade. – ela fez uma pausa para analisar as reações do amigo e respirou fundo antes de continuar – Por mais que te machuque, eu acho importante que você saiba que a Anny está feliz. Ela sente a sua falta. Todas nós sentimos. Tanto de você quanto dos outros dois. – John sorriu e ela acabou sorrindo de volta – Então você não precisa se preocupar com isso, ok…?

- Eu vou me preocupar pelo resto da vida, Hana… Você sabe disso. – ele recolheu as mãos ao colo, mas a garota não fez o mesmo.

O garçom se aproximou, deixando as bebidas e se afastando em pouco tempo.

- Então agora vamos ao favor. – Hana continuou assim que estavam sozinhos de novo – Diga ao Fred para deixar de ser idiota. Ele não tem que se arrepender de nada. – ela franziu o cenho brevemente antes de continuar – Ou então eu vou fazê-lo se arrepender de verdade.

John sorriu de forma um tanto zombeteira, mas aceitou passar o recado. Hana riu com a reação do amigo, pensando em todo bem que aquela conversa sincera entre os dois traria. Não importava, naquele momento, se ela não poderia contar a mais ninguém sobre as confidências trocadas. O importante era apenas que tirassem aquele peso das costas, aquele aperto do peito. Então ela decidiu continuar.

- Vamos recapitular, sim? – ela esperou que o amigo concordasse antes de continuar – Na época em que você gostava da Anny, tanto ela quanto a Cat gostavam de você. – John concordou de novo, apesar de não ser necessário – Claro que isso só apareceu depois, mas enfim. Como as coisas com a Anny pareciam não ter qualquer esperança, você decidiu investir na Cat sem saber o que ela sentia. – Hana engoliu em seco. Sabia aonde aquilo ia parar e não estava gostando. O rapaz concordou novamente – Porque ela "sempre pareceu se contentar com pouco".

John ia comentar alguma coisa, mas a garota não deixou.

- Vamos esclarecer algo aqui. Nenhuma de nós "se contenta com pouco", ok? Somente nós sabemos o que é pouco ou muito em nossas vidas, então não ouse repetir esse tipo de comentário. – ela tinha apontado o dedo para o meio do rosto do amigo e parecia realmente incomodada com aquela história. Os orbes dourados piscaram algumas vezes antes de haver uma concordância – Ótimo. – ela tornou a respirar fundo e continuou – Independentemente disso, você percebeu que machucou a Cat com isso, mesmo que tenha sido tarde demais…

- Você está me deprimindo, Hana, mas sim, foi isso. – John deu um sorriso triste – Por isso eu me sinto ótimo sabendo que ela se entendeu com o ruivo lá.

- É disso que você se arrepende mais? – a garota podia perceber a ansiedade em sua voz e engoliu em seco. Não surpreendentemente, as palavras tinham saído sozinhas.

John suspirou.

- Não sei se "mais" é a melhor palavra, mas eu realmente me arrependo. Muito, só para registrar. Mas eu gosto de pensar que isso a ajudou a se fortalecer.

Hana pareceu ponderar por um instante.

- É, de certa forma, ajudou. – ela sorriu e logo recebeu um sorriso de volta – Eu posso garantir que ela não se arrepende de nada em relação à vida amorosa que tem levado. – ela viu a gratidão nos orbes do outro e se sentiu bem com aquilo – Continuemos. Eu quero que você me explique sobre os lapsos de memória. – ela tinha um ar sério e o rapaz se ajeitou no lugar.

- Isso é… Complicado. Eu já fui a vários médicos e nenhum deles soube me dizer o que acontece nessas horas. O que… O que eu tenho. Eu só sei que, quando a adrenalina passa de um determinado limite, que eu não sei exatamente qual é, a minha memória para de funcionar. Eu paro de armazenar as informações do que acontece ao meu redor. E isso é um problema antigo. O que parece que tem acontecido ao longo dos anos é que… Eu não sei, é como se eu tivesse me tornado mais resistente, sabe? Como se a adrenalina precisasse subir mais agora do que subia antes para isso acontecer. Mas parece também que esse limite parou de aumentar tem alguns anos. – ele suspirou mais uma vez – O que é um grande problema considerando o quanto eu gosto de uma desculpa para socar alguém.

Hana franziu o cenho. Se aquele grupo tinha um problema – não só os meninos, mas parte das meninas também –, era o gosto por sangue. Por derramá-lo, mais especificamente. Não que eles fossem capazes de matar alguém, mas gostavam de uma boa briga. Às vezes, ela não sabia dizer se esse gosto tinha aumentado ou diminuído com o tempo. Claro, os meninos davam muito mais trabalho nesse quesito que elas, especialmente Fred. Mas ela sabia que, se fosse preciso, eles não brigariam sozinhos. Felizmente, quando era algo entre eles, a coisa nunca ficava realmente séria, então ninguém chegou a parar no hospital.

- E você sempre teve medo de machucar a Anny por causa disso. – ela completou o raciocínio. John assentiu – Que nobre da sua parte, meu amor. – ela tinha um tom zombeteiro deliberado. Precisava descontrair ou aquela tensão toda a sufocaria.

John riu, dando um sorriso largo que fez com que a garota se sentisse bem melhor.

- Só você mesmo, Hana.

Ela fez um coração com as mãos e logo os dois riam novamente.

- Tudo bem, já entendi a sua parte da história. Agora… – ela cruzou os braços sobre o tampo da mesa e se projetou levemente para frente – Faça o favor de me explicar o lance do Ben.

- Não sei do que você está falando. – o rapaz ficou com uma expressão deliberadamente inocente que fez a amiga revirar os olhos – A parte da relação de vocês se despedaçar? Ou sobre eu achar que vocês formam um belo casal? Talvez… O carinho especial que ele sempre teve por você?

- Que tal – ela sorria com divertimento – a parte de… Tudo?

John riu.

- Eu não sei o que te dizer, Hana. Mas você não esqueceu a visita ao hospital, esqueceu? Céus, a preocupação que te consumiu… Eu nunca vi você tão preocupada com alguém até aquele dia. – ele sorriu de forma estranhamente carinhosa e a morena franziu o cenho – E por que você acha que ele foi defender você antes de qualquer um de nós conseguir fazer alguma coisa?

- Eu não sei se gosto do que você está insinuando. – ela envolveu o copo ainda cheio com as mãos e deu um longo gole pelo canudinho.

- Mas eu nunca disse que ia gostar, você sabe disso. – ele ergueu uma sobrancelha com um ar levemente desafiador, o que fez a amiga revirar os olhos. Então sorriu e tornou a falar – Não se preocupe, isso são águas passadas. Ele a vê como uma irmã agora, Hana. E não há dúvidas de que a recíproca é verdadeira.

Ela se viu obrigada a concordar.


Enquanto Hana e John conversavam tranquilamente na lanchonete que o rapaz escolhera, Kyouya estava com Anastácia, Catarina, os gêmeos e Hani. Os dois casais tinham combinado de sair para fazerem compras e, por um motivo que o moreno ainda não entendia, tinham decidido que arrastar o moreno e o loirinho era uma ideia verdadeiramente interessante. Pelo menos o mais velho parecia estar se divertindo. Kyouya suspirou.

- Sem reclamar. – Anastácia tinha brotado ao lado do mais novo e estendeu uma camisa para ele – Prove, quero ver como fica.

Ele franziu o cenho e não tirou as mãos dos bolsos da calça.

- Pare de ser tão mesquinho e prove de uma vez. – ela estendeu a peça para o amigo – Aposto que vai ficar ótimo. Se eu estiver certa, a Hana vai adorar. – ela sorriu com satisfação, especialmente quando o rapaz suspirou em derrota e foi em direção aos provadores com a camisa em mãos.

"Parabéns, você acabou de admitir que faria qualquer coisa pela Hana. Isso que eu chamo de progresso, rapaz", Kyouya ouviu a vozinha em sua cabeça quase cantarolar as palavras. Desde que tinha se acertado com a garota, quase não ouvia aquela voz da sua consciência. Infelizmente, sempre que ela aparecia, era para dizer alguma coisa que ele não podia contestar. E ele podia sentir a satisfação que Anny emanava, o que deixava ainda mais desconfortável.

"Sabe o que eu andei percebendo? Vocês não são muito de se beijarem, não é? Sei não, mas acho que rolava mais contato físico antes de vocês se acertarem. Por que não chega hoje e dá um grande beijo nela? Aposto que ela não vai reclamar", a voz continuou. Kyouya parou de abotoar a camisa que provava ao ouvir aquela ideia. Era uma ideia ridícula. Não era como se ele e Hana não tivessem seus momentos mais íntimos, ele só não gostava de ficar demonstrando tanto em público. Ela sabia daquilo.

Mas saber era suficiente?

Kyouya se concentrou em seu reflexo no espelho e respirou fundo. Não era hora de ficar pensando naquilo, de forma que terminou de abotoar e ajeitar a camisa para ver como ficaria no final. Como Anny tinha previsto, a peça tinha lhe caído bem, o que era ao mesmo tempo satisfatório e frustrante. Passou alguns segundos analisando a própria imagem antes de destrocar a roupa. Quando saiu, encontrou a morena satisfeita do lado de fora. Ela não precisou perguntar para saber que o rapaz levaria a peça.

Ela apenas riu quando ele suspirou.