Quando Kyouya e os gêmeos chegaram, Catarina já estava toda encolhida no sofá, cansada de se contorcer de ansiedade. Hana, Jenna e Mei estavam sentadas à mesa de jantar ainda, conversando sobre qualquer outro assunto. Anny, por sua vez, tinha pegado um livro para ler e estava absorta demais na história para saber o que se passava no mundo real, de forma que se assustou quando ouviu a campainha soando alto pelo apartamento.

- Oi. – Hana sorriu para o moreno ao abrir a porta.

- Chegamos. – Kyouya passou a mão carinhosamente pelas mechas curtas da namorada, sorrindo de canto, e então entrou na casa.

Kaoru e Hikaru seguiram atrás, cumprimentando as garotas com um breve aceno. Catarina se encolheu mais ainda quando seus orbes azuis cruzaram com os dourados do gêmeo mais velho, enquanto ele apenas afundou as mãos nos bolsos e virou o rosto. Anny olhou para o respectivo namorado como se perguntasse que tipo de reação era aquela, recebendo um dar de ombros cansado como resposta.

- Bom, eu lembrei que tenho trabalho para fazer, então… – Jenna logo se levantou, indo para o próprio quarto e arrastando Mei consigo.

- Mas eu não tenho n…

A descendente de japoneses não teve tempo de terminar a frase, porque logo tinha sumido pelo corredor em meio às desculpas da amiga, que "a usaria como modelo", que "queria ajuda com ideias", que acreditava que "duas cabeças pensam melhor do que uma" e outras mais. O grupo acabou soltando uma risada breve com a cena, mas logo o clima pesado voltou a se instalar.

- Olha… – foi Kaoru quem começou – Nós não queremos dizer a vocês como resolver isso. Mesmo. Nós só queremos que vocês resolvam, que cheguem a um acordo.

Catarina abraçou mais fortemente a almofada que tinha no colo, escondendo quase todo o rosto, e olhou para Hikaru, que ainda mantinha o rosto virado como se tivesse algo que o envergonhasse e de que precisava fugir. Anastácia suspirou. Hana e Kyouya se entreolharam. Quase todos ali pensavam a mesma coisa: e se fosse com eles? O que fariam para resolver?

- Acho melhor nós sairmos logo também. – Hana enlaçou os dedos com os de Kyouya, que não protestou ao ser guiado pelo corredor até o quarto da namorada.

- Vocês sabem que só estamos fazendo tudo isso pelo bem de vocês, não sabem? – Anastácia falou, soando cansada e derrotada – Independentemente do que vocês decidam, nós esperamos, de verdade, que vocês tomem essa decisão de forma consciente e, mais importante, que não se arrependam.

- Nós já entendemos. – Hikaru falou com um muxoxo, olhando de forma hesitante para Catarina, que assentiu.

- Tudo bem então. – Kaoru suspirou e indicou com a cabeça à Anastácia que saíssem da sala e dessem alguma privacidade aos dois. A garota imediatamente concordou, pondo-se em pé e fechando o livro, que levou consigo quando saíram.


- Como acha que eles estão? – a pergunta de Hana fez Kyouya desviar o olhar da janela.

- Por que a pergunta? – ele franziu levemente o cenho ao olhar para ela e se sentou sobre a cama.

A garota logo se sentou ao seu lado, dando de ombros.

- Só estou preocupada… Sabe, se eles não se acertarem, tudo isso vai ser… Uma grande droga, no mínimo.

- Hana. – ele a chamou, mas a garota continuou falando como se não tivesse escutado.

- Digo, a Cat já sofreu tanto com a perda de pessoas queridas. Ela não merece mais, entende? E ela gosta tanto do Hikaru. Seria mesmo uma pena se eles se separassem.

- Hana. – ele chamou de novo, dessa vez mais forte.

- Eles merecem ficar juntos. – ela continuou fingindo que não escutava – Merecem mesmo. Afinal, é difícil encontrar alguém de quem se gostem tanto desse jeito.

- Hana. – o tom dele agora era cortante. Quantas vezes mais teria de chamar?!

A garota engoliu em seco e parou de falar, virando-se para ele com certa hesitação.

- Eu não vou embora. – ele a olhava com seriedade e tinha o tom levemente irritado – Você pode, por favor, se acalmar? – ele suspirou.

A morena inspirou profundamente, mas demorou a soltar o ar. Quando o fez, foi aos poucos, como se marcasse o ritmo em que estava digerindo a informação. Como assim ele não ia embora? Ele ia continuar ali, nos Estados Unidos? Ali… Com ela? Mas os estudos estavam programados para só um ano, então o que raios aquilo devia significar? Claro, provavelmente havia a opção de estendê-los, mas ninguém nunca disse nada e todos tratavam aquele fim de ano com tanto drama…

- Não… Vai…? – foi tudo que ela conseguiu dizer ao final.

Kyouya sorriu de canto e a puxou para si em um abraço carinhoso.

- Não vou. Então, por favor, pare de surtar. Eu não sei o que fazer quando você fica assim.

A garota riu e o abraçou de volta. O alívio era tanto que ela não duvidava que, se estivesse com os hormônios mais à flor da pele, fosse capaz de chorar. "Felizmente não estamos nesse período, então eu posso fingir que sou uma pessoa mais composta", ela riu sozinha. Kyouya não disse nada, apenas mantendo os braços ao redor do corpo da outra.


- Sabe… – Kaoru girava o celular nas mãos, visivelmente nervoso – Nós também precisamos falar sobre isso ainda…

- É, eu sei. – Anastácia transmitia uma calma que não sentia – Mas eu não sei o que podemos fazer. – ela suspirou.

- Eu também não. – ele tinha um ar derrotado – Eu ainda quero que você venha comigo para o Japão, mas não agora. Eu sei que agora é completamente inviável para você. Eu penso nisso faz muito tempo. Eu sei que, quando pedi na primeira vez, falei como se quisesse que você fosse comigo quando o ano acabasse, mas eu andei pensando a respeito de lá para cá e sei que não é possível. Mas, céus, eu não quero ter de viver longe de você. – ele sentia as bochechas esquentarem, mas não se importou.

Anny piscou algumas vezes, sem saber o que responder. Sentiu o rosto ferver de repente e riu, nervosa. Tinha tentando pensar que aquilo, aquela proposta, não era séria. Não ainda. Mas o tom do ruivo não deixava dúvidas. Claro que, se ela não fosse para lá eventualmente ou ele não se mudasse para os Estados Unidos, a situação ficaria insustentável, mas ela evitava ao máximo pensar a respeito. Porque era algo que doía. Mas não podia fugir mais.

- Eu… Entendo. – ela engoliu em seco – Eu não sei o que te dizer, Kaoru…

- Não precisa responder agora. – ele baixou os olhos, constrangido – Eu… Eu só quero que você saiba que eu não vou desistir.

- Eu nunca achei que fosse. – ela sorria carinhosamente e foi até ele, sentando-se ao seu lado e o abraçando – Acho que podemos tentar…

Ela não precisava dizer o resto para que ele entendesse.

- Acha que conseguimos? Digo, vai ter todo um oceano entre nós e eu não quero que você se sinta obrigada a nada e, se ficar muito difícil para você, eu não quero que se sinta presa…

- Se alguma coisa acontecer, a gente conversa de novo. – ela deu de ombros.

- É, tem razão. – ele sorriu de canto e encostou a testa na da garota – Então acho que um relacionamento a distância pode dar certo.

Anny olhou nos orbes dourados por alguns segundos antes de tombar levemente o rosto e pressionar os lábios contra os do rapaz. Ele logo a acolheu, retribuindo ao gesto e passando os braços ao redor de sua cintura, puxando-a mais para si. Acabaram caindo na cama, o que os fez rir por um instante. Ela tinha ficado por cima, de forma que sentia os seios pressionados contra o peito do rapaz. Imaginou o que se passava na cabeça dele, mas logo decidiu que não importava. Então tornaram a se beijar.

Ambos sorriam levemente com a situação.


Enquanto Anastácia e Hana estavam se resolvendo com os respectivos namorados, Catarina e Hikaru ainda se encaravam sem saber o que dizer. Por que aquilo tinha de ser tão complicado? Não deveria ser, certo? Os minutos de silêncio os sufocavam, mas nenhum dos dois sabia como começar a conversa. Por fim, já sem suportar mais, Catarina bufou e se levantou, indo até o ruivo e o encarando com o cenho franzido.

- Você é um idiota. – ela tinha o tom choroso, mas conseguia se controlar.

Pelo menos naquele momento.

- Eu… O que? – Hikaru piscou algumas vezes, sem conseguir entender o propósito daquilo.

- Você é um idiota. – ela repetiu e seu maxilar ficou tenso.

Hikaru franziu o cenho, sem responder.

- Qual pode ser a droga de dificuldade em entender?! Saco! – ela se virou para voltar ao sofá, mas o ruivo a deteve segurando seu pulso. Catarina se virou com um ar irritado – O que é?!

- Eu entendo, ok? – ele parecia se controlar para não gritar com ela e seu coração apertou quando ela engoliu em seco. Ele podia ver o quanto ela queria chorar pelos mais diversos motivos – Eu… Estou tentando, pelo menos…

Sua voz tinha caído alguns tons, virando um quase sussurro. Ele sentiu a tensão da outra se dissipar e a viu voltar para perto, mas teve medo de soltá-la e, de repente, ela não estar mais ali. Sua mão escorregou e ele sentiu os dedos se enlaçarem com os dela. A garota não pareceu achar ruim e logo tinha retribuído o gesto, fechando a mão em torno da dele. O silêncio agora não os oprimia tanto. Era quase agradável, na verdade.

- Eu sei que vai ser difícil para você, droga. – ele engoliu em seco – Eu sei disso… É por isso que eu quero tanto me esforçar para dar certo.

- Mas quanto tempo você acha que vai aguentar tudo isso…? – ela tinha o tom hesitante, como se não quisesse realmente saber a resposta.

- Eu… – ele parou. Respirou fundo. Não tinha como mentir. Não para ela – Eu não sei… Mas eu não quero que a gente acabe por causa de uma incerteza, Cat…

Ela sentiu que as lágrimas começavam a escorrer.

- Eu também não quero, Hikaru. Mas eu quero menos ainda que a gente chegue em algum tipo de situação insustentável e depois mal consiga se olhar nos olhos. – ela levantou os orbes azuis para os dourados e viu que não era a única chorando.

- Nós não vamos chegar a esse ponto…! Céus, por que você só pensa no pior…?! – ele a soltou apenas para passar os braços ao redor de seus ombros e a abraçá-la com força – Eu prometo, ok…?

Catarina hesitou mais uma vez, mas logo o abraçou de volta.

- Ok…

Hikaru sorriu de canto. Ficaram desse jeito por mais alguns segundos, sem perceber que os amigos tinham voltado para a sala até que alguém pigarreasse. Pelo clima que os envolvia, era fácil perceber que todos tinham se acertado. Aquele era um bom sinal. Seria bom evitar ao máximo conflitos naquele fim de ano letivo. Afinal, eles tinham pouco tempo para aproveitar, por que desperdiçarem com brigas ou qualquer outra coisa parecida?


N/A: ficou pequeno, mas dane-se. Não sabia mais o que colocar sem ficar só "blablabla". E eu acabei de mover pelo menos 1/3 do depósito pra dentro de casa só de decoração de natal. Eu vou estar na casa do papai noel quando estiver tudo decorado de tão natalino que vai estar aqui. Meu deus. Anyway, ignorem, eu to só chata mesmo ):