Catarina estava concentrada utilizando os programas de planejamento e design arquitetônico, tentando fazer os melhores cenários para o último projeto de Hikaru. O ruivo, por sua vez, dormia profundamente depois de virar a noite terminando uma parte do jogo em que trabalhava. A loira não sabia ainda se gostava de toda aquela dedicação mas sabia que não podia reclamar. Ela mesma já tinha virado incontáveis noites por causa da faculdade.

Ela parou o que fazia para poder analisar o projeto completo. Olhou para a tela do computador por alguns segundos, explorando toda a região que tinha planejado. Alguns prédios já tinham sido feitos, outros estavam começados. Muitos, no entanto, ainda eram apenas uma ideia, uma demarcação de espaço. Hikaru tinha sio extremamente específico sobre o que queria naquela vez.

Ela suspirou. Aquilo daria mais trabalho que o normal, talvez fosse melhor pegar uma xícara de café.

Girou a cadeira para o lado oposto da escrivaninha e se levantou, indo até a cozinha. Antes de sair do quarto, lançou um breve olhar à cama de casal onde Hikaru dormia e sorriu de canto. Ele parecia finalmente capaz de descansar nos últimos dias. Aquilo era bom. "Talvez", pensou ela, "eu devesse fazer alguma coisa para quando ele acordar...". Ela conferiu os armários, pegando tudo de que precisava para seu café anotando mentalmente o que tinham para ver se precisaria comprar alguma coisa.

Deixou a água fervendo e começou a preparar a mesa e a pia para o caos que estava prestes a se instalar. Ela ainda não sabia como fazer os biscoitos sem acabar deixando a cozinha levemente bagunçada, mas não se importava. Sempre dava tudo certo no final, então por que se preocupar? Separou os ingredientes e estava prestes a começar a fazer a massa quando a chaleira apitou. Sem pressa, a loira preparou seu café e o deixou esfriando enquanto voltava ao seu projeto culinário.


Hikaru acordou quando a segunda fornada de biscoitos assava. O cheiro de café fresco se misturava com o dos doces, fazendo seu estômago roncar. Ele olhou em volta, vendo o computador com a tela escura, mas definitivamente funcionando, sinal de que Catarina tinha estado ali fazia pouco tempo. Ela tinha o hábito de trabalhar enquanto esperava o que quer que tivesse deixado no forno.

O rapaz levantou da cama e foi até a cozinha, ajeitando mais ou menos os cabelos com as mãos no caminho. Sorriu ao ver Catarina diante da pia, provavelmente arrumando os biscoitos em um prato. Sobre a mesa, uma jarra de café fresco e duas xícaras estavam dispostas. Hikaru puxou uma cadeira e se sentou, pegando uma xícara e se servindo. Catarina olhou por sobre o ombro para o ruivo e sorriu ao desejar "bom dia", apesar de já ser meio da tarde. Então voltou ao que fazia. Em pouco tempo, uma bandeja de biscoitos foi posta diante de um ruivo faminto, que logo estendeu a mão para pegar um dos doces.

- E então? – ele mordeu o biscoito antes de terminar de elaborar a pergunta, o que fez com que Catarina precisasse de alguns segundos para entender a que ele se referia.

- E então o que? O trabalho, você diz?

Ele concordou com a cabeça, mais preocupado em comer do que falar.

- Eu consegui fazer uma parte, mas não sei se ficou como você queria. Quando acabarmos aqui, eu posso te mostrar. – o cronômetro apitou, indicando que ela podia retirar os biscoitos do forno.

Hikaru observava em silêncio enquanto a loira trocava a massa assada pela crua na bandeja e imaginou quantos biscoitos mais ela assaria. Não que ele achasse ruim, mas aquilo dava um trabalho considerável. Catarina fechou novamente o forno e reprogramou a contagem regressiva. Então tornou a se virar para o rapaz.

- Fiz os prédios que me pareceram ser os principais primeiro, aí agora falta o resto. Mas queria mesmo que você desse uma olhada antes de continuar, caso você queira mudar alguma coisa. – ela deu de ombros. Em geral, ele não tinha muito o que acrescentar ao que ela fazia. Às vezes colocar mais ou menos luz aqui, aumentar um pouco ali, mas nada muito drástico.


Quando os biscoitos acabaram, os dois já estavam conversando sobre qualquer outra coisa que não fosse trabalho e rindo sem preocupações. Catarina gostava daquilo. O ruivo conseguia falar sobre qualquer assunto, em geral sem que a conversa ficasse pesada. E ela sempre conseguia um motivo ou outro para rir. Deixaram tudo sobre a pia, com Hikaru dizendo que lavaria mais tarde já que a loira tinha preparado tudo, e foram para o quarto.

Catarina se sentou na cadeira e o rapaz ficou em pé ao seu lado, olhando conforme ela mostrava para ele o que tinha feito e como tinha aplicado o que ele tinha pedido. Na cabeça do rapaz, aquele não era um mero cenário isolado. Ele ia juntando o que via com as partes já prontas do jogo, com as partes que seriam feitas ainda, com os personagens. Ele analisava a combinação das peças para ver se tudo se encaixava como devia.

Por fim, sorriu e puxou a garota para si, abraçando-a com força.

- Obrigado. Eu sei que foi mais difícil elaborar esse cenário, mas ficou ótimo. Obrigado mesmo, Cat. – ele a beijou no topo da cabeça e afrouxou o abraço levemente.

Catarina corou levemente. Apesar do tempo passado com o ruivo, ela ainda se sentia envergonhada às vezes com as demonstrações de afeto dele. Ela rapidamente se desvencilhou e respirou fundo, dizendo que voltaria ao trabalho ao se jogar na cadeira novamente. Hikaru riu, concordando vagamente, e foi pegar o laptop. Ela não era a única com trabalho a fazer.