Dez anos tinham se passado desde o primeiro encontro em Boston. Apesar de cada um ter seguido seu próprio caminho, o grupo continuava unido. Kaoru e Hana, por terem seguido a mesma carreira, se encontravam em diversos eventos. Quando podiam, Kyouya e Anastácia acompanhavam os dois. Por causa disso, os quatro se tornaram bem mais próximos do que já eram. Hikaru seguiu pelo universo dos jogos e conseguia sempre cenários impressionantes graças à Catarina, que seguiu pela Arquitetura. Em vez de planejar apenas edificações reais, ela também ajudava na elaboração dos projetos do gêmeo mais velho.

Mori seguiu na Jurisprudência e Mei adorava ver como ele parecia se transformar quando cuidava do trabalho e quando sua atenção se voltava para sua vida particular. A garota admirava os dois lados de Mori, o que fazia com que as amigas repetissem várias vezes sobre o quanto achavam uma graça quando Mei estava com o rapaz. Ela, por sua vez, seguiu carreira na Odontologia e tinha um consultório particular, do qual só se ausentava em ocasiões muito especiais ou por motivo de saúde. De vez em quando, era convencida pelas amigas a tirar férias.

Anastácia levava uma vida atribulada no hospital em que trabalhava – que, felizmente para ela, não era da família de Kyouya. Mas ela adorava, mesmo sendo desgastante às vezes por precisar ficar mais horas que o pretendido. Kyouya conseguiu os mais diversos títulos em Administração, superando seus irmãos ao seu próprio modo. Como conseguia diversas folgas, ele e Hana costumavam visitar os parentes com frequência, especialmente os do lado de Kyouya – Hana parecia se divertir com os encontros familiares mais do que o moreno gostaria. Jenna se tornou uma Designer de renome e fez parceria com Nathan em vários trabalhos. Apesar de viajar bastante, a garota se esforçava para não perder nenhum dos encontros com os amigos.

Hani seguiu pela área de Engenharia e manteve a parceria entre sua família e a de Mori em vários negócios. O loirinho se casou com Reiko, acabando por fazer várias das vontades dela. Tamaki, que assumiu os negócios da família, se casou com Haruhi, que conseguiu se transformar na advogada que sempre sonhou. Ter alguém com conhecimentos legais ajudou Tamaki a liderar os negócios da família com mais responsabilidade.


Naquele dia, Hana estava na casa da família Hitachiin, fazendo uma visita à mãe dos dois. Ageha, a irmã mais nova dos gêmeos, estava no antepenúltimo ano do Ginasial. Hana gostava de ver a garota por ser bem parecida com os gêmeos, apesar de eles dizerem que não era tanto assim. A morena estava sentada em um sofá na sala, lendo um livro recomendado por Kyouya, quando a mais nova apareceu. Ageha suspirou ao ver a mais velha e tinha o tom levemente indiferente.

- Você não se cansa de vir até aqui?

Hana sorriu e levantou o olhar para a ruiva.

- Não. Eu gosto daqui. É uma casa bem estruturada e me permite ver uma grande estilista em seu ambiente mais descontraído. – ela se levantou, deixando a bolsa e o livro sobre o sofá, e foi até a adolescente. Ao continuar a falar, Hana acariciou as mechas ruivas da outra – Não gosta que eu venha aqui?

Ageha baixou o olhar, visivelmente desconfortável.

- Não é isso, mas você aparece mais que os meus irmãos. Não acha isso estranho? – ela tornou a levantar os orbes destemidos para a morena, que apenas sorriu mais largamente em resposta – Que droga, por que eu não consigo com você?

- Não consegue o que? Provocar? – Hana estava visivelmente se divertindo – Porque eu conheço seus irmãos e sei que, por baixo dessa máscara de durona, tem um coração mole. Diga-me, Ageha, já encontrou um rapaz interessante?

A ruiva corou e se afastou em um movimento levemente brusco que fez Hana rir levemente.

- N-não é da sua conta…!

A morena sorria de canto ao responder.

- Só tenha certeza de que ele te aceita como você é antes de tomar qualquer decisão. – ela levou a mão direita ao ombro oposto, fazendo o mesmo com a outra mão, de forma que os braços ficaram cruzados sobre o peito. Ageha estranhou o gesto, mas não perguntou. Hana sorriu, abaixando os braços ao tornar a falar – Espero que ele seja alguém digno de você, Ageha.

A ruiva ia responder quando o celular da outra tocou. Hana se desculpou e foi atender.

- Ah, Kyouya! Eu? Na casa dos Hitachiin, oras. Vim ver a Yuzuha. Ora, ora, já falamos sobre isso. – a morena sorria enquanto conversava ao telefone. Ageha olhava com um misto de admiração e incompreensão. Afinal, ela não sabia como alguém conseguia suportar tanto Kyouya, muito menos se apaixonar por ele. Hana continuava ao telefone – Claro, vai ser ótimo! Já falou com os outros? Tudo bem, eu falo com eles. Então até de noite. – a ligação foi encerrada e a morena guardou o aparelho na bolsa.

Ageha suspirou e saiu, dizendo que precisava cuidar das lições da escola. Hana sorriu de canto. "Ela é exatamente como eles. Mas é tão mais bonitinha! Será que ela vai gostar se eu fizer algo…? O aniversário dela está chegando, afinal de contas… O que será que Yuzuha tem em mente?", Hana tornou a se sentar no sofá, voltando a ler enquanto esperava.


Anastácia, naquele dia de folga, estava vendo Kaoru trabalhar. O ruivo desenhava concentrado em diversas folhas, fazendo uma coleção interminável de roupas. A garota admirava aquela determinação, mas achava graça quando ele ficava revoltado porque não conseguia fazer exatamente o que queria. Divertia-se mais ainda se Hana ou Yuzuha conseguisse passar a ideia para o papel melhor que o ruivo. Quando Kaoru finalmente abaixou o lápis, Anastácia o abraçou por trás.

- Não acha que está bom por hoje? – ela tinha a voz suave e beijou o topo da cabeça dele ao falar.

Kaoru se apoiou no encosto da cadeira e colocou as mãos sobre as de Anny.

- Eu não consigo fazer… Não queria, mas talvez seja melhor falar com a Hana ou minha mãe… Ah, droga. Odeio isso. – ele suspirou – Pelo menos é uma desculpa pra vocês se encontrarem. – Kaoru sorriu e levantou o rosto para a morena, que sorriu de volta e lhe deu um selinho.

Anastácia ia responder quando o telefone tocou.

- Diga, Kyouya, o que a Hana aprontou dessa vez? – a morena tinha um tom divertido na voz. Ela ouviu por um instante antes de sorrir largamente e responder – Claro, vai ser ótimo! Claro, a gente avisa o Hikaru e a Cat. Tudo bem, então até mais tarde. – ela desligou e se virou para o ruivo – Hana e Kyouya vão dar um jantar hoje à noite e nos chamaram. Você pode aproveitar e falar com ela sobre a roupa que está tentando fazer.

Kaoru sorriu de canto. Aquilo era o que ele chamava de sintonia.


Catarina estava esparramada no sofá, esperando que Hikaru acabasse de elaborar a parte do jogo em que estava trabalhando. O ruivo – que manteve o tingimento escuro mesmo depois de ele e Kaoru passarem a usar cortes diferentes de cabelo – estava concentrado, tentando superar a mesma fase do trabalho há dias. Catarina estava ficando entediada e já tinha rascunhado diversos cenários que ele poderia usar mais para frente no projeto. Ela suspirou e se levantou.

- Vou fazer chá, você quer?

Hikaru não respondeu. Catarina revirou os olhos e foi até ele, assoprando sua orelha. O rapaz quase pulou da cadeira, virando-se assustado para a loira.

- Que droga, Cat! Eu quase morri!

Catarina ria da cena.

- Exagerado como sempre. Quer chá? – ela sorriu tranquila ao falar, o que fez Hikaru se acalmar também. Ele concordou e logo voltou ao trabalho.

Quando Catarina acabou de preparar a bebida e servir, apenas deixou a xícara de Hikaru à frente dele, em um lugar que não atrapalharia, e voltou a se sentar no sofá. Não demorou muito para o celular da loira vibrar, indicando que tinha recebido uma mensagem. Era Anastácia.

O Kyo-chan acabou de ligar e falou que ele e a Hana pretendem dar um jantar fa-bu-lo-so hoje à noite! Vamos? Fomos todos convidados!

Catarina riu. Anastácia chamava Kyouya daquele jeito apenas para irritá-lo. A loira passou o recado para Hikaru, que se animou com a ideia. Logo ela mandava uma mensagem de volta dizendo que o grupo podia contar com a presença dos dois no evento.


- Mei, já disse que você se preocupa muito. O Takashi está em uma reunião do trabalho. É normal demorar. – Jenna revirou os olhos.

Mei suspirou.

- Eu sei, mas e se acontecer alguma coisa? – Mei olhava preocupada para o relógio.

As duas estavam na casa de Mei, vendo televisão. Ou tentando, já que Mei não conseguia se acalmar. Ficaram naquela discussão não muito produtiva por quase meia-hora até a porta se abrir. Mei sorriu tranquila ao ver Mori chegando e foi até ele. O moreno acariciou as mechas negras da outra e então olhou ao redor, cumprimentando Jenna com um aceno ao vê-la. Jenna sorriu e acenou de volta.

- Ah, Takashi! – a voz de Hani fez o trio se virar para a porta. O loirinho escalou as costas do primo antes de continuar – Acabei de receber uma mensagem do Kyo-chan! Ele disse que vai fazer um jantar com a Hana-chan e todos nós estamos convidados!

- Isso é ótimo, Mitsukuni! – Mei juntou as mãos diante do peito, sorrindo – Você devia levar a Reiko também!

Hani concordou, empolgado. Jenna olhava a cena como se não acreditasse no que via. "Eles não mudaram nada, hein… E o Mitsukuni não devia perder essa mania de subir no Takashi como se escalasse uma montanha? Aliás, por que raios o Takashi ainda não reclamou disso…?!", Jenna suspirou e se levantou.

- Bom, já que vamos ter um jantar especial, vou voltar para casa e avisar o Nathan. Vejo vocês de noite. – ela sorriu e acenou ao se retirar.


Tamaki dormia no sofá da sala da residência principal dos Suou. Haruhi, por sua vez, estava na biblioteca particular que tinham, estudando alguns livros. A garota não conseguia se acostumar com tudo aquilo como as amigas, mas tinha aprendido a lidar. Ela tinha acabado de fechar o livro que lia quando o telefone tocou. Do outro lado da linha, a voz de Hana soava animada.

- Haruhi! O que vocês vão fazer hoje de noite? Nada, né?

- Hana, acalme-se. – Haruhi riu levemente antes de continuar – Não temos nenhum plano especial, eu acho. Por quê?

- Eu e o Kyouya vamos dar um jantar e chamamos todo mundo para vir. Vocês também estão mais que convidados! E eu vou adorar se trouxerem a Yuuki-chan!

Haruhi sorria animada com a ideia.

- Nós vamos, sim. Vou falar com Tamaki e Yuuki. – ela ouviu Hana se despedir e desligar, fazendo o mesmo. Precisava falar com o marido e a filha.


A noite chegou depressa. Hana estava no quarto, escolhendo o que vestir. Estava em dúvida sobre um vestido longo de um roxo bastante escuro e sem muito enfeite e um conjunto de blusa e saia muito parecido com o que ela costumava usar na faculdade. Kyouya, que terminava de coordenar a arrumação das coisas para o jantar, foi para o quarto apenas para ver se a mulher precisava de ajuda, sorrindo ao vê-la parada diante da cama, encarando as duas opções de vestimenta. Ele se aproximou em silêncio e a abraçou por trás.

- Eu acho que você devia por o roxo hoje. – ele a beijou suavemente na bochecha.

Hana passou os braços por sobre os dele e sorriu.

- Acha? Por quê?

- Porque você quase não o usa e hoje é um dia especial. – ele a soltou e foi até o armário aberto – Já escolheu o sapato que vai usar?

Hana suspirou.

- Mais ou menos… – ela apontou para um canto do quarto, onde três pares de sapatos estavam alinhados. Kyouya sorriu e estendeu o do meio para ela – É meio irônico que você consiga decidir melhor que eu o que eu vou usar.

O moreno sorria tranquilamente ao beijar a mulher e dizer que ia voltar a ver como estavam as coisas. Hana concordou, acrescentando apenas que ele não demorasse muito para se trocar, porque logo os amigos chegariam. Kyouya concordou com um aceno de mão antes de sumir pela porta. A morena sorria ao terminar de se vestir. Apesar de o vestido ser mais formal que o conjunto da blusa com a saia, ainda era adequado para situações informais como aquela.


O grupo conversava animado enquanto o jantar não ficava pronto. Kyouya tinha se mantido ao lado de Hana o tempo todo, o que, apesar de tudo, ainda era estranho. Mesmo que ele tivesse passado a demonstrar melhor o que sentia, não era de seu feitio manter-se abraçado à morena o tempo todo. Anastácia foi quem perguntou a razão de Kyouya não soltar a cintura de Hana em nenhum momento. Quando ia ter uma resposta, Noir pulou sobre o colo da anfitriã, distraindo-a.

- Ah, Noir! Seu gatinho fofinho! Quem é o bonitinho da mamãe? – ela acariciava o gato na barriga e na orelha, divertindo-se com o animal. Kyouya sorriu com a cena. Aquele era o segundo gato que tinham, mas tinham mantido o nome, de forma que Noir na verdade era Noir II.

Anastácia ia perguntar de novo quando um empregado apareceu, dizendo que o jantar estava servido. Hana se levantou, carregando o gato no colo, e olhou para Kyouya. A noite tinha sido planejada com base naquele momento. Kyouya sorriu, pondo-se ao lado da morena e a puxando mais para perto. Noir miou e se enroscou no colo de Hana. "Vai dar tudo certo" foi o que ela leu nos orbes negros que a fitavam. Ela sorriu e colocou o gato no chão. Era a hora.

À mesa de jantar, o grupo não entendia a ansiedade disfarçada do casal anfitrião enquanto a comida era servida. Kyouya segurava firmemente a mão de Hana o tempo todo e parecia olhar para ela como se tentasse acalmá-la. Hana, por sua vez, fitava os pratos que eram servidos como se precisasse de uma distração. Quando os empregados finalmente terminaram o que precisavam fazer, ela se levantou. Sua mão continuava enlaçada com a de Kyouya.

O silêncio foi automático e absoluto. Hana respirou fundo, sorrindo ao falar.

- Nós chamamos todos aqui hoje porque tem algo que queremos compartilhar com vocês. – seu sorriso se alargou – Nós vamos ter um bebê.

Kyouya, apesar do sorriso de canto, olhava para os amigos como se os analisasse. Anastácia e Catarina foram as primeiras a se levantar, empolgadas com a notícia. Os cumprimentos dos restantes vieram em seguida. Hana tinha as bochechas rosadas e um sorriso satisfeito. Kyouya tinha um sorriso sincero, talvez levemente encantado. Antes dos anos em Boston, ele nunca achou que aquele dia realmente chegaria.

- Vocês já falaram com as famílias de vocês? – a pergunta veio de Anastácia assim que todos voltaram a seus lugares.

Hana tornou a se sentar antes de responder.

- Falamos com meus pais ontem. Amanhã vamos falar com os Ootori. – ela tinha um tom tranquilo ao falar. Apesar de Hana e os irmãos de Kyouya não terem a melhor das relações, ela duvidava que alguém fosse ser contra qualquer decisão do casal. Mesmo se fossem, ela não se importava, porque aquilo dizia respeito única e exclusivamente a ela e Kyouya.

O jantar decorreu animado e, por vezes, Noir aparecia para pedir comida. De vez em quando, ele ganhava um filete do filé de peixe, indo embora satisfeito. Do grupo, apenas Tamaki e Haruhi tinham tido filhos. Uma menina, que estava com quase quatro anos de idade e era a mistura perfeita do casal. Seria bom para Yuuki ter uma companhia, mesmo com os poucos anos de diferença.


N/A: é isso! Achei que seria muito gracinha fazer um capítulo final contando mais ou menos como as coisas ficaram! E sim, todos estão casados já, não se preocupem! Espero que tenham gostado! E essa é a maior fic da minha vida, que emoção! Pelo menos por enquanto, né. Vamos ver se alguma vai bater o recorde! Eu realmente gostei de escrever essa fic, acho que por ter feito as meninas baseadas em pessoas reais. Espero que todos tenham adorado ler!