Nota da autora: Os personagens aqui mencionados não me pertencem, mas sim a nossa ilustre e maravilhosa J.K Rowling. Existe a história original deste livro, por isso, não é plagio, e sim uma adaptação da trama para o mundo Potteriano, como Universo Alternativo. Então, façam uma boa leitura.
Manhã de Tempestades
Ginny Weasley não estava tendo um bom dia.
Para começar, dormirá demais, com a agravante de que acordará de um sonho maravilhoso, como não tinha fazia muito tempo. E sentia-se muito mal ao se defrontar com a realidade.
No sonho Ginny tinha uma ótima companhia. Um desconhecido bonito, alto, cabelos negros, toque intenso e viril. Por outro lado, a realidade... Deixava muito a desejar. Por certo nada de bom. Por que além de estar atrasada como sempre, Ginny estava sozinha.
E quando, afinal, relanceou o olhar para o relógio no criado-mudo e viu-o adiantado da hora, acabou erguendo-se da cama com tamanha fúria que bateu com a testa na cabeceira. Irritada, tentou descontar a raiva chutando a quina da cama e, claro, no fim machucou o dedinho.
A dor foi terrível!
Portanto, ao saltitar em uma perna só até o banheiro, Bichento, o gato de sua cunhada e melhor amiga Hermione, de quem ela cuidava enquanto ela passava alguns meses de ferias com seu irmão Ronald em Paris, achou que aquilo se tratava de uma brincadeira e a interceptou no meio do caminho, enroscando-se no único pé que Ginny tinha para se apoiar.
É claro que ela caiu no chão e bateu o joelho no assoalho de madeira. A partir desse inicio animador, as coisas começaram a piorar. Teria de tomar banho com água fria, constatou ao abrir o chuveiro, graças ao fato de — é lógico — todos os demais moradores do prédio já terem se banhado, por que haviam acordado mais cedo.
Depois, a única blusa limpa que encontrou não combinava com a única saia passada que conseguiu achar, e a derradeira meia-calça estava com o fio corrido. Daí foi forçada a fazer uma estranha combinação, blusa roxa e saia laranja-escura com um único cinto... Verde, diga-se de passagem, que avistou no armário bagunçado.
Aquela altura, resignada, constatou que o secador de cabelos não ia funcionar quando o ligou e ouviu um ronco estranho e ameaçador, seguido por um cheiro de borracha queimada. Num gesto instintivo, desligou-o da tomada e o atirou no cesto de lixo, que virou espalhando seu conteúdo pelo piso do banheiro.
Ginny sufocou um grito histérico e tratou de fazer uma traça nos longos cabelos ruivos ainda úmidos. Passou batom escuro, que pelo menos, faria uma leve combinação com a blusa, e sombra nos olhos castanhos avelã.
Correu para a cozinha para tomar a indispensável xícara de café, a fim de funcionar como um ser humano sofrível. E ali obteve a primeira boa noticia, quando a cafeteira elétrica funcionou bem. O problema foi que se esquecera de comprar pó! Tratou de engolir outro grito que, tinha certeza que iria espantar a vizinhança, e desistiu do café, olhando pela janela.
Era uma manhã chuvosa, apesar de ser julho. Lembrou-se, suspirando, de que esquecera o guarda-chuva na Joelharia Colette, onde trabalhava como vendedora.
Deus! O que mais poderia acontecer? Eram apenas nove horas da manhã!
O mais depressa possível, tratou de efetuar o resto do ritual matinal, tomando o maior cuidado para que nada mais desse errado. De fato, tudo correu bem dali por diante, a não ser pelo detalhe de ter lascado sua caneca favorita na presa de lavá-la, e quebrado uma unha ao procurar a capa de chuva, que, é obvio não encontrou.
Ao abri a porta derrubou a tigela de ração de Bichento, mas deixou daquele jeito mesmo, pois não havia tempo a perder. Estava saindo do seu apartamento, o 2B, quando uma senhora apareceu. Aquele encontro fez Ginny sorrir. Minerva McGonagall era o tipo de pessoa que iluminava um ambiente, transmitindo a sensação de bem-estar e alegria.
Era uma senhora maravilhosa, que ajudou Ginny a encontrar o emprego na Colette. Uma amiga de outra amiga dissera a Minerva que havia uma vaga de vendedora na joalheria, e Ginny conseguira o posto no mesmo dia.
Analisando Minerva e os seus cabelos castanhos que começavam a embranquecer, as leves rugas sob os olhos escuros, por causa do sorriso constante, Ginny concluiu que a amiga devia ter uns sessenta anos. Dez anos mais velha que sua mãe, lembrou.
Embora Ginny só estivesse morando havia um mês naquele edifício sentia-se como se conhecesse Minerva por toda a vida. A senhoria inspirava afeição e amizade à primeira vista, e as pessoas sentiam o desejo de fazer-lhe confidências. Poucos dias após instalar-se, Ginny viu-se contado fatos pessoais a Minerva, sobre seu passado e sua situação atual.
— Bom dia Ginny! — Minerva a saudou sorridente fechando a porta do apartamento e voltando-se para a nova inquilina. E consultou as horas dizendo — Esta atrasada, querida?
Ginny conteve o pânico. Não era tão tarde assim!
Graças à correria e ao café que não tomará, conseguiria chegar no horário.
Entretanto, precisava correr. Já perderá o ônibus e continuava chovendo. A Colette ficava a dez quarteirões da Rua Amber Court, e se procurasse se manter sob as marquises, evitaria se molhar muito.
— Um pouco Minerva. Foi uma manhã e tanto até agora — concluiu com certa irritação.
Minerva maneou a cabeça compreensiva.
— Segunda-feira chuvosa...
Ginny achou graça.
— E secador quebrado, pouca roupa limpa, falta de pó de café, um gato homicida e...
Minerva ergueu a mão, soltando uma gargalhada.
— Pare! Sei o que quer dizer, já passei por tudo isso!
Ginny ia se despedir-se e sair correndo, quando notou um broche preso à blusa cor de creme de Minerva. Não possuía uma forma muito definida, nem redonda nem triangular, mas era muito original, com pedras amarelo-escura sobre diversos tipos de metal. Ficou tão fascinada que, sem que se dessa conta, ergueu os dedos em direção a joia.
— Que broche lindo, Minerva! Mas, não é topázio, certo? — disse Ginny e viu que a senhora sorria elevada, como se tivesse recebido o maior dos elogios.
— Não, é de âmbar e alguns metais preciosos.
Ginny tocou a peça leve.
— Alguém a presenteou com ele porque mora na Amber Court?
Minerva voltou a sorrir agora um tanto melancólica.
— Não, nada disso. Na verdade, sua história é muito interessante.
— Precisa me contar outro dia — disse Ginny, ajeitando a bolsa no ombro. — Quando eu não estiver tão atrapalhada e correndo feito louca.
Ia se despedir quando Minerva a fez parar.
— Espere! — e num impulso, retirou o broche na blusa e entregou-o a Ginny. — Use-o hoje. No passado ele me deu sorte. Talvez ajude a fazer tudo melhorar.
Ginny soltou uma risada irônica.
— Do jeito como esta segunda-feira começou, tenho o pressentimento de que não vai ser lá grande coisa.
— Então, use-o durante todo o restante do mês! — num gesto rápido, a boa senhora prendeu a joia na roupa de Ginny e fitou-a com ar de mistério. — Saberá quando for o momento de devolvê-lo.
Ginny começou a objetar.
— Minerva, não posso...
— Claro que pode! Pronto já o coloquei. Não combina muito com seus trajes, mas...
— Céus! Nada combina com nada com o que estou vestindo! Se voltarmos a nos ver a noite, por favor, lembre-me de que tenho muita coisa para por na máquina de lavar!
Minerva aquiesceu.
— Está certo, meu bem.
Ginny voltou o olhar para a grade saguão de mármore do prédio, observando o dia cinzento pelas janelas envidraçadas. Por sorte, a chuva diminuirá, e no momento não passava de um chuvisco. Cerrou as pálpebras e rezou para que continuasse assim até chegar a Colette.
Acenou para Minerva.
— Boa sorte hoje! — gritou a senhora, vendo-a correr.
— Obrigada! Algo me diz que vou precisar!
Do outro lado de Londres Harry Potter também não estava passando por bons momentos... Mas por motivos bem diversos.
Não fora acordado de um sonho e também não acordara tarde para trabalhar. Isso por que ele não tinha nenhum trabalho à fazer. Bem, não era segredo algum que seu pai mantinha uma vaga de vice-presidente para ele na Potter Transport, mais Harry não deseja isso.
O trabalho requisitava certa... Determinação e senso de dever, e todos sabiam que Harry não possuía essas qualidades, embora isso não lhe tirasse um pingo do seu charme natural. Portanto, não fazia à honra de se levantar da cama, pois iria passar aquela segunda-feira como sempre, sem nenhuma atividade em particular ou agenda para cumprir. E acordará sozinho porque assim preferia. Era seu habito, quando passava a noite em casa.
Seus pais moravam lá, mas não era por temor de uma discussão que dormia desacompanhado. A mansão dos Potter era tão grande e espaçosa que poderia convidar dois times completos de Futebol e não encontraria ninguém nos corredores.
Não.
A razão era que Harry nunca se sentirá muito a vontade em casa para trazer alguma moça. Procurava não permanecer muito tempo na mansão. Não entendia muito bem por que, pois, afinal, ela era linda e elegante, decorada com o melhor que a riqueza poderia comprar. Tapetes persas, antiguidades europeias.
Contudo, faltava algo ali, e Harry não sabia o que era. Por isso sempre se sentia inquieto entre aquelas paredes suntuosas. Esse era um dos motivos que o faziam viajar tanto. O outro era que adorava ir para lugares diferentes. Passará a conhecer muitas pessoas interessantes, culturas diversas, e muitas garotas atraentes com quem mantinha relacionamentos de um ou dois dias. Harry chegara à conclusão de que ser Playboy era sensacional.
Naquela manhã, sentia-se de bem com a residência paterna. Às nove horas, metido no roupão e na calça de pijama, espreguiçou-se no colchão enorme. A bandeja de prata com o café jazia em um canto. Charles o mordomo a trouxera fazia mais de uma hora.
Harry sentia-se um tanto inquieto, como se algo estivesse para acontecer, mas não tinha energia o suficiente para se levantar e se mexer. Afinal, para que? Passou os dedos por entre os cabelos negros desalinhados, impaciente. Era segunda-feira e chovia. Portanto, nada melhor do que ficar a toa.
Acima de tudo, era o dia quinze de Julho, mês em que completaria trinta anos.
De repente, compreendeu o motivo da ansiedade.
Dentro de duas semanas seria seu aniversário.
Droga.
Era só o que faltava.
Passará praticamente metade do mês vagueando de um lugar para o outro do planeta, tentando esquecer, que em breve faria trinta anos. Porém, não podia mais negar o fato. Só lhe restavam dezesseis dias na casa dos vinte. Duas miseras semanas.
— Deus, vou fazer trinta anos! Como o tempo passa rápido. — resmungou para si mesmo acabrunhado.
Não era o problema da idade o que o incomodava. Apesar de ter aproveitado muito bem a década anterior, ter trinta anos não era o fim do mundo.
Ao contrário, conhecia muitas pessoas que estava se divertindo muito nessa fase da existência, e a maioria dizia que ter trinta anos era ainda melhor que vinte.
Não.
O problema de Harry com a idade que se aproximava, era outro.
Havia uma obrigação familiar que precisava ser resolvida logo. Dentro de quinze dias precisava fazer certa coisa para entrar em poder de sua herança, a qual até o momento está presa aos curadores, e fora lhe deixada pelo avô paterno.
É claro, que não ficaria pobre se não a recebesse, pois mesmo sem o legado do avô, os bens dos Potter eram fabulosos. No entanto, o pai de Harry queria a todo custo que ele obtivesse a herança.
James Potter não se dera muito bem com o próprio pai. Na realidade, os dois tinham cortado relações fazia mais de dez anos. Como resultado disso, o vovô Potter dividiu a fortuna de cento e oitenta milhões de libras entre Harry e sua irmã mais nova Helen deixando nada para o próprio filho.
Porém, era evidente que haveria uma pequena condição. O seu avô bem sabia que os netos mimados corriam o risco de serem eternas crianças. Desse modo, a condição para herdarem seus bens dependia do que os dois cumprissem até os trinta anos... Um enlace matrimonial. Helen por outro lado não tinha muito com o que se preocupar, pois ainda estava com vinte e quatro anos. Assim, seria ele o primeiro a enfrentar o teste.
Ao contrario do seu avô, relacionava-se muito bem com seu pai e não queria decepcioná-lo. Precisava manter a fortuna intacta dentro da família. Era o mínimo que podia fazer por seu pai. Além do mais, sua parte seria de sessenta milhões de libras. Não era sempre que tal coisa acontecia na vida de um homem.
Seu avô fora um grade investidor, e, uma vez recebendo a herança, Harry não teria com o que se preocupar até o fim de seus dias. Entretanto, a condição que teria de satisfazer pairava sobre sua cabeça como uma ameaça, e precisava cumpri-la até completar trinta anos.
Na verdade, não era nada de muito complicado, só que ainda não pensará a respeito.
Contudo, o prazo estava chegando ao fim. Onde procurar primeiro? Será que o catalogo telefônico ajudaria? Encontraria uma seção Esposas na letra E? Bem, se não encontrasse ninguém em Londres, procuraria em outro lugar.
Paris, era apenas algumas horas de avião, e o país era bem maior. Sem dúvida encontraria uma esposa em um desses países. Além do mais, não precisaria ficar com ela. O testamento era muito claro. Só precisaria permanecer casado durante um ano para herdar seus milhões.
Talvez o avô imaginasse que em doze meses Harry mudaria da água para o vinho e viraria um pai de Família. O bom velhinho fora tão feliz com a esposa que imaginava que todos os casamentos eram assim.
Harry sorriu com ironia ante tal pensamento — Pobre vovô.
Era muito racional para acreditar em romance, adorava a vida de playboy e pretendia conservá-la. Poderia fazer um pequeno sacrifício e desempenhar o papel de homem bem-casado durante um ano. Em especial ante a perspectiva de tal riqueza.
Contente por ter tomando sua decisão, resolveu iniciar sua caça a esposa.
Levantou-se e começou a fazer seus habituais exercícios abdominais, pensando nas qualidades que exigiria de sua futura noiva. Em primeiro lugar, precisava ser muito bonita. Como sempre adorara coisas diferentes e originais. Preferiria as ruivas. Não que ele não gostasse de loiras ou morenas, porém já estava enjoado delas.
Em todos os seus relacionamentos anteriores, as moças sempre eram loiras ou morenas. Já a cor dos olhos não importava, mas ruivas de olhos azuis eram atraentes, em sua opinião. Também precisava ser mais ou menos inteligente e ter conversa interessante, pois não gostava de assuntos vazios.
Bem, e o que mais? Sua futura mulher precisava ser charmosa e até provocante, com um bom gênio. Ela teria que ter idéias próprias, porém com disposição para acatar à sugestões, e trajeto social.
Harry frequentava a alta sociedade e pretendia ter uma companheira que se sentisse a vontade em certos ambientes.
Interrompeu as conjecturas, concluindo que precisava anotar tudo em um papel.
Tanto há fazer em tão pouco período de tempo.
O barulho de um trovão o fez concluir que ia enfrentar uma temporal em sua procura, mas isso era um desafio e Harry gostava de ser desafiado.
Contanto, que não demais.
Todavia, qual o desafio de encontrar uma mulher? Ele era um dos solteiros mais cobiçados de Londres.
Os jornais locais viviam publicando sua foto. Sem dúvida alguma era uma celebridade. Tinha tudo a oferecer, decidiu, sem a menor modéstia, e qualquer garota daria tudo para ser a Sra. Potter. Era bonito, inteligente, bem-humorado, rico e morava em uma bela casa, apesar de pertencer aos seus pais.
A única coisa que lhe ocorria no momento, é que ainda não tinha o item para fazer uma proposta de casamento formal.
Uma joia. Um anel de noivado. Precisava comprá-lo, antes de tudo.
Teria de agir rápido, e, encontrando a pessoa certa, já lhe daria o anel para formalizar o compromisso.
É claro que, para Harry Potter, apenas o mais caro e mais bonito serviria. E todos em Londres sabiam aonde ir comprar as melhores jóias: a Joalheria Colette.
Seria a primeira etapa da caça a esposa naquela manhã tempestuosa. Procuraria a joia certa, bonita, mas não vistosa demais, rara sem ser espalhafatosa, elegante e incomum.
Igual a mulher que a teria.
Sim.
A Joalheria Colette era o lugar perfeito para ir.
N/A: Então, o que acharam? Bom, ruim, péssimo? Opiniões por favor, e reviews! E até o próximo gente!
