Nota da autora: Os personagens aqui mencionados não me pertencem, mas sim a nossa ilustre e maravilhosa J.K Rowling. Existe a história original deste livro, por isso, não é plagio, e sim uma adaptação da trama para o mundo Potteriano, como Universo Alternativo. Então, façam uma boa leitura.
Loucura?
Ginny olhou com cuidado para o homem do outro lado do balcão e, por uns quinze segundos, se questionou se não deveria pressionar com força o botão do alarme que ficava sob o mostruário das jóias.
Ele não parecia um psicótico, do tipo maníaco-homicida. Ao contrário, com os cabelos negros e os olhos verdes bondosos era muito bonito e simpático. Mas, nunca se sabe...
— Isso é... — Pigarreou e recomeçou. — É muita gentileza da sua parte, senhor...
O estranho fechou os olhos, parecendo ficar muito embaraçado, colocou a mão na testa e balançou a cabeça como se lembrasse de algo muito importante.
— Perdão, eu nem mesmo me apresentei. Imagino o que deve estar pensando a meu respeito, fazendo uma proposta de casamento sem nem ao menos dizer meu nome — fitou-a estendendo a mão. — Harry Potter.
Bem, começava a ter alguma pista, deliberou Ginny, sentindo certo alivio. Viera diversas vezes à Londres com sua família e acabara descobrindo tudo sobre a família Potter. Eles eram como a realeza local. Mantinham as páginas sociais da Profeta Diário de Londres sempre em atividade.
Os Potter eram dos mais ricos cidadãos do estado da Grã-Bretanha, são conhecidos por suas excentricidades segundo ouvira e lera. Se Harry Potter estivesse falando sério, a excentricidade não era apenas um boato.
Entretanto, para todos os efeitos, os Potter eram inofensivos, gregários, magnânimos, conhecidos em quase todo o país por sua fortuna, proeminência e filantropia. Jamais ouviu dizer que alguém do clã fosse maluco, o que não deixava de ser excelente. De qualquer modo, aceitou o cumprimento com cautela, e o sorriso espontâneo e doce de Harry a tranquilizou.
— Sr. Potter — disse contente por não ter acionado o alarme. —, é um prazer conhecê-lo. — Ela achou que era um bom inicio de conversa. — Já ouvi falar muito no senhor.
Harry não ficou nem um pouco surpreso com o comentário.
— Espero que apenas coisas boas.
— Sim, sem dúvida! Pelas notícias dos jornais, o senhor é muito encantador. — "E a ovelha negra da família", acrescentou para si mesma, mantendo o sorriso nos lábios.
Harry Potter era um notório Playboy.
— Bem, então estou em desvantagem, porque sei muito pouco sobre você. Apenas que também é charmosa e precisa de um marido rico. — E então ele continuou depressa, antes que Ginny o interrompesse: — E isso é perfeito, porque, além de ser milionário preciso de uma esposa.
Lá vinha ele de novo.
— Bem, faço votos que tenha sorte em sua procura, e fico feliz em poder ajudá-lo a encontrar o anel que deseja para presentear sua futura noiva. Mas não posso aceitar sua oferta. Não o conheço, portanto, tenho de rejeitar a sua proposta tão amável. No entanto, fiquei muito lisonjeada. Agora, quanto ao anel, recomendo os diamantes quadrados, em especial montados em ouro branco, e...
Porém, Harry não era um homem que desistia com tanta facilidade.
— Não, Srta. Weasley, acho que não compreendeu. É desnecessário que minha futura esposa me conheça bem.
Ginny arqueou as sobrancelhas, curiosa. Harry Potter não parecia mais ser um excêntrico, mais sim, alguém que delirava. Então, ele continuou:
— Será apenas união de conveniência. É lógico que teremos de morar juntos, segundo os termos do acordo, mas isso não será um problema... O casamento irá durar apenas um ano.
Ginny achou melhor partir logo para o que interessava.
— É evidente que encontrara quem procura senhor. Bem, sobre o anel... Temos uma bela coleção de diamantes quadrados...
— Creio que já encontrei a mulher certa. — Harry interrompeu-a sem olhar para o mostruário de jóias.
Ginny o encarou, achando que estava tendo um pesadelo, e viu-se presa àquele olhos verdes, sombreados de cílios longos, tão escuros que... Sobre o que ela estava falando mesmo? Oh, sim. Harry Potter a pediu em casamento, e ela estava explicando a ele seus motivos para recusar.
— Como já lhe disse, sua proposta muito me honra, mas não posso me casar com o senhor. Decidi, a muito tempo, que, quando me casasse seria com um homem que conhecesse muito bem. E que amasse também. Mas obrigada, de qualquer modo. Agora, sobre a joia para quem quer que seja...
Tentou chamar a atenção dele para o brilho do mostruário.
— Acha que estou brincando, não é?
O pior de tudo era que Ginny achava que não era brincadeira, e isso era o mais assustador.
— E pode me culpar por isso, Sr. Potter?
— Creio que é uma conclusão normal de sua parte. Quantas vezes um desconhecido entra aqui e pede sua mão, não é verdade?
— O senhor é o primeiro, pode apostar.
— Mas garanto Srta. Weasley, que tenho a melhor das intenções. Quero que se case comigo.
— Se apaixonou por mim a primeira vista?
— Claro que não, não seja tola. Nunca a vi antes.
— Ah!
— Além do mais, não acredito nessas tolices. Como afirmei será um matrimônio apenas no nome, por pura conveniência. Em breve farei trinta anos, e meu avô, um malandro adorável, decidiu, há muitos anos, que eu deveria estar casado nessa idade. Trata-se de uma chantagem.
— E você não pode conversar com ele? Explicar que não quer se casar?
— Não posso.
— Por quê?
— Ele morreu.
— Oh, sinto muito!
— Eu também. Mas ele era um sujeito muito querido, e só pretendia o meu bem.
— E segundo seu avô, o que seria?
— O amor de uma boa mulher...
— Que romântico! — exclamou Ginny, apesar das circunstâncias.
— E mais cento e oitenta milhões de libras — acrescentou Harry, num tom de voz mais desinteressado que ela já ouvira. Ginny abriu a boca.
— Ce... Cento e...
— Porém, minha parte é de sessenta milhões apenas.
— De qualquer modo, nada mau — avaliou Ginny, como se ele falasse de uma dúzia de bananas. Harry aquiesceu, como se de fato receber tamanha fortuna fosse algo natural.
— Contudo, vovô insistiu no pequeno detalhe do meu casamento até os trinta anos.
— E em breve terá essa idade?
— Dentro de duas semanas, para ser mais exato, no último dia do mês.
Dessa vez Ginny tentou esconder o próprio espanto, o que foi em vão.
— Duas semanas?! — repetiu Ginny. — E espera encontrar uma mulher que queira se casar dentro de duas semanas?
— Acha isso ilógico?
Ginny não conseguia acredita no que ouvia. Então, era verdade. Harry Potter achava que podia sair pelas ruas e pedir uma moça em casamento só porque iria herdar sessenta milhões de libras! Pensando melhor, deveria existir uma quantidade enorme de mulheres loucas para aceitar, ainda mais com Harry Potter, em seu terno muito elegante, seus espessos cabelos escuros e uma boca que parecia ser feita para beijar, e... Bem, mais ela era Ginny Weasley! Tratou de encontrar os termos certos, para não dar a entender que o considerava um demente.
— Espero que tudo de certo e que possa usufruir de seus milhões, senhor. Porém, não sou a pessoa certa.
— Posso, pelo menos, convidá-la para jantar hoje à noite?
Para sua própria surpresa, Ginny viu-se respondendo com relutância:
— Acho que não. Obrigada.
— Por favor. Terei mais tempo para explicar-lhe tudo, e poderei fazê-la mudar de ideia. Além disso, poderá dispor de varias horas para me conhecer melhor.
Ginny acabou rindo com tal raciocínio.
— Não — repetiu, mas sentia que começava a fraquejar.
— Quando me conhecer verá que sou um encanto de pessoa, além de um ótimo partido.
De repente, Ginny percebeu que desejava aceitar. Não o pedido de casamento, mas o convite para sair. Se não fosse a estranha circunstância, e se o caso tivesse acontecido através de uma apresentação normal, teria aceitado de imediato. E cada vez mais, Harry parecia-lhe menos maluco e psicótico...
— Não sei se é uma boa sugestão.
Percebendo que ela começara a ceder, Harry prontificou-se:
— Não precisa me dar seu endereço, se têm duvidas. Podemos nos encontrar em algum lugar, deixo que escolha o restaurante.
— Mas...
— E o horário. Por favor! Pode ser a minha ultima esperança!
Ginny não sabia se aquilo era um elogio ou não. Lembrou-se de que pretendia lavar roupa ao termino do expediente, todavia jantar fora seria muito mais divertido. Olhou-o, e voltou a concluir que ele era muito simpático e atraente. Como ela não respondeu, Harry propôs:
— Façamos o seguinte. O JJ's Deli é logo ali na esquina. A que horas você sai do trabalho?
— Às cinco.
— Ótimo! Estarei lá às sete. Se decidir ir, será maravilhoso. Se não for — Harry tomou fôlego, e Ginny surpreendeu-se com a sinceridade com que ele finalizou —, tratarei de sobreviver. Porém, tenho certeza de que se for ao restaurante, vamos nos divertir muito. Sete horas, Ginny. No JJ's Deli. Espero que vá.
Então, Harry Potter, o excêntrico, bonito e charmoso milionário, deu meia-volta e saiu da Joalheria Colette sem olhar para trás.
Ginny perplexa, não conseguia atinar muito bem o que acabara de acontecer nos últimos minutos.
Assim que chegou em casa, às cinco e meia, depois de tropeçar em Bichento que como sempre ficava no caminho. Ginny percebeu que havia duas mensagens na secretaria eletrônica. Logo pensou que talvez a má sorte não tivesse terminado. A primeira mensagem comprovou seus temores.
— Ginevra — dizia a voz profissional — Ligue-me, por que precisamos conversar.
Era o corretor.
Tratou de ligar de volta, e soube que perdera bastante dinheiro nas ultimas ações que adquiriu. Mas com certeza iria recuperar tudo, em dois ou três anos no máximo. Riu consigo mesma. Tinha tão pouco...
Isso a fez lembrar que em breve seria natal e que desejava dar bons presentes a seus pais, Ron e Hermione. E que também precisava de dinheiro para pagar o apartamento, e não queria pedir empréstimo aos seus pais ou seu irmão. Queria que eles pensassem que estava feliz e bem. E que não era mais a caçulinha Weasley, e sim uma mulher independente e responsável.
Desde a morte dos seus irmãos gêmeos Fred e George, seus pais não eram mais os mesmos. Ela, Ron e Hermione fizeram de tudo para minimizar a dor deles, e suas próprias também. Suspirou. No fim, não havia remédio de curto prazo para uma perda financeira como a dela. Apenas se ganhasse na loteria, ou...
"Sou milionário... Preciso me casar antes dos trinta..."
Deus! Não queria se lembrar disso.
"Um casamento de conveniência..."
Ora, não importava. Muita coisa poderia dar errado em um acordo desse tipo. Sim, faria de tudo para conseguir pagar suas contas. Menos unir-se a um quase estranho. Era um absurdo pensar em ser a mulher de Harry Potter. Entretanto, já conhecia bastante dele pelas noticias nos jornais...
Não, não e não!
Tratou de afastar as idéias malucas.
"É claro que teremos de morar juntos, segundo os termos do acordo, mas isso não será um problema."
— Mais que absurdo — disse Ginny a si mesma, relembrando o diálogo na joalheria.
"Será apenas por um ano..."
— Isso não vem ao caso — retrucou como se discutisse com outra pessoa.
Harry Potter seu futuro marido. Mas, ela não queria se casar com ele. Era apenas uma hipótese. Tratou de ver de quem era a segunda mensagem na secretaria eletrônica. Dessa vez as notícias eram boas. A voz de Hermione soou alegre:
— Olá Ginny, como você está? — Ela falou à título de cumprimento, e Ginny pode vislumbrar o sorriso de contentamento da melhor amiga e cunhada — Eu e seu irmão estamos morrendo de saudades de você. Paris é linda Gin! Queria que você também estivesse aqui para ver, uma pena que você não podê vir ruiva... Estou levando muitas lembranças e presentes. Ron disse que não era necessário, mas eu não poderia voltar para Inglaterra sem levar um monte de presentes para seu pais, e é claro, para você ruiva. — Ginny sorriu, sabia que Hermione nunca se esqueceria dela muito menos dos seus pais, mesmo antes de se tornar namorada de seu irmão. — Nós ainda não sabemos quando vamos voltar. Ah, e antes que me esqueça, mande um beijo e um abraço a Molly e Arthur por nós.
Então Ginny escutou Ron também:
— Ei irmãzinha, cuidado com os monstros à noite!
Foi à vez de Hermione:
— Não arrume muita encrenca...
Então ela escutou Ron gritar:
— Não enquanto, não estivermos por ai!
— Ronald! — ouvindo Hermione retrucar com o seu irmão, e riu.
— Te amamos muito Gin! — os dois gritaram.
— Ah, e obrigada por cuidar do Bichento para mim, ruiva. Você é um amor de pessoa.
Ouviu-se um clique e a ligação terminou. Só então Ginny percebeu que chorava. Não podia dizer a eles que estava em uma situação como essa. Ron e Hermione sempre a ajudaram, mas eles tinham a vida deles e ela não queria preocupá-los, pois os dois estavam felizes e isso era o que mais importava.
Mesmo que significasse ter de se casar com um sujeito excêntrico, embora charmoso, como Harry Potter. Pelo menos podia jantar com ele e ouvir o que mais tinha para lhe dizer. Talvez não fosse tão maluco assim. Quem sabe a proposta não seja vantajosa para os dois? E o encontro daquela manhã tivesse sido obra do destino.
Resignada, lembrou que as roupas que combinavam tinham de ser lavadas. Telefonou para Luna e perguntou se ela poderia empresta-lhe o vestido amarelo que ela havia usado no piquenique dos funcionários.
N/A: Ei, então, será que a Ginny vai aceitar? É o que vamos descobrir no próximo capitulo... E quais serão os termos do acordo que o Harry vai propor? Pois é, muita coisa para acontecer entre esses dois ainda... Um pouquinho de Ron e Hermione para vocês pessoal, aguardem, eles logo, logo, vão aparecer de novo...
Ah, finalmente um Review!
Aninha E. Potter — Que bom que você gostou Ana! Adorei receber seu comentário, é a primeira por aqui, nem deu para perceber, não é? HAHAHA Muito obrigada, ficou muito feliz pelo seu review... Esse capitulo e o próximo são para você! Beijão!
