Nota da autora: Os personagens aqui mencionados não me pertencem, mas sim a nossa ilustre e maravilhosa J.K Rowling. Existe a história original deste livro, por isso, não é plagio, e sim uma adaptação da trama para o mundo Potteriano, como Universo Alternativo. Então, façam uma boa leitura.
Grandes Surpresas
Passava das dez horas quando Ginny chegou em casa.
Embora Harry tivesse lhe oferecido uma carona em seu carro esportivo estrangeiro, algo a fizera recusar. Precisava dispor de alguns minutos para por as idéias em ordem, e disse a ele que iria para casa caminhando. Fazia uma noite linda, como se a natureza estivesse se desculpando pelo dia terrível que tivera. Entretanto, quando alcançou a porta de entrada do prédio sentia-se mais confusa e desorientada. Em breve Harry Potter iria morar ali como seu marido.
O edifício de quatro andares era muito romântico, e já foi uma grande mansão particular em outras épocas. Minerva lhe contou que fora transformado em prédios de apartamentos de um e dois dormitórios, nos anos setenta. Ainda conservava o saguão original em mármore, e uma espetacular escadaria do mesmo material, que conduzia ao segundo andar. A maioria dos apartamentos possuía detalhes em madeira nas paredes e no teto, largas tábuas de madeira no piso e antigas portas. Ginny estava muito contente vivendo ali, e não pode deixar de pensar que continuaria assim, depois que se casasse com Harry. Ele dissera à ela que mandaria o advogado preparar o documento do acordo pré-nupcial no dia seguinte, e que iria leva-lo até o apartamento à noite, para que Ginny o examinasse. Acrescentou que poderia ter seu advogado presente também, e isso a fez rir, porque parecia que tudo para Harry Potter deveria ser feito na presença dos advogados. Sem dúvida alguma, vinham de mundos bem diferentes.
Ao caminhar pelo corredor até seu apartamento, ouviu risadas femininas vindas da residência de Minerva. Parou e reconheceu as vozes de Luna, Padma e Parvati, assim como a de Minerva também. Parecia que elas jogavam cartas, comiam biscoitos e tomavam chá. E de novo, sorriu. Desde que se mudou para o prédio da Amber Court e começara a trabalhar na Colette, vinha sendo convidada para essas reuniões. O trio das garotas da Joalheria se transformou no quarteto Colette, pensou, com carinho. Todos os meses jantavam com Minerva, mas o compromisso de julho só aconteceria dentro de alguns dias. Portanto, essa reunião devia ter sido arranjada de última hora. Sem hesitar, ansiosa por fazer parte do grupo, tocou a campainha de Minerva, que logo atendeu surgindo com a roupa que costumava usar para essas ocasiões: pantufas na cor bege e uma blusa de algodão azul-clara. Olhou-a surpresa e disse:
— Ginny chegou cedo, querida! As meninas me falaram que tinha um encontro importante hoje. Não esperávamos que você voltasse tão já.
Ginny relanceou um olhar para a sala de visitas, onde as três amigas sentavam-se no sofá e nas poltronas cheias de almofadas, em frente à mesinha de café. Todas a olhavam, sem fazer questão de esconder a grande curiosidade, e Ginny teve vontade de rir.
— Por que, tão cedo? — repetiu Padma, com curiosidade.
— Vai ver o encontro não foi um dos melhores — concluiu Parvati, com sensatez.
— E o vestido caiu bem? – Luna quis saber, a analisando.
Ginny dirigiu-se a sala de visitas, sem deixar como sempre, de admirar-se com os contrastes da decoração moderna e alegre e, os modos e atitudes antiquados de Minerva.
— O encontro ocorreu muito bem. — E calou-se logo em seguida, deixando as palavras aguçarem ainda mais a curiosidade das amigas.
— Sente-se — Padma a convidou. — É a primeira entre nós que conseguiu um namorado em meses. Queremos apreciar essa aventura também.
— Fale por você — retrucou Parvati. — Eu me sinto, muito bem sozinha.
— Até encontrar o homem certo... — disse Luna sorrindo. — Então vai mudar de ideia.
Parvati ia responder, mas Minerva entrou na conversa e disse:
— Meninas, talvez Ginny não queira dar detalhes. É um direito dela.
Ginny percebeu a simpatia da senhora e, pela centésima vez pensou que Minerva tinha alguém muito especial em seu passado, apesar de que, pelo que sabia, ela era solteira. Imaginar uma intensa história de amor na juventude da senhora a deixava interessadíssima, mas nunca tentou bisbilhotar. Num gesto automático, ergueu a mão e tocou o broche de âmbar, lembrando-se do que Minerva lhe dissera, de ter uma história interessante. Sem saber o por que, concluiu que a joia estava relacionada ao homem misterioso da bondosa senhora. Um dia, prometeu a si mesma, faria Minerva revelar-lhe os pormenores. Porém, não seria naquela noite.
Suas conjecturas foram interrompidas quando Luna soltou um grito agudo, e levantou-se quase derrubando a mesinha de café.
— O que foi? — Ginny arregalou os olhos, assustada. — Há algo errado?
— Errado? Oh, não! — Luna apontava muito excitada, para o dedo de Ginny onde faiscava o anel de brilhante.
Ginny rapidamente escondeu as mãos às costas, mas já era tarde de mais.
— Esse anel maravilhoso que você está usando. Você não estava com ele quando me pediu o vestido emprestado, eu teria percebido, com certeza. Então... Há algo que queria nos contar, Ginevra Molly Weasley? Parece ser um anel de noivado.
Deus, não queria anunciar o casamento tão cedo!
Queria esperar um ou dois dias, até digerir a novidade e poder anunciá-la com calma. Evidente que não poderia esperar muito, por que Harry pretendia se casar dentro de duas semanas. Foi naquele momento que Ginny percebeu que precisava anunciar a todos, inclusive à seus pais, Ron e Hermione. Que em breve seria uma senhora casada. E, no caso, a explicação era ainda mais difícil, porque não teve uma fase de namoro.
— Lógico que é um anel de noivado. — Confirmou Parvati com convicção. — É da coleção da Colette. Reconheceria o estilo em qualquer lugar do mundo, afinal fui eu mesma que o desenhei.
— Oh, muito bem então. — Afirmou Ginny, ansiosa para mudar de assunto. Mas, foi em vão.
— Há algo que deseja nos contar? — Insistiu Padma esboçando um lindo sorriso. — Como, por exemplo... Que tem mantido um romance secreto? É um antigo colega de ginásio? Ou um relacionamento mais atual? Ginny, queremos todos os detalhes.
— Que coisa mais feia manter esse relacionamento em segredo — disse Parvati fingindo estar zangada.
Com explicar? Perguntava-se Ginny apavorada. Que saiu com um homem pela primeira vez e voltara noiva dele? Sua vida foi virada de cabeça para baixo em um piscar de olhos. Abriu a boca, mas nenhum som saiu. Era muito difícil. Então, Minerva veio em seu socorro.
— Ginny, meu bem, ficou noiva esta noite?
— Mais ou menos — disse Ginny apreensiva.
— Como assim? — Luna indagou. — Com um anel como esse, ou você está noiva, ou não. Afinal, não se trata de uma bijuteria ou uma joia barata, dada como presentinho por um namorado.
Foi então que, uma enxurrada de perguntas se seguiu:
— Quem é ele?
— Qual seu nome?
— Como ele é?
— Onde mora?
— O que ele faz?
— Onde o conheceu?
— Desde quando?
— Como é que não ficamos sabendo de nada, até este momento?
— Já marcaram a data?
— Você está grávida?
— PAREM! — O grito de Ginny fez com que todas se calassem. — É claro que não estou grávida! Harry e eu resolvemos nos casar só isso. Aliás... — Fez uma pausa, sabendo que a ideia da gravidez seria reforçada. — Pretendemos fazer isso dentro de duas semanas.
— Harry? — disse Luna, e virou-se para as outras duas. — Garotas, já temos o nome do felizardo!
— Que tal mais algumas informações? — sugeriu Padma, com um sorriso malicioso.
Ginny respirou fundo, raciocinou depressa e disse:
— Conheci Harry no verão, no... JJ's Deli, e passamos à almoçar juntos de vez em quando — Isso explicaria o tempo que ela ficava em casa sozinha. —, ele não gosta muito de sair à noite.
— Então pelo menos podemos ficar tranquilas meninas, pois não se trata de um vampiro. No que ele trabalha? — Perguntou Luna.
— Harry é autônomo, Luna.
— E ele faz o que?
— Negócios.
— Quer dizer que vocês dois se encontraram e, foi amor à primeira vista? — Parvati a encarava com um olhar desconfiado.
Ginny aquiesceu louca para concordar com alguma coisa que as amigas falassem.
— Isso mesmo. Foi um sentimento mútuo, quase instantâneo. E então, decidimos que precisamos nos casar logo...
— Vocês virgens, sempre tem tanta pressa.
Ante as palavras de Luna, Padma engasgou com um biscoito, Parvati ficou vermelha, e Ginny ficou momentaneamente muda e atônita.
— Então, conte mais sobre Harry. — Parvati quis saber, para mudar de assunto rapidamente.
— Prometo que darei todos os detalhes, mais tarde.
— Oras essa, Ginny...
— Deixe disso...
— Vamos lá conte mais...
— Amanhã. Estou muito cansada e surpresa com tudo isso. Foi tudo muito inesperado, e ainda estou tentando me acostumar com a ideia — concluiu Ginny, dizendo a verdade nua e crua pela primeira vez.
— Deixem Ginny em paz, meninas — pediu Minerva, intervendo. —, ela já prometeu que contara tudo amanhã. Eu compreendo você, querida. Essas coisas deixam as pessoas tontas quando acontecem muito rápido. Mas nada é mais maravilhoso do que encontrar o homem certo. Parabéns!
E Minerva se aproximou e a beijou o rosto. Sem saber por que Ginny, mas sentiu vontade de chorar. Minerva se tornara uma segunda mãe para ela, e o que mais desejava era a presença materna naquele momento importante. No entanto, apesar do que as amigas pensavam, não havia romance nem amor nesse compromisso. Tudo seria uma farsa até o fim. Não tinha motivo algum para se sentir emocionada, concluiu. E não desejava compartilhar a história do casamento com Harry, com mais ninguém, nem mesmo com Ron e Hermione, pelo menos por enquanto. As três amigas a rodearam, segurando sua mão e admirando o anel solitário, e Ginny se sentiu a pessoa mais triste do mundo. Imaginou como seria viver durante um ano na companhia de um homem e continuar na solidão.
Harry Potter aguardava a chegada da noiva.
Já havia se passado uma semana, e era sexta-feira, e faltavam apenas sete dias antes de seu aniversário. Tinham combinado de se casar naquela manhã. Seria uma cerimônia simples, na Prefeitura de Londres, presidida por um juiz amigo da família Potter.
Cumprindo a promessa feita a Ginny, Harry contou aos seus pais que conheceu uma moça e foi amor à primeira vista. Apesar de surpresos com a repentina mudança de atitude por parte do filho em relação à enlace matrimonial, aceitaram com alegria e entusiasmo a subida união, depois que conheceram Ginny.
James puxara Harry para um canto e dissera:
— Para ser sincero filho, nunca pensei que tivesse tanto bom gosto. — Ponderou James, aprovando a futura nora.
Harry interpretou esse contentamento apenas pelo fato de estar cumprindo os desejos do avô e de manter o dinheiro na família. Mas por outro lado, Ginny nada dissera a sua família, recordou o noivo. Ela lhe informou que nem seus pais ou seus irmãos não compareceriam a cerimônia, Harry compreendeu e manteve absoluto silêncio e respeito a decisão, e a radical mudança. Aproveitaram a semana anterior para conhecerem um ao outro. Harry tentou compreender a relutância da noiva em contar a novidade à família. Afinal, as circunstâncias eram muito bizarras, e era provável que Ginny estivesse decidindo como revelar a novidade. Ela lhe contou mais sobre a família, e ele descobriu que tinha no total, seis irmãos mais velhos. E Harry considerou que isso era um fator a ser levado em consideração alarmante. No entanto, todos os três irmãos mais velhos, moravam no exterior, e Ginny tinha pouco contato com eles, mas os que eram mais próximos a ela, seriam os já falecidos gêmeos Fred e George, e Ron, sendo que este último era cinco anos mais velho que ela, assim como ele próprio.
Entretanto, bem no íntimo, Harry não entedia tamanha hesitação por parte da noiva, em relatar o enlace matrimonial a família. Afinal, era um ótimo partido, e os Potter eram conhecidos por serem pessoas honradas. Ginny não tinha com o que se envergonhar. Ao contrário, a maioria das mulheres teria espalhado aos quatro ventos que iria se tornar mulher de Harry Potter. Tentou esquecer as três anteriores, que haviam recusado a proposta, e que Ginny aceitou por estar desesperada sobre sua situação financeira. Esse pormenor não vinha ao caso. Sentia-se um pouco magoado com a atitude da noiva. Sua família precisava ser comunicada.
Voltando ao presente, consultou o relógio de pulso, ainda na prefeitura, e imaginou onde Ginny teria se metido. Pelo menos ela contou sobre o enlace para algumas amigas, que já estavam lá. O que era estranho, pois não tivera problemas em avisar as amizades, mas relutou em revelar para a família, pensou pela centésima vez. Claro que, como iriam morar no apartamento da Amber Court, Ginny não poderia evitar falar com as vizinhas.
Harry voltou a consultar as horas, começando a entrar em pânico.
Ginny prometeu que iria se casar.
Não a conhecia muito bem, mas sentia que era cumpridora da palavra empenhada. Precisava vir à prefeitura para o matrimônio. Tinham feito um acordo.
E naquele instante de pânico.
Ginny Weasley apareceu.
E Harry compreendeu que ela não apenas pretendia cumprir a promessa, como também tentara ser convincente, porque viera vestida para... Uma ocasião especial.
Trajava um conjunto marfim, muito simples, com a saia cobrindo os joelhos, e uma pequena fenda do lado. O casaco tinha um corte que valorizava seu corpo, com as lapelas de cetim e os botões no mesmo material, deixando entrever uma blusa rendada. Os cabelos ruivos estavam presos na nuca, e em vez de um véu, ela usava um chapéu minúsculo e gracioso. Contudo, era o seu rosto que mais chama a atenção. Os olhos castanhos claros brilhavam, as faces estavam rosadas e, a boca recebeu um toque de um batom na cor cereja, perfeito para sua boca. Harry achou que ela estava encantadora e linda.
Ginny atravessou a sala até alcançar, o noivo, fazendo Harry lembrar-se de que eram seus últimos momentos de liberdade. Mas, ao contrário do que pensara no início, se sentia feliz com a união. Ainda que fosse temporária.
— Desculpe o atraso, Harry. A manhã passou, e eu nem percebi.
— Você está aqui e é isso o que importa — disse ele e sorriu, se lembrando de algo. — Tenho algo para lhe dar.
— O que seria?
Harry voltou-se para uma caixa de papelão retangular e branca que deixou sobre uma cadeira próxima, abriu-a e retirou de dentro um buquê de rosas brancas, e entregou-o à noiva.
— Oh Harry, são lindas! Nem tinha me lembrado do buquê.
Assim falando, Ginny ergueu as rosas até o nariz e cheirou seu perfume, fechando os olhos. Para Harry, a beleza das flores não chegava nem aos pés dos encantos da noiva. Ginny estava, ou melhor, era, realmente muito linda.
— Estou começando a achar, que nós nos esquecemos de pensar em muitas coisas.
Ginny ergueu o olhar, preocupada.
— Mudou de ideia?
— Por quê? Ficaria contente se tivesse?
— Não. Mas, se está com dúvidas, posso compreender e não irei pressioná-lo a continuar o acordo.
— Estou seguro do que vou fazer — afirmou por fim.
Ginny nada disse, apenas tranquilizou-se com um gesto. Em seguida, Harry ofereceu-lhe o braço e, antes que pudessem raciocinar, o juiz deu início a cerimônia, enquanto todos se acomodavam em seus lugares. Harry colocou a aliança no dedo anular da mão esquerda na noiva e ouviu-se dizendo "Sim". Ginny o encarou, sorrindo, colocou uma aliança em seu dedo também, e repetiu a mesma palavra sem hesitar. Só então Harry percebeu, o quanto temeu que ela se negasse a aceita-lo, e não apenas por causa dos sessenta milhões de libras. Ambos mantiveram o olhar um no outro sem saber o que fazer a seguir, e o juiz os declarou marido e mulher. E para finalizar disse:
— Pode beijar a noiva.
Harry concluiu que deveriam ter ensaiado aquele beijo antes, pelo menos uma vez, ao longo da semana. Jamais imaginou como seria beijar Ginny Weasley em meio a uma platéia, havia mais ou menos umas cinquenta pessoas ali. Mas, então com muita delicadeza, segurou-lhe o rosto com suas mãos e aproximou-se, percebendo como Ginny estava nervosa. Seus lábios se encontraram por um breve instante, como asas de borboleta, e o beijo acabou. Mas, para ele foi como se tivesse decorrido longos minutos, ou talvez tenha sido meia hora, ou possivelmente vários dias ensolarados. E foi quando Harry se deu conta de que desejava mais, e que se dependesse dele, haveria muitos outros beijos. Mais demorados.
Uma salva de palmas e comentários alegres interrompeu seus devaneios, e o novo casal foi envolvido por abraços e parabéns.
A essa altura, Harry viu-se sem a noiva, entre os familiares em um dos lados da sala, e relanceou um olhar a procura de Ginny. No outro canto, ela também o procurava ansiosa. Isso o fez sentir-se melhor. Todas aquelas sensações eram muito estranhas. Embora tivesse iniciado a busca apenas de uma esposa com afinco, sempre achou que seria apenas um acordo comercial, e que marido e mulher viveriam sob o mesmo teto, mas cada qual, com sua vida. Já estava conformado em passar um ano de jejum sexual, a fim de cumprir o trato, porém, olhando para Ginny... Constatou que sua mulher era muito atraente, e Harry sabia, sem falsa modéstia, que era um homem interessante. E agora ambos estavam ligados da maneira mais tradicional possível. Não havia nada que os impedissem de sucumbir aos impulsos. Tinham doze meses pela frente, concluiu Harry sorrindo. Do outro lado da sala, Ginny também sorria, mirando a aliança dourada no dedo alunar, que reluzia a cada movimento.
Um ano... Começou a parecer um prazo muito curto.
Ginny estava para sair da prefeitura com seu marido, quando Luna perguntou, com sua voz tão inocente, que logo a deixou de sobre aviso.
— Para onde você e Harry vão agora?
— Bem — começou Ginny com cautela. —, Padma foi muito gentil e se ofereceu para cobrir minhas horas de trabalho neste fim de semana. Então, creio que iremos para casa e, começaremos nossa vida juntos.
— Calma ai, você não pode fazer isso na Amber Court.
— Por que não, Luna?
— Por mais bonito que seja o prédio e os arredores, não é lugar para uma lua-de-mel.
— Luna, como nosso casamento foi um tanto apressado, Harry e eu decidimos adiar a lua-de-mel. Temos muito o que providenciar.
E, só para si mesma acrescentou que o adiantamento seria bem longo, com a viagem de núpcias dentro de um ano — quando se divorciassem.
— Ginny querida, hoje é o dia do seu casamento. — Padma suspirou. — É uma data muito especial. Não vai querer voltar para seu apartamento!
— Não vou?
— Claro que não! — apoiou Luna, com uma expressão convicta.
— Então para onde eu quero ir? — indagou soando sem malícia alguma, mesmo sabendo o que amigas iriam sugerir.
— Para um lugar romântico — disse Padma, num tom fantasioso.
— Mas... — vacilou Ginny olhando desesperada para Harry do outro lado da sala, que conversava com os pais.
— Nós três temos um presente para vocês — disse Luna com um sorriso triunfante. — Um fim de semana e tanto!
— O que você quer dizer? — quis saber Ginny. Mas na verdade, não queria saber, pois já sentia o estômago embrulhando.
— Ligeira mudança de planos para hoje. — falou Padma piscando marota.
— De todas nós, suas colegas e amigas da Colette — disse Luna com um brilho no olhar que causou calafrios em Ginny. —, u'm fim de semana romântico para duas pessoas na Pousada Sunset Inn!
Era o local mais bonito e pitoresco da região. Uma casa de fazenda em estilo vitoriano, que foi reformada alguns anos atrás, para transforma-se em um refugio adorável e muito aconchegante, especial para... Casais em lua-de-mel!
— A sua carruagem espera lá fora, Cinderela — informou Padma, num tom formal e brincalhão, fazendo um rodeio com a mão.
— Que carruagem? — perguntou Ginny abobalhada, fitando as três amigas, e cada vez gostando menos do presente.
— Aquela grande limusine parada diante da prefeitura — apontou Parvati para um longo carro preto, estacionado em frente ao prédio.
— O motorista foi instruído para levar você e Harry direto para a pousada e ir buscá-los no domingo à tarde — notificou Luna, com um grande sorriso malicioso.
— Mas não posso ir agora, Luna. Não preparei uma mala. E é impossível viajar sem nada — disse Ginny desesperada, e ao dizer isso, ficou mais satisfeita, por que era a desculpa ideal.
— Já arrumamos uma valise — falou Padma ajeitando os cabelos. —, e ela já está na sua suíte Sunset Inn. Tem tudo o que você precisa para, bem, você sabe.
— Ela quis dizer "quase nada" — concluiu Luna com outro daqueles sorrisos que começavam a deixar Ginny arrepiada.
— Mas... Mas, e o Harry? — Ginny se sentia como um náufrago a procura de uma tabua de salvação — Ele não estava esperando por isso...
— Oh, não se preocupe. Tomamos conta do Harry também.
Mas ela estava sim, muito preocupada "em pânico" seria o termo correto. Não poderia dizer nada as amigas para não aceitar o presente. Seria muito rude, depois de todo dinheiro e trabalho que tinham gastado. Porém, como explicar que o casal que todos imaginavam estarem apaixonados a ponto de se casar as pressas, não desejava passar o fim de semana na Pousada Sunset Inn para casais em lua-de-mel? Não havia escapatória.
— Muito... Obrigada, meninas. Foi muito gentil da parte de vocês — Ginny tentou sorrir com sinceridade, e percebeu que fazia um esforço muito grande.
Luna, Padma e Parvati tinham sido muito doces, de fato. Era uma demonstração do quanto gostavam dela, apesar de só a conhecerem há um mês. Boas amigas eram difíceis de se encontrar. Assim, não desejava perdê-las de jeito nenhum!
— Obrigada. — Repetiu. — Tenho certeza de que Harry vai adorar a surpresa também.
Aliás, ao entrarem em seu quarto da Pousada Sunset Inn. Harry parecia estar contente até demais, observou Ginny.
Quando ela contou à ele o que as amigas tinham feito, ele soltou uma risadinha de puro deleite e ficou com um olhar brilhante. E naquele momento, enquanto observavam a suíte, ele parecia encantado, malicioso e, Ginny não soube ao certo, interpretar aquela expressão.
Por certo estava imaginando coisas. Por que Harry estaria contente com aquela situação?
Porém, precisava admitir que Sunset Inn era mesmo adorável. Romântica o suficiente para provocar sensações excitantes em qualquer um. Mas só sentiria isso, concluiu Ginny, quando amasse um homem, e que esse fosse seu marido de verdade. E por certo esse homem não era Harry Potter, porque, quando chegasse o momento de se apaixonar, seria por alguém disposto a passar toda a vida ao seu lado. Harry já deixou bem claro que não pretendia tal coisa, apesar dele ser seu marido, não haveria nada de muita intimidade, entre eles.
Contudo, ao pensar nessas coisas Ginny sentiu um estranho arrepio percorrer-lhe o corpo. Não era medo, nem irritação, mas... Desejo.
Não, nada disso! Era tensão, somente tensão.
Com seus cabelos negros e seus intensos olhos verdes, que parecia acariciar uma mulher, Harry conseguia provocar súbitas reações. Ainda mais em uma garota inexperiente, como ela.
Assim pensando, Ginny estudou o quatro. Era adorável, de onde poderia se ver um pequeno lago artificial. Mas adiante, o cenário era composto pelas colinas, sob um céu muito azul.
O mobiliário de estilo clássico, pareciam ser antiguidades do século passado, sobre as solidas tábuas do chão. Havia uma cômoda de mogno a um canto, com espelho ornamentado, apoiado sob esta. Uma mesa de centro com tampo de mármore, onde fora colocado um arranjo de flores, uma cadeira de balanço, e no centro. Uma esplendida cama ao estilo dossel com colunas.
Ginny fixou o olhar nessa direção, observando o leito antigo, com seu colchão estreito, nada parecido com aqueles modernos king-sizes. Fora feito para um casal que desejava dormir abraçado, muito próximo um do outro. Forçadamente.
Se arrependeu de não haver trazido um livro para ler no fim de semana. De preferência uma história de aventuras e ação, sem nenhum pingo de romance.
— Nossa esse lugar é incrível. Suas amigas devem gostar muito de você para oferecerem um presente assim — disse Harry num tom animado.
Ginny maneou a cabeça, assentindo.
— Chego a me sentir culpada por não ter contado a elas sobre a verdadeira situação, deixando-as acreditar que nosso casamento é por amor.
Harry travessou o aposento e segurou-a de leve pelos ombros.
— Foi você quem quis que fingíssemos um casamento tradicional, Ginny.
— Sei disso. E não mudei de ideia. Mas não imaginei como seria difícil manter a farsa.
— Talvez possamos inventar um modo de facilitar as coisas.
Ginny o observou com curiosidade.
— O que quer dizer?
Harry deu de ombros, porém não conseguiu transmitir pouco-caso.
— Temos um ano inteiro para descobrir, certo? E todo o fim de semana para, tomar uma decisão.
Ginny não soube se gostaria muito de ter de "tomar decisões" nos próximos dias. Mas, então ele concluiu:
— Aprecio muito o que está fazendo por mim, Ginny. De verdade.
Ela suspirou, imaginando o que ele acharia quando abrissem as valises que Luna, Parvati e Padma haviam preparado por conta própria, pensando em enxovais para uma noite de núpcias.
Como se lesse sua mente, Harry indagou:
— Onde está a bagagem que elas prepararam para nós?
Ginny apontou para as duas valises minúsculas.
— Presumo que a florida seja a sua — Harry ergueu uma sem a menor dificuldade, pois estava leve demais. —, e a de couro deve ser minha.
Ginny imaginou se as três amigas teriam colocado apenas uma escova de dentes lá dentro. Em silêncio, pegou sua maleta e dirigiu-se à cama para abri-la.
Como temia a princípio, encontrou a valise recheada de coisas que uma noiva precisaria para uma noite de núpcias. Alguém casada por outros motivos, que não seriam os financeiros — é obvio. Para outra pessoa, que no caso não seria ela.
Retirou com cuidado uma garrafa de vinho branco, dois pequenos castiçais de prata com velas e uma minúscula nuvem de rendas e cetim preto, que deveria ser uma camisola. Sim, concluiu desesperada. As amigas tinham sido muito atenciosas. Não havia dúvida de que a leve e transparente camisola provocaria um efeito devastador.
Por sorte vieram também roupas de dormir. Entretanto, quase todas pareciam tão minúsculas quanto a camisola. A única que poderia cobri-la de modo mais completo era uma vermelha com tiras finas, que descia até os tornozelos — embora com cortes no tecido transparente aqui e ali.
Voltou-se e viu que Harry examinava o conteúdo da sua própria valise. Mas, ao contrário dela, ele parecia muito contente com os shorts e as cuecas de seda.
— Devo dizer que aquelas três têm muito bom gosto — constatou e de soslaio, avistou as roupas de Ginny. — Sim, sem sombra de dúvidas. — E esboçou um amplo sorriso, rindo.
Ginny tentou rir também, mas o som que saiu de sua garganta foi um tanto histérico.
— Elas são, muito criativas.
Harry ia questionar o comentário de Ginny, quando retirou da sua maleta uma sunga vermelha.
— Que beleza! Nunca usei uma desta cor.
Ginny afastou o olhar envergonhada.
— Porém, acho que elas se enganaram. Não é o meu...
— Tamanho? — concluiu Ginny, solícita logo mordendo o lábio, arrependida.
Como pudera dizer tal coisa? Indagou-se corando até a raiz dos cabelos.
— Estilo, — corrigiu-a Harry — não é o meu estilo.
— Entendi.
Ginny tratou de afastar as imagens que insistiam em assombrá-la. Não era o tipo de coisa que uma virgem deveria pensar, afinal de contas.
No entanto, um pensamento começou a definir-se. Quem sabe aquele casamento poderia de certo modo, fazê-la conhecer mais a respeito dos homens? Isso lhe traria uma nova experiência e quando, afinal se casasse por amor, saberia como agir.
Mas, Ginny tratou de esquecer tal raciocínio. O que era aquilo? Parecia sentir atração física por Harry.
Bem, talvez sentisse um pouco. Seria bobagem tentar negar tamanha evidência. Contudo, uma mera atração não era amor, e no fundo desejava se apaixonar. Nada de ficar extasiada só porque o atual marido tinha olhos expressivos, um sorriso encantador e um charme todo especial.
Estremeceu. Não iria se deixar dominar pelos encantos de Harry Potter. Seria como cair em uma armadinha, e bem sabia que não haveria futuro para aquele relacionamento.
Ginny cerrou as pálpebras, mas quando tornou a erguê-las, o marido a fitava e sorria de um jeito novo. Havia calor, desejo e admiração em seu semblante.
Uma espécie de descarga elétrica percorreu o corpo inteiro de Ginny. Não sabia quando aquilo se iniciou, porém, ao longo da semana de convivência, quando haviam principiado o conhecimento mútuo. Começou a sentir necessidades e anseios que jamais experimentou antes.
Seu coração encetou a bater com força, fazendo o seu sangue correr pelas veias, mais quente e sensual. Respirou fundo e tratou de acalmar-se.
— Até que me deram bastante roupa para usar — disse Harry. — E gostei do que colocaram na sua mala.
Ginny baixou os olhos e viu, embaraçada, que ainda segurava a camisola vermelha. Uma imagem surgiu diante dela, sem que consegui-se evitar: viu-se usando aquela peça vermelha sexy, e Harry nada.
— Mas gostei da camisola preta também. É muito bonita.
Bem, aquele ia ser um longo e enervante fim de semana, concluiu Ginny.
N/A: Mais um capitulo, para vocês pessoal... Estou de folga do trabalho, e sem muita coisa para fazer aqui em casa, por isso, deu tempo o bastante para adiantar, mais alguns capítulos para vocês...
E como podem ver, as coisas entre Harry e Ginny, estão ficando mais complicadas, ou não... A Ginny, vai entrar em um grande dilema daqui por adiante, mas o Harry, bem digamos que ele vai saber aproveitar muito bem o que virá a seguir...
Aninha E. Potter — Ana, você é a minha única que me faz companhia por aqui, ou pelo menos, é a unica que se pronuncia kkkk, mas quanto a suas previsões, não vou poder dizer se você está errada ou não, porque se disser, vai estragar a surpresa e o suspense, não é mesmo? Mas, no próximo capitulo, digamos que as coisas vão mudar, de certo modo... Enfim, obrigada mais uma vez, por acompanhar a fic... E por tudo isso, só posso dizer, aguarde e verá!
