Nota da autora: Os personagens aqui mencionados não me pertencem, mas sim a nossa ilustre e maravilhosa J.K Rowling. Existe a história original deste livro, por isso, não é plagio, e sim uma adaptação da trama para o mundo Potteriano, como Universo Alternativo. Então, façam uma boa leitura.
Planos Interrompidos
"Dormirei no sofá."
A frase voltou a assombrar Harry na tarde de domingo, quando fora embora da Pousada Sunset Inn com Ginny.
Jamais permitiria como cavalheiro que era que ela ficasse desconfortável, enquanto ele permanecia tranquilo na cama. Portanto, lógico, no sábado a noite, depois de passarem o dia conversando sobre trivialidades e jogando cartas, recusou-se a dormir na cama e se acomodou no sofá.
Aquele fim de semana foi o mais espetacular e o mais horrível que já tivera, apenas quarenta e oito horas. E não podia deixar de pensar que era apenas o início do casamento. Seria um longo ano aquele, concluiu com um suspiro.
Assim, os recém-casados pensaram a dirigirem-se cada qual para seu quarto, no apartamento de Ginny.
O que imaginara, afinal? Perguntou-se, com raiva. Que conheceria uma garota, e depois de mal dizer-lhe bom-dia, a pediria em casamento. Pagaria a ela uma boa soma por isso. Mudariam-se para o apartamento dela, e depois transaria com ela sem se importar com o futuro?
Sim. Na realidade, fora isso mesmo o que ele planejara. No entanto, isso não vinha ao caso.
Logo que chegou no apartamento, jogou a maleta sobre o cama e começou a abri-la. O problema era que nada estava ocorrendo conforme o que desejara, e costumava controlar tudo ao seu redor.
Algo que havia pensado ser tão simples, não era, e o casamento arranjado começava a escapar por entre seus dedos. E não conseguia tirar Ginny da cabeça.
Isso não era uma surpresa, afinal, estavam casados e iriam compartilhar o mesmo teto por um ano. O que mais o afligia era que não conseguia parar de relembrar o perfume dela, o qual descobriu ter um inebriante aroma floral, o qual o fascinava. E também a maciez de sua mulher naquela noite de núpcias, na pequena suíte da Pousada Sunset Inn.
Recordava o calor da sua pele, sua sensualidade natural que o havia deixado louco. E, imaginava como fazer para voltar a possuí-la.
"É bom esquecer isso, Potter! Ginny deixou bem claro que não iria permitir a repetição do que houve naquela noite."
E, conforme o previsto, nada tornou a acontecer entre os dois durante a primeira semana de casados.
Na segunda-feira de manhã, Ginny levantou cedo e foi trabalhar, deixando Harry sozinho para defender-se contra a perigosa criatura peluda chamada Bichento. Ginny afirmou se tratar de um gato, mas a maciça bola alaranjada fez com que ele se convencesse de que era uma espécie de pantera.
O animal o seguia por toda parte, lambendo os bigodes como se esperasse, que a qualquer instante, iria vê-lo cair no chão, ou ferir-se, a fim de atacar a vítima indefesa.
Na terça-feira à tarde, Harry começou a acreditar que talvez fosse melhor seguir o conselho do seu pai e ir trabalhar na empresa da família, na Potter Transport. Resistiu até aquele momento, e James nunca se opusera, já que todos da família tinham o mesmo conceito a seu respeito: um sujeito ocioso e desinteressado em uma carreira. E essa também era, a opinião do próprio Harry.
Entretanto, de repente, por algum motivo desconhecido, além do fato desejar escapar do olhar vigilante de Bichento, Harry viu-se experimentando sensações muito esquisitas. Como por exemplo, um senso de orgulho profissional e uma vontade de ter um objetivo na vida.
Afinal, era isso que os maridos faziam, não? Eles eram provedores do lar. Talvez fosse a hora de começar a fazer o mesmo.
Portanto, na quarta-feira de manhã, começou a desempenhar suas funções como vice-presidente na empresa paterna, realizando tarefas para as quais os executivos temporários eram designados. E precisava demonstrar um certo valor para obter responsabilidades maiores.
Quando chegou a sexta-feira, Harry teve uma revelação. Gostava do trabalho, e era muito bom no que fazia. Começou a sentir um forte senso de propósito, a impressão de ser necessário e de ter mérito para com os outros e para si mesmo. E, além disso, teria o que conversar com Ginny no fim do dia.
E o casal precisava muito ter assuntos, depois de uma semana, quase sem se falar. Excluindo o breve interlúdio erótico na noite de nupcias. Evitavam conversar e permanecer muito perto um do outro.
Harry resolveu que naquela noite seria diferente. Estava farto de ver a esposa evitando-o, saindo correndo pela manhã a fim de não cruzar com ele na sala. Ou presenciar a volta dela bem tarde, exausta e pronta para escapar para seu quarto. Além disso, sempre que possível, Ginny saía para ir ao apartamento daquela senhora, para encontrar-se com as amigas... Sem o marido, é claro.
E ele sentia falta de sua companhia, admitiu Harry, irritado. Queria olhar para o rosto bonito de Ginny, e passar o dedos pelos longos cabelos ruivos e sedosos, inalar seu perfume floral doce e natural, que o deixava zonzo. Tinha saudade do som da sua voz, do sorriso, da risada alegre. Oras, sentia falta até dos jogos de carta.
Tinha saudade de Ginny, pensou com muito desespero. E a desejava de volta, sob quaisquer condições que ela o impusesse. Aguentaria os quartos separados, se assim fosse sua vontade, porém não suportaria mais viverem separados. Não durante doze meses. Nem ao menos por doze dias.
Achou que eram sentimentos muito estranhos, aqueles. Jamais quisera alguém como queria Ginny. Nunca desejou sentar-se na mesma sala com uma mulher, conversando amenidades, pois, até conhecer a esposa, qualquer conversa desinteressada com uma moça era perda de tempo. Pelo menos, foi assim que se relacionara até dias atrás.
E agora queria mais, e seria essa noite.
Não iria forçá-la a fazer nada, evidente, mas por outro lado não iria mais tolerar que ela o evitasse, como se ele fosse uma doença infecciosa. Existia uma forte química entre eles que acontecera assim que puseram os olhos um no outro. E nas semanas seguintes, essa força estranha só aumentou.
Harry não tinha certeza do que se tratava, mas conseguia senti-la muito bem, sempre que a via ou a tocava.
Ginny também sentia, sem dúvida. Os olhares com que ela lhe lançara, o surpreendera e faziam-no perceber o desejo, frustração e ansiedade. Eram todos muitos breves, e a esposa logo desviava a cabeça, para que ele não à percebesse. Contudo, isso representava um sinal de... Interesse, concluiu Harry, sem hesitação.
Precisavam se entender.
— Ginny? — chamou-a, assim que chegou no apartamento, às seis horas, na sexta-feira.
Não se surpreendeu ao não obter resposta. Desde o dia que começaram a trabalhar, ele sempre chegava primeiro em casa. Viu Bichento aproximar-se com seu andar bamboleante de fera indolente e esfregar-se em seus tornozelos. Deu um passo para o lado, a fim de deixar o animal passar, e sentindo-se um idiota por ter medo dele.
Mas, Bichento pareceu não se importar muito com esse procedimento do novo morador do apartamento. Tratou de acomodar-se no sofá da sala e lamber os pelos, com método.
Harry mal havia entrado, quando Ginny chegou também. Usava os longos cabelos ruivos soltos, algo que não fazia com frequência, embora Harry gostasse muito. E estava vestida com trajes para o trabalho, saia justa azul-clara de cós alto, que chegava na altura dos joelhos, e um suéter cor creme de gola alta, disposto por dentro da saia. E lá estava o habitual broche de âmbar, que, segundo Harry, devia ser uma joia de família, visto que ela não o tirava.
De fato, era um enfeite muito original, diferente de tudo que ele já vira e, sem falsa modéstia, era um bom conhecedor de jóias. Sempre pensava em questiona-la a respeito da origem da peça, mas Ginny não lhe dava chace alguma.
Entretanto, nessa noite, ele não queria falar sobre isso. Tinha outras ideias em mente.
— Olá — saudou-o Ginny, passando pelo marido, apressada e evitando tocá-lo. As palavras seguintes soaram tensas, como sempre acontecia quando conversavam. — Me desculpe pelo atraso, de novo. Mas, vou ficar pouco tempo, por que tenho que sair outra vez para jantar com Luna, Parvati e Padma. Prometi encontrá-las no JJ's. E não posso deixar de comparecer, é muito importante. Há sanduíches na geladeira. Se quiser, pode pedir uma pizza.
— Acho que não — replicou Harry, com humildade.
O tom dele a pegou de surpresa, e então ela voltou-se para ele.
— Tudo bem. Creio que há frango frito no freezer. Ou costeletas de porco. Você pode...
— Não estava me referindo a isso quando disse "acho que não".
— Não?
— Não.
Ginny arqueou as sobrancelhas, curiosa, e o marido achou o gesto irresistível.
— Do que se trata então?
— Me referi ao fato de você estar saindo de novo.
Ginny ficou parada encarando-o, calada. E ele continuou:
— Você tem me evitado a semana inteira.
— Não é verdade, Harry. Ando muito ocupada. Aliás, sou uma pessoa muito ocupada. Tenho inúmeros afazeres, e...
— Está me evitando, Ginny. E isso vai parar, hoje.
Ginny o encarou e engoliu um seco. Como sempre acontecia, desde que passaram a morar juntos, e ela desejou atirar-se nos braços fortes e beijá-lo repetidas vezes. A cada dia tornava-se mais difícil resistir a esse impulso, porque, por instinto suas mãos sempre procuravam segurar Harry. A semana estava sendo uma verdadeira provação, pensou, pela milionésima vez. E havia muitas ainda para enfrentar e, quem sabe, sobreviver.
O fato de Harry estar trabalhando para o pai não ajudava muito, porque todas as noites tinha de vê-lo usando um daqueles ternos elegantes que o deixavam muito bonito e atraente, quase irresistível. Nessa ocasião em especial, ele usava um cinza-escuro com listras finas, e sua aparência era casual e sexy. E o nó da gravata cor de vinho, estava frouxo.
Ginny observou o marido tirar o paletó e ajeitá-lo no sofá. A seguir, desabotoou os punhos da camisa e enrolou as mangas, como se estivesse se preparando para fazer algo muito importante.
Cruzou os braços e adquiriu a postura de quem ia dar um comando. Entretanto, ao abrir a boca para dizer algo, acabou ficando imóvel, pois naquele mesmo instante foi interrompido por uma série de rápidos toques na campainha, a suas costas.
Para espanto de Ginny, Harry ignorou o som e continuou a encará-la.
— Não vai atender? — ela quis saber, sustentando o olhar do marido.
— Não quero.
— Por que não?
— Fiz planos para nós dois, que não incluem outras pessoas.
Para o alívio de Ginny, os toques retornaram com mais insistência. Então ela apontou para a porta.
— Creio que não podemos ignorar isso.
Harry não alterou sua postura, nem entonação, e continuou a encará-la do jeito que a deixava louca para saber que planos eram aqueles.
— Talvez, se fizermos de conta que não estamos ouvindo, quem quer que seja, vá embora e nos deixe em paz.
Mas, a pessoa do lado de fora não parecia pensar o mesmo, pois não paravam de insistir.
— Acho que não dará certo, Harry.
Resmungando, ele deu meia-volta, mas não em direção à entrada, e sim para seu quarto, murmurando:
— Então, atenda você mesma.
Ginny desejou rumar para o quarto de Harry, e perguntar-lhe o que ele queria, por que sentia muito a falta dele e desejava compartilhar cada momento em sua companhia.
Hesitava em abrir a porta, mas foi quando ouviu a voz de Hermione. Como um raio, antes que a melhor amiga desistisse e fosse embora, escancarou a porta com um grito de alegria. Pois, lá estavam os dois!
— SURPRESA! — exclamaram Ron e Hermione em uníssono.
Por um longo momento, Ginny nada fez além de olhá-los. Hermione trazia os volumosos cabelos castanhos amarrados em um rabo-de-cavalo estilizado, com alguns cachos caindo ao rosto. Os olhos castanhos brilhavam, e parecia contente como quando passou no concorrido vestibular de direito na Birkbeck, Universidade de Londres*.
Seu irmão Ron também sorria, os cabelos ruivos precisando de um bom corte e o semblante estava reluzindo em animação.
Ambos estavam bem vestidos, mas casualmente. Hermione vestia uma camiseta sem mangas azul-clara, com uma calça jeans skinny, calçando uma confortável mocassim branca. E Ron vestia uma simples regata branca, jogada por cima desta uma camisa social na cor caqui, calça jeans slim, e calçando tênis da marca all star.
No geral estavam bem alegres, o que era normal, pois acabaram de voltar de Paris. Ginny pensou que gostaria muito de estar do mesmo modo.
Mas o que aqueles dois estavam fazendo ali? Apesar de tudo, exultava por vê-los ali. Só desejava que tivessem comunicado a visita com antecedência.
— Viemos celebrar... — anunciou Hermione, como se lesse seus pensamentos.
Ginny sentiu um frio na boca do estômago. Mas, mesmo assim indagou com cautela:
— Celebrar o quê?
Hermione fitou o teto, fingindo paciência.
— Seu casamento, Ginevra. Sobre o qual esqueceu de nos falar, e por causa disso, vai nos pagar muito caro.
— Isso mesmo. Vai levar algum tempo até que possamos perdoá-la por ter se casado sem nos comunicar — disse Ron, parecendo irritado e ofendido de verdade.
E Hermione concordou com o namorado.
— Como pode não nos falar sobre seu noivo, Ginny? — perguntou Hermione, se mostrando bastante magoada.
Deus, havia tanto para explicar!
— Como descobriram? — Ginny tentava ganhar tempo para arrumar uma desculpa plausível para a atitude indesculpável.
De início desejou contar tudo a Ron e Hermione sobre o iminente matrimônio. Aliás, pretendia até convidá-los para a cerimônia. Mas, sempre que segurava no telefone para avisá-los, e mesmo depois de casada para comunicar o evento já realizando, algo a detinha. Não sabia o que dizer a eles, para convencê-los de que se casou com Harry Potter por amor. Os três sempre foram muito unidos desde o tempo do ginásio, quando Ginny conhecera Hermione e as duas se tornaram melhores amigas. Lembrava-se perfeitamente das brigas do irmão e da melhor amiga, sua mãe Molly sempre dissera que os dois iriam se casar, e como previsto por ela, dito e feito, só faltava os dois marcarem a data. Só não esperava que ela fosse se casar primeiro. Não havia como esconder um interesse amoroso de Ron e Hermione. Eles logo veriam que era uma união arranjada.
Entretanto, no fundo sabia que deveria ter dado alguma explicação a eles. Naquele instante, uma semana depois do evento, tudo se tornou mais difícil.
— Telefonei na semana passada — Hermione interrompeu o silêncio que começava a se tornar constrangedor —, e foi Luna quem atendeu. Quando perguntei o que ela fazia em seu apartamento, ela me disse que viera alimentar Bichento. Então quis saber o por que, e ela pareceu refletir um pouco, antes de afirmar estar surpresa por perceber que eu não sabia, que você estava em sua lua-de-mel, e que havia se casado na sexta-feira de manhã, com Harry Potter! Claro que o conhecia de nome, e quase cai de costas ao saber que minha melhor amiga se casou com um milionário, e...
— PARE! — gritou Ginny erguendo a mão.
Sabia que quando Hermione começava a falar com certa convicção, ela só parava se alguém mostrasse a ela algum livro que ainda não tivesse conhecimento, o que era meio impossível.
— Então? — questionou Ron, com o cenho franzido, denunciando o quando estava bravo. — Não vai nos contar sobre esse seu casamento, Ginny?
— Isso mesmo. E aonde está o tão famoso menino rico.
— Bem aqui — falou Harry, e este encontrava-se bem atrás de Ginny.
Ótimo, pensou ela. Agora nada poderia ficar pior. Além de ter de arrumar um motivo verossímil para o casamento relâmpago, precisava aguentar Harry no papel de marido dedicado e apaixonado.
Mesmo que ele não tivesse se anunciado, saberia que ele estava a suas costas pelos olhares atônitos de Ron e Hermione. Ginny pediu ao céus, para nunca ter feito expressão igual diante do marido.
Quando voltou-se para ficar frente a frente com Harry, viu-o sorrindo com cortesia para Ron e Hermione, como se fosse a visita mais natural do mundo. De repente, percebeu que ele deveria estar muito acostumado em receber visitas inesperadas... Principalmente de mulheres. E era óbvio que não existia nenhum ser do sexo feminino, de qualquer idade que não ficasse extática na primeira vez em que colocava os olhos em Harry Potter.
Ela mesma sentira-se atraída pelo charme dele, assim que o viu no balcão da Colette. E considerava-se uma mulher muito prática, imagine? Não dava para imaginar quantas haviam sucumbido aquele sorriso doce ao longo dos anos. Não era de admirar que Harry se recusasse a se preocupar com uma virgem ruborizada ou, ex-virgem, pensou ela, desanimada.
Porque a verdade era que, ele não se importava com a esposa. Nada fizera durante toda a semana em que viveram juntos no apartamento. Bem, era certo que ela não o encorajou. Ao contrário, fizera de tudo para manter-se longe, pois foi o único jeito que lhe surgiu em mente, para nunca mais terem intimidades, com as quais, poderiam trazer consequências futuras.
Porém, no íntimo, não imaginou que Harry concordaria sem discutir e que se mantivesse afastado com tanta facilidade. Entretanto, agora a pouco, antes do seu irmão e Hermione chegarem, ele estava dizendo que aquele distanciamento entre os dois iria acabar naquela mesma noite.
Ginny estava muito curiosa para saber o que o marido desejava dizer com aquilo, mas a presença de Ron e Hermione iria dificultar um entendimento entre eles.
Como se lesse sua mente, Harry envio-lhe um breve sorriso, tão meigo que ninguém diria que tinham interrompido uma acalorada discussão poucos instantes atrás.
E então, ele voltou-se para Ron e Hermione.
— Como vão? Você devem ser Ron.
— Sim... — respondeu Ron, analisando minuciosamente o marido da irmã caçula. Então, estendeu-lhe a mão em cumprimento, esclarecendo, sem a menor necessidade. — Ron Weasley.
— E esta é Hermione Granger — disse Ginny percebendo que o irmão estava muito absorto em seus pensamentos para poder apresentar a namorada. E Harry sorriu para Hermione, e está retribuiu o afeto com um sorriso de orelha a orelha.
— Sou Harry Potter — disse ele aos dois.
— Nós sabemos disso. — falou Hermione, ainda com um grande sorriso ao contrário de Ron que estava expressando muita seriedade.
Ginny sabia que seu irmão era muito ciumento. Principalmente em relação a namorada. Mas, ela sendo a única irmã mais nova, e também a mais próxima a ele, era notável que ficasse com receio em relação a Harry. Ele era um completo desconhecido milionário. Que de subido havia se casado com sua irmãzinha. Ginny pensou com anseio ao lembrar-se dos seus outros três irmãos. O que eles diriam dessa situação? Loucura, com certeza. Contudo, os seus outros três irmãos mais velhos, moravam no exterior, e ela tinha muito pouco contato com eles. E seus irmãos mais próximos além de Ron, eram os gêmeos. Porém, com o falecimento de Fred e George, Ron era quem mais estava presente. Sabia que se ele, se quer, imaginasse sobre o acordo entre ela e Harry... Bem, Ginny nem ousaria pensar no que ele faria.
No entanto, teria que pensar nessas coisas mais tarde. No momento, precisava passar uma imagem positiva e feliz ao irmão e a cunhada.
De repente, se deu conta de que Ron e Hermione continuavam à soleira, e apressou-se a ser uma boa anfitriã:
— Vão querer ficar do lado de fora o dia inteiro? Entrem.
Quando eles entraram, Ginny viu que traziam as malas de viajem. Será que estavam planejando passar a noite ali?
— Então.
E observou Hermione acomodar-se no sofá de três lugares e logo Ron espalhou-se ao lado dela ocupando todo espaço que sobrara, os dois se ajeitaram dando as mãos, e Ginny pode ver Hermione deitar a cabeça no ombro do seu irmão, parecendo muito confortáveis e... apaixonados. Depois relanceou o olhar para o outro sofá do cômodo. E este era de dois lugares, apenas... Nossa. Pensou Ginny, teria de se sentar ali com Harry.
— Então — repetiu como uma tola, tratando de afastar-se o máximo possível do contato de Harry, sentando de lado, pois já não se importava se Ron e Hermione achassem seu procedimento estranho. — Vejo que trouxeram a bagagem.
— Oras, já que o casamento foi na semana passada e Luna nos contou que saíram em lua de mel, achamos que não iriam se importar se passássemos o fim de semana com vocês — afirmou Ron olhando para Harry, com um pouco de aborrecimento. — Não se importa, não é, Harry? Gostaríamos de conhecê-lo um pouco, já que nunca nos vimos antes.
Ginny suspirou, aborrecida. E lá estava Ron fazendo o papel de irmão mais velho preocupado. Era tudo o que faltava. Ainda mais que não sabia como convencê-lo de que seu casamento com Harry era muito normal e feliz.
— Claro que não me importo. Entendo muito bem sua preocupação a respeito de mim e de Ginny, mas garanto que não existe nada que possa vir afligi-lo.
Ginny assentiu, esforçando-se para parecer sincera.
— Sei que estão surpresos com o casamento. Harry e eu também nos surpreendemos ao perceber o quanto desejávamos nos casar logo. — Ela disse, esperando que Deus não a punisse fazendo um raio cair no meio da sala, naquele exato instante.
— Onde se conheceram? — Hermione quis saber, desconfiada também.
Durante a hora que se seguiu, Ginny e Harry contaram todos os detalhes de seu encontro. Segundo a versão que inventaram. Disseram a Ron e Hermione que tinham se apaixonado de uma forma total e arrebatadora assim que puseram os olhos um no outro, e que esse amor continuaria até o final de suas vidas.
Ante a insistência dos dois sobre se iriam atrapalhar ficando ali no final de semana, responderam que estava tudo bem.
Entretanto, lembrou Ginny, o quarto de hóspedes estava repleto com as coisas de Harry. Oh não! Como transportar tudo para seu próprio quarto sem que seu irmão e Hermione percebessem? Se eles compreendessem que o marido dormia em outro aposento, a farsa estaria desmascarada, e lá iria o plano todo por água abaixo.
E haveria um interrogatório, e ela não estava disposta a revelar que o motivo real do enlace com um estranho se devia ao fato de estar falida, o que provavelmente faria com que ela e Ron brigassem, com ele dizendo que se soubesse que ela iria se casar somente por falta de dinheiro, ele nunca mais iria deixaria-la sozinha outra vez. E Hermione viria a seu socorro defendendo-a, os dois iriam brigar e provavelmente não iriam se falar por dias, ou até poderiam terminar o namoro. Pois, ela sabia o quanto Hermione era cabeça dura, mais seu irmão era três vezes mais. Deus! Não podia deixar que isso acontecesse.
Ron e Hermione não precisavam tomar conhecimento dos fatos. Ginny sabia que os dois eram adultos e sensatos, como amigos sempre enfrentaram qualquer problema, e poderiam até compreender seus motivos. O que para Ginny seria um milagre. Apesar da tragédia que enfrentaram juntos, Ginny cuidava para conservar seu otimismo e uma certa inocência. E isso não poderia terminar.
Os três já haviam sofrido muito, em tenra idade, e a vida se incumbira de torná-los mais duros, mas por enquanto, como irmã mais nova e também melhor amiga, poderia dar um jeito para que continuassem felizes e despreocupados mais um pouco. Mesmo que isso significasse mantê-los na ignorância de seu acordo com Harry Potter.
— Então, o que vocês acham de um cinema? — disse de subido, olhando para os três. — Vocês dois podem ir primeiro, já que, estão arrumados. E depois, Harry e eu encontramos vocês lá.
Três pares de olhos a encararam.
— Ir ao cinema? — questionou Ron — Ginevra, o que você está pretendendo?
— Ora, nada Ronald. Apenas que seria uma oportunidade para vocês se conhecerem melhor. E tem mesmo um filme que estou querendo ver.
— Bem, então nos podemos esperar vocês, até ficarem prontos — disse Hermione, sensata como sempre.
— Não, Mione. Vocês podem ir antes. Eu tenho coisas para fazer. Quero arrumar o quarto de hóspedes — explicou, fixando o olhar no marido, com intensidade. — Antes de vocês se acomodarem lá.
— Eu ajudo. — prontificou-se Hermione, levantando-se de um salto.
— NÃO! — gritou Ginny, rápido demais.
Pela segunda vez, os três a fitaram, mas enquanto Ron e Hermione pareciam confusos e preocupados, a expressão de Harry demonstrava compreensão, por que aquiesceu, e logo disse:
— Acho uma ótima ideia, amor.
Que maravilha. Agora ele fazia o papel de marido condescendente e bondoso. Só faltava tirar um cachimbo do bolso e começar a fumar, sentado na poltrona e lendo um jornal.
— Bem... — Hermione hesitava.
— No caminho vocês podem passar numa livraria ótima, que tem aqui perto.
— Já que você insiste Ginny... — concluiu Hermione, com uma expressão desconfiada.
— Você pode escolher o filme dessa vez Ron.
Seu irmão não parecia nem um pouco convencido, mas tratou de se erguer do sofá, despediram com um "Até logo", por fim, Ron abraçou Hermione pela cintura e saíram pela porta.
Esse seria mais um longo final de semana, constatou Ginny.
*Birkbeck, Universidade de Londres: é uma universidade pública localizada em Londres, Reino Unido.
N/A: Então gente, como eu disse, nossos queridos Ron e Hermione finalmente deram as caras, pois é, se isso é bom ou ruim? Bem, para Ginny vai ser ruim, mas para o Harry... No próximo capitulo vocês irão ver... E aos que estão lendo, mas não estão comentando... Bem, obrigado pessoal, se estiverem gostando, mas não estão gostando.. Bem, fazer o que... Então, por enquanto isso é tudo pessoal...
Maria. Rita 123 — Oxi, eu super? Claro que não Maria, da onde você tirou isso? hahaha... Pois é, momentos quentes entre os dois, e a mais pela frente! E com certeza, eles se encaixam com perfeição que da até raiva! kkkkk Já a Ginny, então ela vai sofrer um pouquinho mesmo, mas é inevitável, e ela vai perceber isso logo, logo... Sim, continue torcendo! E espero que goste desde e dos próximos capítulos também! Feliz Pascoa, que você ganhe muitos chocolates! Beijos
