Nota da autora: Os personagens aqui mencionados não me pertencem, mas sim a nossa ilustre e maravilhosa J.K Rowling. Existe a história original deste livro, por isso, não é plagio, e sim uma adaptação da trama para o mundo Potteriano, como Universo Alternativo. Então, façam uma boa leitura.
A Decisão
Passava da meia noite quando, por fim, Ginny forçou-se a ir para cama.
Havia dado a desculpa, ao seu marido, de estar ansiosa para pôr em dia a conversa com Hermione e Ron, o que, acabou não sendo exatamente uma boa ideia. Pois, Ron ficara tentando dar seus "sermões", dignos de irmãos super-protetores, dizendo a ela que ainda não tinha idade o suficiente para se casar, o que de certo modo, era um absurdo. Afinal, ela tinha vinte e cinco anos, e iria fazer vinte e seis em agosto. Com essa idade em certas religiões, estaria casada a muito tempo, e com ao menos cinco filhos para criar, ou seja, já não era sem tempo, dissera a ele. O que acabou não sendo, uma boa constatação, pois seu irmão tratou de ficar falando entre dentes palavras indecorosas — ou como diria sua mãe "mal-criadas" — com muito mau humor.
Por fim, Hermione ajudou-a a acalma-lo, como exatamente ela conseguiu esse feito, Ginny não saberia explicar, pois ela apenas objectou, olhando-o com seu tipico olhar severo, o qual ela bem sabia que significava "não vamos, mais discutir sobre isso".
Depois Hermione e Ron ficaram fazendo perguntas sobre Harry e apenas quando os dois deixaram claro que estavam exaustos e queriam dormir, com relutância, ela também recolheu-se a seus aposentos.
Harry dominava o pequeno cômodo muito feminino com sua presença ultra-masculina, parecendo incompatível entre as almofadas macias, os móveis claros e delicados, os quadros com flores e as cortinas rendadas.
Quando a esposa entrou, ele já estava na cama, sentado sobre a colcha de retalhos coloridos, com um travesseiro escorando as costas, lendo um jornal de negócios. Usava apenas a calça de um pijama de seda cor chocolate, e por algum estranho motivo Ginny reparou em seus pés e achou-os muito sensuais. Apesar do nervosismo, sorriu.
Harry ergueu o olhar, encarou-a com malicia e disse:
— Afinal decidiu vir para cama, meu bem?
Ginny parabenizou-se por ter vestido, de propósito, um pijama de flanela grossa, com desenhos de sóis sorridentes e xícaras de café fumegantes, apesar de já estar suando em bicas. Olhou para cama e para Harry, e de subido sentiu que deveria sair correndo. Mas, em uma fração de segundo Ginny pensou que, se voltasse para a sala, levantaria as suspeitas de Hermione e Ron, ou mesmo causaria alarme. Então, concluiu, era melhor se deitar.
Se adiantou, devagar, e tratou de deitar ao lado de Harry e de seus pés interessantes. Se cobriu até o pescoço, tentando ao máximo não encostar no marido, e ficou olhando para o teto do quarto, esperando para ver o que ele faria.
Harry atirou o jornal no chão, se cobriu e aproximou-se dela, encarando-a. Ginny, com o coração batendo forte, desejou cobrir a cabeça com lençol, como um avestruz, para afastar-se da realidade. Entretanto, ficou olhando para o marido sem nada dizer.
— Estes lençóis têm desenhos de gatos — ele disse, ainda encarando-a.
Não era isso o que Ginny esperava ouvir. Todavia, apesar da surpresa, replicou:
— Gosto de gatos. Até mesmo de Bichento, embora ele não goste de mim. Mas foi ele que começou com a rivalidade.
Que conversa ridícula e sem propósito!
Mas, Harry sorriu com indulgência.
— Nunca tinha dormido em uma cama com tantos felinos — comentou, observando-a de cima a baixo, apesar de não haver muito o que apreciar. — Nem com uma mulher usando um pijama como o seu.
— As mulheres usam essas coisas o tempo todo. Só que aquelas que você leva para cama, não têm em mente uma confortável noite de sono, mas... Outras coisas. Por isso, elas usam quase nada. — ela disse, mas sentia-se a beira da histeria.
— Não venha me dizer que não tem "outras coisas" em mente também.
Ela enrubesceu. Sim, disse a si mesma, é claro que tinha, mas, não do modo como ele pensava. No momento, o que desejava era evitar aquele confronto intimo.
— Gosto de Ron e Hermione. São ótimas pessoas.
Ginny aquiesceu, aliviada.
— Sim, eles são.
— Percebo o por que de você ser tão devotada a eles.
— Eles sempre foram bons comigo. Por isso, tento ser a melhor irmã e amiga, que eles poderiam ter.
Harry voltou a sorrir, com doçura.
— Eu acho que é exatamente isso o que você dá a eles.
Algo pareceu derreter dentro de Ginny ante as palavras e o olhar de carinho. E num paradoxo, isso a colocou em guarda. Olhares e frases com intuitos sexuais podia dominar, mas afeto era algo, bem diferente. De fato, seria um sentimento difícil de resistir.
Harry inclinou-se e lhe deu um beijo casto na testa. Depois virou-se e apagou a luz do abajur. No escuro, Ginny sentiu que ele tornou a girar para o lado e a segura-la com força, abraçando-a.
A sensação foi maravilhosa.
— Estava pensando... Já que seu irmão e Hermione estão na cidade, poderíamos planejar um encontro com a minha família, no domingo. Afinal, será meu aniversário. Assim, todos poderão se conhecer. E tenho certeza de que meus pais e minha irmã estão ansiosos para rever você. E aproveito para apresentar a vocês, ao meu padrinho.
Bem, isso era bastante interessante. Por que Harry gostaria de apresentar Ron e Hermione a seus familiares? Com que proposito encorajar um relacionamento que deveria terminar dentro de um ano? Estava prestes a perguntar-lhe se achava isso sensato, quando Harry interrompeu suas conjecturas e continuou a falar:
— Vou telefonar para minha mãe amanhã e programar tudo. Vamos organizar um almoço no domingo por volta de uma hora. Isso dará muito tempo para Ron e Hermione se planejarem por aqui. Afinal, pelo que seu irmão me contou, eles ainda moram com seus pais, e já que Hermione está fazendo faculdade. Eles não vão poder continuar por lá, por isso estão procurando algum apartamento por aqui, afinal, pagar passagem todos os dias, não vai ser um luxo cabível.
Como ele sabia tantas coisas?
Bem, talvez fosse isso que ele e seu irmão tanto conversaram no caminho de volta do cinema essa tarde. Ele e Ron estavam se dando muito bem, concluiu Ginny sorrindo.
— Tudo bem. — Ginny concordou, sem saber se dizia a coisa certa. Mas algo na voz de Harry soara tão sincero e honesto, que parecia muito ansioso por agradar. — Se tem certeza.
— Tenho. — E após um momento de hesitação, Harry prosseguiu. — E também estou pensando em outra coisa.
Ginny não sabia se desejava ouvir o que era. Porém, perguntou:
— O que?
Harry inclinou a cabeça e encostou a ponta do nariz nos cabelos dela, fazendo um carinho suave que provocou um estremecimento em Ginny.
— Estava pensando, em como seria bom fazermos amor de novo.
Era o que Ginny temia. Gostaria de não ter perguntado, porque ouvi-lo dizer aquilo, com tanta suavidade e sensualidade, com tanta sedução, só a fazia se dar conta do quanto desejava isso também.
Entretanto, respondeu:
— Achei que já tínhamos concordado.
— Foi um acordo feito às pressas — disse Harry beijando seu pescoço logo acima da gola do pijama. — E acho que precisamos conversar mais sobre o assunto...
Mas, era claro que considerava os atos mais importantes que as palavras, porque, em vez de falar, começou a acariciá-la, fazendo-a ficar fora de si, passando as mãos debaixo do tecido e tateando a pele quente.
Ginny sentiu que estava pegando fogo. Uma descarga elétrica pareceu percorrê-la de cima abaixo. Com um simples toque de suas mãos, Harry conseguia transformá-la em uma massa moldável a sua vontade. Porém, não era bem verdade, teve que admitir. Afinal, esteve desejando-o durante toda aquela primeira semana de casados, apenas enganou a si mesma, mantendo-se sempre em movimento, evitando ficar a sós com o marido.
Interpretando o silêncio como um consentimento, Harry deslizou os dedos pelos quadris arredondados, pela cintura, e alcançou os seios intumescidos.
Ginny gemeu de leve, e sentiu a virilidade de Harry de encontro ao corpo. Precisava dizer "não", negar-se àquele ato, mas não foi capaz. E não queria mesmo dizer nada, para ser franca.
De novo, Harry interpretou sua quietude como uma aprovação. Determinado, pôs-se a acariciar-lhe os seios com sensualidade. Ginny remexeu-se, aconchegando-se a ele.
Harry cobriu-lhe a boca com a sua e beijou-a com ardor.
Sem mesmo pensar no que fazia, Ginny circulou o pescoço dele com os braços, afagando os cabelos negros, deixando-os ainda mais desalinhados, e entreabrindo os lábios.
Por um longo momento ficaram assim, Harry sobre ela, e ela apertando-o contra si, até que suas bocas se afastaram e ele desabotoou-lhe a blusa, expondo os seios por completo.
Só então Ginny recuperou a fala, mas está saiu entrecortada:
— Acho que... Isso... Não é... Uma boa ideia.
Entretanto, os dedos, como se tivessem vontade própria continuaram a acariciar os cabelos de Harry, agarrando-os, enquanto ele continuava com a sua minuciosa tarefa.
— Discordo. Acho uma ideia excelente. — disse beijando-a. — Eu quero você.
— Por favor, Harry.
— O quê? Quer que eu pare ou continue? Por favor continue. Faça amor comigo? É isso que você quer?
Ginny sacudiu a cabeça de um lado para o outro, enquanto Harry beijava-lhe o pescoço.
— Por favor.
Harry voltou a sugar o mamilo rijo, enquanto deslizava a calça do pijama para baixo. Ginny, sem perceber, entreabriu as pernas e sentiu as mãos fortes e másculas acariciá-la em completa intimidade, fazendo-a adentrar um mundo de sensações eróticas e inebriantes. A excitação ia aumentando em ondas cada vez mais intensas.
Por um breve instante, voltou à realidade do momento, e lembrou-se do irmão.
— Mas... Ron e Hermione então logo ali, no outro quarto. — No íntimo sabia que era um protesto tolo, e que já haviam chegado longe demais para parar.
— Aposto que estão muito ocupados, para ouvir alguma coisa. — Harry continuava a descer-lhe a calça do pijama, que era mais apropriado para uma garota do colégio de férias, mas que em Ginny ficava muito sexy. — E mesmo que ouçam algo. — prosseguiu, tirando a própria calça. — Somos recém-casados. Esperam-se que façamos sexo sem parar.
Deitou-se ao lado dela. E então prosseguiu:
— E vai convencê-los de que estamos muito apaixonados um pelo outro. Não é isso o que queremos?
A logica do raciocínio pareceu acalmar Ginny. Ela continuava vestindo a parte de cima do pijama, apesar de estar aberto, exibindo-lhe os seios.
Harry parecia gostar de vê-la semidespida, e inclinou a cabeça afim de beijar-lhe os seios outra vez. Foi deslizando os lábios ao longo das formas femininas, pelas costelas, ventre, umbigo...
Ginny já mergulhava no mundo as sensações mais sensuais de sua vida, quando Harry posicionou-se entre suas coxas, e penetrou-a de uma vez.
Ambos iniciaram uma cavalgada frenética, onde gemidos, sussurros e suspiros misturavam-se à respiração apressada. Quando Harry alcançou o clímax, Ginny sentiu uma emoção indescritível ao experimentar um deleite que pareceu transportá-la para fora do planeta, enquanto, com a mão, o marido tapava-lhe a boca, evitando que ela gritasse.
Por vários minutos, mantiveram-se inertes um nos braços do outro suspensos no tempo, até que Harry rolou para o lado, exausto.
Ginny o abraçou, e ele encostou a cabeça no ombro macio. Nada foi dito, ao esperarem os ritmos cardíacos voltarem ao normal.
E mesmo depois não souberam o que falar. Por fim, Ginny pensou que, apesar de terem tomado precauções, como da primeira vez, para que ela não engravidasse, não havia como proteger seus sentimentos. Uma certeza surgiu-lhe, nítida e transparente como cristal.
Amava o marido, e nem sequer imaginava o que fazer, diante desse fato.
Os dois casais passaram o sábado juntos, fazendo o que as famílias costumam fazer nos fins de semana. Primeiro, foram tomar o café da manhã em uma confeitaria, depois Harry levou todos para velejar no rio Malclown, a ponte de Londres. Jantaram no JJ's Deli, onde Harry e Ginny haviam ficado noivos, e terminaram a noite ouvindo um concerto ao ar livre, no parque.
Durante todo esse dia, Ginny observou seu irmão e Hermione cada vez mais entusiasmados pelo cunhado, ela própria cada vez mais apaixonada pelo marido.
O almoço de aniversário que a mãe de Harry organizou na residência dos Potter, no domingo, foi ainda mais divertido. A Sra. Potter, ou Lily, como insistiu por ser chamada por ela, Ron e Hermione, esmerou-se ao máximo. A mesa foi posta com a mais fina porcelana, cristais e prata, e um arranjo de flores do campo.
Ginny percebeu que a família do marido recebia, a ela, ao seu irmão e Hermione como convidados de honra, e isso a sensibilizou.
Sim, os pais de Harry a aceitavam de braços abertos. A irmã do marido Helen, logo fez amizade com Hermione, por incrível que pareça as duas tinham quase os mesmo gosto por livros, assim Hermione se viu perdida na imensa biblioteca particular da família Potter. Já Lily mostrou a Ginny e Hermione todas as suas coleções de livros, de todos os tipos, desde acadêmicos à literaturas estrangeiras, e enquanto ela falava sobre estes, Ginny pode perceber que os olhos de Lily eram idênticos aos de Harry, e ela viu-se totalmente afetada pela sogra, que era muito gentil e acolhedora.
Depois Harry apresentara seu padrinho Sirius Black, que apesar de não ter nenhum laço sanguíneo com a família pertencia a esta a muitos anos. Ginny logo percebeu com quem Harry aprendera a ser um homem sem relacionamentos, pois seu padrinho nunca se casará e logo afirmara que não pretendia tal ato. E apesar de ter cinquenta e cinco anos, ainda carregava muita juventude, e era muito bonito por sinal. Se ele mesmo não lhe dissesse que tinha essa idade, ela não acreditaria.
E num dado momento, Lily questionou a Ron e Ginny sobre seus pais, e ela se viu encurralada, pois Ron logo se prontificou a telefonar para eles. Dito e feito. Lá estavam seus pais. Surpresos por saberem que a filha caçula deles se casará. E depois que ela e Harry explicaram tudo sobre o tão apressado casamento, com o fato de estarem perdidamente apaixonados. Eles exultaram felicidade. E Ginny não acreditou, no quanto eles foram compreensíveis. Depois James e Sirius começaram a contar a eles as hilariantes aventuras dos "marotos" como eram conhecidos na época do colegial. E logo, Ginny observou que Hermione, Ron e seus pais, estavam rindo e conversando sem parar, assim como ela mesma.
Mas, então teve que voltar a realidade, o que a fez ter vontade de chorar. Há anos não tinha uma família completa. E de repente, estavam almoçando em grupo, com uma aura de calor humano, simpatia e carinho a envolvê-los.
Tudo estava perfeito.
Como resultado, Ginny entrou em uma profunda depressão. O que aconteceria a seguir? Jamais pensou em estabelecer tanta aproximação com os Potter. Já bastava ter se apaixonado pelo marido provisório, mas dali em diante teria de lidar com aquelas pessoas encantadoras, que demonstravam-lhe tanta consideração e afeto.
E havia um grande problema. Nunca seriam uma só e grande família. E apenas ela e Harry sabiam disso, em meio aos risos e as brincadeiras que surgiam com tanta espontaneidade entre os Potter e os Weasley. Quando o ano terminasse, tudo chegaria ao fim.
Será que poderiam continuar todos amigos? Indagou-se, tristonha. Seu irmão Ron agora tinha muita afinidade com Harry.
Ron constantemente o chamava para um futebol ou um fim de semana "só para homens" como eles chamavam, e sentiu que ali se formava uma profunda amizade. Ron jamais tivera um grande amigo, ele sempre estava com ela e Hermione e parecia estar mesmo tornando-se melhor amigo de Harry.
Se passaram quase cinco meses desde o acordo, e nesses dias os Potter haviam se juntado com aos Weasley para agora os costumeiros almoços, jantares e reuniões de família.
Se as coisas continuassem daquele jeito, não haveria motivo para crer que não poderiam continuar o vinculo quando ela e Harry se separassem. Seria muito traumático, se assim fosse.
Entretanto, conhecia muito bem o orgulho entre os Weasley. Quando ela se divorciasse, Ron e Hermione assim como seus pais, tomariam seu partido e se afastariam dos Potter.
Um ano era muito. Quando tudo acabasse, os Weasley estariam muito ligados aos Potter. O que poderia fazer?
Ginny suspirou, em meio a seus devaneios realistas e ponderados, estava em um dos almoços familiares, agora sempre requisitado pela sua mãe ou sua sogra. Ela estava um pouco afastada do grupo, na hora do café e da sobremesa. Tinha o momentâneo impulso de virar-se para todos e gritar para que parassem com a confraternização, porque logo estariam em campos opostos.
Mesmo que o divórcio fosse amigável, o relacionamento ficaria rachado como um vaso de cristal.
Sua família já havia perdido tanto... Acabaram de começar a reconstruir suas existências. Detestava pensar que iriam sofrer uma nova perda em breve.
E, quanto a si mesma, ponderou, não queria amar Harry cada vez mais, sabendo que iria perdê-lo.
— Bela reunião, não?
Ginny virou-se e se deparou com o marido, que sorria. Harry estava muito bonito, com uma calça cáqui e uma camisa polo branca e os cabelos negros naturalmente desarrumados.
Os olhos verdes de Harry brilhavam de um maneira estranha, o que a fez recordar a noites de amor, um nos braços do outro. O relacionamento sexual com Harry era maravilhoso. Quando ele a tocava com carinho, afeição e desejo, a resposta era sempre uma fortíssima emoção. Sentir os corações batendo em uníssono era...
Ginny fechou os olhos, tentando afastar as lembranças. Quando tivesse de acordar de verdade, a dor seria muito grande, por que o amava demais.
Com o coração dolorido, o encarou. Como Harry era lindo! Amável, inteligente e simpático. Por que era tão obstinado em terminar com a união ao fim do prazo?
Harry não sabia amar uma só mulher, era isso. Por certo gostava da esposa, mas deixou muito claro que não era homem de se apegar a ninguém, e que a abandonaria com um sorriso nos lábios, contente por ter cumprido sua parte no acordo.
O casamento não passava de um pacto entre adultos. Iriam separar-se sem dever nada um ao outro. Ginny tratou de recordar, que o elo que os prendia era apenas legal, e não emocional, forçando-se a adotar uma postura mais fria.
No entanto, será que as emoções que experimentava também eram temporárias?
— Sim, um almoço incrível, Harry. Sua mãe é uma anfitriã perfeita. Foi muito amável, da parte dela, ter providenciado tudo isso para nós.
Harry aquiesceu, olhando ao redor.
— Todos parecem estar se divertindo — e ele tornou a encarar a esposa. — Menos você. Por que está tão triste?
Ginny o fitou, e de súbito, tomou uma decisão.
— Harry, podemos conversar?
Ele deu de ombros, mas estava com uma expressão preocupada.
— Lógico. Sobre o quê?
— Uma conversa em particular, por favor.
O pedido pareceu deixá-lo ainda mais desconfortável.
— Qual o problema, Ginny?
— Apenas... Preciso falar com você.
— Está bem, o escritório do meu pai é logo ali — apontou para uma porta, e começou a caminhar nessa direção, sem olhar para trás.
Ginny o seguiu, ensaiando o que pretendia dizer, cada vez mais determinada. Porém, quando Harry fechou a porta do escritório, já estava se sentindo tão confusa com os remoinhos mentais que povoaram seu cérebro que não tinha mais certeza do que desejava dizer.
Harry pareceu perceber sua confusão, por que não fez nenhuma brincadeira, e permaneceu a observá-la com seriedade. Dirigiu-se à escrivaninha em um canto e sentou-se na quina, cruzando os braços em um gesto defensivo. Esperou em silêncio pelas palavras de Ginny.
Mas ela só conseguia pensar no quanto ele era charmoso e o quanto o amava. Será que gostaria mesmo terminar tudo antes do prazo previsto? Questionou-se, aflita.
Mas que alternativa lhe restava? A cada dia iria enredar-se mais na teia de amor. Quanto mais tempo passasse, mais as duas famílias iriam se envolver. E depois? Ao final do ano, o seu coração, e da sua família estariam repletos de amor pelos Potter e a perda seria devastadora. Se terminasse tudo naquele instante, talvez ainda pudesse salvar um pouco da tranquilidade que lhes restava.
— Não posso continuar com isso, Harry.
Não pretendera começar a conversa assim, mas a ansiedade a perturbava.
Harry pareceu ter sido pego de surpresa, pois logo disse:
— Com o quê?
— Com nosso acordo.
De imediato ele não entendeu o significado e balançou a cabeça, atordoado. E Ginny continuou, esclarecendo:
— O casamento, Harry. Não posso continuar.
Harry levantou-se da mesa como se uma mola o impulsionasse. Porém, parecia não saber o que dizer, pois ficou parado, encarando-a, a boca entreaberta e as mãos ao longo do corpo. E ela percebeu, que ele estava surpreso.
— Lamento, mas não vai dar certo.
— Do que está falando, Ginny? Tudo está indo muito bem... Melhor até do que eu esperava!
Era evidente. Ele vivia com uma mulher, mantinha relações sexuais com ela e depois poderia descartar tudo por que não a amava. Mas um casamento não era só isso, mesmo sendo de conveniência, Ginny pensava. Ela queria mais, enquanto o marido estava satisfeito com a situação.
— O que sente por mim, Harry?
— O que?
— Quais são seus sentimentos pela minha pessoa?
De novo ele deu de ombros, mas o gesto de pouco-caso não causo o efeito pretendido.
— Gosto de você, Ginny. Acho que você é um amor de pessoa.
— Só isso?
Harry suspirou.
— Sim, é claro que há mais...
— Como o quê?
— Bem, acho que tem um ótimo senso de humor e é muito amorosa. E aprecio o quanto é devotada a sua família. E... Me sinto muito bem em sua companhia.
— Só isso?
— Ginny o que quer, que eu diga?
Ginny decidiu que não poderia culpá-lo. Ela própria não tinha certeza do que queria ouvi-lo dizer. A não ser que pudesse afirmar que iria amá-la para sempre, e que não poderia viver sem ela. Hesitou um instante e falou:
— O que estou querendo dizer é que existe algo há mais em nosso casamento, além de conveniências.
— Como assim?
— Quero dizer que... — Ginny respirou fundo, pensou um segundo, e desistiu de explicar, porque também não entendia muito bem o que sentia. Então bateu na mesma tecla. — Não posso continuar assim. Acabou, Harry.
Dizendo isso, ela retirou a aliança e o anel de brilhantes de colocou-os sobre a escrivaninha. E prosseguiu:
— Não poderei continuar agindo assim durante um ano.
— Mas, Ginny... Você prometeu. Assinamos um contrato. Fizemos um acordo.
"E que acordo estúpido!"
Depois de tudo o que ela dissera, Harry só conseguia pensar no papel assinado que garantia-lhe milhões de libras. Pouco se importava em perdê-la. Nesse instante, Ginny teve certeza de que ele jamais a amaria.
— Não pedirei o divórcio antes do prazo combinado, fique tranquilo. Não porque assinei um contrato, mas porque lhe prometi, e não costumo quebrar minhas promessas. Mas quanto a nós dois... — engoliu um seco, fechou os olhos e tratou de expressar da melhor maneira possível. — Por favor, não volte ao meu apartamento hoje. Poderá se mudar de lá amanhã. E depois, não quero tornar voltar a vê-lo.
Por um momento, Harry apenas a encarou como se não conseguisse acreditar no que ouvia. Então, ele indagou:
— Você pode estar grávida. O que vai fazer?
— Sempre tomamos precauções.
— Mas nada é absolutamente seguro, você sabe disso. E uma gravidez sempre foi sua maior preocupação.
— Não estou esperando um filho, posso garantir. Portanto, não precisa se preocupar.
— E quem disse que estou preocupado?
Ginny não entendeu muito bem aquilo, do por que Harry insistir com a possibilidade de uma gravidez, mas sentiu que estava tomando o caminho certo. Se ele nada sentiu depois das noites maravilhosas que eles compartilharam, isso jamais aconteceria.
— Por que isso agora, Ginny? — ele questionou, aborrecido. — Achei que estávamos indo muito bem e que teríamos um ano muito agradável. Achei que... Se importasse comigo.
— Eu lamento... — forcou-se a dizer. — Me importo, sim. Mais do que você imagina. Gostaria de poder continuar com o plano original... Mas não posso.
— Por que?
— Por que, é impossível permanecer fingindo ser uma esposa feliz. Não tenho estrutura para seguir enganando todo mundo até o fim do prazo. É uma questão de temperamento.
— Foi você quem quis que fingíssemos estarmos apaixonados.
Ginny aquiesceu.
— Eu sei disso. Foi um erro da minha parte... E também houve outros.
— Serio? — Harry arqueou uma sobrancelha, com sarcasmo, mas também magoado. Estava furioso com o fato de Ginny jamais tê-lo prevenido sobre o que sentia, e imaginou que ela estivesse contente com a vida que levavam. — Houve outros erros além do casamento em si?
— Sim. Pelo menos um.
— Qual?
Por um instante que pareceu interminável Ginny o encarou, tentando imprimir na memória cada detalhe do seu rosto, para ter o que recordar no futuro. Então, num sussurro, respondeu:
— Me apaixonei por você Harry. Esse foi o maior dos meus erros.
Mal terminou de falar, deu-lhe as costas e saiu do escritório. Nem quis pensar no que os outros imaginariam ao vê-la correr pela sala. Não se importava em como ia chegar em casa, e estava tranquila a respeito de seus pais, ou seu irmão. Pela primeira vez na vida, ela só pensava em si mesma.
E em como seria triste e vazia a existência sem Harry.
N/A: E ai pessoal... Estou de volta! Mas, já vou avisando, este capitulo é o penúltimo... Por isso, preparem-se para o final, que virá a seguir... E especulem... O que irá acontecer? A Ginny, tomou a decisão certa? Será que o nosso querido e lindo Harry, vai ir atrás dela? Hummmm, pois é, essas são duvidas, que serão respondidas na próxima atualização... Ah, aproveitando que estou aqui, já estou com outro projeto, para a minha próxima adaptação... Mas, vou deixar isso para depois também hahaha... Até a próxima pessoal!
Aninha E. Potter — Viu só Ana, esses dois no mesmo quatro, é como acender vários barris de pólvora, só dá explosão! Hahaha... Pois é, Harry demonstrou mesmo alguns sinais de afeto e companheirismo, mas acho que isso não vai bastar para nossa querida Ginny, tadinha, afinal ela ama ele... Enfim, na sequencia, haverão algumas outras decisões, bem importantes... Então até lá! Beijão Ana!
