Capítulo 1 -
Por mais que estivesse preparado para aquele momento, Harry jamais poderia reagir bem diante do noivado de Rony. Aquele pedido parecia ser tão distante, que ele acabara se acomodando à situação, e agora, não podia impedir que a mulher que amava fosse se casar com seu melhor amigo. E por conta dessa certeza, sentia-se sufocado, irritado. Queria gritar, mas não podia, então tudo que conseguira depois dos votos e das promessas, fora caminhar rapidamente para fora da casa. O ar frio da noite enchera seus pulmões, e quando o expulsara, a névoa se formara densa esquentando seu rosto. Não tinha o direito de se sentir assim, mas não podia evitar. Deveria ficar contente, mas só conseguia pensar no seu amor egoísta. Só conseguia pensar que estava perdendo a própria chance de ser feliz.
Após passar mais tempo ao lado de Hermione, "descobrira" o quanto incrível ela era, e esses momentos contribuíram para que se apaixonasse muito rápido, elevando a amizade dos dois a outro nível. Adorava o jeito que ela lhe olhava, e o jeito que o repreendia por alguma coisa, principalmente quando estava tão certa. Era um misto de divertimento e razão que apenas ele reconhecia. O seu sorriso era encantador, sua voz paciente e melodiosa, e eram essas coisas pequenas que o atraíam imensamente. Não era apenas a inteligência ou a aparência. Por isso, era impossível não passar boa parte do dia pensando nela, mesmo sabendo que era errado. Que agora ela era noiva de Rony.
Caminhou para mais longe da Toca, pois não queria ouvir os risos e as felicitações ao casal. Não quando desejava estar ali dentro, ao lado de Hermione. Mas ainda que desejasse tal coisa tinha que se conformar, porque não fora ele quem a havia conquistado. Era só um amigo e assim permaneceria, mas se tivesse tido a chance de fazer com que ela se apaixonasse, com certeza não iria hesitar, mesmo que Rony sofresse no processo, pois podia dizer que a conhecia melhor, e não via brilho nenhum no olhar castanho que tanto admirava quando o assunto envolvia aquele relacionamento.
Respirou fundo novamente, colocando as mãos nos bolsos, percebendo somente agora que saíra sem casaco...
- Você já é um homem feito, mas preciso sempre pensar nos detalhes? É como se ainda fosse um garotinho e quisesse sair na neve para jogar quadribol. - Lily disse de modo gentil, ao caminhar até o filho que sorrira fino. Apenas sua mãe para notaria que estivera agoniado desde que Rony anunciara o noivado, e que estava ali fora, congelando, por não poder suportar àquele sentimento. Então entregou o casaco grosso a ele, e o beijou no rosto. - Você parece bastante infeliz... Rony e Hermione vão se casar.
- E quem disse que não estou feliz? Meus amigos vão se casar. Claro que estou contente. - Harry mentiu enquanto forçava um sorriso ao vestir o casaco que Lily lhe entregara. Aquela resposta poderia ser convincente para o próprio Rony, Luna ou até mesmo para Gina, sua ex-namorada. Mas convencer a própria mãe disso era inútil. Ela cruzou os braços, o olhando de modo curioso enquanto esperava por uma resposta verdadeira. Porque sabia que tudo que o filho dizia era o oposto do que sentia. - Rony e Hermione merecem esse casamento... Não acha?
- Talvez... Todos merecem a chance de serem felizes com as pessoas que amam, Harry. - respondeu sendo sincera ao fitar o rapaz que tentou esboçar outro sorriso sem sucesso, pois essa ideia não se encaixava a ele mesmo. Lily suspirou fundo, e sorriu, tocando-o no rosto. - Não adianta mentir para mim, querido. Eu seria uma boa legilimente se tivesse investido no ramo, mas antes de tudo, sou sua mãe e não preciso escavar sua mente para adivinhar o que está pensando e o que está sentindo. Está bem claro para mim que não está feliz. Ora, eu vejo como olha pra ela, como sorri para Hermione... - rira brevemente. - Você é como seu pai, não sabe ser nada discreto.
- Dizem que só herdei a cor dos seus olhos, não é mesmo? - ele indagou em um longo suspiro após terminar de fechar seu casaco. Observou os olhos ternos da mãe enquanto o fitava e sentia os carinhos dela em seu rosto. Durante todo esse tempo se empenhou em não deixar-se levar pelo que sentia por Hermione. Tentara manter tudo apenas na amizade e aceitar que ela estava feliz com Rony. Mas cada dia ao lado da morena era suficiente para envolver-se cada vez mais. E por isso, mantinha esse sentimento sufocado no peito. Embora não tivesse feito o suficiente para esconder isso de Lily. - Ela vai se casar. O que mais posso fazer? E que tipo de amigo eu seria me interferindo nisso? Rony a ama.
- E já parou para se perguntar se Hermione o ama também? Se ela é feliz nesse relacionamento? - Lily questionou diretamente, enquanto o filho erguia a sobrancelha. Por diversas vezes, ela tentara enxergar alguma felicidade ou euforia nos gestos de Hermione, mas não conseguira. Seu dom de observar as pessoas, sem usar qualquer tipo de magia, era tão bom quanto. E apenas distinguia o quanto ela se esforçava para manter uma pose cordata e obediente às circunstâncias. Porque estava claro para ela, que a moça apenas queria se libertar de tudo isso e talvez seu filho pudesse ajuda-la nesse processo. - Porque não é isso que eu vejo, Harry. Você não seria um amigo ruim se lutasse pelo que quer.
- Por acaso está me encorajando a destruir um possível casamento? - indagou com um pequeno sorriso no canto dos lábios, vendo a ruiva a sua frente assentir de forma cúmplice, fazendo com que ele risse ao abraçá-la. - Você é cruel, Sra. Potter. - Harry disse ao beijá-la na testa. Podia se sentir sortudo por ter um relacionamento tão maravilhoso com os pais. E apesar de toda a guerra que acontecia e de Voldemort tentar alcançá-los, Harry faria de tudo para protegê-los. Assim como faria pelos amigos e, principalmente, por Hermione. - Nunca questionei essa possibilidade. Eu não sei. Hermione parece tão feliz ao lado dele que, mesmo sendo forçado, parece ser convincente. Pensei que depois de Gina não me envolveria com mais ninguém tão cedo, mas me enganei...
- Acho que seu único relacionamento sério foi e ainda é com Hermione, também já parou para pensar nisso? - indagou de modo divertido, enquanto Harry ria brevemente. Passara um bom tempo distante de Hermione, mas depois que ela se aproximara por conta da amizade intensa, fora inevitável que essa aproximação não o alcançasse também. E o resto fora questão de tempo. A amava como não havia amado nenhuma outra, nem mesmo no auge de seu namoro com Gina, quando a paixão era forte. - Você faria um bem a si e aos outros também, querido. Imagine viver uma vida sem que tenha planejado, fingindo sentir algo que não sente? Estaria fazendo muito mais por seus amigos, estaria livrando-os de um casamento desastroso e de uma vida infeliz. Se insistir com Hermione, vai se surpreender com o que vai descobrir...
- Não posso dizer que nunca vou agir quanto a isso, mas acho que agora não é o melhor momento. - Harry disse ao olhar para a mãe, que lhe sorrira como forma de encorajá-lo, mesmo sabendo que quanto mais cedo ele agisse, melhor seria. Deixara o noivado acontecer, se chegasse o casamento, talvez as chances dele sumissem para sempre. Então afagou os cabelos desgrenhados do filho, que eram como os de James. Uma marca somente deles. - Preciso ter certeza de que Hermione arriscaria jogar tudo isso para o alto e ousar ter alguma coisa comigo. Vou me sentir um idiota se me declarar e ouvir algo que me deixaria arrasado. - voltou seus olhos para os de Lily e a beijou carinhosamente no rosto. - Mas obrigado pelo conselho. Meu pai tem razão em dizer que você é a melhor.
- Eu disse que ele não é nada discreto, e é um pouco exagerado também. Só quero o que é melhor para você, Harry... E eu sei que vai fazer a coisa certa, independente do que seja certo para os outros. Apenas não demore, está bem? Se deixar para mais tarde pode ser que nunca aconteça. - ela falou o beijando novamente no rosto, então se afastou um pouco. - E cuidado com o frio, você pode se resfriar. Não demore a entrar também... Eu te amo, filho.
- Eu também, mãe. - Harry riu enquanto a observava se afastar. Era até engraçado pensar que durante a guerra travada entre a Ordem da Fênix e o Ministério da Magia contra Voldemort, sua mãe lhe pedira apenas para tomar cuidado com o frio. E isso o fazia perceber que eram naqueles pequenos detalhes que ela se preocupava e zelava por ele. E queria muito experimentar tudo isso com Hermione um dia. Mesmo que em parte já sentisse. Ainda não se esquecera das sensações que ela despertara em seu corpo quando o abraçara daquele jeito forte e carinhoso quando voltara da última batalha em um vilarejo trouxa. Era um misto de angústia desesperadora e alívio imenso por ele ter voltado. E somente agora percebera que aquela era a resposta que precisava para ousar. Rony iria perdoá-lo um dia, mas precisava arriscar. Precisava saber se teria a mulher que amava para si um dia.
As masmorras do outro lado da mansão mergulhavam no mais absoluto silêncio. E apesar de haver vários comensais e aliados do lorde das trevas ali presentes, ninguém se atrevera a emitir qualquer som ou dizer qualquer coisa. Ninguém ousava interromper o momento de deleite que ele experimentava naquele instante por seus planos mais recentes não terem dado certo. Mais uma tentativa de tomar o Ministério da Magia havia dado falhado. E agora, cabia a ele punir os responsáveis pelo fiasco que o impedira de obter o poder absoluto do mundo bruxo.
Caminhou pelo centro do salão em que estava observando o corpo trêmulo e ao mesmo tempo apavorado do homem estirado no chão. Nagini o acompanhava em qualquer passo que dava, mostrando que não eram apenas bruxos que o seguiam. E ao lado do homem estendido no chão, Draco Malfoy olhava para seu mestre de modo receoso, mesmo que soubesse que ele não o culpava por tudo que acontecera. Apesar de ser seu braço direito atualmente, Voldemort lhe dera uma missão da qual ele executara muito bem. Estavam com o vice-ministro bem ali, no meio de todos. E embora não fosse o próprio ministro da magia, era alguém próximo o suficiente dele. E aquelas informações, seriam por hora, suficientes.
O modo como seu pai idolatrava o lorde das trevas, de certa forma, o aborrecia. E havia sido prudente manter-se afastado para chegar ao cargo em que tanto ambicionara. Além de ser um Malfoy, estar do lado certo daquela batalha o deixava em segurança. Nenhum comensal ousava questionar ou enfrentar a autoridade daquele em quem Voldemort tanto confiava. Por isso, Draco tinha regalias que nenhum outro comensal ali possuía. Tão pouco Bellatrix Lestrange. E a grande carga de conhecimento em magia das trevas, que lhe fazia ser tão temido, fora Voldemort quem lhe ensinara. Por isso manter-se-ia ao lado dele, independente do que pudesse acontecer.
- Deixei ordens claras de que queria James Potter aqui no lugar deste lixo. - a voz fria e cruel de Voldemort ecoou pelo salão, enquanto ele olhava enojado para o homem que agonizava no chão. Aquela tortura estava sendo demais para ele. E se havia alguém depois do lorde que sabia torturar alguém, esse era Draco Malfoy. O rosto pálido e quase cadavérico do superior voltou-se para o loiro ao seu lado. - Onde houve as falhas, Draco? Adoraria muito punir aquele que ousou me decepcionar.
- Não seria prudente milorde, boa parte desse bando de patéticos falhou. - o comensal respondeu se movendo astuto, pelo cômodo de paredes frias e de pedra. O teto era muito alto e protegido por feitiços, e lá quase no topo, podia-se ver a luz fraca da lua. Parecia a qualquer um que o lugar fora projetado exatamente para isso. Para que seus ocupantes jamais tornassem a ver alguma luz de esperança. Muitos morreram ali e muitos mais ainda morreriam até que Voldemort tivesse triunfo e poder absoluto. O olhar azul de Draco era perfurante, e não esboçava sentimento algum. A não ser pela frustração. Sentia-se imensamente irritado por seu plano ter sido tão mal executado. - Se formos puni-los com a morte, que é o que merecem, perderemos todos os idiotas que beijam nossos pés. Fomos cautelosos até demais... Sutileza faz parte do plano, mas ferocidade também. Não somos conhecidos por sermos piedosos! - emendou erguendo sua varinha e no momento seguinte um grito doloroso retumbara nas masmorras.
- Sabe fazer ecoar uma bonita melodia, Draco. - Voldemort esboçou um sorriso satisfeito enquanto observava o homem estirado no chão agonizar e gritar de dor. Tudo isso era o que alimentava sua sede de ganhar a guerra. Ver todos seus adversários implorando por suas vidas entre gemidos e lágrimas, todos aos seus pés, era o objetivo maior. Por isso queria cada um dos Potter ali, onde estava aquele imprestável e inútil subalterno. Suspirou levemente, voltando-se para o comensal. - Não me enganei ao confiar em você. Tem razão quanto a perdermos tempo e aliados se punirmos todos esses idiotas. Alguma novidade do Ministério? Eles estão enfraquecidos?
- O mesmo de sempre, o ministro está tentando se equiparar em termos de força. Mandou alguns homens de confiança a lugares distintos para recrutar pessoas, mas a maioria delas está aterrorizada demais para lutar. Somos melhores, e somos mais... Uma hora milorde, eles vão cair de vez. Só temos que ter paciência e escolher melhor quem vamos usar no nosso jogo. - Draco informou rapidamente, mas depois passaria todas as informações que havia conseguido com seus diversos informantes. Não era difícil coagir as pessoas, fosse com um feitiço, uma ameaça ou uma promessa de um terço de poder. Havia algo dentro delas que as incitavam a lhe obedecer. Medo ou ambição, não importava, tudo que era mais importante seria o alcance de seus anseios.
- Esperançosos e prepotentes. - o homem de rosto ofídico riu de modo breve e sem importância. Parando no centro do salão e olhando para o homem retesado no chão. Sentiu Nagini deslizar por entre seus pés e se enrolar em suas pernas como modo de buscar segurança. Muitas vezes os planos contra seus adversários tinham sucesso. E na maioria, ele e seus comensais saíam vitoriosos e com um número menor de bruxos para duelarem. Por isso, ficava tão irado quando alguma estratégia dava errado. Como aquela de tentar invadir o Ministério, que fracassara logo no início, mas o fracasso lhe trouxera Coleman Francis e de certa forma tudo isso fora favorável. Olhou para seu comensal de confiança e apontou para o vice-ministro. – Fez com que abrisse a boca? Porque julgando pela invalidez, você acabou com ele, Draco. - comentou com certo desdém, fazendo os demais comensais rir.
- Eu sempre consigo fazer com que eles abram a boca. Francis não é tão durão quanto pensa. É um fracote chorão. – zombou, o fitando de cima. As horas que passara torturando o homem, não apenas com feitiços, foram suficientes para que ele lhe contasse praticamente tudo que precisava saber, e tudo que ele próprio já sabia. Não era muito, mas o bastante para que começassem a agilizar seus planos. Se não poderiam tomar o Ministério ainda, poderiam tomar outros lugares importantes, como Hogwarts. Assustar crianças e professores seria divertido, mas não mais que encontrar as peças que fariam o poder chegar até eles rapidamente. E a cada passo dado, enfraqueceriam seus oponentes. - Acho que precisamos conversar a sós, milorde...
- Vocês o ouviram. - Voldemort disse em alto e bom som para os demais comensais no salão. Fazendo com que todos olhassem surpresos para eles, ao centro. O lorde das trevas nunca aceitava uma ordem direta de algum de seus seguidores. Era sempre ele quem ditava as regras. Mas naquele momento, estava atendendo as palavras do jovem a sua frente. Ele percorreu os olhos brancos pelo local, gritando com todos. - Saiam daqui. Precisamos conversar a sós. – então acompanhou cada um deixar o salão. Exceto Bellatrix, que parara à porta. Ainda era visível sua indignação por Voldemort preferir confiar em Draco Malfoy ao invés dela, que sempre estivera ao seu lado e o idolatrava como ideal de caráter. - Saia! – ríspido, ordenara para a bruxa ao jogá-la para fora do salão. Suspirando de modo cansado quando ficaram apenas os três, e Nagini, aos seus pés. - Me informe, Draco...
- Francis falou de algo que o ministro está procurando. Ele está buscando algo que Dumbledore deixou como uma espécie de trunfo... - o comensal disse, logo que vira estarem realmente sozinhos. Divertia-se todas as vezes que via o olhar desolado e enfurecido de Bellatrix, e se orgulhava, não pela confiança que ganhava, mas pelo poder que obtinha sendo o braço direito de Voldemort. Com isso poderia chegar mais longe do que seu pai e isso para ele era uma questão de honra. - Acho que esse trunfo tem relação com o que você também busca milorde. O Potter colocou todos os funcionários do alto escalão do Ministério para procurar por certos objetos, que para mim não tem utilidade nenhuma, o que de fato me intrigou muito. O que suas mentes mais brilhantes estão fazendo, trabalhando incessantemente nisso? E além do mais, Francis disse algo sobre... horcruxs...
- Aquele maldito velho nem depois de morto me deixa em paz. - o lorde das trevas praguejou. Mas não de modo alto e furioso, muito pelo contrário. Era como se achasse interessante e divertido, todos os obstáculos que encontrava diante de seu caminho. Nagini abandonou suas pernas, começando a cercar o homem estirado no chão, fazendo com que ele gemesse apavorado pelo tamanho da serpente. E o fato das horcruxs também preocupava Voldemort. Quanto mais avançavam, mais ele corria riscos e não podia permitir isso. - Nagini, pare de brincar com o jantar. - a repreendeu em sua casual linguagem de cobra, ouvindo um som do animal que o fizera menear a cabeça e voltar-se para Draco. - O que ele sabe sobre as horcruxs?
- Você pode se tornar mortal... É isso mesmo? - Draco perguntou de forma direta, surpreendendo Voldemort com sua pergunta. Jamais imaginara que alguém além dele descobrisse tal detalhe e que isso pudesse colocar seu poder em risco. Até mesmo sua vida imortal. Ficara um minuto pensativo, e tudo que se ouvia na masmorra eram os sons costumeiros: a água que se infiltrava por entre algumas pedras e caía sem parar. Nagini e seu barulho traiçoeiro. Os murmúrios de algumas pessoas que estavam ali, presas, assim como os gemidos de Francis ainda no chão. - Eles sabem que você dividiu sua alma em alguns pedaços, o velhote disse a eles. E disse também, algo sobre a profecia que o liga a Harry Potter.
- Tive que me prevenir de qualquer incidente, Draco. Sabia que iriam tentar me aniquilar assim que tentasse tomar o poder do mundo bruxo e torná-lo ainda melhor, por isso fiz o que fiz. Mas imagine você que sangues-ruins e trouxas vivam entre nós, como se fossem nossos iguais. Isso é inaceitável. - Voldemort comentou com asco, vendo o comensal esboçar uma careta como forma de concordar com suas palavras. O lorde abaixou seu olhar para Nagini, que tremelicava sua língua vez ou outra diante do bruxo no chão. - Só não imaginava que Harry Potter pudesse cruzar meu caminho um dia. - voltou-se para Draco, se aproximando dele e segurando seu braço esquerdo. Puxando a manga de sua capa para cima, revelando a marca negra tatuada ali. - Vai trazer o Potter até mim. E não o mate. Quero ter a honra de fazer pessoalmente, pois é isso que a profecia diz. Apenas o traga para mim.
- Vai ser um prazer, milorde... Sempre quis acabar com o Potter, e nada melhor do que vê-lo fazer isso. - respondeu, sentindo a marca queimar em seu braço, mas não esboçara dor alguma. Já estava acostumado, e isso não o incomodava mais. Voldemort sorrira. Não fora uma má ideia investir em Draco, torná-lo um homem de sua confiança, porque todos os outros falharam antes dele, tanto que se encontrava daquele jeito, tentando ser quem fora. E por mais que estivesse satisfeito por isso, não hesitaria em tirar qualquer coisa de seu caminho, ainda mais alguém que sabia tanto sobre si.
Aquela noite havia sido cheia de surpresas para ela, porque assim como todos, Hermione não esperava que Rony fosse pedi-la em casamento, nem que arquitetasse algo tão admirável. Para ele as coisas eram tão simples e práticas, que ela realmente não acreditava que aquela ideia havia sido do ruivo. A proposta lhe deixara sem reação no primeiro momento, ainda mais quando fitara os olhos verdes de Harry. O seu silêncio dera suspense aos demais, mas a ela, era como se um abismo ainda maior houvesse se instalado entre a realidade e o amor que nutria pelo amigo, agora ainda mais inalcançável.
Por tanto tempo fora apaixonada por Harry, sempre cuidara dele de forma velada e nunca pudera lhe dizer o quanto ele era importante. E tais coisas teriam que ser escondidas ainda mais em seu peito, porque Rony iria ser seu marido. Não o amava com a mesma intensidade, mas o respeitava, e por isso aceitara se casar. Todos esperavam que o fizesse, então não tivera outra escolha. Estaria diante de um compromisso para a vida toda e jamais viveria os seus sonhos. Harry nunca seria seu.
Respirou fundo, forçando um sorriso enquanto se situava na conversa animada de Gina com alguns convidados, enquanto Molly se despedia de outros. Para uma noiva, Hermione não se sentia muito feliz, tal como Lily havia percebido. Despedira-se também, e vira a sogra seguir para a cozinha acompanhada de boa parte do restante dos convidados mais íntimos para uma última rodada de doces, café e chá. Rony cochilava no sofá, e ela ficara um instante o observando. Queria pensar que seria feliz, que a vida trataria de lhe conformar, mas não era bem isso que imaginava ao fitá-lo. O amor de Rony não seria o bastante para os dois, mas não tinha coragem suficiente para se libertar dessa obrigação.
- Deve estar exausta depois de tudo que aconteceu essa noite. - a voz grave e masculina atrás de si, fizera com que cada parte do corpo de Hermione se arrepiasse e estremecesse por senti-lo tão perto. Era completamente o oposto do que sentia quando o noivo estava igualmente perto ou falava de modo tão terno e atencioso. Virou-se para o moreno, esboçando um pequeno sorriso quando o viu com duas canecas de chocolate quente e creme, nas mãos. Ele lhe oferecera uma, pegando o casaco dela pendurado ao lado da porta, indicando a saída. - Vamos lá fora? - sugeriu, abrindo a porta com a outra mão livre, acompanhando-a até ali. Deixou sua caneca sobre o cercado da frente, abrindo o casaco, se oferecendo para ajudá-la a se vestir.
- Obrigada, Harry... Hoje está mesmo muito frio. - Hermione comentou corando intensamente. Por mais que evitasse tal coisa, nunca conseguia se manter totalmente natural ao lado dele. Sentia-se tão bem quando estava com Harry, mas ao mesmo tempo se sentia mal, exatamente porque embora estivesse perto, a situação a deixava muito, muito longe. O auror com certeza seria feliz com outra pessoa, tão diferente do que seria com ela quando se casasse com Rony. Sorriu, quando os olhos verdes repousaram em si novamente, e seu coração batera depressa. - Mas você é quem deve estar cansado... Depois de todo o trabalho no Ministério, e das viagens que faz, tem que aguentar um jantar longo como esse, cheio de pessoas fazendo alvoroço...
- Posso te garantir que essa não foi a parte mais difícil do meu dia. - ele comentou com um pequeno sorriso, mantendo seu olhar preso ao castanho e intenso da amiga a sua frente. Queria confessar que depois de tudo que passou naquele dia, o momento mais difícil dele fora quando Hermione dissera "sim" após Rony pedi-la em casamento e eles comemorarem com um beijo, que o obrigou a se retirar da mesa. E por mais que a conversa com a mãe houvesse sido mais recente que seu ressentimento, ainda não tinha forças para agir de forma tão rápida ao ponto de assustar Hermione com seus sentimentos. - Há muito tempo não sei o que é estar cansado, sabe? Parece que minha vida está no automático desde que Vold... Você-Sabe-Quem... - corrigiu-se quando ela ergueu uma sobrancelha para repreendê-lo. - Anunciou que quer minha cabeça em uma bandeja de ouro.
- Não gosto de pensar nisso, embora seja impossível diante de tudo que está acontecendo com a gente. De um dia para o outro as coisas viraram uma bagunça, e eu tenho medo, principalmente por você. Você-Sabe-Quem está te caçando, e não há um só momento em que eu não pense se está bem, se está seguro. – confessou um tanto angustiada e sem se conter, porque não aguentava mais guardar isso também. Bebericou um pouco do chocolate quente, enquanto ouvia o suspiro longo de Harry.
- Eu sei me cuidar, Mione. Acha que vou deixar Você-Sabe-Quem colocar as mãos em mim tão facilmente? - Harry disse com um pequeno e divertido sorriso. Mas tudo isso fora usado para conter o desejo que tivera de beijá-la depois de ouvir daqueles lábios tão rosados, o quanto ela se preocupava consigo. E era isso que seu coração clamava desde que se descobrira apaixonado por Hermione. Que ela sentisse algo tão intenso e verdadeiro ao ponto de fazê-lo cometer uma loucura. - Sei que o que digo não é o suficiente para acalmar ninguém, muito menos minha mãe, mas não vou simplesmente me render. - levou um marshmallow à boca, desviando seu olhar para a caneca em suas mãos. Aquele assunto poderia ser difícil para ele, mas tratando-se de Voldemort, Harry sempre fora reservado, afinal sua vida estava atrelada a existência dele. - Fiquei feliz por Rony finalmente ter virado homem e tomado coragem para pedi-la em casamento.
- Você ficou feliz? - Hermione indagou forçando um novo sorriso. O fizera sempre naquela noite, mas ironicamente, quando estava com o auror não precisava disso. No entanto, ao ouvir aquele comentário, não tivera outra saída. Não poderia enganar-se daquela forma, porque além de Rony nenhum outro homem conseguiria amá-la. Ainda mais Harry que podia ter a mulher que quisesse a qualquer hora. Os olhos castanhos dela adquiriram um brilho diferente, eram tristes, e fora inevitável que Harry não pensasse na conversa que tivera com sua mãe horas antes. Então assentiu não muito certo disso. - Acho que Rony não deveria ter sido tão precipitado. Não estamos num bom momento para festas... Temos que nos focar em outras coisas.
- Rony fez isso porque te ama. - comentou com pesar ao desviar seus olhos de Hermione. Também teria feito o mesmo se não tivesse sido tão idiota e se declarado a tempo. Mas as coisas aconteceram rápido demais. E quando se dera conta de que estava apaixonado pela amiga, já era tarde. No entanto, mesmo que as palavras de Lily o incentivassem, de certa forma, Harry decidira ser criterioso. Mas isso não significava que não iria lutar. - Como minha mãe sempre diz, não existe um momento certo para mostrar o que sentimos para alguém. Só tem que ser sincero. - sorriu ao fitar os olhos âmbar de um modo intenso que a deixara corada.
- Eu devo só por hoje discordar da sua mãe... Há momentos certos sim, Harry, e às vezes, deixamos passar. - ela comentou desviando também o olhar. Seu coração doía ao pensar nisso, que talvez pudesse ter tido um momento decisivo em sua vida que poderia ter mudado tudo, mas que não acontecera. Seus olhos se encheram de lágrimas e Hermione mordeu o lábio.
Harry respirou fundo, sentindo o ar gélido da noite entrar em seus pulmões outra vez. Então deixou sua caneca de chocolate sobre o cercado de madeira. Durante todo o tempo que estivera ali com Hermione, tentara ignorar a joia dourada com um pequeno diamante que ela tinha na mão direita. E fizera o mesmo ao se aproximar dela. Surpreendendo-a, quando levou a mão em sua bochecha rosada, secando uma lágrima que havia percorrido sua face, vendo-a fechar os olhos lentamente.
- Olha pra mim, Mione. – murmurou, ao passo em que o coração de ambos batia num mesmo ritmo frenético, por conta daquela aproximação. Principalmente o dele, por poder tocar a pele feminina tão macia e contemplar o olhar doce, quando Hermione atendera seu pedido. - Você o ama? Sei que aceitou o pedido de casamento, mas... O ama o suficiente para imaginar passar o resto da sua vida ao lado dele?
Hermione prendera a respiração e o olhou dentro dos olhos. Não pudera evitar aquela imensa vontade de contar tudo o que sentia. De dizer que não amava Rony, que jamais o faria, apenas sentia um amor fraternal por ele, e que amava outro homem. E que esse homem era gentil e corajoso, e que daria a vida por ele. Esta mesma vida que tantas vezes fantasiara ao seu lado. Mas tudo isso não poderia ser dito por que julgava ter perdido seu momento há muito tempo atrás, além disso, não queria constranger Harry com sua declaração. E embora tivesse medo, não o tinha para derramar suas lágrimas.
- Sim, eu... Eu o amo. Rony é o homem que eu mereço, ele que vai estar ao meu lado, é apenas isso. - ela disse chorosa, desejando mais do que nunca que sua vida fosse diferente. - Mas e você... Não imagina passar o resto da vida com alguém? Gina parece não ter encontrado outra pessoa depois que vocês terminaram. Talvez ela ainda sinta algo.
- Gina e eu, juntos, somos um desastre em escalas maiores, Mione. Deu certo no começo, tivemos bons momentos, mas... Não dá mais. Eu não a amo. - disse ao forçar um pequeno sorriso e suspirar entre ele. Pensara que a resposta de Hermione pudesse levá-lo a se declarar e impedir a loucura que seria se ela se casasse com Rony. Mas aquelas palavras haviam levado suas esperanças embora. Mesmo que elas tivessem sido precisas o suficiente para que ele acreditasse, Hermione havia dito que o amava. E a conhecia bem o suficiente para saber que ela não diria algo assim em vão. Terminou de secar as lágrimas do rosto dela. E sem nenhum convite a envolveu em seus braços. Apreciando o encaixe perfeito de seus corpos, enquanto a beijava na testa. - Sabe o quanto Gina é louca e imprevisível. Já a livrei de encrencas várias vezes. E agora a pouco a vi sair para uma missão não oficial. Com certeza não daria certo.
- Mas tenho certeza de que vai encontrar alguém que o faça feliz, assim como você também irá fazer essa pessoa a mais feliz. - a morena murmurou rindo brevemente e de forma nervosa, estava tão desnorteada que achava sua própria situação engraçada e difícil.
Queria muito ser a mulher que Harry escolheria, queria estar sempre ali, nos braços dele. Porque aquele abraço lhe dava uma segurança muito grande, e aquecia seu coração de uma maneira maravilhosa. E de certa forma sentia-se amada por ele, mesmo que não fosse o amor que almejava com tanta força. E por isso, estaria contente quando outra mulher ocupasse aquele lugar.
Seu ânimo não era para festas naquela noite. Ao mesmo tempo em que se sentia esgotado por executar tantas missões ao longo do dia, seu sangue fervia em ansiedade pelo seguinte. Queria que logo amanhecesse para cumprir a missão que o lorde das trevas lhe concedera. Bastava lembrar-se dela para sentir a marca negra formigar em seu braço esquerdo. Empenhar-se-ia ao máximo para colocar as mãos em Harry Potter e levá-lo até seu mestre, independente de estar ou não de ressaca para isso.
Encostou-se contra a sacada atrás de si, sentindo a brisa gélida bater contra seu corpo, enquanto seu copo se enchia novamente devido a um feitiço. Não queria estar naquela festa, negociando com bruxos influentes e convencendo-os a passarem para o lado vitorioso da guerra antes que fosse tarde demais. Mas ele era o único homem capaz o bastante para ter a confiança de Voldemort. E mesmo que conversar com poucas pessoas tivesse sido chato e exaustivo para ele, tinha certeza de que seu mestre ficaria satisfeito ao tomar conhecimento da lista com os nomes de seus novos aliados.
Revirou os olhos de modo cansado quando vira um grupo seleto de mulheres com os olhos fixos nele. Como se estivessem prontas para devorá-lo a qualquer momento. Algumas nem mesmo se importavam com a presença dos maridos ali, e comprometidas ou não, eram o comensal seu principal alvo. E para Draco Malfoy, aquele lance de "conseguir tudo fácil" já tinha ficado desgastante. Por mais que aquelas mulheres fossem atraentes e do seu nível, precisava de uma aventura. Algo que o fizesse se esquecer por um momento do peso que carregava sobre os ombros, e que o tirasse do sério. Afinal, seu status lhe dava o direito de poder tudo. Só bastava encontrar alguém interessante...
Praguejou baixo quando viu Pansy seguindo em sua direção. Ela também fazia parte do grupo de comensais da morte, mas estava longe de ser alguém da confiança do lorde das trevas. Ela era apenas uma das peças descartáveis dele, pois muitas vezes falhava em alguma missão. E se não fosse por Draco, com certeza já estaria morta há muito tempo.
Tomou um longo gole de seu uísque de fogo, enquanto observava o corpo esguio de Pansy coberto pelo tecido negro e decotado. Tivera momentos divertidos com ela, era verdade, mas ainda desejava algo diferente. Ela já não podia lhe satisfazer.
- Soube que o terceiro andar está proibido. Você sempre gostou do proibido... - Pansy sorriu de modo malicioso ao se aproximar mais de Draco, colocando sua taça sobre o mármore, usando as mãos livres para acariciar seu peitoral firme. Mas quando ela lhe dera um pequeno espaço, o comensal avistou alguém mais adiante que de imediato lhe chamou atenção. Chamaria atenção de qualquer homem ali presente, tanto que era bajulada por vários deles enquanto caminhava lentamente. A mulher tinha os cabelos vermelhos, levemente cacheados nas pontas, até a cintura. O vestido vinho revelava a tez alva de suas costas entre a cascata ruiva. E não soube por que, mas sentira-se imensamente atraído e ansioso para tê-la. Fora como se algo dentro dele houvesse despertado. - Vamos nos divertir? - a voz de Pansy o acordou de seus devaneios.
- Pensei em arranjar outras maneiras de me divertir essa noite, e com certeza não vai ser com você, Pansy. - dissera diretamente, pois sabia que se tentasse despistar, talvez a bruxa entendesse de outra forma, e de maneira nenhuma gostaria que ela frustrasse os seus planos recentes. Retirou as mãos dela com certa rigidez e brusquidão, revigorando seu desejo de não permanecer ali na companhia da comensal. Pansy bufou, abrindo a boca para repreendê-lo, mas ele fora mais rápido. - Não tenho paciência para você hoje, nem estou tão carente assim, então vá procurar algo mais útil para fazer, como arranjar um jeito de não falhar na sua próxima missão. Fique de olhos abertos Parkinson, o lorde das trevas também gosta de torturar comensais.
Pansy ergueu uma sobrancelha enquanto o observava se afastar. Draco pouco se importava se havia sido rude ou ríspido demais. Seria questão de tempo até essa fúria sumir, e ela o procurar novamente. Então tudo voltaria aos conformes. Afinal de contas, todas as mulheres procuravam por Draco Malfoy outra vez. E ele tinha o privilégio de escolher a dedo se elas repetiriam a dose ou não.
Entrou no salão de festas novamente, dando a volta por entre os convidados enquanto mantinha seus olhos fixos na ruiva misteriosa. Ela ainda chamava a atenção de praticamente todos por ali, mas quando a mulher se virou em sua direção, Draco pudera ver, e de forma surpresa, o seu rosto.
Não sabia se sua reação era de decepção, por sentir-se tão atraído por ela, ou de rivalidade por saber de um inimigo presente entre a seleta de Voldemort. Talvez fosse os dois, e ainda uma pitada de espanto por reconhecer Gina Weasley. Podia fazer anos que não a via de perto, mas jamais se esqueceria dos seus olhos azuis. Era difícil acreditar que aquela garota magricela e cheia de sardas se tornara uma mulher tão sensual... Praguejou, tentando manter o foco. Tentando trazer o comensal para o controle enquanto a via se desviar de alguns convidados e caminhar até a saída. Logo Draco a seguiu também, disposto a deixar as coisas bem claras se ela quisesse viver a partir dali.
A acompanhava sem que conseguisse desviar o olhar dos passos dela. Não sabia ao certo se a ruiva caminhava para longe da festa, indo diretamente até um beco escuro propositalmente porque sabia estar sendo seguida, ou porque já se entediara daquela reunião quase estratégica. A verdade era que não poderia perdê-la de vista, não agora que estava prestes a lhe alcançar. Sabia que Gina Weasley era uma peça valiosa para o Ministério. As histórias que ouvia sobre ela e Harry Potter eram muitas e para alguns muito preocupantes, mas Draco sabia o quanto aquela dupla gostava de se exibir, como agora com a presença da auror ali.
- O ministro da Magia deveria treinar melhor o seu pessoal... - a voz fria e esboçando também um tom de divertimento, fizera com que a ruiva parasse de caminhar, e se voltasse para a entrada do beco. Tinha que admitir que não fora uma boa ideia aparecer ali. Não sozinha e sem rumo nenhum, mas assim que percebera que Draco estava no local, suas chances de descobrir alguma coisa foram por água abaixo, tanto, que ele mesmo a havia encontrado, antes que pudesse aparatar sem deixar rastros. - Péssima festa para espionar, Weasley.
- Também acho. Já fui a festas em que a bebida era melhor. - Gina disse com um acanhado sorriso ao apertar a pequena bolsa que trouxera entre os dedos. Não descobrira muitas coisas, tão pouco as que queria descobrir e que a levaram até ali. Mas tinha sido o suficiente para atualizar a Ordem da Fênix e os amigos, sobre os próximos passos de Voldemort. E mesmo que estivesse sozinha, Draco Malfoy não seria um obstáculo. Apesar de ser uma barreira bastante atraente. Mesmo que ele fosse um comensal, não podia negar o quanto os anos contribuíram para seu amadurecimento. - Não vim em uma missão dada pelo ministro, Malfoy. Vim por conta própria. E se realmente quisesse me esconder, teria sido mais cuidadosa. Se chamei sua atenção é porque funcionou...
- Realmente as coisas nunca mudam. Vocês bonzinhos continuam idiotas. Ser vista não seria uma boa opção, garotinha. Ainda mais numa festa repleta de comensais e aliados de Voldemort. - disse sério, acompanhando com o olhar, cada gesto mudo de Gina. Percebera de imediato quando ela deslizou a varinha de dentro da pequena bolsa enfeitiçada, tentando pegá-lo desprevenido, mas antes que a ruiva apontasse-a para si, Draco já empunhava a sua. - Ainda continua lenta... Onde aprendeu a usar a sua varinha? Ahn... Acho que foi em Hogwarts com algum professor incompetente. Aquela escola imunda sempre combinou com a sua família. Então pode ir correndo contar a eles, que logo ela vai estar sobre o controle do meu mestre.
- Eu não preciso de uma varinha, Malfoy. Expelliarmus. - a ruiva ordenou o feitiço junto ao sorriso de raiva e divertimento, surpreendendo Draco quando a varinha dele, fora retirada de sua mão e lançada para longe. Ela jogou a bolsa no chão como prova de que não usava sua própria varinha. E lançou os cabelos para trás ao se aproximar do comensal de modo superior, erguendo a sobrancelha. - Quem é a garotinha lenta, hum? Aposto que não contava com isso. Não estou afim de um duelo, está bem? Esse vestido é caro, estou me sentindo muito sexy essa noite e não quero estragar o meu visual.
Gina imaginara que Draco fosse explodir enfurecido, mas surpreendeu-se quando a gargalhada dele ecoara no silêncio daquele beco. Isso era pior do que qualquer insulto ou provocação, e ele ainda agia como se fosse os dois. Provavelmente queria tomar o controle da situação deixando-a irritada, e embora não quisesse dar esse gostinho ao comensal, era impossível que não se incomodasse. Passara a vida toda lidando com Draco Malfoy em Hogwarts, que fora um erro imaginar que agora seria diferente.
- Ainda posso vencer você Weasley, sempre fui bom em duelar. Lembra-se como eu arrasava os seus amigos da Grifinória? Principalmente o Potter... - ele sorriu desdenhoso, retomando a sua varinha. - Deveria colaborar comigo, eu lhe disse que vamos invadir Hogwarts, então me diga... Quais os planos do seu ministro, e por onde anda o seu namorado?
- Primeiro: não te contaria os planos do Ministério nem sob a maldição cruciatus ou veritasserum. Preferiria morrer ao ter que trair meus ideais. - ela sibilou entre dentes ao olhar para o comensal. Como não estava em missão e fora de seu horário de trabalho, um duelo ali seria inviável. Era uma das regras fundamentais de um auror. E só apelaria para isso, se realmente precisasse se defender. Sem mencionar no sermão que ouviria de Harry, seu supervisor, se cometesse tamanha imprudência. O que não aconteceria ali, já que não se submeteria às irritações do loiro. - E em segundo: minha vida pessoal não é da sua conta. Podemos até duelar um dia se isso for satisfazer seu desejo, Malfoy. Mas não vai ser essa noite. Então eu sugiro que coloque o rabo entre as pernas e vá correndo até seu mestre contar que estive aqui. Porque como um bom bajulador que sei que é, você vai contar.
- Sabe quantas pessoas matei ou torturei para ser um "bajulador"? - ele indagou, ignorando o tom de deboche vindo dela. Aproximou-se guardando a varinha, no fundo também previa as ações de Gina e sabia que ela não iria partir para o ataque, não se ele também não o fizesse. Aquela conversa seria diferente, sem truques. Então a encarou fixamente, quase fazendo com que a ruiva desviasse o olhar, mas ela aguentara firme, com muita força de vontade porque não iria se dobrar as vontades de Draco. - Muitas pessoas, e a maioria delas eram pessoas que você convivia, talvez amigos e parentes. Não sou de me gabar, longe disso, mas só conquistei o meu lugar de direito e a confiança de Voldemort porque matei muitas pessoas. Portanto não quero estragar isso dizendo que vi você aqui, espionando, e muito mal. Pode acabar com a minha reputação.
- Não quer contar ao seu mestre que estive aqui? Não se preocupe. Vou fazer com que ele saiba. - Gina riu ao cruzar os braços. Ignorando o olhar ameaçador do comensal. Muitas pessoas teriam medo por estar diante de Draco Malfoy e completamente vulnerável, mas ela não tinha. Draco nunca lhe causara medo. E agora que tinha um conhecimento grande em magia, sabia que estaria confiante o suficiente para o que pudesse acontecer ali. - Eu não tenho medo de você, Malfoy. Não tenho medo das suas ameaças e pouco me importa sua reputação. Se Você-Sabe-Quem esfolar você porque descobriu que sabia da presença de uma auror nessa festa, para mim está perfeito. Porque tenho nojo, aversão e ódio de você. De tudo que você e seus amigos fétidos fizeram com cada pessoa que convivi, cada amigo e parente. - engoliu em seco quando as lágrimas vieram aos seus olhos ao se lembrar da morte de Bill, anos atrás. Não iria fraquejar ali, diante dele. - Então vá para o inferno, está bem? - forçou um sorriso ao pegar sua bolsa e passar pelo loiro. Mas antes que pudesse se afastar, ele segurou seu braço. Virando-a para si novamente. - Não seja tão grosseiro!
- Você ainda não viu nada, Weasley. - ele respondeu de modo ríspido, apertando o braço de Gina com força, fazendo com que ela se desequilibrasse por um instante. Aquele momento de trégua a fizera se esquecer de como Draco era perigoso, que aquele garoto mesquinho da escola, havia se transformado em um homem totalmente imprevisível e cruel. O loiro a empurrou contra a parede de modo violento, fazendo com que um gemido surpreso escapasse dos lábios dela. - Acha que Voldemort iria me esfolar por sua causa, por sua pequena manifestação tão ordinária? Não pense que só você sabe ameaçar, eu não brinco em serviço, e da próxima vez, você pode ser tão vítima quanto o seu querido irmão... - disse friamente, ao levar os lábios até a orelha feminina. - Bill, não é? Eu conseguia ouvir os gritos dele do salão, implorando para sair de lá, chorando como criança... Então mandei Bellatrix acabar com ele. Já não aguentava mais tamanha covardia.
A dor que Gina sentira no peito quase a sufocou ao perceber o modo frio como Draco lhe falara daquilo. Mas o que deveria esperar de Draco Malfoy além de frieza e rispidez? Ele era filho único, crescera em um lar amargo, que o privara de todo o amor e o carinho que os pais e os irmãos lhe deram. Com certeza tirar uma vida nem lhe pesava a consciência. Mas isso não tornou menos doloroso o fato de saber que ele foi responsável pela morte de seu irmão mais velho. Pelas semanas que sua mãe passara trancada no quarto chorando e seu pai se culpando por deixá-lo sozinho. Até mesmo Harry assumira uma parcela de culpa quando Bill morrera. Por isso esboçou um riso, alto o suficiente para que ele ouvisse e afastasse seu olhar para fitá-la de modo curioso. E quando isso acontecera, a bofetada em seu rosto havia sido certeira. Causando ardência e deixando as marcas dos dedos dela, ali.
- Nunca mais use sua boca imunda para falar do meu irmão ou de qualquer outro membro da minha família, entendeu?! – murmurou, ao passo em que ele voltava o olhar repleto de fúria e frustração para ela novamente. Gina ofegou, enquanto o via morder o lábio e levar uma mão livre até o lado em que seu rosto formigava. - Eu não tenho medo de você!
- Comece a ter, Weasley. Comece a ter... - exclamou furioso ao se afastar. Não queria sujar suas mãos com pouca coisa, não quando Voldemort havia lhe dado uma missão maior que o faria conquistar muito mais do que já desejara. Seria tão poderoso quanto o lorde das trevas e então trataria de exterminar toda e qualquer criatura insignificante que atravessasse seu caminho.
Lançara então um novo olhar, mas carregado de velhos sentimentos e deixara a ruiva sozinha.
Nota das autoras: Olá, pessoal!
Voltamos e com fic nova.
Essa é bem dark e sombria. E promete muitas emoções para o fraco coraçãozinho de vocês. Então não infartem, tá bem?
Postaremos capítulos regularmente e quando acabarem os capítulos que temos escritos postaremos de acordo com nosso tempo para escrever. Esperamos a compreensão de vocês e que gostem da nossa nova fic, pois escrevemos com muito amor e carinho.
Beijos.
