Capítulo 2 -
Toda a sua vida se passava em momentos longos diante de seus olhos naqueles últimos dias. Tudo o que havia desejado que demorasse um tanto mais, acontecia sem que pudesse conter. A guerra que se declarara e os avanços de Voldemort deixavam Lily apavorada. Harry não era mais um bebê indefeso, carente de proteção, mas ainda era seu filho e não podia deixar de se preocupar com ele. Era um sentimento que não podia esconder nem ignorar, pois ainda daria sua vida por Harry. Não obstante, também se preocupava com James. O mundo bruxo todo parecia estar nas mãos dele e qualquer insucesso era motivo para que fraquejasse aos poucos. Não era sua culpa, mas o marido sentia-se assim, e também não podia evitar. Esconderam-se demais durante toda a vida, e agora chegara o momento de lutarem por suas liberdades, por um mundo seguro.
Respirou fundo se preparando para quando James chegasse em casa. Soubera de Francis há pouco tempo e ainda estava abalada, mas teria que ser forte para que o marido também o fosse. O vice-ministro era um bom homem e não merecia morrer daquela forma, sendo torturado e agredido intensamente. E pensar na família dele, e de tantos outros que nunca voltaram das masmorras ou das missões contra os comensais, fazia seu coração doer. Não se colocar no lugar daquelas mulheres e mães era impossível, porque seu marido e filho estavam literalmente na linha de combate.
A ruiva deixou a fotografia que tinha nas mãos sobre o aparador de madeira lustrosa e bonita, que se emparelhava na parede de tom neutro e floral, e suspirou. Nela Harry era apenas um garoto, preocupado com um campeonato de quadribol e furioso por perder a taça das casas naquele ano. Suas vidas não eram tão complicadas como agora, embora já carregassem certo peso.
Voltou-se para a porta, no exato momento em que James passara por ela. Aparatar ali dentro já não era permitido, e a capa que lhe cobria os ombros estava parcialmente molhada, assim como os cabelos bagunçados dele. O semblante do ministro não era feliz, nem o poderia ser depois do que acontecera.
- Eu sinto muito, querido. - Lily murmurou, assim que o abraçara apertado, sem se ligar para muita coisa, apenas James era importante naquele momento. - Soube do Francis, não se fala de outra coisa... Deve estar sendo difícil para você, mas não se culpe. Ele sabia dos riscos, assim como qualquer outro.
- Foi minha culpa, Lily. - James disse em um tom de voz abalado. Não tivera forças para responder ao abraço de imediato porque ainda estava em choque quando encontraram o corpo de Francis pendurado diante do Ministério da Magia, numa forma de ameaçar a todos e avisar que Voldemort estava agindo. Perdera não somente seu sucessor no Ministério, caso algo lhe acontecesse, mas perdera um grande amigo e confidente também. Francis fora, assim como Sirius e Lupin, um companheiro fiel e significava muito para ele. E bastou pensar nisso para envolver seus braços no corpo pequeno da esposa e trazê-lo de encontro ao seu em busca de conforto. - Eles queriam a mim e não conseguiram, porque todos se preocuparam com a minha maldita segurança e deixaram Francis ser um alvo fácil. A culpa foi toda minha...
- James você não pode salvar a todos, ninguém pode. - a ruiva falou, acariciando o rosto dele, ao se afastar um pouco. Via o quanto o marido sofria com essa perda, e ainda mais porque se achava culpado. Mas não poderia imaginar outra coisa vinda dele, porque James era assim, um amigo devotado e um homem responsável. - Os comensais estão apertando o cerco, e temos que ser mais cuidadosos a cada dia. Francis sabia disso, e ele... Ele foi cuidadoso até onde pôde. Estava defendendo seus ideais, defendendo você e Harry. Se Você-Sabe-Quem colocar as mãos nele, estaremos todos presos num futuro cruel demais. E tenho certeza de que essa não será uma única perda...
- Eu não vou deixar que isso aconteça, está bem? - ele disse de modo resoluto ao encaixar o rosto delicado da esposa entre as mãos e fitar de modo intenso os olhos verdes, como forma de lhe assegurar isso. Viviam em uma agonia constante no meio daquela guerra. Não por causa deles, mas por causa de Harry. Nem mesmo o interesse de Voldemort no ministro era tão grande quanto em seu filho. E a prioridade do Ministério e de quem duelava como seu aliado, era protegê-lo de qualquer ameaça. A beijou suavemente, afagando sua bochecha corada e suspirou. - Você-Sabe-Quem não vai colocar as mãos em Harry, pode ter certeza disso. Sei que ele vai ficar furioso, mas aumentei a quantidade de pessoas o vigiando o tempo todo depois do que aconteceu hoje. Não posso correr o risco de perdê-lo como aconteceu com Francis. Não o meu filho.
- Sei que está fazendo o melhor que pode James. Qualquer um consegue ver isso... - Lily comentou num tom gentil e carinhoso, fazendo com que o moreno sorrisse brevemente. O apoio da esposa era tudo que precisava para seguir em frente, e lutar protegendo sua família. Seus pensamentos e preocupações não estavam apenas com o filho mais velho, mas também com Annie, pois queria que a menina crescesse num mundo sem tantas preocupações, que pudesse aproveitar de tudo intensamente sem ter que viver escondida por ser filha de quem era. - Harry também sabe que está tentando protegê-lo, mas eu tenho uma leve sensação de que ele sabe se cuidar e que vai dar um jeito de despistar os aurores que você designou para isso.
- Tenho a impressão de que ele vai fazer isso mesmo. Já que nosso filho é bem previsível. - James comentou entre um breve suspiro. Infelizmente o filho não entendia sua preocupação excessiva. E apesar de que soubesse que Harry era um excelente auror e inteligente o suficiente para se livrar de qualquer situação complicada, chegaria um momento em que ele precisaria de ajuda. E iria se sentir culpado demais se isso acontecesse e não tivesse oferecido nada. Sorriu, olhando de modo atencioso para a esposa enquanto os dedos cuidadosos dela desabotoavam sua capa molhada e a retirava, como forma de livrá-lo daquele peso. - Estaria louco com tudo isso acontecendo sem você do meu lado. Sirius tem razão em dizer que você me deixou perdido.
- Ele ainda diz isso? - ela perguntou enquanto o James assentia de um modo mais aliviado, embora não estivesse completamente seguro disso. Ainda havia coisas que o assombravam e somente por pensar que era responsável por tantas pessoas, ficava imensamente sobrecarregado. Sem a presença de Lily com certeza não suportaria passar por tudo isso, já que muito de sua força vinha dela e também dos filhos. - Tenho que conversar seriamente com Sirius, porque eu não te deixei perdido... Muito pelo contrário, enfiei muito juízo nessa sua cabeça dura.
- Com certeza colocou muito juízo na minha cabeça dura. - o moreno riu, assim que Lily pendurara a capa molhada ao lado da porta, sorrindo quando o marido passou os braços por sua cintura e juntou seus corpos novamente. Por mais culpado e angustiado que James se sentisse diante de toda aquela situação, Lily era seu porto seguro. O que lhe dava base e forças para seguir lutando por algo melhor. Assim como os filhos. Levou uma mão ao rosto bonito dela, retirando uma mecha do cabelo vermelho, a fitando de modo intenso. - Obrigado por ser tão paciente e compreensiva comigo quando nem mesmo eu consigo. Eu te amo por isso...
- Também te amo querido... – respondeu, correspondendo o olhar intenso dele, enquanto sorria. Por mais que fossem tantos os problemas, naquele momento eles ficaram do lado de fora da casa, porque os sentimentos maiores que os uniam não poderiam ser abalados. Juntos eram fortes o bastante para passarem por mais essa provação. Voldemort não seria vitorioso enquanto estivessem focados a não permitir que o mundo fosse coberto por sua crueldade.
A antiga casa de Sirius Black no Largo Grimmauld tornara-se a sede da Ordem da Fênix quando a guerra havia explodido em proporções incontroláveis. Era um local impossível de se encontrar se você não soubesse onde estava, e para os demais bruxos e todos os trouxas, o prédio era um aglomerado de apartamentos qualquer. Mas para os aliados da Ordem da Fênix e autorizados, ela surgia diante dos olhos quando se parava perante a ela. E era ali que Harry se reunia com os amigos para planejar o próximo avanço em busca das horcruxs.
Desocuparam uma sala no final do corredor de entrada para terem mais privacidade, quando Sirius ou qualquer um da Ordem estivesse na casa. E ali estavam naquele começo de noite, decidindo os próximos passos e recalculando outros. E enquanto o silêncio prevalecia entre os quatro no cômodo, os passos de Harry ao andar de um lado para o outro e o ranger da madeira sob seus pés explodia como um alarme entre os demais sentados à mesa. Outro rompante não demorara a acontecer quando ele voltou-se para a ruiva ao seu lado, com os pés sobre a mesa e olhar cansado.
- Eu disse que era perigoso. Arriscado demais você entrar sozinha naquele covil cheio de comensais. Qual era sua intenção? Fazer parte da corja de Você-Sabe-Quem? - Harry indagou ao se aproximar da mesa novamente. Mal pudera acreditar quando recebera o patrono de um informante seu, do qual mandara ficar de olho na ruiva, lhe avisando onde ela estivera na noite passada. E embora para os outros, sua raiva e preocupação tivessem um significado sentimental, para ele ia além desse simples fato. - Draco Malfoy é o braço direito dele, Gina. E pelo que soube vocês estavam bem próximos.
- Seus informantes precisam se informar melhor então. - ela revirou os olhos ao esboçar uma careta. Seria impossível uma proximidade com Draco Malfoy como aquela que Harry imaginava. Sentia o nojo lhe corroer por dentro só de lembrar-se do que ele dissera sobre Percy. - Eu consegui nomes, Harry. Jeffrey Smith, Cordel Liffigen e toda sua distinta família são os novos aliados de Você-Sabe-Quem. Perdemos mais alianças com o passar do tempo, enquanto discutimos isso...
- Ela tem razão Harry, embora eu não esteja de acordo com que Gina fez, é claro. Porque foi uma loucura muito grande estar no mesmo lugar que Draco Malfoy, se arriscando a ter uma passagem só de ida para as masmorras que ele "administra" com tanto afinco. - Rony comentou, cruzando os braços ao fitar severamente a irmã. Do seu lado, Hermione não ousara dizer nada ainda porque não queria se intrometer. Parecia que o assunto era realmente intenso, e não cabia a ninguém mais que Harry e Gina, e ela e o noivo, apenas estavam ali para preencher espaço. Agora mais do que nunca os sentimentos dele foram claros para si, pois mentira dizendo que não amava a ruiva. - Até parece que você não sabe de nada, ser inconsequente só vai te matar.
- Céus, vocês fazem tanto drama. Eu sei me cuidar, está bem? - Gina disse entre um longo suspiro ao se levantar da cadeira. Na verdade, sabia muito bem o quanto era arriscado envolver-se em tudo isso sozinha. Mas sentia a necessidade de fazer algo que ia além dos planos da Ordem ou do Ministério. Não apenas para colocar um fim em tudo isso, mas em consideração pelo que ela e o ex-namorado tiveram. - Você mesmo sabe que sei duelar como ninguém, Harry. Com ou sem varinha. - sorriu marota ao se aproximar do moreno e apertar os braços dele. - Foram esses seus "bracinhos" que me ensinaram, lembra?
- Não venha me bajular. Você não vai se livrar de uma advertência. - Harry retrucou ao erguer uma sobrancelha, fazendo com que a ruiva soltasse um muxoxo. Olhou para Hermione de relance, vendo-a se acomodar de modo mais próximo e melhor ao noivo. Então meneou a cabeça, voltando-se para Gina. Não podia se permitir a perder o foco diante de um assunto tão sério. Como sempre, desde que a guerra explodira, seus sentimentos ficavam em segundo lugar. - O que mais descobriu?
- Algo que já prevíamos e que está bem perto de acontecer. - ela respondeu ao se encostar à estante ao lado de Harry e olhar para o casal logo adiante. – O lorde das trevas vai tomar Hogwarts em breve. O Malfoy não me disse quando, mas disse que seria questão de tempo até "seu mestre" tê-la sob controle.
- Não podemos deixar isso acontecer, temos que tomar à dianteira. - Hermione enfim se manifestara, e sua voz não soara tão segura quanto gostaria, pois se sentia incomodada estando ali. Tendo que esconder o que realmente sentia e ver Harry se preocupar tanto com Gina. Era algo que lhe deixava com raiva, pois Rony não era tão cuidadoso, apenas demonstrava um sentimento pouco profundo, muito diferente da intensidade que via ali. Engoliu em seco, abrindo suas anotações. Estava trabalhando incessantemente, e estava tendo êxito em suas pesquisas. - Encontrei algumas pistas, na verdade notei agora a pouco que são coordenadas e estavam dentro de um outro livro. Pode ser que Dumbledore tenha escondido algo. Uma horcrux talvez...
- Tem certeza? Dumbledore não parecia muito bem antes de morrer. E não, eu não li aquele livro que o difama... Talvez só um pouco por curiosidade. Tia Muriel largou o seu exemplar na Toca. - Rony comentou ficando vermelho ante aos olhares dos demais, principalmente o de Harry, que o repreendia sem se cansar.
- Não liguem para o Rony. Só o fato de ele ter lido algo por curiosidade já é um grande avanço. - Gina comentou com um sorriso debochado ao olhar para o irmão. Vendo-o lhe mostrar a língua como protesto pelo que dissera. Então descruzou os braços e caminhou até a mesa. Olhando para as anotações de Hermione. - O fato de conseguirmos algo que nos leve até uma das horcruxs não quer dizer que iremos colocar um fim a essa guerra antes de tomarem Hogwarts. Mas... Já é um ótimo começo também. O que temos aí, Hermione?
- Claro que não iríamos acabar com a guerra de uma hora pra outra, mas iríamos impedir que Você-Sabe-Quem disparasse na frente. Sendo imortal, ele tem uma magia poderosa, controla milhares de pessoas, inclusive os trouxas. Imagine o quanto de trabalho os comensais e seu mestre economizariam tendo as pessoas os seguindo de boa vontade, ou tendo vítimas sempre solícitas? Qualquer um cederia... - Hermione comentou, no começo um tanto ríspida, mas não pudera se controlar. Apesar de sua voz sempre cordial e acentuada, Harry percebera um tom a mais que soara diferente, e sorrira de modo discreto. Sabia que apenas ele a conhecia de tal forma, e ficava feliz por isso. Por perceber a pequena reação ao que acontecia ali. - A questão é que... As coordenadas parecem levar a uma cidade trouxa, bem-pequena e distante, talvez Dumbledore achasse mais seguro esconder um artefato assim onde ninguém tem acesso à magia. Podemos chegar lá rápido e pegar a horcrux.
- Entendi. - a ruiva murmurou, mordendo o canto do lábio ao observar o olhar cúmplice que Hermione e o ex-namorado trocavam, muito diferente de Rony, que parecia concentrado apenas em acabar com os feijões de todos os sabores, na pequena caixa em suas mãos. O modo impassível e um tanto grosseiro que ela usara ao lhe responder no começo rapidamente chamou sua atenção. E havia algo ali que começava a deixá-la intrigada. Mas logo percebera que o melhor para si e para todos seria desviar o foco de Hermione. Por isso sorriu, voltando-se para Harry ainda encostado logo adiante, fazendo com que ele desviasse o olhar dela para si. - Quais são seus planos, chefe?
- Quero dois grupos divididos no povoado de Surrey. Vou escalar os demais aurores amanhã, horas antes de irmos. Vai ser bem rápido, apenas tempo suficiente para que Hermione consiga a horcrux e então saímos. É evidente que o número de comensais é maior que o nosso por isso não podemos demorar. - Harry hesitou por um momento ao olhar para o amigo ao lado de Hermione. Procurando uma forma de lhe falar aquilo sem que ele interpretasse de outra forma. Embora sua intenção fosse realmente a de querer proteger a morena de uma maneira que ninguém jamais faria. - Queria cobrir Hermione amanhã, se não se importar. Não estou dizendo que você não é capaz, mas estou nessa com mais frequência do que você. E ela vai precisar de alguém com muita experiência e agilidade para resguardá-la.
- Eu sei me cuidar sozinha, não preciso de nenhum dos dois tomando conta de mim. – Hermione falou, um tanto mais irritada do que antes, porque era claro o lance que ainda existia entre o casal a sua frente. Por isso, não entendia a preocupação de Harry. E estava ainda mais brava, porque vira que Rony iria abrir a boca, apenas para concordar com o amigo. Era sempre assim, ele nunca o questionava, a não ser em assuntos que realmente eram do seu interesse. - Sou tão capaz quanto qualquer outro auror embora eu não seja uma... - emendou fitando Gina rapidamente, enquanto recolhia suas coisas.
- Hermione, nós sabemos disso, mas os comensais estarão de olhos abertos e quando descobrirem que você é quem sabe de tudo sobre as horcruxs, você vai se tornar um alvo muito potencial. E quem melhor do que Harry para tomar conta de você? Eu confio plenamente nele, e concordo com a sugestão. - Rony respondeu intrigado, na maioria das vezes a noiva era dócil e gentil, mas não era isso que via nesse momento, nem em seus gestos nervosos. Havia acontecido algo para lhe despertar esse comportamento e ele não sabia muito bem o que poderia ser. Às vezes não conseguia compreendê-la e achava Hermione muito complexa para seu jeito prático e simples de ser.
- Acontece que eu não quero. Eu não preciso na verdade... E está decidido. Não necessito de uma atenção especial, isso iria levantar mais suspeitas. Além disso, não sou tão importante assim. - argumentou engolindo em seco, nem ela mesma estava se entendendo, e julgava que boa parte dessa explosão era causada pelo ciúme que não conseguia controlar.
- Tudo bem. Alguém pode me explicar o que acabou de acontecer aqui? - Gina indagou confusa quando Hermione pegara todos os pergaminhos, livros e penas e deixara a sala, batendo a porta com força. Deixando apenas os três ali, no cômodo. Também notara o olhar de Harry quando ela partira. Não era surpreso ou indignado por ela recusar sua proteção. Mas era como se estivesse ferido ou atordoado pelo modo como Hermione agira. E se Rony não era esperto o suficiente para notar que tinha algo estranho acontecendo, Gina o era. E estava claro que a vida levara com que ambos tomassem caminhos diferentes. Mas para Harry e Hermione, parecia ser justamente o contrário.
Como esperariam o restante dos membros da Ordem para contarem sobre a execução do plano de busca a horcrux no dia seguinte, todos passariam a noite no Largo Grimmauld. Era melhor estarem todos reunidos e juntos, assim ninguém ficaria para trás ou desavisado. E mesmo que não tivessem repassado tudo, horas antes, como gostaria que tivesse sido, Hermione sabia os planos de cor. Ela mesma discutira alguns detalhes com Harry antes, por isso não era preciso estar naquela outra reunião. Além do mais, ainda estava irritada e não queria presenciar nada mais desagradável do que já o fizera. Estremecia de ciúme a cada vez que se lembrava do que acontecera, e de certa forma se sentia mal por ter agido tão bobamente. Mas não conseguira evitar, mesmo sabendo que não teria o moreno para si, e mesmo sabendo que ele amava Gina.
Suspirou fundo, deixando escapar uma lágrima. Ajeitou-se melhor no sofá, e encolhera-se nele. Ao lado, o piano fazia companhia para sua solidão e desejava que assim o fosse pelo resto da noite. Não queria ter que encarar Rony repleto de perguntas, porque com certeza ele indagaria sobre seu comportamento e não teria uma resposta convincente o bastante. E depois, ela se desculparia com cada um e tudo ficaria bem, mas agora não tinha essa certeza.
Estava angustiada demais, e a principal causa disso era o seu casamento marcado para logo. Pensara que se conformaria depressa, porque Harry nunca lhe dera esperanças, mas não era isso que acontecia, porque tinha raiva de si mesma. Amava um homem que não poderia estar ao seu lado, e mentia para outro dizendo que poderia fazer isso. E a única verdade que prestava atenção era a de que queria sumir, deixar tudo, seus compromissos, o que sentia, e tentar seguir sua vida.
E fora assim, presa em pensamentos que Rony a encontrara na sala, encolhida no sofá. Por muito tempo tentara mesmo entender o que acontecera, mas não conseguira de fato e tinha que conversar com a noiva. A sentia muito distante de si, e poderia não ser muito perspicaz, mas notava que Hermione não estava tão feliz. Aproximou-se dela, trazendo alguns pergaminhos nas mãos. Eram os últimos ajustes da missão que Harry lhe entregara. O ruivo pigarreou, atraindo a atenção dela que limpara as lágrimas rapidamente. Não gostava que Rony visse que chorava.
- Ahn... Espero que não fique tão zangada quanto ficou horas atrás. Mas coloquei seu nome no mesmo grupo que o de Harry. - disse ao se aproximar da noiva, fazendo com que Hermione erguesse uma sobrancelha ao ouvir aquilo. Podia ser ataque de ciúme ou orgulho, mas tinha deixado claro que não precisava de Harry protegendo-a. Ele deveria proteger Gina, que estaria naquele embate também e que para ele era mais importante. Rony ocupou a poltrona ao lado, e a olhou. - Hermione, ele tem razão. Vamos precisar te proteger. Depois do Harry, você vai ser o foco da atenção naquele lugar. Não vai ter pessoa melhor para te cobrir do que ele.
- Já disse que não preciso que ele esteja me protegendo. Eu posso fazer isso sozinha, mas acho que ninguém acredita que sou capaz, nem mesmo você. - ela respondeu respirando fundo, as lágrimas ameaçavam cair novamente e Hermione não conseguia esconder o quanto estava contrariada. Rony não tinha o direito, por mais que pensasse que sim, de colocá-la no mesmo grupo de Harry. Não queria estar perto dele, não mais do que já era obrigada a estar, porque isso a machucava muito. Era doloroso e ela não era tão forte assim. - Se eu morrer Ron tenho certeza de que vão encontrar outra pessoa que possa ler e interpretar coisas, não sou eu quem precisa de cuidados. Não sou eu quem vive fazendo loucuras e se arriscando.
- Gina não tem nada a ver com esse assunto, Hermione. Ela também sabe se cuidar. Mas não vai ser ela quem vai estar atrás da horcrux que Você-Sabe-Quem deseja. - Rony bradou já impaciente, ao esfregar os dedos pelo rosto e respirar fundo. Não entendia toda aquela implicância repentina da noiva com sua irmã. Gina e Hermione nunca foram melhores amigas, mas tinham uma ótima convivência. E o modo como ela agira mais cedo e agia agora o deixara intrigado. - Estamos falando de você. Como vai se proteger e procurar? Fazer duas coisas ao mesmo tempo? Harry precisa cobrir sua retaguarda. E você querendo ou não, ele vai.
- Você não manda em mim Ronald, mas parece que Harry manda, em nós dois! - a morena respondeu um tanto ofegante ao se levantar do sofá e dar as costas ao noivo. Encarou a janela grande, e vira a chuva cair lá fora. O inverno não tardaria, e logo chegaria intenso, findando mais um ciclo. Abraçou-se, franzindo o cenho, aquele aperto no peito apenas crescia e Hermione sabia que não era de bom tom portar-se assim. A implicância com Gina não era certa, mas era a única maneira que encontrara de extravasar o que sentia, já que não podia realizar suas vontades. Seria a ruiva, a mulher que estaria ao lado de Harry. - Se o problema for minha segurança, eu fico aqui, vocês podem fazer o serviço sem mim...
- Não seja ridícula, Hermione. Quem mais aqui ou no Ministério consegue ler aqueles textos em runas além de você? É isso que quer? Desistir da guerra e entregar Harry para Você-Sabe-Quem por causa de um capricho? - retrucou furioso ao se levantar e jogar os pergaminhos sobre o sofá. Sabia que estava extravasando de um modo errado, deixando-a assustada. Mas também não encontrava outra forma de fazê-la entender que precisavam protegê-la. Que ele queria protegê-la de qualquer mal, porque a amava. - Posso não mandar em você, mas sou seu noivo. E não vou aceitar que faça uma loucura dessas. Harry vai te proteger. Ponto final! - alegou ao passo em que a porta se abria. Passou os dedos entre os cabelos e suspirou, ao passo em que Hermione ofegava novamente, dessa vez de um modo mais profundo e doloroso ao ver Harry entrar.
- Acho que... Cheguei em uma péssima hora. - ele disse um tanto sem jeito ao olhar para os dois logo adiante. Era evidente no rosto de cada um que estavam discutindo. E as lágrimas no rosto de Hermione fizera com que seu coração se comprimisse no peito enquanto a olhava. Era inaceitável a ideia de que Rony estivesse ferindo-a outra vez. E mesmo que quisesse protegê-la, interferir na briga do casal seria uma péssima escolha. Corria o risco de expor seus sentimentos ali e ferir a todos. - Eu vou pro meu quarto...
Embora quisesse sair, Harry não se movera, assim como Hermione. Se ela estava assustada consigo mesma, a atitude de Rony a deixara sem ação. Ele jamais havia falado daquele jeito, ou insinuado sobre seus caprichos porque o que sentia não era teimosia, era algo maior, mais atribulado. Deixara as lágrimas caírem de seus olhos, enquanto via o noivo sair e bater a porta da sala, demonstrando o quanto estava exaltado também. Como se não houvesse coisas demais para se preocupar, ainda tinha que lidar com as infantilidades dela, e isso era pesado para ele. Por isso partira deixando o amigo sozinho ali, talvez tivesse mais sorte.
- Mione... - a voz preocupada, grave e baixa o suficiente para não a assustar, fez com que mais lágrimas percorressem o rosto da morena, obrigando-a a fechar os olhos para conter um pranto maior. E ver aquela cena fora o suficiente para que Harry deixasse tudo de lado. O modo furioso e estranho como ela reagira horas atrás, as palavras frias do amigo e o anel de noivado em sua mão, não o impediram de se aproximar e abraçá-la. Fazendo com que ela repousasse a cabeça em seu peito enquanto afagava os cabelos macios. Encostando seu queixo ali, fechando os olhos ao inspirar o perfume doce que ela tinha. - Está tudo bem. Sinto muito por isso.
- Não precisa ficar aqui também, Harry... - ela murmurou chorosa, tentando a todo custo não desabar, nem contar tudo o que sentia e botar tudo a perder. Harry não podia ter tantas distrações que o fizessem perder tempo, muita coisa dependia dele, e não podia ser tão egoísta. Mas não pudera deixar de pensar na vontade que sentia permanecer nos braços dele, de se declarar. - Você também deve estar achando que estou sendo caprichosa, que tudo que eu faço vai dar errado... e que... Você-Sabe-Quem vai conseguir o que quer. Mas ninguém pensa em mim, no que eu sinto quanto a esse fato. Rony acha tudo isso.
- Rony sempre foi um idiota. - Harry murmurou em um misto de raiva contida e frustração, mas de todo modo gentil. Assim que aparatou do lado de fora da casa, ouvira os gritos do amigo direcionados a Hermione. E aquelas palavras, fizeram seu sangue ferver. Por isso entrara em casa rapidamente, antes que ele a fizesse sofrer ainda mais. Afastou-se para fitá-la, tocando o seu queixo delicado, fazendo com que o olhar dela encontrasse o seu. Aquele olhar que ele tanto amava e aprendera a admirar. - Eu não penso assim, Mione. Não sei por que não aceitou minha ideia, porque tudo que quero é te proteger. Mas tudo que fez por mim e ainda faz prova justamente o contrário. Que você se dedica e se entrega cada dia mais para que essa maldita guerra tenha um fim. Como tudo que você faz dá errado se desde que nos conhecemos só tem salvado minha vida?
- Mas não é o bastante... - Hermione murmurou, ainda não conseguindo se afastar completamente do abraço de Harry. Sentia-se tão bem ali, que poderia passar um longo tempo apenas sentindo o calor do corpo dele e o toque firme de suas mãos. Tanto que estremecera intensamente, quando ele afagou seu rosto corado. A morena respirou fundo, e ia se acalmando aos poucos. Embora seu coração estivesse acelerado dentro do peito. - Nem sempre é o bastante, por isso queria provar que posso me virar e... Acho que por conta disso todos esperam que eu seja perfeita, Rony principalmente. Mas eu não quero isso, eu quero poder errar, poder fazer uma loucura de vez em quando sem esperar as consequências.
- Você vai poder fazer sua loucura, mas num outro momento, está bem? - murmurou ao secar os resquícios de lágrimas de seu rosto, ao mesmo tempo em que aproveitava essa proximidade para observar cada traço delicado do rosto de Hermione. Como se os olhos castanhos não fossem suficientes para deixá-lo maravilhado. E por pouco não cometera o deslize de levar o polegar ao lábio rosado e afagá-lo com prazer. - Você é mais forte e mais independente do que qualquer outra pessoa que eu conheça Mione. Mas não vou conseguir me concentrar lá sabendo que vai estar sozinha e correndo o risco de ser ferida, ou pior, por estar concentrada em encontrar a horcrux. - suspirou fundo ao morder o lábio e hesitar, mas decidindo ser sincero até certo ponto. - Não vou suportar a culpa se alguma coisa te acontecer e eu não estiver lá pra te proteger.
Hermione não pôde deixar de sorrir ante as palavras de Harry, e por mais que estivesse irritada com toda a sua situação, sentia-se feliz por ele se preocupar tanto assim, mesmo que fosse apenas como um amigo. Ter a atenção dele somente por alguns momentos era tudo que a morena queria, porque poderia ser sua única chance. Deixou escapar um suspiro dos lábios, encarando-o de forma sutil. Harry também sentira seu corpo reagir àquele contato, mas não iria tão fundo em seus desejos. Queria muito beijá-la, mas não podia. Muito menos tocá-la mais do que já o fizera.
- Não vai desistir enquanto eu não aceitar ir com você, não é? – perguntou, atraída pelas feições indecifráveis dele. Harry nunca lhe parecera tão bonito e centrado como naquele momento, embora no fundo estivesse se controlando ao máximo. Ele então assentiu. - Tudo bem, mas só vou aceitar porque não quero mais brigas nem nada do tipo. E não quero que me sufoque demais, é com você que tem que se preocupar, ouviu bem?
- Já tenho gente demais pra se preocupar comigo. - comentou de modo divertido, vendo o sorriso de Hermione crescer, ao mesmo tempo em que ela o olhava de modo curioso. E depois de tudo que acontecera com ela, fazê-la sorrir o deixava imensamente feliz. Era isso que queria todos os dias se a tivesse ao seu lado. Fazê-la sempre sorrir e ser tão compreensivo e carinhoso ao lhe explicar as coisas. Ao contrário de como Rony era na maioria das vezes. - Meu pai acha que não sei, mas... Ele aumentou minha escolta de vigilância depois do que aconteceu com Francis. Não vou tirar satisfações com ele como fiz na primeira vez, mas também não vou aceitar ser seguido o tempo todo. No entanto, não posso recusar qualquer ajuda no campo de batalha.
- Eu já entendi o que quer dizer, também não vou recusar essa ajuda, temos que encontrar a horcrux logo, e quanto mais empenho, melhor será. - Hermione comentou erguendo a sobrancelha, Harry sabia ser insistente quando queria, e na maioria das vezes ganhava dela porque a cansava com suas propostas. Sorriu novamente, tomando a liberdade de tocar o rosto masculino. O moreno a entendia como ninguém, e conseguira aceitar sua teimosia de início e por isso conseguira também fazê-la mudar de ideia. - Obrigada por tudo, por não ser rude comigo. Eu só queria um pouco de espaço, cometer a minha loucura, e não ser tão pressionada, mas acho que posso tentar isso depois...
- Vou te dar toda a liberdade para cometer essa loucura um dia. Eu prometo. Mas não quer dizer que não vou estar te vigiando. Mesmo que seja de longe. - Harry murmurou entre um longo suspiro. Sentindo seu corpo se arrepiar por completo pelos dedos tão quentes e delicados de Hermione em seu rosto. Cada toque, sorriso ou palavra regrada de carinho era suficiente para despertar aquelas sensações em seu peito. Deixando seu coração bater em um ritmo célere que não podia controlar. Pegou a mão que ela levara ao seu rosto, beijando-a de modo terno antes de fitá-la intensamente outra vez.
Recuar nas batalhas não era algo que Gina fazia com frequência, por isso atendera o chamado de emergência dos aurores que estavam em mais um povoado governado pelas vontades de Voldemort. O que era para ser uma situação de resgate, silenciosa e pacífica, tornara-se um motivo grande para o começo de uma batalha ferrenha e estrondosa. Os acontecimentos se passaram velozes assim como os feitiços lançados de ambos os lados, e houvera ainda, alguém que informara aos comensais sobre o plano de resgatar Clarence Wilmigam, chefe da Seção Especializada em Trouxas, do Ministério da Magia. E assim que o grupo de aurores deixara a velha casa dela, deparou-se com um grande grupo de comensais. E diante disso fora inegável a ajuda de reforços.
Ela derrubou alguns comensais, enquanto alguns outros, entregara para os aurores que cuidavam de levá-los para a prisão do Ministério imediatamente, antes que pudessem fugir. Sua próxima tarefa, fora retirar Clarence de onde a havia escondido para que ficasse longe da linha de fogo, e enquanto atravessava becos escuros e casas destruídas e arrasadas pela luta, Gina mantinha-se atenta; apertando sua varinha entre os dedos, pronta para qualquer coisa que pudesse aparecer em seu caminho. E isso acontecera assim que dobrara mais uma esquina aparentemente vazia.
Ofegou ao deparar-se com um comensal que se aproximava do pequeno prédio onde Clarence estava. De modo sorrateiro, Gina desviou-se dos arbustos, tentando ser o mais silenciosa possível ao segui-lo. Escondeu-se em uma parte escura entre a pilastra e a porta de entrada assim que o silêncio preenchera o local. Logo reconheceu os cabelos loiros do homem adiante, praguejando mentalmente pela falta de sorte. O destino mais uma vez lhe pregara uma peça e colocara Draco Malfoy em seu caminho.
Respirou lentamente, pedindo forças a Merlin para não cometer nenhuma imprudência. Principalmente por se lembrar do que ele dissera na noite anterior sobre seu irmão. Ouviu as súplicas de Clarence enquanto ele se aproximava. Mirando a varinha em sua direção, pronto para disparar uma maldição imperdoável. Foi então que Gina agiu. De modo rápido, o jogou contra a parede ao executar o feitiço com sua varinha. Fazendo com que o rosto dele colidisse contra a superfície gélida de tijolos. E antes mesmo que pudesse virar para se defender com outro feitiço, as mãos dela já estavam sobre seu punho, lhe roubando a varinha, mantendo-o preso ali.
- Corra Clarence! Há um auror a dez metros daqui. Ele vai te ajudar a ir para um lugar seguro. - disse ao se virar para a mulher em prantos. E ela não hesitou ao correr, deixando os dois sozinhos. Gina então sorriu, ouvindo-o rir de modo baixo e sarcástico. Gostava da ideia de tê-lo preso daquela forma. - Como vai, Malfoy?
- Você de novo, Weasley... Parece que gostou de ser a pedrinha no meu sapato. - Draco grunhiu, nada feliz com aquele encontro. Na verdade, não estava feliz com muitas coisas que aconteciam, porque seus planos não surtiam o efeito que esperava. Sendo assim, Voldemort se irritava e ele perdia pontos. Levar Clarence Wilmigam para as masmorras do lorde das trevas seria algo ousado e parecido com a tortura do vice-ministro. Faria com que James Potter cedesse mais rápido quando percebesse que seus funcionários mais influentes estariam sendo executados um a um.
- Eu sempre gostei de ser uma pedrinha no seu sapato. É muito divertido ver você frustrado desse jeito porque seus planos mais uma vez não deram certo. - a ruiva riu, não fazendo a menor questão de diminuir a pressão que exercia nos braços do comensal. A varinha no bolso de trás da calça, lhe dava uma desvantagem para que tentasse se defender. Não imaginava ser pego desprevenido daquela forma. Tão pouco que iria encontrar Gina ali outra vez. - Deveria ter previsto que seria pego, Malfoy. Para um comensal da morte, você é muito previsível.
- Pego por você, outra vez? Eu não sabia que isso fazia parte de seu fetiche... - ele debochou gargalhando, usando da mesma tática de antes, porque sabia que iria funcionar. Gina era explosiva e perdia a paciência muito fácil, ainda mais diante de tanta ironia. Ouviu-a bufar e apertar mais a pressão sobre seus punhos, mas Draco era mais forte e numa virada de situação, o loiro dera um jeito de se livrar das mãos dela, invertendo a vantagem para si novamente. Irritada com o golpe que a afastara, a auror sacara novamente a varinha, investindo contra o comensal, assim como ele o fizera. - No entanto, eu acho que vocês aurores é que são previsíveis... Surpreendemos vocês, não foi? - perguntou, ao passo que um frio grande os invadira, e quando olhara para o alto, Gina pudera ver alguns dementadores rondando o lugar.
Ela praguejou ao sentir cada resquício de felicidade escorrer de seu corpo, embora não tivesse muita guardada em seu peito. Com os dementadores do lado de Voldemort, eles não precisavam chegar tão perto assim para afetar seus adversários, pois se tornavam mais poderosos. Conjurara o patrono e o cavalo trotara de sua varinha, seguindo até o dementador, mantendo-a protegida.
- Se te serve de consolo, você não está na minha lista de fetiches. - disse com um sorriso irônico ao voltar seu olhar para ele, vendo-o erguer uma sobrancelha e menear a cabeça entre seu meio sorriso cínico, como se não estivesse convencido daquela resposta. Com Draco era assim. Nada abalava seu ego, porque ele sempre tinha tudo. E podia escolher a dedo quem, onde e quando queria. - Quem foi o traidor, Malfoy? Quem nos entregou para o seu bando imundo?
- Se eu contar vai perder toda a graça, porque digamos que é bem divertido ver vocês caçando alguém no seu meio, olhando para os lados, desconfiando de qualquer pessoa. Vou me divertir muito pensando nisso. - Draco disse e sorriu torto, vendo-a erguer a sobrancelha. De fato estavam seguindo pistas de alguém que estaria delatando tudo que faziam no Ministério, mas não chegavam à conclusão nenhuma. O espião era quase invisível, entretanto existia. E a se julgar por hoje, era uma ameaça muito grande. - Suponho que tenha alguns palpites, mas não estou com tempo. Tenho que levar aquela mulher chorona para Voldemort. Ela convive demais com trouxas, merece um bom castigo...
- Só por cima do meu cadáver. - Gina sibilou entre dentes ao dar um passo para o lado, parando em meio a Draco e a porta. Seu olhar sério e a expressão rígida em seu rosto revelavam que aquela ameaça era séria. Que a ruiva estava disposta a fazer de tudo para defender Clarence. E aquela aproximação permitira com que ele a observasse melhor, mesmo que não quisesse manter-se tão atento. Os cabelos vermelhos e os olhos azuis proporcionavam um ótimo contraste com a pele alva, assim como os lábios rubros capazes de chamar a atenção de qualquer um. Isso sem mencionar no decote por baixo de sua capa. O olhar dela voltara-se concentrado para o patrono adiante antes de focar-se no loiro novamente. - E não pense que não tenho condições em enfrentá-lo e cuidar de um dementador ao mesmo tempo, porque tenho.
- E eu pensando que você não poderia ser feliz por ser tão pobretona. - disse rindo brevemente, ao fixar seus olhos mais atentamente nas curvas do corpo feminino. Embora estivesse se repreendendo por dentro, não podia deixar de apreciar uma mulher bonita quando via uma. E definitivamente, Gina fazia jus ao seu tipo de mulher, porque tinha além de atributos físicos, uma coragem e ousadia que o atraíam imensamente. Assim como o par de olhos tão azuis. E por um momento permitira-se distrair. - Não me obrigue a machucá-la querida, seria um desperdício torturar alguém como você... Deixe-me levar Clarence para Voldemort, e garanto que vai poder ir embora em segurança.
- Me torturar? Você não vai colocar suas mãos nojentas ou usar sua porcaria de varinha em mim, Malfoy. - fora a vez de a ruiva rir de modo debochado ao revirar os olhos. Tentando manter o foco diante de toda aquela situação e não deixar que Draco a distraísse com suas palavras. - Se realmente quisesse fazer alguma coisa teria feito ontem à noite, já que estávamos sozinhos e longe do fogo cruzado. - guardou a varinha no bolso de sua capa, cruzando os braços, se aproximando ao olhá-lo. - E o que quis dizer com desperdício em torturar alguém como eu? Desde quando se importa com pobretões?
- Eu não me importo, só não quero mais ouvir os lamentos dos membros da sua família medíocre. Foi bem difícil aguentar... Eu lhe disse não foi? Os choramingos do seu irmão eram terríveis, mas tenho para mim que você é bem mais durona do que ele. - disse num tom divertido, guardando sua varinha também. Poderia ser uma atitude arriscada a dela, em não se armar, mas para ele era uma regalia já que tinha a proteção dos dementadores e dos diversos comensais espalhados por ali. - Pensando bem, seria divertido torturar você, ver até onde aguenta. - emendou dando um passo à frente, ficando bem perto de Gina. Os sentidos dela lhe mandavam se afastar, lhe jogar uma azaração, um feitiço, mas não conseguira se mover. Melhor do que isso era sentir a adrenalina correr dentro das veias, se misturando com algo realmente inexplicável.
- Já disse pra não usar essa sua boca imunda para falar da minha família. - Gina o lembrou, de forma vociferante. Sentindo a irritação crescente em seu peito. E desde que ouvira Draco falar aquilo, sentia uma vontade imensa de vingar a morte do irmão. Fazê-lo pagar por estar envolvido no assassinato dele. E quando encontrasse Bellatrix, descontaria toda a dor e o sofrimento de sua família nela também. Comensais eram assim. Não tinham sentimentos e tampouco compaixão. Erguera o queixo, não baixando a guarda quando o sentiu parar atrás de si. Próximo o suficiente para sentir seu corpo frio e a respiração atravessar seus cabelos. - Não tenho medo de você. E se está pensando que vou implorar, se um dia sonhar que está me torturando, está muito enganado.
- Realmente estou contando com isso, Weasley. Essa sua coragem é admirável. - provocou percebendo a raiva crescer dentro dela, e isso o deixava muito satisfeito. Sempre gostara de provocar Gina, mas antes, tal provocação, era coisa de criança, agora, o jogo havia se modificado e muito. Erguera a sobrancelha, acomodando-se naquela situação deveras interessante e sorriu de lado. - Agora se não se importar eu preciso fazer algo mais útil do que discutir com você, porque acho que nosso duelo ainda não vai acontecer. E mande um recado para o Potter, diga a ele que estarei bem perto, e quando ele menos esperar estará trancafiado numa cela fedida.
- Se chegar perto do Harry... - bradou sem receio algum, ao se virar e dar de cara com o comensal bem próximo. Tão próximo que podia observar os olhos cinzentos dele sobre ela, fitando-a com curiosidade. Ansiando para que ela terminasse a frase que lhe chamara a atenção. - Eu mato você. E não pense que não sou capaz. - emendou ao franzir o cenho, percebendo um sorriso sarcástico surgir nos lábios do loiro. Apesar de que ele também sentira um pequeno incômodo no peito pelo modo como ela defendera o precioso Potter.
- Veremos isso também, vamos ver se tem essa coragem toda. Duvido muito que levante essa varinha para mim, ou que não chore muito depois de matar alguém, e sabe... Essa compaixão me deixa muito excitado. Vou ponderar sua ameaça, mas apenas porque quero muito ter minha chance com você, e se eu acabar contigo logo, não terei esse prazer depois. - avisou de modo constante e seguro, e Gina se arrepiara com o timbre da voz dele. Não era como das outras vezes e havia um tom diferente nela, e isso lhe causara aquele frêmito incontrolável. Não deveria se sentir assim, mas a repulsa e a raiva lhe davam uma nova vertente de sentimento. Ao mesmo tempo em que queria matá-lo, queria outras coisas... Draco parecia querer o mesmo, e se dividia nos pensamentos, assim como a ruiva. - Nos vemos por aí, Weasley.
Gina estreitou os olhos, enquanto o observava se afastar. E quando Draco deixou o lugar, o dementador também o fizera, varrendo seu patrono, deixando a ruiva sozinha ali. Não sabia ao certo o que estava sentindo depois daquele reencontro, mas desejava imensamente que fosse raiva e ódio de Draco Malfoy. Não podia ser nada além disso. Ele era um comensal da morte, responsável pelo assassinato de seu irmão e estava ansioso para colocar as mãos em Harry. Suspirou fundo, meneando a cabeça, deixando aquele lugar. Precisava recuperar o foco para a batalha que estava acontecendo ali e ter certeza de que Clarence estava em segurança...
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Olá, queridos.
Desculpem a demora, era para termos postado esse capítulo na sexta-feira. Mas as autoras cabeças de bagre aqui esqueceram. Só lembramos hoje. Esperamos que nos desculpem.
Ficamos felizes com os comentários. Isso é realmente gratificante. No entanto, pedimos um pouquinho mais de incentivo da parte de vocês. Alguns vão achar que somos folgadas ou que ficamos mendigando comentários. Mas se vocês não são autores, não tem ideia do quanto é bom ver um comentário cheio de conteúdo, dicas, críticas e elogios. Então, da mesma forma que nos empenhamos para dar uma fic maravilhosa para vocês, se empenhem para nos incentivar também. Tudo certo?
Aguardamos os próximos comentários de vocês.
Beijo das autoras.
