Capítulo 3 -
Terminou de vestir sua capa, enquanto guardava nos bolsos a varinha e tudo que seria necessário para aquela viagem. A cicatriz latejava em sua testa desde aquela manhã, quando acordara, e ele não podia evitar se sentir mal. Voldemort parecia estar ansioso ou impaciente para chegar até a horcrux antes de qualquer um. E para Harry, sentir tudo isso era um fardo, mas também um alívio. Não gostava da ideia de estar na mente de seu pior inimigo. No entanto, com isso, tinha o suficiente para saber o que o lorde das trevas sentia com cada plano seu que falhava desmedidamente, e com cada pessoa que o decepcionava.
Não surgira flashes em sua cabeça antes da ação que iriam enfrentar, mas sabia que encontraria algo perigoso no caminho. Era o que sempre encontravam desde que a guerra havia explodido. E os anos no campo de batalha lhe renderam muita experiência. Tinha apenas vinte e cinco anos, mas já vira e vivera coisas suficientes, que lhe davam a segurança que precisava para enfrentar seus oponentes. E desta vez, ela seria essencial para proteger Hermione.
Suspirou ao descer a escada, enquanto lembrava-se dela. Antes de partirem, a morena decidira levar Annie até o Beco Diagonal como uma forma de distrair a menina de tudo que acontecia do "lado de fora". Já que ela não tinha permissão para sair de casa se não estivesse acompanhada por um dos pais, de Harry ou de um amigo próximo da família. Ter o sobrenome Potter pesava nos tempos em que viviam. E assim que chegara à sala, sorriu por ver a irmã entrar em casa sorridente.
- E então, como foi o seu passeio? - Harry perguntou com um pequeno sorriso. Esquecendo-se por um momento de todo o receio e aflição que sentia pelo que possivelmente enfrentariam naquela viagem. Viu Annie deixar algumas sacolas sobre a poltrona antes de caminhar até ele e abraçá-lo forte.
- Foi muito legal, a Mione me levou na Floreios e Borrões, e me deu um presente. - contou e antes de retirar o embrulho de dentro da sacola, tirara do rosto as mechas lisas dos cabelos vermelho-escuros que tampavam sua visão. Harry sorriu quando a irmã lhe entregara o livro de capa bonita, e rira quando Annie enrugara o nariz pequeno, repleto de sardas. Provavelmente iria explicar alguma coisa, pois se ajeitava para essa função. - Mas não são "Os contos de Beedle, o Bardo", não sou mais criança. É uma história para mocinhas... E fomos também à Floreans, e na Gemialidades Weasley. Comprei doces e trouxe sapos de chocolate, e feijões de todos os sabores para você levar na sua viagem. Nunca se sabe quando você pode ficar com fome... – emendou, rapidamente revirando a outra sacola.
- Com certeza isso vai ser suficiente para saciar minha fome e fazer com que meu estômago não me entregue aos comensais. - comentou divertido ao sentar-se no braço da poltrona e olhar de modo atencioso para a irmã. Assim como o pai, também sentia uma necessidade muito grande de oferecer um mundo melhor para Annie e não permitiria que ela crescesse no inferno em que ele mesmo crescera. Por isso se empenhava todos os dias, pensando em sua família e em todos os seus amigos. - Vai cuidar da mamãe enquanto papai e eu estivermos fora? Sabe que não temos ideia de quando iremos voltar.
- Eu vou cuidar, por isso compramos um presente para ela também. Foi a Mione que escolheu. Ela disse que vou poder ler pra mamãe e distrai-la enquanto vocês dois não voltam. - explicou sorridente, mostrando a ele também, o livro que compraram para a mãe. Ficara satisfeita quando Hermione lhe explicara gentilmente as suas tarefas, e de certa forma, elas faziam com que Annie se sentisse muito útil, e para uma criança ativa como ela, esse sentimento beirava o orgulho. - Mas tenta não demorar muito, tá bom? Eu fico com saudade... E já que você vai levar a Mione, cuida dela também. Ela é minha amiga mais querida.
- Não se preocupe, vou cuidar muito bem da Mione. Ela também é muito importante pra mim. - Harry garantiu ao beijar a irmã carinhosamente no rosto. A amizade entre Annie e Hermione também tinha sido um dos motivos que o fizera olhar para a amiga de forma diferente. Não que Annie também não gostasse de Gina antes e ela não correspondesse a esse sentimento, mas o relacionamento da irmã com Hermione havia sido mais profundo, não tinha como negar. - Logo você vai ter sua amiga de volta. Eu prometo.
- Harry...? - Annie o chamou depois de um tempo pensativa. Não era de hoje que andava pensando sobre algumas coisas, desde que ouvira os pais conversando, e não via uma hora melhor do que esta para perguntar ao irmão o que tanto tinha vontade. Não era segredo para ninguém que gostava muito de Hermione, que eram realmente amigas, apesar da grande diferença de idade. Mas o carinho fora imediato e mútuo, e ela queria perpetuar isso de uma maneira distinta. A menina então suspirou e voltou-se para Harry, com os olhos brilhando de curiosidade e timidez. - Porque é que você não casa com a Mione? Eu acho que ela gosta de você... Muito mesmo.
- Hermione gosta de mim como um amigo, Annie. Porque é o que somos. Não pode ser nada mais do que isso. - disse com certo pesar, suspirando em seguida. Feria-lhe imensamente quando dizia essas palavras, mesmo que fosse apenas mentindo para a irmã. Não podia lhe contar a verdade. Sabia o quanto Annie podia ser imprevisível e decidir tomar uma atitude que pudesse juntá-los como ela queria, não o surpreenderia. E a última coisa que desejava era que Hermione se afastasse depois que soubesse que a amava. Não iria suportar tê-la longe. - Além do mais, ela vai se casar com o Rony. Não viu o anel que está usando?
- É... Eu vi aquele anel. - murmurou murchando os ombros, não muito satisfeita com a resposta que ouvira. Porque ela achava mesmo que Hermione gostava do irmão, e que não podia se casar com Rony justamente por isso. Mas o que ela podia entender disso, sendo que era tão pequena? Tudo que sabia era simples demais por isso imaginara que sua solução pudesse funcionar. Suspirou fundo, remexendo na barra da blusa estampada de flores e baixou o olhar castanho. - Mas você pode dar um mais bonito para ela, então ela ia gostar mais.
- Ahn... O que você acha de falarmos sobre isso quando voltar da minha viagem, hum? Preciso ir agora. O mundo bruxo depende de mim. - Harry comentou com um sorriso carinhoso ao tocar o nariz pequeno de Annie, fazendo com que ela risse. E usara também esse pretexto como forma de mudar de assunto. Ela sempre se orgulhava e admirava a ele e ao pai pelo que vinham lutando. Por isso, não poupava histórias nas reuniões de família. A beijou na testa novamente. - Se comporte, está bem? E cuide bem da mamãe. Eu te amo, pequenina.
- Também te amo, Harry. Mesmo que você não peça a Hermione em casamento. - ela respondeu fazendo-o rir.
Annie era tão teimosa quanto ele, mas o auror esperava que a irmãzinha esquecesse isso naquele período em que estaria fora. Não queria que seu relacionamento com Hermione se colocasse a perder por conta de uma teimosia infantil, mesmo que esta fosse o reflexo de seus desejos mais íntimos. Não podia negar que depois que Rony a pedira em casamento, ele fantasiava sobre como seria se estivesse no lugar do amigo. E tudo que mais desejava era fazer Hermione feliz, mesmo sendo apenas o seu companheiro distante.
Apesar de todo o cuidado, os aurores novamente foram surpreendidos por alguns comensais no meio do caminho, e mesmo que tivessem por precaução, dividido os grupos e passado informações diferentes a algumas pessoas, acabaram por encontrá-los. No começo, eles não deram tanto trabalho, mas ardilosos como eram, os seguidores de Voldemort sempre achavam um jeito de fazer os aurores recuar. Duelos se travavam na campina escura, e os feitiços multicolores é que iluminavam o caminho. Saíram de Surrey, embora alguns aurores ainda tivessem permanecido lá, como parte do plano. Os manuscritos das pesquisas de Hermione os levaram para fora da cidade, poupando os moradores do pequeno povoado de um mal maior. Boa parte dos comandados de Draco Malfoy os seguiram e agora batalhas individuais se realizavam a cada minuto.
O casarão bem à frente, era o ponto exato das coordenadas que foram dadas por Dumbledore e se estivessem mesmo certas, logo encontrariam a horcrux e poderiam voltar para casa. No meio da confusão, Harry acompanhara Hermione deixando os outros do lado de fora, continuando a duelar com os comensais. Tinham que agir rapidamente e cada minuto transcorrido era precioso demais, já que eram seguidos de perto. Ela entrou na casa, caminhando até o hall gigantesco e totalmente vazio. As madeiras que sustentavam as paredes e o teto, ameaçavam ruir a qualquer momento, estando ainda, abaladas por conta dos feitiços que ricocheteavam em suas estruturas pelo lado de fora.
Andou alguns passos dentro do saguão e se bem conhecera a astúcia de seu antigo diretor, poderia esperar por alguma engenhosidade. Então Hermione logo pudera perceber os feitiços de proteção que sinalizavam abertamente que estavam num lugar específico. Os desfizera de forma rápida, enquanto Harry tratava de protegê-los também, guardando as entradas. Raios de luzes faziam a escuridão pestanejar do lado de dentro, e ela voltou-se para o moreno. Preocupara-se imensamente minutos atrás quando um feitiço o atingira enquanto corriam para dentro.
- Harry você está bem? - indagou e ele assentiu assim que se virara para a morena também. Hermione entendera de imediato a urgência que tinham e seu estado era a última coisa que deveriam se preocupar. Respirou fundo, abrindo a bolsa, e retirando de lá uma espécie de bússola. Ela fora encantada para que a guiasse de acordo com algumas sequências de runas que se atraíam com aquelas das coordenadas dando a sua localização quase exata. As mãos trementes apontaram para uma parede de pedras, e ela a tateou. – A horcrux deve estar bem no interior da casa... - murmurou encontrando perto da lareira, uma alavanca, que abrira uma pequena porta onde deveriam estar às toras que queimariam no inverno.
Harry logo viu a lareira se afastar e dar espaço para um corredor escuro. Parecia ser algo saído direto dos filmes de trouxas, completamente inexplorável para os bruxos. Talvez por isso, a tática havia sido usada: poucos seriam espertos o suficiente para pensarem nisso. Gemeu baixo, enquanto o sangue quente escorreu por seu braço outra vez, brotando do ferimento que tinha ganhado no ombro. Sua cicatriz latejava incansavelmente, porque Voldemort se irritava cada vez mais por não encontrá-lo. No entanto, isso não o fazia perder o foco da situação. Além de manter sua atenção no feitiço que os protegia lá dentro, também estava focado em proteger Hermione.
- Em quanto tempo acha que consegue fazer isso? - ele indagou com a voz trêmula ao entrar na pequena sala que cheirava a mofo e poeira. Hermione acendeu as velas dos candelabros, seguindo até a estante logo adiante. Claro que a horcrux não estaria tão visível. E quando finalmente a encontrasse, teria algo que a protegesse para não cair em mãos erradas. Harry encostou-se à escrivaninha perto de si, massageando a própria testa. - Voldemort está furioso. E isso está acabando comigo...
Por mais que tivesse que agir rapidamente para procurar a horcrux, Hermione não estaria em paz consigo mesma deixando Harry sangrar daquela maneira. Mesmo que ele tivesse dito que estava bem, ela não lhe negaria ajuda. Sofria vendo-o tão mal, e ainda, tão atormentado pela cicatriz que claramente ardia, fazendo-o suar. Se pudesse pelo menos aliviar uma de suas dores estaria satisfeita. Então deixou a bússola sobre a mesinha e abrira a bolsa novamente, enquanto empunhava a varinha para iluminar seu interior. Passou alguns segundos revirando-a até que tirara de lá um pequeno frasco de conta-gotas. Aproximou-se do amigo, fazendo um gesto para que ele retirasse o casaco.
- Eu sabia que tinha colocado um frasco de essência de ditamno aqui dentro. - ela falou o fitando, surpreendendo o moreno imensamente. Hermione então sorriu brevemente, quando Harry lhe fitara severamente porque não poderiam perder tempo. - Não vou deixar você ter uma hemorragia. É o feitiço, ele não vai deixar que pare de sangrar até que feche a ferida... Não discuta comigo, porque não vou procurar a horcrux enquanto não fazer isso.
- Merlin, Hermione. Porque tem que ser tão teimosa? - o moreno praguejou ainda preocupado com o tempo. Mas sabia que ela realmente não iria continuar enquanto ele estivesse ali, agonizando. Com a ajuda dela, abriu os primeiros botões de sua camisa. E quando ela afastou o tecido para o lado e pingara a poção, Harry fechou os olhos com força, contendo um gemido de dor ao apertar a quina da escrivaninha e sentir a essência agir sobre o ferimento e queimá-lo por dentro. Ofegou ao passo que a dor, em conjunto com a de sua cicatriz, o deixava tonto. O toque cálido e carinhoso em seu rosto fez com que abrisse os olhos lentamente, deparando-se com o olhar angustiado de Hermione por vê-lo daquela forma. E naquele momento, a dor se amenizara bastante. - Eu estou bem. Volte ao trabalho.
- Você é que é teimoso, não parece nada bem e age como se estivesse. - Hermione murmurou, erguendo a sobrancelha, o repreendendo pelo altruísmo fora de hora. E angustiava lhe não poder fazer nada em relação ao que Voldemort fazia com Harry. Aquele jogo psicológico certamente era bem pior que do que qualquer ferida grave, fazia parte de seu interior, era algo que ela não podia simplesmente arrancar dele. Então franziu o cenho, dividida entre largá-lo ali e voltar-se para a estante, mas a vontade de estar ao lado do auror era maior. Então ela voltou a tocar seu rosto, fazendo com que ele a olhasse intensamente. Seu semblante se contraiu e os cabelos negros se empapavam de suor. - Não o deixe entrar na sua cabeça, Harry... Sabe que pode fazer isso. Bloqueio-o do lado de fora.
- Não posso. Não consigo. Ele é mais forte que eu e está mais poderoso... - Harry disse ofegante ao fechar os olhos novamente. O toque de Hermione em sua pele amenizava o disparo em seu coração, mas sempre sentia isso quando Voldemort invadia sua cabeça. E a dor ficava cada vez mais lancinante a cada batalha, ao ponto de fazê-lo desejar ter uma faca para poder remover a maldita cicatriz. Respirou fundo, tentando fazer o que Hermione lhe dissera. E em parte havia conseguido bloquear a raiva e a fúria que o lorde das trevas sentia, mas logo tudo voltaria outra vez. Não se livraria dele por muito tempo, pois ele desejava deixa-lo confuso e fraco. Fitou-a novamente, beijando a mão em seu rosto. – A horcrux... - a explosão do lado de fora fizera com que Harry esquecesse toda a dor que sentia e se levantasse rapidamente. Os comensais possivelmente descobriram onde ele e Hermione estavam, e agora os procuravam. O instinto de protegê-la logo aflorou em seu peito. Vendo-a o olhar hesitante. - Vou subir!
- Tome cuidado, por favor. - ela pediu e seus olhos se encheram de lágrimas, sabia que não tinha mais tempo nem opções, então deveria deixar Harry sair dali a fim de atrasar os comensais para que pudesse achar a horcrux, e o que mais pudesse que estivesse ao seu alcance. Sabia que aquele lugar poderia ser só um alarme falso, mas também sabia que Dumbledore guardara muitos segredos, muitos mais do que apenas o que conheciam. Harry balançou a cabeça e lançou um olhar demorado a Hermione. O coração dela batera mais depressa, e se não precisasse muito cumprir o seu dever, cometeria a loucura que estava disposta. No entanto, não pudera, e assim que ficara sozinha, se colocou a procurar.
Ouvira mais uma explosão e olhou para cima. Se no hall de entrada as madeiras que estruturavam o teto estavam soltas, ali também não diferente. Tinha que ser ainda mais eficiente se não quisesse ficar soterrada, porque sabia que os comensais não iriam parar até que fracassassem. Ofegou, e tentou se acalmar, por mais que estivesse preparada para as batalhas, cada uma era diferente, e saber que Harry estava lá fora sozinho fazia com que perdesse a concentração. Então por ele tinha que ser ainda mais forte...
... Quando Harry chegou ao hall, já estavam ali, dois comensais que entraram para averiguar a situação e tiveram sorte de encontrar pistas dele e de Hermione. Um dos homens sorriu de modo doentio antes de levar a varinha até a marca negra no braço esquerdo, disposto a informar a Voldemort que tinham encontrado o famoso eleito. Mas o feitiço que Harry disparou, lançando-o para longe, o impedira de completar sua ação, atrasando mais o encontro com o lorde das trevas. Fora evidente que se distraíra tanto em chamar seu mestre, que se esquecera de se defender. O outro também fora para o chão logo em seguida, já que não tivera tempo para se recuperar da queda brusca do amigo.
O sangue fervia em suas veias, em um misto de ira e adrenalina. Estava cansado, seu braço ainda queimava por causa da poção e os pensamentos de Voldemort, literalmente não saíam de sua cabeça. Mas a determinação que trazia dentro do peito fora o que o fizera sair e se revelar para o grupo de comensais que o esperava mais adiante. Precisava proteger Hermione, nem que desse sua própria vida nessa tarefa. Esboçou um sorriso debochado como gesto de boas-vindas para e em seguida lançou o primeiro feitiço, dando início à luta.
Apesar das máscaras e do capuz, Harry conhecia cada um dos comensais que estavam ali. Estava nisso desde que era adolescente, e os anos de experiência permitiram que conhecesse cada sequência de feitiços lançados por McNeall, a lentidão de Krask, os golpes bruscos e violentos de Gregory Goyle, assim como a determinação de Malfoy ao derrubá-lo. E julgando pela agilidade e o empenho que ele colocava naquela ocupação, era evidente que o queria a qualquer custo.
- Deixe-me adivinhar... Malfoy? - Harry disse em alto e bom som ao derrubar McNeall com um movimento simples de sua varinha. O comensal erguera a mão, como se deixasse claro que duelar com Harry Potter naquele momento era uma tarefa só sua. Assim como era uma tarefa apenas de seu mestre matá-lo. Queria sentir-se orgulhoso por entregá-lo a Voldemort. - Ele disse que era sua função me levar até suas masmorras? E você, sendo o bom cordeirinho obediente que é, atendeu ao pedido de seu mestre. - apontou a varinha para ele, assim que o viu retirar a máscara e revelar seu rosto.
Não teria porque se esconder, na verdade gostava de mostrar seu rosto e ver o medo das pessoas quando o reconheciam. Sua fama não era das melhores, e sempre causava pânico por onde passava, assim como agora. Não enfrentara apenas aurores, mas tivera certo prazer em executar alguns trouxas no percurso. Quando soubera que o próprio Harry Potter estava ali, não medira esforços para chegar até ele, porque era clara a sua intenção. O levaria até Voldemort e então, o poder de ambos seria absoluto. Sorriu com desdém, enquanto seus companheiros os rodearam. Outros dois foram para a porta a fim de impedir qualquer um de entrar ou sair, porque aquele duelo seria quase uma revanche dos muitos outros que Draco perdera.
- Cada um faz o que pode para subir de cargo, não é? - o loiro indagou despreocupado, pois confiava imensamente em si, e no momento propício. - Eu quase não acreditei que o filhinho da mamãe tivesse saído de casa, mas então descobri que a sangue-ruim estava por aqui, e logo deduzi que você também. Um é a sombra do outro, mas vou ter que te arrancar dela... O Weasley pobretão deveria me agradecer por isso. Ele sabe que você está de olho naquela imunda?
- Dobre sua língua ao falar dela, se não quiser que eu mesmo a arranque sem usar feitiço algum. - Harry disse ríspido, entre dentes, ao lançar um olhar fulminante a Draco. O sangue que pulsava dentro de si agora parecia estar prestes a explodir, pelo que o desgraçado falara sobre Hermione. E enquanto os comensais riam de divertimento pelo que ouviram, Harry não hesitou ao se aproximar de Draco. Estava atento a qualquer ataque surpresa, independente se viesse dele ou de seus capangas. O comensal cruzou os braços, esboçando seu típico sorriso cínico. - Mande seus seguidores de merda se afastar daquela porta. Antes que eu arranque sua pele também.
- Ela está lá dentro, não é? - perguntou, olhando para a passagem onde Hermione havia entrado com Harry algum tempo atrás, e o vira retesar, apertando a varinha com força. Não precisara dizer muito para que a resposta fosse dada e ele entendesse. E era isso que Draco iria fazer, explorar as fraquezas do rival. Sabia que o auror era forte, esperto, mas quando alguém que lhe importava estava em jogo, tudo mudava. Já experimentara isso antes só que de formas mais acentuadas. Então sem que Harry pudesse prever, o comensal lançara um feitiço em uma das vigas, fazendo com que todas as outras desabassem num efeito dominó. O teto não demorara a cair, e a poeira densa chegara até eles. E nem mesmo isso apagara o sorriso de Draco.
O grito de Harry havia sido incapaz de impedir a queda da passagem. Fora como se seus olhos tivessem simulado uma cena na qual ele não queria acreditar, e que somente o deixara imensamente desesperado. Tentou alguns feitiços, mas não houvera tempo de erguer a madeira novamente. Em poucos segundos, tudo estava no chão. A dor em seu peito crescera de uma forma rápida e surpreendente para causar uma queimação em sua garganta. E ao passo em que passava os dedos entre os cabelos e as lágrimas ameaçavam vir aos olhos, ele não podia acreditar que cometera aquele deslize. Não com Hermione, com sua Hermione.
Toda a angústia que sentia dera lugar ao ódio, a raiva e a ira ao ouvir a risada de Draco ecoar. Não conseguia raciocinar muito naquele momento, mas uma parte de si desejava imensamente que Hermione estivesse bem e que aguentasse firme. Porque agora faria o desgraçado pagar. Sem pensar duas vezes, erguera sua varinha na direção dele:
- Sectumsempra! - Harry gritou o feitiço com toda a fúria que tinha dentro de si, acertando em cheio o abdômen do comensal. Sequer houvera tempo para que Draco se defendesse. Quando levou a mão até o local, sentira um grande corte abrir-se em sua barriga, e o sangue jorrar farto em suas vestes. Ele caiu de joelhos e experimentara uma dor insuportável. E no momento em que os outros comensais notaram seu superior praticamente derrotado, tentaram investidas, mas alguns foram derrubados facilmente por Harry, enquanto os outros fugiam, deixando o outro caído.
Harry pouco se importava com Draco estirado no chão, nem com o sangue abundante que forrava o assoalho de madeira, mas jogara a varinha dele para longe, pois não queria correr riscos enquanto estivesse tentando tirar Hermione dali. Tudo isso era o que o comensal merecia, e se pudesse, teria feito com que ele sofresse imensamente, assim como sofria naquele momento. As lágrimas banharam seus olhos, depois que a raiva intensa tomara conta de seu peito. Não podia acreditar que aquilo havia acontecido com Hermione, que há minutos antes estava com ela, sentira seu toque suave e agora... Não sabia se isso tornaria a acontecer. Então se voltara para os escombros com o coração apertado. A poeira ainda era vasta e ele a dispersara com um feitiço, podendo respirar melhor.
Lá dentro, antes do desabamento, os olhos de Hermione não conseguiam se desgrudar do teto. O rangido que ele fazia a assustava vez ou outra, e seu coração não parava a batida incessante de nervosismo. Concentrara-se bastante e a estante parecia se embaralhar todas as vezes que olhava para ela. Não sabia se era por conta da pressa, ou de algum tipo de feitiço ilusório, mas não conseguia se fixar em apenas um livro. Respirou fundo, sentindo um vento fraco soprar e apagar as velas. E quando isso acontecera, notara um véu quase invisível do outro lado da estante. Ele agia como a capa da invisibilidade de Harry, ocultando algo. Rapidamente Hermione mudara o foco e seguira até a parede oposta. Afastou o véu e encontrara apenas um livro dentro de uma portinhola. Com ele havia outros pergaminhos e julgando que fossem importantes, os colocara também dentro da bolsa. No entanto, nada que acreditara ser uma horcrux estava ali. Então, quando estava prestes a sair de lá para que pudesse ajudar Harry, ouvira o ruído forte da madeira se partindo.
O feitiço de proteção sobre ela fora lançado imediatamente, enquanto se jogava no chão e via toda a madeira cair sobre si. Junto com as vigas, também vieram os livros e a poeira. Hermione ouvira um grito desesperado que viera do lado de fora e que fizera seu coração se comprimir no peito. Aquele grito só poderia ter sido o de Harry. Então quando tudo pareceu se acalmar e aquele barulho estrondoso do desabamento tinha acabado, Hermione enunciou outro feitiço. E este, jogou a madeira que a cobria para longe, abrindo caminho por entre os escombros e a casa ao chão. À medida que tudo se dissipava, aos poucos ela conseguia ver a luz da lua.
Caminhou por entre os destroços e ouvira seu nome ser gritado da mesma forma angustiante de antes. Quando finalmente estava afastada da casa, Hermione viu Harry logo adiante. O olhar dele sobre ela parecia surpreso e ao mesmo tempo aliviado. E não sabia descrever a sensação que sentia por vê-la ali, na sua frente. Parecia ser uma imagem criada por sua mente enquanto a procurava debaixo da montanha de madeira, desesperadamente. E pouco lhe importava se Draco Malfoy tinha alcançado sua varinha e aparatado dali, precisava se aproximar.
Seus passos foram rápidos em direção à morena, deixando seu coração cada vez mais célere. Naquele tempo em que um medo devastador o invadira, se esquecera de tudo ao pensar que tinha perdido Hermione. Esquecera-se da sua cicatriz que ainda latejava, da dor em seu ombro ou dos comensais que poderiam ainda estar ali. Tudo que lhe importava era ela. Não se conteve ao chegar perto o suficiente para tocar-lhe o rosto. Precisava ter certeza de que aquilo era real. E quando sentiu a textura macia de sua pele, Harry suspirou ao fechar os olhos. Agradecendo aos céus por Hermione ser tão real quanto o alívio que o preenchia.
Hermione respirou fundo, sentindo-se arrepiar com o toque dele em seu rosto. Tudo isso, se somando com o modo intenso e terno com que ele a olhava, fazia com que o coração da bruxa desse um solavanco no peito. E se não estivesse em um momento que parecia ser mais um de seus sonhos, jamais pensaria que Harry a olhava de modo tão apaixonado. Principalmente quando os olhos dele caíram sobre seus lábios. Ele não tinha tempo a perder. Não depois do que passara minutos atrás. Amava Hermione e precisava que ela soubesse disso antes que fosse realmente tarde demais. Firmou sua outra mão na cintura fina, trazendo o corpo dela de encontro ao seu. Como se o toque em rosto não fosse suficiente.
- Nunca mais faça isso... - murmurou antes de se inclinar e roçar seus lábios aos rosados de Hermione. E o suspiro que desprendera deles, fora o que Harry precisava para cobrir a boca dela com a sua, em um carinho suave, e apaixonado o suficiente para sanar toda a angústia e a dor em seu peito.
De certa forma, Hermione fora pega de surpresa, pois não esperava aquela reação tão forte de Harry. Pensara que ele fosse lhe repreender, ou saudar-lhe com um sorriso aliviado, mas não fora exatamente assim quando ele ensaiara aquele beijo. Jamais ela experimentara sensação mais maravilhosa, mais envolvente. Ter os lábios de Harry sobre os seus, os buscando com intensidade e carinho, era inexplicável e resumia muito bem o que sentiam naquele momento. Fazia com que o amor que ela nutria crescesse ainda mais e tomasse proporções gigantescas... Se não poderia tê-lo, pelo menos teria aquela lembrança cálida. E ao mesmo tempo em que seu coração acelerava por conta do beijo, ele se comprimia quando pensava que tal fato jamais aconteceria outra vez. Que a adrenalina que corria em suas veias, não os levaria a esse ponto novamente e ela deveria aproveitar a chance que ganhara.
Levou uma de suas mãos até a nuca dele, desprendendo afagos suaves ali, e quando o sentira intensificar o carinho, Hermione puxara levemente seus cabelos negros, retribuindo com destreza àquele beijo. Harry gemera contra seus lábios, encaixando-a melhor em seus braços. A morena era perfeita e cabia exatamente dentro de suas expectativas. Agora mais do que nunca admitia amá-la com todo seu coração e lutaria por isso, nem que fosse a última coisa que fizesse, porque depois de quase perdê-la não iria aceitar mais este truque da vida.
Ofegantes, diminuíram o ritmo do primeiro beijo, o qual não poderia ser mais especial. Harry suspirou fundo, assim como ela, e encostara sua testa à feminina, enquanto a mantinha presa em seu abraço. Fechou os olhos, e sorriu. Apreciava com particularidade tudo que Hermione o fazia sentir. Era um misto de sensações que o deixavam leve, pleno, porque sabia que ela era a mulher certa para ele. E vê-la tão entregue aos seus carinhos, era a concordância que esperava. Talvez sua mãe tivesse razão em lhe dizer que ela não era feliz com Rony, que o era apenas com ele, e pudera perceber isso naquele momento.
- Eu estou bem... - murmurou, se atando mais a Harry, sentindo-se tonta e feliz. - Não precisa se preocupar tanto assim... Eu disse que sei me cuidar.
- Eu sempre vou me preocupar com você, Mione. - Harry disse no mesmo tom, enquanto a olhava nos olhos. Com cuidado retirou-lhe um cacho do cabelo castanho do rosto. Enrolando-o entre os dedos num modo lento, que a fizera sorrir. Aquilo sim parecia surreal e independente de ser ou não, se apegariam àquele momento. Porque ali se esqueciam de tudo. Do casamento de Hermione, da batalha que os cercava no momento e de todo o resto. Ele até mesmo não sentia mais a dor insuportável em sua cicatriz ou em seu braço. Era como se tudo de ruim em si, ela houvesse retirado no beijo apaixonado que trocaram. - Foi por isso que quis estar aqui, te protegendo. Não tem ideia do quanto é importante pra mim...
- Agora sabe como eu me sinto todas as vezes... Como eu me senti quando vi você sangrar. Você também é muito importante para mim, eu o am... - Hermione respondeu baixinho com medo de acordar daquele sonho. E por mais feliz que estivesse, não podia deixar de se lembrar da realidade. Seus olhos logo se encheram de lágrimas, ao pensar que quando saísse dali tudo voltaria a ser como era antes. Seria apenas a noiva de Rony, e Harry voltaria para Gina. Porque era a ruiva que ele amava, mas estava satisfeita por ter conseguido realizar uma pequena parte de seu desejo. Então forçou um sorriso tentando disfarçar o que sentia.
- Não fala, está bem? - ele pediu ao erguer a mão e colocar a ponta dos dedos sobre os lábios levemente inchados de Hermione. - Não sinto dor alguma quando estou com você. - e como tantas vezes desejara isso também, agora podia desliza-los por ali e sentir a textura que eles tinham. Como tinha sentido com sua própria boca há minutos atrás. Ofegou quando a viu fechar os olhos. Queria dizer naquele momento que a amava. Mas o receio de perder o que tinham o impediu. E o que mais queria agora era que Hermione o correspondesse daquele modo apaixonado e intenso outra vez. Mesmo que tenha sido algo apenas criado por sua mente e executado pelo momento. Então a beijou novamente, disposto a guardar o gosto incrível que ela tinha. Um gosto que jamais sentira antes e o fazia amá-la ainda mais.
Embora fosse um sentimento impossível.
Não sabia quanto tempo aquela batalha durava, mas já tinha chegado à fase extenuante. Ainda não haviam recebido o sinal de Harry para recuar. Ele o mandaria assim que encontrassem a horcrux. E apesar de estarem em uma grande e evidente desvantagem na batalha, todos permaneciam ali. Comensais, aurores ou integrantes da Ordem lutariam até o fim pelo que pudesse deixá-los cada vez mais próximos de destruir Voldemort. Embora os comensais estivessem ali justamente para impedir isso.
Gina manteve sua varinha em punho depois de terminar mais um embate com um comensal. Esse havia lhe dado mais trabalho e o duelo fora exaustivo, ao contrário dos primeiros, que pareciam amadores. Alguns aliados de Voldemort quase não tinham experiência em um campo de batalha e isso era um trunfo a mais para os aurores. Mas o último possuía um bom conhecimento em feitiços. E a luta havia sido árdua, até que Gina aproveitara-se de um momento de fragilidade dele, para derrubá-lo. Deixando-o no mesmo lugar, para que algum auror pudesse prendê-lo, pois precisava encontrar Harry e Hermione para ajudá-los.
No meio do caminho, deparou-se com outro comensal, e em questão de minutos, livrara-se dele também. Já estava próxima da casa onde Harry especificara que estava. Mas, antes mesmo que pudesse alcançá-la, sentiu uma mão envolver seu braço e puxá-la para dentro de uma pequena loja, abandonada por conta da guerra. Não houvera tempo para apontar sua varinha, já que as mãos que a puxaram, agora a prensavam contra a porta e a fechava. Ela praguejou ao reconhecer o rosto do comensal diante de si e começou a se debater enquanto ele segurava seus pulsos.
- Mas que droga, Malfoy. Me solta! - bradou entre dentes ao tentar livrar-se das mãos dele. E quando finalmente pudera enxergar melhor, as viram cobertas de sangue. O estômago se revirou ao olhar delas para o rosto do loiro. Temendo que aquele sangue fosse de algum inocente. Mas julgando pela palidez e o suor do rosto dele, não era. Ao abaixar os olhos, vira também a camisa de Draco ensanguentada. O pequeno rasgo permitira enxergar o corte em seu abdômen, grande e aberto o suficiente, para deixá-lo daquela forma. Aumentando ainda mais aquela sensação ruim em seu estômago e até mesmo dentro de si. - Está ferido...
- Observação inteligente, Weasley. - Draco dissera com dificuldades ao esboçar um pequeno sorriso irônico nos lábios finos. Perdera muito sangue até chegar ali, aparatou em um lugar e outro, e tudo isso porque não recebera os cuidados necessários, e agora mal podia se manter de pé. Sentia uma fraqueza sem tamanho e sua visão se turvava a cada minuto mais. Respirou fundo, fitando Gina que lhe olhava assustada. Apesar de tudo, ninguém merecia passar por isso, sangrar até a morte, porque era isso que aconteceria se não fizesse nada. No entanto, se lembrara do que ele fizera a Percy, e por um momento se afastou do loiro, fazendo com que ele recuasse e tombasse no chão. O comensal não merecia sua compaixão, não a mesma que tanto zombara, e não seria nada mais justo do que vê-lo morrer ali na sua frente como um modo de se vingar. - Preciso de ajuda...
- Você precisa de ajuda? Por que não chama um dos seus amiguinhos para ajudá-lo, hum? Aliás, porque não vai atrás do seu "lorde das trevas" e pede pra ele te curar? - Gina indagou de modo sarcástico ao cruzar os braços e se afastar, limpando o sangue dele que ficara em seus pulsos. Apesar de ter o instinto "patético" de ajudar a todos, se empenhava para fazer-se de fria e indiferente diante de Draco. Mesmo que seu coração estivesse comprimido por vê-lo se ajoelhar no chão e levar a mão ao ferimento novamente. Seu sangue ferveu ao se aproximar do comensal, tocando-o no rosto e fazendo com que ele a olhasse. - Você quis saber se meu irmão precisava de ajuda enquanto era torturado antes de mandar matá-lo?
- Não é uma "sorte" a minha? - indagou e rira, não aguentando mais se manter naquela posição, então se sentou no chão escorando-se no balcão. Sua mão pressionou o ferimento que ainda sangrava e Draco suspirou fechando os olhos. Estava cansado demais, e deixaria sua raiva para depois, para quando pudesse novamente se levantar e dar o troco. Levaria Harry até seu mestre e agora era uma questão de honra. - Eu iria até Voldemort se eu conseguisse... - murmurou, fazendo Gina se sobressaltar. Estava tão concentrada que ouvir a voz dele naquele silêncio todo, fora o bastante para que ela se assustasse. - Mas acontece que não posso nem sair dessa maldita lojinha de brinquedos! Então... Ou você me ajuda, ou vai embora e me deixa aqui.
- O que você tem de egoísta e mesquinho tem de idiota, Malfoy. O que te faz pensar que Você-Sabe-Quem faria alguma coisa por você? Não passa de uma peça do jogo dele que quando quebrar será descartada. Ele é assim, será que não enxerga? - a ruiva bradou impaciente ao voltar-se para o comensal, fazendo com que ele soltasse um muxoxo. Deveria ter tido uma sorte maior em ter puxado outra pessoa que pudesse ajudá-lo. Ela cruzou os braços ao andar de um lado para o outro, mostrando que não estava mesmo disposta a isso. - Deveria entregar você para o Ministério, Malfoy. Esse momento é mais do que perfeito. - se aproximou dele, abaixando-se em sua frente e erguendo uma sobrancelha ao olhá-lo. - Me dê uma... Uma razão para eu ajudá-lo? Principalmente depois do que fez com meu irmão.
- Olha Weasley... Eu estou quase morrendo aqui, então acho que não tenho muita escolha nem tempo para pensar numa razão para que você me ajude, ok? - falou um tanto ríspido, gemendo levemente enquanto apertava mais o sangramento. Por mais que estivesse numa pior, era orgulhoso demais para implorar por ajuda. Ou Gina o fazia por livre e espontânea vontade, ou morreria ali mesmo. Porque em parte concordava com ela, se Voldemort pudesse lhe descartar ele o faria, por isso sempre tratava de ser importante, então assim seria insubstituível. - Eu mandei matar seu irmão, nada vai mudar isso, então... Acho que estamos conversados. Agora pode ir... O Potter deve estar nos escombros daquele casarão procurando a garota sangue-ruim...
- Cuidado com a língua, Malfoy. Sua vida está em minhas mãos agora. - o lembrou ao arquear as sobrancelhas. Fazendo com que um sorriso largo e divertido surgisse em seus lábios naquele momento ao se dar conta do que tinha acabado de dizer. - Sua vida está em minhas mãos. Adoro isso. Pense no quanto vai ser divertido ver você vivo e andando por aí porque a pobretona da Weasley te salvou, hum? - riu de modo eufórico, fazendo com que o loiro revirasse os olhos. Estava tão desesperado por ajuda que sequer pensou naquela possibilidade. A vira retirar a varinha do bolso, batendo palmas em seguida. - Vou te ajudar com prazer. - apontou a varinha para o ferimento, murmurando um feitiço. Não fecharia o corte ou o curaria, mas impediria a quantidade grande de sangue escoar e era suficiente por agora.
- Pense pelo lado bom, garota... Você vai poder me matar depois e antes disso esfregar na minha cara que salvou o dia, então faça um bom serviço. Garanta com que eu viva e posso aguentar esse detalhe. - respondeu sarcástico, fazendo com que ela risse. Embora não devesse se mostrar tão solícita, achara a situação divertida já que estava no controle de tudo. Para um homem como Draco, estar assim tão vulnerável era um castigo maior do que poderia pensar em lhe dar. O comensal então gemera novamente, sentindo como se pequenas agulhas ferventes tocassem sua pele contendo o sangramento. Aquele era um feitiço de urgência, mas não um cuidado maior, do qual ele sabia que iria precisar. - Já que estou em suas mãos, acho que... Devo pelo menos saber o que vai fazer comigo...
- Primeiro vou te tirar daqui assim que terminar com isso. Não estamos em um lugar seguro. E se alguém do Ministério ou da Ordem te encontrar, não vão te ajudar. - Gina disse séria ao terminar o feitiço. Estava focada em ser ágil para ajudá-lo. E por isso não dava muita importância em como Draco a olhava de modo intenso e curioso. Conjurou alguns itens necessários para cobrir o corte, pois não queria correr o risco de que ele estrunchasse quando aparatassem. Suspirou ao retirar uma mecha de cabelo do rosto, para olhá-lo. - Tire a capa e a camisa. - revirou os olhos quando ele ergueu uma sobrancelha. - Não me faça vomitar, Malfoy. Só vou cobrir isso daí, não vamos transar.
- E quem disse que eu transaria com você? Estou quase apagando... - Draco retrucou apertando os olhos, tentando se focar no olhar de Gina, que a essa curta distância, era tão bonito. Deveria estar mesmo delirando porque reparava demais em cada traço do rosto delicado e da boca carnuda. Embora dissesse que não a desejava, não era bem isso que seu corpo dizia. Com dificuldades e com a ajuda dela, o loiro retirara a capa preta e em seguida a camisa. O estrago fora grande, feito por um feitiço poderoso, fato que debilitara ainda mais o comensal. Pegara a faixa que conjurara e a enrolara sobre o abdômen definido dele, por um momento seus dedos tocaram acidentalmente a pele fria de Draco. Novamente assustou-se quando ouvira o riso baixo dele. - Não faz isso, Weasley... Não quando eu não posso retribuir à altura.
- Pra quem acabou de dizer que não transaria comigo você está sentindo demais para querer retribuir à altura. - franziu o cenho enquanto continuava a enrolar a faixa. Apesar de ter controlado o sangue que saía dali o risco de infecção ou de um novo acidente poderia trazer tudo de volta. E por isso, precisava cobrir bem o ferimento. No entanto, era impossível que seu olhar não se deparasse com o físico de Draco. Ao contrário dos demais comensais, ele tinha o poder de chamar a atenção facilmente. Principalmente agora que estava sem camisa, e seu peitoral firme e os braços rijos estavam à mostra. Gina meneou a cabeça, recusando a observar aquilo por mais tempo. Não podia sentir mais nada por Draco Malfoy além de ódio. - Já disse que você me dá nojo?
- Não com esse olhar de cobiça... - o comensal retrucou, erguendo a sobrancelha, apreciando muito os cuidados de Gina. Raramente era tratado daquela forma, a não ser pela mãe, há muitos anos. E poderia dizer que sentia falta de um pouco de carinho, porque recebia tudo tão superficialmente que às vezes era difícil lidar com toda aquela solidão. Respirou fundo novamente, e sentira a fraqueza quase dominá-lo. A visão que se turvava aos poucos, agora permitia que ele visse a ruiva apenas como um borrão.
- Ei, acorda. - Gina bradou ao dar um leve tapa no rosto do comensal. Obrigando-o a abrir os olhos surpreso e a fitasse. Por um momento pensou que todo aquele zelo e carinho com que ela cuidava de seu ferimento iriam durar por um bom tempo, mas era evidente que Gina Weasley tinha várias facetas. E isso o atraía cada vez mais. A ruiva o fitou, erguendo uma sobrancelha. - Vamos aparatar daqui a pouco. Eu não vou sair carregando você. O que estou fazendo já é suficiente.
- Acho que posso andar, mas não garanto por quanto tempo isso vai acontecer. - ele respondeu tentando soar firme, mas não sabia também quanto tempo iria conseguir manter-se acordado. E embora estivesse daquele jeito, tudo que pensava era em arquitetar uma vingança. Não iria deixar Harry se safar dessa, iria pegá-lo uma hora ou outra, mas agora, deveria se focar em sobreviver. Então se adaptaria a situação, seguindo as ordens imediatas de Gina. Não sabia o porquê de ela o estar ajudando, mas estava grato por isso. A piedade que tanto que desprezou salvava sua vida. - Só me tira daqui...
Gina praguejou ao se levantar. Com um feitiço de sua varinha, limpou os resquícios de sangue que Draco deixara no local, para que não levantassem as suspeitas de qualquer um que pudesse entrar ali depois que partissem. Em seguida fizera o mesmo com as roupas ensanguentadas e tudo que usara para cobrir seu ferimento. Nem ela mesma sabia o porquê de estar ajudando-o. Tão pouco depois de tudo que ele lhe fizera quando estavam em Hogwarts e após saber que ele tinha sido responsável pela morte de seu irmão. Mas esperava que nunca encontrasse uma resposta para isso. Então se aproximou do comensal e o tocou no ombro. Logo depois aparataram para um lugar que tinha certeza de que nunca iriam ser encontrados.
N/A:
Com muito desgosto, escrevo essa N/A.
Porque além dos comentários ainda serem poucos e nada incentivadores, vocês ainda ficam rasgando seda só para Harry e Hermione e James e Lily.
Oi! Eu não sei se vocês perceberam, mas tem outros casais na fic também.
É desanimador para uma autora ver alguns personagens sendo elogiados e comentados enquanto os outros, que são tão importantes na história quanto os principais, estão sendo deixados de lado.
Ajuda aí, galera. Por favor!
Comentem.
