Bem... Depois de muuuuuuuuuuuuuuiiiito tempo de espera dei continuação nesta história. Já há bastante tempo que queria continuar, mas a Máquina do Tempo estava primeiro, e eu tinha de acabar.
Agora, vou actualizar com mais frequência. As ideias do Capitulo 5 já estão quase todas "assentes", por isso, penso que será rápido.
Se calhar vão ter que ler tudo de novo para fazer sentido - eu peço desculpa por isso... Se o fizerem peço que deixem os vossos comentários à mesma...
Espero que gostem do capitulo.
OBS: Rurouni Kenshin não me pertence.
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Capitulo 4 - Uma nova Vida
De todas as pessoas no mundo, conhecidas e desconhecidas, aquela era a última que ele pensava encontrar a bater à porta do dojo. "Katsura?"
Aparentemente, o Kenshin não era o único que tinha sido surpreendido. A expressão no rosto do Katsura era de espanto: "Himura! Há quanto tempo!"
O Kenshin sorriu e deu dois passos para trás para o deixar entrar, mas depois o seu sorriso desvaneceu-se. Estaria ele ali para lhe pedir algum favor? O seu antigo patrão adiantou-se e esclareceu o assunto: "Tu vives no dojo da Kaoru?"
Ah… então afinal é por causa da Kaoru que ele está aqui. Intrigou-o que um homem tão respeitoso como o Katsura tratasse a Kaoru sem qualquer tipo de honorífico. "Sim vivo." – ele respondeu ignorando o mau pressentimento que tinha em relação aquela visita. "Mas… e o senhor, o que faz aqui no dojo?"
O Katsura riu-se: "Eu venho trazer uma coisa que a Kaoru me pediu." E de novo ele falou dela como se fossem bastante íntimos o que fez o ruivo relembrar os elogios que ele tinha tecido à Kaoru na altura que venceu o torneio. Alheio aos ciúmes do ruivo o Katsura continuou: "Uma espada de gume invertido para o jovem Yahiko."
"Entre Senhor Katsura." –. O Kenshin tinha uma afeição especial por aquele homem… Não conseguia ser rude ou mal-educado com ele, aliás como não conseguia ser com ninguém. Mas ele simplesmente tinha de tirar aquela história a limpo.
Quando se sentaram no alpendre o Kenshin perguntou: "Como conheceu a Kaoru?" –. Ora, se aquele homem que conhecia a Kaoru à meia dúzia de dias não usava nenhum titulo para se referir a ela, porquê que ele, que era o noivo dela o tinha de fazer?… EX-noivo… Vocês estiveram noivos durante duas horas, depois disso estragaste o noivado mais curto da história… a sua mente lembrou-o, mas o Kenshin ignorou.
"No torneio. Eles foram fantásticos!" – o Kenshin não deixou de notar um estranho orgulho na forma como se referiu aos seus amigos, e isso, apesar de todas as contrariedades arrancou-lhe um sorriso dos lábios.
No entanto, o Katsura não estava a desvendar nada que ele já não soubesse. O ex-patrão olhou para ele: "Numa das vezes que falei com a Kaoru ela mencionou-me o progresso do jovem Yahiko e que para o gratificar queria oferecer-lhe algo que sabia que ele ia apreciar – uma espada de gume invertido - e eu cobrei alguns favores…" - ele abriu o pano que cobria a espada que trazia na mão e os olhos do ruivo fixaram-se na cor azulada do cabo.
Então a prenda do Yahiko era tambem uma prenda do Katsura para a Kaoru…. Mas aquilo não estava bem… Era a espada dele que devia passar para o Yahiko! "E espantosa." - o Kenshin respondeu.
"Achas que ela vai demorar muito?" – o Katsura perguntou ao ver que o ruivo estava pensativo.
"A Kaoru foi de viagem e ainda não voltou." – respondeu – "Mas deixe a espada comigo que assim que ela chegar eu dou-lha." Mas o Katsura negou-se: "Eu sei que não haveria melhores mãos do que as tuas para guardar um tesouro, mas sabes, eu moro aqui perto, e não me custa nada vir cá…" – ele não disfarçou que vinha ali com o intuito de a ver – "Além disso, o Yahiko podia encontrar a espada e assim estragava a surpresa. Não queremos correr esse risco, pois não?" – ele cobriu de novo a espada e, como que em sintonia com o assunto, o Yahiko entrou pelo portão do dojo adentro.
Quando viu os dois homens sentados no alpendre ele parou atónito.
O senhor Katsura convivia com eles quase rotineiramente desde a altura da competição, se bem que o Yahiko suspeitava que ele tinha qualquer interesse romântico na Kaoru, mas mesmo assim não deixava de ser um dos responsáveis pela nova era em que viviam, e isso merecia todo o respeito possível.
O que o chocou mais foi o homem ao lado do Katsura.
Assim que o viu o ruivo levantou-se, se calhar à espera que ele fosse cumprimenta-lo a correr, mas o Yahiko não o fez. Não estava magoado por si, mas era como se levasse as dores da Kaoru… ele não lhe ia perdoar assim tão facilmente. Era óbvio que continuava a sentir um carinho especial pelo amigo, mas, não sabia que tipo de efeito o aparecimento do Kenshin ia ter na Kaoru e isso deixou-o apreensivo.
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Passaram alguns dias. Durante esse tempo o Kenshin foi fazendo as costumeiras tarefas domésticas, o que deixava o Sano e o Yahiko mais livres para descansarem. Era o mínimo que podia fazer por eles depois de tudo, talvez isso fizesse com que eles o perdoassem… Não era como se eles o afastassem ou tratassem mal, pelo contrário, para o Sano tudo tinha voltado ao normal, o Yahiko é que parecia estar… distante.
O Kenshin saiu cedo de manhã para comprar vegetais para o almoço. Todos os dias ele passava perto da estação.
Talvez ela chegue hoje… Era o que ele pensava sempre, mas todos os dias ele voltava para casa sozinho.
Quando se aproximava do dojo, ele tentava perceber se ela já tinha chegado a casa no entretanto. Talvez nos tenhamos desencontrado…
Mas todos os dias ele percebia que o dojo estava vazio. Quer dizer, estavam lá o Sano e o Yahiko… mas sem ela era como se estivesse vazio. Excepto naquele dia.
Quando parou perto da porta do dojo ele sentiu que ela estava lá… ele ouviu a voz dela a falar descontraída com os amigos, e, mentalmente preparou-se para a ver.
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Quando a Kaoru chegou ao dojo, carregada de malas imaginou que a recepção fosse ser mais entusiasta, pelo menos da parte do Yahiko. "O que é que se passa? " – ela perguntou quando viu o olhar dele: "Não estás contente por me ver?" – ele parecia preocupado, ansioso para dizer alguma coisa, mas sem saber como começar.
Ele fez asneira, ele estragou alguma coisa no dojo e agora não me quer contar. "Kaoru, tu tens que saber uma coisa." – ele começou.
Pronto! Eu sabia que não devia ter ido de férias sem eles.
Ela começou a ficar impaciente. Mas foi aí que o Sano interveio: "Primeiro as coisas que vem primeiro puto. Ela acabou de chegar." – ele passou por ela e deu-lhe um abraço forte. "Vamos ter muito tempo para falar com ela acerca desse assunto." – ele soltou-a e só depois se apercebeu que o ruivo estava parado à entrada imóvel: "Ou talvez não."
A Kaoru seguiu os olhares dos amigos e deu de caras com ele. O coração quase que saltou pelo peito quando o viu.
Ela nunca o tinha odiado, nem mesmo no dia em que ele foi embora. Ela tinha sofrido como nunca antes na vida, e tinha lutado muito para ultrapassar a desilusão. Tinha pensado muitas vezes como reagiria se o visse de novo. Seria dura? Seria formal? Distante?
Estranhamente a primeira coisa que lhe chamou a atenção foi o rosto magro do ruivo. Ela não se lembrava de o ver assim tão magro. "Kenshin?" – a voz dela saiu rouca.
O Kenshin respirou fundo e pôs o habitual sorriso de Rurouni e aproximou-se: "Kaoru-dono."
Há quanto tempo ela não ouvia aquilo? Sim, há seis meses…. E já nem se lembrava como o seu nome soava na boca dele. Ainda sem saber como reagir ela perguntaou: "Estás de visita?" –
Procurou por algum sinal da Tomoe e desejou secretamente que ela não estivesse no dojo. Assim que o viu percebeu que o tempo ainda não tinha curado todas as marcas no seu coração.
Ele acena e decide perguntar:"Se não te importares que eu fique por alguns dias, é claro." – ele não tinha imaginado que eles se fossem encontrar assim, rodeados pelos amigos.
Ele tinha pensado em vê-la quando estivesse sozinha, e desse forma ele podia explicar tudo sem fazer parecer que para ele aqueles meses de distância não tinha sido nada, que ele não tinha sofrido e que agora aparecia ali a reclamar um lugar que não era o seu… não. Ele queria mostrar-lhe que não estava feliz nem tinha sido feliz durante aquele tempo todo porque tinha cometido um erro.
Ele está mesmo a pedir para ficar aqui? – A Kaoru pensou – O Kenshin sempre foi um homem correto, incapaz de fazer alguma coisa ilegítima, se ele pediu para ficar aqui, é porque tem tudo resolvido no coração. Se calhar… ele só sentiu saudades dos amigos, e eu, não posso impedi-lo de ver os amigos.
Quando A Kaoru acenou já todos pensavam que ela ia dizer que não: "É claro que não me importo." – ela disse com o tom mais natural que conseguiu, o que foi suficiente para convencer a todos.
Eu vou agir com naturalidade, afinal de contas eu nunca negaria nada nem ao Sano nem ao Yahiko, porque haveria de negar ao Kenshin? Depois voltou-se para o Sano e informou-o: "Eu vou só trocar de roupa e vou ter com uma pessoa."
"Já?" – os três perguntaram ao mesmo tempo.
A Kaoru explica que tem de ir buscar uma encomenda e o Kenshin de imediato se apercebe de que ela vai ter com o Katsura e decide segui-la em segredo.
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A Kaoru segurou a espada com olhos arregalados: "Oh Katsura é linda. Como conseguiste?"
O homem sentado ao seu lado, todo vestido de preto respondeu-lhe com um sorriso encantador: "Eu tenho os meus conhecimentos." – ela riu-se e apontou para a espada: "É óbvio que tens." – o Yahiko ia adorar aquele presente, ela tinha a certeza: "Agora vamos a contas, diz-me por favor quanto tiveste de pagar pela espada."
Ele torceu o nariz. Aquela talvez fosse a parte mais complicada de todas, ele sabia que ela era dura de roer: "Se me queres pagar, peço-te que aceites o meu convite para jantares cá amanhã."
A Kaoru não teve tempo de responder porque ele disse logo de seguida: "Os teus amigos podem vir contigo inclusive o Himura, que eu descobri que temos como amigo comum."
O coração dela palpitou mais forte ao ouvir o nome do ruivo. Como é que o Katsura sabia? Ele leu os pensamentos dela: "Quando passei pelo dojo há uns dias foi ele que me abriu a porta e estivemos um pouco à conversa."
"Estiveram juntos?" – ela perguntou admirada. "Mas de onde conhece o Kenshin?" – a pergunta dela parecia idiota. A Kaoru sabia que o Katsura era o ex-lider dos Inshin e que o Kenshin era um dos principais membros… neste caso assassinos… por isso seria normal que se conhecessem. O que ela queria saber era: Quão bem eles se conheciam.
"O Kenshin era o meu guarda-costas pessoal. Se não fosse por ele eu não estaria aqui a falar contigo." – Na sua mente apareceram algumas imagens de um jovem com quinze anos que tinha a ilusão de salvar o mundo. "Ele foi praticamente o meu braço direito."
"O mundo é mesmo pequeno." – A Kaoru suspirou.
"É verdade…" – ele olhou-a de uma forma terna – "Mais uma pessoa que me pode contar coisas acerca de ti." – A Kaoru erubesceu: "Não precisas de perguntar a ninguém a não ser a mim." – ele riu-se porque já era hábito cada vez que ele tentava fazer com que a conversa girasse em torno dela, a Kaoru ficava embaraçada. " Mas conta-me como conheces-te o Himura?" A Kaoru suspirou e abriu um sorriso. "Bem… assim como tu não estarias aqui se o Kenshin não estivesse do teu lado há quinze anos atrás, o meu dojo não estaria de pé se ele não me tivesse ajudado a limpar o nome da minha família…." – ela prosseguiu a contar-lhe toda a história com o Gohei e em como o Kenshin a tinha ajudado, como tinham conhecido o Yahiko e o Sano bem como muitas pessoas que agora faziam parte da vida deles.
No final de toda a conversa o Katsura concluiu: "Porque não o convences a aceitar um cargo no governo? Este país ainda precisa tanto dele..."
"Ele nunca aceitaria Katsura." – a Kaoru disse de imediato – "O Kenshin já lutou demasiado por este país, não lhe peças para lutar mais."
Ele olhou-a nos olhos e percebeu que ela conhecia bem o ruivo, tão bem como ele ou até mesmo melhor. Por isso não a contrariou: "Posso contar convosco amanhã?"
A Kaoru sorriu: "Sim."
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O Kenshin ficou parado ao longe sentado atrás de um tronco. Já fazia mais de duas horas desde que ela tinha entrado. Ele sabia que o Katsura era um homem de longas conversas, muito filósofo… Mas era estranho que ela não tivesse tido sequer meia hora para passar com os amigos, mas ter desperdiçado tanto tempo com alguém que lhe era estranho.
Talvez ele não lhe seja tão estranho assim…
Ele tentou afastar a ideia da sua mente... Mas era dificol não pensar: O seu ex-patrão era rico, apesar de ser mais velho que ele tinha figura, mas pior de tudo, tinha uma característica que poderia facilmente conquistar a Kaoru – Era um idealista – Daí ter um importante papel na história do Japão.
O ruivo ouviu vozes mais perto e percebeu que ela estava a aproximar-se do portão.
Finalmente.
Ele decidiu que se aparecesse de imediato ela ia perceber que a tinha estado a seguir. A casa do Katsura era um pouco isolada, por isso ele apressou-se a chegar a bifurcação que vinha da cidade.
Avistou-a a vir ao longe pensativa com a "prenda" do Yahiko na mão. O Kenshin suspirou… Antes se a visse na rua ia ter com ela com naturalidade, mas agora, as coisas estavam estranhas.
Mesmo antes de se aproximar, a Kaoru já o tinha visto, e o ruivo aproximou-se com um sorriso.
"Olá Kaoru." – o Kenshin notou pela postura que ela ficou constrangida, ao contrário dantes, não havia mais aquele sorriso acolhedor e aquele olhar quente… "Ken..shin." – ela disse.
"Eu vim dar uma volta, rever algumas caras conhecidas…" – ele fingiu um encontro acidental.
"Claro… Eu, vim buscar uma encomenda." – ela olhou para as mãos – "Bem, mas tu já deves saber o que é, visto que já te tinhas encontrado com o Katsura antes." – ela conseguiu um tema de conversa que não a envolvesse.
"Sim. Fiquei surpreso de conheceres o Katsura, Kaoru." – ele concluiu.
"Vais para o dojo ou vais continuar com a tua viajem de reconhecimento?" – Quanto mais depressa chegassem ao dojo menos tempo estavam sozinhos.
"Vou para onde fores." – a resposta foi curta mas teve o efeito que ele queria. A Kaoru disfarçou e começaram a andar de volta para o dojo.
"O Katsura falou-me como se conheceram." – ela olhava em frente, mas sabia que o Kenshin estava a olhar para ela. "Ele disse que eras o homem de confiança dele, certo?" – Daí ela voltou a cabeça para olhar para ele e percebeu que de repente ele tinha ficado nostálgico.
"Sim. Eu tinha quinze anos quando nos conhecemos. Os ideais do senhor Katsura conquistaram-me. Mas ele sempre foi muito honesto, ele sempre me avisou que para conseguir chegar a uma nova era, eu teria de matar." – o Kenshin ficou em silêncio perdido em pensamentos por um pouco.
A Kaoru perguntou-se se aquela conversa estaria a trazer-lhe mas recordações, e arrependeu-se de imediato por ter tocado naquele assunto. Mas depois o ruivo acabou por responder: "Eu era um homem muito diferente nessa altura."
"Eu sei." – ela respondeu – "Kenshin, o Katsura convidou-nos a todos para jantar lá amanhã. Não tens nenhum problema com isso, pois não?"
Eles pararam de andar porque ele ficou a olhar para ela de uma forma estranha: "Estás a pedir-me permissão?"
"Não! É claro que não!" – ela gesticulou um pouco furiosa por ele pensar que por algum motivo depois de tudo o que tinha acontecido ele ainda podia achar que ela lhe tinha de pedir permissão. "Só que como ficas-te tão nostálgico de repente, pensei que pudesses não querer ir, é só isso!"
"Não queres que eu vá, é isso?" – ele olhou fundo nos olhos dela e a Kaoru abanou a cabeça: "Não é isso. Só não quero que te sintas mal." – ela suspirou – "Ouve Kenshin, o Katsura convidou-me a mim e aos meus amigos. E tu és meu amigo, é claro que se não houver problema para ti eu prefiro que vás connosco." – ela concluiu já cansada de toda a argumentação. Ele sorriu e continuaram a andar.
Ela não saberia o que dizer e o silencio estava a tornar-se desconfortável quando ele o quebrou:"Quero felicitar-te por teres ganho."
Osorriso dela abriu-se verdadeiramente desde a primeira vez que a tinha reencontrado.
Para ela tambem tinha sido uma vitória e tanto, ainda por cima com toda a gente a dizer que eles eram como peixes miúdos num aquário de tubarões :"Sim… E foi tão bom para o dojo!" – ela olhou para ele com um brilho nos olhos: "Nem imaginas a quantidade de inscrições que nós temos!"
Ele riu-se contagiado com a alegria dela. "Vais precisar de ajuda para tomar conta do dojo." A jovem desvalorizou: "O treino do Yahiko está no fim. Este… presente significa que, breve, isso passa a ser responsabilidade dele."
O Kenshin parou de andar e ficou a olhá-la: "Da maneira que falas até parece que vais deixar o dojo!" - ele colocou-lhe a mão no ombro e fê-la olhar para ele. "Diz-me que não estás a pensar nisso?!"
A Kaoru suspirou. Já tinha pensado muito naquilo, principalmente na altura em que ele foi embora, e depois quando esteve quinze dias fora com a Misao... sentiu que ainda havia muitas coisas que queria fazer, mas, como responsável do dojo não podia sair assim: "Eu gosto muito daquilo que faço, mas não pretendo ser instrutora de kendo para sempre Kenshin. O Yahiko está quase pronto para tomar conta do dojo… Assim que isso acontecer eu começo a procurar outro tipo de objetivos para a minha vida."
As sobrancelhas dele uniram-se: "Que tipo de objetivos?" O que é que estás a querer dizer? Vais sair do dojo? Da tua casa? Da casa do teu pai?
Aquele assunto estava a ponto de a irritar. Ela não queria falar daquilo... Especialmente com ele, depois de tudo o que se passou entre os dois. "Ter família, filhos… Viajar… não sei… tanta coisa."- Respondeu
Ele ficou incrédulo e a voz dele denotou isso: "Tu não pensavas assim antes!"
"Eu sempre quis ter uma família." – ela respondeu lembrando-se da conversa que eles tinham tido há uns meses atrás.
O Kenshin não estava a entender o porquê daquela mudança súbita e nunca antes se sentiu tão enervado com ela: "Sim, mas tu já tens uma família!" - ele falou um pouco mais alto do que o normal, mas arrependeu-se de imediato quando ouviu as palavras dela.
"Eventualmente todos acabam por seguir os seus caminhos… Foste tu que me disseste isso Kenshin…" – A voz dela enrouqueceu e o ruivo deu um passo atrás e baixou a cabeça incapaz de a olhar nos olhos enquanto ela continuava: "E eu constatei que é a mais pura das verdades… " – ela disse pensando nele e no caminho que ele levou.
Será que esta súbita vontade de ter família tem alguma coisa haver com o Katsura? – ele perguntou-se mentalmente.
"Vamos já está a ficar tarde." – ela começou a caminhar de novo e ele seguiu-a. "Como está a tua vida em Otsu? Tens algum trabalho?"– a Kaoru pergunta, apesar de saber que essa pergunta vai incluir a Tomoe, ela decide que é melhor começar já a doer do que andar a adiar o sofrimento…
"Eu tenho uma horta que praticamente me dá o sustento." – ele respondeu ainda meio atordoado com as coisas que ela tinha dito antes. Não lhe passou despercebido que ele falou no singular, por isso ela decidiu ir mais longe: "E a Tomoe, como está?"
O Kenshin fica admirado com a facilidade como ela fez a pergunta, será que ela já estava completamente desligada dele? Não foi isso que o Sano lhe deu a entender no dia em que chegou: "Ela está com o irmão."
"Kenshin, eu não me ia importar se ela tivesse vindo contigo! Para a próxima podes trazê-la."
Não era verdade. Ela sabia que se ele a trouxesse ia ser um suplicio vê-los juntos, mas, a Kaoru tinha de lhe dar a entender que já tinha posto o passado atrás das costas. Se ao menos ele acreditasse nisso tudo seria mais simples.
O ruivo fica ainda mais admirado. Mas decide não comentar. O resto da viajem foi feita em silêncio.
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Assim que chegam ao dojo o Sano está a sair, bem como o Yahiko que lhe entrega uma lista das pessoas que se inscreveram durante aquela manhã. A Kaoru olha para os papéis satisfeita…
"Amanhã à noite vamos jantar em casa do Katsura, e eu quero que vocês venham comigo." – ela apontou para os três homens. E, apesar do ar de desconforto do Sano ele acabou por acenar… Afinal de contas, não era dele recusar comida de graça.
Ainda por cima, na casa de um tipo o rico… o sakê deve ser ainda melhor… ele pensou mas recusou-se a admitir.
O Yahiko olhou para a instrutora e depois para o ruivo: "Eu tenho de ir trabalhar. Ficas bem?" O Kenshin percebeu o que ele quis dizer – estava preocupado por ela ficar a sós com ele – mas a Kaoru desvalorizou acenando com a cabeça.
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Assim que entraram no dojo e o Kenshin avisou que ia fazer o jantar, ela apressou-se a ir para o quarto. Aqueles sentimentos todos, aquela sensação de dejá-vú…
Eram tortura.
A Kaoru tinha tentado fugir dele. Indo direta buscar a encomenda do Katsura, ela sabia que ia perder boa parte da tarde lá... Mas esqueceu-se de que o Yahiko tinha de ir trabalhar, e o Sano… bem ela não podia acorrentar o Sano ao dojo. E eventualmente tinha acabado por ficar a sós com o Kenshin.
Ela tinha feito de tudo para aguentar aquele nó que apertava a sua garganta quando estava com ele. Era a voz, o cheiro a presença dele causavam-lhe falta de ar... Apesar disso, ela tinha mascarado bem o que sentia.
Mas quando entrou no quarto, soltou o cabelo e abriu a gaveta para guardar a fita deparou-se com algo que durante todo este tempo ela tinha evitado. As suas mãos trémulas pegaram no papel e viraram-no para cima – era a fotografia do dia em que ele a pediu em casamento. Durante seis meses ela escondeu aquela foto de si mesma, porque tinha medo que ao vê-lo perdesse tudo aquilo que tinha conseguido…
Mas agora ele estava ali em carne e osso, e por mais forte que aparentasse ser, por dentro ela estava a desfazer-se em pedaços….
Ela observou o rosto sorridente dele na fotografia e foi invadida por um misto de saudades, saudades das conversas acerca do futuro, saudades dos beijos dele… do calor do seu corpo... da promessa que fez de nunca a deixar só.
Quando se deu conta, já as lágrimas lhe escorriam pelo rosto.
As mãos posicionaram-se para rasgar o papel fotográfico.
Rasgar aquele pedaço de papel era como se estivesse a dizer que aquele dia nunca tinha existido – e, por mais pronta que a sua mente estivesse… o coração sangrava e palpitava mais forte só de pensar nisso.
A Kaoru pousou a mão sobre o peito.
Permite-te ficar com algumas recordações… ela guardou de novo o papel na gaveta - Até chegar a tua nova vida.
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Aiiii... Foi curto, mas espero que gostem...
As coisas correram um pouco lentas entre eles.
A Kaoru está a tentar fazer-se de forte... Já o ruivo está disposto a tudo... Ele até Vai exceder um pouco os limites no próximo capitulo... Vamos ver se a Kaoru se aguenta.
O que acham do Katsura? É um bom par para ela? Eu escolhi-o porque acho que o Kenshin se vai sentir um tanto ou quanto inferiorizado numa competição com ele... Porque o respeita e principalmente porque sabe que ele poderia fazer a Kaoru feliz...
Bem... Mas já chega de falatório. Prometo que não vou demorar um ano a publicar o próximo capitulo! Talvez dentro de uma duas semanas já consiga. Afinal de contas já está quase escrito.
Beijinhos e PF COMENTEM!
