Capitulo 5 – Rejeição
Depois de algum tempo sozinha no quarto, ela sentiu o ruivo aproximar-se da porta: "Kaoru-dono, eu já aqueci a água para o teu banho."
Ela ficou em silêncio por um tempo. Mas eu não pedi nada. Já não estava habituada a que lhe fizessem as coisas, com o Sano e o Yahiko ela tinha de cortar a lenha sozinha.
"Kaoru-dono?"
Ela levantou-se e abriu a porta: "Arigato Kenshin, eu já vou." – o ruivo sorriu e foi para a cozinha.
Um banho antes do jantar vai saber bem…
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Uma vez no banho a Kaoru fechou os olhos e deixou que a água quente a fizesse relaxar. A viagem de comboio era desconfortável, o tempo estava quente o que tornava as coisas ainda piores. Enquanto ainda de viagem, tinha planeado chegar a casa, tomar um banho, vestir uma roupa mais bonita e sair para se encontrar com o Katsura. Mas quando chegou e o viu…. Mudou tudo.
Ela queria afastá-lo mas ao mesmo tempo permitiu que ele ficasse. Deixou que ele destruísse as barreiras que ela achava que tinha conseguido levantar.
Não! Não Kaoru! Tu vais ser forte, tu vais agir como a mulher que és e vais mostrar-lhe que não sentes nada por ele.
Ela deitou a cabeça para trás e pousou os braços na lateral da banheira. Ali, sozinha, despedida de qualquer máscara que tinha sido forçada a usar em frente a ele, a Kaoru já não precisava de mentir.
A quem é que queres enganar? O teu coração bateu desenfreado quando o viu no dojo, a tua boca ficou seca quando ele te pediu para ficar, e os teus joelhos tremeram quando ele apareceu no caminho para casa! A Kaoru deu um murro na água irritada com a forma como a sua consciência teimava em lembrar-lhe uma verdade inegável – Ele não me é indiferente.
Mas uma outra verdade inegável é que ele é casado. – O rosto da Tomoe apareceu-lhe na mente e de imediato um enorme sentimento de culpa apoderou-se dela – Eu não o posso amar… Eu não o quero amar!
Mas que tipo de mulher casada deixa o marido andar por aí sozinho?
E quanto tempo é que ele estará a pensar ficar? Seria falta de educação perguntar-lhe?
Porquê que ele voltou? Tinha saudades dos amigos?
Ficou a saber que o dojo tinha ganho e quis vir felicitar-nos?
Certamente não foi pelas tarefas domésticas que ele voltou!
A Kaoru abanou a cabeça para tentar parar de pensar em possibilidades e perguntas. Ela deveria estar a relaxar não a pensar em coisas que a deixavam ainda mais estafada.
Katsura.
Sim o Katsura. A Kaoru estava apercebida do carinho que o ex-lider dos Ishin nutria por ela. A forma como ele tentava sempre fazer com que a conversa girasse em volta dela, das suas necessidades, dos seus sentimentos, desejos… Ele era sempre muito cavalheiro e bom ouvinte.
Ás vezes, quando ele falava e explicava os seus planos, as suas visões para o Japão a Kaoru sentia-se a sorrir como uma criança, e a desejar estar ao lado dele a vivenciar tudo aquilo que ele prometia fazer… Sonhar – é essa a palavra que descrevia o que o Katsura fazia com que ela sentisse. Ele fazia-a sonhar acordada com as ideias dele. E a Kaoru sentia-se feliz por ter tido a oportunidade de conhecer alguém como ele – Um Rei, um cavalheiro um gentleman que a fazia sentir-se nas nuvens.
Em tempos passados, ela teria usado palavras semelhantes para descrever o Kenshin, mas agora… Ela sentia que ele era mais do género… do ladrão que entrou na história na qual já não era personagem e lhe roubava o chão. E como se virar todo o seu mundo ao contrário não bastasse o bandido ainda conseguia roubar-lhe o coração.
Rrrrrr! Estou outra vez a pensar nele!
A Kaoru levantou-se repentinamente da água e enroscou-se na toalha. O Kenshin é das pessoas mais corretas que eu conheço.- passou a mão no espelho e limpou o ressoado - Ele nunca olharia para mim sendo casado. – Olhou para o seu reflexo no espelho, a cara rosada do calor e o cabelo comprido que escorria molhando os seus ombros e peito. Por isso é a única pessoa com quem tenho de me preocupar é para aquela que vejo ao espelho.
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Ele gostava de cozinhar. Era uma das formas mais limpa de sujar as mãos. Mas naquele dia em particular estar a cozinhar para ela e só para ela, animava-o ainda mais.
Ela continua a gostar de mim. E essa é a razão pela qual ela tenta ao máximo afastar-se. Porque ainda me ama.
"E a Tomoe, como está?...Kenshin, eu não me ia importar se ela tivesse vindo contigo! Para a próxima podes trazê-la." – ele recordou a conversa que tinham tido e como ficou impressionado com a facilidade com que ela tocou no assunto – Tomoe.
O Kenshin abanou a cabeça – Camuflagem. Ela está a esconder o que sente porque pensa que eu já não sinto o mesmo. E como não quer que eu fique desconfortável… ela disfarça o que ela própria sente.
O ruivo sorriu contente com a conclusão a que tinha chegado. Mas então, onde é que o Katsura entrava naquela história?
O arroz estava quase pronto e a carne também. Foi só quando pegou na taça para levar para a mesa, que reparou que não havia toalha e se lembrou que a tinha tirado de estender no dia anterior e a tinha colocado na marquise.
Foi no caminho para lá que a porta da casa de banho se abriu e ela saiu enrolada numa toalha com o cabelo ainda a pingar. Ele parou bruscamente.
Ela deu alguns passos descontraída, perdida em pensamentos, mas quando o viu: "Huh…" – levou instintivamente aos mãos ao topo da toalha que lhe tapava os seios na tentava de se cobrir mais. "Desculpa, esqueci-me de que estavas aqui." – ela disse vermelha enquanto rapidamente tentou passar por ele para chegar ao quarto.
O Kenshin sentiu-se a arder por dentro ele não estava preparado para aquilo, não estava a contar encontra-la assim, e o efeito foi mais que devastador, sem pensar muito ele voltou-se e em dois passos conseguiu agarrar-lhe no braço.
Quando se sentiu a ser puxada para ele, a Kaoru ficou sem reação, ela só conseguiu ver os olhos dele… dourados, como se estivesse possesso ou qualquer coisa do género. Também não conseguiu reagir quando ele a agarrou pela cintura com uma mão e pelo pescoço com a outra e a beijou.
Pressão. A Kaoru sentia a pressão das mãos dele nas costas e pescoço e dos lábios dele nos dela. E como ela queria contribuir… como ela tinha vontade de abrir os braços e cravar as unhas nas suas costas e enroscar as pernas em volta da cintura dele…. "Não…" – ela disse mas ele estava tão descontrolado que não a ouviu. "Não!" – ela tentou afastá-lo com uma das mãos mas ele parecia não estar lá, era como se alguma coisa tivesse tomado conta dele e o Kenshin controlado que ela conhecia tivesse desaparecido – "Não! Pára!" – ela gritou e empurrou-o para trás.
Só quando sentiu o empurrão dela é que ele se apercebeu de que tinha agido sem pensar. A Kaoru tinha no rosto uma expressão que misturava surpresa com desilusão. E ele sentiu-se mal com tudo. O que é que ele ia dizer? Desculpa, eu descontrolei-me? Não, não. Ele já não podia esconder a verdade, era óbvio demais. Ele fechou os olhos e tentou controlar a respiração enquanto a Kaoru o olhava incrédula: "Eu cometi o maior erro da minha vida ao sair do dojo Kaoru."
Ela engoliu em seco. Ela não o podia ouvir a dizer aquilo. Aquilo era tudo o que ela estava proibida de pensar quanto mais de o ouvir dizer… Não! Não! Não! Ela mesmo também tentou controlar a respiração antes de responder: "Não podes mudar isso. É uma decisão sem retorno." – a voz dela não escondia a tristeza que sentia. Mas ela tinha de ser forte. Se ele não era, então ela tinha de ser.
A Kaoru estava à espera que ele baixasse a cabeça e se fosse embora, mas o ruivo ficou parado a olhar para o chão e a abanar a cabeça como se estivesse a tentar perceber onde tinha errado."Eu não consigo viver lá…" – quando ele começou a falar a Kaoru percebeu a aflição dele - "Eu não a amo… é como se eu nem fosse marido dela…" – a dor a tristeza – "Eu, não consigo tocar-lhe…" – a vergonha.
Ele estava aflito, nervoso, como nunca antes ela o tinha visto.
Pena?
A Kaoru não sabia se foi isso que sentiu, mas o que quer que tenha sentido motivou-a a aproximar-se dele e pousar-lhe uma mão no ombro: "Kenshin, pára, pf." – O desejo tinha passado, a rejeição dela magoou-o o suficiente para isso acontecer. E ele só conseguia olhá-la nos olhos enquanto falava: "Não me podes contar essas coisas. Não a mim." – a Kaoru tinha lágrimas prestes a escorrer-lhe cara abaixo, e talvez para as aguentar ela ficou em silêncio por um pouco antes de recomeçar: "Tu és meu amigo e podes falar de tudo comigo, menos de assuntos que digam respeito à tua mulher."
Ela suspirou e afastou-se.
O ruivo suspira ao perceber que ao contrário dele, ela está a conseguir lidar com a situação. "É por causa do Katsura? É por causa dele que me estás a rejeitar?"
A Kaoru parou de andar voltou-se para ele, desta vez com uma expressão nada satisfeita estampada no rosto e fez todo o caminho de volta: "Não! É porque TU é que me rejeitaste Kenshin."
"Perdoa-me." – Ele agarrou na mão que ela usou para apontar para ele.
Não Kenshin, não, não sejas vitima não faças isto comigo…
"Não há nada para perdoar. Tomas-te uma decisão e não tens que pedir desculpa por ela." – ela soltou a mão da dele.
Ele abanou com a cabeça: "Eu tomei a decisão errada."
"Agora é tarde."- a Kaoru começou a afastar-se de novo, mas mais uma vez Ele agarra-a pelos braços e fixa o olhar nela com os rostos a meros centímetros de distância um do outro.
Não digas o que eu estou a pensar que vais dizer, por favor.
A Kaoru sentiu que toda a estrutura que tinha construído estava a ir-se abaixo quando os olhos lavanda se cruzaram com o azul escuro dos dela: "Se me disseres nos olhos que não me amas, eu vou me já embora."
Diz-lhe! Diz-lhe! Se lhe mentires ele vai se embora… é o mais fácil é o mais correto a fazer!
A Kaoru cerrou os olhos. Não conseguia dizer-lhe aquilo a olhá-lo nos olhos e nem se apercebeu que ele sorria.
Só quando sentiu a pressão desaparecer dos seus braços é que ela o viu a dar um passo atrás: "Desculpa, eu não consigo ter esta conversa contigo assim tão pouco… vestida."
A Kaoru abanou a cabeça e virou costas. Mas aquele fogo, aquela revolta apoderaram-se dela e voltou a encará-lo."Tu não podes voltar a minha vida do avesso desta forma! Tu não podes entrar e sair da minha vida quando queres! Isso não é justo! Mas afinal o que queres de mim?" ela bateu com as mãos no peito e por segundos o Ruivo pensou que a toalha fosse cair.
Mas as palavras seguintes dela foram sérias e por trás de toda a raiva ele pode distinguir a dor e o orgulho ferido:"Que papel é que eu posso ter na tua vida? O de amante? Tu ficas fora seis meses e depois vens passar uma semana ou duas aqui e esperas que eu esteja disponível? Estar a ser muito egoísta, não achas?"
O Kenshin abriu a boca assoberbado com a atitude explosiva dela.
Perante a falta de resposta a Kaoru chutou: "Nem penses Kenshin, eu mereço muito melhor." – e andou a passos largos para o quarto.
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Olá! Ninguém comentou o ultimo capitulo, não sei se e por ninguém ler ou por terem medo que eu va demorar.
No entanto, se alguém leu este capitulo, espero que goste.
Ate já.
Jouchan
