Olá!

Obrigada Soffy, Mara e Guest que deixaram reviews no capitulo passado.

Desculpem a demora. O capitulo era para ser mais longo um pouco, mas, não quis que passasse deste final de semana por isso decidi publicar mesmo assim.

Espero que gostem.

Capitulo 6 – A Fingir

Enquanto caminhava para fora do quarto e pensava que ia ficar de novo cara a cara com ele a Kaoru sentia a barriga às voltas. Que nervos! Não sabia como havia de reagir, depois do que tinha acontecido, mas, assim que entrou na sala de jantar e ele não se apercebeu da sua presença, a Kaoru entendeu que ele estava completamente perdido em pensamentos.

Haviam algumas diferenças entre o homem que tinha partido há seis meses atrás, e o que agora estava à sua frente. Além das visíveis a nível físico, o estar mais magro, o Cabelo mais curto, o uso do quimono azul em vez do habitual rosa… Magenta Kaoru, Magenta! Ela não podia deixar de sentir que o sorriso dele escondia mais segredos do que o habitual.

Antes ela tinha prometido a si mesma que um dia iria conseguir arrancar-lhe um sorriso verdadeiro, um que viesse mesmo do coração. Porque sabia que mesmo quando ele sorria havia uma carga, um peso que ele carregava e que nunca o deixava ser verdadeiramente feliz… Mas agora, havia algo mais…

Por mais irritada que estivesse com o que ele fez há minutos, não conseguia deixar de se sentir triste ao vê-lo naquele estado. Kenshin… o que se passa contigo?

Muitas coisas lhe passaram pela cabeça. A convivência com o Enishi não devia ser fácil. O ódio que sentia pelo Kenshin não era segredo nenhum… E se ele não o tinha escondido nem perante a irmã, provavelmente sempre que se encontravam o cunhado não tinha problemas em acusá-lo de tudo e mais alguma coisa. E o Kenshin, sendo educado, provavelmente não respondia… engolia tudo para dentro, sem ter ninguém com quem desabafar, ninguém que entendesse o lado dele.

Ou então, ainda havia a hipótese de ter reencontrado ex-inimigos em Otsu, pessoas que sabiam quem ele era e não o aceitavam como o novo homem que ele se tinha tornado.

Oh Kenshin… Ela suspirou quando todas essas hipóteses encheram a sua mente. Ela não aguentava vê-lo triste. Tu vais sorrir… Pelo menos no tempo em que estiveres aqui… tu vais sorrir.

Ela não sabia o que era aquele sentimento que se apoderou dela. Proteção? Instinto? Aquele nó no peito só de pensar nele a definhar tão longe dos amigos… Carinho… Sim, era isso. Carinho, sem qualquer tipo de segundas intenções.

Foi aí que ela decidiu. A hipótese de serem um casal estava-lhe completamente vedada, mas, ela nunca deixaria de ser amiga dele. Por isso, enquanto ele ali estivesse ela ia fazer de tudo para que ele se sentisse feliz.

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Ele já tinha feito o jantar e ate já tinha posto tudo na mesa, mas, depois de tudo o que tinha acontecido, ele sentiu-se a parar no tempo. Mais precisamente no momento em que ela se voltou para trás e chutou com toda a raiva tudo o que sentia em relação ao que tinha acontecido entre eles.

"Tu não podes voltar a minha vida do avesso desta forma! Tu não podes entrar e sair da minha vida quando queres!" – a voz dela tinha fúria mas tremia de emoção e nervosismo. " Isso não é justo! Mas afinal o que queres de mim? Que papel é que eu posso ter na tua vida? O de amante?" Quando ele a ouviu a dizer aquela palavra sentiu que lhe tinha caído tudo. Ele nunca pensou nela daquela forma, nunca dessa forma menos digna. Mas, a verdade é que por mais que ele tentasse lutar contra essa ideia… o que é que ele lhe podia oferecer? Fugir com ela para bem longe dali… era esse o plano mirabolante que tinha passado na sua cabeça quando ouviu o que o Enishi disse acerca dos pretendentes que se afilavam à porta do dojo… Mas… não passava disso mesmo, um plano sem pés nem cabeça e que ele sabia que nunca iria para a frente. Mas mesmo assim ele tinha voltado…

Tu ficas fora seis meses e depois vens passar uma semana ou duas aqui e esperas que eu esteja disponível? Estar a ser muito egoísta, não achas?"…

Egoísta… Sim às vezes o amor conseguia ser egoísta.

Quando se voltou para trás e a viu a olhar para ele apenas a alguns passos de distância quase que engoliu a seco. Há quanto tempo estaria ela ali? E como é que ele não a sentiu entrar?

Foi ainda surpreso que o ruivo a viu desencostar-se da porta e caminhar para mais perto dele. Ela tinha aquele sentimento no olhar… ele não sabia bem descrever, mas era como se ela conseguia absorver o que ele sentia… "Desculpa eu não devia ter gritado contigo daquela forma."

Ele abriu a boca para responder mas as palavras não saíram. Como é que ela lhe podia estar a pedir desculpa por algo que ela não tinha culpa?

Ele está magoado com o que eu disse… ela concluiu face à não resposta dele: "Eu não quis de forma alguma dizer que não te queria aqui."

O Kenshin abanou a cabeça e levantou as mãos a pedir-lhe que parasse. Ele não aguentava que ela se culpasse por tudo quando não tinha culpa de nada, só o fazia sentir-se ainda pior. Mas a Kaoru continuou mesmo quando as mãos dele seguraram as dela e lhe pediram que parasse de falar: "Ouve Kenshin" – ela respirou fundo e olhou-o nos olhos: "Tu vais ser sempre bem-vindo nesta casa, afinal de contas, tu fazes parte da nossa família."

Ele deixou escapar o ar que retinha no peito sem saber.

A Kaoru continuou: "O que aconteceu há seis meses atrás…" – ela desviou o olhar dele por momentos mas as suas mãos não se soltaram das dele. Não havia explicação para o que tinha sucedido entre eles… Ela recusava-se a acreditar no destino… Tempo e Imprevisto… "Aconteceu." Ela acabou por dizer voltando de novo a atenção para o rosto dele: "E nem eu nem tu podemos fazer mais nada em relação a isso."

Ele tinha as palavras presas na garganta mas não tinha como as dizer. "Tu tens razão. Eu estou a ser egoísta… e nada disto é justo para ti." – Ele fechou os olhos e expirou. Ir embora seria a melhor solução, mas antes que ele pudesse dizer isso, as mãos dele tocaram-lhe no queixo e fizeram com que ele abrisse os olhos e olhasse de novo para si. "Há seis meses atrás eu perdi o homem que amava." – ela constatou. Ainda continuo a amar… Ele abriu a boca para falar, mas ela pousou-lhe o dedo nos lábios e abanou a cabeça, pedindo-lhe que a deixasse continuar. "Kenshin… eu não quero perder também o meu melhor amigo."

Ele não sabia o que sentir. É claro que perder a amizade dela estava fora de questão, mas, isso por si só não era suficienteEle levantou as mãos dela à altura dos seus lábios e beijou-as: "E nunca vais perder, Kaoru." Ela sorriu e uma lágrima escapou-lhe pelo canto do olho, isso foi o suficiente para o Kenshin lhe dar um abraço forte e lhe sussurrar ao ouvido: "Eu sei que já quebrei muitas promessas antes mas a esta eu não vou falhar, prometo."

Por mais que doesse dizer aquilo, por mais que lhe rasgasse o coração só de pensar que caso ela não cedesse, ele teria de confinar aquilo sentia dentro de si para sempre, era pior imaginar que nunca mais a veria.

Ela deu uma pequena gargalhada: "Ainda bem." – ela desenlaçou-se gentilmente do abraço e ficou a olhar para ele com um sorriso: "Sabes porquê?" O Kenshin abanou a cabeça negativamente e ela passou a mão pelo rosto dele. Ia permitir-se aquelas intimidades, afinal de contas não era nada de mal: "Porque já tinha saudades dos teus cozinhados."

O Kenshin riu-se, as suas mãos ainda a segurar a cintura dela: "Então hoje já vamos tratar de resolver esse problema."

"É preciso levar alguma coisa para a mesa?" – ela perguntou com o animo redobrado. Ela sabia o que sentiam um pelo outro, mas permitiu fingir, como fizeram antes de ele se declarar. Afinal uma vida sem ele era bem pior do que uma vida em que não o podia ter.

O ruivo disse que não e guiou-a para a sala de mãos dadas.

Eu aceito o que quer que tenhas para me dar Kaoru… desde que não seja desprezo….

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Na manhã do dia seguinte ela tinha saído para dar aulas bem cedo, e assim que acabaram, ela pensou em passar pelo restaurante. Talvez o Yahiko possa vir comigo para casa. Ela pensou.

Porém, quando entrou no restaurante a Tae informou-a logo: "Se vens a procura do Yahiko, ele já saiu."

A Kaoru suspirou: "Não tem mal."

A jovem de olhos castanhos continuou tapando um dos lados do rosto com as mãos: "Vieste À procura de alguém, no entanto acho que foste achada por outro alguém."

"Ah?" – ela ficou sem entender. Será que ela se estava a referir ao Kenshin estar no dojo? Mas como é que ela sabia?

No entanto ela não ficou muito tempo na escuridão."Kaoru?"

A jovem voltou-se e deu de caras com o Katsura.

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Não foi preciso muita conversa para ele se oferecer a acompanhá-la a casa, e por mais que ela dissesse que não era preciso, ele insistiu: "Não leves a minha insistência como evidência de que eu esteja a menorizar a tua capacidade de te defenderes Kaoru." – ele encolheu os ombros: " É mais para eu não me sentir tão incapaz junto de ti."

Ela riu-se. "Dizes cada coisa." – Começaram a andar de volta para o dojo.

"Sabes eu fico feliz por o país que eu amo, se ter tornado o lar para mulheres fortes como tu." – A Kaoru abanou a cabeça e estava prestes a reclamar do elogio, mas ele não deixou: "Tu mostras-te a todos que eras capaz de tomar conta de ti sozinha e que não precisavas de ninguém a falar por ti… De ninguém para te estar sempre a proteger…"

Ela abanou a cabeça: "É bom saber que alguém reconhece o valor do meu esforço." – olhou diretamente para ele: "Principalmente, alguém como tu. Mas, como todas as outras mulheres, eu também penso em casar e ter filhos… e por mais independente que eu seja…" – uma certa conversa de há seis meses atrás veio-lhe À mente : "A ideia de ter alguém que nos protege é… reconfortante. "

A Kaoru não se apercebeu do sorriso triunfante no rosto do homem ao seu lado. Quando a viu pela primeira vez ele sentiu uma atração fatal por ela. E quando teve hipótese de a conhecer melhor, essa atração transformou-se em carinho e depois em paixão… Mas, a natureza independente dela deixava-o confuso quanto Às ideias que ela poderia ter em relação ao futuro… Mas agora, ele sabia…

"Até mais tarde." – ele lembrou-a quando a deixou em casa. Quando ela acenou e entrou para dentro do dojo, o Katsura já sabia para onde ia.

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"Kenshin?" – a Kaoru chamou mas ele não respondeu.

Desde a noite anterior que o ambiente entre eles estava mais relaxado. Não era que se tivesse esquecido do que ainda sentia por ele, mas, pelo menos já não era tão desconfortável. Fingir… tornava as coisas um pouco mais simples. Pelo menos era o que ela pensava.

Ele deve ter saído para comprar alguma coisa para o almoço.

"Oh!Oh!" – ela reconheceu ao longe a gargalhada da médica seguida pela voz do Sano: "São os rapazes que costumam mandar flores às mulheres e não o contrário. Devias rever esses teus conhecimentos de engate, Yahiko."

A porta do dojo abriu-se e a Kaoru abriu a boca de espanto ao ver a Megumi junto com os dois rapazes, mas nem sequer teve tempo de abrir a boca para falar porque o Yahiko quase que atirou tudo o que tinha em mãos contra o Sano. "Não são minhas, são para a Kaoru!" – o rapaz reclama com um enorme cesto de flores nas mãos.

"Para mim?" – ela aproximou-se do portão e o jovem entregou-lhe as flores.

"De quem são?" – o Sano perguntou enquanto a Kaoru abria o cartão que seguia junto com as flores.

A Megumi soube da separação da Kaoru e do Kenshin pela Misao. E, por mais ciúmes que já tivesse sentido antes por eles, ela não conseguia deixar de se sentir revoltada por os ver separados por uma… morta. "Flores vermelhas… rosas ainda por cima… significam paixão…" – a Megumi disse em tom de sininho.

A Kaoru revirou os olhos sem querer dar valor à insinuação da recém-chegada amiga.

"É do Katsura." – O Sano leu o nome na carta.

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O Kenshin tinha saído de manhã para comprar hortaliças para a semana e vinha carregado com os sacos quando viu o portão do dojo aberto, com todos na entrada junto com a Megumi.

Sentiu-se contente porque era como se tudo tivesse voltado ao normal. Porém quando se aproximou e viu a Kaoru com um cesto enorme de rosas vermelhas nos braços… - Sim, ela literalmente tinha de segurar o cesto com os dois braços de tão grande que era - o Kenshin sentiu um punhal a ser espetado no peito.

"É do Katsura." – ele ouviu o Sano dizer. O sorriso no rosto da Kaoru desvaneceu-se quando percebeu que ele estava ali. E depois todos olharam para ele e ficaram desconfortavelmente calados.

Mesmo assim ele conseguiu colocar a mesma máscara de simpatia que tantas vezes usou e sorriu: "Estou a ver que vamos ter um almoço animado. Eu já vou começar a cozinhar."

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A tarde passou num ápice, e assim que deu por si, já estava na hora de sair para se encontrarem com o Katsura.

O Kenshin sabia que provavelmente aquele jantar ia servir para confirmar alguns dos seus maiores medos. No entanto, se não fosse ia ser ainda pior. Por isso, colocou o melhor sorriso que conseguiu arranjar e saiu da cozinha. Nesse mesmo instante, a Kaoru saiu com a Megumi do quarto e por mais que ele tentasse evitar, não pôde deixar de notar que ela estava diferente. O quimono devia ser novo porque o Kenshin nunca a tinha visto com ele vestido – e sim, ele reparava naquilo que ela vestia, às vezes fazia de conta que não, mas era só para disfarçar – o cabelo comprido estava solto e dava-lhe pela anca, e os lábios tinham um certo realce de cor que não era habitual nela.

Batom? Mas para quem é que ela se preparou assim

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"Obrigada pelas flores." – a Kaoru disse comprometida quando o Katsura se curvou para beijar a mão dela. "As flores não são nada comparadas contigo. Estás lindíssima, Kaoru."

A Megumi teve vontade de chorar a rir com a atitude da amiga. Por um lado estava envergonhada com o gesto do Katsura, por outro lado estava aterrorizada por causa do Kenshin.

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"O Kenshin está aqui para ver os amigos." – a jovem voltou as costas e abriu a porta do armário.

"E as vacas ganharam asas e começaram a voar!"

A Kaoru ignorou o comentário propositadamente, ela não queria discutir aquilo, não com a Megumi.

"Ouve Kaoru, eu sei que nunca fui muito correta contigo e até me sinto mal em ser eu a dizer-te isto porque parece que te estou a tentar influenciar para o mal… mas, és assim tão inocente? "

A Kaoru ainda de costas encolheu os ombros.

"Achas mesmo que aquele homem ali já não te ama? Kaoru, eu vi os olhos dele quando percebeu de quem eram as flores."

Ainda sem se voltar a instrutora de kendo respondeu: "O Kenshin é um homem casado." – depois voltou-se e perguntou com um sorriso que escondia muitos segredos: "Achas que este quimono é apropriado? Eu comprei-o a semana passada."

A Megumi suspirou e olhou para a roupa na mão da amiga. "É lindo Kaoru."

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A médica repensou toda a cena na sua mente. A Kaoru estava a tentar ser correta e a colocar os sentimentos à parte. Por mais que ela gostasse do ruivo e que ele gostasse dela, ambos eram íntegros demais para se deixarem levar pela emoção.

Se fosse outra a Kaoru poderia aproveitar a afeição do Katsura para fazer o Kenshin ter ciúmes…. Mas ela sentia-se desconfortável com a extrema atenção que o ex-lider dos Ishin lhe dava. Pelo que a Misao lhe tinha contado, a Kaoru até simpatizava com ele, talvez então, a razão do desconforto fosse o ruivo…

Tu estás a precisar urgentemente de uma conversa de mulheres Kaoru.

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O jantar correu animado, até mesmo para o Sano, que não gostava muito do Katsura. Rapidamente todos estavam envolvidos na conversa e até mesmo o Kenshin conseguiu relaxar um pouco.

"Eu ainda me lembro de tu teres medo de tirar fotografias!" – o Yahiko apontou para o Sano que fez cara de quem não estava a gostar do rumo da conversa.

"Ele dizia que ia ficar sem alma!" – A Kaoru disse e começaram todos à gargalhada, exceto o próprio Sano: "Eu não confio nessas modernices! Afinal de contas, como é que é possivel que parem um momento no tempo e com um bocado de fumo e um objeto estranho consigam imprimir numa folha uma cópia de nós mesmos?" – ele perguntou em sua defesa – "Cá para mim ninguém me tira da cabeça que um bocado da nossa alma fica presa em cada fotografia que tiramos."

Todos se entreolharam em silêncio por um bocado antes de explodirem a rir de novo:

"E tu por acaso achas que alguém está interessado na tua alma, ó cabeça de galo?!" – a Megumi tapou a boca quase sem aguentar o riso. Como é que um homem daquele tamanho podia ter uma cabeça tão pequena?

Ele barafustou mas não respondeu. Estavam todos a rir-se à custa dele, mas não se importou. Tinha ficado feliz demais quando soube que a Megumi tinha chegado e nada ia destruir a felicidade daquele dia. Podiam gozar com ele a noite toda que não se importava.

"E quanto ao comboio? " – o Yahiko atirou para o ar. O Sano olhou-o de lado. Talvez a relação fotografia-alma fosse infundada, mas o comboio… Isso sim era assustador.

"Eu gosto de manter os pés bem assentes no chão."

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Já era bem tarde quando todos se levantaram para ir embora. A Megumi e a Kaoru demoraram mais porque foram à casa de banho, enquanto os quatro homens ficaram parados à entrada a conversar:

"Obrigada pelo jantar Katsura." – o Kenshin fez um gesto com a cabeça em sinal de agradecimento.

"É estava tudo bom. Acho que até comi demais." – o Yahiko pousou as mãos no estômago.

O Sano sentiu-se forçado a concordar: "É… foi divertido."

Antes que o Katsura pudesse responder, as duas mulheres surgiram no cenário, e o que quer que ele fosse dizer ficou perdido no ar.

"Obrigada pelo jantar." – a Kaoru foi a última a despedir-se. E mais uma vez ele pegou na mão dela e beijou-a. O Sano andou em frente alguns passos com o Yahiko e a Megumi atrás dele. O Kenshin viu-se forçado a segui-los deixando a Kaoru e o Katsura a conversar um pouco mais distantes do resto do grupo.

A uma certa altura o Katsura parou mesmo de andar e segurou na mão dela por algum tempo. O ex-hitokiri sentiu-se a desmoronar por dentro e não conseguiu aguentar olhar mais.

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"Amanhã tens treino logo de manhã?" – o Katsura caminhava ao lado dela com as mãos atrás das costas e com um sorriso no rosto.

A Kaoru abanou a cabeça."Não. Amanhã é o meu dia de descanso." E ainda bem, depois da hora tardia que estavam a sair dali, ter um treino logo de manhã cedo ia ser quase impossível.

"Gostavas de dar um passeio matinal comigo?" – ele convidou.

A jovem olhou para ele e pestanejou.

"Não fiques constrangida." – ele parou de andar e pousou a sua mão na dela – "Só vais se quiseres."

A Kaoru fechou a boca que tinha aberto de espanto. Não lhe podia dizer que não, até porque gostava da companhia dele. Só que depois de tudo o que aconteceu com o Kenshin… ela sentia-se estranha. "Claro que gostava." – ela sorriu.

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Quando ele lhe falou em passeio matinal a Kaoru nunca pensou que as coisas fossem acabar assim.

Depois de um longo passeio pelo rio, o Katsura insistiu que ela tomasse o pequeno-almoço em casa dele. Depois de alguma insistência ela acabou por assentir.

Quando chegaram, a sala onde tinham jantado ontem tinha uma mesa no meio colocada para duas pessoas, com a maior variedade de coisas que a Kaoru alguma vez tinha pensado em tomar ao pequeno-almoço. À medida que comiam uma jovem empregada sorridente, aparecia, retirava os pratos vazios e substituía-os por novos. "Estás a querer que eu engorde?" – a Kaoru perguntou-lhe em tom de brincadeira. O Katsura riu-se pousou os pauzinhos no prato e fez sinal à empregada para sair.

"Eu vivi a maior parte da minha vida em função deste país Kaoru. Durante anos eu coloquei a estabilidade do Japão à frente de tudo e de todos, até mesmo da minha família." – a Kaoru estava habituada a ouvir alguns homens falar assim, afinal de contas, para os samurais a família tinha um lugar muito importante, mas apenas depois da pátria. Tinha sido assim com o seu pai, quando a deixou só para ir lutar uma guerra que não era dele, com o Kenshin quando partiu para lutar com o Shishio, inimigo que não era seu por direito…

" Faz hoje oito anos que eu perdi alguém que me era muito querido." – ele esboçou um leve sorriso: "Quando eu pensei que finalmente poderia dedicar-me mais à minha família, perdia-a. "

"A tua mulher…" – a Kaoru concluiu e ele assentiu. "Eu acho que a morte é a única coisa para a qual nenhum de nós está preparado." – ela acabou por confessar. De inicio ela não se conseguia habituar à ideia de que o pai não ia mais voltar a entrar naquele dojo... Apenas quando o Kenshin e os outros apareceram é que esse vazio que a morte do pai tinha deixado começou a ser preenchido de novo.

"A Sakura era muito especial e quando a ela morreu de uma doença inexplicável eu pensei que nunca mais ia conseguir encher aquele buraco que ficou cá dentro no peito." - ele levantou-se e sentou-se mesmo ao lado dela.

Com uma das mãos tirou algo de dentro da sua roupagem e com a outra segurou na mão dela. "Mas tu sozinha conseguiste preencher a parte de mim que faltava, Kaoru."

O coração da jovem começou a bater desconcertado. Ela viu-o a abrir a pequena caixa aveludada e o diamante no topo do anel de ouro brilhou. Mas o cérebro demorou a associar as imagens ao gesto. Só quando ele formalizou o pedido é que ela sentiu que tinha caído em si:

"Kamyia Kaoru, Concedes-me a tua mão em casamento?"

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Então? Gostaram?

O que acham que a Kaoru vai fazer agora? Vai deixar-se cair nos braços do encantador Katsura?

Por falar em Katsura, acho que tenho que trabalhar mais nele. Não quero que as coisas parecem muito simples, até porque ele é um homem bastante complexo e que sabe o que quer.

A partir daqui, vou esforçar-me mais para descrever melhor as qualidades dele...

Vá lá, deixem a vossa opinião, reviews são sempre bem vindos!

Beijinhos