oLÁ!
Obrigada Kiranamie e .Aguia.
Kiranamie, Mara e Hikari - "Muchas gracias" pelo comentário. Fiquei muito feliz por saber que a minha história é lida em espanhol! Beijos
.Aguia - Não há palavras para descrever o quão contente fiquei em ler o teu review. Espero que gostes do capitulo. E espero ter novidades do Sonho Oriental em breve. Beijos
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Capitulo 7 – Uma Novidade Imprevisivel
Os ouvidos dela tiniram e a pergunta repetiu-se na sua mente vezes sem conta. Apesar de estar ao lado dele, a cabeça estava num lugar no passado longínquo. "Kaoru?" uma voz ao longe chamou. "Kaoru?"
E como se tudo a tivesse atingido ao mesmo tempo, de repente a Kaoru sentiu que tinha sido chamada de novo para a realidade. Olhou para o homem à sua frente sem saber o que dizer.
Ele sorriu e baixou a cabeça: "Eu pensei que já estivesses à espera, mas parece que te apanhei desprevenida." - Bolas! Até naquela situação ele conseguiu ser cavalheiro. Segurou a mão dela e a Kaoru só conseguiu dizer: "Desculpa, eu, eu não estava mesmo à espera." – ela não conseguia sequer olhar diretamente para ele de embaraço.
O Katsura deu uma gargalhada e com a mão esquerda levantou-lhe o queixo. "Não tem mal Kaoru. Afinal de contas não é algo que aconteça todos os dias..."
Ela fixou o olhar nele por momentos. Casar? Toda a gentileza e carinho que ele demonstrava… sim ela sabia que ele tinha uma afeição especial por ela mas nunca tinha pensado que Kogoro Katsura, ex-lider dos Ishin, um dos membros mais importantes do governo Meiji, um dos homens mais ricos, desejados e imponentes do Japão a fosse pedir em casamento.
"Katsura, eu nunca pensei…" – ele pousou dois dedos nos lábios dela. "Shhh… Não precisas decidir agora." – Ele fechou a caixa com o diamante lá dentro e entregou-o nas mãos dela fechando-as em volta do objeto. "Quero que sejas tu a guardá-lo para que cada vez que olhes para ele te lembres do meu pedido." – num gesto que deixou a Kaoru atónita ele baixou a cabeça e beijou-lhe as mãos: "Trata-o bem, lembra-te que levas um pedaço de mim contigo."
Antes que ela pudesse responder um dos empregados entrou de rompante pela sala adentro. "Senhor Katsura!" – ele parou quando viu o patrão de mãos dadas com a jovem do dojo Kamyia.
Ele pediu-a a casamento! Ele concluiu. "Peço desculpa, Eu não…"
Mesmo tendo sido interrompido o Katsura não perdeu a postura: "Fala Atsushi."
O jovem olhou para a Kaoru e depois para o patrão e com um ar comprometido respondeu: "É pedida a sua comparência no edifício central imediatamente."
O Katsura assentiu: "Chama o Hikaru. Eu quero que ele acompanhe a Senhorita Kamyia a casa." – mas antes que o empregado pudesse sair a Kaoru respondeu: "Não." – ela abanou a cabeça: "Eu ainda tenho alguns lugares onde quero ir antes. Obrigada."
Ele fez sinal para o empregado sair e depois voltou-se para ela. O seu humor tinha mudado um pouco, a Kaoru sentiu que ele tinha sido chamado porque haveria algum problema grave a resolver, e ele não tinha vontade de ir: "Eu prometo que vou pensar no teu pedido." – Assegurou. Ele suspirou e tracejou o rosto dela com a palma da mão: "Ficas bem?"
"Sim." – A Kaoru sorriu incerta quanto à garantia que lhe estava a dar.
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"Atsushi!" – a jovem empregada levava uma travessa com comida para a sala quando viu o jovem parado de costas para a porta onde o patrão e a Kaoru estavam. "O que estás aqui a fazer?"
"Não vais precisar de levar mais nada lá dentro porque o Senhor Katsura foi chamado para resolver uns problemas." – ele esticou a mão para tirar um dos camarões que havia na travessa que ela trazia. "Ei! Não abuses isso é para o patrão e para a menina Kaoru."
"Já te disse que eles não vão comer, ele vai ter de sair comigo. É urgente!" – ele respondeu conseguindo finalmente fintar a empregada e comer o que queria.
Ela lançou-lhe um olhar desconfiado: "Mas, se ele tem de sair porquê que ainda está lá dentro?"
O rapaz encolheu os ombros: "Então, está a despedir-se da noiva."
"Da noiva?" - ela quase deixou cair a travessa no chão, mas o Atsushi ajudou-a: "Ai mulher desastrada! Isso é que era desperdiçar comida!"
"Esquece isso, porquê que disseste que a menina Kaoru era noiva do senhor Katsura? Achas que ele a pediu em casamento?" – a empregada perguntou com um brilho de curiosidade no olhar.
"Bem… tu sabes que eu não sou dessas coisas…." – ele tirou outro camarão e molhou-o num dos molhos que iam na travessa: "Mas Sim, eu vi-os de mãos dadas, e ela tinha uma caixa de veludo na mão, e ele estava ajoelhado como se a tivesse acabado de pedir em casamento."
"A Sério? Então faz-me um favor. Segura nisto!" – ela passou-lhe a travessa para as mãos e começou a retirar o avental.
"Onde vais?" – ele perguntou ainda a olhar para a travessa e para ela.
"Conheço uma pessoa que vai ficar muito feliz com a novidade." – Ela deu um suspiro e o Atsushi quase que jurou que viu estrelas nos olhos dela: "Aiii… mais um casamento para organizar…" – ela começou a correr deixando-o para trás: "Ei! Ayumi!" – ele chamou mas ela fez ouvidos de mercador.
O Atsushi olhou para a travessa na mão e ficou pensativo. Mulheres…
"O que é que estás a fazer com isso na mão?" – o Katsura apareceu por trás dele.
"A Ayumi teve de sair senhor e pediu-me para segurar nisto…" – ele respondeu embaraçado.
"Pousa isso lá dentro e explica-me o que se passou." – o rosto do Katsura era sério, ele sabia que não ia ser chamado do nada.
"O senhor Yamagata não me deu nenhum recado, ele disse que queria falar consigo pessoalmente." – o Atsushi disse enquanto pousava a travessa no chão da sala junto das outras: "A Senhorita Kaoru já partiu, senhor?" ele olhou em volta.
"Sim, ela saiu pela porta da frente." O Katsura respondeu mas a cabeça já estava noutro lado.
O Jovem aproximou-se: "Não seria melhor ela ter levado companhia?"
"Sim, seria." – o patrão respondeu com a mão a coçar o queixo. O empregado ficou a olhar para ele como se estivesse à espera que ele completasse a frase.
O Katsura piscou os olhos várias vezes: "O que foi?"
"Em relação à menina Kaoru… Senhor quer que vá atrás dela?" – O Atsushi ofereceu-se, mas o patrão só deu uma gargalhada: "Não, não. A Kaoru é mesmo assim, se ela diz que não quer é porque não quer. Se eu te mandasse atrás dela o mais certo era ficar irritada comigo!" – pousou-lhe a mão no ombro: "Agora vamos. Temos assuntos importantes a resolver."
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A Kaoru caminhou de volta para casa com um sentimento estranho preso no peito. Não era dor nem arrependimento... Era estranho, desconfortável e ao mesmo tempo que era invadida por lembranças não do pedido de casamento do Katsura mas de um outro… Um que ela aceitou prontamente.
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"Eu tenho uma coisa para ti em casa…" – A Kaoru olhou para o sítio de onde ele tinha arrancado a flor e com os olhos fez o trajeto como se o Kenshin estivesse à sua frente e o dia de há seis meses atrás se estivesse a repetir… "Mas… acabei por me esquecer de o trazer…por isso, vou ter de improvisar." – a Kaoru ouviu de novo a certeza mas ao mesmo tempo o medo na voz dele, a ansiedade no olhar do homem a quem ela amava, à medida que as palavras lhe saíam da boca. – "Kamyia Kaoru, Aceitas Casar com este humilde vagabundo?"
A Kaoru fechou os olhos na última parte e absorveu a informação. Aquelas palavras estavam gravadas na sua mente como se tivessem sido ditas naquele mesmo dia. Sentou-se na relva pensativa.
A verdade é que eu aceitei prontamente o pedido do Kenshin… Era impossível não fazer comparações entre situações.
Depois do ruivo a ter beijado e pedido em casamento o caminho que fizeram juntos para casa foi inundado de felicidade e gestos carinhosos entre os dois. Havia uma expectativa boa no ar, e eles conversaram sobre o futuro… Mas agora após o pedido de casamento do Katsura, o mesmo caminho era feito a passos pesados e cheios de dúvida.
Eu nunca cheguei a saber o que é que o Kenshin tinha em casa para me dar…
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O Kenshin estava fisicamente exausto. Quatro pessoas a morarem no dojo significava muita roupa para lavar. Tinha os dedos quase dormentes de tanto esfregar a roupa com sabão na tábua, mas ao menos assim conseguia abstrair a cabeça de outro tipo de pensamentos.
Ele sabia que ela tinha saído cedo para se encontrar com o Katsura, nem sequer tomou o pequeno-almoço que tinha feito, provavelmente para tomar com ele. E por mais que soubesse que não tinha o direito de se sentir magoado com por causa disso, havia sempre uma pontinha de dor cada vez que a Kaoru se referia ao seu ex-patrão.
O Kenshin espreguiçou-se. Estava todo dorido por estar baixado tanto tempo. As mãos pingavam com água e sabão. Ao menos já não é sangue. Ele sorriu satisfeito com a mudança.
Há mais de dez anos atrás passava a vida a lavar as mãos mas o cheiro do sangue insistia em não sair. Agora, as suas mãos estavam limpas e o único cheiro era o do sabão…
Ele endireitou-se ao ouvir a porta traseira do dojo a abrir. Sabia que era ela, mas, porque razão é que a Kaoru não entrou pela porta principal?
O ruivo caminhou ao encontro dela que parecia estar ainda fora de órbita. A jovem fechou a pequena porta atrás de si e encostou-se, ainda sem o ver.
Ele apressou o passo, a Kaoru não parecia estar bem. Ela está estranha. "Kaoru?" – pousou-lhe a mão no ombro gesto que pareceu acordá-la.
A Kaoru ficou parada a olhá-lo por momentos. Eu tenho de te contar… Só quando sentiu o ombro a ficar molhado é que ela estremeceu.
"Oh! Desculpa!" – ele tinha acabado de lhe molhar o quimono sem querer. – "Eu estive a lavar a roupa e esqueci-me de que tinha as mãos molhadas."
A Kaoru suspirou e tentou esboçar um sorriso mas falhou: "Não tem mal." Ela deu dois passos em frente deixando o samurai para trás: "Obrigada por lavares a roupa."
Ele não caiu nessa. "Kaoru o que se passa?"
Ainda de costas ela respirou fundo. Como se estivesse a ganhar coragem para contar algo e depois voltou-se e ficou frente a frente com ele.
O Kenshin não gostou daquele olhar. Triste. Era como se ela se sentisse aprisionada sem saber o que fazer. "Diz-me o que se passa, pf." – ele teve um pressentimento de que não ia gostar do que vinha a seguir mas mesmo assim perguntou.
A Kaoru respirou fundo outra vez. "Kenshin eu tenho uma coisa para te contar."
Ele ficou calado à espera enquanto ela tentava organizar a forma como ia dizer as coisas.
"Hoje de manhã…" – ela começou mas sem conseguir olhá-lo nos olhos: "O Katsura…"
"Kaoruuuu?" - A Kaoru deu um salto quando ouviu o seu nome.
O Kenshin quase que praguejou quando percebeu que a Tae tinha acabado de interromper a conversa deles.
A dona do restaurante entrou pelo dojo adentro e dirigiu-se à Kaoru sem perceber que ele estava também ali. O ruivo começou a afastar-se lentamente. O que quer que fosse que a Kaoru tinha para lhe dizer era particular. Eles iam ter tempo para falar depois. Mas, foi aí que os ouvidos dele captaram algo que o impediram de avançar para mais longe.
"Parabéns! Já soube das novidades!" – ela pegou nas mãos da instrutora de Kendo que parecia estar tão surpreendida e atónita quanto ele – "Oh! Vá-lá Kaoru! Não te faças de incompreendida! Eu sei que o Katsura te pediu em casamento hoje de manhã!"
A noticia caiu como uma bomba no meio dos dois. A Kaoru olhou de imediato para o ruivo sem conseguir esconder o desagrado por ele ter descoberto as coisas assim. Ele tinha sido apanhado desprevenido, incapaz de disfarçar com o habitual sorriso o Kenshin sentiu a boca a abrir-se de espanto e os pés pesados demais para se conseguir mexer. Ele não queria ouvir aquilo, mas ao mesmo tempo, ele tinha de ouvir aquilo.
Ao perceber que não era a única ali a Tae voltou-se e soltou um leve: "Ah.." quando viu o samurai: "Olá Kenshin." – ela mordeu o lábio. Como é que ela não se lembrou que o Kenshin tinha voltado?
"Se calhar é melhor falarmos noutra altura Tae." – a voz suave da Kaoru chamou à atenção da amiga: "Sim… claro… Desculpa." – ao passar pelo Kenshin ela repetiu de novo: "Desculpa…" e saiu tão rápido como tinha entrado.
"Era isso que…" – ele tossiu para clarear a voz que tinha enrouquecido. "Era isso que me querias contar?" – o tom dele foi distante e frio. E a Kaoru acabou por só abanar a cabeça afirmativamente.
"Então… o pequeno-almoço em casa dele… foi só uma desculpa para estar sozinho contigo e… " – ele não conseguia controlar o que sentia, neste momento invejava e odiava o ex-patrão, só de o imaginar a tentar conquistar a Kaoru, com palavras, com gestos, com uma refeição mais requintada do que alguma vez ele conseguiria dar-lhe.
"O Katsura deu me um prazo de três meses." – ela disse tão rápido que de inicio ele não percebeu. Mas quando se fez luz o rosto dele alterou-se. "Eu não consegui responder-lhe." – Ela acabou por dizer. "Eu eu… não queria que soubesses assim, desta forma." – a Kaoru massajou as fontes: "Kenshin eu…"
"Não tens que dizer nada." – ele voltou costas e começou a caminhar para fora do dojo deixando-a sozinha. Ele não conseguia ficar ali, não sabia o que pensar nem o que dizer, o choque tinha sido demasiado grande.
A Kaoru ficou a olhar para a porta que ele deixou aberta quando saiu. Sem palavras e com a cabeça cheia de ideias impossíveis ela resignou-se aos acontecimentos que eram maiores do que ela:
O Kenshin, o homem que ela tinha prometido a si mesma não magoar, já sabia que o Katsura a tinha pedido em casamento. Desta vez, ao contrário do habitual, ele não conseguiu mascarar o que sentiu quando soube… O seu plano de tornar a estadia dele no dojo o mais feliz possível estava a ir por água abaixo… E isso fazia-a sentir-se inútil.
Eu sei que não tenho culpa, eu não tenho como evitar… Mas então, porquê que me sinto tal mal? Porquê que sinto que tudo é culpa minha?
A Kaoru caminhou para o quarto e retirou de novo a fotografia que eles tinham tirado há seis meses atrás. O homem feliz e sorridente da foto não era o mesmo de há alguns minutos atrás…. Suspirou e os seus olhos fixaram-se na figura ao lado dele.
Tu também não és a mesma Kaoru.
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O Kenshin caminhou para fora dos limites da cidade e, sentou-se perto do rio. Queria estar sozinho, sem correr o risco de alguém conhecido aparecer e perceber que ele não estava bem. Não tinha paciência para aturar ninguém naquele momento, nem para explicar o que se passava.
A imagem dela e da conversa que tinham tido há pouco não parava de comandar todos os seus pensamentos:
"O Katsura deu me um prazo de três meses." – A Kaoru entre-cruzou as mãos nervosamente. "Eu não consegui responder-lhe." – A voz dela tremeu: "Eu eu… não queria que soubesses assim, desta forma." os olhos dela fixaram-se no chão como se estivesse envergonhada com o que tinha acabado de dizer: "Kenshin eu…" Foi nessa altura que ele não quis que ela continuasse. Tinha medo do que vinha a seguir.
Mas, afinal de contas, o que poderia ele fazer? Ele, que sempre se considerou indigno, disse mais do que uma vez, que preferia que a Kaoru se casasse com um homem maduro, digno, que a tratasse bem e a respeitasse…. O peixe morre pela boca! Tantas vezes ele tinha dito isso, tantas vezes ele se tentou convencer de que isso era o melhor...Que agora, tinha mesmo acontecido.
Eu sei que ela me ama… Eu sei… Assim como ele sabia que a amava mesmo no dia em que partiu ao lado da Tomoe. Mas ele agiu segundo aquilo que pensou ser o mais correto. E tinha medo que a Kaoru fizesse o mesmo. Que casasse para que ele pudesse voltar para a Tomoe, que casasse com o intuito de o esquecer e depois fosse ainda mais infeliz do que ele era.
Três meses… ele retirou de dentro da roupagem a prenda mais cara que alguma vez tinha comprado. E quando abriu a caixa e o sol bateu no anel, a pedra azul brilhou… o brilho refletiu-se nos olhos do ruivo.
Três meses… É tudo o que tenho para te convencer do contrário Kaoru.
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Três meses, será tempo suficiente?
Uhmmm... Só posso dizer que nestes três meses muita coisa vai "rolar" como os nossos irmãos brasileiros costumam dizer.
Acontecimentos inesperados no país, Mãos sujas de sangue, Incapacidade para lidar com um erro e o reaparecimento dos "manos psicadélicos" (estou a brincar, eu gosto imenso do Enishi)... Estou só a dar algumas dicas, espero que vos abra o apetite para comentarem.
Beijinhos grandes e até ao próximo capitulo
