Angelica chibilua Obrigada pelo teu review no último capitulo.
Desculpem a demora com este capitulo. As minhas duas histórias ficaram atrasadas nesta última vez por causa do excesso de trabalho não só no trabalho, como em casa... Efeitos da vida de Casada!
Bem... Algumas variantes novas este capitulo. Vamos ter uma pequena amostra da vida da Tomoe e do Enishi...
É estranho, tenho uma ideia certeira para os capítulos finais desta história. Sei como quero que acabe, já imaginei conversas, momentos, tudo... Mas o entremeio até esses capítulos é que me deixa confusa. Acho que preciso de inspiração...
Bem... É melhor não atrasar mais. Para vocês terem uma ideia o capitulo já está terminado à cerca de dois dias, e cada vez que estou a escrever agradecimentos e ideias, tenho de parar, ou sou interrompida.
Enfim,
Vamos ao que interessa.
Capitulo 8 – A Contraproposta
"O quÊ?" – O Katsura não conseguia acreditar no que os seus ouvidos estavam a ouvir. O Chefe da policia, Yamagata, tinha-o chamado de emergência e com todas as razões do mundo.
Um individuo, com cerca de quarenta anos, foi visto a deixar uma saca de papel com legumes dentro, no mercado, aparentemente esquecida. Dois dos polícias que faziam patrulha nesse sito, repararam na saca e quando alguém lhes disse quem a tinha deixado ali, eles pegaram nela e correram para a entregar ao respetivo dono, fazendo assim a boa ação do dia.
Mas, antes que conseguissem chegar até ele, o saco que traziam em mãos explodiu e matou não só os polícias, como as pessoas que se encontravam mais perto, deixando um rasto de destruição e morte no mercado.
A notícia estava a gerar o pânico e muitos já criticavam a abertura das fronteiras aos negócios com o exterior, porque junto com esses negócios, as portas tinham sido abertas para que uma palavra nova entrasse no vocabulário dos japoneses:
Terrorismo.
O Katsura queria pensar que não era verdade. Porque tinha sido ele o primeiro a insistir para um maior investimento nas relações com o exterior, mas agora… Isto.
"O pior é que eles ameaçaram bombardear este mesmo edifício." – o chefe Yamagata lançou mais uma bomba.
"Então quer dizer que encontraram o culpado?" – Tinham de lhe arrancar a verdade à força toda. Uma série de perguntas voavam-lhe dentro da cabeça.
"Já tentámos, mas ele não fala." – o Yamagata respondeu: "Ele sabe que se falar, é morto."
"Nós temos de o fazer falar." – O Katsura insistiu. Nem que tenhamos de recorrer à tortura.
"O que mais me intriga é o engenho. Nunca tinha visto nada assim." – O chefe respondeu ainda pensativo. "As bombas tinham um tipo de tecnologia que lhes permitia explodir num tempo limite…"
"Daí a pressa dele em fugir…" – O Katsura respondeu com a mão no queixo, pensativo...
"Ele deixou uma ameaça." – O chefe da policia pigarreou e deixou sair por fim as palavras que estavam presas na garganta desde o momento em que tinha falado com o assassino: "Citando." – O tom de voz ficou ainda mais taciturno:
"Este governo vai cair. E vai cair em breve."
O Katsura expirou. Era uma ameaça contra o governo, afinal de contas.
"Precisamos de homens de confiança Katsura, homens como o Saito e o Battousai. Eles são incorruptiveis e se lhes pedirmos tenho a certeza que não se vão negar a ajudar." – Havia muita coisa que preocupava o oficial da policia, inclusive que alguém do seu próprio gabinete pudesse estar envolvido…
De inicio, ao ouvir o nome do Kenshin, o Katsura assentiu, mas depois, algures na sua mente uma voz lhe lembrou:
O Kenshin já lutou demasiado por este país, não lhe peças para lutar mais."
Ele abanou a cabeça negativamente. "Chama o Saito. Eu vou tentar resolver isto de outra forma."
Se eu conseguir descobrir quem lhes vendeu as bombas, se eu conseguir encontrar o vendedor, será mais fácil saber quem as comprou, e com essas informações o problema fica mais facilmente resolvido.
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Na Mansão do Yukishiro
A Tomoe não conseguia habituar-se ao estilo de vida que o irmão levava. Para quê empregados para cozinhar quando ela o podia fazer? Para quê pessoas a limpar a casa a arrumar, quando eram essas pequenas tarefas que faziam com que ela se sentisse útil e distraída?
Ainda ao menos se ele estivesse em casa, podiam aproveitar o tempo para conversar, mas, na noite anterior o Enishi tinha chegado já de madrugada, e ela não acreditava que se fosse levantar tão cedo.
Ela percorreu o corredor silenciosamente.
Já passou algum tempo desde que saí de casa… Será que o Kenshin já voltou? Será que quando ele voltar, vai estar diferente? Mais atencioso, mais dedicado?
Quando propôs que ele fosse visitar os amigos no dojo, tinha uma certa esperança de que ele lhe pedisse para ir com ele, e ela, planeava delicadamente negar o pedido para passar algum tempo com o irmão. Assim, mesmo que não fossem juntos, tinha aquele sentimento reconfortante de saber que ele queria a companhia dela… Mas ele nunca disse tal coisa.
Ele fugiu.
As palavras do Enishi vieram-lhe à mente e a Tomoe parou de andar e respirou fundo. Aqueles dois nunca se iam dar bem. E por culpa do Enishi.
Apressou-se na direção do quarto dele. Bateu à porta mas ninguém respondeu, por isso ela entrou: "Enishi…"
A Cama estava vazia e por fazer, o pijama em cima da cama estendido… Ela saiu do quarto, desceu a escadaria que dava acesso á sala e encontrou-o na cozinha a tomar o pequeno-almoço:
"Nee-san." – ele sorriu e levantou-se para receber o habitual beijo na testa.
Sentou-se em frente ele e começou a vê-lo comer: "Chegas-te tarde ontem."
"Estive a tratar de um negócio que durou a noite toda." – ele respondeu sem tirar os olhos do prato. O cabelo dele ainda molhado gotejava para dentro da taça, e, ela conhecia-o bem demais para não se aperceber de que estava a esconder alguma coisa."Não precisas ter vergonha de me dizer se estiveste com alguma rapariga."
A colher ficou a meio caminho da boca que ficou aberta de espanto com as palavras da irmã. "Eu não estive com ninguém." – a voz dele ficou mais aguda de repente.
Pelo menos essa parte a Tomoe conseguiu perceber que era verdade: "Mas nunca gostas-te de ninguém?"
Ela já quase que tinha a certeza de qual ia ser a resposta. "Eu gosto de ti." A resposta dele foi imediata.
"Não dessa forma." – ela pousou a mão na dele. "Eu estou a falar de alguém ao teu lado, para casar, aumentar a família."
O Enishi desviou o olhar da irmã para a janela que dava para o exterior da casa.
Porquê aquelas perguntas agora? Era um tanto ou quanto desconfortável falar daqueles assuntos com ela. Mas a irmã continuou: "Já pensas-te em pequenos Yukishiros a correr por esta casa? Afinal de contas para quê viver numa mansão como esta, se não tens planos de ter filhos?"
Ele fechou os olhos e tentou controlar a respiração. Era cedo demais para aquelas conversas… "Durante estes anos, esse tipo de pensamentos nunca fez parte da minha vida, os meus planos sempre foram outros." – desde que a tinha perdido, os seus planos sempre se focalizaram em vingança, destruição, retribuição, nunca em criancinhas a cheirar a cocó e ranho.
"Tu precisavas de um mulher forte ao teu lado, que te desse uma visão e uma forma de a seguires. Sabes que envelhecer sozinho não é bom." – a maneira introspetiva como ela falou fez com que a atitude dele modificasse um pouco, afinal de contas, ela se calhar sempre quis ter filhos, mas essa hipótese foi-lhe vedada, e agora, talvez fosse tarde demais.
"Tu não estás sozinha." – ele passou-lhe a mão pelo cabelo.
Ela sorriu."Eu sei, tenho-te a ti e ao Kenshin." A menção do nome do ruivo fez com que a atitude rude dele voltasse.
Dá-me náuseas pensar nele logo de manhã."Falando nesse… Não achas que ele se está a demorar demasiado, lá pelo dojo Kamyia?"
A Tomoe deu a resposta mecânica, aquela na qual se forçava todos os dias a acreditar: "Ele estava com saudades dos amigos. Afinal eles foram a família deles durante anos…"
Mas o Enishi não a deixou acabar: "Se ele te amasse, ele estava aqui contigo."
A sobrancelha direita dela fez um arco. Será que ela estava irritada?: "Mas foste tu que deste a ideia de ele ir!"
Ele suspirou e cruzou os braços: "Eu quis fazer-te perceber algo, mas acho que tu ainda não chegas-te lá."
Ela encostou-se para trás na cadeira e pousou as mãos no colo: "O quÊ?"
"Se ainda não percebes-te, não vou ser eu que te vou explicar." – ele abanou a cabeça e a Tomoe sentiu o pé dele a bater furiosa e constantemente no chão.
"Porquê sempre tanta negatividade À volta do Kenshin?" – Ok. Ela estava mesmo irritada. Esta relação de ódio não parecia ter fim.
"Porque ele não te merece." – ele levantou o dedo na direção dela "Nem a ti nem à…" – ele esmoreceu por um pouco: "Esqueçe." – ele empurrou a taça de comida para longe, já não ia conseguir comer mais nada.
"O quÊ?" – A Tomoe não percebeu porquê que ele parou.
"Nem a ninguém." – ele corrigiu – "Não te merece nem a ti nem a ninguém."
Agora ela estava desconfiada: "Porquê que ás vezes parece que sabes mais do que o que dizes?"
"Porque se calhar sei." – Ele concluiu e levantou-se da mesa, mas ela agarrou-lhe na mão. E quando ele se voltou não conseguiu evitar de sentir culpa, ao ver aqueles olhos fitarem-no cheios de preocupação e ansiedade."Então diz-me, por favor."
O Enishi suspirou, e, lentamente baixou-se até ficar da altura dela, sentada: "Ouve, tu és minha irmã, a única pessoa na minha família, e eu não quero que tu sofras. Só isso." – ele acariciou-lhe a mão. "E eu não acho que ele seja a melhor pessoa para ti. E também acho que tu não o amas, como é que podias amar alguém depois de tudo o que aconteceu com o Akira? Eu vi como ficas-te."
A menção do nome do ex-noivo ainda doía, mais do que ela queria dar a entender: "Mas o Kenshin é bom, e ele sempre me respeitou."
O Enishi olhou para o chão e depois de alguns segundos olhou de novo para ela: "Eu não vou ficar aqui a ouvir-te dizer bem dele… Já passei por isso uma vez, não vou passar mais." Enquanto esteve naquele mesmo local com a Kaoru e percebia a esperança que ela depositava no ruivo, a ansiedade de o ver, a confiança que tinha de que apareceria para o salvar…
"Como assim?" a pergunta da irmã passou-lhe ao lado.
Mas o quê que aquele otário tinha para aquelas mulheres nutrirem aquele tipo de sentimentos por ele? Ele nem era nada de interessante!"Esquece. Eu hoje não estou nos meus dias." – ele disse quando percebeu que ela estava à espera de uma resposta para uma pergunta que ele nem sequer tinha ouvido.
"Tu precisas mesmo de alguém Enishi."
"Pára com isso!" – ele levantou-se e virou-lhe as costas, pronto para sair da cozinha. Aquela conversa estava a deixá-lo com os nervos à flor da pele, e o Enishi não queria de forma alguma magoá-lacom o seu mau feitio… Ela não merecia, não, depois de tudo o que passou.
Mas as próximas palavras dela deixaram-no petrificado:
"Eu reparei na forma como olhavas para a Kaoru do dojo." Ele voltou-se para trás ainda a tentar perceber se ela tinha mesmo dito aquilo. Kamyia Kaoru, a mulher que ele tinha raptado, a mulher que era perdidamente apaixonada pelo Battousai…
"Se não querias isto, porquê que a trouxeste? Porquê não lhe mentiste e não lhe disseste que o Kenshin estava morto?" – ele sentiu os músculos do braço dela enrijecerem nas suas mãos. Nunca antes ela a tinha visto furiosa, nem mesmo quando insultou a sua comida. Preferia vê-la zangada, irritada, do que inerte como na noite anterior. Por isso ele achou que devia continuar a instiga-la, talvez isso a fizesse mudar de ideias: "A mulher que conheci há um ano atrás era mais lutadora e mais forte do que tu."
Mas essa frase teve exatamente o efeito oposto A Kaoru voltou costas e depois de algum silêncio encolheu os ombros e caminhou até à janela: "Essa mulher morreu ontem." A voz dela enrouqueceu quando falou.
Mas, porquê, porquê que vê-la assim mexia com ele? Porquê que ele sentia que tinha responsabilidade naquela situação? Porquê que aqueles olhos inchados e vermelhos de chorar o faziam temer o pior?
"Não faças nada estúpido." – ele disse-lhe em tom de advertência. Depois soltou-a e aproximou-se da porta: "Eu vou estar atento."
E não tinha falhado à sua promessa. Durante Aqueles quase sete meses, (seis nos quais o Himura esteve com a irmã mais o tempo depois de ele ter voltado), ele manteve-se informado. Aparentemente ela estava a seguir em frente, com uma vida nova.: Mais aulas, mais treinos… A participação no campeonato, ao qual ele foi assistir... A aproximação do ex-patrão do Battousai… Todo este tempo, ela pareceu estar a lidar bem com a situação…
"Pára com isso!" – ele afastou-se da irmã dando passos para trás como se ela tivesse algum tipo de doença contagiosa.
Ainda sem perceber porquê que de repente algo parecido com medo tinha surgido no olhar do irmão a Tomoe relativizou: "Não precisas de ficar envergonhado. Ficava tão descansada se tivesses alguém como ela ao teu lado!"
"Pára! Tomoe Pára! Tu não sabes do que falas! Por isso pára!" – Ele deu-lhe um berro pela primeira vez na vida e saiu deixando-a sem sozinha na cozinha sem saber o que pensar.
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O Enishi ainda sentia o peito a arder com tudo o que a irmã tinha dito. Sentou-se cá fora, ofegante, como se o ar queimasse quando passava pelas vias respiratórias, ele descansou a cabeça nas mãos. Até que a memória de um passado recente o assombrou:
"Toma." – ela pousou um prato de comida em cima da mesa.
"O que é isso?" – ele perguntou a olhar para a mesma mesa que agora estava vazia.
O fantasma, ainda de roupão e de chinelos, voltou-se e respondeu: "Dei-me conta de que não consigo cozinhar só para uma pessoa. Além disso não te vi a comer nada desde que desembarcamos, nem há sinal de mais ninguém a usar a cozinha…."
Ele ficou sem saber o que pensar, porquê que ela estava afazer aquilo? Com ele? O inimigo? "Ouve, isto não…" – mas ela não o deixou acabar. De uma forma imperativa ela apontou para a comida: "É melhor que comas." – e deu de costas e foi para dentro, deixando-o sozinho com as gaivotas e um prato de comida à frente.
Quão diferente do olhar da mulher que ele encontrou em casa da empregada do restaurante, a mulher a quem ele tinha contribuído para destruir a vida, a mulher cujo mundo tinha acabado de desabar…
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O Katsura suspirou exausto.
As pesquisas não tinham dado em nada Ninguém vendia armamento daqueles no Japão. O Atsushi tinha feito uma pesquisa nas lojas de armas e ninguém tinha nada do género.
As bombas tinha sido negociadas no mercado negro, provavelmente. Se assim era, ele tinha de colocar alguém em contacto com esse mundo. Um camaleão, que não mostrasse as suas verdadeiras cores e pudesse passar despercebido.
O Yamagata entrou na sala no preciso momento em que o Katsura se preparava para chamar o Saito: "Conseguiu descobrir alguma coisa?" – ele perguntou abrindo mais a porta para que o homem que o acompanhava entrasse.
"Não. Só aquilo que já supunha. Que a mercadoria vinha de fora, de algum tipo de rede de contrabando, ou mercado negro." – o Katsura fixou o olhar no ex-lider da 3ª patrulha de Shinsen. Era estranho ver homens que durante anos lutaram de lados opostos, que se há quinze anos atrás se vissem era morte certa para um deles, e agora, estavam ali, na mesma sala, a lutarem pelos mesmo valores.
A Voz um tanto ou quanto rouca do Yamagata tentou reconforta-lo: "Pois… Faça uma pausa, já está aqui há muito tempo. Eu trouxe o Saito. Ele vai dar-me uma ajuda. "
O Katsura levantou-se da cadeira: "Sim. Acho que vou ao dojo Maekewa."
"Ver a sua noiva, Senhor?" – O Yamagata perguntou com um sorriso cordial. Era a novidade do dia. Se não fosse o caso da bomba, se calhar até teria lugar em uma página do jornal de amanhã. Mas a cara de surpresa do Katsura mostrou que ele não estava a contar com aquela pergunta. De imediato o chefe da policia desculpou-se: "Peço desculpa pela intromissão, mas, a minha mulher foi levar o pai á Médica e ouviu o ourives, que por sinal, também lá estava a comentar."
O Saito suspirou e olhou para o teto. Desde quando é que o chefe se tinha tornado uma comadre de igreja? Com cusquisses e mexericos?
O Katsura esboçou um sorriso de alívio: "Não tem mal. Mas, A Kaoru ainda não é minha noiva, ela ainda não aceitou o meu pedido." - ele abriu a porta e despediu-se: "Até logo. Eu ainda volto hoje."
Quando Saito o viu sair respondeu: "Boa sorte com isso."
"O que foi?" – o Yamagata olhou para o ex-lobo com um olhar incompreendido.
"Com a tanuki."- ele acendeu um cigarro apesar do olhar reprovador do chefe. Ele já sabia que ia ter de levar com isso. Se não queria, não o chamasse.
"Estás a referir-te à noiva do Katsura?" – o outro sentou-se na secretária a analisar os papeis que o Katsura estava a ver antes de sair.
"A possível noiva…"
O outro levantou os papeis e já a ler o que eles diziam respondeu de uma forma lógica: "Ele pode dar-lhe a vida que ela sempre quis, além disso, o Katsura é um dos homens mais importantes deste país… Por isso, tenho quase a certeza de que ela vai ser inteligente e passar de possível noiva, a noiva rapidamente."
O Saito não respondeu a isso. Aparentemente era mesmo verdade, o chefe estava a tornar-se além de cusco, casamenteiro.
Ela até pode um dia ser a noiva do Katsura, mas para mim será sempre a mulher do Battousai.
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Quando se aproximou do dojo, ele percebeu de imediato que ela estava a tentar cozinhar, conseguia sentir-se o cheiro a queimado a "quilómetros" de distância.
Ele entrou em casa e foi direto à cozinha. Teve vontade de rir. A Kaoru era um bocado desastrada com a cozinha… Pôs os tachos todos no lume ao mesmo tempo, ainda não tinha feito o peixe e já estava o arroz quase a queimar, e, a água dos legumes já estava a sair por fora de tanto ferver.
Tudo estava a correr mal.
Ele entrou para a ajudar antes que ela destruísse a cozinha. E quando a Kaoru se apercebeu que ele ali estava, afastou-se, sem dizer uma única palavra e ficou a observá-lo.
Ele levou a colher com o peixe à boca e depois de provar respondeu: "Acho que estás a ficar melhor na cozinha, pelo menos o tempero está melhor.
A jovem abanou a cabeça. O que é que ela ia dizer? Não era possível que ele se tivesse esquecido do que tinha acontecido, assim como ela não se esquecera também… Devia tocar no assunto?
Ela respirou fundo decidida: O melhor é pegar o touro pelos cornos.
"Kenshin, há pouco eu…" – ficou a balançar um pouco nas palavras, mas como ele continuava entretido a cozinhar, e não estava a olhar diretamente para ela, foi mais fácil: "Não queria que tivesses descoberto assim. Eu vim para casa com a intenção de te contar o que se tinha passado, mas eu nunca pensei que a Tae fosse entrar e…" – o ruivo olhou para ela bem fundo nos olhos e foi aí que tudo ficou mais dificil: "E…" – ela levantou as mãos prestes a desistir: "Olha, eu não estava a contar com isto, ok?" – ela disse irritada consigo mesma.
O Kenshin por outro lado estava calmo: "Foi ele que te deu um tempo para decidires, ou foste tu que o pediste?" – ele tirou a panela dos legumes do fogo e destapou a do peixe.
A Kaoru observou os gestos dele e respondeu: "Ele viu que eu não estava a contar com a pergunta, daí deu-me um tempo para responder."
"Humm…" – o arroz estava completamente estragado sem hipótese de dar a volta. Ele pousou o pano da cozinha no ombro e voltou-se de frente para ela: "Quer dizer que não sabias o que responder."
Porquê que ele estava a agir como se fosse tudo tão simples? Os sentimentos não eram coisas simples. "Eu não estava a contar com a pergunta."
Ele acenou com a cabeça: "Hum..Hum." - "E isso quer dizer o quê?"
"Não estou a perceber Kenshin." – ela perguntou.
Ele encolheu os ombros como uma expressão de "é a coisa mais fácil do mundo" estampada no rosto: "Aceitas ou não?"
A Kaoru explodiu: "Quer dizer que não sei!" - Quer dizer, ele tinha saído dali todo enfunado ainda nem á umas horas, e agora, estava a ser tão racional, como se não se importasse!
"Porquê que não sabes?"
A jovem ficou a olhá-lo pensativa. Será que ele estava a tentar dizer-lhe que devia de aceitar o pedido? "Porque casar é uma decisão importante é para toda a vida, e eu tenho que pensar bem.."
"Eu só não quero que tomes uma má decisão por minha causa." – Qual má decisão Kenshin? Não casar? Ou casar? Ficar aqui á espera que te vás embora? Mandá-lo esperar mais tempo? Casar e pedir-te que sejas o menino das alianças?... Não, não, o menino das alianças, o padrinho?
As coisas estavam a fazer cada vez menos sentido na cabeça dela e aquilo que ela queria que fosse um pedido de desculpas, por uma situação que tinha sido desconfortável para ambos, tornou-se num interrogatório que a deixou ainda mais confusa."Eu não quero falar disto agora." – ela murmurou e voltou-se para sair dali mas o ruivo agarrou-a pelo braço e gentilmente fez com que olhasse.
Os olhos violeta gigantes dele fixaram-se bem fundo nos dela. A voz dele foi grave mas com o mesmo tom de doçura de sempre: "Quando eu te pedi em casamento tu não tiveste dúvidas." - as mãos dele seguravam ambos os braços dela: "Lembras-te?"
A Kaoru suspirou e teve vontade de desabar ali mesmo nos braços dele, mas segurou-se. O que ele disse não era nenhuma novidade, no caminho de volta a casa ela tinha pensado nisso tudo."Sim, e olha onde isso nos levou."
"Onde é que nos levou Kaoru?" – Porquê que a voz dele era tão linda? Porquê que as mãos dele eram tão quentes? Porquê que até mortos se levantavam dos túmulos para interferir na felicidade deles? "Kenshin eu criei esperanças para um futuro para nós, eu criei fantasias na minha cabeça de um futuro contigo que nunca vou puder realizar!" – O casamento, os votos, a primeira noite juntos, filhos…
Ele fechou os olhos. Tudo o que ela tinha pensado, ele também pensou. E, desejando voltar atrás no tempo, num impulso súbito as palavras saíram da boca dele sem pensar, quer dizer ele pensou, ele desejou, ele quis: "E se eu te disser que podemos?"
"Podemos o quê?" – a Kaoru perguntou com medo mas ansiosa de ouvir a resposta.
"Decidir o nosso futuro. Juntos."
Sem querer um sorriso acendeu-se no rosto dela: "É impossível." – ela disse pensativa: "Mas Como?" Será que havia mesmo uma possibilidade para eles?
O sorriso dela só deu ao ruivo mais confiança: "E se eu te pedir para saíres daqui comigo."
O sorriso começou a desvanecer-se: "Fugir?!"
"Sim."
A Kaoru ficou a olhar para ele durante alguns segundos. Ela pestanejou várias vezes e depois: "Então eu digo que estás doido." – ela disse com um olhar distante, dando dois passos atrás.
Porquê que ele lhe fazia isto? A situação já não era cruel demais? Porquê que ele ainda a fazia ter esperança para depois destruir tudo?
"PorquÊ?" – o Kenshin deu um passo em frente com as mãos esticadas.
A instrutora abanou a cabeça e deu um sorriso triste: "Tu queres mesmo que eu deixe os meus amigos, a minha casa, para fugir?" – Quando não houve resposta da parte dele ela continuou: "De quê que íamos viver? Onde? O que ia acontecer com o Yahiko e com o Dojo?"
"Tu mesma disseste que não querias continuar a ser instrutora para sempre, e que o Yahiko estava quase pronto para tomar o teu lugar!" – Ele contrapôs recordando a conversa que tinham tido à dias.
Ela sabia o que tinha dito, e sabia ao que ele se estava a referir, mas, era diferente, ela não tinha falado em ficar longe… para sempre. Se ela aceitasse a proposta isso incluía desaparecer, se calhar viverem como foragidos, sem nenhum casamento oficial, sem… sem nada, só um com o outro. A ideia de o amor e uma cabana era muito bonita, mas e o resto? "Mas…"
O Kenshin sabia que era difícil, e nunca antes ele a colocaria naquela situação, nunca. Ela merecia tudo a que tinha direito, e dentro da cabeça dele soava um alarme… A consciência. Mas, por outro lado ele não conseguia imaginar-se longe dela e perto da Tomoe de novo. Que tipo de monstro é que ele se estava a tornar? "Está nas tuas mãos Kaoru, aceitas ou não?" – ele detestava insistir, mas se ela estava indecisa, então era sinal de que ainda gostava dele.
A Kaoru olhou para ele perdida. Sem saber o que dizer. O que é que aconteceu ao homem integro e correto que ela conheceu? Pior, o que é que lhe estava a acontecer a ela? Para cogitar em aceitar tal proposta?
A tensão era visível entre os dois. Quase que se podiam ver as faíscas no ar. O Kenshin queria que ela lhe respondesse, e a Kaoru ainda estava a tentar perceber se aquela situação era real ou não.
"Oi." – Eles estavam tão concentrados que nem repararam que o Sano se estava a aproximar.
O lutador de rua olha para os dois e percebe que algo não estava bem… Ele encolheu os ombros. Afinal quem é que podia perceber aquelas coisas do coração? Ele não era de certeza. Sem mais demoras ele decidiu dizer o motivo que o tinha trazido ao dojo: "Jou-chan, precisava que me emprestasses algum dinheiro, acabei de perder ao poker."
"Não tenho dinheiro!" – ela respondeu irritada sem tirar os olhos do ruivo. Mas o Sano não desistiu. Ele tinha ouvido uma história que queria confirmar, e não havia melhor maneira do que aquela. "Podes mandar penhorar aquele anel que o Katsura te deu… Acho que vale uma pequena fortuna… Se o venderes, és bem capaz de não precisar de…" – Nessa altura, e só nessa altura, é que tanto o Kenshin como ela começaram a prestar atenção ao que o amigo estava a dizer.
A Kaoru explodiu: "Mas… Tu tambem já sabes? Como?"
Ele rodou a espinha de peixe que tinha na boca e começou a falar, daquela forma bem descontraída, típica dele, ele começou por enumerar: "Bem, a filha do ourives estava doente, e ele teve que levar a miúda á Meg, e quando lá estava ele mencionou que o Katsura foi lá comprar um anel de noivado e como o dia tinha compensado e não sei quê…"
A Kaoru voltou as costas e suspirou: "Mas será que já todos sabem?"
"Bem… é melhor eu continuar com o jantar." – O Kenshin voltou-se de novo para as panelas. Aquela história de casamento exasperava-o. Se o Sano não tivesse aparecido, o que será que ela ia responder? O Katsura era um bom homem, e estava a fazer tudo o que podia para a conquistar, e talvez ele a conseguisse fazer feliz…
"Podemos voltar ao ponto?" – O Sano insistiu roubando a atenção dos outros dois.
Ele entrecruzou os braços e deu um sorriso largo: "Vê o ponto positivo Jouchan, quando venderes o anel ficas rica! Por isso agora podes partilhar alguma da tua riqueza com os teus amigos!"
O Kenshin abriu os olhos de espanto. Ele não tinha mesmo dito aquilo, tinha? Olhou para a Kaoru e depois para o amigo e depois de novo para a Kaoru:
"Mas porque razão é que eu haveria pensar em vender o anel?" – ela perguntou calma demais perante a situação. Mas ele respondeu com outra pergunta: "Estás a pensar aceitar a proposta?" – O Sano voltou a virar a espinha na boca com cara de quem não acreditava naquilo.
A Kaoru não conseguiu aguentar e acabou por responder: "Não sei! Parem de me pressionar!" – ela voltou costas e deixou os dois homens sozinhos na cozinha.
Parem de me pressionar? Parem? No plural? "Porquê que ela ficou tão irritada?" – O Sano olhou para o Kenshin.
O Kenshin colocou o habitual sorriso e respondeu: "Se calhar teve um mau dia."
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Esta história tem tido tão pouco feedback...
Vá lá se leram e gostaram não custa nada dizer.
Pf.
Beijinhos
