Finalmente!
Estou a tentar publicar este capitulo há já alguns dias, mas como não tinha internet, tentei fazê-lo no smartphone... o que acontecia é que publicava sempre o capitulo errado...
Bem, mas agora já está.
Desculpem a demora, estava a terminar a minha historia em inglês.
Mas o Capitulo 10 já está em produção.
Obrigada a todos os que leram e comentaram. Vocês são os maiores: HarunoKuchiki;Soffy;Angelica chibilua; .Aguia;Kira de Himura
e obrigada tambem aqueles que leram e seguem a historia apesar de não comentarem.
beijos
Capitulo 9 – O Beijo Roubado
Os olhos do Katsura observaram cada estudante que saía do dojo, um a um. Mas nenhum deles era ela.
Ele esperou pacientemente até que o próprio Maekawa saiu junto com o último dos seus alunos. Foi aí que ele se decidiu aproximar.
"Olá Senhor Katsura!" – o dono do dojo respondeu ao ver o ex-lider dos Ishin. "A que devo o prazer da sua visita?"
O Katsura deu um cumprimento formal e depois respondeu: "Estava à procura da Kaoru, mas, penso que deve ter saído mais cedo, porque não a vi sair."
O idoso deu um sorriso e respondeu: "A Menina Kaoru hoje não apareceu." – ele ficou pensativo por um pouco e depois acrescentou: "Espero que não tenha ficado doente…"
"Penso que não, hoje de manhã ela pareceu-me bem…" – o Katsura apoiou o queixo na mão – "Mas eu vou passar pelo dojo, talvez tenha acontecido alguma coisa." – ele olhou de novo para o senhor Maekawa: "Obrigada."
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"É estranho não estar ninguém em casa a esta hora." – A Misao comentou olhando para o letreiro na porta do dojo Kamyia.
"Talvez ela tenha ido dar aulas a outro dojo." – o Aoshi respondeu.
A jovem sorriu: "Nunca mais me lembrei disso." – ela entrecruzou o seu braço no dele: "Então, esperamos, ou vamos dar uma volta?" – Era tão boa aquela sensação de quase lua de mel… Eles já tinham casado há alguns meses, mas o Aoshi tinha decidido que iam tirar mais algumas semanas só para eles… E, como era impossível ter férias junto do Okina e do restaurante, porque acabavam sempre por se envolver no trabalho, eles decidiram visitar os amigos de Kyoto… matar saudades.
O Aoshi tinha alguns motivos secretos para ter sugerido o dojo Kamyia como "destino de férias", ele tinha ouvido uns rumores que queria confirmar.
"Olha, vem aí alguém!" – A Misao cutucou o marido. O sorriso dela abriu-se quando percebeu de quem se tratava. "É o Katsura." – Afinal, os elogios todos sempre queriam dizer mais alguma coisa minha cara Kaoru, eu tinha razão…
O Aoshi levantou o sobrolho. Se as fontes dele estavam corretas, como sempre estavam, o Himura tinha voltado a viver no dojo. E, se a Misao, estava correta, o Katsura tinha algum tipo de sentimento românticos pela dona do dojo, o que tornava aquela situação um tanto ou quanto estranha.
"Senhorita Misao." – o Katsura fez uma ligeira vénia – "Não sabia que estavam por cá." – ele olhou para o Aoshi: "Shinomori." – O Aoshi acenou com a cabeça ao de leve.
"Sim, chegamos agora. Mas, não me parece que alguém esteja em casa." – ela respondeu. "O Yahiko deve estar a trabalhar no restaurante, o Sano na clinica e a Kaoru ainda não deve ter chegado das aulas."
"Sobra o Kenshin." – o Katsura respondeu – "Bem, mas provavelmente ele tambem deve ter tido algo importante a fazer." – ele suspirou – "Quanto à Kaoru, ela não foi ás aulas, acabei agora de vir do dojo Maekewa e ela não apareceu por lá hoje."
O Aoshi sorriu internamente. As fontes dele estavam corretas, como sempre.
"O Kenshin?" – a voz da Misao fez um arco de tão esganiçada que ficou. Ela olhou de imediato para o marido. Será que ele já sabia?
"Se calhar, o melhor é esperar por eles aqui." – o Aoshi concluiu.
O Katsura concordou: "Sim, não temos muito mais a fazer."
"Não me parece que vamos ter de esperar muito." – A Misao podia reconhecer aquela cabeça ruiva à distância. Era ele, o Kenshin… ela preparou-se para o impacto de o ver. Quando a Kaoru lhe contou tudo o que tinha acontecido, ela tinha tido vontade de ir atrás dele e lhe enfiar toda a sua coleção de kunais, num certo sitio… Calma Misao, tu agora és a Senhora Shinomori, uma mulher casada e que não faz as coisas por impulso! Mas depois que o viu mais de perto, ela sentiu-se mal por alguma vez ter pensado nisso. O seu amigo estava tão diferente, magro, com um olhar distante… nem parecia o mesmo.
Quando os avistou o Kenshin acelerou o passo, mesmo que as sacas que ele trazia parecessem bem pesadas. Ele parou perto deles: "Bem, visitas. A Kaoru vai ficar contente." - ele olhou para o Aoshi.
"Tu não tinhas voltado para Otsu com a Tomoe?" – Bem lá se foi o controle de impulsos. Mas a Misao tinha de perguntar. O Kenshin abriu a boca para responder mas o Katsura adiantou-se: "Tomoe? Yukishiro Tomoe?" O Kenshin olhou para a Misao e depois para o Katsura e suspirou, lá teria ele de voltar a contar toda a história! Nos momentos em que ele pensava que tudo não tinha passado de um pesadelo, eram coisas como estas que o acordavam para a realidade.
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Ela tinha decido tirar algum tempo antes da aula para caminhar e estar um pouco sozinha. Mas, quando deu por si, já tinha passado a hora da aula, e sem saber porquê, os seus pés tinham-na levado à clinica. Só quando ela abriu a porta é que se apercebeu da tremenda confusão que lá ia dentro.
A Kaoru viu a Megumi correr com algumas ligaduras: "Megumi?"
A médica voltou-se ao ouvir o seu nome e quando viu a Kaoru perguntou: "Estás doente? Passou-se alguma coisa?" – ela olhou-a de cima a baixo como se estivesse à procura de algum sinal de doença.
"Não, eu…" – a Kaoru começou a explicar mas não conseguiu terminar, porque a amiga fez sinal para que a seguisse:"Optimo, então ajuda-me preciso de mais mãos."
"Tanta gente?" – a Kaoru olhou para as pessoas que se aglomeravam não só na entrada, mas tambem na sala: "O que é que se passou?"
"Não ouviste falar da bomba que rebentou no mercado?" – a Megumi passou uma ligadura na cabeça de um menino que tinha caído e batido com a cabeça quando se deu a explosão.
A Kaoru arregalou os olhos: "Explosão? Como assim?"
"Passa esta pomada na queimadura do braço daquela senhora, por favor." – A Megumi entregou-lhe uma bisnaga amarela e continuou a cuidar do doente: "Acho que puseram uma bomba qualquer no mercado e… foi o pânico."
"Com que propósito?" – A instrutora fez o que a médica lhe disse e passou para o doente seguinte e fez o mesmo.
"Não sei… É isso, passa a mesma pomada em todos os doentes desse lado, eles tem todas queimaduras, se fizeres isso já me ajudas bastante." – a Megumi era mesmo excecional, ela conseguia fazer o trabalho dela, falar e observar o trabalho dos outros, tudo ao mesmo tempo. "Mas quem deve saber mais acerca desse assunto é o teu noivo."
A Kaoru ficou parada por algum tempo a olhar para a amiga, mas depois desistiu. Não valia a pena dizer-lhe que ainda não tinha dado uma resposta. E, não ia falar com ela na frente daquelas pessoas.
Concentra-te Kaoru, Concentra-te!
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"Uau, isso sim é um milagre." – O Katsura respondeu dando uma palmada leve nas costas do ex-guarda costas. – "Deves ter ficado muito contente!"
A Misao e o Aoshi trocaram olhares suspeitos. Aparentemente a ligação entre o Kenshin e a Kaoru passava-lhe despercebida.
O Ruivo forçou um sorriso mas não respondeu.
"E então, porquê que a Tomoe não está aqui?" – ele insistiu.
O Kenshin deu um gole no chá: "Foi passar algum tempo com o irmão."
"O Enishi saiu da prisão?" – o Aoshi perguntou. O Enishi era um tipo esperto, se tivesse de fugir ele conseguia sem grandes dificuldades, mas depois da luta que ele e o Kenshin tinham tido, ele não parecia ter ficado com muita vontade de fazer o que quer que fosse da vida, daí, o Aoshi nunca se ter preocupado em manter vigilância apertada em torno do homem de cabelos cor de prata. Mas, com a irmã viva, a história ganhava todo uma dimensão diferente.
"Sim." – o Kenshin respondeu.
"E tu … lembraste-te dos teus amigos do dojo…" – A Misao concluiu com alguma acidez. Sem conseguir perceber como é que o homem que ela tinha conhecido, que correu quase metade do Japão para salvar a mulher que amava das garras do cunhado, o mesmo homem que lhe disse ter deixado alguem muito importante para trás quando partiu para lutar com o Shishio... Como é que agora, quando a vida lhe dava todas as oportunidades para sorrir, ele lhe virava as costas?
O Kenshin baixou a cabeça e não lhe respondeu. Ela tinha razão ele merecia ouvir aquilo, simplesmente não queria que fosse na frente do Katsura.
"Katsura eu acabei de vir da cidade, e já ouvi o que se passou. É mesmo verdade que rebentou uma bomba no mercado?" – o Kenshin mudou o rumo da conversa, não só porque lhe era conveniente, mas também porque estava preocupado.
O Homem mais velho baixou a cabeça, e um olhar de preocupação encheu-lhe o rosto: "Sim, é verdade."
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A Megumi encostou-se para trás na cadeira: "Uff…" – suspirou – "Obrigada tanuki… se não estivesses aqui ainda não tinha acabado."
A Kaoru ignorou o apelido: "O Dr Gensai?"
"Foi fazer um parto…" – ela soltou o cabelo que tinha prendido para trabalhar – "" "Não é o teu dia de dar aulas no outro dojo?"
A Kaoru torceu o nariz."Sim." O que é que vou dizer ao senhor Maekewa? "Quando dei por mim já tinha passado da hora. "
Os lábios da médica esconderam um sorriso: "É o Kenshin, o causador desse esquecimento, não é?"
A Kaoru sentiu que tinha levado um abanão: "Como?" ela desencostou-se da parede e voltou as costas para a amiga.
"É sempre ele. Quando está, quando não está…" – ela levantou-se e caminhou até à Kaoru."Se bem que eu fiquei surpreendida com a tua atitude quando ele se foi embora." – encostou-se à parede de ficando de frente para a Kaoru. "Pelo que sei, desta vez não ficas-te na cama a chorar, decidis-te fazer-te à vida."
"Megumi, a Tomoe é a mulher dele, o que querias que eu fizesse?" – Ela queria que a frase soasse como algo trivial, mas a o aperto no peito que sentia quando se referia a Tomoe como dele, era tão difícil de esconder no seu tom de voz como uma lanterna no escuro.
"Sim… eu sei…" – A Megumi suspirou insatisfeita. Queria criticá-la por ter feito algo mal, por não ter lutado quando prometeu que o faria… Mas a verdade, é que ela mesma não teria agido de outra forma.
"Só não entendo porquê que ele voltou." – a Kaoru sentou-se na cadeira em que a médica estava antes. "Para que complicar as coisas mais para mim… e para ele?"
A Megumi arregalou os olhos em surpresa. Será que tinha ouvido bem? "Ele tentou alguma coisa contigo?"
A Kaoru lembrou a cena à saída do banho e corou: "Mais ou menos… não foi propositado."
Ela quase que dava tudo para ver o Kenshin, o certinho, a fazer algo de errado. O que será que ele tinha feito? Dizer-lhe que ainda gostava dela? Que tinha errado e que já não podia voltar atrás? A cabeça da médica fervilhava com opções, mas estava longe de imaginar a verdade, aquela que só a Kaoru e o Kenshin sabiam. E que nenhum deles ia contar. "Então, porquê que ele aceitou ir com ela?"
A Kaoru revirou os olhos. Aquela resposta era óbvia. "Tu sabes como é o Kenshin, ele faz sempre aquilo que está certo."
A Megumi imitou o gesto da Kaoru. O Kenshin conseguia ser incrivelmente chato de tão certinho."Sim, eu sei."
A Kaoru levantou-se outra vez e começou ás voltas na sala: "Depois…O Katsura pediu-me em casamento." – ela levantou os braços.
"Eu já ouvi dizer."
Depois de algumas voltas na sala em silêncio a Kaoru parou em frente À medica, pousou as mãos nos seus ombros e olhou-a bem fundo nos olhos: "Achas que devo aceitar?"
Por alguns segundos a médica ficou absorvida na seriedade do rosto dela, mas depois retorquiu: "Kaoru não sou eu quem vai casar, mas sim tu!"
A Kaoru suspirou e voltou as costas como se já esperasse que a resposta fosse aquela, mas a médica continuou: "Se tu fosses outra mulher qualquer, eu diria: Ele é um bom partido, ele é rico, bonito, charmoso…. Enfim… Mas tu és tu…" – segurou no braço da Kaoru e fez com que ela a olhasse. E depois de engolir em seco, porque nunca pensou ter de encorajar a Kaoru nesse sentido, ela acrescentou: "E ele não é o Kenshin."
A Kaoru fechou os olhos e massajou as temporas. Depois falou mais para se convencer a si mesma do que à amiga: "O Kenshin é casado e o Katsura não. Ele pode fazer-me feliz!" – ela tentou forçar um sorriso.
A Megumi tentava perceber o que se passava na cabeça da jovem, mas estava difícil: "Então é essa a tua resposta?"
"Não sei, eu vim pedir-te ajuda!" – A Kaoru respondeu num tom mais alto do que o normal. Já estava a entrar em parafuso com aquilo tudo. O Kenshin foi embora, O Katsura apareceu, O Kenshin apareceu e diz que a ama e que quer fugir com ela… Por amor de Deus matem-me já, antes que o meu coração entre em falência ou tenha um ataque… Ataque ao coração literal. Nenhum coração aguenta tanta pancada.
"Não tu vieste pedir-me que decidisse por ti! E eu não faço isso!" – a Megumi teve de ser uma decisão difícil de tomar, ela sabia que sim, mas a Kaoru tinha de a tomar sozinha.
Mas A Kaoru não a ouvia mais, ela pegou na bokken que tinha trazido consigo e já se preparava para sair, se não fosse a Megumi a segurá-la pelo braço. Quando olhou para ela a Kaoru respondeu com urgência estranha no olhar :"Eu preciso de tempo, eu tenho de sair daqui." – abanou a cabeça "É isso já sei, vou voltar para perto da Misao, ficar longe daqui até o Kenshin voltar para Otsu. Ao menos assim ele já não me pressiona mais."
A amiga .segurou-lhe o braço com mais força: "Não te Pressiona mais?"
"Esquece!" – a Kaoru queria sair dali, mas a médica não a deixou. "Não, não, não, não não. Agora eu quero saber essa história. O Kenshin voltou atrás, ele, está a pressionar-te para quÊ?"
A jovem deixou o ar que tinha preso dentro do peito sair. Dizer aquilo em voz alta era como se tudo ficasse ainda mais sério: "Ele quer que eu fuja com ele."
Em vez de um ar de surpresa ou espanto a amiga suspirou: "Uau que romântico."
"Pára Megumi!" – a Kaoru gritou irritada. Será que ela era a única que via a gravidade da situação? Aquilo não era brincadeira nenhuma!
A Megumi recompôs-se. A Kaoru estava muito séria, se fosse com ela, nem tinha pensado duas vezes. "Kaoru para o Kenshin fazer algo assim, tão fora das regras, é porque te ama muito…"
A Kaoru abanou a cabeça e começou a caminhar para a porta. "Não está correto. A Tomoe não merece sofrer, o Katsura não merece sofrer, ninguém merece sofrer! Eu não ia conseguir aguentar isso."
A médica caminhou atrás dela: "Bem, agora já pareces o Kenshin a falar." – mas as suas palavras tiveram um impacto mais forte do que ela esperava. "PÁRA!" a Kaoru gritou quando se voltou para trás. A Megumi ficou em silêncio a olhar para a instrutora de kendo. Mas, o que é que se passava ali? Quem era aquela pessoa na sua frente? Porquê que havia sofrimento nos olhos dela, quando o homem a quem ela amava tinha acabado se tornar claro que era a ela a quem ele queria? A Kaoru respirou fundo várias vezes para se tentar acalmar. Desabafar com a Megumi tinha sido uma perda de tempo, estava à espera de conselhos sábios mas tudo o que obteve foi… banalidade: "Eu já decidi, vou para Tokio daqui a dois dias é só organizar as coisas com o Yahiko."
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O Kenshin tinha convidado todos a entrar. E, agora a sua atenção estava focada nas coisas que o Katsur contou acerca do incidente no mercado. A Forma como tudo parecia ter sido planeado, a tecnologia implícita no engenho explosivo.
"Por que razão alguém colocaria uma bomba no mercado?" – A Misao perguntou.
O Aoshi respondeu à pergunta da mulher : "Gerar o pânico, desestabilizar…" – ele deu um gole no chá que o Kenshin tinha feito: "A não ser que eles tenham deixado alguma mensagem."
O Katsura deixou um sorriso escapar perante a experiência do ex-lider do Oniwabanshu: "Eles mencionaram especificamente que o governo ia cair."- suspirou: "Mas há muitas pessoas que concordam com o antigo regime, não podemos prender toda a gente com base nisso."
O Kenshin pensou em voz alta: "Os samurais foram os que ficaram mais a perder… Perderam os privilégios, as casas, o estatuto." – olhou para o Kastura e concluiu: "Os que não cometerem sepukko, ou não aceitaram cargos no governo vivem na pobreza."
O ex-lider dos Ishin não estava a contar com essa resposta. Estaria o seu ex-guarda costas e amigo, a tentar dizer-lhe que ele era o responsável pela miséria dos samurais? "Nem todos Kenshin… tu tens uma casa, tens amigos, não vives na miséria."
O Kenshin percebeu que o Katsura tinha entendido tudo ao contrário. Ele não se estava a queixar, até porque tinham lutado juntos para trazer o novo regime. Estava apenas a tentar descobrir quais as motivações por detrás deste crime, mas em vez de explicar isso, ele concluiu: "Sim eu não vivo na miséria, mas… isso foi porque a Kaoru apareceu… " – O Kenshin olhou para o relógio na parede e levantou-se apressado. "A falar nisso, eu vou procura-la, a esta hora, ela já devia ter chegado. " Com toda a conversa tinha perdido a noção do tempo. Não era normal a Kaoru chegar tão tarde, devia ter acontecido alguma coisa.
"Eu vou contigo." – O Katsura levantou-se mas a resposta do Kenshin não se fez esperar: "Não é preciso, eu vou sozinho, ela deve ter ficado no dojo Maekewa."
"Eu já lá fui, e ela não estava lá." – concluiu o Katsura, sem perceber porquê que de repente o Kenshin tinha ficado tão irritado.
"Não me parece que vá ser preciso que algum de vocês vá onde quer que seja." – o Aoshi respondeu. Como é que o Kenshin não tinha percebido o barulho do portão do dojo a abrir? Será que ele estava tão focado assim no Katsura? Mas ele desconfiava que a situação ainda viria a tornar-se mais interessante.
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Quando entrou na sala, a Kaoru ficou perplexa por ver tanta gente no dojo. Misao. Mas depois…
É isso já sei, vou voltar para perto da Misao, ficar longe daqui até o Kenshin voltar para Otsu. Recordou as palavras que tinha dito na clinica à minutos atrás.
Suspirou. "Que bom que vocês vieram." – ela deu um abraço à Misao: "Estava com tantas saudades tuas." – a jovem de trança sorriu: "Isto está um bocado confuso por aqui…"sussurrou-lhe ao ouvido. "Nem imaginas o quanto." – respondeu.
A Kaoru engoliu em seco, lá se foi por àgua a baixo a ideia de ir para Tokio… Afinal Tokio veio até ela.
"Katsura, está tudo bem?" – ela voltou a sua atenção para o homem que ainda hoje de manhã a tinha pedido em casamento.
Ele acenou com um sorriso: "Sim." Mas por mais que tentasse disfarçar, os olhos dele denunciavam um enorme cansaço.
Ela teve pena. Era um fardo muito grande para uma pessoa só tratar de um país… "Deve estar tudo uma confusão por causa da explosão, foi por isso que hoje de manhã te chamaram, não foi?" – ele recordou o aparecimento do empregado dele, momentos após ele a ter pedido em casamento. O Katsura estava prestes a responder, mas o Kenshin interviu: "Kaoru por Onde é que andas-te? O Katsura disse que não estavas no dojo Maekewa."
A Kaoru desviou o olhar para o ruivo. Era normal que estivesse preocupado, já passava bastnte da hora dela… Por isso, ela manteve a calma: "Eu passei pela clinica e fiquei a ajudar a Megumi, havia mais movimento do que o normal por causa do que aconteceu."
Tudo lhe dizia que a noite ia ser longa. Os amigos que tinha voltado de Tokio, o Katsura que estava ali aquela hora, o que não era normal, e principalmente a atitude do Kenshin… Ela suspirou e fez sinal para todos se sentarem, ela queria ouvir o que o Katsura tinha a dizer sobre o que se passou.
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Num casebre, bem longe do centro da cidade, dois homens conspiravam à luz ténue de velas. "Achas que o ataque valeu a pena? Acabamos por perder o Keiko. Ele está preso."
Quando tinham concordado com aquele plano, nunca se tinha falado em um alguém ficar preso, ou ser deixado para trás. Mas o Kaji não parecia estar nervoso. Como sempre ele mantinha uma postura calma e firme. Se calhar era isso que o fazia ter a confiança dos outros. "Deixa. Ele não se importa de se sacrificar pela nossa causa. Temos de continuar, no fim, ele vai ser recompensado. Todos vamos ser recompensados."
O Shinji acenou, se ele assim o dizia, então ele escolhia acreditar: "O que vamos fazer de seguida?"
O Kaji parou de limpar a espada. Eu posso ter perdido a minha casa, a minha riqueza, mas nunca irei perder isto. Isto vai ser a minha salvação. Depois desviou o olhar para o SHinji: "Bem, a cara do novo governo é o Katsura e outros que, como ele forçaram a que esta nova era de fracos aparecesse…."
Ele odiava-o. Porque razão é que aquele homem, que descendia de uma família de samurais, se tinha lembrado de dar poder ao povo? E os privilégios que os samurais tinham pelo direito de protegerem o imperador e o povo? O estatuto? "Temos que lhes mostrar que essa tão esperada paz, não é com o governo deles que a vão conseguir."
"Kauru." – Um homem apareceu da escuridão do casebre – "É a tua vez."
"Sim senhor."
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A noite tinha sido longa. O Katsura tinha voltado a repetir toda a história referente à explosão e a Kaoru percebia agora a gravidade da situação. O que mais a irritava era o facto de pessoas que não tinham culpa nenhuma estarem agora a sofrer. As pessoas que viu na clinica e as famílias dos policias que morreram. Aquele ato tinha sido cobarde.
Ela percebeu pelos olhares que o Kenshin e o AOshi trocaram que eles iam estar em cima do assunto. Talvez tivesse sido bom, Tóquio ter vindo até ela.
E ela sabia que o Katsura sentia que tinha responsabilidade nessas mortes, por isso, Quando ele se levantou para partir, a Kaoru acompanhou-o até lá fora. Queria falar com ele em privado, assegurar-lhe que ele não tinha culpa daquilo e que tudo se ia resolver.
Ela fechou a porta do dojo e caminharam mais um pouco até à entrada da rua. "Kaoru ainda bem que estavas na clinica. Nós já estávamos a ficar preocupados."
"Nós?" – ela levantou o sobrolho confusa.
Ele pigarreou: "Sim, o Kenshin queria ir procurar-te…" – os olhos dele vaguearam um pouco pela rua sem nunca se fixarem nela: "Ele… gosta muito de ti."
A Kaoru sentiu o coração a acelerar. Será que o Kenshin tinha dito alguma coisa? Ela matava-o se ele o tivesse feito.
O Katsura continuou sem se aperceber do nervosismo da sua pseudo "noiva": "Se eu não tivesse descoberto hoje que ele ainda é casado, talvez ficasse, com receio…"
"Receio?" – a voz dela falhou e os olhos dele finalmente se fixaram nela: "Sim, da forma como ele falou de ti… É óbvio que tem sentimentos profundos…" – ele sorriu e deu mais um passo em frente: "Mas agora percebo que é mais como se fosses, uma irmã…."
A Kaoru soltou o ar que tinha nos pulmões, sem saber se o fazia por alívio de que ele não tivesse descoberto o que se tinha passado entre ela e o ruivo, ou se de desconforto por se ter referido ao que o Kenshin sentia por ela como, amor de irmãos. "Não há motivos para ficarem preocupados, tu sabes que eu me sei defender sozinha." – Ela tentou mudar o assunto. "Eu sei… Mas não posso deixar de me preocupar…" ele fixou o olhar nela."Tu não foste dar aulas…"
A jovem acenou um pouco atrapalhada. "Sim, eu, precisava de tempo para pensar…"
"Claro." Ele assentiu. Era naquele momento que a Kaoru precisava que ele desviasse o olhar, porque estava a sentir-se demasiado embaraçada, quase como que presa em uma ratoeira. Mas ele continuou, se calhar por não ter percebido isso, ou talvez exatamente por ter percebido como ela se sentia:"No meu pedido?"
Não valia a pena mentir-lhe. Ela não tinha estado a pensar nele, mas tinha sido o seu pedido de casamento que tinha desencadeado tudo aquilo."Sim, no teu pedido."
Ele deu um sorriso charmoso que quase lhe derreteu o coração: "Então queres dizer que estiveste a tarde toda a pensar em mim?"
A Kaoru sabia que se forçasse o sorriso ele ia perceber, ainda por cima porque só tinha vontade de chorar. Havia muitas coisas no Katsura que ela gostava e admirava, mas porquê que o Kenshin não saia da cabeça dela? "Bem…"
"Isso já pode querer dizer alguma coisa, não?" – ele perguntou passando-lhe a mão pelo rosto.
Ela estremeceu com o gesto… mas, alguma coisa estava errada, alguma coisa não estava bem. A Kaoru empurrou o Katsura para longe mesmo a tempo de uma espada passar entre eles.
A Kaoru procurou quem poderia ter mandado aquela espada e o autor não se fez esperar. Ele saltou de uma das àrvores com um sorriso no rosto. O Katsura levantou-se pronto para se pôr À frente da Kaoru mas ela abanou com a cabeça.
Ele parou. O olhar dela tinha passado de terno para feroz num instante. Quando ela abanou a cabeça ele percebeu que ela não queria proteção. Não tem de se preocupar comigo. Ele lembrou as palavras dela.
O homem olhou para ela e depois para o Katsura, confuso. "Isto está um pouco trocado não acham?"
"O que eu acho é que tu estás no sitio errado à hora errada." – A Kaoru não esperou que ele a atacasse e atacou primeiro acertando-lhe em cheio na cara com o cabo da espada que ele tinha lançado contra ela e o Katsura segundos atrás.
Ele caiu desmaiado no chão.
"Como eu já te disse, eu não preciso de…" – ela não conseguiu dizer mais nada.
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O Kenshin e o Aoshi apressaram-se para o exterior quando perceberam que algo se passava.
O ruivo não tinha percebido porque razão ela tinha decidido acompanhar o Katsura até à porta de casa, quando ele mesmo poderia acompanhá-lo. Por dentro ele estava a odiar-se por se sentir assim, mas não conseguia parar de estar mal disposto.
No entanto, quando chegou ao exterior a sua má disposição só aumentou.
O Katsura estava a beijá-la.
O Kenshin parou de respirar por algum tempo. Para ele, foi como se o tempo tivesse parado e só aquelas duas personagens existissem. Ele tinha as mãos à volta da cintura dela e a Kaoru tinha as mãos levantadas como se tivesse sido apanhada de surpresa, mas aos poucos as mãos foram baixando até caírem completamente, como se tivesse desistido de lutar.
O ruivo deu um passo na direção deles, mas o braço do Aoshi impediu-o. O Kenshin não conseguia desviar o olhar.
"Não é o momento oportuno. Vamos." – O Aoshi empurrou-o para dentro do dojo.
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Então?
E este beijo, vai deixar a Kaoru balançada?
Espero que tenham gostado. O capitulo 10 deverá estar quase a sair.
Beijinhs
