Capitulo 10 – Medo
Não tinha sido difícil fugir da prisão. Até nisso aquele governo era fraco.
Quando é que na era de Tokugawa eles deixavam alguém que tivesse atentado contra a vida do governante maior, com tão pouca segurança? Nunca. Ele haveria de ser escoltado À prisão, agrilhoado, e depois, mesmo fechado lá dentro teria dois samurais experientes à porta, para o caso de se sentir tentado a fugir.
"Eles sobrestimaram-te." – o Shinji riu-se enquanto comia as uvas que tinha roubado, mas mal olhou para a cara do chefe percebeu que ele não tinha gostado. Mas então, como é que eles haviam de comer? Não tinham dinheiro, e ir pedir não era uma opção. Onde é que já se viu um samurai pedir?
"E tu sobrestimas-te a rapariga." – a Resposta do Kaji não se fez esperar. "Tu tiveste a oportunidade perfeita. Ele estava só, sem a comitiva de acompanhamento do costume, que incluiu nomes como Haijime Saito e outros, que nem que vivas mil anos tu irias conseguir derrotar." – ele olhou para o homem de cabelos castanhos compridos: "E és derrotado por uma mulher?" – o tom de voz dele era uma mistura de gozo com irritação. Como é que um samurai como ele se deixava derrotar por uma mulher?
O Shinji levantou-se posicionando-se entre o Kauru e o Kaji: "Calma." – ele sussurrou ao amigo que obviamente já estava a sentir-se humilhado o suficiente: "Olha que ela não é uma qualquer. O dojo que leva o nome dela já ganhou uma prova a nível nacional!" – disse diretamente para o lider.O Kaji abanou a cabeça: "Outra coisa com a qual eu não concordo… Mulheres com espadas é… patético."
"Segundo o que o Kauru disse o Katsura parecia apegado a ela." O outro esboçou um sorriso maléfico.
O Kaji olhou para eles a tentar perceber o que estavam a sugerir. Em resposta o Shinji concluiu: "E se a usarmos para chegar até ele?"
O Kaji abanou a cabeça. "Não vou envolver mulheres e crianças nisto."
O outro encolheu os ombros: "Tu é que sabes, mas era uma forma de conseguires chegar ao Katsura mais rápido, ao que sei, eles estão noivos…."
O Kaji não respondeu e os outros dois entreolharam-se.
"Não vou fazer isso, pelo menos para já." – Ele não tinha intenções de violar os seus princípios só para chegar onde queria. Afinal de contas ele era um samurai, nascido e criado numa família em que sempre se prezou a honra, as normas de conduta e o respeito. Claro que não havia nada de respeitoso em roubar comida, planear ataques na escuridão e comprar armas a traficantes, mas isso… eram contingências. Pequenos males necessários para atingir o objetivo final: Destruir o governo.
Os homens que ele tinha juntado, cerca de cem só naquela cidade, concordavam com as ideias dele, e seguiam-no. Ele tinha a seu cargo as vidas deles. Por mais baixo que já tivesse descido, não ia fazer nada que o levasse ao descrédito perante os seus seguidores. Não. Ryoji Kaji, apesar das roupas rasgadas, barba crescida, cabelo desgrenhado pelo tempo, frio e noites longas sem dormir, a alimentar-se do odio que sentia por todo aquele regime… Por mais escura que parecesse a sua vida agora, ele não ia magoar mulheres e crianças só para atingir o Katsura.
O Facto de que a rapariga tinha tomado a iniciativa de lutar por ele só mostrava o quão fraco ele era.
Kaji… Esquece… Eu tenho-te a ti, não preciso de mais nada.
Ele fechou os olhos e abanou a cabeça a tentar afastar a recordação.
Não.
Recordações seriam para mais tarde, quando estivesse no lugar que lhe pertencia por direito, e quando pudesse dar a honra necessária às pessoas incluídas nela. Agora, agora era tempo de vingança.
O Kauru ficou na expectativa que o Kaji dissesse alguma coisa, mas, quando não veio mais nenhuma resposta ele percebeu não precisava ouvir mais nada. Não ia esperar por ordens. Ela era especial, por isso tinha planos especiais para ela. Para a mulher que o derrotou.
Ele sorriu ao pensar em tudo o que podia fazer.
Ahhh instrutora de kendo Kaoru…. O inferno vai abrir as portas para te receber…
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O suor escorria-lhe pelo rosto. Ela sabia que já tinha feito mais do dobro do exercicio do que o costume, mas não conseguia parar. Era como se os braços tivessem eletricidade, e cada vez que os músculos reclamavam de cansaço, a memória do beijo da noite anterior fazia-a sentir um choque elétrico que descia desde o cérebro até ao resto do corpo… e a Kaoru sentia que tinha de recomeçar o exercício de novo.
Tinha sido tudo tão… inesperado.
Quando ele a pediu em casamento, ela nunca pensou nas coisas que isso incluía. Beijos, intimidade… Além disso, o facto de ela ainda não ter dado resposta e ele já ter tomado a liberdade de a beijar deixava-a… frustrada.
A Kaoru não sabia se tinha sido o momento, ou alguma forma de agradecimento pelo que tinha feito que o levou a agir assim.
O Katsura admirava-a, dava-lhe a liberdade para se tornar melhor, mais forte, ele acreditava nela como uma mulher independente e liberalista que sabia tomar conta de si. E, por norma ele respeitava isso. Se ela dissesse que não queria ninguém para a acompanhar a casa, ele respeitava, porque sabia que ela era forte o suficiente para se desenvencilhar sozinha. Por um lado, isso deixava-a satisfeita, mas por outro…. Com o Kenshin era tudo tão diferente. Ela sentia que o mundo podia ruir mas desde que estivesse ao lado dele estaria sempre protegida. A espada dele protegia-a. A espada que protege. Ao primeiro sinal de medo nos olhos dela, o ruivo saltava para o seu lado e só tê-lo ali mais perto fazia-a suspirar de alívio. Havia uma química qualquer… uma energia, uma… ligação entre eles que era quase indescritível. Mas ela sabia que desde que o Kenshin estivesse ao seu lado, ela estaria sempre bem. Era normal ter medo… Era bom ter medo porque ele a protegeria, até do próprio medo…
Eh… Como se isso fosse possivel…
Ás vezes a Kaoru tinha dúvidas e perguntava-se se não era só uma dependência estúpida e não correspondida em relação ao viajante que entrou tão de repente na sua vida. Mas o tempo mostrou-lhe diversas vezes que isso era improvável, senão, porquê que ele se despediu única e exclusivamente dela quando partiu para combater com o Shishio? Porquê que quando ela supostamente morreu ele se isolou de tudo e de todos?; Porquê que os olhos dele brilharam antes de enegrecer quando a viram à entrada da casa do Hiko?
Na noite em que lutou contra o Jin-hei, e quando ela o impediu de voltar a matar… o olhar de agradecimento nos olhos dele mostrou-lhe o quanto ele também se sentia dependente dela.
Arrrghhh!
A Kaoru deixou a bokken cair das mãos, exausta, e como um reflexo a sua cabeça voltou de novo ao beijo. Mas, por mais que tentasse, ela não conseguia lembrar-se do beijo em si. Ela não conseguia dizer a que sabiam os lábios dele… Se eram quentes ou frios, se tinha gostado ou não… Era frustrante, porque cada vez que pensava em beijar alguém, esse alguém não era o Katsura… E por mais tempo que passasse, ela nunca esqueceria quão quentes os lábios desse alguém eram, o cheiro do cabelo dele, as mãos a escaldar que a agarraram pelo braço quando a apanhou a sair do banho no corredor…
A Kaoru deixou-se cair de pernas cruzadas no chão.
Ainda bem que o o Maekawa a tinha deixado ficar ali a treinar, assim ao menos podia pensar descansada, sem ter medo de ser interrompida. É claro que ninguém podia interromper pensamentos, mas Às vezes quando tinha o Kenshin por perto… tinha medo que ele além de tudo o resto tivesse capacidade de entrar dentro da mente e lhe ler os pensamentos… Não… Não… Ele não tem poderes sobrenaturais.
"Olá!"
A Kaoru olhou no sentido da voz e tudo o resto fugiu da mente sendo substituído por um sentimento de culpa: "Não tenho sido lá muito hospitaleira, pois não?"
A amiga deu alguns passos na sua direção e com gesto quase como que treinado deu um salto e ficou sentada com as mãos nos joelhos ao seu lado. As duas riram-se, não havia nada de recriminatório nos olhos da Misao: "Eu supus que o beijo do Katsura te fosse deixar sem vontade de encarar o Kenshin."
"Encarar o Kenshin?" – a Kaoru pestanejou várias vezes: "O Kenshin não tem de saber." – Bolas! Aquela frase soava estranho, como se quisesse esconder alguma coisa apesar de não haver nada a esconder.
"Pois…" – a Misao fez um ar de caldo entornado – "Mas já vais tarde…" – ela mordeu o lábio e encolheu os ombros: "Devias ter visto como ele ficou quando vos viu."
Os olhos da Kaoru pareciam prontos a saltar das órbitas: "Quando nos viu?"
A Misao assentiu: "O Aoshi até teve de o segurar e tudo…" – explicou orgulhosa da forma como o seu marido tinha intervindo e resolvido uma situação que podia dar mesmo para o torto. O Kenshin tinha um olhar assassino na altura e ela quase que já podia imaginar a cabeça do Katsura a rolar.
A Kaoru estranhou o desaparecimento do ruivo após o Aoshi ter ido levar o Katsura a casa, mas, não perguntou nada. No dia anterior não tinha tido tempo para falar com a Misao acerca do que se tinha passado porque se tinha preocupado mais em por o quarto apresentável para os seus amigos dormirem. E como agora ela estava casada e não dormiam as duas no mesmo quarto como antes, menos tempo tiveram para que conseguisse explicar tudo desde a chegada do Kenshin até ao pedido de casamento do Katsura.
Mas agora, havia uma coisa que a preocupava mais. "Então… o Kenshin viu quando…" – ela leva a mão à cabeça.
"Quando o Katsura te beijou, sim." – A MIsao concluiu: "De inicio eu pensei que nem o Aoshi o fosse conseguir controlar, mas depois o olhar dele ficou… vazio, como se estivesse magoado, sabes?" – A Misao não precisava estar a par de tudo para perceber o que se passava ali: "Eu sei que provavelmente há muitas variáveis nesta equação que eu desconheço, mas…" – ela pousou as mãos sobre as da Kaoru e foi o mais sincera que pôde: "Kaoru, é obvio que ele ainda gosta de ti… Tu és a parte da vida dele que faz mais sentido."
O olhar já instrutora de kendo ficou distante.
O Kenshin tinha voltado à procura de respostas. Era típico dele, procurar motivos, soluções para tudo… Não, correção ele agia como se já soubesse qual era a solução: Ela.
Por outro lado a Kaoru parou para pensar nas palavras da amiga: Fazer sentido. Isso era uma frase que simplesmente não fazia parte da história deles! "Ele é casado, ele escolheu a Tomoe. Que parte dessa frase é que me deixa na vida dele?"
A Misao suspirou. A Vida da melhor amiga tinha ficado tão complicada de repente. Segurou-a pelos ombros e levou-a a pousar a cabeça no seu colo: "Kaoru, tens toda a razão, ele escolheu-a." – a Kaoru fechou os olhos e engoliu as palavras como se fossem leite estragado. Estava ao lado da Misao, a receber atenção e a conversar acerca do assunto de uma forma séria pela primeira vez. E isso era reconfortante. Mas saber que ele tinha escolhido a Tomoe, doía sempre da mesma forma, independentemente da situação em que se encontrava.
Os dedos da Misao faziam pequenas caricias no cabelo dela e, a Kaoru pensou que se não se esforçasse ia adormecer mesmo ali, e foi aí que sua voz a acordou: "Mas sabes Kaoru, todos fazemos erros."
A Kaoru suspirou: "Eu sei."
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O Kenshin tinha ficado a noite fora desde o incidente com a falsa morte da Kaoru. Ele sentia que precisava arejar as ideias, porque se ficasse no mesmo sitio que ela, ia sentir-se tentado demais a confrontá-la com tudo o que se tinha passado. Ele estava magoado. Quando a viu nos braços do Katsura foi como se lhe tivessem enfiado um punhal no peito. Ainda bem que o Aoshi estava lá para o segurar porque senão… ele tinha feito uma loucura.
Mas porquê que ela não aceita ir embora comigo?
Ele tinha planeado tudo. Levá-la para longe, para fora de Tokyio, Kyoto ou Otsu, para um lugar onde ele não tivesse qualquer tipo de recordações. Isso não seria difícil, afinal de contas, o Japão era tão grande?
Começar uma vida nova, era isso. E daí comprar uma casa, pequena, térrea, com um quintal para plantar…. É claro que ela não ia ser uma fugitiva nem uma amante, ele já tinha pensado em como se poderiam casar. O que era possível, porque, afinal de contas ele e a Tomoe nunca tinham sido legalmente casados. E aí ele ia voltar a usar o seu verdadeiro nome, porque só ao lado dela é que ele conseguia ser verdadeiro consigo mesmo.
Mas a Kaoru nunca o deixou explicar. Mal ouviu falar em fugir a esperança desapareceu-lhe do olhar.
Se ela quiser ser infeliz e ficar com ele, então eu não posso fazer nada.
Custava-lhe saber que um dia, se escolhesse ficar com o Katsura, ela poderia sofrer tanto ou mais do que aquilo que ele sofria ao pensar nas más escolhas do passado.
Mas essa não é uma escolha minha. Vou é concentrar-me no incidente no mercado. Aí sim eu posso ser útil.
O ruivo olhou no sentido da cidade.
Vou ter ao ministério e falar com o Katsura e explicar-lhe que quero ajudar.
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As duas raparigas tinham acabado de chegar ao dojo e nenhum dos outros habitantes se encontravam por lá. A Kaoru suspirou em parte aliviada. Ainda não estava pronta para encarar o ruivo sabendo ele tudo o que se tinha passado entre ela e o Katsura.
A instrutora olhou em volta suspeita. Alguma coisa não estava bem, elas não estavam totalmente sós. "Cuidado!" – ouviu a Misao gritar quando um homem saltou de uma das árvores para o interior do dojo. A Kaoru observou-o. Ele tinha cabelo castanho comprido, mais curto um pouco do que o do Kenshin, era uns centímetros mais alto do que o ruivo mas tinha um olhar ameaçador. As espadas que caíam de ambos os lados do seu quadril tornavam-no ainda mais intimidador.
"Conseguiste escapar-me uma vez, não vais conseguir outra." – a voz dele fina entoou nos ouvidos da Kaoru como um som horripilante.
A Misao não esperou e lançou as suas kunais, mas isso não o afetou nem um pouco, num único gesto as lâminas estavam no chão ineficazes, e ele lançou um olhar de aviso à jovem de trança. Se ela voltasse a intervir, ele ia castiga-la. Depois voltou a sua atenção para a Kaoru. "Na noite passada tiveste sorte, eu nunca pensei que fosses tu a lutar, e como me apanhas-te despercebido, eu, perdi. Mas agora, estamos só nós os dois e eu já venho prevenido."
A Kaoru não respondeu. As espadas, por mais mortíferas que parecessem não a assustavam. Ela tinha enfrentado a Kamatari com uma foice bem maior e não teve medo. A aparência dele era normal, nada de assustador, sem cicatrizes ou tatuagens que o identificassem como pertencente aos Yakuza… Era o olhar dele que a deixava sem chão.
Ela já tinha enfrentado vários inimigos antes, e todos a olhavam com sentimentos distintos: Desprezo, ódio, gozo… Mas este era diferente, pior do que todos os outros. Os olhos mel dele que à primeira vista pareciam inofensivos tornavam-se agressivos quando dirigidos a ela. Era como se a devorassem viva… Prontos para a fazer sofrer de toda e qualquer maneira possivel.
Foi aí que ela percebeu que o medo a tinha dominado e ela não conseguia combate-lo. Tal e qual como se sentiu dominada pelo feitiço do Jin-hei.
Quando ele começou a caminhar na sua direção ela percebeu que por mais que tentasse mover-se as suas pernas pareciam presas ao chão, petrificadas. "Kaoru!" Só o berro da Misao que observava a cena confusa a acordou e a fez desviar-se mesmo antes de ele a conseguir golpear. Mesmo assim, ela caiu no chão porque as pernas estavam mais bambas do que palitos de Mikado.
Sem perceber o que estava a tomar conta da amiga, a Misao correu na direção deles, mas, ela não ia deixar-se enganar novamente por uma mulher. O Kauru voltou-se e deu-lhe um murro no estômago. De imediato a Misao caiu no chão a rebolar-se de dores.
A Kaoru observou tudo aquilo petrificada incapaz de se mexer ou de dizer o que quer que fosse. Ele olhou para ela ainda caída no chão e sorriu maquiavelicamente. "Nós vamos encontrar-nos novamente quando não tiveres amiguinhos para te ajudar." – Ele baixou-se e levantou-lhe o queixo com a mão direita, a Kaoru conseguia sentir o hálito quente a bater-lhe no rosto: "E acredita, eu vou divertir imenso a conhecer-te melhor."
Depois, com uma rapidez quase igual à do Kenshin ele saltou para fora do dojo, pelas traseiras. Foi aí que Aoshi apareceu. Ele pensou ir atrás do fugitivo mas quando reparou na Misao e na Kaoru no chão, correu até elas.
Segurando a jovem esposa nos braços ele abanou-a um pouco: "Misao!" – ele passou a mão pelo rosto dela e assim que recuperou os sentidos a Misao começou a olhar em redor: "Oh Amor, ainda bem que chegas-te…" depois olhou para a Kaoru a uns metros de distância deles: "Kaoru está tudo bem?"
Aquele olhar cor de mel com tanto… ódio…Porquê que os olhos dele ainda estavam na cabeça dela? Vou me divertir imenso a conhecer-te melhor… Porquê que ela não conseguia ouvir mais nada para além as ameaças dele?
A mão suave da Misao, tocou-lhe no ombro e a Kaoru estremeceu. Olhando-o ainda fora de órbita. O que se tinha passado ali? Aquela não era a Kaoru que ela conhecia. Será que no tempo em que tinha apagado, tinha acontecido algo mais grave? "Estás… bem? Ele não te magoou, pois não?" – perguntou com receio.
A Kaoru pestanejou por várias vezes e depois fingiu um sorriso: "Não… Está tudo bem." Mas tanto o Aoshi como a Misao perceberam o sentimento escondido no rosto dela.
Os dois entreolharam-se:
Medo, Terror mórbido. Algo a tinha assustado profundamente.
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O Yamagata tinha ficado contente ao ver o ruivo aparecer no ministério. Agora tinha a certeza que tinha os dois melhores consigo, e, para um caso destes bem que precisava. De imediato o Kenshin e o Saito já estavam a chegar a algumas conclusões:
"O Ataque de ontem ao Saito só prova a minha teoria de que os ordenantes do distúrbio são ex-samurais." – o Kenshin olhou para o Saito: "Deixa-me falar com o homem que atacou o Katsura ontem."
Os olhos do ex-lobo rolaram de irritação. Ele nem queria acreditar nas noticias que tinha recebido logo de manhã. Mas antes que ele pudesse explicar que o prisioneiro tinha fugido, o Yamagata interveio: "Ele era experiente."
O Kenshin ficou na expetativa à espera do resto da frase, mas nada veio, por isso olhou para o Saito de olhos arregalados à espera que ele lhe dissesse que não tinha acontecido aquilo que ele estava a pensar.
O Saito não deu o braço a torcer. Ele sabia que se os tempos fossem outros aquele traidor nunca teria fugido: "Se quiseres podes falar com o tipo que apanhamos no mercado." Mas não deu o braço a torcer.
O ruivo ficou a olhar para eles incrédulo por algum tempo, mas, antes que pudesse responder a porta da sala abriu-se e mais alguém entrou. Os olhos do ruivo fixaram-se no Katsura e de novo uma imagem nada confortável surgiu-lhe na mente.
Isto vai ser interessante. O Saito preparou-se para acender um cigarro apesar do olhar reprovador do Yamagata, que prontamente passou a explicar ao ex-lider dos Ishin o que o Kenshin estava ali a fazer.
Sabendo ele que o Kenshin tinha sido por anos o homem de confiança do Katsura o Yamagata ficou sem perceber porquê que após as explicações o governante pediu para falar com o samurai em privado.
O Kenshin assentiu e saíram os dois da sala.
Uma vez no corredor, o Katsura voltou-se e encarou o ex-companheiro. Era quase uma luta interna porque ele sabia que não havia ninguém mais qualificado e em quem ele confiasse mais do que o Kenshin para o ajudar. Mas, ele tinha feito uma promessa a uma pessoa que para ele, era ainda mais importante do que o ruivo: "Eu não quero que te envolvas nisto Himura." – os olhos dele carregavam a seriedade do pedido que lhe estava a fazer e por momentos o Kenshin ficou pensativo nas razões que o levavam a pedir aquilo. "Porquê?" – acabou por perguntar quando percebeu que o Katsura não ia adiantar muito mais explicações. "Tenta manter-te alheio a tudo isto, é um pedido meu." – pousou-lhe a mão no ombro.
O Kenshin fixou o olhar no seu ex-patrão. Há anos atrás ele tinha-lhe pedido para matar por ele, pelo novo regime, a primeira vez que ele tinha manchado as mãos tinha sido em favor dos seus ideiais, e agora, que ele se voluntariava para proteger aquilo que tinha ajudado a construir, ele rejeitava-o? O ruivo sentiu-se indignado. Será que na cabeça do Katsura ele era uma figura do passado? A quem só estavam associadas ideias de noites silenciosas cheias de morte e torturas? O Kenshin cerrou os punhos: "Se pensas que eu vou ficar sentado a ver pessoas inocentes serem mortas quando posso fazer alguma coisa para as proteger…" – o tom de voz mudou como se se tratasse de uma ameaça, e o Katsura nunca o tinha ouvido falar assim antes, o Kenshin nunca perdia a calma: "Então conheces-me mal." – o Kenshin voltou as costas pronto para se ir embora.
Não posso mais ver inocentes ser mortos mesmo À frente do meu nariz! Ele recordou a resposta do jovem de quinze anos quando lhe perguntou porque motivo queria ele entrar para os Ishin. Quase quinze anos depois a fraseologia podia ter mudado um pouco mas a motivação por detrás das palavras era a mesma. "Não é por mim."
Os pés do ruivo pararam e ele voltou a cabeça para olhar para trás. O Katsura deu alguns passos na direção dele e falou num tom mais baixo. "Eu fiz uma promessa."
O Kenshin voltou-se de frente para ele. O que quer que fosse que ia dizer era importante. "Foi a Kaoru." – o Katsura acabou por confessar com um olhar derrotado no rosto. O rosto do ruivo mostrou que ele não estava a perceber onde é que a sua instrutora de kendo se encaixava naquela conversa. O outro homem desabafou: "Ela pediu que eu nunca te envolvesse neste tipo de assuntos políticos." – olhou para o ruivo com um olhar perdido. Ele mesmo não sabia o porquê daquele pedido, nem que tipo de sentimentos em volta do samurai a levavam a fazê-lo, e isso deixava-o confuso, mas ele tinha feito uma promessa e tinha todas as intenções de a cumprir. A mão dele pousou na parte traseira do pescoço: "Ela disse que já lutas-te demasiado por este país…" – o Katsura abanou a cabeça e suspirou confuso.
O Kenshin pestanejou e abriu a boca para falar mas nenhuma palavra lhe saiu. Porquê que tens de ser tu? Ele recordou o momento em que ela lhe pediu para não ir para Edo lutar com o Shishio... as palavras dela o como ela implorou que ficasse, o olhar de preocupação no rosto, as lágrimas de quem tinha medo de perder alguém a quem amava.
O Katsura não sabia o que dizer nem o que pensar, mas tentou colmatar a conversa: "Eu agradeço imenso a tua ajuda, mas não quero que ela pense que eu não levo em conta os pedidos dela."
Perder alguém a quem ama…. A Kaoru não me quer por perto, mas também não me quer perder… Quase sem ouvir o que o outro tinha dito, o ruivo sorriu: "Quando é que a Kaoru te pediu isso?" – Tenho de a fazer perceber que não pode ter as duas coisas.
"Há alguns dias atrás quando lhe falei em dar-te um cargo no governo. Pelos vistos ela conhece-te bem." O ex-lider de Ishin respondeu e o Kenshin assentiu perante a informação:"Em relação ao caso, eu acho que sei quem te pode dizer mais alguma coisa acerca das bombas, mas é melhor ter a certeza."
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O ruivo caminhava em direção ao dojo. As ideias na sua cabeça surgiam quase à mesma velocidade a que andava.
Só um traficante como o Enishi podia dizer ao Katsura quem vendia esse tipo de bombas. Mas, se ele chamasse o Enishi para Kyoto… Isso ia envolver trazer também a Tomoe. E ao pensar nela aquele sentimento de vazio voltava… Será que ele devia falar o que sabia?
Uma parte da consciência dele dizia-lhe que era egoísmo não salvar o país para não se prejudicar a si mesmo, mas a outra parte…
Ele já lutou demasiado por este país…
Ele imaginou-a a dizer aquelas palavras… Por mais que ela tentasse relativizar as coisas entre eles, a Kaoru agia às escondidas para o continuar a proteger. O Kenshin suspirou. O carinho dela era saboroso demais… Mas… se o amava assim tanto, porque não aceitar fugir com ele?
Ele parou de andar quando uma ideia lhe veio à cabeça: E se ela lhe propusesse que deixasse o país para trás e ficasse com ela? Se ela o obrigasse a prometer que ele não se ia envolver naquele assunto em troca de ficar ao seu lado?
O ruivo abanou a cabeça. Se aquela proposta fosse colocada em cima da mesa, o que é que ele faria?
Colocando os pensamentos e indecisões de lado ele percebeu que já estava a chegar ao dojo e já há algum tempo que estava a ser observado. O ruivo levantou os olhos e viu ao longe o Aoshi, à porta do dojo e, a expressão no rosto dele levou-o a apressar o passo.
"Um individuo tentou atacar o dojo quando não estávamos por aqui." – O Aoshi não esperou que lhe perguntasse nada. E, se o habitualmente impávido e sereno Shinomori estava com um ar irritado, então a coisa era séria.
"Atacar o dojo? Mas porquê?" – o samurai abriu de imediato a porta e olhou em volta à procura da Kaoru, mas quem surgiu foi a Misao, que se manteve acordada à espera que ele chegasse."Eu tentei ajudar a Kaoru, mas ele era forte demais e livrou-se de mim com bastante facilidade."
Livrou-se da Misao com facilidade? Ela conseguia ser mais persistente que um touro quando queria. Mas, olhando bem para ela, com a mão a proteger o estômago como se qualquer movimento fosse um suplício… As coisas tornavam-se bem reais. O Kenshin ficou nervoso: "O que é que ele disse? Ele explicou alguma coisa?"
"Foi o mesmo da noite anterior." O Aoshi pousou as mãos nos ombros da mulher. Tinha sido difícil convencê-la de que não havia nada que ela pudesse ter feito para ajudar a amiga. Além disso, ela acabou por ser a maior prejudicada.
A Misao encolheu os ombros: "Ele disse-lhe: Conseguiste escapar uma vez, não vais fugir de novo."
O Kenshin não quis esperar mais: "Eu vou falar com a Kaoru."
"Espera." – a Misao segurou-lhe no braço e ele ficou surpreendido com a força que ela usou para o agarrar. Havia seriedade nos olhos da amiga e também profunda preocupação: "Há alguma coisa neste tipo que a assustou profundamente, foi como se ela tivesse ficado paralisada."
O Kenshin já não estava a gostar daquela história. Alturas, aranhas, ratos e baratas deixavam a Kaoru paralisada, não homens com espadas. "Eu vou falar com ela." A Misao soltou-o e ele dirigiu-se de imediato ao quarto da instrutora, deixando para trás os amigos.
O Aoshi acariciou a Misao: "Vamos levar-te ao médico."
"Não é preciso." - Barafustou
Mas ele insistiu. Não queria vê-la assim. E, desde que tinham chegado ao dojo só coisas estranhas tinham acontecido: "É sim. Além disso, eles precisam ficar sozinhos. E nós também."
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O Kenshin não percebeu que tinha respirado fundo várias vezes antes de entrar no quarto dela. Tantos meses de calmaria e, mal ele chegava começavam os problemas, mas, assim que deslizou a porta e a viu sentada no chão com um olhar distante, ele percebeu o que a Misao quis dizer.
Só passados alguns segundos é que a Kaoru se apercebeu que ele estava ali, e quando o viu suspirou de alívio com uma sombra do que parecia ser um sorriso a surgir nos lábios.
Bastou esse sinal de aprovação para ele se ajoelhar perto dela: "O que se passou?" – Pousou-lhe a mão nas costas como que para a encorajar a falar, mas ela não deu parte fraca: "Só mais um idiota a tentar desestabilizar."
Mas, por mais que a Kaoru camuflasse na voz, na postura e no rosto o que sentia, os seus olhos não sabiam mentir, e para alguém que a conhecia tão bem como ele era claro como a água que ela estava aterrorizada. Ao perceber a intensidade do medo no olhar dela, a forma como o olhava quase a implorar que não perguntasse mais nada, porque falar sobre o assunto só a ia fazer lembrar mais… deixou-o assustado. Por norma a Kaoru não era assim. Aquele homem deve ter dito ou feito algo que a levou a ficar naquele estado.
O Kenshin tinha vontade de bater a cidade atrás dele, encontra-lo e dizer-lhe que se tinha metido com a rapariga errada, mas, agora o mais importante era ela. Ele tinha de a confortar. As suas mãos voaram para o rosto dela, mas mal os seus dedos lhe tocaram na face… para sua surpresa ela abraçou-o de imediato, trémula. "Shhh… Calma." – Ele beijou-lhe o cabelo enquanto a raiva que sentia aumentava mais e mais. O que poderia aquele homem ter dito para a fazer ficar assim?
Uma vez nos braços dele, a Kaoru evitou pensar em quão contraditória era a sua atitude. O Kenshin dava-lhe proteção. Ao lado dele ela sentia-se segura. E aqueles eram os únicos pensamentos que ela conseguia ter agora."Shh… Não te preocupes, eu estou aqui." – Aquela voz, o calor que o corpo dele emanava… Tudo nele a fazia sentir-se protegida, como um escudo… Porquê que te foste embora Kenshin? Porquê que a escolheste a ela?
A Kaoru sabia que ele ia perguntar o que se tinha passado, a Misao e o Aoshi já deviam ter explicado mas… o quê que eles poderiam dizer? Ela sabia muito bem que os amigos tinham percebido que algo estranho se tinha passado. E o Kenshin não ia desistir até conseguir perceber o que era. Ela tinha de adiar aquela conversa, pelo menos até conseguir perceber o que se passava consigo mesma: "Por onde andas-te a tarde toda?" – perguntou ainda abraçada a ele.
O Kenshin fechou os olhos e demorou algum tempo a responder. Mas ele não ia conseguir esconder aquilo para sempre, pois não? "Fui ao ministério conversar com o Saito acerca da bomba, saber em que posso ajudar."
A Kaoru soltou-se dele e o Kenshin sentiu-se estranho ao perceber que o calor do corpo dela tinha sido substituído por um olhar reprovador. Ela ia dizer algo mas depois abanou a cabeça como se tivesse desistido: " Acho que não vale a pena dizer-te para não te meteres nisso, pois não?"
Ele riu-se e lembrou-se da frase do Katsura. Ela conhece-te bem.
"O Enishi é a única pessoa que pode informar a polícia acerca de quem poderia comprar bombas dessas."Desta vez foi o Kenshin que ficou surpreendido, mas acabou por concordar. "Talvez, eu já tinha pensado nisso…. Tenho de falar com ele."
A Kaoru voltou o rosto na direção contrária: "Vamos pedir a um mafioso que comprove o tipo de vida ilegal que tem…"Suspirou e depois com olhos fixos nele concluiu: "Ainda por cima se fores tu a falar com ele ainda vai ser pior. El gosta tanto de ti como eu gosto dos insultos do Yahiko."
O Kenshin suspirou e levou a mão ao rosto dela: "Não te preocupes com isso." Ela encolheu os ombros: "Era exatamente por este tipo de coisas que eu não queria que tu te metesses nestes assuntos."
"Foi por isso que pediste ao Katsura para nunca me envolver?" Face à pergunta dele a jovem tentou desviar o olhar, mas a mesma mão que servia para lhe acariciar o rosto tambem servia para a fazer olha-lo nos olhos. Sem escapatória e apanhada de surpresa com aquela frase ela acabou por confessar: "Eu conheço-te Kenshin e sei que não vais hesitar em por tudo e todos À frente para ajudar, mesmo que isso te prejudique... e isso não está certo, não está!" – Aquilo era irritante, ela tinha quase a certeza que mais tarde ou mais cedo iriam começar a aparecer as feridas, as nódoas negras que eram a paga pela ajuda que ele prestava. E aquilo era tão injusto. A Kaoru olhou fundo nos olhos dele.
Se ao menos tu fosses mais egoísta… Se ao menos pensasses mais em ti e menos nos outros… Abanou a cabeça e baixou os olhos para o chão. O Kenshin conhecia aquele olhar. Ele sabia o que ela estava a pensar, era o mesmo que das outras vezes, com o Shishio, com o Shougo… ele conseguia perceber o olhar dela até mesmo quando estava incapacitado de ver. Mas agora ele via, e via aquele rosto lindo preenchido de inquietação só por pensar que algo lhe podia acontecer a ele… As suas mãos deslizaram até ao pescoço dela e ele aproximou-se mais. Ele queria fazer aquilo que não fez das outras vezes, beijá-la e dizer-lhe que tudo ia correr bem e que no fim…
Ele ia beijá-la. A Kaoru sentiu-o e estava pronta para o aceitar. Tinha passado grande parte do dia a pensar nos lábios dele e era hipócrita se negasse que um beijo do Kenshin a ia fazer sentir-se bem melhor depois de tudo o que aconteceu. Ela cedeu à pressão no seu pescoço e aproximou o rosto do dele. O Ruivo respirou fundo ao perceber que ia ser aceito e aproximou os lábios dos dela.
A Kaoru fechou os olhos e esperou mas em vez de tocarem na sua boca os lábios dele beijaram-lhe a testa. "Não te preocupes, eu não seria eu se não tentasse ajudar a resolver isto." – Ele olhou-a. Algo havia mudado nos olhos dele. Havia uma dor… um ressentimento, que ele tentou disfarçar com um sorriso: "E tu não serias tu se não me tentasses proteger." – A Kaoru tinha sido apanhada de surpresa, quando é que tudo tinha mudado? Ela pensou que ela a fosse beijar! O que tinha acontecido ali?
O Ruivo levantou-se e deu dois passos atrás ficando de costas para ela. "Mal consigamos encontrar o culpado, eu desapareço."
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O Kenshin respirou fundo. Havia algo no olhar dela que estava diferente. Quando o viu suspirou de alívio, como se finalmente se sentisse protegida. E sentir isso foi tão bom que ele quase a beijou… Mas depois a imagem do proeminente ex-lider dos Ishin e do beijo que lhe deu na noite passada veio-lhe à mente e tudo ficou vermelho. Se a beijasse agora seria como se não a respeitasse…. Se calhar ter vindo até Kyoto tinha sido a pior coisa que ele tinha feito na vida… Quando ele disse que ia embora, o olhar dela enegreceu tanto que ele teve de voltar as costas para suportar aquela dor.
O ruivo caminhou para longe do quarto dela e ficou parado no meio do pátio.
Dor. Era isso que ele lhe causava.
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O Kaji tinha acabado de explicar o plano. Não havia dúvidas na sua cabeça. Era simples e rápido.
"O teu objetivo é matar o Katsura e as restantes figuras do governo colocando uma bomba no ministério?" – O Kauru balançou a cabeça. "Como é que tens a certeza de que eles vão estar todos lá?"
O Kaji revirou os olhos e expirou: "Não interessa se o Katsura está lá ou não."
"Não?!" – o outro perguntou sem perceber
"Destruir a sede do governo vai mostrar ás pessoas que estes lideres são fracos e, que na incapacidade de se protegerem a si mesmos tambem não vão conseguir proteger o povo." – o Kaji explicou enquanto outros na sala abanavam as cabeças em sinal de aprovação.
"Então… o teu objetivo não é matar o Katsura." – o Kauru concluiu.
"Não…" – O Shinji riu-se: "Mas, se ele lá estiver… Então vai ser um bónus."
O Kaji enrolou as plantas do edifício e entregou-as a um dos homens ao seu lado. Depois olhou para os dois pequenos blocos e para os zeros no contador a vermelho. Antigamente a guerra era mais justa. Os homens defendiam-se com os punhos ou com as suas espadas… Agora, estas tecnologias faziam a guerra parecer uma brincadeira de crianças. E, apesar de não o admitir, lá no fundo ele não concordava com isto, mas, ter consciência era agora um luxo ao qual ele não se podia dar a ter. Tinha muito menos homens do que o inimigo e apesar de a raiva os alimentar a todos a verdade é que fisicamente todos eles estavam fracos por falta de comida em condições e treino durante tantos anos.
É só mais um pouco….
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A Misao entrou no quarto da amiga a meio da noite. O Aoshi tinha insistido em jantarem fora porque queria dar tempo ao ruivo e à instrutora de kendo de resolverem os assuntos sozinhos. Mas ela sabia que a Kaoru não podia estar bem: "Como estás?"
A Kaoru sorriu ao ver a amiga entrar no quarto dela ás escondidas. Era quase que impossivel que tivesse saído da beira do marido sem ele notar. Será que a Misao nãpo percebia isso? "Bem, obrigada."
Dobrou os joelhos e sentou-se ao lado dela: "Não pareces muito bem. Aquele homem, ele… assustou-te não foi?"
Kaoru recordou o olhar doentio do Kauru:"Senti arrepios na forma em como olhou para mim…"
"Contas-te ao KEnshin?"
A resposta foi imediata: "Não."
"PorquÊ?" – A Misao arregalou os olhos mostrando claramente que não concordava com aquilo.
Mas a simples menção do ruivo fez com que a Kaoru se esquecesse do Kauru e que um novo medo tomasse lugar: "Ele disse-me que se ia embora Misao, depois de resolver este assunto das bombas, ele disse que se ia embora." – as lágrimas começaram a cair pelo rosto."Eu não sei o que fazer… Estou tão cansada de ser forte."
A Misao abanou a cabeça e abriu os braços para a amiga: "Anda cá." – Fê-la deitar a cabeça no seu colo.
A Misao sabia que a Kaoru vivia entre homens à tempo demais, e que por vezes era preciso ter uma mulher para conversar acerca de certas coisas. A Megumi era carta fora do baralho, visto que prejudicava mais do que ajudava, e agora que ali estava a jovem ninja sentia-se na obrigação de cumprir esse papel. Acariciou o cabelo da jovem deitada no seu colo: "Todos precisamos chorar de vez em quando."
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"O individuo que atacou a Kaoru na noite anterior fugiu da prisão, daí ter conseguido voltar hoje. O nome dele é Kauru." – O Aoshi tinha esperado que a Misao saísse para desvendar as informações que tinha adquirido.
"O que é que ele quer?" o Kenshin perguntou de imediato.
"Pode querer muitas coisas: Afetar o Katsura, Vingar-se da Kaoru por o ter derrotado."
O Kenshin respirou fundo. Ele detestava que ela fosse associada ao Katsura, como antes era associada com ele. A mulher do Battousai. Como os seus inimigos o costumavam chamar."Tu disseste uma coisa à pouco, disseste que foi como se ela tivesse paralisado."
O Aoshi recordou o momento em que tinha chegado a casa: "Sim, mesmo depois de o Kauru ter fugido a Kaoru ficou sem reação, como se estivesse em choque."
O Kenshin lembrou o alivio dela ao vê-lo quando entrou no quarto. Tinha de haver uma ligação.
O Aoshi detestava aquele tipo. Ele tinha acertado na Misao, ele tinha-a magoado. Agora ele percebia como o Kenhin se sentia cada vez que os inimigos ameaçavam a Kaoru.
"Há alguma coisa nesta história que não cheira bem."
O Kenshin levou a mão ao queixo:"O que nós pensamos acerca de ser uma revolta de ex-samurais está certo, por isso, agora só falta falar com uma das poucas pessoas que me pode dizer quem vende este tipo de bombas: Enishi."
"Queres que eu faça isso?" – o Aoshi perguntou mas o ruivo negou de imediato: "Não. Eu trato disto pessoalmente. Amanhã vou informar o Katsura do que pretendo fazer e depois parto para aquela malfadada ilha para falar com ele."
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