Olá a todos!

Muito obrigada pelos vossos comentários, eles ajudaram bastante.

O capitulo já estava escrito há algum tempo, mas eu achava sempre que não estavs perfeito. De modo que hoje dei uma revisão rápida e decidi publicar, porque senão... nunca mais ficava como eu queria...

Pediram-me que fizesse com que o Kenshin e a Kaoru ficassem juntos... Bem... este capitulo é 99% dedicado a eles...

Desculpem pela demora, mas o trabalho e o cansaço estão a levar a melhor de mim...

Quase que nem tenho tempo para ler as fics que sigo e que vão sendo actualizadas...

Mas... Espero que gostem.

Capitulo 12 –Terapia de Choque

Os olhos do ruivo ajustaram-se aos poucos à luz impiedosa que entrava pelas frinchas de madeira dos tapamentos para as janelas. Ele fechou os olhos novamente e expirou com um sorriso nos lábios. Há já muitos anos que não acordava assim, tão…

Livre. A sua mente conseguiu finalmente encontrar uma palavra para aquilo que estava a sentir naquela manhã.

Já não se lembrava de quando tinha adormecido. Mas sabia que o tinha feito feliz… como nunca antes. O que aconteceu ali, entre eles os dois, tinha tido um efeito tão libertador no ruivo que ele, que era sempre o primeiro a acordar, acabou por adormecer naquela manhã.

"Kaoru… acord" – ele olhou para o seu lado direito mas parou de falar ao perceber que ela não estava ali. Olhou para além do futon improvisado no qual ambos tinham passado e noite, mas a casa era pequena e facilmente percebeu que ela não estava ali.

Sem pensar duas vezes ele levantou-se.

Como é que ele pôde adormecer tão fundo que não percebeu quando ela se levantou? Para onde é que ela teria ido? Ela estava tão triste na noite anterior… será que…? Será que se arrependeu? De imediato um sentimento de culpa apoderou-se dele. Eu sabia que não devia ter avançado, eu sabia!

O ruivo abriu a porta para trás e expirou de alivio. Todos os seus medos fugiram.

A Kaoru estava sentada junto à margem do rio, pensativa.

O Kenshin sorriu e encostou-se à ombreira da porta também ele pensativo. Às vezes ainda era difícil acreditar no que se tinha passado. Ele ainda estava à espera do momento em que algo o acordava daquele sonho que tinha sido… a noite anterior:

Flasback:

Assim que entraram na cabana, que ela parecia conhecer bem, o Kenshin ficou admirado com a conservação do seu interior: "Parece que alguém cuida deste lugar com regularidade."

"O meu pai costumava trazer-me para aqui em criança." – ela baixou-se e abriu um pequeno armário retirando do interior umas toalhas. "Não sei se pertence a alguém, mas o certo é que nós fazíamos sempre uso dela quando aqui vínhamos." – a Kaoru deu-lhe uma das toalhas e com a outra começou a secar o cabelo. O Kenshin copiou os movimentos dela, mas com a chuva que tinham apanhado os dois, aquilo não ia servir de nada: "Estás encharcada, o melhor era trocares as roupas exteriores e vestires algo seco." – disse sem pensar muito no significado do que estava a dizer.

Ela sabia que estava encharcada até aos ossos, mas, havia fatores que ela não podia ignorar: "Não há nada para vestir Kenshin."

Caindo em si e constatando no que a sua frase anterior implicava ele erubesceu um pouco mas tentou disfarçar baixando-se à procura no mesmo armário do qual ela tinha tirado as tolhas, algo que os pudesse ajudar:"Mas podes envolver-te nestes lençóis." Sugeriu quando encontrou uns tecidos compridos. A Kaoru ficou a olhar para ele sem expressão e o Kenshin compôs: " Eu viro-me."

"Kenshin e tu?" – ele não achava mesmo que ela ia deixar que ele apanhasse um gripe enquanto ela se aquecia.

"Eu vou ficar bem." – respondeu dando-lhe os lençois e virando as costas À espera que ela se despisse e embrulhasse neles.

Mas isso não aconteceu, em vez disso ele ouviu-a dizer: "Tu não consegues pois não?"

Ele espreitou primeiro antes de se voltar completamente, não fosse ela estar a despir-se: "O quê?" – perguntou.

As mãos dela pousavam nas ancas em sinal de quem ia discutir, mas desta vez ela tinha quase como um sorriso escondido bem lá no fundo. "Parar de pensar nos outros primeiro em vez de ti." Ela já o conhecia bem demais.

"Oh… Não é nada." Quando ela abanou a cabeça a ferida no ombro chamou-lhe a atenção. Ele aproximou-se e examinou a parte que o kimono rasgado dela deixava transparecer: "Isso tem de ser limpo para não infecionar." – E sem mais demoras o ruivo rasgou um pouco da sua roupa levantou-se e foi à porta. Quando voltou a peça já está molhada: "Devia ser água quente e não água da chuva, mas, é só por um pouco certo?"

Por algum motivo a Kaoru não lhe respondeu. A verdade era que cada vez que pensava em voltar para o dojo o estômago embrulhava-se.

"Posso?" – Ele fez sinal para rasgar um pouco mais do tecido do kimono para conseguir limpar. A Kaoru assentiu.

O ruivo afastou um pouco para baixo a parte da roupa que estava rasgada no ombro dela, e, começou a limpar o corte. Enquanto o fazia ele pensou em todas as coisas que lhe poderiam ter acontecido se ela não tivesse sido capaz de se defender, e agradeceu a Deus que nada de mal lhe tivesse acontecido.

"Eu estou bem Kenshin. Não precisas de te preocupar." Ela forçou um sorriso.

Agora quem é que está a pensar nos outros? Ele perguntou-se a si mesmo sabendo que o objetivo dela era apenas descansá-lo. Mas ele sabia que ela não estava bem.

"O que me preocupa não são as tuas feridas físicas…." O golpe da espada tinha sido longo, ia desde a parte da frente até chegar ao ombro, as mãos dele pararam na linha da frente, na parte em que a ferida começava a descer para sítios que lhe seriam com certeza vedados. "Porque dessas eu posso bem tratar." – olhou-a nos olhos – "O que me preocupa são as que vão mais fundo e às quais eu não posso chegar." – a Kaoru olhou-o pensativa, mas mais uma vez sem responder.

Ambos se sentaram.

"Como estão as tuas costas?" – ele levantou-se de novo e deu a volta ficando ela de costas para ele.

Alguns sítios do kimono estavam rasgados nas costas, provavelmente quando o edifício explodiu ela tinha sido levantada no ar e depois alguns detritos da explosão embateram nela. Como é que ele ia fazer aquilo sem perturbar a intimidade dela?

Se ele não podia nem mesmo tratar aquelas feridas que ele podia ver porque tinha medo da reação dela, como é que ia tratar as outras, as que estavam escondidas no seu coração?

"Estas a falar… por experiência?" – ela tinha ficado presa no passado e o Kenshin teve de repensar o que tinha dito para perceber ao que ela se referia – as feridas que iam mais fundo que eram aquelas que ele não podia tratar. Mas ele ficou em silêncio sem resposta. Sim, ele tambem tinha feridas escondidas.

Quando ele não respondeu ela continuou: "Ou achas que eu não sei que mesmo quando sorris há uma mágoa enorme por trás? Como se te achasses indigno da felicidade por causa do teu passado?"- eles estavam de costas um para o outro, mas bastava a voz dela para ele conseguir imaginar o seu rosto na sua frente, com um misto de mágoa e esperança… "E agora a tua pergunta é: Como vais curar as minhas feridas?"

Quantas vezes ela fez o mesmo que ele lhe estava a fazer, e enquanto o fazia pensava em tudo o que ele poderia ter sofrido… e mesmo assim ele…. "Como é que podes KEnshin?" Como é que ele podia pedir para curar as feridas dela se não conseguia deixar sarar as suas próprias?

O Kenshin ficou silencioso por bastante tempo enquanto as suas mãos limpavam as costas martirizadas dela e foi quando a Kaoru já não esperava uma resposta que ele lha deu: "Somente se me deixares fazê-lo. Se me deixares eu tenho a certeza de que consigo" … ele parou para respirar fundo e acrescentou com convicção: "Irei tentar até que um dia isso sejam apenas memórias ténues de um passado distante…"

"E tu Kenshin? Será que alguma vez me deixas-te curar-te? Pegar em água e limpar as más memórias?" – Ela encarou-o: "Sabes quantas vezes eu tentei fazer isso contigo?"

Ele deu uma pequena gargalhada. O pedaço de roupa rasgado das suas vestes contorcia-se nas mãos… Ele desviou o olhar dela e procurava encontrar as palavras certas para lhe dizer o que qeuria, mas nada parecia ser o mais apropriado. Que se lixe. Sai como tiver de sair… O Kenshin fixou-se nos olhos azuis dela e não desviou: "Tu nunca te deste conta, pois não? Há já muito tempo que tu me curas-te Kaoru… Há já muito tempo que o meu passado deixou de ser impedimento para te amar… Mesmo quando as más memórias voltavam eu sabia que tudo isso fazia parte do passado e que o meu futuro era esperançoso porque tu estavas lá, tu eras o meu presente e o meu futuro… Por isso eu voltei… Porque sem ti… Tudo volta a ficar a preto e branco… Tudo volta para trás…" ele pousou o pano nas pernas e os seus olhos imploraram: "Há já muito tempo que eu deixei que o curasses Kaoru." – ele pousou a mão dela no peito dele – "Faz o mesmo comigo, por favor."

A Kaoru sentiu que tinha sido atropelada por um touro. Toda aquela revelação, o olhar dele o pedido, a mão que escaldava no seu peito… Era verdade. Aquele era ele. Sem fingimentos, sem máscaras nem rodeios…

O Kenshin suspirou. Já tinha dito a verdade, o que é que ela ia fazer agora?

A Kaoru voltou para a posição inicial E desenrolou o obi. Mal ficou solto a parte de cima do kimono escorregou-lhe pelo tronco abaixo deixando-a exposta. A Kaoru cruzou os braços tapando os seios.

Sem se aperceber o ruivo deixou de respirar.

"Há algo no lado direito ao fundo algo que me incomoda imenso e me magoa."

O ruivo tentou concentrar-se e procurou nas costas agora desnudas aquilo que a incomodava. Quando as duas mãos tocaram na pele dela, a jovem estremeceu, talvez de frio, talvez por outro motivo qualquer… Percebendo ao que ela se referia, ele limpou com as mãos um pouco a tremer o sitio que ela pediu. Era normal que lhe doesse, estava todo sujo e cheio de areia. "Já está melhor?"

Ela assentiu.

Ele tentou concentrar-se em limpar os restantes arranhões e feridas que ela tinha e aqui e ali nas costas.

"Sabes que, por mais que trates delas e por mais bem que as cuides sabes que vão sempre demorar algum tempo a curar…" ela concluiu.

Ele percebeu o que ela queria dizer. O Kenshin sabia que ela estava diferente, tudo o que tinha acontecido naquele dia ia deixar marcas, tal e qual como o seu passado tinha deixado a cicatriz que ele tinha na cara, mas a verdade é que ele esperava ao longo do tempo que isso fosse curando: "O tempo que precisares Kaoru."

"Não." – ela voltou-se ficando de frente para ele, com as mãos ainda a taparem-lhe os seios: "O tempo que tu me deres Kenshin." Era como se ela lhe estivesse a dizer que era sua responsabilidade tratar dela. Como se se entregasse nas mãos dele dizendo-lhe que ele e só ele estava autorizado a curá-la.

Dominado pelo momento, pousou as suas mãos no pescoço dela e olhou-a apaixonado: "Para ti…Toda a minha vida."

Mas ela não cedeu colocando mais uma imposição: "Toda, desde o inicio?" – A Kaoru queria saber tudo a vida dele e os erros dele, só se falassem abertamente um com o outro ela ia conseguir confiar nele de volta.

"Tudo o que quiseres Kaoru."

Ela retirou as mãos que tapavam os seios e passou pelo cabelo dele. Como ela sempre queria ter feito aquilo… ás vezes era tão ruivo que nem parecia real.

Ele sentiu que já não conseguia mais controlar e beijou-a. Beijou-lhe o rosto, o pescoço, os lábios, e estava ávido por mais, à medida que sentia o coração bater-lhe acelerado no peito, mas depois parou: "Tens a certeza de que não te vais arrepender?"

"Tu vais?" Ela inclinou a cabeça na lateral como se estivesse a tentar lê-lo.

"Não, nunca." – a convicção dele convenceu-a e por isso A Kaoru sorriu e expirou: "Eu preciso deste momento contigo… Tu és o homem a quem eu amo e eu não consigo fugir a verdade, por mais que tente."

Foi aí que ele a abraçou contra si com força. "Eu vou cuidar de ti, meu amor." –O corpo dela estava quente em comparação com o dele… as suas mãos desceram até à cintura dela e exploraram o resto do corpo ainda escondido pelo tecido do quimono: "Eu amo-te Kenshin." – ela sussurrou-lhe aos ouvidos. "Só tu me podes fazer esquecer este pesadelo…" – ela passou as mãos pelo hakama dele e puxou-o para baixo deixando de tronco descoberto também. O Kenshin não queria perder o contacto físico com ela, mas tinha de parar para a ver… Ele queria ver aquele anjo render-se a ele: "Faz-me sonhar." – as mãos dela circundaram o seu rosto levando-o de novo aos lábios que se envolveram num beijo que parecia não ter fim.

Ele parou de a beijar e encostou a sua testa na dela por instantes ainda ofegante com tudo o que estava a acontecer. Sem tirar os olhos dela ele desapertou o cinto que segurava a parte inferior da sua roupagem e lentamente deitou-a para trás. O coração batia a mil por tambem milhentas razões.

A Kaoru tentou controlar a respiração, o que estava a acontecer ali era tão importante que ela nem conseguia raciocinar.

Ali estava ele, o homem a quem ela amava tresloucadamente completamente desnudo de preconceitos a fazê-la viver um dos momentos mais importantes para uma mulher, num dos dias que tinha sido dos piores da sua vida.

Mas ela só conseguia concentrar-se no que sentia e no que tinha vontade de fazer, ou de deixá-lo fazer… Com o corpo dele em cima do seu, ela conseguia sentir coisas que nunca antes tinha sentido, e a forma como as mãos dele percorriam as suas pernas faziam-na ter de se conter para não explodir por dentro. Se ele subisse mais as coisas iam ficar impossíveis de conter.

A Kaoru fechou os olhos com força e foi aí que sentiu que ela a tinha deixado de beijar. Quando percebeu a nova direção que os lábios dele tomavam ela sentiu que estava prestes a se descontrolar por completo. Com uma mão ele segurava o braço esquerdo dela e com a outra a perna direita, enquanto que com a boca ele devorava os seios da jovem. A forma como a língua dele lambia o seu mamilo deixou-a fora de si e sem querer ela deixou escapar um gemido. O Ruivo sorriu para si mesmo. "Ken…shin…" – as mãos dela penetraram fundo no couro cabeludo dele e as dele posicionaram-no para o que vinha de seguida. Ele tinha de continuar ou ambos não iam aguentar mais todo aquele calor, sim, porque de repente tinha ficado quente ali dentro.

"Hah… Kenshin…" – ela mordeu a orelha dele e depois deitou a cabeça para trás de prazer enquanto ele penetrou mais fundo ainda enquanto a abraçava contra si com ambos os braços. "Shhh… meu amor…" Descontrolada a Kaoru cravou as unhas nas costas dele, mas o ruivo não se queixou, o prazer era maior do que a dor. "Eu preciso tanto de… ti…" – ele sussurrou-lhe aquilo que o medo nunca antes o tinha deixado dizer, enquanto o movimento os levava a ambos ao êxtase: "Eu quero-te Kenshin…" – ela gemeu ao sentir que estava a chegar a um ponto ainda mais alto. Uma das suas pernas pousou nas costas dele. Ela não sabia o que era aquilo, mas o que quer que fosse ela queria mais e mais e ele correspondia.

Quando estava quase sem ar a Kaoru sentiu-o a parar. A sua cabeça parecia que ainda andava a roda. Mas ela descansou quando o viu sorridente a olhar para ela com gotas de suor a escorrerem -lhe pelo rosto. Ela trincou o lábio: "O que foi isto Kenshin?"

Eu deu uma pequena gargalhada que fez o corpo dela tremer porque ainda estavam ligados : "Isto… foi… uma terapia de choque…"

Ele estava exausto e deitou-se ao lado dela, beijando-a mais uma vez, e puxando o kimono dela sobre eles os dois para os tapar.

Os olhos dela desfocaram-se dos dele por instantes e o medo ressurgiu na expectativa do que ela poderia estar a pensar: "O que foi Kaoru?"

Ela abriu um sorriso envergonhado: "Eu nunca pensei que fosse tão bom…"

Ele riu-se e abraçou-a: "Eu tenho de te confessar, que eu também não."

As sobrancelhas dela uniram-se em arco: "Mas tu já… tu eras casado!" – ela corou ao falar.

Ele encolheu os ombros e as bochechas ganharam uma cor avermelhada. Era estranho falar daquilo com ela: "Sim, eu sei que já não foi a primeira vez… Mas nunca foi assim Kaoru… nunca foi tão especial como contigo…"

Ela abriu um sorriso e ele ficou com medo da pergunta que vinha a seguir: "PorquÊ?"

O Kenshin abanou a cabeça: "Ora, não vou falar disso agora!"

"PorquÊ? Pensei que tínhamos acordado não ter segredos!?" – Ela deu um pequeno murro no peito dele.

O Kenshin fechou os olhos e suspirou. Era normal que ela quisesse saber mais, afinal de contas tinha sido a primeira vez dela, e, era tudo novo, mas, não era propriamente fácil para ele falar do assunto. "Porque contigo eu senti, o meu corpo respondeu de outra forma, eu… fiz coisas que nunca fiz antes e… " – ele pousou a mão nos seios dela: "e amei."

O rosto da Kaoru ganhou luz quando percebeu que ele estava a ser completamente sincero. Se calhar por perceber isso, ela acabou por se descair: "Eu tinha tanto medo…"

Ele levantou um pouco a cabeça e olhou para ela preocupado: "PorquÊ?"

A jovem encolheu-se nos braços dele: "Não sei…" – Era um bocado embaraçoso explicar: "Mas foi tão bom… Eu amo-te tanto… Por um momento… eu esqueci tudo e só pensei em ti." As palavras levaram-no a sorrir."Não tens de pensar em mais nada." – disse acariciando-lhe o cabelo.

Após alguns segundos de silêncio ela levantou a cabeça e olhou para ele: "E tu? No que estás a pensar?"

Ele inspirou. "Não sei… em nada em particular…" Os olhos lavanda fixaram-se nos dela…. Era quase impossível haver algum humano com olhos daquela cor… Não! o Kenshin não podia ser humano, tinha de ser um anjo, ou qualquer criatura divina esquecida na terra… "Só me apetece olhar para ti e ter-te nos meus braços…"

"Mas eu estou nos teus braços."

Ele apertou-a mais: "Quem me dera nunca te soltar daqui…" Suspirou e ficou a pensar por alguns segundos: "Sabes tu devias ter… um sistema qualquer que não te deixasse afastar de mim mais do que alguns metros."

"Kenshin a isso chama-se trela e usasse para os cães! Acho que connosco não ia funcionar!" – Ambos se riram da estupidez que ele tinha acabado de dizer. Mas era tão bom. Era bom para ela vê-lo tão livre, e era bom para ele sentir que com ela o seu mundo passava de cinzento a colorido num ápice. Por isso é que ele sentia que não mais podia perder o que tinham conseguido naquela noite.

"Mas ao menos protegia-te de tudo." – ele disse ainda a pensar na ideia estapafúrdia da trela da trela. "Desculpa, eu não consigo parar de me culpar, se eu não estivesse longe…"

"Como foi contigo?" – ela cortou-o abruptamente

"Como?" – ele perguntou sem perceber ao que se referia.

A Kaoru apoiou-se no cotovelo para o olhar nos olhos, enquanto ele ajeitou as roupas que os tapavam para ela não ficar com as costas descobertas: "Eu nunca percebi… o teu mestre ensinou-te tudo certo? Mas tu vieste embora com o treino incompleto? PorquÊ? O que te apressou?"

Foi aí que o ruivo percebeu. Ela queria saber. Ela queria conhecer a parte da vida dele que ele nunca tinha contado a mais ninguém. Sorriu. E ela tinha direito de saber… "Os meus pais morreram quando eu tinha oito anos…."

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O Katsura olhou em volta para os restantes políticos e pessoas do governo a quem ele tinha escondido numa das suas casas antigas. O ambiente estava estranho. Ninguém falava, mas ele sabia que todos estavam preocupados. Todos eram alvos, afinal de contas. Ao atacarem a sede do governo, os atacantes deixaram claro o seu ponto. Nenhum politico estava impune. Apesar da experiência que tinha, ele não sabia como deviam reagir, muito menos contra quem. O Saito acabado de chegar perguntou: "Já tens algum plano?" ele atirou a cinza do cigarro para o chão e o Katsura ficou em branco por alguns momentos.

"Não." – abanou a cabeça – "A ida à ilha ajudou em alguma coisa?"

O outro torceu o nariz. "Não muito, mas deu-me algumas ideias." – O policia esperou alguma pergunta por parte do Katsura, mas nada veio. O que quer que seja que te está a passar pela cabeça agora, esquece… Não estou aqui para aturar as crises de um líder que nem sequer lutava do meu lado… Irritado com a passividade do homem ao seu lado, o Saito atirou o cigarro para o chão e calcou-o.

"Onde está a Kaoru?"

De inicio o ex-lider de Shinsen pensou que tinha ouvido mal, mas quando olhou para o rosto do Katsura percebeu que algo o preocupava. O Japão podia estar prestes a entrar numa guerra civil, e ele estava preocupado com a mulher do Battousai?! O Saito teve vontade de dar uma gargalhada com as ideias que surgiram de repente na sua mente… Como é que aquela tanuki se meteu no meio daqueles dois? Isso por si só já devia ser o suficiente para uma guerra civil…

"O Battousai deve estar com ela."

Ele suspirou de alívio. Com o Kenshin ela estava segura. Mas, mesmo assim ele não conseguia, por mais que tentasse esquecer as suas últimas palavras:

"Vamos?" – Ele segurou-lhe a mão mas a Kaoru afastou-o com repulsa. Ele abriu a boca para argumentar mas não sabia o que dizer, o olhar dela era duro demais para qualquer argumentação. A Kaoru deu dois passos atrás: "O meu lugar é aqui."

"Kaoru, tu corres perigo!" – deu um passo na direção dela. "Por minha causa!"

A Kaoru deu um sorriso seco, como se estivesse desiludida com ele. E, porquê que ele sentia que ela estava certa?"Um amigo ensinou-me que não podemos salvar o mundo, mas se estiver no poder da nossa mão ajudar alguém e não o fizermos…" Ela hesitou e ficou parada no tempo por alguns segundos, como se estivesse a recordar algo, mas por fim acabou por dizer: "O meu lugar é aqui."

Ela odeia-me. "Eu preciso ir ter com ela." – Ele começa a caminhar mas o Saito impediu-o. "Onde é que pensas que vais?" – ele fixou o olhar nele. "Tu não podes sair daqui até sabermos se é seguro! Achas mesmo que não preferia estar com a minha mulher em casa?"

O Katsura ignorou-o. "Isto está a ir longe demais. Só há uma pessoa que pode resolver isto e eu vou ter de recorrer a ele."

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"Kenshin?" –ela já devia estar parada à frente dele à algum tempo, mas as memórias da noite anterior tinham-no deixado completamente fora de órbita.

Mas… Porquê que ela estava tão corada?

Ele tentou explicar-se: "Desculpa eu não te estava a espiar é só que acordei e não te vi e fiquei preocupado e depois…!" – Mas porquê aquela expressão de gozo no rosto dela? O ruivo começou a estranhar: "Kaoru o que foi?"

"Tu… não tens frio?" – ela perguntou apontando para baixo.

Os seus olhos seguiram as mãos dela e foi aí que ele percebeu que tinha estado todo aquele tempo sem roupa. Enquanto a Kaoru gargalhava quase até perder o fôlego ele voltou para o interior da casa e começou à procura das suas roupas.

Como é que ele não se tinha apercebido de que estava nú? Por momentos ele também teve vontade de se rir. Realmente… Sentia-se tão leve que já nem se lembrava de se vestir… Vendo pelo lado positivo, ao menos tinha acontecido num lugar reservado… Se fosse no dojo ele nem queria imaginar no que ia ter de aturar….

Ajeitou a parte superior da roupagem e apertou o cinto. Aquele lugar ia trazer-lhe boas recordações sempre… E ele ainda não sabia se estava pronto para se despedir já… Mas… e ela? Ele conseguia sentir que a Kaoru não estava a cem por cento. Algo a perturbava. Mas… O quÊ?O Kenshin observou-a enquanto ela olhava pela pequena janela: "Estás pensativa."

Ela abanou a cabeça: "Não consigo esquecer…. O olhar apavorado dela enquanto se agarrava à minha mão com todas as forças Kenshin… Eu acho que ela percebeu primeiro do que eu que ia cair."

A dor… o arrependimento, o sentimento de que havia algo que ela podia ter feito melhor… Quão atormentadores eram esses sentimentos… Mas ele não a conseguia ver assim, não a ela… aproximou-se e esfregou-lhe os braços num gesto reconfortante: "Eu sei o que estás a sentir… Não te vou mentir, não vais esquecer isso facilmente… Não conseguir salvar alguém é… devastador... Mas não estava no poder das tuas mãos fazê-lo Kaoru, ou tu tê-lo-ias conseguido fazer…"

A sinceridade vestiu-se de azul nos olhos dela: "Como conseguiste superar?"

O Kenshin suspirou: "Ainda não consegui… Ainda nos dias que correm ás vezes acordo sobressaltado com aquela boneca a olhar para mim."

"O quÊ?"

Era normal que ela não percebesse logo, mas o truque do Enishi tinha tido um impacto muito forte em todos os habitantes do dojo, principalmente nele…. Daí quando lhe disseram que ela estava viva, tenha sido tão difícil de acreditar, de tão real que aquela imagem era… "Quando te raptou, o Enishi colocou aquela boneca que parecia uma cópia exacta de ti? Nós já te contamos acerca disso."

"Ah sim."

"Mesmo hoje, sabendo que aquela não eras tu, aquele olhar vazio ainda me aterroriza… Era como se tu me estivesses a dizer que após ter salvo tanta gente… Porquê que não me salvaste a mim?" Como se a minha perícia não me valesse de nada, como se só servisse para destruir e não para ajudar…

Antes talvez ela o tentasse convencer do contrário lembrando-o de quantas pessoas ele já tinha ajudado… Mas, depois de tudo que tinha passado ela conseguia entender perfeitamente que por mais que fossem aqueles que se salvam, os que se perdem são sempre os que ficam na memória… Porque doí quando se falha… "Detesto este sentimento de… Fraqueza… Nestes últimos meses tem acontecido tantas coisas que me fizeram sentir isto…" A Kaoru abanou a cabeça: "O aparecimento da Tomoe, a morte daquela menina, o Kauru… Era como se as coisas estivessem a acontecer à minha frente mas eu não conseguisse fazer nada para intervir… Como se eu estivesse Impotente perante tudo…"

Mas ele impediu-a de continuar. Aquelas não eram as culpas dela e ele ia protege-la até mesmo de si própria: "Tu não podias ter feito nada no que dizia respeito ao reaparecimento da Tomoe. Era eu quem devia ter agido, e o meu erro acabou por te fazer sofrer, mais uma vez. Mas, não há um único dia em que eu não me arrependa… O Kauru foi outro erro meu. O Aoshi avisou-me em relação a ele, e eu devia ter ficado em cima, nunca devia ter ido falar com o Enishi sem antes te dizer para não saíres de perto deles..."

Os olhos dela abriram-se de espanto : "Tu foste falar com o Enishi? Foi por isso que desapareces-te a manhã toda?"

"Sim… Mas não foi de grande ajuda… Ele não colaborou muito, eu acho que foi principalmente por eu estar lá… O que me deixa ainda pior. " – encolheu os ombros.

A Kaoru já calculava que isso fosse acontecer. O Enishi detestava o Kenshin com todas as forças, nunca ia fazer nada se fosse ele a pedir-lhe.

"Como podes ver… não és a única atormentada aqui… Os meus pecados são bem maiores do que os teus meu amor…" – ele disse-lhe ao ouvido, mas a Kaoru não reagiu, a sua mente ainda estava presa no que ele tinha dito antes.

Olhou-o curiosa: "Se estiveste na ilha… viste a Tomoe? VocÊs… falaram?"

"Quase nada porque só tínhamos uma hipótese de voltar ainda hoje, e estávamos com pressa para apanhar o barco de volta para aqui." Respondeu percebendo finalmente o que a preocupava.

A Kaoru olhou para o chão. Tomoe… Na noite anterior nem tinha pensado nela. Todas as suas memórias eram deles os dois e dos seus corpos transpirados… não tinha havido lugar para mais nada…. Mas… este era o mundo real, não apenas um sonho. E… agora?

O Kenshin passou uma mecha do cabelo dela por trás da orelha: "Eu prometo que mal esta situação com o governo esteja resolvida, eu vou tratar de nós… De ti… para sempre." – não era dificil perceber o que ia na cabeça da Kaoru.

"Tu queres fugir?" – a jovem olhou-o finalmente.

Antes ele tinha pensado nisso, mas, rapidamente percebeu que ia ser um gesto erróneo e egoísta. Ele abanou com a cabeça. "Não… Fugir não te ia deixar ser feliz… Tu precisas dos nossos amigos, tu precisas do teu dojo… Eu conclui que se eu te obrigasse a deixar tudo isso para trás… talvez um dia me acusasses de ser infeliz por minha causa… E esse talvez viesse a ser o meu maior pecado – Fazer-te infeliz."

Foi aí que nos olhos dela se acendeu uma chama, e o ruivo ficou sem perceber se isso era bom ou mau.:"Kenshin as coisas não são assim. Eu amo-te e tu fazes-me feliz… Eu não sou ingénua, eu sei que o mais provável é eles (os nossos amigos) irem partindo com o tempo… E pára de dizer que os teus pecados são maiores do que os meus… Eu não gosto de te ouvir a inferiorizares-te desta forma…. Tu fizeste coisas erradas, sim! Mas quase morreste por várias vezes a tentares compensar os erros que fizeste no passado! Sabes o que eu nunca te perdoaria? Que morresses numa dessas batalhas e nunca mais voltasses para mim! Isso sim, eu nunca te perdoaria!"

Ambas as mãos do samurai seguraram nas dela. Era bom ouvir o quanto ela se preocupava, e aterrorizante saber o quão perto ele já tinha estado de a magoar: "A uma determinada altura, na minha luta com o Shishio, eu… estava completamente exausto… E passou-me pela cabeça desistir, após tudo o que tinha acontecido ali… O Shishio nunca mais teria capacidade de se recompor, mesmo que eu perdesse… Se algum dia ele ganhasse forças para tentar tomar o país…. Haveria alguém mais jovem e mais forte do que eu para o parar…"

Como é que alguma vez ele podia ter pensado em desistir da vida? "Kenshin…" - Ela ia contrapor mas ele impediu-a:"Mas foi nesse momento em que… eu pensei em ti…" – Os seus olhos vaguearam pelo rosto dela com um sorriso: "E tu dizias-me que eu tinha feito uma promessa e tinha de a cumprir: Vamos voltar juntos para Kyoto? Lembras-te?" – levantou o queixo e num gesto de imensa ternura deu-lhe um beijo na bochecha esquerda. "E é por esse motivo que eu estou aqui vivo hoje…"

"Oh Kenshin, eu…." – mais uma vez ele impediu- de continuar.

"Quando te sentires mal por não ter conseguido salvar aquela menina… Lembra-te de que o único motivo pelo qual eu estou vivo hoje, foi para cumprir a minha promessa de voltar para ti… A motivação que me levou a levantar do chão e apanhar a minha espada de novo foi a de voltar a ver o teu rosto novamente. Eu tinha de chegar vivo a Edo, onde tu estavas, para te ver nem que fosse só mais uma vez … e aí Deus decidia o resto." Ele sorriu: "Tu, salvas-te-me."

A Kaoru não sabia se havia de rir ou de chorar. Quão perto tinha ele estado da morte? Afinal as feridas dele não contavam nem metade da história. Estar a ponto de desistir?

Por outro lado, era maravilhoso que ele estivesse a abrir todo o coração… A Kaoru sentia-se a entrar dentro da cabeça dele e a perceber a história não contada por detrás de todos os acontecimentos. Acima de tudo, era maravilhoso que ele lhe atribuísse a ela o louvor por tudo aquilo: "Porquê que nunca me contas-te isto antes?"

"Não ia fazê-lo assim do nada."

A Kaoru deu uma gargalhada e acrescentou: "Kenshin, tu já salvas-te a minha vida vezes sem conta, se alguma vez eu salvei a tua, eu contínuo a dever-te todas as outras vezes."

"A maior parte das vezes os meus inimigos perseguiam-te, era minha culpa que tu estivesses numa situação em que precisavas que te salvasse."

Ela cruzou os braços e começou a bater com pé: "Não é bem assim!"

Ele deu-lhe um leve piparote no nariz: "Tu sabes bem que sim…"

Ela sacudiu a mão dele: "Tu és teimoso."

"Sabes uma coisa?"

"O quÊ?" – ela pousou as mãos nas ancas em posição de ataque. Nem que fosse verbal. Ela não ia perder aquela discussão. Mas isso foi antes de ouvir as palavras que saíram da boca dele de seguida: "De todos os momentos da minha vida… O único no qual eu me senti livre de todos os meus… males… foi ontem… contigo…"

A jovem abriu a boca de espanto mas não conseguiu formular nenhuma palavra.

"É verdade Kaoru… ontem em nenhum momento eu pensei em outra coisa que não fossemos nós… aquele momento, no que estava a acontecer… em ti… em quanto eu quero ter-te ao meu lado… em quanto eu me sinto dependente de ti. Por isso é que quando acordei e não te vi aqui… me levantei sem perceber que estava… sem roupa."

Ela riu como uma criança: "Ainda bem que este sitio é escondido caso contrário, teria sido muito embaraçoso."

Os dois começaram a rir-se, mas quando a piada passou a Kaoru teve de encarar a pergunta que a tinha atormentado toda a manhã: "Temos mesmo que ir já embora? É que eu sinto que isto é um sonho e que assim que voltemos para casa vai acabar. E eu não quero isso."

"Não…." – a mão dele pousou no peito dela: "Não vai acabar…" – os olhos dela acompanharam enquanto ele levava a sua mão ao peito dele: "É ?" – a Kaoru sorriu ao sentir o coração dele bater contra a sua palma."Mas… se quiseres eu conheço outras formas de te provar que é tudo bem real."

A Kaoru corou profundamente. Ainda não estava habituada a lidar com aquele novo Kenshin… Mas era bom…

Ele levantou-a do chão e rodopiou, parando alguns segundos depois, ainda com ela nos braços. Os olhos dele mergulharam fundo nos dela.

A Kaoru já estava rendida… Vamos deixar que o sonho dure mais um pouco… afinal de contas, não faz mal sonhar... Mas depois, algo a fez parar: "Mas no dojo, não vamos puder estar assim… juntos…" – era estranho que o lugar que sempre tinha sido o seu abrigo, agora parecesse ser um impedimento para algo que a fazia feliz.

Ele pousou-a lentamente no chão: "Eu sei…" – ele beijou várias vezes o rosto dela: "Mas nós havemos de encontrar uma forma."

Ela Tinha de ter a certeza. Todas as suas esperanças pareciam ser sempre cortadas pela raiz, mas nisto, nisto ela tinha de se sentir segura: "Prometes?" – insistiu.

O Kenshin parou de a beijar e olhou-a. As suas mãos puxaram-na para ele ficando as suas faces a milímetros de distância uma da outra. Era impossivel mentir quando alguém te olha daquela forma:

"Prometo." E levantou-a novamente, apenas para a deitar segundos depois: "Prometo, meu amor."

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Ai... Eu não tenho muito jeito com cenas intimas...

Fico um bocado... Sem saber bem como descrever as coisas... e depois... não sei se ficou bem ou se ficou a parecer idiota...

Só vocês é que podem dizer...

Espero que não tenha sido um total desastre.

Beijinhos

Jou