Obrigada Mizkenzo e Angelica Chibi lua pelos vossos comentários ao capitulo anterior~, eles fizeram-me ficar mais descansada em relação à cena intima entre os nossos personagens principais.

Mais uma vez e como sempre desculpem a demora na publicação do capitulo, mas apesar de ter tido algum tempo de férias, foi apenas uma semana e passou a correr com todos os compromissos que eu tinha acumulado para esses dias. Enfim... como diz a música dos meus queridos Xutos e Pontapés: "A vida vai torta... jamais se endireita..."

Bem espero que gostem deste capitulo, ele pode conter algumas falta de assentos e sinalização e alguns nomes japoneses podem estar mal porque eu escrevi isto no tablet e ele tem a mania de corrir Misao por exemplo para Milão... enfim... mais considerações no final.

Até já.

Capitulo 13 - Pressentimento

Um dia Depois dos eventos do capitulo anterior:

O Sano olhou irritado para o policia com o seu habitual cigarro. Ele não percebia se aquilo era um vicio ou apenas mais uma forma de fazer com que os outros À sua volta se sentissem incomodados: "Pareces uma chaminé."

O Saito desviou-lhe o olhar e acometeu-se a um simples: "Huh…" A Tokio estava farta de lhe dizer o mesmo, mas, se ele não ouvia a mulher muito menos ia aceitar um conselho de alguém como o Sano: "Não tenho de ouvir isso de alguém que perde tudo nas sextas feiras de jogo…. "

O humor do Sano já não estava famoso em primeiro lugar porque a Kaoru tinha desaparecido mesmo debaixo do nariz dele, e depois porque após a Misao ter recebido a mensagem do Kenshin a dizer que estava com ela, todos pareceram ficar tranquilos… Mas será que ninguém percebia que se ela não estava em casa é porque não estava bem? Porquê que o ruivo não a tinha trazido para casa? Tinham eles sido apanhados no meio do temporal da noite anterior?

Sem perceber porquê que a provocação não tinha pegado o policia continuou: "O Battousai?"

"Não o vejo desde ontem." – o Sano respondeu pensativo – "Espera… ele esteve contigo, onde é que vocês foram durante todo o dia?"

O Saito expeliu o fumo do cigarro para cima do Sano numa tentativa de o irritar ainda mais. "Fomos À casa do Yukishiro."

"o Quê?" – O Sano perguntou incrédulo: "VocÊs foram onde?"

A Misao e o Aoshi aproximaram-se assim como o Yahiko que acabara de entrar no dojo naquele mesmo momento. "A Kaoru já apareceu?" – foi a primeira coisa que ele perguntou.

O Sano suspirou: "Não…" – Na sua cabeça ele tentava ligar os motivos de ela ainda não ter aparecido à informação que o Saito lhe acabara de dar, e algumas coisas estranhas lhe passaram pela mente, coisas que ele não queria dar a entender… – "Mas não te preocupes miúdo. Depois de tudo o que aconteceu, a Kaoru vai precisar de algum tempo para pensar, para pôr as ideias em ordem, e ninguém melhor do que o Kenshin para a ajudar nesse momento."

O Saito atirou o cigarro ao chão e pisou-o: "Quando eles chegarem avisem."

O Aoshi assentiu e caminhou para fora do dojo juntamente com o policia, enquanto o Yahiko foi para a cozinha e a Misao ficou a sós com o ex-lutador de rua.

"A situação não é assim tão simples…" – ela olhou para ele. O Sano percebeu o que ela quis dizer. "Eu Sei." - respondeu. O fato de o Kenshin ser casado não mudava o que eles sentiam, mas mudava tudo o resto. E se até agora ele achava que tudo estava a correr dentro dos limites, numa situação como esta as coisas ficavam mais difíceis de controlar. A Kaoru estava frágil e o ruivo detestava vê-la assim, e iria fazer de tudo para a ajudar… Mas até que ponto isso era saudável? Até que ponto isso ia alimentar na Kaoru esperanças de ficarem juntos? O ruivo nunca deixaria a Tomoe, o Sano sabia-o, o amigo era correto demais para decidir de uma forma que ele considerava egoísta…. E a Kaoru… Naqueles seis meses ela tinha desenvolvido uma coragem e força que a tinham ajudado a olhar para a frente a viver para além do Kenshin… Será que isso ia fazer com que tudo caísse por terra?

Os olhos da Misao escrutinavam o rosto dele, e o Sano percebeu, que dentre todos os outros ela era aquela que mais se preocupava e conhecia a Kaoru. "Mas não te preocupes, o Kenshin vai trazê-la de volta intacta. "

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O Enishi pousou a espada em cima da mesa pensativo. O aparecimento do cunhado no dia anterior tinha feito com que a irmã olhasse para ele de uma forma diferente. Como se estivesse sempre à espera que ele fizesse algo.

Limpou o rosto com a toalha. Depois da chuva de ontem estava um calor infernal. O tempo andava maluco…. E ele ainda era pior, por se decidir em treinar num calor daqueles…

Segundo o Saito, alguém tinha usado bombas relativamente avançadas para atacar um lugar público. Engenhos controlados remotamente… Ele conhecia o produto e sabia quem o comprou…. Pôs a toalha À volta do pescoço e encostou-se À parede pensativo.

"Eu sei que vais fazer a coisa certa." – a voz dela sobressaltou-o. A Tomoe estava À entrada do quarto de treino, mas ele não a tinha visto aparecer.

"De que estás a falar?" – ele voltou as costas e colocou a espada de novo na bainha. ~

"Eu sei que sabes mais do que aquilo que contaste…" – ela caminhou para perto dele e pousou-lhe a mão no ombro. O Enishi bafejou.

"Já pensaste em quantas famílias eles podem estar a destruir com essas armas?" – isso irritou-o.

"A única família que me interessa é a minha, ou seja, tu!" – ele apontou para ela – "E não finjas que estas preocupada." – a Tomoe deu um passo atrás – "O que queres dizer com isso?!" – ela levou a mão ao peito.

O Enishi continuou: "Tu só queres resolver isto para ganhares ponto com o teu "maridinho" sombra!"

A Tomoe deu mais um passo atrás. Ela sabia da inimizade entre os dois, mas nunca viu o irmão com tanta raiva, ainda por cima direcionada para ela: "Enishi como é que podes pensar isso!?"

Os olhos dela encheram-se de liquido. E no seu rosto espelhou-se um sentimento estranho que ele não sabia descrever. O Enishi percebeu de imediato que tinha extravasado a ira que sentia em cima dela e de uma forma injusta. "Tomoe… eu…" ele deu um passo na direção dela mas ela saiu do quarto a correr.

O Enishi baixou a cabeça mas não sentiu vontade de ir atrás dela. Ele sabia que a tinha magoado, mas, algo lhe dizia que não estava a ser completamente injusto.

"Sr Yukishiro?" – O Enishi olhou para a porta. Mais uma vez foi surpreendido, mas desta vez por um dos seus empregados: "O que se passa?" – respondeu num tom ríspido.

O Homem que já conhecia as mudanças de humor do patrão deu um passo em frente e continuou: "Pediu-me que estivesse de olho na rapariga do dojo."

O Enishi levantou a cabeça como um cão que afita as orelhas quando ouve um som que lhe interessa. O empregado estranhou a atitude assim como tinha estranhado quando o patrão lhe pediu que vigiasse aquela rapariga em especial… mas mesmo assim continou: "Houve uma explosão num edifício onde ela se encontrava."

Os olhos do Enishi arregalaram-se como se tivesse ficado preocupado mas ele não disse uma única palavra.

O empregado continuou: "Não se preocupe ela está viva."

"Quem disse que eu estava preocupado?" – O Enishi respondeu de imediato.

"Ela está só desaparecida." – concluiu o outro.

"O quÊ?" – O Enishi cruzou os braços: "Desaparecida como? E Porque não dás logo as informações de uma só vez?"

O homem negro de cabelos pretos igualmente negros encolheu os ombros desistido de entender a politica do Enishi: "Ela foi atacada por um individuo mas ela defendeu-se e matou-o."

"Matou-o?" – O Enishi ficou aturdido por um pouco e depois de alguns segundos começou a rir-se: "Trabalho com um bando de incompetentes"

Desta vez o Gorei reagiu: "O que quer dizer com isso?"

O Enishi abanou a cabeça ainda a rir: "Andas há seis meses a vigiar a rapariga errada!" – encostou-se à secretária e cruzou uma perna por cima da outra. "A isso chama-se incompetência."

Gorei abanou a cabeça e pestanejou por várias vezes confuso: "A pessoa a quem eu ando a vigiar é a dona do dojo Kamyia."

"Deves tê-la confundido com uma das outras raparigas que vive com ela." – o Enishi respondeu certo daquilo que estava a dizer.

"Não. Eu tenho a certeza do que fiz." – O Gorei afirmou – "Ela tem cabelo preto comprido, olhos azuis, e dá aulas de kendo no dojo."

O Enishi desencostou-se da secretária. O empregado quase que jurava que ele tinha empalidecido, mas, como não havia motivos para tal ele ignorou o pensamento.

Por outro lado o patrão da máfia chinesa continuava a não querer acreditar. " – Não podemos estar a falar da Kaoru. KAMYIA KAORU! É esse o nome da rapariga que te pedi para vigiares, tens a certeza que é ela?" O Enishi tinha quase a certeza de que algo não estava bem porque a Kaoru que ele conhecia nunca mataria ninguém.

"Sim boss! Tenho! Eu por acaso sou maluco?" – o homem gesticulou freneticamente, também já cansado daquela discussão sem sentido. "Kamyia Kaoru, dona do dojo, ex-psico namorada do Battousai!"

Foi aí que lhe caiu a ficha. "Tu estás a dizer a verdade!"- o Enishi respondeu em tom de admiração. Os olhos do Enishi vaguearam pela sala à procura de uma explicação para aquilo e depois fixaram-se de novo no Gorei: "Porquê que ela foi atacada? Queriam assalta-la?" – Um assalto seria estranho a Kaoru não é rica nem costuma ostentar joias, mas…

"Eu ia explicar mas o patrão começou logo todo de sorrisos…" – o empregado reclamou, mas o Enishi estava perplexo demais para o repreender, além disso ele até simpatizava com o Gorei – o Africano. "A rapariga estava a caminho de casa quando foi atacada por um individuo… ao que me foi dito, já não era a primeira vez… e segundo aquilo que me disseram ele tentou violá-la." Os olhos do Enishi arregalaram-se ainda mais. Sacana…. O Enishi sabia que a mulher que ele conheceu há alguns anos atrás nunca mataria ninguém…

"Mas… tu disseste que ela estava desaparecida?" – perguntou

"Sim, depois de tudo ter acontecido ela foi levada para a clinica médica, mas desapareceu de lá." – o Gorei respondeu finalizando assim o seu relatório.

"Nunca mais ninguém a viu depois daí?" – Alguém a tem de ter visto

"Não. Ela simplesmente desapareceu." – o rapaz encolheu os ombros: "Como fumo… Puff…"

"O teu trabalho está incompleto." – respondeu dando as costas ao Gorei – "Quero que descubras onde ela está e com quem está."

O outro suspirou. Não percebia porquê o interesse do Enishi nesta rapariga, mas… "Ok… boss.." – respondeu saindo do quarto.

O Enishi pousou as mãos na mesa e respirou fundo varias vezes…. Porquê que ele sentia aquele aperto no estômago?

Vê lá se não fazes nada estúpido….foram as últimas palavras que se lembrava de lhe ter dito… Mas porquê que te metes sempre em confusões? Porquê?

Ele deu um soco na mesa. Matar… ela deve estar de rastos… Será que vai fazer alguma asneira? Ou será que só quis estar sozinha?

O chefe da máfia suspirou e sentou-se finalmente.

Mas… porquê que eu me preocupo?

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A Tomoe entrou no quarto e atirou-se para a cama. Ainda bem que o Enishi tinha a casa estruturada em estilo ocidental, porque se fosse num futon ela teria batido com os queixos bem forte no chão.

Pela primeira vez em muitos anos não conseguiu segurar as lágrimas. As palavras do Enishi foram duras…

Ele acusou-a de se querer valer de uma informação para se aproximar mais do marido.

Magoava-a saber que o irmão pensava assim… Mas… o que doía mais era saber que em grande parte ele tinha razão.

Mas quem a poderia culpar?

Ela sentia-se desesperada no intimo… Os silêncios do marido, as recusas e agora a distância, levavam-na a ficar sem saber o que fazer para o agradar.

Quando o viu na ilha pensou que tivesse voltado, ficou desapontada quando percebeu que não… E quando ele se foi embora não teve nenhum gesto de carinho para com ela…. Nem um abraço, nem um beijo no rosto… nem mesmo um olhar afetuoso… algo que lhe desse esperança.

Ela sentia-se a perdê-lo.

O Enishi…. O irmão sabia mais do que aquilo que queria contar, mas, ela já tinha tentado puxar por ele, mas sem nenhum efeito…

Eu não te vou perder Kenshin… não posso….

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A Kaoru suspirou fundo ao ver os portões do dojo. Algo dentro dela lhe dizia que mesmo voltando para casa, as coisas não iam ser iguais.

O Kenshin apertou a mão dela com mais força num gesto protetor e olhou-a mais uma vez antes de abrir os portões.

Ambos olharam em volta, mas o dojo parecia estar vazio. O Kenshin chamou pelos nomes dos amigos, mas ninguém estava em casa,

"Talvez tenham ido à nossa procura." – a Kaoru concluiu

"Não. Eles sabem que estás comigo." – ele respondeu. "Eu enviei uma mensagem pelo pombo correio da Misao." – respondeu perante o olhar inquisidor da Kaoru.

"Mas então… onde estarão?" – a Kaoru perguntou

"Não sei." – O Kenshin olhou para ela e encolheu os ombros….

"Era melhor voltar à cidade e ver se estão todos bem e se ninguém precisa de ajuda." – a jovem começou a caminhar para o quarto: "Eu vou só trocar de roupa."

"Não."

A resposta dele foi tão súbita que ela teve de se voltar para perceber se tinha sido ele mesmo a falar. "O quÊ? PorquÊ?"

O Kenshin aproximou-se dela: "Porque tu ainda não recuperaste totalmente e tens de descansar!" – tentou arrazoar com ela.

Ela olhou para ele incrédula: "Kenshin, mas eu estive a descansar!" o ruivo deu um sorriso e respondeu: "Não propriamente…"

Ao perceber que ela corou com a referência aos momentos que passaram juntos no dia anterior e na manhã daquele mesmo dia, o Kenshin abraçou-a forte. Naquele rosto corado ele pôde ver toda a inocência dela, apesar dos problemas que a assolavam. Era aquilo que ele amava… a maneira de ser dela.

De inicio a Kaoru refreou-se e ele percebeu o porquê. Já não estavam mais no seu lugar secreto, estavam no dojo, onde qualquer pessoa que aparecesse ia perceber a intimidade que aquele gesto acarretava: "Não te preocupes, estamos sós…"

"Humhum…" – ela respondeu e deixou a cabeça pousar-lhe no ombro enquanto os seus braços se cruzaram em volta do pescoço do ruivo.

Após alguns segundos assim, e ainda abraçados ela perguntou: "Achas que eles conseguem encontrar alguém ligado ao… Kauru?" – aquele nome custava a dizer… era uma pessoa que não existia mais e isso devia-se a algo que tinha sido causado pelas suas próprias mãos.

O Kenshin suspirou um pouco desiludido. Ali estava ele, a dar-lhe toda a atenção, mas ela afinal tinha a cabeça longe. Ele já sabia que ia ser assim, aquela morte ia marcá-la para sempre, mas mesmo assim, ele tinha tido esperança de que o que tinha acontecido entre eles tivesse apagado essas memórias. O Kenshin deu um sorriso triste e abanou a cabeça. É claro que ela não se vai esquecer assim de um momento para o outro, não é nenhum robot… Quantas vezes acordas de noite com os faces daqueles a quem já tiras-te a vida a assombrar-te? Ate parece que não sabes o que isso é! Ele tinha consciência disso por experiencia própria, mas… ele esperava que no caso dela fosse diferente… Mas, mesmo que não fosse, sempre que ela se sentisse atormentada por aquele demónio, ele tinha prometido a si mesmo que ia lá estar com ela, nem que fosse para a acordar dos pesadelos.

"O Saito já deve estar a tratar disso." – ele tentou descansá-la, porque apesar de tudo o Saito era responsável em tudo o que lhe ia parar ás mãos, e ambos sabiam disso, mas o ruivo também sabia que ela ainda estava a pensar no assunto.

Ainda abraçada a ele a jovem continuou: "O que nós precisávamos era de um fio condutor… alguém que nos desse uma pista sobre o cabeça destes ataques, caso contrário vai ser muito difícil…"

Existe um fio condutor… Mas esse nunca irá ajudar em nada que seja eu a pedir-lhe.

O Kenshin afastou-a um pouco para se olharem nos olhos: "Tens razão… Mas por favor, deixa de te preocupar com isso por agora. Há coisas que tens de fazer."

Porquê que ele estava a fugir do assunto? A Kaoru olhou para baixo. É claro! Ele não queria vê-la preocupada, e provavelmente já estava a pensar em alguma forma de resolver a situação…. "Kenshin, o que quer que seja que estas a pensar fazer quero que me digas sempre, pode ser?"

Ele abriu um sorriso: "Pode. Sendo assim quero que vás tomar banho."

A jovem arregalou os olhos e ficou alguns segundos atónita: "Eu pensei que ias falar de algum plano para…"

O dedo indicador dele pousou nos lábios dela e com um sorriso como já não via desde a noite anterior ele respondeu: "O meu plano agora é impedir-te de ficares doente. Apanhaste muita chuva ontem e apesar de eu achar que o mal já está feito, quero que tomes um banho quente, para prevenir uma gripe ou qualquer outra coisa do género."

A Kaoru puxou-o para si: "Tu também apanhas-te chuva ontem…"

O samurai sentiu certas partes do corpo a começarem a fervilhar, mas conteve-se, irem para o banho juntos não era uma opção agora: "Não posso juntar-me a ti agora." – sussurrou-lhe ao ouvido o que a fez ter ainda mais vontade de que ele fosse com ela: "Por mais que eu quisesse…" – a mão dele escorregou desde o rosto dela até ao seio esquerdo – "aqui, era arriscado demais."

A Kaoru trincou de leve o lábio. Queria sentir aquelas mãos atravessarem o seu corpo novamente. Mas, ele tinha razão…. Não… não ali, não agora…

O Kenshin estava a lutar com todas as suas forças para resistir a proximidade dos seus corpos, e quando estava prestes a ceder, ela afastou-se.

Ficou sem fôlego ao vê-la dar dois passos atrás. Foi como se o corpo dele estivesse a arrastá-lo para a seguir, mas, sem se mover do sitio. Ela deu um pequeno sorriso ao perceber que ele a queria tanto como ela, mas, manteve-se firme perante a sua decisão. "Tens razão…Agora seria arriscado demais."

Ainda parado no tempo o Kenshin engoliu em seco: "Huh, huh…" – ele respondeu sem conseguir formalizar nenhuma palavra. Foi quando ela se riu que ele percebeu a figura de parvo que devia estar a fazer e compôs-se: "Nós havemos de encontrar uma solução."

A Kaoru sorriu mais uma vez e voltou as costas para ir para a casa de banho.

Quando a viu desaparecer ele suspirou bem fundo: "Ufa… Ela nem sabe o efeito que tem em mim…" Tentou ocupar a mente com outras coisas… "Jantar… Sim… O Jantar…"

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O Katsura olhou em volta. O cenário no campo de batalha era sempre igual mas nunca deixava de ser confuso. Ouviu uma buzina a tocar e olhou para o seu lado direito para a pessoa em quem ele mais confiava. "O portão caiu senhor." – com a espada em punho o ruivo apontou para a direção em que queria que ele olhasse.

"Achas que devemos entrar? A Batalha ainda está acirrada aqui!" – perguntou mas já sabia a resposta. Ele conhecia o ruivo que o defendia como as palmas da sua mão. Assim que o imperador estivesse morto, não havia mais razão para os dois lados lutarem, logo, não havia mais mortes, logo, essa era a solução mais lógica.

"Tenho a certeza senhor." – a convicção nos olhos cor âmbar era notória, era uma certeza.

Ele ainda tentou contrapor: "Mas os guardas do castelo? O Imperador está bem guardado." – o ruivo assentiu novamente: "É para isso que estou aqui."

Ele sabia o que o Kenshin queria dizer. Aquele homem era invencivel, aos seus olhos era um "deus" no uso da espada… e estava do seu lado. "Está bem. Vamos."

Numa corrida e tanto para o portão, enquanto o Kenshin ia na frente a afastar e derrubar os obstáculos do caminho, para o proteger, o Katsura seguia atrás, também a correr e de espada em punho. Mas os seus olhos fixavam-se naquele homem… melhor dizendo, naquele rapaz, que significava os 80% de avanço que eles tiveram desde que o tinham "contratado". Naquele rapaz que só queria ver um mundo melhor e cuja inocência ele manchou… Um dia Himura… Um dia eu vou compensar-te por isto, meu amigo.

O resto foi rápido. Assim que entraram no castelo todas as portas se pareciam desmoronar perante aquele "leão" ruivo… até chegar ao imperador.

O Kenshin parou defronte da porta em que ambos sabiam esconder aquele que era até agora o governante supremo da nação. O Katsura conseguia ouvir a um volume extraordinariamente exagerado a sua própria respiração. Com ansiedade, ele pousou a mão no enorme puxador de ouro e olhou para o homem ao seu lado: "É este o momento."

Com um empurrão a porta abriu-se e revelou atrás de si não só o imperador, mas também toda a corte bem como os seus principais guerreiros.

A suas vestimentas vermelho sangue adornadas de engastes de ouro mostravam que aqueles eram os guerreiros mais corajosos e os mais fortes – a guarda pessoal do imperador.

O Katsura olhou para o Kenshin. Estavam em desvantagem numérica, mas o ruivo não parecia estar preocupado com isso. O homem vestido de azul escuro, bem no meio dos guerreiros levantou-se do trono, e, embora não sentisse medo, o Katsura estremeceu. Os cabelos grisalhos combinavam com a barba comprida da mesma cor que acompanhava a roupagem até meio do corpo. Os olhos daquele velho, que muitos chamavam de sábio, filho de deus e senhor da nação, eram castanhos claro, e apesar de estar naquela situação, ele não demonstrava medo, pelo contrário, ele tinha um sorriso nos lábios: "Centenas de homens lutam lá fora, mas só dois entraram aqui."

O Katsura olhou para o Kenshin mas os olhos dele estavam fixos no imperador, que continuava a falar: "Tu… Eu ouvi falar de ti…" – apontou para o Kenshin. "A tua força e destreza com a espada dão pesadelos aos meus exércitos." O Kenshin baixou os olhos e o velho percebeu os sentimentos contraditórios: "Não. Não te envergonhes de estar perante mim, e saberes que em breve a tua espada vai trespassar o meu pescoço…."

"Senhor, não!" – um dos homens da guarda gritou quando ouviu o imperador falar assim, mas com um gesto o velho silenciou-o: "Cala-te. Eu Sei que me amas como a um pai." – respondeu olhando para o homem de cabelos compridos castanhos mas depois devolveu o olhar ao Kenshin: "Mas um homem deve saber quando chega a sua hora."

O ruivo sentiu-se confuso. Eles não iam lutar? O imperador ia desistir assim? Ia pedir-lhe que o matasse? Ia colocar-se de joelhos e esperar pelo golpe final?

A confusão nos olhos do ruivo fez o imperador soltar um sorriso: "É uma desilusão não é?" –arregalou os olhos: "A vitória? Não te traz a paz nem o consolo que esperavas, pois não?" – ele sorriu para o Kenshin mais uma vez antes de caminhar na direção do Katsura: "E tu, Kogoro Katsura, vais tu ser capaz de dirigir um país como este? Vais ser capaz de carregar um fardo tão pesado como este?"

O Katsura olhou fundo nos olhos daquele velho e respondeu: "Eu não vou estar sozinho."

O Imperador torceu o nariz e apontou para os homens atrás de si: "Vês-me só?"

"As decisões tomadas tem de ser em favor de todos não de uma só classe de privilegiados!" – o Katsura arrazou referindo-se aos samurais que os protegiam.

"Isso é inevitável meu caro Katsura… Sempre houve e sempre haverá privilegiados."

"O POVO!" – respondeu em tom mais alto, mas depois lembrou-se da idade e da pessoa perante quem estava. O respeito entre inimigos era e sempre seria uma questão de honra: "Senhor, eu falo do povo."

O Imperador acenou: "Muito bem."

Depois, sem medo, confiando no respeito que todos os naquela sala tinham pelos princípios que defendiam, voltou costas ao inimigo e começou a falar diretamente para a sua guarda pessoal: "Vocês não vão lutar." A frase causou muito burburinho entre os homens que pareciam não querer acreditar naquilo que estava a acontecer, um deles, o mesmo de á pouco, saiu até mesmo da sua posição e caminhou até ao imperador, e, apesar de não terem conseguido ouvir o que ele disse, o Kenshin e o Katsura sabiam que ele estava a tentar dissuadi-lo.

"Precisa o imperador que se fale duas vezes a mesma coisa? " – foi a resposta que obteve e embora a custo o fez recuar dois passos de cabeça baixa. Depois num tom mais calmo, o imperador olhou para o Katsura e para o Kenshin e respondeu: "Se a morte de um homem salvar dez vidas, quão preciosa ela é?"

Eles perceberam o que ele queria dizer. Ia deixar que o matassem mas em troca exigia que todos naquela sala saíssem vivos.

Assoberbado pela coragem e inteligência do inimigo o Katsura acenou concordando com o pedido. O imperador sabia que podia ter uma hipótese caso mandasse os seus homens lutar, até porque estavam em vantagem numérica, mas, sabia que no fim, nunca ganharia a guerra, porque já não era intocável…Por breves momentos O Katsura sentiu-se a duvidar das convicções que tinha tido durante anos… Aquele homem era… excelso.

O Imperador disse algo ao samurai na sua frente. Algo que fez o homem de cabelos castanhos compridos abanar a cabeça com pesar e notoriamente contrariado, mas que, mesmo assim obedeceu. E depois sentou-se sobre os joelhos e olhou para o Kenshin. Por alguns segundos o ruivo ficou em estátua, mas depois abanou a cabeça e entregou a segunda espada, a espada mais curta que tinha à cintura nas mãos do Katsura, mostrando assim que não queria ser responsável pela morte daquele homem. Depois olhou diretamente para o imperador e disse: "A morte daquele que protege outros é de valor incomparável, senhor." E deu dois alguns passos atrás juntando-se a alguns dos companheiros que no entretanto já tinham entrado no castelo e estavam a observar toda a situação.

Com a distancia do ruivo o Katsura sentiu-se indeciso. Mas sabia que não podia recuar agora, pois se o fizesse os seus homens, os seus amigos nunca o respeitariam. Olhou mais uma vez para o velho a seus pés. Não conseguia deixar de sentir repulsa por aquilo que estava a fazer, mas a responsabilidade pesou-lhe nas mãos no momento em que ergueu a espada. "Desculpe." A lâmina desceu veloz e forte sobre o pescoço daquele que tinha sido o líder do Japão…

Acabou… O imperialismo tinha acabado, pelas suas mãos.

Houve silêncio por um pouco, mas depois instalou-se um ruído vindo de trás de si. Eram os seus homens a festejar vitória. Olhou, mas não pôde encontrar o ruivo ali no meio. Ele tinha desaparecido…

"Eu vou ter a minha vingança…" – na sua frente estava o homem que há minutos atrás tinha tentado convencer o imperador a não desistir. "Se não for nesta vida, será na próxima." –e saiu seguido de todos os outros que pertenciam à guarda imperial.

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O Katsura abriu os olhos. Tinha sonhado com o dia em que o Imperador caiu…. Mas porquê? Não conseguia tirar da cabeça as palavras do homem de olhos castanhos escuros, do líder da guarda…

"Kawagi!" – de imediato o policia entrou na sala apavorado a pensar que algo tinha acontecido com o chefe do governo. Desde o ataque andavam todos em estado de alerta. "O que se passa?"

"Faz me uma lista de todos os nomes dos senhores feudais mais próximos do imperador, bem como os que pertenciam à guarda imperial. Todos os que ainda estiverem vivos, eu quero saber onde estão e como se chamam!" – talvez aquela memória tivesse algum significado, talvez o sue subconsciente estivesse a tentar revelar-lhe quem estava por detrás dos ataques e porquê.

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O Kenshin olhou para a Misao, que comia com apetite e sorriu.

"Misao, tens aqui mais comida." – apontou para o tacho assim que percebeu que o prato dela estava vazio.

A jovem riu-se: "O peixe que fizeste está mesmo bom."

"É verdade." – a Kaoru concordou.

"Mas, tu nem gostas de peixe." – o Aoshi estranhou

"Mas este está muito bom, não vês?" – respondeu-lhe ela. Mas o Aoshi sabia que o peixe que o Kenshin cozinha não se comparava em nada ao que a Omazu fazia no Cherry Baby, e mesmo assim ela costumava fazer cara feia cada vez que a comida era peixe, ás vezes até se recusava a comer!

"Realmente a doninha hoje andava esfomeada, aproveitou para comer os meus tremoços quando fui a casa de banho no restaurante da Tae!" – o Sano relatou. "E o tofu que eu ia levar para um cliente." – acrescentou o Yahiko.

Neste momento todos os olhares se viraram para a Misao. A Jovem corou e ficou calda por alguns segundos. Depois e saou da sala.

A Kaoru olhou para os dois autores dos comentários com um olhar reprovador: "VocÊs…" e levantou-se para ir atrás da amiga.

O Sano encolheu os ombros e continuou a comer enquanto o Yahiko olhou para o Aoshi: "Se ela continuar a comer assim vai ficar um texugo."

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"Oh Misao!" – a Kaoru disse ao ver a amiga abaixada de cócoras – "Não ligues ao que eles dizem, já sabes que o Sano e o Yahiko são uns desmiolados!"

Foi apenas quando viu a amiga levar a mão à boca e a ter um soluço violento que percebeu que algo estava mal. Ela ia vomitar.

Sem conseguir controlar a Misao expulsou todo o jantar. Apesar de ser nojento, a Kaoru passou as mãos nas costas da amiga enquanto por várias vezes ela deitou fora restos de comida. "Calma… Isso deita fora, deita tudo..."

Quando percebeu que já não havia mais nada para vomitar, a Misao suspirou :"Devo ter comido alguma coisa estragada."

A Kaoru passou-lhe a mão na testa: "Estas quente. Quente demais."

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Apesar de a Misao ter insistido que não era nada, assim que a Megumi apareceu no dojo, com uns bolinhos de arroz acabados de fazer, o Aoshi insistiu que esta observasse a sua mulher.

"Sanosuke! Estás proibido de tocar num único desses antes de nós a três voltarmos!"

O lutador fez uma cara feia mas resignou-se a obedecer.

As três mulheres fecharam-se no quarto da Kaoru.

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"E só hoje é que tiveste vómitos Misao?" – a médica perguntou enquanto lhe passava as mãos pelo estômago.

"Vómitos, sim, foi só hoje." – a jovem respondeu a olhar para o teto.

"E não tens sentido nada estranho em ti?" – a médica continuou o exame pelo corpo da esguia líder dos Oniwabanshu.

"Já que falas nisso…" a jovem começou a explicar: "tenho sentido tonturas e algum mau estar."

A Megumi tirou as suas próprias conclusões: "E tens comido bem?"

"Sim." Respondeu – "Ate bem demais…."
A medica olhou para as duas raparigas e suspirou.

"O que foi Megumi? Consegues explicar que se passa?" depois de perceber que a medica a tinha terminado o exame, a Misao mudou de posição ficando sentada a espera de uma resposta. "E alguma coisa grave? Comi alguma coisa estragada foi?"

Os olhares das duas jovens fixaram se na medica. Esta, por sua vez abanou a cabeça: "Não te preocupes, não e nada de grave."

Ambas suspirava de alívio. "Eu não tenho a certeza, mas…" a mulher de lábios vermelho vivo parou e olhou fundo nos olhos da Misao: "Eu acho que estas de bebe!"

A Mísao empalideceu. Não estava a contar com aquela noticia. Uma imensidão de coisas passou lhe pela cabeça, mas ela não conseguia concentrar-se em nenhuma. Depois, a imagem de uma criança de pele clara e olhos azuis reinou na sua mente e finalmente ela sorriu. "Eu vou ter um bebe com o Aoshi! Vamos ter um ninja bebe!"

A Megumi deu uma gargalhada, e a Kaoru sorriu, mas no seu sorriso havia uma ponta de preocupação e ela não sabia explicar porquê, mas a verdade e que todos os pelos do seu corpo se levantaram quando a Megumi mencionou a gravidez da amiga.

"ouviste Kaoru? Estou a espera de um Aoshizinho!" a jovem esfregou os ombros da amiga como para a acordar pedindo lhe que reagisse a noticia, afinal, elas eram as melhores amigas. A Kaoru tentou afastar aquela sensação estranha e desconfortável e concentrar-se na alegria do momento: "Parabéns amiga. Eu tenho a certeza que vai ser um bebe cheio de energia! Pelo menos se for como a mãe."

Mas o que e que se passa comigo?

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Bem, este capitulo foi mais pequeno, mas, eu quis que fosse mais introspetivo. Um capitulo em que algumas personagens dessem a entender mais acerca dos seus sentimentos, assim como a Tomoe e o Enishi.

E quis também envolver alguma parte histórica nesta vinganç não entendo nada da história do Japão, ok? E as coisas não se devem ter passado nada assim... mas, ás vezes damos asas à imaginação e dá nisto...

Espero que gostem.

Obrigada por tudo.

Beijinhos