Capitulo 14 – Pressentimento
Uma semana após os acontecimentos do capitulo anterior.
A Kaoru tinha saído cedo, mesmo antes de o Kenshin acordar, porque queria fazer algo que lhe andava a tirar o sono. Aquela semana tinha sido preenchida. Desde o momento em que a Misao soube que estava grávida que era um correrio para as lojas para comprar coisas para o bebé. E claro, ela queria sempre que a Kaoru a acompanhasse… Depois, ainda havia a reconstrução da baixa da cidade, que havia ficado em pantanas desde a explosão…. Os habitantes do dojo revessavam-se e ajudavam naquilo que podiam…
O Kenshin… o Kenshin era outra história… Ele agia com normalidade enquanto os outros estavam presentes, e por vezes a Kaoru quase que jurava que o que tinha acontecido entre eles tinha sido imaginação… mas, quando todos se iam embora, ele aparecia na cozinha ou no hall, e abraçava-a forte e dava-lhe um beijo de boa noite… era aí que ela sabia que tudo tinha sido real.
Nos seus olhos ela via que ele queria mais, queria ficar junto dela durante a noite, mas, a Kaoru nunca se sentiria bem com gente em casa.
Por isso, e por tudo o resto, tinha decidido fazer aquela visita…. Sozinha.
A Kaoru treinou aquele discurso vezes sem conta, mas nunca imaginou que fosse ser tão dificil as palavras saírem no momento…
Quando pousou em cima da mesa a caixa com o anel que ele lhe tinha dado, a expressão no rosto do Katsura foi de desalento.
"Kaoru, eu… percebo o teu desapontamento. Eu fui simplesmente ignóbil… entrei em pânico e fiquei sem saber como agir… logo eu que já estive em tantas batalhas… Desculpa." – ele pegou nas mãos dela e segurou-as nas dele.
Naquele momento ele sentiu que se calhar se tivesse tentado falar com ela antes, ainda tivesse conseguido mudar alguma coisa, mas desde que tinha tido aquele sonho, a sua prioridade tinha sido sempre outra. E no fundo, ele ainda tinha esperanças de a jovem de olhos azuis, o perdoasse e o aceitasse de volta na vida dela.. "Eu desiludi-te assim tanto, Kaoru?"
Enquanto esperava por uma resposta, ele observou-a: Os olhos azuis estavam cansados, provavelmente por não dormir bem… no pescoço ainda havia vestígios de uma ferida, provavelmente sofrida no momento da explosão ou na luta com o Kauru… E havia algo nela, algo que ele não sabia explicar, que tinha mudado desde a última vez que a tinha visto.
"Eu acho que… nós temos maneiras diferentes de ver o mundo Katsura." – ela resumiu. Não queria fazer referências ao momento de fraqueza dele, afinal de contas, todos temos momentos desses…
Mas ele sabia o que a fazia recuar, por isso insistiu: "Mas… tu podes fazer de mim um homem mais forte Kaoru, sabes disso, não sabes?"
Ela abanou a cabeça. Porquê que ele tinha de ir por ali? Só ia fazer as coisas mais dificieis! "Katsura… Ouve… as coisas não funcionam assim…"
Ele voltou-se pegou na caixa e pousou-a nas mãos dela: "Não mo devolvas já, pensa melhor pf."
Ela respirou fundo e olhou para ele séria. O que ia dizer era dificil mas era sincero, e ele, podia não ser merecedor do seu amor, mas era sem dúvida merecedor de todo o seu respeito, afinal de contas, era em parte por ele que o dojo tinha tido tantos pedidos de inscrição neste ano:" Katsura, eu não te amo…" Ela pausou e quando o viu baixar os olhos, ela apertou-lhe as mãos: "Eu gosto de ti… mas nunca te amei…. Eu pensei que o meu respeito por tudo aquilo que eras e que já fizeste por este país se podia algum dia transformar em amor… mas…agora eu vejo que estava errada."
Ele sorriu mas já sem esperança, o olhar dela era simplesmente esclarecedor: "Kaoru, ainda é cedo para falares de amor… o amor aprende-se."
"Não Katsura… eu conheço algumas pessoas que cometeram esse erro e se arrependeram… eu não quero isso para a minha vida."
"Kaoru… mas…"
Ela segurou nas mãos dele e pousou-lhe o anel: "Eu continuo a respeitar-te. E em tudo o que puder ajudar-te eu vou estar aqui…. Mas apenas como tua amiga…" – deu-lhe um beijo no rosto e volta as costas.
"Kaoru?"
Ela parou de andar e olhou-o.
"Uma vez falaste-me de um amigo que te ensinou que podemos salvar o mundo…" – ele deu um passo em frente: "Sabes que isso é uma ilusão, não sabes?"
Ela suspirou… salvar o mundo era uma ilusão, o mundo não pode ser salvo por nenhum humano, porque nenhum tem o poder suficiente para o fazer… mas, quando ela se refirou a mundo, estava a falar daqueles a quem amava e daqueles a quem encontraria no caminho… Mas não lhe ia explicar aquilo, nem agora, nem ali: "Talvez eu goste de ilusões…"
"Talvez gostes da pessoa que te faz ter essas ilusões…"
"Talvez… Mas… qual é o mal em viver uma ilusão de vez em quando?" – sorriu relembrando a noite que tinha passado com o Kenshin uma semana atrás: "O mundo já tão cheio de pesadelos, não é?"
Voltou costas e saiu da sala.
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A Kaoru parou de andar e olhou para trás. Já não era a primeira vez que sentia aquilo… era como se a estivessem a vigiar… De inicio pensou que talvez o Kenshin a tivesse seguido, mas ele nunca se esconderia tanto tempo.
Apressou o passo para o dojo.
Ao abrir a porta deparou-se com o Kenshin: "Eu já não te pedi para não saíres sozinha?"
"Eu tive de ir fazer uma coisa." – entrou e fechou a porta atrás de si.
O ruivo estranhou a atitude, era como se estivesse a fugir de algo:"E não podia ter esperado que eu acordasse? Ou tinhas-me acordado, eu tinha ido contigo!"
"Eu queria ir sozinha!" – Ele levantou o sobronho e ficou sem saber o que dizer. Desde quando é que ela dispensava a companhia dele?
A Kaoru aproximou-se dele: "Eu fui falar com o Katsura."
O Kenshin ficou em silêncio. Ele já sabia que em breve ela iria fazer isso. O Sano tinha-lhe contado o que tinha acontecido no dia da explosão, e a forma como a polícia tinha agido… Tendo em conta tudo isso, ele sabia qual ia ser a decisão dela, mas mesmo assim, ele também sabia o quanto ela detestava magoar outros…
"Fui devolver-lhe o anel de noivado." O ruivo não podia negar que uma parte dele ficou aliviada. Nunca ele poderia competir com o Katsura em termos de bens e formas de a impressionar… E mesmo sabendo que ela não era de se importar com esse tipo de coisas… Cada vez que ele olhava para o anel que o Katsura lhe tinha dado, era como se tudo o lembrasse de anel que ele comprou e nunca lhe chegou a oferecer.
"Como te sentiste?"
"Livre. Era um peso na consciência, sabes? Eu não queria que ele sofresse, mas… também não podia continuar a prolongar isto… era um tormento."
"Um tormento?"
"Sim, era como se cada vez que penso em ti o estivesse a trair…"
O Kenshin expirou. Ela foi corajosa… "Eu percebo…." – beijou-a. "Mas eu devia ter ido contigo." –ela levantou-se e abanou a cabeça negativamente: "Eu não queria que ele desconfiasse de nada, podia ser pior, ainda por cima vocês são amigos e eu não quero estragar nada."
Sim… Ela conseguiu… mas e tu? Será que vais conseguir? Tu tambem acordas todos os dias com um peso na consciência… Um tormento…
"Tens conseguido dormir?"
A Kaoru caminhou para a cozinha: "Sim."
"Não sabes mentir…"
Ela suspirou. Cada vez era mais dificil camuflar o que sentia… ele conhecia-a bem demais. Ela sentiu os pelos do corpo arrepiarem-se quando ele colocou os braços em volta dela e pousou a cabeça nos seu ombros:"Continuas a ter pesadelos?"
"Ás vezes…" Eram quase todas as noites… De inicio era com o Kauru e com a forma como tudo aconteceu… depois sonhava que a Tomoe tinha voltado e que o Kenshin partia de novo com ela… e ultimamente… sonhava com uma rapariga… muito parecida com ela… com um bebé ao colo… Ela sabia que já a tinha visto em qualquer lugar, mas não sabia onde… Não era exatamente um pesadelo, mas era… um pouco perturbador.
"Só queria poder ajudar-te… mas o dojo está sempre com tanta gente que… parece que é de propósito."
O desânimo na voz dele fê-la ter vontade de rir. O Kenshin estava a queixar-se de ter sempre o dojo cheio? Ele costumava amar isso!
"Nós havemos de ter o nosso tempo." – ela voltou-se e ficou de frente nos seus braços.
Ele abraça-a e chega-a para si: "Tenho saudades tuas…."
"Eu estou aqui…. "
A Forma como o corpo dela se encaixava no dele fazia-o tremer :"Tu fazes as coisas ainda mais difíceis, sabes?" ele diz-lhe ao ouvido: "Tu sabes que o Sano está aí a chegar juntamente com o Yahiko para o almoço"
"Eu sei…" – riu-se. "Mas para alguém tão controlado como tu nunca pensei que isso fosse ser um problema."
Era um problema. Dormir todas as noites no quarto ao lado só para manter as aparências era duro."É só que… às vezes eu sinto saudades do cheiro do teu cabelo, da tua pele… do som da tua respiração." – aproxima o rosto do dela… era arriscado, se alguém entrasse conseguia vê-los ali na cozinha… "Vem cá!" Ele puxou-a para um canto da cozinha e apertou-a ainda mais contra si… Ele queria-a. Ele queria os beijos daqueles lábios, o sabor daquela boca… ele queria-a. Mas, no momento em que ele a vai a beijar ouvem-se vozes e eles são obrigados a separar-se.
"Porra… " O Kenshin.
A Kaoru dá uma pequena gargalhada. Nunca tinha visto o Kenshin assim antes.
"O que é o almoço? Andamos a carregar pedras o dia todo! Estamos cheio de fome!" – O Sano gritou da entrada.
Ele suspirou e colocou o habitual sorriso de rurouni:"O almoço está quase pronto!"
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O Kawaji analisou os vários nomes da lista, mas a grande maioria deles estavam incontactáveis. A Maioria dos samurais tinham perdido os seus privilégios depois da era de Tokugawa, e aqueles que se tinham recusado a aceitar privilégios políticos nesta nova era, viviam na miséria, como pedintes e era quase impossível reconhecê-los.
"Isto não vai ser fácil…"
Se ao menos conseguissem reduzir aquela lista a dois ou três em vez de quase vinte nomes… Se ao menos houvesse um fio condutor…
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O Enishi recostou-se na cadeira após ouvir as novidades que o Gorei lhe tinha trazido.
A Kaoru aparentemente estava bem. Tinha desaparecido por uns dias, mas estava bem. ""
"Devias ter ficado lá mais tempo… Nunca trazes as informações todas!"
"Big Boss! A rapariga é esperta, tu sabes que eu sei disfarçar-me e passar despercebido, mas às vezes parecia que ela pressentia que eu estava lá! Além disso, aquele ruivo dificilmente a deixa sair sozinha."
O Enishi pousou os pés em cima da secretária. "Soubeste alguma coisa do Kaji? Onde está escondido?"
"Eles estavam num casebre nas montanhas, mas depois da explosão eles saíram de lá."
"Hummm…" – ele deu um gole no vinho e depois dirigiu a atenção de volta para o empregado:"Vais voltar para lá! Vais descobrir onde ele está e se ele tentar mais alguma coisa, tu vais dizer-me a tempo de eu decidir o que fazer."
O sobrolho do empregado levantou-se de espanto: "Como? As cartas demoram e eu não sei voar para vir trazer a mensagem a correr! Pela altura que eu chegar aqui já ele rebentou meio Japão!"
"Por isso, é que vais levar isto." – O Enishi levantou-se e pousou-lhe uma máquina em cima da mesa… O objeto tinha uma base de madeira um rolo de papel que entrava numa ponta e saía na outra e uma manivela.
"Eu não sei funcionar com essa coisa!"
O Enishi já começava a não gostar da brincadeira: "Chama-se telégrafo. E vais aprender, porque a tua vida depende disso, Gorei!"
O empregado olhou a medo e torceu o nariz: "E … se eu me enganar a mandar a mensagem?"
"Tu não vais querer enganar-te."
"E se eu quiser dizer : A rapariga está bem! Mas me enganar e disser: A Rapariga já está no além!"
O Enishi bafejou: "Pára com as brincadeiras, ou elas vão sair te caro!"
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"Tens a certeza?"
O Kaji olhou para o colega incrédulo com a rapidez que o Katsura parecia estar a conseguir descobrir a sua ligação aos ataques!
"Sim, os homens do Katsura andam a contactar alguns samurais que costumavam pertencer à guarda do imperador. Temos de agir rápido… Eles estão a aproximar-se mais e mais da verdade, se nos descobrirem… Vai ser impossível fugir."
"O Katsura já está em casa?"
"Sim."
"O que vamos fazer Kaji?" – Um outro perguntou. Ele começava a perceber algum nervosismo nos colegas.
"Temos de atacar em grande…" – respondeu.
Um dos outros comentou: "Não sei se temos recursos para um ataque assim tão grande…"
"Ouve Kaji… O governo Meiji tem três pilares principais: A Força policial; a força comercial, e a força politica. "- o seu braço direito Yashimoto parecia ter um plano.
"Sim… mas o que é que isso tem haver com a nossa estratégia?"
"Se nós atingirmos os cabeças desses três pilares, nós podemos demonstrar que somos mais poderosos do que eles!"
"Se um deles morrer, eles substituem-no por outro." – era inútil!
"Mas… e se nós ameaçarmos aquilo que é mais importante para eles?"
Ele percebeu o que ele queria dizer. Mas não queria envolver mais ninguém… "O meu alvo é só o Katsura!"
"Mas tu não tens com o que o atacar! Se o matares vais fazer dele um mártir!" O Yashimoto insistiu:"Mas… se o fizeres parecer impotente perante nós… Vais fazer as pessoas perceber que este governo é inútil… e que os samurais são precisos para defender o povo!"
O outro abana a cabeça em sinal de razão.
"Sem o apoio da polícia e dos comerciantes o Katsura não tem valor. O Kawaji é o chefe da Policia, e o Murakama e o chefe dos comerciantes." – O plano do Yashimoto parecia ser bom mas ainda restava uma dúvida:"
"Mas ambos idolatram o Katsura, como os convenceríamos a voltar-se contra ele?" – O Kaji perguntou.
"Eu sei de uma forma. Mas…Já gastamos a maioria do material que compramos nos dois ataques anteriores... Achas que aquilo que sobrou é suficiente?"
Ele lembrou-se da última vez que tinha ido ao depósito de armas: "Não…"
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Duas semanas depois
O Kenshin tinha decidido sair para falar com o Saito… Ele tinha evitado encontrá-lo porque durante este primeiros tempos a sua preocupação tinha sido a estabilidade emocional da Kaoru, mas agora era tempo de saber se havia desenvolvimentos através das poucas informações que o Enishi tinha dado.
O ar dentro do escritório do Saito era mais poluído do que o do Rakunimura. O Cheiro a tabaco era tão incomodativo que o Kenshin ficou com dores de cabeça mal entrou.
Para sua surpresa o polícia não foi direto ao assunto: "Como é que ela está?"
Percebendo que ele se referia à Kaoru, respondeu: "A sobreviver."
O Saito olhou-o: "Faz-lhe bem perceber que o mundo não é tão cor-de-rosa como ela pensava"
Aquilo enervou-o. Ele sabia que o mundo não era cor-de-rosa. Ele sabia que na maioria das vezes o mundo é frio, cruel, e desumano. Mas isso era ele… Ela não precisava ser assim…"Eu não vim aqui para falar contigo acerca da Kaoru, porque desse assunto eu trato. Quanto ao resto?"
O polícia apagou o cigarro: "Não há grandes progressos… A informação que o teu cunhado deu é… basicamente inútil…. "
"Tens de regressar lá e insistir com ele!" o Kenshin bateu com as mãos na cadeira.
Mas a resposta foi imediata: "Porque não regressas tu?"
O ruivo ficou em silêncio por alguns segundos e despois suspirou: "Seria inútil."
"Tal como eu pensava." – Levantou-se e encostou-se contra a parede: "Mas talvez haja uma pessoa que possa fazer com que ele fale."
Os olhos do Kenshin arregalaram-se: "Diz-me quem?"
"Não vais gostar da ideia."
"Saito, Quem?"
Antes que o Saito lhe pudesse explicar as suas razões o chefe Kawaji entrou na sala aflito: "Saito! SAITO! Levaram a minha filha! " Quase de imediato e antes que o Saito pudesse ler o papel que ele trazia na mão, o chefe do comércio Murakawa entra na sala com o mesmo ar de desespero: "A minha mulher!"
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A Kaoru exasperou. Desde manhã que ela não se sentia bem. O estômago estava embrulhado e ela não conseguia comer nada. Sentia-se tonta e as vezes com calor… como o Kenshin não estava em casa, ela decidiu visitar a Megumi na clinica. Mas, mesmo depois de ter explicado à médica o que sentia, ela não foi capaz de a ajudar muito.
Inícios de gripe, talvez? Descansa… - relembrou as palavras da médica. Descansar? Mas isso é o que eu ando a fazer há quase um mÊS!
Ela estava a tentar… mas era impossivel conseguir lidar com tudo aquilo. Estava proibida de treinar pela Megumi, proibida de ajudar nas tarefas domésticas pelo Kenshin… E todas essas proibições faziam-na sentir-se inútil!
Estava tão distraída em pensamento, que acabou por esbarrar contra uma das pessoas que saia do hotel... Mas, quando estava prestes a pedir desculpa, e a se prontificar para ajudar a apanhar os pertences que tinham caído ao chão com o choque, petrificou: "O que estás a fazer aqui?"
Ele apanhou o saco que tinha caído e como se fosse a coisa mais natural do mundo encontrarem-se assim, ele ajustou os óculos e respondeu: "Negócios."
Ela abanou a cabeça: "Pois e isso nunca é bom…" – respondeu fazendo alusão aos negócios sujos dos quais ele vivia.
Mas ele desvalorizou e mais uma vez adotou uma postura de naturalidade: "Vá lá Kaoru…. Não é assim tão mau, eu até te tratei bem quando foste minha hóspede lá na mansão, porquê que és sempre tão agressiva comigo?" – ele endireitou-se e pôs de novo o saco ao ombro.
A Kaoru olhou para cima. Era a primeira vez que reparava que ele era bastante mais alto do que ela. "Hospede? Enishi, tu raptaste-me!"
Ele encolheu os ombros: "Tu não querias vir de forma nenhuma!"
Ela abriu a boca para contestar mas ficou sem saber o que dizer por segundos. Como é que ele podia agir tão naturalmente com ela depois de tudo o que lhe tinha feito? "E depois fingiste a minha morte!"
"Bem… isso foi mais ideia do Gein… Se bem que até pegou bem…." – ele coçou o queixo pensativo…
Era impressão dela ou o Enishi estava a fazer piadas?
Ele continuou: " O idiota do meu cunhado acreditou… Temos que dar o devido crédito ao Gein! A Falsa Kaoru era uma obra de arte! " – Ele soltou uma gargalhada.
Não, era demais para ela. E sem sombra de dúvida que ele tinha escolhido o pior dia de todos para a irritar. Vê-lo tinha feito com que o coração dela estivesse a bater a mil, só de pensar no que podia acontecer se o Kenshin e ele se encontrassem… E devia de ser por isso que se sentia a ficar quente… e tonta: "Enishi! Pára!"
"Estás bem?" – Segurou-lhe no braço quando parecia que ela ia cair, mas mal se recuperou a Kaoru afastou-o.
Aquele homem enervava-a. Era tudo culpa dele! Como é que ele podia brincar com aquela situação?"Solta-me! Pára de agir como se te importasses!" – gritou dando dois passos atrás.
Ele levantou ambas as mãos e afastou-se: "Já vi que acordaste com mau feitio!"
Ela exasperou. Aquilo não era normal nela, nunca tinha sido histérica, mas era como se não se estivesse a conseguir controlar! As palavras saíram-lhe quase sem ela querer:"Sempre que tu apareces estragas a minha vida!"
O Enishi ficou com cara de parvo a olhar para ela. Quem era aquela mulher? Era como se a Kaoru tivesse sido possuída por outra Kaoru, mas com mau feitio!
Não contente, ela continuou: "Ouve bem uma coisa Enishi:" – Aproximou-se dele e apontou-lhe com o dedo em sinal de aviso. Os seus grandes olhos azuis cheios de um sentimento que ele nunca antes tinha denotado nela: "Afasta-te do Kenshin, do Sano e do Yahiko, ok? Afasta-te da minha família!"
Ele ficou sério e silencioso por momentos. Ela parecia abalada com algo, com raiva dele de uma forma que ele nunca tinha visto antes, nem mesmo quando ela descobriu que tinha sido raptada. Por momentos ele ponderou ficar calado… mas quando viu a raiva desaparecer do rosto dela, ele não resistiu….
"Eu até nem me importava de te doar o Battousai, mas acho que devido a elos de ligação que eu gostaria de a todo o custo quebrar, mas que parecem inquebráveis… ele pertence mais à minha família do que à tua!"
Ela arregaçou a manga do kimono prestes a partir para cima dele: "Seu…."
"Kaoru!" – ela parou quando viu o Yahiko a olhar para eles os dois, obviamente confuso, e com um ar de preocupação estampado no rosto.
"Yahiko!"
O jovem aproximou-se. Lançou um olhar desconfiado ao Enishi e depois olhou para ela:"O que estás a fazer aqui?"
"Vim ter com a Megumi. O que se passa? Porquê esse ar?"
O Yahiko apontou o dedo para o Enishi: "Tens a certeza que não tens nada haver como o que se está a passar?"
O Yukishiro encolheu os ombros: "EU? Mas eu acabei de chegar e já estou a ser insultado por todos?!"
A Kaoru abanou a cabeça: "O que aconteceu?"
"A mulher do Murakama, e a filha do Kawaji foram raptadas. Se eu bem me lembro, raptos é a tua especialidade, não é Enishi?"
