Olá!

Em primeiro lugar gostava de agradecer À MarisaCruz e Angelica Chibilua por comentarem o capitulo anterior. Penso que já há poucas pessoas a lerem esta fic, mas quando recebo comentários encorajadores como os vossos fico mais animada para continuar. Obrigada pela força e pelo carinho.

Desculpem a demora... Tem sido um misto de: Falta de meios - os meus computadores não estão a funcionar bem, tenho recorrido ao tablet, mas não é a mesma coisa, e neste momento estou a publicar atraves do computador da empresa... O que não é muito... (legal). :-)

Em segundo lugar, é tambem um pouco de falta de tempo e motivação...

Ultimamente as coisas não tem sido fáceis...

Bem, mas, tudo se resolve, e enquanto houver aquilo que é o titulo do Capitulo 15, podemos sempre continuar em frente.

Capitulo 15– Esperança

Os dois olham esperançosos para o Enishi à procura de respostas, mas ele simplesmente encolheu os ombros em sinal de desreconhecimento: "Não faço ideia do que vocês estão a falar."

Os dois habitantes do dojo trocaram olhares. É claro que havia a possibilidade de o Enishi estar a mentir, além disso, mesmo que ele soubesse de alguma coisa, dificilmente o diria, principalmente aos amigos do seu maior inimigo. Mas, insistir com o Ensihi não ia adiantar de nada, se ele não quisesse não havia nada que o fizesse falar.

"Bem, eu tenho um encontro." – O Enishi afastasse fazendo caminho pelo meio dos dois: "Se não se importam continuamos esta conversa depois." – diz já de costas.

A Kaoru e o Yahiko ficam a vê-lo partir perdidos em pensamentos por alguns segundos, até que a Kaoru exclama:"Tenho de dizer ao Kenshin que o Enishi está de volta ao Japão." – A Kaoru começa a andar na direção do dojo.

O Yahiko correu atrás dela e agarrou-lhe no braço: "O Kenshin não está no dojo, ele e o Saito foram para casa do Katsura."

"Porquê?"

O Yahiko olhou para a Kaoru como se ela estivesse fora de órbita: "Então, Eles concluíram que se atacaram o ministro do comércio e o chefe da policia, então atacarem o Katsura era uma consequência lógica…"

Ela abanou a cabeça em sinal de desagrado: "Eles querem mesmo derrubar o governo…"

"Dava jeito descobrir rapidamente quem está por detrás destes ataques… antes que o Japão comece a cair aos pedaços…" – O Yahiko concluiu.

Recomeçaram a andar.

"Como soubeste de tudo isto?" – a jovem perguntou curiosa.

"O Kenshin passou pelo dojo para te avisar, mas como tu não estavas disse-me a mim… e eu vim a tua procura." - A Kaoru suspirou preocupada, mas o Yahiko pareceu nem reparar. Ele estava pensativo acerca do Enishi. O fato de o Yukishiro estar de volta trazia más memórias ao estudante do dojo. Sempre que ele aparecia alguma coisa de mal acontecia à Kaoru… e ele nunca tinha conseguido tirar da mente a imagem daquela boneca cravada na parede do dojo marcada com uma cicatriz na cara.

Ele olhou para ela, que por sua vez, parecia estar bastante compenetrada nas suas próprias preocupações.

Uma parte do Yahiko não percebia como é que a Kaoru conseguia lidar com o Enishi sem repulsa depois de saber tudo o que ele tinha feito.

Alheia a tudo o que ia na cabeça do Yahiko, a Kaoru estava preocupada com o interrogatório que ia ter quando se encontrasse com o Kenshin... O porquê de ter saído do dojo sozinha, porquê que não tinha esperado por ele ou pelo Sano… E ela nem queria pensar no que ele ia dizer quando soubesse que acidentalmente se encontrou com o Enishi…

"Sabes, eu acho que o Enishi sabe alguma coisa…"

Ela também concordava com o Yahiko, mas não quis despoletar mais preocupações: "Achas?"

O Yahiko torceu nariz: "Ele é mafioso… os mafiosos sabem sempre mais do que aparentam."

"Pois… mas se assim é então temos de o fazer falar!"

"Como?"

"Não sei…" – "talvez se eu falasse com ele…"

"Estás maluca? Nem penses nisso!" – o Yahiko exclamou – "Aquele tipo é perigoso Kaoru!"

A Kaoru olhou para o estudante sobressaltada. Nunca tinha reparado que o Yahiko detestava assim tanto o Enishi! Talvez seja melhor não insistir com ele. "Tens razão" Se ao menos eles soubessem que o Enishi não tem coragem para me matar…

"Eu não percebo como é que consegues agir tão naturalmente com o Enishi. Até parece que te esqueceste do que ele nos fez!" – o Yahiko abanou com a cabeça irritado com a imaturidade dela.

"Não é agir naturalmente… Eu sei que o que ele fez foi pérfido! Mas também não me esqueço de que me salvou a vida uma vez! Ele levou um tiro por mim Yahiko!"

"Depois de tudo, era o mínimo que ele podia fazer…" – ele resmungou.

"Todas as pessoas merecem segundas oportunidades Yahiko, eu sempre te ensinei isso!" – Porquê que estou tão irritada?!

"O Enishi não!" – Ele abanou com a cabeça: "Com tanta loucura que vai naquela cabeça, se calhar o único motivo pelo qual ele se pôs na frente daquela arma, foi porque pensou que eras outra pessoa!" – bafejou – "Além disso, se não fosse ele, nunca terias estado em perigo, por isso, ele só te safou de uma situação que ele próprio criou!"

A Kaoru suspirou. Não valia a pena raciocinar com o Yahiko. Ele não tinha estado naquela ilha, não tinha visto a tristeza e solidão nos olhos do Enishi como ela viu… Quando não estava a enfrentar o Kenshin, o Enishi era apenas um homem comum… talvez nem isso… O Enishi era alguém que, quando em criança,lhe tinha sido negado o direito à uma infância feliz… e Isso refletia-se na personalidade dele.

Como ela já estava calada há algum tempo, o Yahiko concluiu que a tinha dissuadido da ideia de falar com o Enishi.

Ao ver o dojo ao longe, exclamou: "Bolas… Queria mesmo ter ido com o Kenshin e ajudar a proteger o Katsura…"

A Kaoru olhou para o jovem: "Estas a dizer que o Kenshin vai ficar lá esta noite?" – Talvez seja a minha deixa para falar com o Enishi.

O rapaz acenou com a cabeça: "Suponho que sim…"

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O Katsura não conseguia acreditar, o Japão estava sob ameaça após tantos anos de paz! "Eu tenho de fazer alguma coisa."

O Kenshin olhou para ele e percebeu o motivo da apreensão. O país pelo qual ele tanto tinha lutado para estar em paz, estava a ser ameaçado novamente. "O melhor é ficares aqui… O Saito vai conseguir resolver esta situação. Mas, se tu fores capturado, as coisas pioram…"

O outro homem suspirou e olhou para o Kenshin sentindo-se impotente: "Mais uma vez tu estás aqui e mais uma vez é para me proteger... tal como no passado."

"Muitas coisas mudaram desde aí." – o ruivo respondeu prontamente.

O outro abriu os braços: "Uma era inteira mudou…"

O Kenshin acenou com a cabeça e acrescentou: "E eu mudei com a era." As coisas tinham de ficar bem esclarecidas na cabeça dele. O fato de estarem ali, com ele a protege-lo, tal como há 10 anos atrás, não significava que ia ser assim para sempre: "O homem que conhecias como Battousai morreu com o Bakumatsu. A espada não será mais um instrumento de morte nas minhas mãos." – ele disse com uma certeza inquebrável no olhar.

O Katsura olhou para ele durante alguns minutos a tentar perceber em quê que ele tinha mudado, mas aparentemente, para ele, o Kenshin estava igual. "Não me vendes essa história Kenshin…." – ele sentou-se e fez sinal para que o Kenshin fizesse o mesmo: "Quando ouvi pela primeira vez relatos acerca de ti, quis conhecer-te… mas quando olhei para ti e vi a criança que ainda eras… eu pensei que eram apenas rumores, ou então que se tinham enganado na pessoa…." – Esboçou um sorriso: "Eras apenas um miúdo… Fingelas e com cara de fome…" – depois o sorriso desapareceu e foi substituído por uma expressão de espanto: " Mas quando te vi lutar…. A tua perícia e força eram sobre-humanas!"

"Quando te perguntei porquê que querias juntar-te a nós disseste que estavas farto de ver pessoas morrer à tua frente sem poderes fazer nada para as ajudar, só porque eram pobres ou desfavorecidos…" – olhou fundo nos olhos dele, como se estivesse a reviver o momento que se tinha passado há mais de 10 anos atrás: "Tu querias mudar o mundo. Com 15 anos tinhas ideais… e agora estas a querer dizer que com 30 anos, não pensas que valeu tudo a pena?"

O Kenshin abanou com a cabeça. Ideais?!: "Mas é claro que tenho ideiais, caso contrário não estaria aqui…" – ele disse um pouco irritado. O Katsura continuava a pensar que os únicos ideiais que valiam, eram aqueles que estavam relacionados com o país! Mas e a família? As pessoas que só queriam viver a vida delas independentemente do regime em vigor? "Talvez não percebas mas… mesmo nesta nova era continua a haver desfavorecidos e fracos e esses continuam a não ser protegidos pelo governo." – Havia nele um misto de tristeza, impotência e repulsa por dizer aquilo, porque ele próprio tinha lutado contra essa discriminação, e com os anos tinha aprendido que, os homens nunca seriam capazes de acabar com a maldade…

Não somos Deuses… Apenas brincamos aos Deuses… "É óbvio que tu nunca conseguirás controlar isso, porque não podes controlar a humanidade e corrupção dos teus associados e sub-líderes." – o Kenshin olhou fundo nos olhos do seu ex-"patrão". Ele tinha de saber: "Katsura, e eu nunca disse que não tinha ideiais…Eu simplesmente já não acredito que posso mudar o mundo com a minha espada… O meu ideal é proteger aqueles que aparecem no meu caminho…" – bateu com a mão no peito: "Mas principalmente a minha família…"

O Katsura observou-o em silêncio por alguns segundos. "É normal que querias proteger a Tomoe, principalmente depois de já a teres perdido uma vez…" o Kenshin desviou o olhar para o lado e o Katsura estranhou.

O ruivo parecia estar a querer dizer algo com tudo aquilo, algo mais profundo, algo que ele queria que soubesse: "Os anos passaram por ti Kenshin… e essas já não são mais as palavras de um adolescente revoltado mas sim de um homem que aprendeu com a vida…" – ele começou por sondar.

O ruivo voltou a sentar-se. "É verdade."

Havia uma energia estranha no ar… E o Katsura tinha um pressentimento de que quando o Kenshin mencionou a sua família, não era à Tomoe que se referia… E era como se estivesse ressentido com ele…"Posso fazer-te uma pergunta?"

O Kenshin acenou.

"Como conheceste a Kaoru?" – o ex-lider dos Inshin era perspicaz e apanhou o Kenshin de surpresa com aquela pergunta.

"Numa noite andava a vaguear por esta cidade e… alguém me interpelou e ameaçou… era ela." –ele respondeu simplesmente

O Katsura estranhou: "Porquê que ela fez isso?"

"Porque me confundiu com outra pessoa… Um homem que andava a matar pessoas e dizia a todos que fazia isso usando o estilo Kamyia Kashin… Por coincidência ou não, ele apareceu nesse momento, e ela…" – o Kenshin esboçou um sorriso: "Enfrentou-o simplesmente… apenas com uma espada de madeira na mão…" Típico dela… "Eu não consegui ir-me embora sem resolver aquela situação… principalmente porque era o meu apelido que ele estava a usar."

"Como assim?"

"Ele dizia a todos que era o Battousai. E que o estilo Kamyia era um estilo assassino."

"E tu sentiste-te culpado por isso." – o Katsura concluiu.

O Kenshin suspirou: "Mesmo numa nova era o nome Battousai continuava a infundir medo nas pessoas… e eu não queria isso… principalmente para alguém como a Kaoru…" – a imagem dela naquela noite, a forma como ela avançou para o Gohei, sem medo preencheram-lhe a mente por segundos, até que percebeu que o Katsura continuava à sua frente à espera que continuasse. "Ela não podia pagar pelos meus erros." – concluiu.

É estranho… Quando fala na Kaoru, é como se ficasse perdido em pensamentos…"O que te levou a ficar por cá?"

O Kenshin levantou a cabeça e respondeu francamente: "A Kaoru." – olha-o nos olhos – "Mesmo depois de saber a verdade acerca de mim, de saber quem eu fui, ela aceitou-me e disse-me que o passado ficava lá atrás… que eu não precisava de viver com a sombra do Battousai sempre atrás de mim… Ela aceitou-me…"

Eu não quero o Battousai… Eu quero o viajante!.. Fica. –

Não valia a pena esconder mais o que sentia. Além disso, o seu orgulho masculino dizia-lhe que tinha de mostrar ao Katsura que a amava."A Kaoru deu-me algo que eu pensei que nunca mais teria na minha vida… Uma família."

O Katsura pousou as duas mãos com força no chão, confuso: "Da maneira que falas… se não soubesse que tens a Tomoe… eu diria que…"

O Kenshin não o deixou terminar: "Eu vou protegê-la sempre… À Kaoru…" – olhou fundo nos olhos do Katsura: "Vou protege-la para sempre… O que mais me magoa é não ter conseguido protegê-la do meu passado…" – ele respondeu referindo-se principalmente ao Enishi e da vinda da Tomoe. Assuntos que eram alheios ao Katsura."Mas um dia vou emendar isso… eu vou recompensá-la por tudo…"

"Tu… ama-la!" – o outro exclamou espantado, sem perceber como tudo isto lhe tinha passado ao lado.

O Kenshin sorriu: "Sim, amo."

O Katsura levantou-se irritado. "Mas… tu não podes! Tu não estás a pensar nela! Naquilo que vão dizer dela se vocês ficarem juntos!" – Como é que ele pode ser tão egoísta? A Kaoru tem o futuro à sua frente e se ele insistir em ficar com ela tudo isso vai por água a abaixo! "Aliás tu não podes ficar com ela! Tu és casado!"

Foi por isso que ela se afastou…

O Kenshin levantou-se: "Tecnicamente não… O meu casamento foi uma farsa criada por ti, lembras-te?"

O Katsura foi apanhado despercebido.

"Temos um traidor entre nós… até descobrirmos quem é, o melhor e ficares longe por uns tempos…"

"Para onde vou?" – o jovem de cabelos ruivos perguntou.

"Para Otsu… Mas um homem sozinho pode levantar suspeitas, por isso quero que leves aquela rapariga… a Tomoe contigo... Se fingirem que são um casal, é mais fácil passarem despercebidos."

O Katsura olhou para o ruivo… A raiva já tinha diminuído, mas continuava a sentir-se estranho em pensar que o Kenshin, o homem que durante anos foi o seu "guarda-costas", tinha o amor da mulher que ele desejava. "Tens razão… Eu tinha medo que toda a carnificina te tornasse louco e então decidi que deverias ter alguém do teu lado… alguém que cuidasse de ti… mas nunca me perguntei se era isso que tu querias, se era a Tomoe de quem tu gostavas… mas aqueles tempos eram…"

"Difíceis…" – o Kenshin concluiu a frase.

Como é que ele conseguia percebê-lo?

"Desculpa."

O Kenshin abanou a cabeça: "Tu fizeste o que achaste ser certo… E por um tempo eu amei a Tomoe…. Mas depois de tudo… da sua morte, da traição, de saber acerca do Akira… depois de 10 anos… e de ter conhecido a Kaoru… tudo mudou… Uma época inteira mudou e eu mudei também…"

O Katsura pousou a mão no braço do Kenshin: "Eu sei… Ficar preso a Tomoe, é ficares preso a alguém que espera que tu sejas quem já não és…"abanou a cabeça e riu ironicamente: "Não é fácil para mim admitir isto… Mas… eu sempre soube que a Kaoru tinha gostado muito de alguém no passado… Era como se ela estivesse sempre de pé atrás cada vez que eu demonstrava que gostava dela… Agora percebo. Não deixo de me sentir estranho com isto tudo… mas também sei admitir que perdi… ela nunca foi minha…"

Antes que o Kenshin pudesse dizer alguma coisa, o Saito entrou na sala e interrompeu-os.

"Ainda não conseguimos encontrar nem a mulher do Murakama nem a filha do Kawaji… Não foi feito nenhum pedido de resgate nem mais nenhum tipo de comunicação, mas as casas deles estão a ser vigiadas para o caso de alguém tentar contactar… se apanharmos o mensageiro chegamos a quem mandou a mensagem."

O Katsura trocou olhares com os dois homens na sua frente:

"Eu tenho pensado no passado."… "Mais precisamente sonhado com o passado…. Com o dia em que matei o imperador…"

"Porquê isso agora?" – O Saito perguntou enquanto acendia o cigarro.

"Porque eu acho que isto está ligado com alguém dessa altura… Eu pedi ao Kawaji que investigasse alguns dos nomes, mas a maioria deles estão impossíveis de ser encontrados… e suponho que agora ele não tenha muita cabeça para pensar nisso."

O Kenshin recordava bem esse momento: "Eu lembro-me de um homem… Ele talvez fosse o chefe da guarda imperial… Ele tentou impedir o imperador de se submeter… Se tu achas que isto vem de alguns dos guardas do imperador, então… ele, como membro principal e mais fervoroso tem de estar envolvido."

O Saito olhou para o ruivo: "Se envolve a guarda imperial então ninguém melhor para nos ajudar do que…"

"O Aoshi… se ele não tivesse partido para a capital há alguns dias.." Apesar de o Oniwabanshu ter feito parte da guarda pessoal do Imperador antes de o Katsura ter destronado, eles talvez ainda tivessem contacto com alguns dos membros da corte do imperador, principalmente porque os cargos passavam de geração em geração. "Eu faço-lhe chegar uma mensagem…."

"Pede-lhe para ele voltar, é mais fácil." – o Saito parecia impaciente demais.

O Kenshin olhou para ele e respondeu: "A Misao está de bebé, não vou submetê-la a ficar sem ele agora…"

"Tu e as tuas lamechices…O futuro do Japão é mais importante do que um bebé doninha."

"Talvez… mas eles são meus amigos e, se fosse comigo, eu não gostava que me fizessem o mesmo. Entretanto não vamos ficar de braços cruzados… Temos de encontrar esse homem… Ele pode estar em qualquer lado…"

O Saito encolheu os ombros. "Há um sitio no qual ele pode ou poderá já ter estado… Um sitio criado para todos os renegados e aqueles que acham que já não encaixam nesta sociedade." – e olhou diretamente para o Kenshin."Rakunimura."

E acrescentou: "Se ficaste com amiguinhos do tempo que lá passaste, agora podem ser úteis…"

O Kenshin não tinha boas memórias daquele sitio. Tinha-se refugiado lá quando pensou que a Kaoru tinha morrido, porque pensava que merecia viver como um renegado, como alguém que apenas existe, não vive…mas, assim que soube que tinha tudo sido um embuste, partiu.

"Amanhã de manhã passo por lá…"

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A Kaoru tinha sido bastante cautelosa. Primeiro deixou que o Yahiko adormecesse e depois saiu sem fazer barulho para ir ter com o Enishi. Ela sabia que todos iam voltar-se contra ela, mas, a verdade é que sentia ser a única capaz de chegar ao Enishi.

Quando se esbarraram ele estava a sair da pensão que fica por cima do restaurante da Tae…. Logo, ela quase que podia apostar que ele estava hospedado lá.

As ruas estavam bem escuras à noite… e a maioria das pessoas já se tinham recolhido…. E a Kaoru não conseguia deixar de se sentir insegura por estar ali sozinha… O que tinha acontecido com o Kauru ainda estava bem fresco na sua memória. Devia ter trazido o Yahiko… Mas ele nunca concordaria… Ele simplesmente detestava o Enishi.

Enquanto os seus pés trilhavam um caminho apressado ela pensava no que lhe ia dizer, nas perguntas que ia fazer… Ia tentar apelar à humanidade dele, porque ela sabia que ele tinha alguma, mas, não estava certa de que isso fosse funcionar…

Suspirou ao ver a luz do restaurante acesa… Eles deixavam sempre alguém na entrada à espera dos hóspedes que chegavam mais tarde.

A Kaoru entrou e de imediato o homem na porta reconheceu-a como amiga da Tae e deixou-a entrar, provavelmente a pensar que ia ter com ela.

A Kaoru foi de fato até ao quarto da Tae, mas para se informar do quarto em que o Enishi estava.

A Tae, já vestida com roupa de dormir respondeu-lhe: "Eu achei muito estranho quando o vi e ia mandar alguém avisar-te pela manhã, mas pelos vistos já sabes…" -

"É… eu esbarrei-me com ele…" – a Kaoru não quis adiantar muito.

"Ele está naquele quarto dali do fundo… mas eu acho que ele saiu…" – apontou para uns quartos mais À frente do seu.

"Importas-te que espere aqui contigo?" – perguntou.

"Claro que não me importo… Ainda não consegui perceber como é que com 3 homens em casa te deixaram vir sozinha…" – disse com as mãos nas ancas.

A Kaoru levantou as mãos e pediu-lhe que ficasse descansada. "Eles não sabem , e é imperativo que não saibam."

"Porquê?"- perguntou preocupada – "Tu nem sequer deverias estar aqui, depois de tudo o que este monstro te fez!"

"O Enishi não me fez nada, tudo o que ele fez foi para atingir o Kenshin, não a mim." – respondeu.

"Kaoru querida, ele fez-nos pensar que tinhas morrido!"

"Eu sei… Isso é horrível… Mas o Enishi tem informações importantes, das quais eu preciso!"

"Kaoru, tem muito cuidado pf, ele é tão perigoso…"- A Kaoru suspirou. "Ele é um gangster!"

"Eu sei."

"É pena que seja tão bonito." – A Tae suspirou.

"O quÊ?"

"Não me critiques! Não me vais dizer que não o achas atraente!" – a Outra respondeu.

A Kaoru corou: "Tae, nunca pensei… nisso…"

"Esqueçe lá isso…" – a outra puxou-a e fez com que se sentassem frente a frente "Ainda não tivemos hipótese de falar acerca da volta do Kenshin."

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O Enishi caminhava de volta à pensão.

Eles tinham requisitado mais armas… Pela quantidade, era como se fossem atacar um exército… Ele não sabia onde é que tipos que andavam com roupas todas esfareladas e rotas conseguiam financiar-se para comprar bombas e armamento daquele género.

Normalmente ele não costumava preocupar-se com a fonte do dinheiro, desde que pagassem era o que importava…

Mas desta vez eles pediram que esperasse dois dias para efetuar o carregamento porque ainda estavam à espera do dinheiro. E isso fez luz na cabeça dele… Talvez houvesse alguma ligação com os raptos, talvez, eles estivessem à espera do dinheiro do resgate para pagarem as armas.

Se fosse assim, os próprios governantes estariam a pagar pelas armas que iam ser utilizadas para os destruir, o que não deixava de ser irónico.

O Enishi abanou a cabeça. Estava cansado de pensar naquilo… Porquê que ele se preocupava?

Chega! Vou descansar e esperar os dois dias que eles me pediram… Esta guerra não é minha.

Ele entrou na pensão e subiu apressadamente as escadas para o quarto onde estava hospedado. Quando chegou ao último lanço de escadas ele e a Kaoru quase chocaram um contra o outro. "O que fazes aqui?" – perguntou surpreendido por a ver, ainda por cima sozinha aquela hora da noite.

"Eu preciso de falar contigo."

Ele olhou-a: "Vens pedir desculpa por me teres acusado do rapto?"

Ela bafejou sem paciência para os jogos de palavras que ele costumava fazer: "Não… Eu não te acusei de nada…"

"Diz."

"Podemos falar lá dentro?" – perguntou ciente de que mais alguem poderia estar à escuta.

Ele conduziu-a até ao quarto e uma vez lá dentro barafustou para esconder o pouco à vontade que sentia por a ver ali: "O que queres? Diz rápido porque eu estou cansado." – Ele estava quase certo do que ela estava ali para fazer.

A Kaoru respirou fundo. Durante o caminho tinha pensado inúmeras vezes em como iria abordar aquele assunto com ele… Mas agora, estando frente a frente com a "fera" tinha ficado sem saber como começar… Tentou ser sincera:"Enishi… Eu sei que tu sabes mais do que aquilo que disseste ao Kenshin quando ele te foi ver na ilha."

Percebeu pela expressão no rosto dele que já esperava aquele assunto, mas mesmo assim continuou: "E também sei que nunca lhe dirias nada porque o odeias…"

Ele esboçou um sorriso de desdém: "E vens tu tentar porque achas que a ti te vou dizer alguma coisa?"

Mas será que nada é sagrado para ti? Uma das coisas que está em jogo é a vida de uma criança?! – teve vontade de gritar, mas conteve-se. Precisava dele: "Estava na esperança de que me ajudasses."

O Enishi pestanejou várias vezes na tentativa de entender porquê que ela estava a agir assim, tão controladamente. Claro, como ele não conseguiu obter informações de outra forma, mandou-a a ela… A mensageira subtil… Não conseguia descrever o quão irritado isso o fazia sentir. "Tu achas que podes mexer com os meus sentimentos só porque eu te deixei sair viva daquela ilha?" - Bafejou

A Kaoru abanou com a cabeça negativamente em sinal de desagrado: "Não te importa que estejam pessoas inocentes a morrer por causa destes ataques?" – Será que não pensas em mais ninguém a não ser em ti próprio?

Ele encolheu os ombros e voltou as costas: "É guerra morrem pessoas boas todos os dias…" – depois voltou-se para ela e acrescentou com sarcasmo: "E olha lá… A guerra faz-me rico! PorquÊ me hei de importar?"

Mas a resposta veio rápida e atingiu-o como um murro no estômago:

"Se uma dessas pessoas fosse a tua irmã, não te importavas?"

O Enishi ficou parado a olhar para ela durante alguns segundos. Aquele tinha sido um golpe baixo. Ela sabia que não havia ninguém com quem ele se preocupasse mais do que com a sua irmã. Tocar naquele assunto não tinha sido justo, e olhá-lo daquela forma também não o era: "Pára com isso!" – ele voltou-lhe de novo as costas. Não era justo que ela falasse com ele como se alguma vez ele se tivesse importado, não, ele era Yukishiro Enishi, cabeça da máfia chinesa, não o herói protetor dos desprotegidos. Ele tirava vantagem das dores dos outros, não os ajudava. Nunca o tinham ajudado a ele, por isso… Isto era tudo o que ele sabia fazer…

E também não era justo ela fazer parecer que se importava com ele, quando tudo o que queria era sacar-lhe informações!

"Enishi… por favor… ouve-me… " – A Kaoru tentou tocar-lhe no ombro, mas a forma violenta como ele se voltou e a raiva no seu olhar assustou-a.

"Tu pensas que podes falar comigo na boa não é?" – ele apontou-lhe o dedo. "Tu pensas que podes apelar à minha humanidade, não é?" – deu um passo na direção da Kaoru e ela recuou.

A Kaoru só o tinha visto assim uma vez… E foi quando ele lhe descreveu como iria fazer o Kenshin sofrer antes de o matar… Sentiu-se receosa, se calhar tinha ultrapassado os limites… Talvez o Yahiko tivesse razão, e o Enishi não fosse uma pessoa normal.

"Só porque passaste algum tempo comigo em minha casa… tu pensas que eu nunca te faria mal, só porque…"

Mas antes que ele pudesse continuar ela interrompeu-o. "Eu sei que tu nunca me farias mal." – ela disse em tom desafiador… Ela sentia o sangue ferver-lhe nas veias, numa mistura de raiva com receio, mas não podia recuar, não agora, ele tinha de ser confrontado, ela tinha de lhe fazer frente. Havia demasiado em jogo naquele momento, e ela não se podia dar ao luxo de se preocupar consigo mesma. "Tu não consegues matar-me…. E tu sabes disso." – arranjou coragem para dizer.

O Enishi cerrou os punhos numa tentativa de se controlar.

"Tu não consegues matar-me Enishi… Eu acredito que tenhas vontade de o fazer… Mas eu sei que por mais que queiras matar-me, tu não consegues…" -

Num movimento repentino ele retirou uma navalha do bolso e colou-a à garganta da Kaoru:"Confias assim tanto nisso?" murmurou-lhe ao ouvido.

Mesmo com o coração a bater a mil à hora a Kaoru abriu os braços: "Estou aqui, não estou?"

Ele chegou ainda mais a faca à garganta dela.

A Kaoru quase que conseguia ouvir o cérebro dele a pensar, e embora não conseguisse ver o rosto dele, podia imaginar as veias do pescoço a ficarem salientes com a luta interior….

Eu quero matar-te! Ele apertou com força o cabo da navalha. Tu não podes brincar comigo… Tu não me és nada!

O medo cresceu dentro dela. Se calhar, tinha lido mal o Enishi… E agora? Se ele a matasse? O que iria acontecer com o Kenshin? E, com o seu dojo? Oh meu Deus… Isto foi uma insensatez…

Quando ela estava prestes a acreditar que tinha cometido o maior erro da sua vida em enfrentá-lo, o Enishi soltou-a súbita e abruptamente.

A Kaoru passou a mão na garganta...ainda sentia como se a lâmina lá continuasse cravada. O Enishi atirou a navalha para longe e ficou a olhar para as suas mãos tremerem descontroladamente, depois apertou a cabeça com as mãos como se estivesse a querer apagar algo da mente: "Sai… daqui!"

A Kaoru ficou a olhar para ele sem saber o que fazer: "Enishi… por favor, uma Das pessoas que foi raptada é apenas uma criança, é mais nova do que o Yahiko…"

"Não tentes apelar à minha humanidade porque o teu querido Battousai destruiu-a!" – ele deu um berro que deve ter acordado metade da pensão.

"Enishi faz isto por mim pf…" – murmurou ainda em choque com o berro que ele lhe tinha dado.

"O que é que isso te interessa? Tu nem sequer as conheces!"

"Há alguns dias, quando bombardearam a cidade, eu estava lá e vi uma menina Enishi… A explosão tinha criado uma cratera funda no chão, e ela ficou agarrada a um ramo, ou a uma fenda, já não sei bem… Só sei que as mãos delas escorregaram das minhas…. E eu…" Tudo aquilo ainda estava muito fresco na sua memória, e, cada vez que pensava, era como se revivesse tudo de novo.

O Enishi observou-a a tentar recompor-se e esperou pelo resto.

A Kaoru respirou fundo: "Eu não consigo suportar a ideia de que posso ajudar alguém e não o faço Enishi… Os olhos daquela menina assombram-me todos os dias antes de eu ir dormir…" – As suas mãos fecharam-se no peito, como para ajudar a aliviar o peso que sentia: "Todos os dias eu penso e repenso se havia algo que eu pudesse fazer para a salvar… O que é que fiz mal, o que poderia ter feito melhor…." – Depois olhou para ele e perguntou: "Tu vais conseguir viver com essa culpa? Eu não consigo." - disse já com lágrimas a escorrer pelo rosto a baixo.

De repente a neve ficou vermelha… E ela caiu nos braços do ruivo… e a poça de sangue debaixo deles aumentava cada vez mais… Ele ficou inerte a olhar para tudo… Sem conseguir salvá-la, sem conseguir correr para lhe dar um último abraço, para a ouvir falar, apenas mais uma vez…

Aquilas memórias já não tinham razão de ser… PorquÊ que ainda o atormentavam? "Pára com isso, para de chorar..."

A Kaoru sentiu-se desfeita por dentro… e Patética… Patética por ter acreditado que havia um fundo bom nele, quando todos os outros a avisaram do oposto. Afinal, o que sabia ela dele? "Desculpa eu… fui estúpida em ter vindo… mas… naquele dia na praia quando apanhaste a bala por mim… pensei ter visto em ti a vontade de ajudar outros… mas eu acho que estava enganada… se calhar pensavas que estavas a proteger outra pessoa…." Ela voltou-lhe costas e caminhou em direção à saída, mas antes, olhou para trás mais uma vez, o Enishi ainda parecia perdido em pensamentos: "O teu ódio pelo Kenshin é tão grande, e cegou-te de tal forma que não consegues ver para além disso…. Fica bem."

A Tomoe está viva, passou os últimos meses comigo… Porquê? Porquê que o fantasma da morte dela ainda me continua a atormentar?

As palavras dela retumbaram na sua mente: Todos os dias eu penso e repenso se havia algo que eu pudesse fazer para a salvar…

Era isso. O sentimento de impotência face ao que se tinha passado. Apesar de ela estar viva, O facto de não a ter conseguido proteger, continuava a assombrá-lo….

O medo de que algo do género se repetisse…

E foi aí que ele percebeu...

"Espera!" - ele disse

Olhou em volta mas ela já lá não estava.

::::::::::::

A Kaoru saiu disparada da pensão.

Como é que eu pude imaginar que alguma vez aquele idiota, egoísta do Enishi se ia preocupar? Como é que pude pensar que ele tinha coração?

Estava furiosa consigo própria, mas acima de tudo desiludida.

Desiludida por mais uma vez os seus amigos terem razão em relação ao Enishi. Se eles soubessem iam gozar com ela e chamá-la de ingénua.

Só tu para acreditares num mafioso, que já te raptou, e que tentou matar o Kenshin!

Enquanto este com ele na mansão tinha percebido, ou melhor, pensava que tinha percebido, que ele era apenas alguém cuja infância tinha sido roubada. Alguém a quem o mundo tinha tornado um monstro, mas que talvez um dia, a bondade de alguém o tocasse e o trouxesse de volta à realidade… Mas afinal não…

Por Deus! Ele tinha morto a família que o acolheu! Como é que alguma vez ela pôde confiar que algo de bom viria dele?

Os pés dela andavam ligeiros em direção ao dojo, queria sair dali e se possível fazer de conta que aquele encontro nunca tinha acontecido.

Foi nessa altura que sentiu o braço ser-lhe puxado com força para trás, ela estava prestes a gritar, quando ele lhe tapou a boca.

"Sou eu…"

A Kaoru olhou para ele sobressaltada e deu dois passos atrás: "Como se isso fosse motivo para me descansar." – respondeu abruptamente.

"Tu é que vieste atrás de mim, não eu." – o Enishi respondeu perante a atitude defensiva dela.

"Pois, mas eu estava enganada." – estava prestes a virar-lhe as costas quando ele a agarrou no braço de novo: "Deixa-me ir..." – ela fez força no sentido contrário.

"Tens a certeza?" – ele perguntou.

"Tenho!"

"Mesmo que eu possa ajudar-te a salvar essa miúda?" – disse sagazmente

A Kaoru ficou a olhá-lo na tentativa de perceber se dizia a verdade: "Tu sabes onde…"

"Não." – ele não a deixou terminar. – "Não sei onde ela está. Mas tenho razões para acreditar que sei quem a pode ter."

"Quem?" – a Kaoru perguntou de imediato. A expressão do seu rosto passou de imediato de espanto para felicidade.

O Enishi suspirou. Ela parecia uma criança. "Ouve, se eu te vou ajudar, as coisas vão ser feitas à minha maneira."

"Como assim?"

"Em primeiro lugar vais manter-te fora disto, e em segundo lugar deixa-me investigar os tipos primeiro."

"PorquÊ?" – para ela já tinham motivos suficientes para avançar.

Ele bafejou: "Porque eu quero confirmar umas coisas primeiro."

Os olhos dela encheram-se de desconfiança: "Tu vais querer enganar-me…"

Ele abanou-a: "Eu não te estou a enganar."

"Como é que eu tenho a certeza disso?" – ela pôs ambas as mãos nas ancas em forma de desafio.

Ele encolheu os ombros: "Não tens."

A Kaoru suspirou de frustração e ele riu-se: "Vá-la, se à poucos minutos atrás estavas pronta a confiar em mim, porquê que não o fazes agora?"

A Kaoru ficou pensativa. Estaria a ser ingénua? Será que ele estava a jogar com ela?

"Ouve bem Enishi, eu vou acreditar em ti, mas se estiveres a gozar comigo…" – ela apontou-lhe o dedo bem perto da cara…

"Já sei… já sei… fazes queixa ao Battousai…" – ele disse em rom de gozo.

Era impressionante como o humor dele mudava de repente.

A Kaoru ficou vermelha: "Eu não sou assim…"

Quando de um momento para o outro o rosto do Enishi ficou sério ela percebeu que algo se passava: "Falou-se no diabo…"

A Kaoru olhou na mesma direção que ele e percebeu o motivo. A apenas alguns metros de distância o ruivo olhava-os perplexo.

"Kenshin?"

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Nós sabemos que o Enishi não está a enganar, mas ela não sabe disso...

E agora, o que é que o Kenshin vai pensar? O que é que a Kaoru lhe vai dizer?

Sugestões?

Obrigada por lerem,

Fico a aguardar os vossos comentários.

Beijinhos e até ao próximo capitulo