Capítulo 3: 7x19 – Hollywood D.C
Mulder deixou o cinema antes mesmo do filme terminar. Chateava tanto assim um filme bobo onde ele era trocado pelo Skinner? Este com certeza era o menor dos problemas daquele filme, porém talvez não para o ego dele. Scully sentiu uma certa pena dele e arranjou uma forma de alegrá-lo. Não foi difícil encontra-lo, sentando no chão como um garoto emburrado, a cena a divertia. Sentou-se ao lado e tentou melhorar o humor dele, mas nada foi tão bom quanto avisar que eles tinham o cartão de Skinner para gastar. Ele rapidamente se levantou e os dois caminharam de mãos dadas como um casal qualquer, decidindo o que fazer com aquele cartão.
- Será que ele tem um bom limite? Perguntou ele desconfiado. – Tem que ter alguma pegadinha.
- Não, ele está de muito bom humor por ter sido representado pelo Richard Gere e ter a lanterna maior que a sua. Ela riu.
- Acha mesmo que ele tem a lanterna maior. Perguntou ele olhando-a seriamente. – Não me venha com aquele discurso sobre tamanho não ser importante. Scully gargalhou depois do último comentário.
- Bom eu nunca vi a lanterna do Skinner, mas estou satisfeita com o tamanho da sua. – Ela garantiu. – Muito satisfeita. – Acrescentou num sussurro, erguendo-se para falar-lhe no ouvido.
- Você está bêbada, Scully?
- Um pouco. Tive que beber para aguentar assistir aquele filme horrível. Parecemos dois idiotas.
- Não é? Ele concordou indignado. – Por isso que agora eu já sei o que iremos fazer com esse cartão do Skinner.
- O que? – Perguntou ela, curiosa.
- Vamos nos hospedar na suíte mais cara, do hotel mais caro dessa cidade. E vamos beber todas as bebidas do frigobar. E pedir muita comida. E comprar os filmes pornô do paper-view.
- Eu não tenho interesse nos filmes. – Ela respondeu abrindo a porta do carro.
- Se for só nessa parte que você não tem interesse, não tem problema. – Os dois entraram no carro.
- Nós já estamos num hotel bom, Mulder.
- Não, vamos fechar a conta e ir para o Four Seasons. Eu não quero encontrar mais ninguém, depois desse vexame de filme.
- Nossa, Four Seasons. Você está tentando me impressionar com o cartão do Skinner?
- Com certeza. E vamos pedir serviço de quarto. Não sei você mas estou morto de fome.
- Eu poderia comer alguma coisinha. Ela oscilou a cabeça.
...
- Boa noite, queremos o quarto mais caro que estiver disponível, por favor. – Disse Mulder no balcão do novo hotel, com Scully ao seu lado rezando para que o cartão de Skinner tivesse limite suficiente para as ostentações que Mulder tinha em mente.
- Temos uma suíte especial para recém casados. – O atendente disse com um sorriso um tanto malicioso que deixou Scully constrangida.
- Na verdade...Scully tentou explicar que não eram recém casados mas Mulder a interrompeu.
- Nós adoraríamos não é, querida?
- Quanto tempo vocês pretendem ficar?
- Até amanhã apenas. Vamos seguir para a nossa lua-de-mel. – Mulder continuou, pegando na mão dela de forma gentil e ela lhe deu um olhar incriminador.
- Meus parabéns. Vocês fazem um lindo casal. Vou mandar preparar o quarto. - O homem saiu de cena com um aspecto sorridente e Scully fitou Mulder, incrédula. Como ele podia enganar as pessoas assim, só para ganhar um quarto melhor?
O quarto era espaçoso, havia uma sacada com acesso externo e a cama estava decorada com pétalas de rosa, sem contar que havia uma champanhe gelada esperando por ser aberta em cima da mesa da pequena cozinha.
- Você mentiu tão bem lá embaixo que eu poderia pensar que você já fez isso antes. Ela provocou, enquanto retirava o casaco.
- Eu jamais faria isso. Você é minha primeira e única esposa, Scully. Ele puxou-a pela cintura e beijou sua bochecha. – Você não queria um encontro mais apropriado? Então, que tal? Temos um belo quarto, teremos um belo jantar e estamos bem vestidos. Ele explicou, satisfeito.
- É, valeu a pena. Ela concordou com um leve sorriso de quem não queria dar o braço a torcer.
- Aliás, gostei do vestido. Você devia usar com mais frequência. – Ele elogiou enquanto tirava o casaco, a borboleta, e arregaçava as mangas da camisa.
- Obrigada, vou anotar sua dica. Ela disse com divertimento. O que vamos pedir? – Disse ela após pegar o cardápio em cima da mesa.
- Algo caro. Ele disse, sentando-se ao lado dela.
- Imaginei que diria isso. Mas geralmente pratos mais caros vem pouca comida e com pouco sabor. Vamos pedir um spaguetti, que é mais confiável?
- Está bem. Ele suspirou resignado. – Mas com o molho mais caro. – Acrescentou com um sorriso de menino maroto e analisou as curvas do corpo dela naquele vestido preto justo, enquanto ela se aproximava do telefone para fazer a ligação.
Meia hora depois eles estavam jogados no sofá, com os pés descalços em cima da mesa e completamente cheios. Mulder não se contentou apenas com janta, mas também pediu sobremesa e o vinho mais caro disponível, ao ponto de que não havia mais nenhum mínimo espaço disponível no estomago deles.
- Se eu tiver uma congestão, a culpa é inteiramente sua, Mulder. – Scully reclamou, largando a taça vazia ao seu lado.
- Eu não obriguei você a comer. Ele sorriu de forma provocativa. – Tome mais vinho, é bom para a digestão.
- Ah claro, imagino... – Ela respondeu de forma cética. –A não ser que você queira passar o resto da noite me vendo com a cabeça na privada vomitando, é melhor pararmos por aqui.
- Que fraca você é, Scully. Tem várias garrafinhas no frigobar ainda. – Disse ele abrindo a porta do mesmo. – O que você prefere? Temos tequila, uísque, vodca... – Ao ver que não recebia resposta virou-se e a encontrou cochilando com a cabeça no braço do sofá. – Scully! Ele gritou.
- Ah, o que? – Ela levantou assustada, fazendo-o rir.
– Você não pode dormir agora! Vamos, levante, vamos tomar um banho frio pra você acordar. – Ele puxou os braços dela, obrigando-a a se levantar.
- Você me fez comer demais. Estou cansada. – Disse ela bocejando.
- Não faça isso com o cartão do Skinner, Scully. Vamos. – Ele a carregou no colo até o banheiro e deixando a tiara que prendia os cabelos dela em cima da pia, entrou com ela dentro do box.
- Não Mulder, não se atreva a ligar esse chuveiro. – Quem vai secar meu vestido depois?
- Nós mandamos para a lavanderia do hotel. – E antes que ela protestasse novamente, ele ligou o chuveiro e o jato de água fria foi um choque em seu corpo quente e cansado, mas ao mesmo tempo revigorante e restaurador depois de toda aquela comida e bebida.
- Eu vou matar você, Mulder. – Ela resmungou, tentando se soltar dos braços dele.
- Não vai não. Eu faço um chá quentinho pra você depois. – Ele disse com um tom melodioso, colocando-a no chão e acariciando os cabelos dela, jogando-os para trás.
- Puxe o zíper para mim? – Ela se virou de costas para ele e ele desceu o zíper do vestido preto vagarosamente, analisando a pele dela que estava ficando toda arrepiada. Por fim, deixou-o cair pelos ombros e começou a desabotoar a própria camisa.
- Se sente mais acordada, agora? – Ele perguntou, jogando a camisa dele e o vestido dela para fora do box.
- Na verdade estou me sentindo congelada. – Além de congestão vou ter um resfriado, graças a você. – Ela resmungou, enquanto continuava se despindo e jogando as roupas para fora do box, ele a olhava fazendo o mesmo.
- Venha cá, que eu resolvo isso. – Ele a puxou pela cintura e beijou seus lábios, abraçando-a com força, aquecendo seu corpo frio que se arrepiou novamente, mas dessa vez de prazer. Como ele podia estar tão quente embaixo daquela água congelada?
- Ainda está com frio? – Ele perguntou depois de beija-la demoradamente, ao ponto de quase faltar-lhe o ar.
- Um pouco.
Ela mordeu os lábios de forma provocante e Mulder começou a beijar seu pescoço, descendo até seus seios, onde ficou por um tempo, beijando-os e sugando-os até que começou a sentir o corpo dela se aquecendo. Não satisfeito, continuou provando-a, passeando pela pele dela com a língua, até acabar de joelho entre as pernas fechou os olhos e suspirou baixinho enquanto ele a provocava com sua língua, seus dentes e seus dedos. Ela nem sequer lembrava mais que a água estava fria. Então ele voltou a a erguer-se e ensaboando as mãos começou a esfregar todo o corpo dela, passando seu calor a ela.
- Está melhor agora? – Ele mordeu suavemente o lábio inferior dela.
- Começando a melhorar. Ela sorriu e eles continuaram ensaboando um ao outro e brincando de fazer penteados com o cabelo cheio de shampoo como duas crianças, até que seus corpos enrugados começaram a avisar que já tinham ficado embaixo da água por tempo demais. O banheiro parecia ter tomado banho também, já que eles haviam jogado as roupas ensopadas pelo chão, mas como estavam num quarto de hotel, não se preocuparam com isso. Ao invés disso vestiram os roupões disponíveis no quarto e abriram as malas para pegar suas coisas. Enquanto ela ia para o banheiro secar os cabelos, Mulder aproveitou para espiar a mala dela e encontrou bem à vista uma provocante camisola de cetim preta. Pegando-a ele foi até o banheiro e mostrou a ela, com um sorriso maroto.
- Você sempre veste isso para dormir sozinha? Ele perguntou curioso. – Scully desligou o secador e virou-se com um olhar malicioso dizendo:
- Não, eu ia passar a noite com o Skinner, mas você estragou tudo.
- Scully, não brinque com isso. – Ele reclamou sentindo-se um tanto sensível com isso ainda, fazendo-a rir.
- Quem disse que é brincadeira? – Ela provocou, voltando a secar o cabelo.
- Você acha que a ideia do filme saiu de onde? – O tom dela era sério, o que o deixou confuso. Não podia ser verdade, não, ela não faria isso. Era o Skinner! Então ao perceber a confusão dele, ela desligou o secador e se aproximou dele, retirando a camisola das mãos dele.
- É claro que é brincadeira! Por favor! Desde quando você fica bisbilhotando nas minhas coisas. – Ela o repreendeu e arrumou o cabelo dele, que estava ainda despenteado e molhado.
- Não bisbilhotei! Estava bem em cima das suas coisas. Eu só precisei passar ali e ver. E por favor, não minta mais assim. Eu estou sensível com esse assunto. Olha a imagem que Hollywood fez de mim.
- Porque você se importa tanto? – Scully riu e abriu o roupão, deixando-o cair no chão para logo em seguida vestir a camisola. – Satisfeito?
- Não, agora fiquei pensando no Skinner. Você pode imaginar que isso não é algo que me excite muito.
- Ah por favor, Mulder. – Ela pulou na cama e se enfiou embaixo das cobertas, chamando-o.
- Venha aqui me aquecer, vem.
- Prometa que não vamos mais comentar esse filme. – Ele resmungou como uma criança birrenta.
- Prometo. – Scully revirou os olhos e suspirou ranzinza. Só então ele se deitou e encaixou o corpo contra o dela, deixando-a não só aquecida, mas também segura.
- Como você está se sentindo agora? Está quente o suficiente? – Ele sussurrou no ouvido dela.
- Estou torrada. – Ela sorriu e se virou para fita-lo. Mulder pegou a mão dela e levou-a aos lábios, beijando cada um de seus dedos. – E sabe, eu também não estou mais me sentindo cansada, ela começou a deslizar a mão para dentro do roupão dele.
- É sério? – Mulder ergueu uma sobrancelha com interesse.
- Sério. – Ela respondeu, agarrando o pênis dele, fazendo-o gemer de satisfação. Mulder beijou os lábios dela, enquanto sua mão se perdeu entre as coxas dela por dentro da camisola, indo de encontro a intimidade úmida e quente que já parecia pronta para recebe-lo.
- Scully. – Ele resmungou com a voz rouca no ouvido dela.
- O que, Mulder?
- Devemos nos preocupar com o fato de não estarmos usando camisinha?
- Porque? Nós dois sabemos que eu não posso ficar grávida. – Ela disse com um meio sorriso e ele se arrependeu de tocar no assunto pois sabia como aquilo era doloroso para ela.
- Me desculpe. – Ele disse meio sem jeito, acariciando o rosto dela com a mãe livre.
- Não há porque. Você não tem culpa. Vou fazer você esquecer esse filme bobo. Dizendo isso ela beijou de leve os lábios dele e colocou a cabeça embaixo das cobertas, deixando-o confuso até que sentiu os lábios dela encontrando a mão que o massageava anteriormente. O corpo dele parecia estar em chamas e rapidamente ele abriu o roupão e empurrou as cobertas para vê-la. Só conseguia ver aquela cabeleira ruiva fazendo cócegas em seu peito, então segurou-os em suas mãos para ir de encontro aos olhos claros e extremamente expressivos dela.
- Oh meu Deus, todas as ruivas irradiam fogo como você, Scully? – Ela parou por um minuto e mordeu a virilha dele, fazendo-o soltar um leve grito, em seguida ergueu-se e deitou-se sobre ele colocando as mãos em torno do pescoço dele.
- Me diga você. Nunca estive com uma ruiva. – Ela riu, mordendo o mamilo dele.
- Ninguém... é... como... você... – Ele resmungou pausadamente e ergueu o troco para retirar o roupão finalmente, ignorando o peso dela.
- Vou interpretar como elogio.
- Deve. – Ele a encarou profundamente e ela começou a encaixar-se sobre ele, sentando-se e cavalgando sobre ele de forma tranquila, num ritmo calmo, como se estivessem num barco, num mar de ondas calmas e suaves. Mulder retirou a camisola dela e acariciou seus seios, cobrindo-os com suas mãos.
- Eu amo você, mulher. – Ele quis dizer, mas manteve apenas em pensamento pois não queria soar brega, nem queria que ela risse dele. A última vez que ele dissera que a amava ela ignorou completamente achando que ele não estava bem da cabeça, então só diria novamente quando tivesse certeza de que seria correspondido. Mulder então virou-a na cama, ficando sobre ela e ela em resposta prendeu as pernas em torno do quadril dele e pela primeira vez ambos chegaram ao clímax juntos, numa sintonia perfeita que correspondia a química que eles sempre tiveram em todos aspectos de seu relacionamento. Ela nunca experimentara isso antes, muito menos ele e então ela aceitou em sua cabeça que aquilo era para sempre.
