Capitulo 5: 7x21 –Je souhaite
- E então, qual foi o seu desejo final? - Scully perguntou fitando-o com curiosidade e ele deu um leve sorriso antes de responder.
- Eu desejei a liberdade dela.
- Mentira! – Scully riu chocada.
- Bom, primeiro eu desejei a paz mundial e não deu muito certo então resolvi desejar a única coisa que ela não conseguiria estragar.
- Você desejou a paz mundial? – Scully riu novamente, e bebeu mais um gole de cerveja.
- Eu quase arrependido de ter convidado você para vir aqui. – Ele brincou.
- O que deu errado com a paz mundial?
- Ela esvaziou o planeta. Não é triste pensar que somos incapazes de criar a paz sem desparecermos?
- Mas Mulder, você esperava que ela mudasse as mentes de todas as pessoas do mundo inteiro? Entendo a solução dela.
- Foi exatamente esta a justificativa dela. Vocês duas deveriam se tornar amigas.
- Shh o filme vai começar. – Ela encheu a boca de pipoca.
- Pensei que você não estivesse interessada no filme.
- Não estou, mas antes que você em voltar a fita por não ter prestado atenção no começo eu resolvi me prevenir e avisar você.
- Você é uma ótima parceira, até para ver filmes que você não gosta.
- Eu sei. – Ela concordou e ele encostou o ombro no dela, voltando seus olhos para a ela.
E pelas duas horas seguintes eles não conversaram, basicamente Scully assistiu o filme e Mulder interpretando as falas dos personagens. Ele realmente precisava de companhia para aquilo? É claro que não mas aquilo animou o dia dela que fora um tanto estranho. Estar com ele era sempre renovador, uma luz em toda a escuridão que cercava a vida dela e então mesmo que não aprovando o filme escolhido, ela aproveitou o momento e se divertiu. Por um momento ela pensou que aquilo sempre fora daquela maneira e tocou a mão dele quando os créditos começaram a aparecer. Mulder beijou-a nos lábios suavemente e continuou fitando-a por um longo momento depois disso, como se tentasse dizer algo mas não tinha coragem o suficiente ainda.
- Porque você fez isso? – Ela perguntou já sentindo-se meio tonta depois das cervejas que eles beberam durante o filme.
- Pareceu a coisa certa a fazer. – Ele respondeu, acariciando o rosto dela.
- Sei o que você está pensando.
- E...?
- Se eu me mexer daqui acho que vou vomitar toda essa pipoca e cerveja. Ultimamente todas as vezes que estou com você termino a noite embriagada. – Ela disse num tom suave.
- Ah eu sou uma péssima influência mesmo. Você devia ter ouvido seu irmão. Afinal quem diria que você iria acreditar na invisibilidade de um homem, ou gênios da lâmpada, não? – Ele debochou dela.
- Ah não me lembre disso. – Ela escondeu o rosto lembrando do desaparecimento do homem invisível, fazendo com que ela passasse por mentirosa.
- Venha cá. – Ele a puxou fazendo-a deitar em seu peito e ficaram ali por alguns segundos até que ela saiu correndo para o banheiro com as mãos nos lábios.
- O que foi isso? – Ele perguntou preocupado quando ela voltou.
- Eu disse que não estava me sentindo bem. Acho que comi demais ou você me envenenou. – Ela brincou novamente, mas estava realmente um pouco pálida e sentou-se no sofá com as pernas sobre a mesa de centro.
- Fique ai eu vou fazer um chá para você. – Disse ele, pondo a mão sobre a testa dela para ver se tinha febre, mas não, devia ser um mal estar passageiro.
- Não precisa. Está na minha hora mesmo. Só preciso ficar mais um pouquinho sentada aqui.
- Não seja teimosa. Eu já volto. – Por mais independente que ela fosse sempre era bom ter alguém para cuida-la e Mulder era muito bom nisso. Ele lhe dava segurança, estabilidade e conforto, não havia nada dele que ela não gostasse. Bem, talvez ele pudesse ser um pouco mais realista em alguns aspectos, mas ninguém fazia com que ela se sentisse especial, além dele. Ele lhe fez chá e trouxe um cobertor e os dois deitaram no sofá aconchegados um no corpo do outro, como se tivessem feito aquilo por uma vida inteira. E de repente ela não quis mais ir embora, pois o peito dele era o melhor lugar para dormir e o mais seguro também.
- Posso ficar aqui hoje à noite? – Ela perguntou como se já não soubesse a resposta, e enquanto acariciava seus cabelos delicadamente ele confirmou dizendo:
- Pode ficar sempre.
Com um sorriso ela se deixou adormecer, mas Mulder ainda ficou ali mais um tempo, olhando para o teto tentando entender tudo aquilo que estava acontecendo. Aquilo estava se repetindo tanto que ele estava começando a cogitar a ideia de chama-la oficialmente de namorada, mas não sabia como ela reagiria a isso. Scully parecia satisfeita com aquele arranjo que eles tinham criado, porém ele poderia estar errado. E estava. Scully queria se entregar por completo a aquele relacionamento, mais do que nunca ela sentia como se eles já fossem um casal há séculos mas nunca se deixaram perceber antes, por causa das implicações disso, mas ela estava cansada de ter medo e começou a pensar na possibilidade de falar o que sentia para ele. Talvez numa próxima semana. Agora ela só queria e precisava desesperadamente dormir.
