Capítulo 6: 7x22 – Requiem/ 7x01-Within
- Não vale a pena, Scully. Você merece mais que isso. – Mulder disse para ela na noite anterior e ela o apertou contra seu corpo para aquece-la e não podia imaginar que tão pouco tempo depois ali estava ela com uma notícia surpreendente a qual ele era a primeira pessoa que deveria saber e não estava ali para receber.
Grávida! Ela estava grávida? Como isso era possível? Aquele evento estranho na floresta tinha algo a ver com isso? Extraterrestres tinham algo a ver com isso? Ela não sabia. Tudo que ela sabia era que ela estava grávida de Mulder e ele não estava por perto.
Que ironia do destino, ele foi até lá para impedir que ela fosse, porque tinha medo de perde-la e foi ela que acabou perdendo-o.
E agora ali estava ela contando justamente para Skinner sua gravidez surpreendente e aguardando a fatídica pergunta que ela não podia responder.
- Meus parabéns. – Foi a primeira coisa que ele disse, embora tão surpreso quanto ela. – Como isso é possível? Quer dizer, pensei que você não pudesse...
- Eu também. – Ela disse ainda em meio as lágrimas. – Me desculpe. Muitas informações ao mesmo tempo.
- É claro, mas sem querer ser indiscreto, Scully. Mas eu não sabia que você estava saindo com alguém.
- Era algo meio... Recente. – Ela explicou, abaixando a cabeça. Não que ela pudesse chamar uma amizade de oito anos de recente, mas como casal eles eram sim muito recentes.
- É alguém que eu conheço? – Ele quis saber, tentando não ser invasivo.
- Skinner, eu prefiro não falar sobre isso por enquanto. Preciso falar com minha mãe... E com o pai do bebê primeiro.
- É claro, eu entendo. Mas qualquer coisa que você precisar... – Ele pôs a mão sobre a dela, de forma gentil.
- Eu sei. – Ela respondeu e não recebeu mais visitas.
Porém sua noite não foi tranquila, sonhou com Mulder sofrendo testes horrorosos e acordou assustada, levando instintivamente sua mão a barriga. Um pedaço dele ainda estava com ela, e isso a confortava um pouco. Quando recebeu alta, sua semana não foi exatamente tranquila também, como se não bastasse o desaparecimento de Mulder e os enjoos, haviam colocado um novo pessoal no FBI que não a agradava. Reviraram as coisas de Mulder, mexeram em sua sala, tiraram as coisas do lugar e aquilo fazia com aquela sentisse que seu mundo todo estivesse despedaçando.
Ela sentiu de repente uma enorme vontade de ver sua mãe, de falar com ela, abraça-la e deitar em seu colo como se ela fosse uma criança e sua mão pudesse resolver todos os seus problemas, mas ela não estava em casa e mais uma vez ela se sentiu sozinha. Aquele bebê já nasceria como sendo um sobrevivente, ele aprenderia desde cedo que a vida de seus pais não foi e não é nada fácil. Ela estava tão cansada que nem lembrou de trocar de roupa antes de dormir e por sorte o fim da semana havia chegado e ela não trabalharia no dia seguinte. Então quando a campainha tocou, ela ficou surpresa, mas levantou-se rapidamente e foi até a porta. Era sua mãe. Ela se jogou nos braços de sua mãe instantaneamente e pôs- se a chorar.
- Qual o problema, Dana? Você me deixou preocupada com a sua ligação.
- Desculpe, mãe. Tem tanta coisa acontecendo na minha vida e eu não conseguia mais segurar. Precisava falar com você.
- Mas é claro, querida. Você pode e deve ligar quando quiser. O que houve? – As duas saíram da porta e Margareth fez Scully sentar no sofá.
- Eu não sei por onde começar. – Scully disse depois de uma longa pausa tentando se acalmar. – Então vou falar o principal. Mãe, eu estou grávida. Você vai ser avó. – Ela disse com um sorriso nervoso.
- Mas como isso é possível? – Ela pôs as mãos nos lábios chocada. – Mas que maravilha! – Margareth abraçou a filha com empolgação e então se lembrou: - Mas espera, quem é o pai? Você está saindo com alguém e não me falou nada?
- É, mais ou menos recente. Como vou explicar isso... – Ela fez uma pausa e mordeu os lábios nervosa.
- Dana, você já é adulta, não precisa ter medo de me contar que tem um namorado. – A mãe dela debochou um pouco.
- Eu não contei porque você já o conhece. Inclusive gosta muito dele. E não decidimos ainda o que somos um para o outro então...
- Ai meu Deus, é o Mulder, não é? – Margareth a interrompeu com um sorriso.
- É. Mas como você sabia? – Scully perguntou chocada.
- Por favor, só um cego não vê que vocês dois se amam. Desde quando isto vem acontecendo? Margareth tocou a barriga ainda plana dela.
- Alguns meses. - Ela respondeu ainda sem jeito. – Mas por favor mãe você é a única que sabe que Mulder é o pai e preciso que se mantenha em silêncio por enquanto.
- Mas porquê? Não é como se fosse alguma novidade que vocês dois fossem ficar juntos. Estou tão feliz por vocês. Não entendo porque você me ligou daquela forma. O que há de errado? Você milagrosamente está grávida e de um homem maravilhoso que a ama. –Margareth acariciou gentilmente o rosto dela.
- Mulder está desaparecido, mãe. – Ele foi abduzido. – Scully engoliu as lágrimas tentando não cair no choro novamente e Margareth pôs a mão sobre os lábios em choque. – Não sei se vou voltar a vê-lo com vida. Não gosto de pensar nisso mas...
- Não fale isso, Dana. Ah minha querida. Margareth a abraçou novamente e Scully deitou no colo dela como se fosse uma criança novamente.
- Eu não quero acreditar mas tenho tido pesadelos horríveis com ele.
- Shh não pense nisso. Tenho certeza que ele vai ser encontrado e ai você poderá dar essa notícia maravilhosa a ele. Mas enquanto isso não acontece você precisa se cuidar e cuidar dessa nova pessoinha na sua barriga. – Ela pôs a mão na barriga de Scully novamente.
- Eu tenho me sentido tão sozinha, sem ele por perto, mãe. É tão difícil ir para o trabalho e olhar para a sala dele.
- Eu sei, querida. Pense que é apenas passageiro. Você vai encontra-lo, tenho certeza. Assim como ele encontrou você quando você também desapareceu. Eu nunca perdi minha fé em rever você. Sentia em meu coração que você estava bem, e é por isso que lhe digo que você vai voltar a vê-lo.
- Obrigada por vir até aqui, mãe. – Scully encolheu-se ainda mais no sofá.
- Sempre que você precisar, pode me chamar. Eu estou muito feliz por você, Dana. Tenho certeza que será uma mãe maravilhosa. Ela se sentia mais leve depois de ter escancarado tudo para sua mãe, que queria saber de todos os detalhes sobre seu relacionamento com Mulder. Ela se recusava a crer que aquilo estava acontecendo há apenas alguns poucos meses, achava que eles já saiam juntos há anos mas não assumiam. Meu Deus, onde ele estaria nessas horas? O que ela não daria para poder abraça-lo e contar que ele seria pai. Margareth passou o fim de semana com ela, cuidando dela, dizendo como ela devia se alimentar e dando dicas sobre gravidez e Scully aos poucos se acalmou e voltou a ter fé e acreditar que encontraria Mulder com vida.
