Capítulo 8: 8x15- Deadalive

Scully juntou as poucas forças que lhe restavam para preparar o funeral dele. Ele era o último de sua família. Era triste saber que ele se fora tão jovem e sem ninguém de seu sangue para chorar por ele. Scully não conseguiu chorar quando viu o caixão ser fechado, pois já havia chorado tudo que podia antes disso, por ela e por seu bebê que nunca teria a oportunidade de conhece-lo. Chorou por todas as coisas que ela nunca teria a chance de dizer e por todos os momentos que nunca teria a chance de viver. E chorou também de raiva de si mesma por não ter aproveitado todos esses anos para ser sincera sobre seus sentimentos por ele. Porém não havia mais nada o que fazer.

E enquanto ela estava perdida em seus pensamentos acariciando o ventre já muito extendido, caminhando até o carro, Langley colocou a mão em seu ombro dizendo:

- Ele está num lugar melhor.É o que dizem, não é...

- É... – Ela suspirou resignada. – Não é justo. Ele morreu sem saber.

- Sem saber o que? – Scully olhou para a própria barriga e olhou para ele de volta. Os três pistoleiros solitários arregalaram os olhos.

- Mulder é o pai?

- Não contem a ninguém. Eu não quero olhares penalizados. – Ela explicou constrangida.

- Mulder é o provedor milagroso então. Por isso ele nunca me deu seu telefone. Embora eu tenha pedido diversas vezes. – Ele deu um sorriso amistoso e ela correspondeu.

- Não estava acontecendo há muito tempo. Ninguém sabia, e bem agora não precisam mesmo saber. Confio em vocês para manter isso em segredo está bem?

- Sem problemas. Eles garantirem. – E se precisar de alguma coisa, qualquer coisa pra você ou para o bebê, pode contar conosco. Será como ter um pouco de Mulder entre nós novamente.

-Obrigada. – Ela agradeceu com sinceridade, mas não precisava de nada, exceto Mulder de volta e isso era impossível.

Naquela noite ela foi ao apartamento dele, alimentar os peixes e resolveu ficar por lá. Pegou uma camisa dele no guarda-roupa e dormiu na cama abraçada a ela, sentindo seu cheiro e sonhando com a presença dele ali. Como ela se sentia solitária! Todos aqueles meses o que a manteve sã foi a esperança de encontra-lo novamente e agora sua esperança havia sido substituída pela dolorosa realidade.

Ela não se lembrava de como era a vida antes de Mulder. Ele estava em sua vida há quase uma década e ocupava um grande espaço nela, como preencher esse vazio? Afundou-se nas cobertas pensando em como faria isso, pelo bem dela mesma e de seu bebê. Em algum momento seu luto precisaria terminar, porém não seria naquela noite.

Uma semana havia se passado quando Skinner teve a ideia maluca de que Mulder podia ter sido enterrado vivo. Como ele podia dizer isso? Ela havia conferido o corpo dele, e tentado reanima-lo de todas as forças possíveis portanto ela não podia negar que aquela mísera ideia enchia seu coração de esperança. Levá-lo de volta para o hospital naquele estado era doloroso pois seu lado racional dizia que ele jamais acordaria daquela situação, mas ao mesmo tempo ela desejou tanto tê-lo de volta que não poderia ignorar essa possibilidade.

E por isso ela lutou para descobrir como salvá-lo e não saiu do lado dele o tempo todo. Sua mãe levava lanches para ela, temendo por sua saúde em seu estado de gravidez avançada, esquecendo-se de que ela era médica e sabia como cuidar de si e de seu bebê.

- Acorde, Mulder. Volte para mim. – Ela sussurrava baixinho, acariciando o cabelo dele.

Pegou nas mãos dele e ela continuavam frias e pálidas como as de um cadáver. Mas depois da recuperação milagrosa do outro paciente com os mesmos sintomas de Mulder, as expectativas dela voltaram a ficar altas e ela contou não com a razão, mas com sua intuição para salvá-lo. E aos poucos ele foi recuperando a cor e a temperatura normal de um corpo sadio. Ela estava quase pegando no sono ao lado da cama dele quando ouviu uma respiração profunda. Não podia ser verdade.

Ele estava abrindo os olhos. Ela arregalou os seus, chocada e positivamente surpresa. E então seu mundo desmoronou quando ele a olhou de forma confusa e disse:

- Quem é você?

Não, por favor, depois de tudo isso, ele não poderia ter amnésia, Deus estava de sacanagem com ela mesmo. E quando ela se preparava para deixar as lágrimas escorrerem por seu corpo apavorado ele deu aquele sorriso malandro de quem dizia: - Estou apenas tirando um sarro da sua cara.

- Não faça isso comigo! – Ela implorou com a voz rouca. – Você tem ideia do que aconteceu com você?

Não ele não tinha a ideia mas sentiu-se mal por brincar com ela, pois aparentemente havia sido grave e aparentemente ele ficara fora por muito tempo, pois ela estava grávida. Mulder pegou na mão dela e beijou suavemente:

- Me desculpe. Eu nunca brincaria com uma mulher grávida.

- Você morreu, Mulder! Literalmente. Ela deitou no peito dele suspirando. Pensei que nunca mais veria você.

-Scully, desculpe pela brincadeira de mal gosto. - Ele beijou o topo da cabeça dela. – Eu não tinha ideia. Quer dizer, eu não tenho ideia.

O momento foi interrompido pelo médico que explicou que ele estava completamente saudável, por um milagre, pois não havia outra forma de explicar o ocorrido.

E então ele ficou sabendo que passou sete meses desaparecido, que foi encontrado morto e que neste tempo Scully engravidou de maneira misteriosa e milagrosa, pois ninguém sabia quem era o pai do bebê. Ele desconfiava de uma inseminação, mas não queria fazer perguntas. Não sabia aonde ele cabia na vida dela neste momento, já que para ele, ele a havia visto ontem, mas para ela, meses haviam se passado. Scully o levou para casa e tudo era estranho. As coisas estavam no mesmo lugar, tudo soava familiar mais ao menos tempo distante e estranho, especialmente quando Scully lhe explicou que ele não estava mais nos "Arquivos X". Ele estava morto, sem emprego e a mulher que ele amava estava grávida. Realmente talvez teria sido melhor ter permanecido morto, mas ele guardou seus pensamentos negativos para si, pois Scully parecia tão feliz em vê-lo.

- Me desculpe, Scully. – Ele explicou. – Não quero soar ingrato, mas tudo está tão confuso. Não sei mais onde me encaixo. – Ele baixou os olhos envergonhado.

"Você se encaixa aqui comigo e com nosso filho." Ela quis dizer, mas ele já havia tido surpresas o suficiente por um dia.

-Mulder eu rezei tanto para você voltar. E minhas preces foram atendidas. – Ela disse simplemente, com aqueles grandes olhos azuis brilhantes, que pareciam brilhar ainda mais agora que ela estava grávida.

- Parece que todas suas preces foram atendidas. – Ele disse, olhando para a barriga dela. E então ela se deu conta: ele não tinha ideia de que o bebê era dele.

- Mulder... Ela pensou em contar sobre o bebê mas depois de um segundo mudou de idéia. E se o bebê não fosse mesmo humano? Mulder já estava confuso o bastante e tivera surpresas que chega. Não era o momento de contar que o bebê poderia ser um fruto do amor deles ou uma experiência extraterrestre. – Tenho que voltar ao trabalho. Nos vemos mais tarde?

- Claro. Ele deu um leve sorriso.

Scully foi embora e ele foi ao quarto e sentiu o perfume dela. Ela havia estado ali, o cheiro do shampoo que ela usava estava impregnado em seu travesseiro e lhe doeu ainda mais a forma como a tratou imaginando que ela devia ter dormido ali para se confortar de sua suposta morte. Como pudera ter sido tão frio? Bateu a cabeça no travesseiro arrependido por ter sido tão estúpido e decidiu que assim que a visse novamente a trataria melhor, da forma como ela merecia. Mas primeiro precisava descansar pois sentia-se como se um caminhão tivesse passado por cima de seu corpo.