Capítulo 9- 8x17-Empedocles

No dia seguinte ele aproveitou para tomar as rédeas de sua vida novamente e visitou a casa de sua mãe que ainda estava fechada. Finalmente resolveu separar as coisas que doaria, as coisas que seguraria com ele e as coisas que não tinham mais serventia. Doía estar lá novamente, o lugar parecia tão frio e tão diferente, embora tudo estivesse exatamente no mesmo lugar. E então encontrou uma antiga boneca de pano entre as coisas dela. A boneca pertence-la a ela e depois a Samantha e ela sempre quis que continuasse na família, com uma neta. Tão cedo ele não teria uma filha, mas sabia de alguém que em breve teria um bebê: Scully.

Ele não sabia o sexo do bebê, mas de qualquer forma queria que ficasse com Scully, pois agora ela era a mulher mais importante presente em sua vida e ele precisava muito se redimir com ela.

No entanto Scully havia se sentindo mal e havia passado o dia no hospital. Ele nem tivera tempo de ir logo em seguida vê-la pois passara o dia fora resolvendo um caso relacionado ao agente Dogget, com a agente Reyes e não queria preocupa-la, porém quando a visitou finalmente ela foi agradável, e não parecia reter algum ressentimento do tratamento que ele havia lhe dado no dia anterior.

- Eu gosto da agente Reys. -Ela comentou delicadamente.

- Vocês não se parecem em nada. –Mulder replicou surpreso.

- Nem você e eu. "E, no entanto, eu gosto muito de você". Ela pensou em responder mas sabia que isso já estava implícito na frase quando ele acariciou a barriga dela.

"Como ele gostaria que aquele bebê fosse dele." Ele pensou. Mas logo ela voltou a falar do caso novamente e ele cortou o assunto pois ela precisava de descanso.

- Scully, agora não é o momento para falar disso. Eu lhe devo desculpas. – Ele a interrompeu, visivelmente embaraçado.

- Pelo que? – Perguntou ela confusa.

- Pelo modo como agi ontem. Fui insensível. Não imaginava que eu estava desaparecido há tanto tempo. Isso tudo é uma loucura e eu não soube agir bem.

- Está tudo bem. – Ela garantiu, pousando a mão sobre a dele que ainda estava sobre seu ventre estendido.

- Obrigado por não desistir de mim. – Ele agradeceu com sinceridade.

- Sei que você faria o mesmo por mim. – Ela deu um sorriso leve e então ele sentiu um movimento na barriga dela e deu um pulo fazendo-a rir.

- Que foi?

- Ele sempre faz isso? – Perguntou surpreso.

- Acho que ele gostou de você. Venha cá, sinta isso. – Ela pegou a mão dele novamente e colocou sobre onde era possível sentir o bebê chutar com força e os dois trocaram um olhar amoroso pela primeira vez desde que ele havia acordado no hospital.

- Sabe, você é o único que ainda não me perguntou sobre o pai do bebê. – Ela comentou, tentando instiga-lo para ver o que ele pensava a respeito.

- Porque eu respeito você, acho que isso é assunto seu e se você quer manter em segredo, está em seu direito. Se você quiser me contar, você vai contar no seu momento, não é? Eu estive tanto tempo fora, acho que não tenho direito de exigir nada de você. - Uma lágrima discreta escorreu pelo olho dela. Malditos hormônios.

- É... – Ela suspirou resignada.

-Aliás, não falei, mas você ficou ainda mais bonita grávida.

- Mentiroso. - Ela sorriu.

- Ah tenho que te perguntar uma coisa... De que evento milagroso eu participei, para Langley me parabenizar? – Perguntou ele confuso.

- Sua volta para o mundo dos vivos, é claro. – Ela mentiu obviamente.

- Ah, é mesmo. Posso lhe oferecer uma pizza quando você sair daqui? – Perguntou ele, acariciando o rosto dela.

- Pode. – Ela assentiu ainda emocionada com as palavras dele. – Você ficou com ciúmes do cara da pizza? – Ela provocou.

- Um pouco, mas também é uma desculpa para lhe dar aquele presente que eu ia dar antes de você começar a passar mal. Agora descanse. Tenho que ir. – Ele lhe deu um beijo suave na testa e foi embora.

Será que ele pensava mesmo que ela havia se apaixonado em sete meses e engravidado? Será que ele pensava que ela estava com alguém? Será que ele não havia cogitado uma mínima possibilidade de inseminação artificial, dado o histórico dela? Scully estava confusa, mas Mulder com certeza estava mais confuso, especialmente por não ter a menor ideia do que havia acontecido com ele. E que presente será que era esse? Seria algo para ela ou para o bebê? A curiosidade a impedia de descansar plenamente e ela não via a hora de sair dali e retomar sua vida. Ficar numa cama definitivamente não era para ela. As horas pareceram demorar anos a passar, até que Mulder apareceu para busca-la. Enquanto ela tomava banho e se vestia ele mesmo preparou uma pizza para eles.

- É uma pena que não estou com fome. – Ela suspirou acanhada.

- Está com saudades do seu cara da pizza, certo?

- É, mas ele vem mais tarde. – Ela brincou, mas por um minuto ele levou a sério fazendo uma cara incrédula e ela riu. E então ele finalmente lhe deu o presente: uma boneca de pano. Nem em um milhão de anos ela acertaria isso, mas ela disse que gostou e foi sincera, mais que isso, ainda completou:

- Você me deu outro presente também. – Por um momento ele pensou que ela diria que aquele bebê na barriga dela, era deles, mas sabia que lá no fundo que seria sonhar alto demais. Ele nem podia imaginar que ela realmente cogitou falar isso, mas pensou que não era a hora certa pois ele já tivera surpresas demais em apenas dois dias. E então ela simplesmente disse:

- Coragem para acreditar. Espero que este presente eu passe para frente.

- Tenho certeza que sim. – Ele garantiu e como se lesse os pensamentos dele e soubesse que ele estava louco para tocar na barriga dela novamente, ela pegou a mão dele e pousou sobre sua barriga.

- Acho que ele está com fome, viu?

- Ele?

- Ou ela. – Ela prosseguiu com o suspense e eles finalmente comeram a pizza. Depois disso ele recolheu e lavou os pratos e a impediu de ajudar em qualquer coisa que fosse. Ela já estava ficando sonolenta, mas se recusava a dormir agora que o tinha ali tão perto depois de tantos meses de ausência.

- Mulder, deixe as coisas ai. Sente-se aqui comigo. – Ela pediu com a voz um tanto rouca, como se estivesse ou ficaria resfriada em breve.

- Eu fiz a bagunça, eu limpo. Você se preocupe apenas em se cuidar, por você e pelo carinha ai.

- Eu quero lhe pedir uma coisa. – Ela o fitou profundamente e tomou fôlego.

- Semana que vem eu começo a minha licença maternidade. Sei que você recém voltou e é tudo novidade, mas... Será que poderia fazer isso comigo?

- Isto o que? O bebê? – Ele perguntou surpreso e contente ao mesmo tempo.

- É... Quando eu for para o hospital e tudo mais... Você pode estar comigo? – O tom dela era choroso, como se soubesse que era algo grande que ela pedia, especialmente porque ele não sabia que era o pai do bebê, mas sem pestanejar ele respondeu:

- É claro que sim. Eu vou sempre estar aqui. Sempre que vocês dois precisarem.

- Obrigada.

Ela deitou a cabeça no ombro dele e Mulder beijou-lhe a testa com os olhos fechados. E ele logo assumiu seu papel de "pai substituto" sem saber que era o pai biológico mesmo. Mulder começou a ler livros sobre gravidez e recém-nascidos e até assistiu programas falando sobre isso. Ajudou Scully a preparar o enxoval, o que não fora fácil visto que ela não queria revelar o sexo de jeito nenhum.

E a licença não durou muito também, pois se tratando de Scully ela não aguentou ficar um dia inteiro longe do serviço e resolveu que trabalharia até o dia do nascimento ou até que seu corpo aguentasse. E assim se passaram os últimos dois meses seguintes, até que novamente surgiu a dúvida: como este bebê havia sido concebido? Novas evidências de que sua concepção milagrosa fora sobre-humana surgiram e Scully estava em perigo. E Mulder pela primeira vez entendeu o motivo pelo qual ela estava fazendo tanto mistério a respeito da paternidade dessa criança: ela não sabia se seu filho era um produto de uma concepção humana ou uma experiência extraterrestre. Como ele não havia percebido antes? Justamente ele, não tinha sido capaz de perceber que talvez a gravidez de Scully fosse um caso para o Arquivo X. Era dolorido imaginar que a mulher que amava pudera ter sido usada dessa forma tão vil e jurou protege-la. Proteger a ela e a pequena criatura dentro dela, fosse o que fosse.